Agronegócio

Preço do café sobe no Brasil após chuvas afetarem a colheita e a oferta do grão

O preço do café registrou alta em julho, contrariando o comportamento esperado para o período de maior oferta da safra brasileira. O café arábica acumulou valorização de 10,5% no mês, enquanto o café conilon teve aumento de 3%, mesmo com a colheita dessa variedade já concluída.

Tradicionalmente, os meses de junho, julho e agosto costumam apresentar recuo nas cotações devido ao aumento da disponibilidade do produto. Neste ano, porém, fatores climáticos alteraram esse cenário e pressionaram os preços do grão.

Segundo especialistas, o aumento dos custos pagos pela indústria aos produtores tende a ser repassado ao longo da cadeia produtiva, podendo refletir no valor final pago pelos consumidores.

Clima prejudica colheita e secagem dos grãos

As chuvas nas principais regiões produtoras, especialmente em Minas Gerais e no interior de São Paulo, são apontadas como a principal causa da valorização do café. As precipitações atrasaram tanto a colheita quanto o processo de secagem dos grãos, reduzindo o ritmo esperado de disponibilização da safra.

Esse cenário também influenciou o mercado internacional, gerando preocupação quanto ao cumprimento do cronograma de embarques do café brasileiro. A valorização começou nas bolsas internacionais, impactou os preços nos portos e acabou sendo transmitida para toda a cadeia de comercialização.

Produção deve crescer, mas preços podem demorar a cair

Apesar do cenário de alta, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra de aproximadamente 66 milhões de sacas em 2025, volume 18% superior ao registrado no ciclo anterior. Desse total, cerca de 44 milhões de sacas correspondem ao café arábica.

Mesmo com a expectativa de maior produção, analistas avaliam que a queda nos preços pode acontecer de forma mais lenta do que o previsto, já que os impactos climáticos seguem influenciando o mercado.

Floração antecipada preocupa produtores

Além dos atrasos na colheita, as chuvas fora de época provocaram outro efeito que preocupa o setor cafeeiro: a floração antecipada dos cafezais.

O fenômeno, que normalmente ocorre entre setembro e outubro, foi registrado ainda em julho em diversas propriedades. Especialistas alertam que essa floração precoce pode comprometer o desenvolvimento das plantas, reduzindo a energia disponível para a formação dos frutos na próxima safra.

O setor também acompanha com atenção os reflexos das condições climáticas observadas nos últimos anos. Eventos como o El Niño e perdas de produção registradas entre 2024 e o início de 2025 contribuíram para a forte valorização do café no mercado internacional, cenário que ainda influencia as cotações.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Data Mercantil

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Agronegócio

Exportações de café para a China disparam e Brasil se prepara para atender demanda histórica

O avanço do consumo de café na China está redesenhando o mercado global e abrindo uma nova fronteira para o agronegócio brasileiro. Em apenas seis anos, as exportações brasileiras de café para o país asiático cresceram mais de 12 vezes, enquanto o Brasil projeta uma safra recorde de 66 milhões de sacas para o ciclo 2026/27.

O movimento reforça a posição brasileira como principal fornecedor mundial do grão e coloca a China no centro das atenções da cadeia produtiva do café.

China impulsiona crescimento do mercado global de café

A China se consolidou como o mercado de café que mais cresce no mundo. Atualmente, o país reúne cerca de 300 milhões de consumidores e mais de 200 mil cafeterias em funcionamento, em um cenário impulsionado pela urbanização, mudança de hábitos e influência do estilo de vida ocidental entre os jovens.

Entre abril de 2020 e março de 2021, o Brasil exportou US$ 32,9 milhões em café para o mercado chinês. Já em março de 2026, esse volume financeiro saltou para US$ 402,8 milhões, evidenciando a forte expansão da demanda chinesa pelo produto brasileiro.

Safra recorde fortalece capacidade de exportação do Brasil

Para atender ao aumento da demanda internacional, o Brasil inicia a colheita 2026/27 com expectativa de recorde histórico na produção de café.

Segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra deve alcançar 66 milhões de sacas, um crescimento de 17% em comparação ao ciclo anterior. A previsão inclui aproximadamente 44 milhões de sacas de café arábica e 22 milhões de sacas de conilon.

O setor atribui o avanço às condições climáticas favoráveis, ao aumento da produtividade e à expansão da área plantada, que se aproxima de 2 milhões de hectares.

Durante o 25º Seminário Internacional do Café, realizado em Santos, representantes do mercado destacaram o otimismo com os próximos embarques, principalmente para a Ásia.

Produção brasileira cresce sem necessidade de desmatamento

Um dos pontos mais destacados pelo setor cafeeiro é a capacidade de expansão sustentável da produção brasileira.

Nas últimas décadas, o Brasil mais que dobrou a produção de café utilizando praticamente a mesma área cultivada. O avanço ocorreu por meio da renovação de cafezais, uso de variedades mais produtivas e adoção de tecnologias de manejo agrícola.

Especialistas afirmam que o país ainda possui áreas aptas para expansão do cultivo sem necessidade de desmatamento, tema cada vez mais relevante para compradores internacionais preocupados com critérios ambientais e sustentabilidade.

Mercado chinês representa mudança estratégica para o café brasileiro

A entrada da China como grande compradora de café brasileiro é vista pelo setor como uma transformação estrutural no comércio global do produto. Com uma população de quase 1,4 bilhão de habitantes, qualquer mudança de hábito alimentar no país gera impacto direto nas cadeias globais de produção e exportação.

Além do aumento no consumo, o governo chinês também vem ampliando a habilitação de empresas brasileiras aptas a exportar café ao país. Em agosto de 2025, a Embaixada da China no Brasil autorizou 183 novas empresas do setor para atuação no mercado chinês.

A expectativa é de que a demanda continue crescendo nos próximos anos, exigindo do Brasil maior capacidade logística, eficiência operacional e manutenção da qualidade para atender contratos de longo prazo.

Fonte: Com informações do TIMES BRASIL.

Texto: Redação

Imagem Ilustrativa: Reprodução SouAgro.net

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