Transporte

ANTT discute transporte multimodal e o futuro da logística de cargas no Brasil

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizará, em 12 de dezembro, das 10h às 12h, o webinar “Perspectiva do Transporte Multimodal no Brasil”, voltado a discutir desafios e oportunidades do transporte de cargas no país. O encontro busca ampliar o diálogo entre transportadores, embarcadores, operadores logísticos, órgãos públicos e demais agentes do setor.

Palestrantes vão abordar temas estratégicos
A programação reúne especialistas de áreas essenciais para a logística brasileira. Entre os convidados, haverá um representante do Fisco, que explicará os impactos tributários sobre a cadeia logística; um porta-voz da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL), trazendo análises práticas sobre a operação multimodal; e um representante da Superintendência de Infraestrutura Ferroviária (SUFER/ANTT), que tratará da evolução do transporte ferroviário e de sua função na integração entre modais.

Integração de modais como motor da competitividade
Ao aproximar diversos agentes da cadeia logística, o webinar cria um ambiente de discussão qualificada sobre pontos fundamentais para o avanço da multimodalidade no Brasil. Entre os temas em destaque estão questões regulatórias, operacionais, tributárias e de integração entre os diferentes modais de transporte — elementos considerados chave para aumentar a eficiência e a competitividade do setor.

As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pelo site oficial da ANTT. O link de acesso ao webinar será enviado aos inscritos antes do início do evento.

Garanta sua participação e esteja na linha de frente da transformação do transporte de cargas no Brasil.

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FONTE: ANTT
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Divulgação / Comunicação ANTT

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Notícias

Fogo no navio “One Henry Hudson” evidencia vulnerabilidade das cargas e necessidade de seguro especializado

O incêndio no navio porta-contêineres One Henry Hudson, no último dia 21 de novembro, expõe com clareza um dos maiores desafios do comércio exterior: a imprevisibilidade dos riscos no transporte internacional. O navio estava atracado no porto de Port of Los Angeles – o porto mais movimentado da América do Norte, quando sofreu um incêndio à bordo. 

Em cada rota, mercadorias estão sujeitas a incêndios, explosões, colisões, naufrágios, furtos, manuseio incorreto, avarias causadas pelo clima e até roubos — situações capazes de resultar em perda parcial ou total da carga. Para importadores e exportadores, essas mercadorias representam investimento real e capital aplicado; por isso, um sinistro como o ocorrido em Los Angeles pode significar não apenas prejuízo irreparável, mas comprometer a continuidade do negócio. 

Por que o seguro de cargas é imprescindível

O seguro surge, então, como ferramenta indispensável para garantir segurança financeira e previsibilidade, transferindo o risco para a seguradora e assegurando compensação em caso de danos. Mais do que proteção patrimonial, operar com seguro transmite credibilidade e profissionalismo aos parceiros internacionais, reforça relações comerciais e reduz o risco de litígios quando há perdas. Por essa razão, especialistas em logística e seguros marítimos afirmam que, no comércio exterior moderno, a cobertura deixou de ser apenas recomendável — ela se tornou essencial. Segundo Paola Lima, coordenadora do setor de Comex da BWIN TECH Corretora de Seguros, a importância de contratar o seguro é exatamente para evitarmos situações que fogem do nosso controle. “Por vezes os clientes podem apostar tudo que possuem em um embarque, e estes eventos que o fazem perder sua “grande aposta” e sair no prejuízo irão gerar dor de cabeça e estresse desnecessário. Pode levar anos para se reestruturar e nesta hora se o Agente de Carga não possuir a devida contratação do seguro e corretores parceiros, também sairá no prejuízo. O seguro irá suportar isso, não é apenas seguro, são os sonhos de alguém, a dor de cabeça que pode ficar com quem entende do negócio e se preocupa e garantir que a operação seja realizada com excelência do início ao fim, tornando tudo mais fluído e descomplicado.” explica. 

Como a BWIN TECH ajuda a mitigar riscos e proteger operações

No Brasil, um dos principais parceiros para quem busca segurança nas operações de transporte internacional é a BWIN TECH. A empresa é uma corretora especializada em seguros de transporte e gestão de riscos, com mais de 20 anos de experiência. 

Entre os serviços oferecidos pela BWIN TECH, destacam-se:

  • Análise detalhada de riscos e perfil do negócio – A BWIN TECH avalia cada operação considerando tipo da carga, rota, modal, valor e particularidades do embarque, para definir a cobertura mais adequada. 
  • Soluções personalizadas de seguro – A corretora oferece apólices avulsas (para embarques únicos) e apólices abertas (para empresas com operações frequentes), adaptando-se às necessidades específicas de cada cliente. 
  • Consultoria logística estratégica e gestão de riscos integrados – A BWIN TECH não fornece apenas o seguro, mas orienta sobre práticas de logística e mitigação de risco, promovendo segurança operacional do início ao fim da cadeia. 
  • Suporte em caso de sinistro – Em eventos como incêndios, explosões ou perdas totais, a empresa auxilia no acionamento da cobertura, assegurando que o cliente tenha respaldo profissional e ágil para recuperar seu investimento. 

Dessa forma, a atuação da BWIN TECH se torna diferencial competitivo: ela transforma o seguro de cargas em componente estratégico, reduz vulnerabilidades e traz tranquilidade a quem opera no comércio exterior. “É importante também, analisar se sua apólice está bem desenhada para sua operação, com a devida cobertura para estes incidentes, para o container e principalmente para a operação como um todo, é de extrema importância averbar o seguro completo com as coberturas que são disponibilizadas pela seguradora tais como Despesas 10%, Lucros Esperados 10%, para que o ressarcimento seja o mais próximo do prejuízo”, destaca Paola Lima. 

Como foi o incidente da noite de 21 de novembro

Segundo informações divulgadas na imprensa internacional, o incêndio teria começado com um suposto curto-circuito elétrico, começaram abaixo do convés e se alastraram por diversos níveis da embarcação, provocando uma explosão no meio do convés. A carga incluía materiais perigosos, o que levou autoridades a emitir ordem de abrigo (shelter-in-place) para comunidades vizinhas e a definir uma zona de segurança de uma milha náutica ao redor do navio. 

Mais de 100 bombeiros foram chamados para combater o incêndio no Porto de Los Angeles, o porto mais movimentado da América do Norte. A embarcação de 336 metros de comprimento é operada pela One Ocean Express, uma empresa de transporte marítimo com sede em Cingapura. Antes de Los Angeles, o navio esteve recentemente no Japão, parando em Kobe, Nagoya e Tóquio.

Apesar de os 23 tripulantes escaparem ilesos, cerca de 100 contêineres foram consumidos – um prejuízo que, dependendo do valor da mercadoria, pode representar perdas que superam milhões de dólares. 

Lição para importadores e exportadores

O incêndio no navio One Henry Hudson expõe como – mesmo com procedimentos de segurança, documentação rigorosa e transporte regular – eventos imprevisíveis podem colocar tudo a perder: carga, tempo, dinheiro e credibilidade. Quando se lida com transporte internacional, não basta depender da sorte ou boas práticas logísticas.

Para quem importa ou exporta mercadorias – especialmente cargas sensíveis ou de alto valor – ignorar o seguro de carga é um risco que pode custar caro. A contratação de seguro internacional, por meio de uma corretora especializada como a BWIN TECH, passa a ser uma obrigação de mercado, e não um extra.

Além disso, contar com suporte técnico, consultoria e uma cobertura adequada significa transformar uma operação vulnerável em uma operação resiliente – capaz de resistir a crises, recuperar-se de imprevistos e seguir operando com confiança.

FONTE: Infomoney / BWIN Tech

IMAGEM: CNN/ESPANHOL

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Portos

Portos do Sudeste registram recorde histórico e movimentam 186,7 milhões de toneladas no 3º trimestre

A movimentação de cargas nos portos do Sudeste alcançou um novo recorde entre julho e setembro de 2025, chegando a 186,7 milhões de toneladas. O volume representa alta de 9,10% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Antaq. O avanço foi puxado sobretudo pelos Terminais de Uso Privado (TUPs) e pela forte demanda por petróleo e minério de ferro.

Os TUPs lideraram o desempenho, com crescimento de 13,60% e total de 124,5 milhões de toneladas movimentadas. Já os portos públicos tiveram expansão mais moderada, de 1,09%, alcançando 62,2 milhões de toneladas.

Terminais de petróleo puxam o avanço na região

O recorde regional foi impulsionado por terminais especializados em granel líquido. O Terminal de Petróleo de Açu (TPET/TOIL), no Rio de Janeiro, registrou alta de 38,06% e somou 17,8 milhões de toneladas. O Terminal Aquaviário de Angra dos Reis também se destacou, com crescimento de 25,34% e volume de 18,8 milhões de toneladas. Ambos, focados em petróleo bruto, foram decisivos para o salto na movimentação de granel.

Esse avanço quebra um período de relativa estabilidade observado nos últimos anos. Em 2023, o terceiro trimestre havia movimentado 170,9 milhões de toneladas, e em 2024, 171,1 milhões — muito abaixo do resultado atual.

Governo atribui alta à eficiência e modernização

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o desempenho histórico reflete a consolidação de uma gestão focada em eficiência logística e na integração com o setor privado. Segundo ele, o crescimento no Sudeste demonstra que a modernização dos terminais e a confiança do investidor vêm ampliando a competitividade internacional do país.

Portos públicos mantêm solidez e reforçam cabotagem

Os portos organizados movimentaram 62,2 milhões de toneladas e seguem essenciais para a economia nacional. O Porto de Santos permanece como o maior complexo da região, com 38,4 milhões de toneladas e alta de 2,68%. A cabotagem em Santos ganhou força, crescendo 22,54%, impulsionada por contêineres e cargas diversas.

O Porto de Itaguaí, especializado em minério de ferro, manteve seu alto nível operacional ao registrar 17,3 milhões de toneladas, apresentando apenas leve variação negativa de 1,4% frente ao desempenho robusto do ano anterior.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Vosmar Rosa (MPor)

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Comércio Exterior

Panamá cria programa de verificação para cargas que entram e saem do país

O Conselho de Gabinete do Panamá aprovou a criação do Programa de Coordenação Interinstitucional e Assistência Intergovernamental de Verificação de Cargas no território panamenho. Com essa nova norma, toda carga em contêineres que entre, transite, faça transbordo ou saia do país poderá ser verificada.

A iniciativa será implementada por meio de tecnologia não intrusiva, podendo incluir também contêineres vazios, conforme determinação das autoridades. As inspeções serão realizadas de forma seletiva ou aleatória, seguindo critérios de gestão de riscos e as normas estabelecidas pela Autoridade Nacional de Aduanas (ANA), com o objetivo de garantir um comércio internacional seguro dentro da cadeia logística global.

A ANA executará o programa em coordenação com outras entidades governamentais envolvidas na entrada, saída ou permanência de mercadorias no território panamenho, além de órgãos com interesse na luta contra o crime organizado, terrorismo, contrabando, proliferação de armas de destruição em massa e outras ameaças à segurança nacional.

Sob a estrutura da ANA, será criada a Unidade de Inspeção Técnica de Contêineres, responsável pelas verificações técnicas das cargas, e a Unidade de Análise de Risco, que desenvolverá matrizes, perfis e avaliações de risco, além de classificações de carga perigosa e protocolos de segurança e retorno ao porto de origem.

Em parceria com operadores portuários e aeroportuários e autoridades competentes, serão definidos os requisitos técnicos e os termos de aquisição, operação e manutenção dos equipamentos de inspeção não intrusiva, que deverão ser instalados em portos, aeroportos internacionais, fronteiras terrestres e zonas francas.

A Autoridade Nacional de Aduanas enviará relatórios periódicos ao Conselho de Segurança Nacional, detalhando as inspeções realizadas, avaliações e recomendações, em conformidade com os princípios de transparência, legalidade e segurança no comércio exterior.

Além disso, o órgão buscará firmar acordos bilaterais e multilaterais de cooperação com autoridades aduaneiras de outros países, a fim de compartilhar informações confiáveis e reduzir os riscos à segurança da cadeia logística internacional.

FONTE: Portal Portuário
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Portos

O Porto de Long Beach conclui a recuperação de 95 contêineres que caíram ao mar do navio “Mississippi”

Os 95 contêineres que caíram do navio porta-contêineres “Mississippi” no Porto de Long Beach no início de setembro foram recuperados, encerrando mais de duas semanas de operações de salvamento, informa a World Cargo News.

O incidente ocorreu em 9 de setembro, quando duas baias do navio colapsaram durante a descarga no terminal Pier G da International Transportation Service (ITS). Inicialmente, foram reportados 75 contêineres caídos, número que aumentou após a localização de unidades esmagadas e submersas na doca adjacente. Vários contêineres também atingiram uma barcaça de ar limpo operada pela Stax Engineering, provocando o rompimento de um tanque e o derramamento de cerca de 7.570 litros de diesel renovável, vazamento que foi contido no mesmo dia.

O Unified Command — integrado por agências federais, estaduais e locais junto com representantes dos navios envolvidos — informou que o último contêiner foi içado do porto às 15h28 do dia 26 de setembro, marcando o encerramento das tarefas de recuperação.

O “Mississippi”, navio de 5.504 TEUs fretado pela Zim para seu serviço transpacífico ‘ZEX’, foi estabilizado e atualmente é alvo de investigação pela Guarda Costeira dos EUA e pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB).

“Cada decisão durante o incidente no Pier G esteve centrada na segurança, seja com os mergulhadores recuperando contêineres ao redor do casco, avaliando o tráfego de navios na área de segurança ou com as equipes trabalhando dia e noite nas operações”, afirmou a capitã da Guarda Costeira Stacey Crecy, comandante da operação de resgate.

Os contêineres submersos foram localizados por meio de sonar de varredura lateral, veículos operados remotamente e equipes de mergulho, que também inspecionaram o fundo do “Mississippi” e retiraram unidades presas em torno do casco. O navio foi reposicionado com o apoio de um rebocador, embarcações-piloto e amarradores para acessar contêineres localizados sob sua estrutura.

O Unified Command confirmou que a zona de segurança de 500 jardas estabelecida após o acidente foi totalmente levantada, permitindo o tráfego normal de navios nas proximidades do Pier G sem necessidade de autorização especial. As equipes de Resposta a Poluição, Salvamento e Recuperação do Sistema de Transporte Marítimo já foram desmobilizadas. As operações do terminal Pier G estão totalmente restabelecidas e o tráfego portuário segue sem restrições.

“Este foi um evento extremamente incomum que exigiu uma operação de salvamento complexa e única”, destacou Michael Goldschmidt, do operativo de emergência do Porto de Long Beach. “Agradecemos à Guarda Costeira, aos administradores do navio, às equipes de salvamento e aos trabalhadores especializados da ILWU por acelerar um retorno seguro e rápido às operações normais”.

FONTE: Mundo Marítimo
IMAGEM: Reprodução/Mundo Marítimo

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Importação

Receita Federal retém carga de 2 navios em operação contra fraudes na importação de combustíveis

Segundo o órgão, empresas com pouca estrutura e capacidade financeira estão aparecendo como responsáveis por cargas milionárias.

A Receita Federal realizou na última sexta-feira (19) a Operação Cadeia de Carbono, contra fraudes na importação e comercialização de combustíveis, petróleo e derivados. A ação aconteceu em 5 estados: Alagoas, Amapá, Paraíba, Rio de Janeiro e São Paulo.

Fiscais realizaram diligências fiscais em 11 endereços nestes estados. Já foram retidas cargas de 2 navios no Rio de Janeiro, avaliadas em cerca de R$ 240 milhões, contendo petróleo, combustíveis e óleo condensado. Também estão na mira depósitos e terminais de armazenamento em São Paulo.

Segundo o órgão, empresas com pouca estrutura e capacidade financeira estão aparecendo como responsáveis por cargas milionárias. A suspeita é que essas companhias estejam sendo usadas como laranjas para esconder os verdadeiros donos das mercadorias e o caminho do dinheiro.

Essas práticas estão ligadas a crimes como lavagem de dinheiroevasão de divisas e sonegação fiscal. Em casos assim, a lei prevê que as mercadorias podem ser retidas ou perdidas.

A Receita também está investigando grandes grupos empresariais que usam contratos complexos para esconder os verdadeiros responsáveis pelas operações.

O órgão prepara uma nova norma para reforçar o controle sobre a importação de combustíveis e derivados. A medida foi discutida com o setor e busca evitar novas fraudes.

Fonte: G1

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Logística

Terminal logístico KBT, fruto de parceria entre Klabin, Brado e TCP, registra maior movimentação desde sua inauguração

Nesta segunda-feira, 15 de setembro, o terminal logístico intermodal KBT – uma colaboração estratégica entre a Klabin, a Brado Logística e TCP – completa quatro anos, marcando sua história com os melhores índices de produtividade já registrados desde sua inauguração. No primeiro semestre de 2025, foram movimentados 49.646 TEUs, número 12% superior aos 44.450 TEUs do mesmo período de 2024. As exportações de papel e celulose também tiveram desempenho expressivo: de 21.216 TEUs no primeiro semestre do ano passado para 23.978 TEUs neste ano, uma alta de 13%.

“Os aumentos progressivos na movimentação de contêineres, ano após ano, reforçam não apenas o comprometimento da TCP com a excelência e a melhoria contínua dos processos no terminal de Ortigueira, mas também evidenciam a força da colaboração estratégica entre Klabin, Brado e TCP. Essa sinergia operacional tem sido fundamental para garantir fluidez logística, integração entre modais e ganhos consistentes em produtividade e previsibilidade”, comenta Fabio Henrique Mattos, gerente de operações logísticas da TCP.

“O modelo de negócio da Klabin é integrado, flexível e diversificado, o que permite à Companhia expandir sua atuação continuamente, tanto interna como externamente. O KBT é essencial nesse sentido, pois garantiu ao longo desses quatro anos um crescimento fundamental para a empresa em mercados estratégicos. A sinergia entre as três empresas garante, desde 2021, uma operação que une eficiência, sustentabilidade e resultados que batem recorde ano após ano. Tudo isso é fruto do trabalho árduo de todos os envolvidos no KBT”, afirma Roberto Bisogni, Diretor de Planejamento Operacional e Logística na Klabin.

Esses resultados são reflexo da logística inovadora do KBT, que conecta o terminal de contêineres, administrado pela TCP, ao lado da Unidade Ortigueira da Klabin – com capacidade produtiva de 2,5 milhões de toneladas de papel e celulose por ano – ao Terminal de Contêineres de Paranaguá, por meio da ferrovia operada pela Brado Logística. O grande diferencial foi estruturar um corredor intermodal que reduziu a dependência exclusiva das rodovias, posicionando a ferrovia como protagonista da operação. Em maio deste ano foi registrado um recorde de 31 trações no mês (uma por dia) – cada tração representa uma composição com locomotiva e vagões carregados que saem de Ortigueira com destino ao porto de Paranaguá. Atualmente, o Terminal de Contêineres de Paranaguá é o único terminal portuário da Região Sul a possuir uma conexão direta entre a zona primária e um ramal ferroviário.

O avanço também pode ser medido pelo número de encostes de trens. De acordo com a Brado Logística, 140 trens provenientes do KBT chegaram à TCP, no primeiro semestre de 2024; já em 2025, foram 152 composições no mesmo período. Esse crescimento refletiu diretamente em uma redução no tráfego rodoviário: a estimativa da Brado é de que aproximadamente 12.232 caminhões tenham deixado de circular entre Ortigueira e Paranaguá no primeiro semestre deste ano, aliviando custos logísticos e a pressão sobre a malha viária no estado.

Para Giovanni Guidolim, gerente comercial, de logística e de atendimento da TCP, os números alcançados confirmam a relevância estratégica da iniciativa: “por ser feito sob medida (tailor made) para um único cliente, o KBT vem se consolidando ano após ano como referência nacional, provando seu valor com ganhos reais em eficiência e qualidade. O alinhamento entre Klabin, Brado e TCP garante, não apenas crescimento sustentável, mas também operações mais seguras, confiáveis e previsíveis”, explica.

Sustentabilidade na prática

Priorizar a ferrovia no modelo intermodal também traz benefícios ambientais significativos. De janeiro a julho de 2025, a estimativa é que o transporte de papel e celulose pela ferrovia tenha deixado de emitir cerca de 16 mil toneladas de gás carbônico — volume equivalente à emissão anual de 3,4 mil veículos. De acordo com o cálculo da Brado Logística, seriam necessárias 113,8 mil árvores para neutralizar integralmente esse volume de CO2.

Graciele Santos, executiva comercial da Brado Logística, ressalta que o KBT é um exemplo de como tecnologia e sustentabilidade podem caminhar juntas. “A capacidade de carga concentrada em um único trem minimiza as emissões de CO2 e ainda contribui para desafogar o fluxo rodoviário. É um exemplo claro de como iniciativas bem estruturadas podem colaborar no enfrentamento das mudanças climáticas”, afirma.

Os ganhos ambientais também se estendem à infraestrutura portuária. As cargas que chegam a Paranaguá são movimentadas por três guindastes pórticos sobre pneus (RTG) eletrificados, cuja conversão, concluída pela TCP há dois anos, reduziu em 97% as emissões de gás carbônico na operação de cada equipamento.

Administrado pela TCP, o terminal de contêineres de Ortigueira, que atualmente emprega uma equipe de 98 colaboradores, é um reflexo da consolidação e da crescente complexidade da operação. A expectativa é que o modelo continue impulsionando a produtividade do KBT e a competitividade das exportações de papel e celulose produzidas pela Klabin no mercado nacional e internacional, por meio dos embarques da carga tanto na modalidade de longo curso quanto de cabotagem.

Conquista inédita

Em agosto de 2025, o terminal de contêineres em Ortigueira recebeu, de forma inédita, a certificação ISO 9001, que comprova a adoção de elevados padrões de qualidade e o compromisso com a eficiência operacional, a satisfação dos clientes e a melhoria contínua.

O processo de autoria aconteceu na primeira quinzena de agosto e também avaliou todos os 33 processos do Terminal de Contêineres de Paranaguá, que formam o Sistema de Gestão Integrada (SGI). Com isso, a TCP conquistou a recertificação das normas ISO 9001 (Gestão de Qualidade), ISO 14001 (Gestão Ambiental) e ISO 45001 (Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional).

Fonte: TCP

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Comércio

Argentina: Revogam tarifas de referência para transporte de cargas

O Ministério da Economia da Argentina, por meio da Secretaria de Transporte, revogou as resoluções que estabeleciam as tarifas de referência para o transporte rodoviário de cargas de cereais, oleaginosas e derivados, no marco de um processo de desregulamentação e simplificação administrativa.

A Resolução 48/2025, publicada no Boletim Oficial, anulou a norma vigente desde 2016 que fixava valores orientativos definidos em mesas de negociação entre transportadores e produtores agropecuários.

A pasta, chefiada por Luis Octavio Pierrini, considerou que essas referências haviam gerado “diversas interpretações sobre sua aplicação” e que era necessário “eliminar barreiras regulatórias que atentem contra a liberdade econômica”.

A medida foi tomada após várias entidades, entre elas a Federação Argentina de Entidades Empresariais do Transporte Rodoviário de Cargas (Fadeeac), a Federação Argentina de Entidades de Transporte e Logística (Faetyl) e a Sociedade Rural Argentina (SRA), anunciarem sua retirada das mesas de negociação.

Essas entidades argumentaram que a política tarifária deveria ser regida pela livre negociação entre as partes, sem intervenção estatal, exceto em casos de condutas anticompetitivas comprovadas.

Paralelamente, transportadores e contratantes de carga assinaram, em março, um acordo com um novo quadro tarifário de alcance nacional que substitui as antigas referências oficiais.

A resolução também determinou a notificação às câmaras empresariais do transporte, às entidades agropecuárias e a órgãos como a Comissão Nacional de Regulação do Transporte (CNRT) e a Agência de Arrecadação e Controle da Argentina (ARCA).

Fonte: Portal Portuario

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Notícias

Brasil tem mais de 10 mil roubos de carga em 2024

Problemas com a malha rodoviária e o elevado índice de roubo nas estradas são os maiores desafios enfrentados pelo transporte de cargas no País. Em 2024, dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) indicam que o País registrou, em média, 27 roubos de cargas por dia.

O roubo de cargas no Brasil vem sendo grande fonte de receita para as quadrilhas especializadas. Conforme o relatório de Análise de Roubo de Cargas, os ataques cresceram 24,8% no primeiro semestre de 2025. Dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística indicam que, em 2024, foram contabilizados 10.478 roubos de carga no País, com prejuízos estimados em R$ 1,2 bilhão. As informações são da Agência Brasil.

Investimentos adicionais em segurança e tecnologia, atrasos nas entregas e necessidade de rotas mais longas para evitar áreas de risco comprometem toda a cadeia logística. Essas medidas elevam os custos repassados ao consumidor final e reduzem a competitividade dos produtos brasileiros no mercado. Desde 2023, com a promulgação da Lei 14.599/23, a contratação dos seguros de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C), o de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga (RC-DC) e o de Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V) é obrigatória, o que tem impactado a procura pelos produtos de seguros.

Nos primeiros cinco meses deste ano, de acordo com dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), a arrecadação do RC-DC cresceu 8,1%, alcançando R$ 570 milhões, enquanto as indenizações subiram 12,4%, totalizando R$ 239 milhões. Já o RCTR-C avançou 1,5%, somando R$ 721 milhões em prêmios, com pagamentos de quase R$ 520 milhões, alta de 5,2%.

O cenário deve ganhar novo impulso com a Portaria Suroc n.º 27/2025, publicada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 11 de agosto. A norma prevê a suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) para empresas que não comprovarem a contratação dos seguros exigidos.

Para o diretor de Relações Institucionais CNseg, Esteves Colnago, a portaria trará mais eficiência e controle para o exercício do transporte de cargas nas estradas brasileiras. “É de suma importância essa nova normativa da ANTT. Ela traz uma evolução no método de fiscalização, saindo de uma abordagem baseada em documentos físicos para um modelo digital e integrado, o que promete maior eficiência e controle sobre a obrigatoriedade da cobertura de seguros no transporte de cargas, aumentando a segurança para todos os envolvidos na cadeia logística”, afirmou.

A comprovação poderá ser feita de duas formas: pela apresentação do frontispício (folha de rosto) da apólice ou do certificado de seguro à fiscalização da ANTT; ou pela verificação automática, por meio de intercâmbio de dados em tempo real entre a agência e as seguradoras (ou entidade que as represente).

O sistema digital deverá estar plenamente implementado até 10 de março de 2026, prazo definido pelo Artigo 3º da portaria. Até lá, a ANTT disponibilizará às seguradoras um manual técnico para integração via webservice, garantindo o envio automático das informações relativas à contratação dos seguros.

No primeiro semestre de 2025, as cargas fracionadas continuaram sendo as mais visadas por criminosos, representando 43,8% do total de prejuízos com roubo de cargas no país. Apesar da liderança, o segmento registrou uma queda de 14,7 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024. Esses tipos de carga são especialmente vulneráveis durante a noite, quando ocorrem 54,2% dos roubos, e às sextas-feiras, que concentram 32,8% dos casos.

Outro estudo, chamado relatório de “Análise de Roubo de Cargas” da nstech, mostra que a região Sudeste segue como epicentro das perdas nesse tipo de carga, com 71,9% do total de prejuízos, sendo São Paulo responsável por 51,3% e o Rio de Janeiro, por 14,6%. Na segunda posição do ranking de produtos mais visados, os alimentos registraram 33,3% dos prejuízos no semestre — um aumento expressivo em relação aos 22,6% no mesmo período de 2024.

Já os eletrônicos responderam por 10,8%, frente a 9% no ano anterior. O relatório da nstech também detalha os períodos mais perigosos para o transporte de cargas no Brasil. A sexta-feira se destacou como o dia com maior concentração de prejuízos no primeiro semestre de 2025, respondendo por 23,2% do total registrado. 

A maioria das ocorrências ocorreu no período noturno, que concentrou 68,6% dos valores sinistrados apenas nas sextas. Nesse cenário, São Paulo foi o estado mais afetado, responsável por 42,1% dos prejuízos registrados nesse dia da semana. As cargas mais visadas foram as fracionadas, que representaram 62,1% das perdas, seguidas pelos alimentos (35,6%), bebidas (1,8%) e medicamentos (0,5%).

Fonte: Jornal do Comércio

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Portos

“Nossa alfândega é a segunda em movimentação e, em arrecadação, só perde para Santos”

O auditor-fiscal André Bueno Brandão Sette e Camara, delegado da Receita Federal no Porto de Itajaí, conversou com a jornalista Fran Marcon e com o advogado James Winter, especialista em Direito Marítimo e Portuário.

O tarifaço imposto por Trump já impactou a movimentação do complexo portuário de Itajaí?

André: A gente faz esse acompanhamento. Até agora, a Receita tem informação dos intervenientes, dos operadores, de que está afetando. Mas ainda não houve esse reflexo em números. Em contato com os exportadores e importadores, vários produtos já foram retirados da lista de produtos relevantes para os exportadores brasileiros. Na região de Itajaí, a gente exporta bastante carne e pescado, que estariam dentro do tarifaço. Mas, em números, ainda não temos essa consequência.

Quais são os principais gargalos logísticos identificados pela Receita Federal nas operações aduaneiras locais?

André: Eu estive, recentemente, em uma reunião a convite do Núcleo de Comércio Exterior da Associação Empresarial de Itajaí, e um dos tópicos foi justamente a simplificação do trânsito de cargas soltas. Um gargalo que a gente tem é a questão do trânsito e da sua simplificação. Esse assunto também foi tratado numa reunião na Subsecretaria de Aduana, com o coordenador-geral de Aduana e diversos outros delegados. A gente propôs algumas melhorias normativas para esses casos. Eu conversei com o pessoal da Associação Empresarial de Itajaí e, quando chegam esses casos concretos, é como se fosse uma negociação. Eu digo assim: “Você está vindo aqui me pedir uma simplificação do trânsito, então apresenta os seus motivos. Mas eu quero alguma coisa em troca…” O que a gente pede em troca, para facilitar o comércio na Receita, é o controle aduaneiro. Por exemplo, que o recinto melhore as informações que são passadas para a Receita, para que a gente tenha os dados corretos do navio que está chegando, do transporte que está levando a carga. Essa informação correta e antecipada facilita o comércio exterior.

“O contrabando e a pirataria financiam o crime organizado muito mais do que o próprio tráfico de drogas”

Como a Declaração Única de Importação (Duimp) tem contribuído na melhoria do despacho aduaneiro e na otimização dos processos?

André: A Duimp é importantíssima. A gente vai ter uma reunião com a Associação Empresarial para tratar sobre isso, porque muitos operadores, muitos importadores, ainda têm medo da DI, com receio de serem parametrizados no vermelho por estarem registrando a DI. Mas a 9ª Região, que compreende Santa Catarina e Paraná, é a que mais registra a Duimp. Por exemplo, a gente tem o Canal Único. Todos os intervenientes podem fazer a verificação de uma carga parametrizada ao mesmo tempo. O importador vai saber exatamente com quem está a carga dele e quem está fiscalizando. Se a Receita Federal já verificou a mercadoria e tem fotos, por que o Mapa, por exemplo, vai precisar fazer a mesma coisa de novo? Podemos aproveitar as fotos de um ou de outro. [A adoção de um modelo semelhante ao de cargas a granel pode trazer eficiência operacional?] Ainda estamos construindo a melhor forma de colocar isso na legislação. Qual foi a proposta: esses produtos siderúrgicos, às vezes, não dá para descarregar no pátio. A ideia é fazer a entrega antecipada dessa carga — ou seja, ela já sairia direto nos caminhões da empresa e seria verificada, caso necessário, no recinto do importador.

Como é a estrutura da Receita para procedimentos de liberação de passageiros de cruzeiros?

André: A alfândega no Porto de Itajaí, na verdade, tem uma jurisdição muito maior. Ela abrange os portos, os 15 recintos alfandegados no total, incluindo a Portonave, o aeroporto e também o primeiro ponto turístico alfandegado do Brasil, na Barra Sul, em BC. A gente já teve reunião com eles, com os operadores de cruzeiros que vão trazer as linhas para a região. Eles estão fazendo uma ampliação no terminal Tedesco. E como funciona isso: eles fazem a ampliação, apresentam o projeto para a Receita Federal, e é feito o alfandegamento da área. Depois que o projeto é apresentado, a Receita faz a análise e o alfandegamento do local, permitindo a entrada e saída de passageiros e bagagens internacionais.

Itajaí é um protagonista do comércio exterior”

Como está a disponibilidade de fiscais e equipes da Receita para fiscalização e acompanhamento dos processos no complexo portuário? Há melhorias de estrutura, pessoal e tecnologia?

André: A alfândega no Porto de Itajaí realiza o despacho de importação e exportação de toda Santa Catarina e do Paraná. Atualmente, temos 90 servidores. Muitos deles atuam remotamente, como é o caso de alguns que moram em Curitiba, pois trabalham com despacho aduaneiro e, como a atividade é regionalizada, podem estar em outros locais. Isso foi positivo porque conseguimos formar equipes especializadas. Recebemos muitos retornos da comunidade de comércio exterior, relatando que, por exemplo, o processo de habilitação está muito melhor e mais rápido. Por outro lado, há algumas reclamações sobre a perda da proximidade com o fiscal.

Do ponto de vista de integração, como está a relação da Receita com a Anvisa e o Mapa?

André: O primeiro contato que eu tive foi na própria Colfac [Comissão Local de Facilitação do Comércio]. Uma das ações que apresentei foi justamente essa melhor aproximação com os intervenientes e com os órgãos públicos em geral. Já tive reunião com o diretor do foro da Justiça Federal na subseção de Itajaí, e também com a Polícia Federal. A ideia é transformar a Colfac no que ela deve ser. Ela não é uma comissão ou colegiado apenas para responder dúvidas de entes privados, como empresas e despachantes.

Qual a sugestão aos importadores para colaborar e otimizar os processos de nacionalização?

André: Quanto mais informação a gente tiver, quanto melhor for o controle, mais facilitado vai estar o comércio. Minha sugestão é: quem puder, valorize a certificação OEA. É muito importante e a gente dá muita relevância a isso.

“A economia, no geral, perde R$ 460 bilhões com contrafação e pirataria”

Já houve pedido da autoridade portuária para renovação do alfandegamento do porto?

André: A gente já teve algumas reuniões, mas esse pedido ainda não chegou. Existe, na verdade, uma sequência: a Antaq precisa apresentar o parecer dela e, só depois disso, a Receita utiliza esse documento para dar andamento ao processo de alfandegamento. Isso ainda não ocorreu. Nas reuniões que a gente teve, falamos da importância de que esse pedido seja feito o quanto antes, porque o processo de alfandegamento é bem complicado. Não é o mesmo caso da situação anterior, que foi uma troca de titularidade. Agora, pode ser um alfandegamento completamente novo — não apenas uma extensão. Quanto mais rápido esse processo for iniciado, melhor para a segurança dos operadores. Mas, se tudo der certo, ainda dá tempo de resolver essa questão, até pela importância da região. [É um prazo de seis meses, mais ou menos, que demora?] É, normalmente, seis meses. [A gente já está atrasado com o pedido…] Já está atrasado. [Nós estamos num dilema, ver se realmente vai sair uma empresa pública, que estão tentando construir e fazer, ou se vai continuar com a autoridade portuária de Santos. Isso, de repente, pode ser que seja o motivo de não ter feito ainda o pedido, mas independentemente, de forma preventiva, no mínimo, já deveria ter sido feito…] Itajaí, na verdade, não é uma alfândega qualquer dentro das alfândegas. Itajaí é um protagonista do comércio exterior. Nossa alfândega é a segunda maior em movimentação de contêineres e, em arrecadação, só perde para Santos. É muito relevante essa alfândega, e a região como um todo, para o comércio exterior. 

Como a Receita tem atuado preventivamente no combate ao tráfico internacional de drogas?

André: Hoje, em Itajaí, a gente faz o escaneamento de 100% das cargas que saem. Existe uma equipe de repressão portuária que fica em Itajaí, mas é vinculada à superintendência. De 2018 para cá, foram apreendidas mais de 55 toneladas de cocaína nos portos de Itajaí, Navegantes, Itapoá e Paranaguá. É um trabalho bem relevante. A atuação com os escâneres e das nossas equipes K9, nessa repressão ao tráfico de drogas, é fundamental. Essa mesma equipe também atua no combate ao contrabando. O contrabando e a pirataria financiam o crime organizado muito mais do que o próprio tráfico de drogas. Tem um estudo de 2022 que, se não me engano, é o mais recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que estimou que, em 2022, o crime organizado movimentou R$ 140 bilhões com pirataria. No mesmo período, foram R$ 15 bilhões com o tráfico de drogas. As pessoas acham que o tráfico de drogas é a principal fonte de financiamento do crime organizado, mas a contrafação e a pirataria são muito mais prejudiciais. O Fórum Nacional de Combate à Pirataria fez um estudo no ano passado e mostrou que a economia, no geral, perde R$ 460 bilhões com contrafação e pirataria. Só de arrecadação, a perda é de R$ 150 bilhões. Um dos papéis da Receita é retirar do mercado produtos que são perigosos à saúde ou ao consumidor. Por exemplo, várias apreensões de eletrônicos são de carregadores que não têm certificação do Inmetro e que, às vezes, pegam fogo nas casas. A gente retira esse tipo de produto do mercado e protege também a concorrência de forma geral. A gente recebe muitos questionamentos do tipo: “essas operações tiram o emprego das pessoas.” Mas, na verdade, é o contrário. O fenômeno é conhecido como exportação do desemprego. Quando se permite o comércio de produtos contrabandeados, como no camelô, estamos exportando empregos para outros países, que se essa mercadoria fosse formalizada, se o trabalho fosse formalizado, o emprego estaria aqui no Brasil.

“O crime organizado movimentou R$ 140 bilhões com pirataria. No mesmo período, foram R$ 15 bilhões com o tráfico de drogas”

Delegado, nessas operações que acabam acontecendo na região, com apreensão de roupas, eletrônicos e bebidas, as cargas são destruídas por completo. Por que o que é apreendido não pode ser aproveitado?

André: É um projeto importante que estamos articulando com a prefeitura de Itajaí e também com a Justiça Federal. Quando há contrafação, a mercadoria era, até então, totalmente destruída. Já destruímos toneladas e toneladas de roupas. Existe um projeto estratégico chamado Receita Federal Verde, que promove destinações sustentáveis — e é isso que queremos implementar aqui em Itajaí. Já conversei com o prefeito Robison, e a ideia é fazer uma parceria com a prefeitura, com a Secretaria de Segurança Pública, com o presídio feminino e com as recuperandas do presídio de Itajaí. Vamos trazer essas roupas e, em parceria com elas, será feita a descaracterização. A ideia é também envolver uma instituição, como uma faculdade de moda, para que os alunos deem suporte técnico às recuperandas: como transformar um calçado, adaptar peças para roupas de bebê, por exemplo. Essa transformação vai permitir que essas peças sejam destinadas à sociedade. Dou como exemplo um projeto que aconteceu em junho, em São Paulo, com o primeiro hackathon da Receita Federal. O desafio foi: “O que vocês conseguem fazer com cigarros eletrônicos?” Todos os projetos foram espetaculares. O projeto vencedor transformou cigarros eletrônicos em teclados ativados por sucção para pessoas com tetraplegia ou paralisia cerebral. Normalmente, esse produto custa R$ 4 mil ou 2 mil dólares, e eles conseguiram fazer por R$ 40. Na época da Covid, também tivemos muita apreensão de bebida alcoólica e perfumes falsificados, que foram transformados em álcool em gel e destinados a hospitais. [Haverá algum leilão da Receita de Itajaí este ano e haverá maior divulgação?] Só neste ano a gente já teve uma arrecadação de quase R$ 11 milhões com leilões. Podemos, sim, pensar em uma forma de melhorar a divulgação desses eventos.

Fonte: Diarinho

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