Portos

Como os produtos chegam ao destino: o papel dos portos e dos diferentes modais de transporte

Alimentos, combustíveis, medicamentos, fertilizantes e produtos industrializados percorrem diferentes caminhos antes de chegar ao consumidor. Nesse trajeto, podem ser utilizados caminhões, trens, navios e hidrovias, em uma operação logística que conecta regiões produtoras, portos, centros de distribuição e mercados.

Uma carga pode deixar uma fazenda, indústria ou unidade de produção por rodovia ou ferrovia e seguir até um terminal portuário. No porto, é embarcada em um navio e transportada por centenas ou milhares de quilômetros. Ao chegar ao destino, o produto volta a utilizar outros modais até alcançar uma indústria, centro de distribuição, estabelecimento comercial ou consumidor final.

Os números mostram a importância dessa estrutura para o país. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) apontam que os portos brasileiros movimentaram 1,4 bilhão de toneladas de cargas em 2025, o maior volume já registrado no Brasil. Desse total, 164,6 milhões de toneladas corresponderam a cargas conteinerizadas, que incluem produtos industrializados e bens de consumo.

A relevância do transporte marítimo também aparece no comércio exterior. Aproximadamente 95% das operações internacionais brasileiras são realizadas por via marítima, fazendo dos portos uma peça fundamental tanto para a chegada de produtos e matérias-primas quanto para as exportações.

Transporte marítimo também conecta diferentes regiões do Brasil

A navegação não é utilizada apenas para operações internacionais. Produtos e matérias-primas também podem ser transportados entre portos brasileiros ou entre plataformas offshore e unidades terrestres, como refinarias.

Esse tipo de operação é conhecido como cabotagem.

Nesse modelo, uma carga pode deixar uma região do país por navio, percorrer a costa brasileira e desembarcar em outro estado, onde o transporte terrestre completa o percurso até o destino final.

Do campo ao supermercado

Um exemplo dessa integração entre modais está no transporte de alimentos. Depois da colheita, o arroz pode passar por processos de secagem e armazenamento antes de ser levado por caminhão ou trem até um porto. A partir daí, a carga pode seguir de navio pela costa até outra região brasileira. Após o desembarque, o produto volta para o transporte terrestre, chegando a centros de distribuição e, posteriormente, aos supermercados.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Rio Grande do Sul responde por aproximadamente 70% da produção nacional de arroz em 2026. Dessa forma, parte da produção originada no Sul pode utilizar o transporte marítimo para abastecer consumidores de outras regiões.

A mesma lógica pode ser aplicada a produtos como café, açúcar, milho e frango congelado, que percorrem diferentes etapas e podem combinar rodovias, ferrovias e transporte marítimo.

Portos também garantem o abastecimento do campo

A importância dos portos não está restrita ao transporte de produtos que chegam ao consumidor. Eles também são fundamentais para a entrada de insumos utilizados na produção agrícola. É o caso dos fertilizantes e adubos importados. Em 2025, as importações desses produtos alcançaram 49,3 milhões de toneladas.

A operação começa no país de origem, onde os fertilizantes são embarcados em navios. No Brasil, a carga chega ao terminal portuário, passa por processos de movimentação e armazenagem e, posteriormente, segue por transporte terrestre até as regiões agrícolas. Entre as cargas de maior relevância para a navegação estão o petróleo e seus derivados.

Na cabotagem brasileira, granéis líquidos e gasosos representam cerca de 75% das cargas transportadas, com destaque para petróleo e gás natural. Em 2025, a navegação de cabotagem movimentou aproximadamente 223 milhões de toneladas.

Mas os portos também movimentam uma grande variedade de produtos que chegam ao país em contêineres. Nessa categoria estão peças, máquinas, equipamentos, eletrodomésticos, produtos químicos, roupas, eletrônicos e outros bens presentes no cotidiano.

Assim, antes de chegar às prateleiras ou às mãos do consumidor, muitos produtos percorrem uma verdadeira rede logística, que integra portos, rodovias, ferrovias e hidrovias. Essa combinação de modais permite conectar áreas produtoras, indústrias e centros consumidores dentro e fora do Brasil.

Com informações do Ministério de Portos e Aeroportos.

Texto: Redação

Imagem: Divulgação/Porto de Pecém

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Sustentabilidade

Norsul reduz 13 mil toneladas de CO₂ com tecnologia e eficiência energética na cabotagem

A Norsul, empresa de navegação de cabotagem, reduziu em cerca de 13 mil toneladas as emissões de CO₂ de sua frota ao combinar tecnologias de eficiência energética com medidas de otimização operacional.

A estratégia adotada pela companhia tem como foco diminuir o consumo de combustíveis fósseis e tornar a operação dos navios mais eficiente. Entre as ações estão ajustes de velocidade, planejamento de rotas, melhor aproveitamento da frota e adoção de soluções tecnológicas voltadas à redução do atrito das embarcações.

Entre 2023 e 2025, a Norsul registrou uma queda significativa na intensidade das emissões de gases de efeito estufa por milha navegada, tomando 2022 como ano-base. O resultado indica o impacto acumulado das iniciativas implementadas pela empresa.

“Essas medidas mostram que a redução de emissões não depende apenas de novos combustíveis, mas também de dados e tecnologia aplicados à operação do dia a dia. É um caminho que já está em nossas mãos e que temos usado para reduzir custos, aumentar a confiabilidade da frota e diminuir nosso impacto ambiental”, afirma João Bottoni, gerente executivo de Frota da Norsul.

Segundo o executivo, além de contribuir para a redução de emissões, as medidas ajudam a diminuir custos e aumentar a confiabilidade da frota.

Tecnologia reduz atrito no casco dos navios

Uma das soluções adotadas pela Norsul está relacionada ao revestimento anti-incrustante de silicone aplicado ao casco de uma das embarcações durante uma docagem realizada em 2025.

A empresa utilizou uma tecnologia eletrostática para aplicar o revestimento. A solução cria uma superfície com menor atrito, reduzindo a resistência encontrada pelo navio durante a navegação e, consequentemente, o esforço necessário para seu deslocamento.

Além do ganho de eficiência energética, a tecnologia também diminui a perda de tinta para a atmosfera durante a aplicação, segundo Bottoni.

“O revestimento anti-incrustante de alta performance aumenta a eficiência energética do navio e a aplicação com essa tecnologia reduz a perda de tinta para atmosfera por overspray”, explica.

Sistema eletromagnético combate incrustações marinhas

Outra frente de atuação envolve uma solução desenvolvida pela BioRen, empresa do grupo Lorinvest, que também controla a Norsul.

O sistema utiliza componentes eletrônicos e um algoritmo próprio para produzir pulsos elétricos com diferentes frequências e potências. Esses pulsos formam um campo eletromagnético que atua sobre as superfícies expostas da embarcação.

A tecnologia gera uma corrente elétrica randômica no casco, dificultando a formação de incrustações marinhas. O mecanismo é especialmente relevante quando os navios permanecem longos períodos sem navegar, já que o acúmulo de organismos no casco aumenta o atrito com a água.

De acordo com estudos alinhados à ISO 19030 e às referências da International Towing Tank Conference, tecnologias anti-incrustantes desse tipo podem reduzir em até 35% as emissões de CO₂ e diminuir em até 20% a potência necessária para a navegação em comparação com métodos tradicionais.

Painéis solares e monitoramento também fazem parte da estratégia

A Norsul mantém outras iniciativas voltadas à eficiência energética na navegação. Entre elas está o Propeller Boss Cap Fins, dispositivo instalado na hélice que reduz a formação de vórtices e pode proporcionar economia de combustível de até 5%, com redução proporcional das emissões.

A companhia também instalou painéis solares em barcaças fundeadas, permitindo substituir parte do funcionamento de geradores movidos a diesel.

Outra frente utiliza Internet das Coisas (IoT) e softwares de monitoramento para acompanhar o desempenho operacional das embarcações e identificar oportunidades de ganho de eficiência.

A empresa ainda estuda alternativas para permitir o fornecimento de energia elétrica em terra aos navios durante períodos de permanência nos portos, reduzindo a necessidade de utilização dos equipamentos de geração de energia a bordo.

Eficiência prepara empresa para transição energética

Para a Norsul, as medidas de eficiência ganham importância diante do processo de descarbonização do transporte marítimo. Embora combustíveis alternativos aos derivados de petróleo já estejam disponíveis, a adoção em larga escala ainda enfrenta desafios relacionados a custos e disponibilidade.

“Os combustíveis alternativos aos fósseis já são uma realidade e uma rota para a descarbonização da navegação, mas ainda não alcançaram escala e competitividade de custo suficientes para uma adoção em massa pela indústria”, explica Bottoni.

Nesse cenário, a companhia considera que investir desde já em tecnologias capazes de reduzir o consumo de combustível ajuda a preparar a operação para uma futura mudança na matriz energética do setor.

As emissões da empresa são acompanhadas por meio do Inventário de Emissões da Norsul, publicado no registro público do Programa Brasileiro GHG Protocol. Os resultados também foram apresentados no mais recente Relatório de Sustentabilidade da companhia.

FONTE: Norsul
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NORSUL

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Transporte

Cabotagem no Brasil: como o transporte marítimo leva alimentos entre regiões

Antes de chegar às prateleiras dos supermercados, muitos alimentos percorrem centenas ou milhares de quilômetros. Nesse trajeto, além de caminhões e ferrovias, o transporte marítimo pode ter papel importante. É o caso da cabotagem, modalidade que conecta portos brasileiros e ajuda a movimentar produtos entre diferentes regiões do país.

Com mais de 8,5 mil quilômetros de litoral e 54,8% da população vivendo a até 150 quilômetros da costa, segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil tem condições favoráveis para ampliar o uso desse modal.

Na prática, a cabotagem permite transportar cargas entre portos nacionais por via marítima, integrando diferentes etapas da cadeia logística antes que os produtos cheguem ao consumidor.

Café, laranja e açúcar estão entre as cargas transportadas

O café é um exemplo de produto que pode utilizar a cabotagem em sua distribuição. O Sudeste concentra uma parcela expressiva da produção nacional e, depois de beneficiado, torrado, moído ou embalado, o produto pode ser colocado em contêineres e enviado para mercados consumidores de outras regiões.

A cadeia da laranja também pode envolver o transporte marítimo. Além da fruta, derivados como sucos processados podem ser movimentados em condições adequadas de armazenamento. Quando há necessidade de controle de temperatura, entram em operação os chamados contêineres refrigerados, ou reefers.

Já o açúcar, por apresentar grande volume e peso, pode se beneficiar do transporte marítimo em deslocamentos de longa distância. O mesmo princípio se aplica ao leite depois de processado, que pode passar por diferentes modais até chegar ao destino.

Carnes e milho também integram a cadeia logística

A carne de frango, uma das principais proteínas consumidas no país, tem parcela importante de sua produção concentrada nas regiões Sul e Sudeste. Dependendo da origem e do destino, a distribuição pode incluir diferentes etapas de transporte, inclusive por via marítima.

O milho também faz parte dessa dinâmica. Utilizado tanto na alimentação humana quanto na produção de ração animal, o grão está entre os produtos agrícolas que podem ser inseridos em rotas logísticas que utilizam a cabotagem.

Essa combinação de modais permite conectar regiões produtoras a mercados consumidores que estão a grandes distâncias, sem depender exclusivamente do transporte rodoviário.

Arroz mostra como funciona a cabotagem

O arroz é um dos exemplos que ajudam a entender o funcionamento dessa cadeia. O Brasil está entre os grandes produtores mundiais e concentra boa parte da produção na região Sul.

Em 2026, o Rio Grande do Sul responde por aproximadamente 70% da produção nacional estimada pelo IBGE.

Depois da colheita, beneficiamento e embalagem, o arroz destinado a consumidores de outras regiões pode seguir inicialmente por caminhão ou ferrovia até um porto. A partir daí, a carga é embarcada e transportada pela costa brasileira.

Ao chegar ao porto de destino, o produto volta a utilizar o transporte terrestre para chegar a centros de distribuição e, posteriormente, aos supermercados.

Cabotagem já leva cargas ao Nordeste

O transporte marítimo de alimentos já participa da logística de abastecimento do Nordeste.

Em 2025, diferentes tipos de cargas conteinerizadas chegaram à região por cabotagem, incluindo arroz, produtos químicos e celulose.

Isso significa que um produto encontrado em um supermercado nordestino pode ter iniciado sua trajetória em uma área produtora do Sul do Brasil, passado por um porto e percorrido parte significativa do caminho pelo mar antes de chegar ao consumidor.

Transporte marítimo funciona integrado a outros modais

A cabotagem não significa que uma mercadoria percorra toda a distância exclusivamente de navio.

Um produto pode sair de uma propriedade rural ou de uma indústria em um caminhão, chegar ao porto e ser embarcado. Depois de percorrer a costa brasileira, a carga é desembarcada e pode seguir novamente por rodovia ou ferrovia até um centro de distribuição.

Essa integração entre diferentes meios de transporte é conhecida como logística multimodal e amplia as alternativas para movimentar mercadorias entre regiões distantes.

Além de alimentos, a cabotagem brasileira transporta contêineres, combustíveis, matérias-primas, produtos industrializados e diversos outros tipos de carga.

Uma operação que chega ao consumidor sem ser percebida

Grande parte dessa cadeia logística acontece longe dos olhos do consumidor. O navio pode não ser percebido, mas seu trabalho está presente no caminho percorrido por produtos que chegam diariamente às compras.

Um pacote de café, um saco de arroz, uma embalagem de açúcar, um litro de leite ou um produto derivado de laranja ou milho pode ter atravessado diferentes regiões brasileiras antes de chegar ao supermercado.

Em determinados trajetos, parte dessa viagem acontece pelo mar, conectando áreas produtoras e centros consumidores por meio da cabotagem brasileira.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Logística

Cabotagem e navegação de longo curso: entenda as diferenças e a importância para a logística brasileira

Apesar de utilizarem a mesma infraestrutura portuária, a cabotagem e a navegação de longo curso desempenham funções distintas no transporte marítimo. Enquanto uma é voltada ao deslocamento de cargas entre portos brasileiros, a outra conecta o país ao mercado internacional por meio das exportações e importações.

Um exemplo dessa diferença é o transporte de contêineres com eletrodomésticos entre Manaus e o Porto de Santos, operação típica da cabotagem. Já um navio que parte de Santos carregado de soja com destino à Ásia realiza uma viagem de longo curso, voltada ao comércio exterior.

Navegação de longo curso impulsiona exportações brasileiras

A navegação de longo curso é a principal responsável pela movimentação de cargas destinadas ao mercado internacional. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que, em 2025, mais de 80% do volume transportado nessa modalidade foi destinado às exportações, enquanto aproximadamente 20% correspondeu às importações.

No período, esse segmento movimentou mais de 1 bilhão de toneladas, com destaque para granéis sólidos, como minério de ferro, soja, milho e açúcar, produtos que representam parcela significativa da pauta exportadora brasileira.

Cabotagem fortalece o abastecimento interno

Já a cabotagem atende principalmente à logística nacional, conectando diferentes regiões do país por via marítima. Nessa modalidade predominam os granéis líquidos e gasosos, que representam cerca de 75% da carga transportada, incluindo petróleo e gás natural enviados de plataformas marítimas para refinarias brasileiras.

Além disso, a cabotagem também movimenta cargas em contêineres, transportando produtos como eletrodomésticos, biocombustíveis, alimentos, vestuário e diversos bens destinados ao abastecimento do mercado interno.

Em 2025, a modalidade registrou a movimentação de aproximadamente 223 milhões de toneladas, segundo o Estatístico Aquaviário da Antaq.

Integração logística amplia eficiência do transporte

A cabotagem faz parte da logística multimodal brasileira ao operar de forma integrada com rodovias, ferrovias e hidrovias, facilitando o transporte de mercadorias entre polos industriais, centros de distribuição e mercados consumidores.

Essa integração contribui para reduzir custos logísticos, aumentar a eficiência no transporte de cargas e diminuir os impactos ambientais em comparação com outros modais.

Modalidades complementares para o desenvolvimento do país

Embora tenham finalidades distintas, cabotagem e navegação de longo curso são fundamentais para o desenvolvimento econômico do Brasil.

Enquanto a cabotagem garante o abastecimento interno, melhora a distribuição de mercadorias e fortalece a integração entre as regiões brasileiras, a navegação de longo curso amplia a presença do país no comércio internacional, impulsionando as exportações e assegurando a chegada de produtos importados aos portos nacionais.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafael Medeiros

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Transporte

Marinha Mercante pode enfrentar déficit de 500 oficiais até 2030, aponta estudo

A Marinha Mercante brasileira poderá chegar ao fim da década com um déficit de aproximadamente 500 oficiais, cenário que comprometeria a operação de cerca de 30 navios por falta de tripulação qualificada. A estimativa é de um estudo elaborado pelo Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (Cilip), da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Fundação Vanzolini.

Atualizada semestralmente, a pesquisa teve sua versão mais recente divulgada em junho e foi encomendada pela Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), pelo Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) e pela Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam).

Falta de profissionais continua preocupando o setor

O levantamento mostra que, apesar da ampliação das vagas nas escolas de formação de oficiais, o número de novos profissionais ainda será insuficiente para acompanhar o crescimento da demanda da navegação mercante nos próximos anos.

Entre os principais indícios desse desequilíbrio está o aumento das vagas não preenchidas e da contratação de trabalhadores estrangeiros. De acordo com o estudo, a soma de postos em aberto e de oficiais estrangeiros empregados passou de 376 no segundo semestre de 2025 para 458 na atualização mais recente, evidenciando a dificuldade das empresas em encontrar mão de obra especializada no mercado nacional.

Expansão da cabotagem amplia necessidade de oficiais

Os pesquisadores destacam que a demanda por profissionais dependerá do desempenho de segmentos como a cabotagem, o apoio marítimo, a indústria de óleo e gás e os futuros projetos de energia eólica offshore. Mesmo sem considerar esse novo mercado, a previsão segue indicando escassez de cerca de 500 oficiais até 2030.

Para reduzir o déficit, o estudo recomenda ampliar as vagas dos cursos de Adaptação a Segundo Oficial de Máquinas e de Náutica, considerados os caminhos mais rápidos para aumentar a oferta de profissionais no médio prazo.

Outra sugestão é manter o preenchimento integral das vagas nas Escolas de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (Efomm), independentemente das oscilações da economia. Segundo os pesquisadores, reduzir o ingresso de alunos em períodos de menor atividade gera novos ciclos de escassez e prejudica o planejamento das empresas.

Cabotagem já sente impactos da escassez

O diretor-executivo da Abac, Luís Fernando Resano, afirma que a falta de oficiais da Marinha Mercante, principalmente de máquinas, já afeta as operações da cabotagem e pode limitar a expansão da frota brasileira.

Segundo ele, a deficiência é consequência de anos de restrições nos recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo (FDEPM), responsável por financiar parte da formação desses profissionais.

Resano explica que a aprovação da Lei 14.301/2022, conhecida como BR do Mar, impulsionou a cabotagem e elevou a procura por mão de obra qualificada. No entanto, a formação de novos oficiais não acompanhou esse crescimento.

Empresas adotam medidas para manter operações

Diante da escassez de profissionais, empresas do setor recorreram a soluções emergenciais para evitar impactos nas operações. Entre as estratégias adotadas está o pagamento em dobro para oficiais que aceitaram trabalhar durante os períodos destinados ao descanso.

Segundo Resano, a medida permitiu manter o transporte marítimo funcionando sem interrupções, mas aumentou significativamente os custos operacionais das armadoras.

Além de defender a ampliação permanente das vagas nas escolas de formação, ele ressalta que existe grande interesse pela carreira marítima. Para o executivo, o principal desafio atualmente não é atrair candidatos, mas ampliar a capacidade de formação.

Enquanto isso, empresas associadas à Abac passaram a investir diretamente na qualificação de novos profissionais por meio de uma parceria com a Fundação de Estudos do Mar (Femar), assumindo integralmente os custos da capacitação de seus empregados.

Marinha afirma que ampliou vagas de formação

Em nota, a Marinha do Brasil informou que vem aumentando gradualmente a oferta de vagas nos cursos de formação e adaptação de oficiais, conforme a necessidade do setor e a capacidade das instituições de ensino.

Segundo a corporação, foram disponibilizadas 333 vagas em 2024. Em 2025, esse número subiu para 374 e, em 2026, chegou a 389 vagas, refletindo o esforço para ampliar a formação de profissionais destinados à Marinha Mercante.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

Liberdades do Ar: entenda como as regras ampliam a conectividade aérea do Brasil com o mundo

O governo brasileiro atualizou recentemente as regras que orientam a negociação dos direitos de tráfego aéreo com outros países, ampliando as possibilidades de novos acordos para operações de voos internacionais. A mudança fortalece a integração do Brasil ao mercado global de transporte aéreo e pode favorecer a expansão de rotas para passageiros e cargas.

Essas negociações são baseadas nas chamadas Liberdades do Ar, um conjunto de normas internacionais que estabelece quais direitos as companhias aéreas possuem para operar em territórios estrangeiros. As regras servem de fundamento para os Acordos Bilaterais de Serviços Aéreos, responsáveis por definir as condições para a oferta de voos entre diferentes países.

Convenção de Chicago deu origem às Liberdades do Ar

As Liberdades do Ar foram criadas em 1944 durante a Convenção de Chicago, encontro internacional que definiu os principais princípios da aviação civil após a Segunda Guerra Mundial.

O evento também resultou na criação da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por estabelecer padrões técnicos e regulatórios para a aviação internacional.

Atualmente, a OACI reconhece nove Liberdades do Ar, cada uma com um nível específico de autorização para que empresas aéreas operem entre diferentes países.

Conheça as nove Liberdades do Ar

As regras são organizadas em nove categorias, que ampliam gradualmente os direitos concedidos às companhias aéreas.

  • 1ª Liberdade: autoriza apenas o sobrevoo do território de outro país, sem necessidade de pouso.
  • 2ª Liberdade: permite pousos exclusivamente para fins técnicos, como abastecimento ou manutenção, sem embarque ou desembarque de passageiros e cargas.
  • 3ª Liberdade: garante o transporte de passageiros e cargas do país de origem da companhia para outro país.
  • 4ª Liberdade: assegura o direito de realizar o percurso inverso, trazendo passageiros e mercadorias de volta ao país da empresa.
  • 5ª Liberdade: permite transportar passageiros e cargas entre dois países estrangeiros, desde que o voo tenha origem ou destino no país da companhia aérea.
  • 6ª Liberdade: autoriza conexões internacionais por meio do país de origem da empresa aérea, ligando dois mercados estrangeiros.
  • 7ª Liberdade: possibilita que uma companhia opere voos entre dois países estrangeiros sem que a aeronave passe pelo país onde está sediada.
  • 8ª Liberdade: conhecida como cabotagem consecutiva, permite que uma empresa estrangeira transporte passageiros entre cidades de outro país como parte de um voo internacional.
  • 9ª Liberdade: chamada de cabotagem plena, autoriza companhias estrangeiras a operar voos totalmente domésticos em outro país, sem qualquer ligação com seu território de origem.

Brasil avança nas negociações para a 9ª Liberdade do Ar

O Brasil deu um passo importante para ampliar a integração regional ao aderir, ao lado de Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia, ao Memorando de Entendimento do Acordo de Liberalização Aérea Sul-Americana (ALAS).

O objetivo da iniciativa é criar as condições necessárias para a implementação da 9ª Liberdade do Ar entre os países participantes, permitindo uma maior abertura do mercado de aviação na América do Sul.

Grupo de Trabalho vai preparar proposta de integração

Como primeira etapa do processo, será instituído um Grupo de Trabalho responsável por elaborar estudos e propostas para harmonizar a regulamentação da aviação civil entre os países.

Entre os temas que serão analisados estão o reconhecimento mútuo de certificados e licenças de tripulantes, padrões de segurança operacional e manutenção, facilitação do transporte aéreo, direitos dos passageiros, sustentabilidade ambiental, além de normas relacionadas à infraestrutura aeroportuária e aos serviços de navegação aérea.

O grupo terá prazo de 12 meses para apresentar uma proposta que servirá de base para os próximos passos da implementação da 9ª Liberdade do Ar na América do Sul, iniciativa que poderá ampliar a conectividade regional e fortalecer a integração do setor aéreo entre os países participantes.

FONTE: Ministério de Porto e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Portos

Norcoast amplia rota de cabotagem com inclusão do Porto do Rio de Janeiro

A Norcoast expandiu sua operação de cabotagem ao incorporar a Rio Brasil Terminal (RBT), no Porto do Rio de Janeiro, à sua rota regular. A estreia da nova escala ocorreu com a previsão de atracação do navio NC Breda, marcando o início de uma ligação direta entre o estado do Rio de Janeiro e a Zona Franca de Manaus.

A iniciativa reforça a estratégia da companhia de ampliar sua presença no Sudeste e fortalecer a malha logística nacional por meio do transporte marítimo de cargas.

Nova operação amplia cobertura logística

Com a entrada do Porto do Rio de Janeiro na rota, a Norcoast passa a oferecer uma alternativa para o transporte de cargas domésticas e também para operações feeder, responsáveis por conectar portos brasileiros às principais linhas internacionais.

Segundo a empresa, a nova escala proporciona mais previsibilidade nas operações, maior flexibilidade para os embarcadores e integração entre os modais marítimo, ferroviário e rodoviário, contribuindo para uma cadeia logística mais eficiente.

A ligação direta com Manaus também amplia as possibilidades de atendimento ao polo industrial da capital amazonense e fortalece o escoamento de cargas provenientes do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e interior de São Paulo, aproveitando a conexão com a malha ferroviária.

Setores industriais devem ser os principais beneficiados

A expectativa da Norcoast é que a nova operação atenda principalmente empresas dos segmentos de bens de consumo, siderurgia, bebidas e cargas de maior valor agregado.

Para esses setores, fatores como segurança, confiabilidade e regularidade das operações têm se tornado decisivos na escolha do modal logístico.

De acordo com o diretor comercial da Norcoast, Marcio Salmi, a expansão faz parte de um plano de crescimento sustentável da companhia.

“Queremos ampliar a capilaridade da cabotagem, expandindo o portfólio de serviços e a rede de atendimento de forma consistente e sustentável. Estamos acompanhando a demanda desses setores e apostamos na geração de valor por meio do aumento da oferta, do estímulo à cabotagem e do desenvolvimento regional”, afirmou em nota.

Rede passa a conectar oito portos brasileiros

Com a nova escala, a rota regular da Norcoast passa a atender os portos de Manaus (AM), Pecém (CE), Suape (PE), Salvador (BA), Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí (SC) e Rio de Janeiro (RJ).

A empresa opera atualmente quatro embarcações, cada uma com capacidade para transportar aproximadamente 3,5 mil TEUs, utilizando um modelo de atendimento porta a porta, que integra o transporte marítimo aos demais modais logísticos.

Cabotagem cresce, mas ainda enfrenta desafios no Brasil

A ampliação da malha da Norcoast ocorre em um momento de recuperação do setor de cabotagem. Dados da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC) apontam crescimento no segundo trimestre, impulsionado pela retomada das operações domésticas e do segmento feeder.

Apesar desse avanço, o desempenho acumulado no primeiro semestre registrou alta de apenas 0,9%, evidenciando que o modal ainda possui amplo espaço para crescer na matriz logística brasileira.

Embora o país conte com mais de 8 mil quilômetros de litoral, a participação da cabotagem no transporte nacional de cargas segue relativamente baixa.

Integração multimodal é apontada como principal desafio

Especialistas avaliam que o maior obstáculo para a expansão da cabotagem não está na navegação, mas na integração entre os diferentes sistemas de transporte.

Para Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral (FDC), os portos precisam ser tratados como parte de um corredor logístico completo, conectado de forma eficiente às ferrovias, rodovias e centros de distribuição.

Nesse cenário, investimentos em logística integrada, operações porta a porta e ampliação da oferta de serviços, como a nova rota da Norcoast, buscam reduzir gargalos históricos e tornar o modal mais competitivo para os embarcadores.

Modal marítimo também contribui para reduzir emissões

Além dos ganhos operacionais, a cabotagem vem se consolidando como uma alternativa mais sustentável para o transporte de cargas.

Levantamento da própria Norcoast indica que, em determinados corredores logísticos, o transporte marítimo pode emitir até 89% menos CO₂ do que o modal rodoviário. A companhia também destaca a redução nos riscos de roubo de cargas como um dos fatores que têm ampliado o interesse de empresas dos setores industrial e de bens de consumo.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Logística

Cabotagem movimenta 38,4 milhões de toneladas e fortalece a logística entre portos brasileiros

A cabotagem segue consolidada como um dos principais pilares da logística de transporte no Brasil. Realizada ao longo dos mais de 8,5 mil quilômetros da costa brasileira, a modalidade conecta portos brasileiros e integra o transporte marítimo com rodovias, ferrovias e hidrovias, facilitando o escoamento de mercadorias entre regiões produtoras, centros de distribuição e mercados consumidores.

Movimentação de cargas cresce nos portos brasileiros

Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que, nos dois primeiros meses deste ano, a cabotagem transportou 38,4 milhões de toneladas de cargas entre portos nacionais.

A maior parte desse volume foi composta por granéis líquidos e gasosos, que somaram 29,7 milhões de toneladas. Também foram registrados:

  • 4,9 milhões de toneladas de granéis sólidos;
  • 3,7 milhões de toneladas de cargas conteinerizadas;
  • 978 mil toneladas de carga geral.

Os números evidenciam a relevância da cabotagem para o abastecimento e a distribuição de produtos em diferentes setores da economia.

Petróleo, contêineres e bauxita lideram o transporte

Entre as principais mercadorias movimentadas pela cabotagem, o destaque ficou para o petróleo e seus derivados, que responderam por 25,7 milhões de toneladas transportadas.

Na sequência aparecem:

  • Contêineres: 3,7 milhões de toneladas;
  • Derivados de petróleo: 3,3 milhões de toneladas;
  • Bauxita: 2,6 milhões de toneladas.

A diversidade de cargas demonstra a importância da navegação costeira para atender às demandas da indústria, do comércio e do setor energético.

Integração entre transporte marítimo, rodoviário e ferroviário

Um dos diferenciais da cabotagem é sua integração com outros modais de transporte. Em uma mesma operação logística, uma carga pode sair da fábrica por caminhão ou trem, seguir até um porto, ser embarcada em um navio e, ao chegar ao destino, voltar ao transporte terrestre até o consumidor final.

Esse modelo amplia a eficiência da cadeia logística e contribui para a conexão entre diferentes regiões do país.

Principais rotas ligam Norte, Nordeste e Sul do Brasil

A navegação de cabotagem opera em importantes corredores logísticos do país, conectando portos estratégicos como Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí (SC), Navegantes (SC), Salvador (BA), Suape (PE), Pecém (CE) e Manaus (AM).

Essas rotas são utilizadas para o transporte de combustíveis, fertilizantes, alimentos, produtos industrializados e cargas conteinerizadas.

O trecho entre Santos e Manaus, por exemplo, desempenha papel fundamental no abastecimento da Zona Franca de Manaus, enquanto as ligações entre Santos, Salvador, Suape e Pecém reforçam o fluxo de mercadorias ao longo do litoral brasileiro.

Cabotagem se diferencia da navegação internacional

Ao contrário da navegação de longo curso, destinada ao transporte entre portos de diferentes países, a cabotagem acontece exclusivamente entre portos localizados em território brasileiro.

Essa característica faz da modalidade um componente estratégico da infraestrutura nacional de transportes, contribuindo para a integração da matriz logística e para a circulação de cargas em todo o país.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Portos

Investimentos em portos, hidrovias e cabotagem prometem reduzir gargalos da logística brasileira

A aprovação de uma nova carteira de projetos pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM) abre caminho para um novo ciclo de investimentos na infraestrutura logística do país. O Conselho Diretor do fundo autorizou 15 empreendimentos voltados à construção naval, modernização de portos e ampliação da capacidade do transporte aquaviário, com expectativa de reduzir custos logísticos e aumentar a eficiência das operações de carga.

Embora o financiamento seja direcionado ao setor naval, os impactos devem alcançar toda a cadeia logística. Os projetos contemplam novos terminais portuários, embarcações para hidrovias, navios gaseiros, rebocadores, balsas e estruturas privadas, ampliando a integração entre diferentes modais de transporte.

Projetos fortalecem corredores estratégicos de exportação

As iniciativas serão executadas em dez estados e têm potencial para impulsionar importantes corredores de exportação do agronegócio, da mineração e da indústria brasileira. Além disso, reforçam a estratégia de ampliar a participação da cabotagem e da navegação interior, modais que ainda representam uma parcela reduzida da matriz logística nacional, apesar do grande potencial de expansão.

Entre os empreendimentos de maior relevância está o Terminal de Uso Privado (TUP) Porto Sul, em Ilhéus (BA), desenvolvido pela Bahia Mineração (Bamin). O terminal será integrado à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), criando uma nova rota para o escoamento de minério de ferro e, futuramente, de produtos agrícolas provenientes do Centro-Oeste e do oeste baiano.

A integração entre ferrovia e porto deverá reduzir a dependência do transporte rodoviário em longas distâncias, ampliar a capacidade de exportação e aliviar a movimentação em portos já bastante demandados, como Santos e Paranaguá.

Novos navios e barcaças ampliam capacidade do transporte aquaviário

Outro destaque da carteira é a construção de cinco navios destinados ao transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP) para a Petrobras. A ampliação da frota nacional deve reduzir a necessidade de afretamento de embarcações estrangeiras e fortalecer a segurança logística do abastecimento interno.

O pacote também prevê a fabricação de 12 barcaças graneleiras que atuarão no Arco Norte, região considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola. A iniciativa acompanha o crescimento do agronegócio brasileiro e busca ampliar a utilização das hidrovias amazônicas, reduzindo custos de transporte e aumentando a competitividade das exportações.

Além da economia operacional, o modal hidroviário permite transportar grandes volumes com menor consumo de combustível e menor emissão de poluentes quando comparado ao transporte rodoviário.

Modernização da indústria naval também faz parte do plano

A carteira aprovada pelo FMM inclui ainda projetos de modernização e reparo de embarcações. Embora menos visíveis, esses investimentos aumentam a disponibilidade da frota nacional, reduzem o tempo de manutenção e fortalecem a cadeia produtiva da indústria naval brasileira, gerando reflexos positivos para fornecedores e estaleiros.

Integração logística é prioridade para reduzir gargalos

O conjunto de investimentos reforça uma estratégia voltada à integração entre portos, ferrovias, hidrovias e cabotagem. Com o crescimento das exportações do agronegócio e da mineração nos últimos anos, a infraestrutura logística brasileira passou a enfrentar maior pressão, tornando necessária a diversificação dos corredores de transporte.

Ao ampliar a participação dos modais aquaviários, o país tende a reduzir a dependência das rodovias, melhorar a previsibilidade das operações e diminuir os custos logísticos no médio e longo prazo.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a aprovação da carteira permite que os projetos avancem para a etapa de contratação dos financiamentos junto às instituições financeiras credenciadas pelo FMM. A expectativa é que, com a execução das obras e a entrada das novas embarcações em operação, o Brasil fortaleça sua infraestrutura aquaviária e aumente a competitividade no comércio exterior.

Principais projetos aprovados

  • Porto Sul (BA): novo corredor de exportação integrado à Fiol, ampliando a capacidade logística e reduzindo a concentração de cargas em portos tradicionais.
  • Cinco navios gaseiros: reforço da frota nacional para transporte de GLP, aumentando a segurança do abastecimento.
  • Barcaças para o Arco Norte: expansão da capacidade das hidrovias para atender ao crescimento da produção agrícola.
  • Ampliação de terminais portuários: melhoria da capacidade operacional e redução de filas nos portos.
  • Projetos de reparo naval: maior disponibilidade da frota brasileira e fortalecimento da indústria naval.

Benefícios esperados para a logística brasileira

  • Expansão da cabotagem e da navegação interior;
  • Maior integração entre porto, ferrovia e hidrovias;
  • Diversificação dos corredores de exportação;
  • Redução dos custos logísticos;
  • Ganhos de competitividade para o agronegócio, mineração e indústria;
  • Menor dependência do transporte rodoviário em longas distâncias.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Logística

Cabotagem ganha força como alternativa para reduzir emissões na logística brasileira

A busca por operações mais sustentáveis está mudando a forma como as empresas movimentam mercadorias no Brasil. Em um cenário em que aproximadamente 63% do transporte de cargas ainda ocorre pelas rodovias, o modal escolhido para a logística deixou de ser apenas uma decisão de custo e prazo. Hoje, ele também influencia metas de descarbonização, inventários de carbono e estratégias de ESG.

Nesse contexto, a cabotagem surge como uma alternativa capaz de reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa, principalmente em viagens de longa distância.

Estudo aponta redução superior a 70% nas emissões

Levantamento realizado pela empresa de navegação costeira Norcoast indica que suas operações evitaram a emissão de cerca de 317,8 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) ao longo de 2025, quando comparadas a um cenário em que toda a carga tivesse sido transportada exclusivamente por caminhões.

O estudo avaliou 49.611 operações de frete, responsáveis pela movimentação de aproximadamente 957 mil toneladas de cargas durante o período.

Segundo os dados, a operação intermodal, que combina transporte marítimo e trechos rodoviários para coleta e entrega, gerou 123,2 mil toneladas de CO₂e. Já uma operação totalmente rodoviária alcançaria 441 mil toneladas de CO₂e, representando uma redução de 72,1% nas emissões.

A intensidade de carbono também foi menor na cabotagem: 128,7 quilos de CO₂e por tonelada transportada, contra 460,7 quilos no transporte exclusivamente rodoviário.

De acordo com Fabiano Lorenzi, CEO da Norcoast, a cabotagem não substitui o caminhão, mas reduz a necessidade de percorrer grandes distâncias pelas estradas, diminuindo a intensidade de carbono da cadeia logística.

Matriz logística brasileira segue concentrada nas rodovias

Apesar do avanço da cabotagem, a logística nacional ainda depende majoritariamente do transporte rodoviário.

Dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) mostram que 63,4% das cargas brasileiras são transportadas por caminhões. As ferrovias respondem por 18%, o transporte aquaviário representa 14,6%, os dutos concentram 4,1% e o modal aéreo participa com apenas 0,1%.

Na avaliação da Norcoast, essa predominância ocorre não apenas pela preferência histórica pelo caminhão, mas também pela oferta limitada de alternativas eficientes para grandes distâncias.

Rodovias concentram a maior parte das emissões do setor

A concentração da matriz logística também se reflete na emissão de gases de efeito estufa.

Segundo o Inventário CNT 2025, o setor de transportes brasileiro lançou cerca de 190 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2023. Desse total, 92,9% vieram do transporte rodoviário.

Os caminhões representam aproximadamente 34% dessas emissões, enquanto os automóveis flex respondem por cerca de 30%.

Para Lorenzi, a crescente preocupação das empresas com a pegada de carbono faz com que a análise das emissões passe a influenciar diretamente a escolha do modal logístico, juntamente com fatores como custo e prazo.

Brasil reúne condições favoráveis para ampliar a cabotagem

A extensa faixa litorânea, a concentração populacional próxima à costa e os corredores logísticos que ligam polos produtores aos principais centros consumidores colocam o Brasil em posição estratégica para ampliar o uso da cabotagem.

A própria Norcoast nasceu com esse objetivo. Criada pela brasileira Norsul em parceria com a alemã Hapag-Lloyd, a empresa iniciou suas operações em fevereiro de 2024 apostando no crescimento do transporte de contêineres pela costa brasileira e na migração de cargas hoje transportadas por rodovias.

Dados da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC) mostram que o segmento movimentou 1,9 milhão de TEUs em 2025, crescimento de 24% em relação ao ano anterior. Desse volume, 876 mil TEUs corresponderam ao transporte doméstico, que avançou 15% no período.

Maior capacidade dos navios reduz intensidade das emissões

Segundo Bruno Alonso, especialista em emissões da Norcoast e responsável pelo estudo, a principal vantagem ambiental da cabotagem está na elevada capacidade de transporte dos navios.

Enquanto uma embarcação da empresa pode transportar até 3,5 mil TEUs em uma única viagem, um caminhão normalmente leva apenas um contêiner padrão, podendo chegar a dois em configurações específicas e respeitando os limites de peso das rodovias.

Mesmo utilizando combustíveis fósseis, o transporte marítimo consegue distribuir as emissões por uma quantidade muito maior de carga, reduzindo a intensidade de carbono por tonelada transportada.

Além disso, a empresa afirma adotar medidas como controle de velocidade das embarcações, otimização dos motores e utilização de combustível marítimo com baixo teor de enxofre (LSFO). Também acompanha o desenvolvimento de soluções como biocombustíveis e hidrogênio verde, embora reconheça que essas tecnologias ainda enfrentam desafios técnicos e elevados custos para adoção em larga escala.

Agenda climática aumenta importância da logística sustentável

Especialistas avaliam que a escolha do modal logístico ganhou relevância também por causa das exigências relacionadas ao Escopo 3 do GHG Protocol, que contabiliza as emissões indiretas da cadeia de suprimentos.

Ao mesmo tempo, o transporte marítimo mundial enfrenta novas metas ambientais. A Organização Marítima Internacional (IMO) definiu objetivos progressivos para reduzir as emissões do setor, com cortes previstos até 2030 e 2040, além da meta de alcançar emissões líquidas zero por volta de 2050.

Entre os mecanismos já implementados está o Carbon Intensity Indicator (CII), indicador que mede anualmente a eficiência de carbono das embarcações. Segundo a Norcoast, sua frota já é monitorada com base nesse sistema.

Cabotagem ainda representa pequena parcela do transporte de cargas

Apesar do crescimento recente, a cabotagem ainda responde por cerca de 11% da matriz logística brasileira. O segmento de transporte de contêineres representa aproximadamente 1% de toda a movimentação de cargas no país.

Para a Norcoast, o avanço do modal não depende da substituição dos caminhões, mas da ampliação da integração entre diferentes meios de transporte. A proposta é utilizar o modal marítimo nos longos percursos e manter o transporte rodoviário nas etapas de coleta e distribuição, tornando a logística nacional mais eficiente e com menor emissão de carbono.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor

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