Comércio Internacional

Brasil e Índia ampliam diálogo para fortalecer comércio e investimentos

Brasil e Índia deram mais um passo para aprofundar a parceria econômica e comercial entre os dois países. O avanço ocorreu durante a 8ª Reunião do Mecanismo de Monitoramento de Comércio Bilateral Brasil–Índia (TMM), realizada na última sexta-feira (28/08), na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Entre os principais assuntos discutidos estiveram a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial (ACP) MERCOSUL–Índia, abertura de mercados, redução de barreiras comerciais, diversificação das exportações e estímulo a novos investimentos bilaterais.

A delegação brasileira foi liderada pela secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres. Pelo lado indiano, a representação ficou a cargo do secretário de Comércio da Índia, Rajesh Agrawal.

Cooperação entre empresas ganha força

A reunião ocorreu na sequência de uma série de iniciativas voltadas ao fortalecimento das relações entre Brasil e Índia. No início de agosto, o ministro Márcio Elias Rosa esteve em missão oficial na Índia.

Na quinta-feira (27/08), o ministro participou, na ApexBrasil, da assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) com a Confederação das Indústrias Indianas (CII). O acordo pretende ampliar a cooperação comercial e a atuação conjunta de empresas dos dois países.

A iniciativa também busca abrir espaço para a diversificação das exportações brasileiras, estimular a internacionalização de pequenas e médias empresas e favorecer a atração de capital indiano para o Brasil.

Acesso a mercados está entre as prioridades

Durante o encontro do TMM, Brasil e Índia analisaram medidas para melhorar o acesso a mercados e solucionar obstáculos comerciais em setores como produtos agrícolas e calçados.

Também foram avaliadas oportunidades de diversificação da pauta comercial, promoção de investimentos e formação de parcerias estratégicas. Nesse cenário, ganhou destaque a presença da ApexBrasil e da Embraer, que mantêm escritórios em Nova Delhi.

As delegações ainda registraram avanços na utilização dos Certificados Eletrônicos de Origem (eCoOs) e na implementação do Memorando de Entendimento voltado à cooperação em micro, pequenas e médias empresas, empreendedorismo e artesanato, sob coordenação do Ministério do Empreendedorismo.

No âmbito internacional, as conversas também envolveram temas relacionados ao BRICS, G20, Organização Mundial do Comércio (OMC) e à Organização Marítima Internacional (IMO).

Relação comercial ganha ritmo

Para a secretária Tatiana Prazeres, o encontro ocorre em um período de maior aproximação entre os governos e de participação crescente da iniciativa privada.

Segundo ela, desde a reunião anterior, realizada em outubro de 2025, a relação bilateral passou por uma intensificação da agenda de contatos e ampliou a participação empresarial.

A secretária destacou ainda o caráter operacional do mecanismo bilateral, especialmente na identificação de entraves e novas possibilidades para o comércio. Entre os pontos considerados prioritários estão barreiras regulatórias, acesso a mercados, diversificação das exportações, investimentos e a ampliação do acordo comercial entre o MERCOSUL e a Índia.

Prazeres também citou a agenda de alto nível desenvolvida ao longo de agosto. A participação do ministro Márcio Elias Rosa na reunião de ministros de Comércio do BRICS, em Jaipur, o encontro com o ministro indiano Piyush Goyal e o acordo firmado com a CII foram apontados como sinais do esforço para estreitar a relação econômica.

Comércio entre Brasil e Índia cresce

Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Índia movimentou US$ 15,2 bilhões, resultado 25,4% superior ao registrado no ano anterior.

As exportações brasileiras alcançaram US$ 6,86 bilhões, uma alta de 30,2%. Já nos primeiros sete meses de 2026, a corrente de comércio chegou a US$ 10,1 bilhões, crescimento de 32,9%.

No mesmo período, as exportações brasileiras somaram US$ 5,89 bilhões, avanço de 82,1% em comparação com os primeiros sete meses do ano anterior.

Petróleo e minério estão entre os principais produtos

A pauta de exportações do Brasil para a Índia tem participação relevante de petróleo, óleos vegetais, minério de ferro, açúcares e algodão.

Outros segmentos também vêm ampliando sua presença no mercado indiano. Em 2025, 33 produtos tiveram crescimento nas vendas brasileiras, com destaque para produtos hortícolas, matérias plásticas, bombas, centrífugas, compressores de ar, máquinas não elétricas e itens de perfumaria.

Do lado das importações, o Brasil compra da Índia principalmente compostos organo-inorgânicos, medicamentos, agroquímicos, defensivos agrícolas e peças para veículos automotores.

Acordos fortalecem ambiente para investimentos

O relacionamento econômico também conta com instrumentos destinados a dar mais segurança às empresas. O Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI), assinado em 2020, foi aprovado pelo Congresso brasileiro e promulgado em outubro de 2025.

Também foi concluída a etapa brasileira para a entrada em vigor do protocolo que modifica o acordo para evitar a dupla tributação entre os países. No Brasil, as novas regras passaram a ser aplicadas a partir de janeiro de 2026.

Na área de transporte aéreo, o Acordo de Serviços Aéreos (ASA), promulgado em fevereiro de 2025, ampliou a segurança jurídica para as operações entre os dois países e criou condições para o aumento da conectividade aérea entre Brasil e Índia.

Mecanismo bilateral existe desde 2008

Criado em 2008 e posteriormente reforçado pelo Plano de Ação da Parceria Estratégica Brasil–Índia, em 2020, o Mecanismo de Monitoramento de Comércio (TMM) é o principal fórum bilateral dedicado à discussão do comércio de bens e à identificação de oportunidades para ampliar as relações econômicas.

A 7ª reunião do mecanismo ocorreu em outubro de 2025, em Nova Delhi.

A representação brasileira nesta edição reuniu integrantes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), da Assessoria Internacional e da Secretaria de Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços (SDIC) do MDIC. Também participaram representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), do Ministério do Empreendedorismo e da ApexBrasil.

Pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), participaram o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros (SEAF), e integrantes da equipe do ministério.

A delegação indiana foi chefiada por Rajesh Agrawal e incluiu Vimal Anand, secretário adjunto; Monica Gaur, diretora; Samarth Nayar, associado do CTIL; além do embaixador Dinesh Bhatia, da Embaixada da Índia em Brasília, Sandip Kumar Kujur, Murugaraj Dhamodaran e Manoj Kumar.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Agro2

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Internacional

Brasil e Índia ampliam cooperação em Defesa e negociam novo acordo estratégico

O Brasil e a Índia avançam nas tratativas para consolidar um novo acordo na área de Defesa, reforçando a parceria estratégica bilateral entre as duas nações. A movimentação ocorre durante a agenda internacional do presidente do Brasil em Nova Délhi.

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, encaminhou convite formal ao assessor de Segurança Nacional da Índia, Ajit Doval, para que visite o Brasil “assim que possível”. O gesto reforça o esforço diplomático para intensificar o diálogo de alto nível.

Novo memorando pode ser assinado durante visita presidencial

De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, o governo brasileiro espera concluir as negociações e formalizar um memorando de entendimento voltado à cooperação na indústria de defesa ainda durante a passagem de Lula pela capital indiana.

O presidente participa de um evento multilateral sobre inteligência artificial, mas a agenda inclui compromissos bilaterais considerados estratégicos para ampliar a cooperação em tecnologia, setor aeroespacial e indústria militar.

Avanços na aviação e diálogo de alto nível

Na correspondência enviada a Doval, Amorim avaliou como “altamente bem-sucedida” a recente visita do vice-presidente Geraldo Alckmin à Índia. Segundo ele, houve “progresso significativo” especialmente na área de aviação.

O assessor também ressaltou que a manutenção de contato frequente entre as autoridades dos dois países será determinante para o êxito dos projetos em andamento.

A área de defesa e segurança consolidou-se como um dos principais pilares da aproximação entre Brasília e Nova Délhi, sobretudo após sucessivas missões oficiais e ampliação das negociações em setores estratégicos.

Missões oficiais reforçam cooperação militar

Em 2025, pouco depois da visita de Amorim ao país asiático, Alckmin esteve em Nova Délhi acompanhado do ministro da Defesa, do comandante da Aeronáutica, do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e do presidente da Agência Espacial Brasileira.

A presença de representantes das Forças Armadas e da área espacial evidenciou a prioridade dada à cooperação militar e aeroespacial.

Embraer amplia presença na Índia

No setor empresarial, a Embraer inaugurou, em outubro, um novo escritório na capital indiana, com participação de Alckmin. A fabricante brasileira também firmou acordo de cooperação estratégica com o grupo Mahindra Group.

Já em janeiro, a companhia assinou memorando de entendimento com a Adani Defense & Aerospace para o desenvolvimento de um sistema integrado de transporte aéreo regional, ampliando a presença brasileira no mercado de defesa indiano.

Agenda bilateral e expectativa de novos avanços

Após compromissos multilaterais, Lula participa da inauguração do novo escritório da ApexBrasil em Nova Délhi e do encerramento do fórum empresarial Brasil–Índia.

No sábado, a programação prevê visita de Estado e reunião com o primeiro-ministro Narendra Modi, quando a agenda bilateral deve priorizar defesa, tecnologia e indústria estratégica.

A expectativa do governo brasileiro é transformar o atual momento de aproximação em acordos concretos, consolidando o relacionamento entre duas das principais economias emergentes do mundo.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fabio Pozzebom / Agência Brasil

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Informação

Índia acelera etanol automotivo e coloca Brasil como parceiro estratégico

A Índia praticamente antecipou sua meta de 20% de mistura de etanol na gasolina (E20) e transformou o programa em um eixo central de sua política energética e agrícola. O avanço redesenha a matriz de combustíveis do país e reposiciona o setor sucroenergético, com reflexos que ultrapassam fronteiras e abrem espaço para cooperação com o Brasil.

O que começou como iniciativa de diversificação energética evoluiu para uma estratégia de substituição de importações, redução da vulnerabilidade cambial e fortalecimento da renda no campo.

Meta E20 muda lógica do setor energético

O programa Ethanol Blended Petrol (EBP), acelerado a partir de 2020, elevou a mistura média de etanol de menos de 5% para cerca de 20% em poucos anos.

Para um país que importa mais de 80% do petróleo que consome, cada ponto percentual adicional de etanol na gasolina reduz a exposição a oscilações externas, melhora o déficit energético e cria demanda interna previsível para o agronegócio.

A política deixou de ser apenas ambiental e passou a integrar a estratégia macroeconômica do governo indiano.

Cana lidera, mas milho ganha espaço

A base da produção de etanol indiano continua sendo a cana-de-açúcar. No entanto, eventos recentes de restrição hídrica e preocupações com a oferta de açúcar levaram o governo a incentivar também o etanol produzido a partir de grãos, especialmente o milho.

A diversificação funciona como mecanismo de equilíbrio: reduz a dependência exclusiva da cana e oferece flexibilidade em anos de safra menor ou quando os preços internacionais do açúcar sobem.

Atualmente, a capacidade instalada de produção se aproxima de 20 bilhões de litros por ano, impulsionada por investimentos em destilarias anexas a usinas e em plantas dedicadas ao processamento de grãos.

Política industrial com preços administrados

Diferentemente de modelos baseados em livre mercado, o sistema indiano opera com forte coordenação estatal. O governo define preços diferenciados de compra do etanol conforme a matéria-prima utilizada — melaço, caldo de cana ou milho.

Essa política garante margem mínima aos produtores e previsibilidade às distribuidoras, consolidando o programa como instrumento de política industrial.

Os impactos macroeconômicos são claros: menor gasto com importação de combustíveis fósseis, melhora no balanço externo e redução da exposição a choques geopolíticos. Ao mesmo tempo, há transferência de renda para regiões agrícolas e maior estabilidade financeira no setor sucroenergético.

Brasil entra como parceiro tecnológico

É nesse cenário que o Brasil surge como parceiro estratégico. A Índia não pretende depender estruturalmente de importações de etanol, mas pode aproveitar a experiência brasileira acumulada em décadas de mistura elevada e motores flex.

O país domina tecnologias de produção integrada de etanol de cana, cogeração de bioeletricidade e desenvolvimento de etanol de segunda geração. Essa expertise pode ser compartilhada por meio de engenharia industrial, fornecimento de equipamentos, certificações de sustentabilidade e apoio regulatório.

Desafios estruturais e equilíbrio alimentar

O avanço do E20, contudo, não está livre de tensões. Monções irregulares e ondas de calor têm afetado a produtividade da cana, elevando custos. Em períodos de preços elevados do açúcar no mercado internacional, cresce o incentivo às exportações, o que pode reduzir a oferta para produção de etanol.

Há também questionamentos de parte dos consumidores sobre eficiência e autonomia dos veículos adaptados ao E20, apesar da adequação promovida pelas montadoras.

Além disso, permanece o debate clássico dos biocombustíveis: como equilibrar segurança energética e segurança alimentar.

Consolidação como padrão estrutural

A tendência é de consolidação do E20 como novo padrão estrutural do mercado indiano, com ajustes graduais na participação do milho e aprimoramentos no sistema de preços administrados.

A Índia constrói um modelo próprio, distinto dos sistemas brasileiro e americano, com forte coordenação estatal e foco na redução de vulnerabilidades externas. Nesse contexto, o papel do Brasil não é substituir a produção local, mas agregar eficiência e tecnologia ao sistema.

O etanol na Índia deixou de ser apenas política ambiental. Tornou-se ferramenta de gestão macroeconômica e oportunidade estratégica para um Brasil que detém uma das tecnologias mais maduras do mundo em biocombustíveis.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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