Transporte

Financiamento de caminhões cresce 19,1% no Brasil até setembro de 2026, aponta B3

O financiamento de caminhões no Brasil avançou 19,1% entre janeiro e setembro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados pela B3 na terça-feira (20) e mostram que o número de operações passou de 188.406, nos nove primeiros meses de 2025, para 209.227 neste ano.

Somente em setembro, foram registradas 26.596 operações de crédito para a aquisição de caminhões, alta de 15,9% em relação às 22.942 contabilizadas no mesmo mês de 2025. O desempenho foi puxado principalmente pelos veículos novos, enquanto as negociações envolvendo modelos usados apresentaram pequena retração.

Financiamento de caminhões novos tem alta de 37,2%

O principal destaque do levantamento foi o avanço do crédito destinado aos caminhões novos. Em setembro, foram realizadas 13.619 operações nessa categoria, ante 9.931 no mesmo período do ano passado, o que representa crescimento de 37,2%.

Na direção oposta, o financiamento de caminhões usados permaneceu praticamente estável. O volume passou de 13.011 operações em setembro de 2025 para 12.977 no mesmo mês deste ano, uma redução de 0,3%.

Os números indicam que os modelos zero-quilômetro tiveram participação importante no crescimento mensal do setor. Entretanto, os dados não permitem determinar, isoladamente, se o resultado está relacionado à demanda, às condições comerciais ou à oferta de crédito.

Mercado de financiamento de veículos registra melhor setembro em 15 anos

As informações sobre veículos pesados integram um levantamento da Trillia, unidade de negócios da B3 especializada em dados, analytics e inteligência artificial. Segundo a pesquisa, o mercado brasileiro de financiamento de veículos alcançou, em setembro, seu melhor resultado para o mês em 15 anos.

Ao todo, 670.675 veículos foram financiados no período, volume 2,8% superior ao registrado em setembro de 2025, quando houve 652.394 operações. O resultado também superou o de setembro de 2011, que contabilizou 665.801 financiamentos.

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as operações chegaram a aproximadamente 5,8 milhões de veículos, crescimento de 9,1% na comparação anual.

“Mesmo em um cenário econômico marcado por volatilidade, o financiamento de veículos continua mostrando força”, afirma Thiago Gaspar, superintendente de Relacionamento com Clientes da Trillia.

De acordo com o executivo, a média diária chegou a 31.937 veículos financiados por dia útil em setembro, reforçando o ritmo de movimentação do mercado.

Crédito caro influencia a renovação da frota

O crescimento das operações com caminhões ocorre em um ambiente de custo elevado do crédito, fator que influencia as decisões de compra de transportadoras e caminhoneiros autônomos.

Nesse cenário, as condições de financiamento são determinantes para empresas que pretendem renovar suas frotas ou ampliar a capacidade de transporte. O acesso ao crédito pode afetar tanto a aquisição de veículos novos quanto a negociação de modelos usados.

O desempenho de setembro mostra uma diferença entre as duas categorias: enquanto os financiamentos de caminhões novos avançaram de forma expressiva, as operações com usados registraram leve queda. Ainda assim, o levantamento não aponta uma causa específica para essa diferença.

CDC permanece entre as modalidades de financiamento

O Crédito Direto ao Consumidor (CDC) continuou como a principal modalidade de financiamento mencionada no levantamento. Até setembro, foram contabilizadas 209.227 operações no segmento de caminhões, conforme os dados informados pela B3.

A modalidade é utilizada na aquisição de veículos por meio de crédito concedido ao comprador, com pagamento parcelado conforme as condições estabelecidas no contrato.

Automóveis e motocicletas concentram operações no mercado nacional

Entre as demais categorias de veículos, os automóveis leves lideraram o volume de financiamentos em setembro, com 468 mil unidades. Desse total, 342 mil eram usados e 126 mil, novos.

As motocicletas somaram 176 mil operações no período. Os modelos usados responderam por 132 mil financiamentos, enquanto os novos representaram 44 mil.

Sudeste lidera o financiamento de veículos no Brasil

A distribuição regional dos financiamentos também apresentou diferenças entre as regiões brasileiras. O Sudeste concentrou 42% das operações realizadas em setembro, mantendo a liderança nacional.

O Sul ficou na segunda posição, com 20% do total, seguido pelo Nordeste, responsável por 19,9%. O Centro-Oeste registrou participação de 10,7%, enquanto o Norte respondeu por 7,5%.

Os resultados mostram a relevância do mercado de crédito para a comercialização de veículos no país, com destaque para a expansão do financiamento de caminhões novos e o crescimento geral das operações no acumulado de 2026.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Venda de caminhões usados cresce 27,7% em 2025 e reforça papel estratégico do setor

O mercado brasileiro de caminhões usados encerrou 2025 em ritmo acelerado de crescimento, consolidando-se como uma alternativa estratégica para o transporte rodoviário de cargas em um cenário marcado por juros elevados, crédito mais restrito e maior cautela nos investimentos. Ao longo do ano, as transferências de veículos avançaram 27,7%, alcançando 444,8 mil unidades, segundo dados da Fenauto, com base em registros da Senatran.

O resultado evidencia a força do mercado secundário em um período de renovação mais lenta da frota. O alto custo dos caminhões novos, aliado ao envelhecimento da frota nacional e à necessidade de manter a capacidade operacional, levou transportadores a ampliarem a busca por caminhões usados. Mesmo diante de oscilações na atividade econômica, o segmento manteve volumes robustos e crescimento consistente.

Seminovos impulsionam o avanço

O principal motor da expansão foi o segmento de caminhões seminovos, com até três anos de uso. As transferências nessa faixa cresceram 40,3% em 2025, indicando que empresas com maior fôlego financeiro optaram por veículos mais recentes fora do mercado de zero-quilômetro. A escolha reflete a busca por menor investimento inicial, confiabilidade mecânica e disponibilidade imediata.

Os chamados usados jovens, entre quatro e oito anos, também registraram desempenho positivo, com alta de 12,3%. Já os veículos maduros, de nove a 12 anos, ficaram praticamente estáveis, com leve crescimento de 0,5%, sinalizando um mercado mais próximo da saturação. Em contrapartida, os caminhões com mais de 13 anos de uso avançaram 21,0%, sustentados principalmente pela demanda de caminhoneiros autônomos e pequenos transportadores, mais sensíveis às condições de financiamento.

Volvo FH lidera vendas no mercado de usados

Entre os modelos mais negociados, Volvo e Mercedes-Benz mantiveram a liderança no mercado de caminhões usados. O Volvo FH foi o veículo mais transferido em 2025, com 2.897 unidades, seguido pelo Ford Cargo (2.621) e pelo Mercedes-Benz Atego (1.668).

Também figuram entre os destaques o Mercedes-Benz Axor, o Actros e modelos clássicos como o Mercedes-Benz 1113, que seguem presentes na frota nacional. A preferência por marcas tradicionais está diretamente ligada à robustez mecânica, à facilidade de reposição de peças e à ampla rede de serviços, fatores decisivos no mercado de segunda mão.

Nordeste puxa crescimento regional

No recorte geográfico, o Nordeste liderou a expansão regional, com crescimento de 25,3% nas transferências de caminhões usados em 2025. O Centro-Oeste aparece em seguida, com alta de 20,9%, impulsionada pelo agronegócio e pela demanda por transporte de longa distância.

O Sudeste, maior mercado em volume absoluto, avançou 15,2%, enquanto o Sul registrou crescimento de 14,6%. De acordo com a Fenauto, o desempenho mais forte fora do eixo Sudeste reflete a interiorização da logística, o fortalecimento das cadeias agroindustriais e a maior procura por soluções de transporte em regiões com menor acesso ao crédito formal.

Mercado funciona como termômetro do setor

Especialistas avaliam que o mercado de caminhões usados atua como um verdadeiro termômetro do transporte rodoviário de cargas. Em momentos de incerteza econômica, o segmento ganha relevância ao permitir a continuidade das operações sem comprometer excessivamente o fluxo de caixa das empresas.

Com a perspectiva de manutenção dos juros em patamares elevados no curto prazo, a expectativa é que os caminhões usados sigam desempenhando papel central em 2026, tanto como porta de entrada para novos transportadores quanto como alternativa para a renovação gradual da frota das empresas já estabelecidas.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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