Tecnologia

Ciberataques a supermercados atingem 11 países da Europa e preocupam autoridades

Uma onda de supostos ataques cibernéticos contra supermercados na Europa já alcançou pelo menos 11 países e provocou falhas nos sistemas de refrigeração de estabelecimentos comerciais. Alemanha, Romênia e Reino Unido entraram na lista de nações afetadas na terça-feira (3 de novembro), ampliando a preocupação das autoridades com possíveis impactos sobre o abastecimento de alimentos.

Além desses países, foram registrados incidentes na Suécia, Irlanda, Holanda, Estônia, Finlândia, Bélgica e Luxemburgo. O cenário também remete a ocorrências registradas na França em outubro, quando centenas de supermercados precisaram descartar alimentos perecíveis após problemas semelhantes nos equipamentos de refrigeração.

Diante da expansão dos casos, a União Europeia (UE) levantou a possibilidade de uma ação coordenada com o objetivo de comprometer a cadeia de abastecimento alimentar do bloco. Até agora, não há informações conclusivas sobre os responsáveis ou as motivações dos ataques, e nenhum grupo reivindicou a autoria.

União Europeia acompanha incidentes e prepara resposta conjunta

A Comissão Europeia informou que suas agências estão em contato com as autoridades nacionais para organizar uma resposta coordenada aos episódios.

O porta-voz do órgão, Thomas Regnier, afirmou que a quantidade de ocorrências exige atenção coletiva e preparação para enfrentar possíveis ameaças à infraestrutura digital.

Segundo ele, os episódios não devem ser tratados como situações isoladas, sendo necessário fortalecer a capacidade de prevenção e resposta a incidentes de segurança cibernética.

Falhas em sistemas de refrigeração afetam supermercados

No Reino Unido, o diretor do Centro Nacional de Segurança Cibernética, Richard Horne, afirmou à BBC que os problemas atingiram diferentes pontos da cadeia de abastecimento alimentar.

De acordo com o dirigente, vulnerabilidades tecnológicas foram exploradas durante os incidentes. Equipes de segurança trabalharam durante a noite para alertar empresas que poderiam estar expostas aos riscos.

Na Alemanha, quatro supermercados registraram problemas. Na Romênia, seis estabelecimentos também foram afetados, conforme informações de autoridades e representantes do setor.

A Bélgica aparece entre os países com maior número de ocorrências nesta nova onda. Dezenas de unidades de diferentes redes de supermercados enfrentaram falhas nos equipamentos de refrigeração. Diante da situação, o Ministério Público federal belga iniciou uma investigação.

Itália registra prejuízos e mobiliza serviços de inteligência

Na Itália, os primeiros levantamentos apontaram problemas em aproximadamente 20 estabelecimentos. O governo convocou reuniões emergenciais com representantes dos serviços de inteligência para acompanhar os acontecimentos.

As autoridades italianas, entretanto, classificaram os impactos como extremamente limitados, concentrados em um pequeno número de lojas que utilizavam sistemas de segurança desatualizados.

Na Sicília, quatro das 300 unidades administradas por uma empresa responsável por supermercados da rede Coop foram atingidas.

Giuseppe Spadaro, diretor do grupo, relatou ao jornal Corriere della Sera que os prejuízos chegaram a milhares de euros. Segundo ele, os alimentos armazenados precisaram ser descartados, deixando as prateleiras dos estabelecimentos vazias.

Ataques levantam suspeitas de ameaças híbridas na Europa

A sequência de incidentes aumentou as preocupações sobre possíveis ameaças híbridas contra infraestruturas críticas europeias. O tema ganhou maior relevância desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, período marcado por alertas de segurança envolvendo diferentes setores estratégicos.

Na Alemanha, as preocupações com possíveis ações de sabotagem se intensificaram em outubro. Na ocasião, o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, afirmou que o país enfrenta diariamente situações que classificou como parte de uma guerra híbrida.

Apesar das suspeitas e do contexto geopolítico, não há comprovação de que os ataques aos supermercados tenham sido organizados por algum governo estrangeiro.

O diretor da Diretoria Nacional de Cibersegurança da Romênia (DNSC), Dan Cimpean, afastou a hipótese de envolvimento de agentes estatais no caso registrado em seu país. Na avaliação dele, as características da ação indicariam um ataque de natureza semiamadora.

Na Bélgica, Katrien Eggers, porta-voz do Centro de Cibersegurança, também destacou a dificuldade de identificar os responsáveis. Segundo ela, ainda não se sabe quem está por trás das ocorrências, e existe a possibilidade de que a autoria nunca seja esclarecida.

A Rússia, frequentemente citada por autoridades europeias em discussões sobre sabotagem e operações híbridas, nega qualquer participação nesse tipo de atividade.

Ausência de pedidos de resgate aumenta suspeitas de sabotagem

Outro aspecto observado por especialistas é a falta de exigências financeiras por parte dos responsáveis pelos ataques.

Em operações tradicionais de ransomware, por exemplo, criminosos costumam bloquear sistemas ou dados e exigir pagamentos para restabelecer o acesso. A ausência desse tipo de reivindicação nos casos envolvendo supermercados levanta a hipótese de que o objetivo possa ser provocar prejuízos e desorganizar operações comerciais, em vez de obter resgate financeiro.

O setor varejista também apresenta características que podem aumentar sua exposição a ataques cibernéticos. Supermercados utilizam estruturas tecnológicas complexas, conectadas à internet e frequentemente administradas por sistemas de acesso remoto.

Essas condições podem criar pontos vulneráveis em equipamentos essenciais, como os sistemas de refrigeração responsáveis pela conservação de alimentos.

Com investigações em andamento e novos registros em diferentes países, as autoridades europeias buscam identificar a origem das falhas e avaliar os riscos para a segurança digital e a continuidade do abastecimento alimentar.

FONTE: DW
TEXTO: Redação
IMAGEM: Maude Brulard/AFP

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Internacional

Ameaças falsas de bomba afetam ao menos 27 voos na Europa e mobilizam caças militares

Uma nova onda de ameaças falsas de bomba em voos comerciais provocou transtornos em diferentes países europeus nesta quinta-feira (quinta-feira), atingindo pelo menos 27 aeronaves. Os alertas levaram ao desvio de rotas, pousos não programados, interrupções de decolagens e mobilização de caças militares para escoltar ou interceptar aviões.

O episódio representa a segunda sequência de ameaças desse tipo registrada na Europa ao longo da semana. Na terça-feira, pelo menos sete voos e um navio de cruzeiro também foram alvos de avisos falsos sobre possíveis explosivos.

Até o momento, nenhum país identificou oficialmente os responsáveis pelas mensagens. As ocorrências, porém, acontecem em meio ao aumento das preocupações de governos europeus com possíveis ataques híbridos e ações de sabotagem, frequentemente associados a operações de baixo custo e difícil atribuição.

Rússia e Irã são citados em meio às suspeitas de sabotagem

Diversas autoridades europeias têm acusado a Rússia de promover ações de desestabilização no continente. Dinamarca, Polônia e Romênia, países afetados pelos incidentes desta quinta-feira, já atribuíram anteriormente a Moscou a responsabilidade por ataques híbridos.

A Alemanha também responsabilizou a Rússia por um ataque ocorrido em agosto no aeroporto de Leipzig. Já o Reino Unido, que em outras ocasiões apontou suspeitas contra o governo russo, relacionou o Irã a um suposto plano envolvendo uma base aérea dos Estados Unidos.

Os dois países negam qualquer participação nas ocorrências.

Eric Schouten, responsável pelo grupo de segurança aérea Dyami, observou que a maioria dos países atingidos pelas ameaças apoia a Ucrânia na guerra contra a invasão russa.

Analistas da empresa Osprey Flight Solutions, especializada em avaliação de riscos na aviação, consideram plausível uma conexão entre os episódios e a campanha de ações híbridas atribuída à Rússia na Europa. Entretanto, destacam que outras hipóteses não podem ser descartadas, como ameaças motivadas por questões pessoais ou reproduzidas por imitadores.

Aeroportos e companhias aéreas registram interrupções

Na Itália, uma fonte aeroportuária informou que uma mensagem com o assunto “Threat report” (relatório de ameaça) foi encaminhada a diversos contatos de companhias aéreas, administradores de aeroportos e prestadores de serviços nos aeroportos de Fiumicino, em Roma, e Malpensa, em Milão.

O comunicado, supostamente enviado por integrantes de um grupo identificado como “fighters of the Male State”, afirmava que explosivos haviam sido instalados em aeronaves procedentes de Helsinque e Dublin. Segundo a mensagem, os dispositivos detonariam em 60 minutos.

A Reuters não conseguiu confirmar a identidade do remetente nem estabelecer uma ligação entre esse comunicado e as demais ameaças registradas no continente.

Na França, caças foram mobilizados para interceptar um avião da Aer Lingus que fazia a rota entre Dublin e Roma. Após uma situação envolvendo a resposta do piloto às orientações das autoridades, a aeronave foi escoltada até uma base aérea em Évreux. O gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu não esclareceu o motivo do comportamento do comandante.

Na Bulgária, a Força Aérea informou que três aviões comerciais receberam escolta militar até o pouso. Uma aeronave da Ryanair, que seguia de Londres para Sófia, precisou ser desviada para Plovdiv, segunda maior cidade do país.

Na Espanha, a polícia recebeu três alertas por e-mail em um intervalo de 20 minutos. As mensagens mencionavam dois voos da Air Europa com destino a Paris e quatro chegadas da Iberia provenientes de Roma e Milão. Em Madri, algumas aeronaves tiveram suas operações interrompidas ou retornaram às posições de estacionamento para inspeção, enquanto os passageiros desembarcaram.

Na capital polonesa, um voo da LOT com destino a Paris teve a decolagem suspensa durante o deslocamento pela pista. Os passageiros foram transferidos para outra aeronave. Já a polícia dinamarquesa confirmou a realização de buscas em dois aviões no aeroporto de Copenhague.

Outras companhias também receberam ameaças, entre elas EasyJet, Finnair, LOT, Wizz Air, Ryanair e Air Serbia. Os voos tinham como destinos cidades como Praga, Sófia, Viena, Bruxelas, Bucareste, Roma e Milão. Parte das aeronaves pousou normalmente, algumas sob escolta militar.

Passageiros relatam tensão após pousos de emergência

O clima de apreensão foi relatado por passageiros que enfrentaram os procedimentos de segurança.

Elena Pala, que viajava em um avião da Wizz Air partindo de Milão, contou à emissora Digi TV como foi a chegada a Bucareste, na Romênia.

Segundo ela, a aeronave foi conduzida para uma área distante do terminal, onde permaneceu cercada por caminhões de bombeiros, ambulâncias e equipes antiterrorismo.

Ao questionar o motivo da movimentação, recebeu apenas a informação de que se tratava de uma situação de emergência.

Joji Waites, diretor de segurança de voo da Associação Britânica de Pilotos de Companhias Aéreas, explicou que as empresas não adotam medidas operacionais com base em qualquer mensagem recebida. As ameaças precisam passar por uma avaliação para determinar se apresentam credibilidade.

Entre os passageiros que aguardavam seus voos, houve também manifestações de resignação diante dos transtornos. A espanhola Lucia Parga afirmou que as viagens precisam continuar, apesar dos acontecimentos.

Outro viajante, Gabriele Franzese, disse que não considera possível viver preocupado com todas as notícias sobre possíveis incidentes.

Ameaças à aviação coincidem com ataques cibernéticos na Europa

Além dos alertas envolvendo aeronaves, especialistas chamam a atenção para uma sequência de ataques cibernéticos contra serviços essenciais em diferentes países europeus.

Eliran Almog, diretor-executivo da empresa de segurança digital para aviação Cyviation, avalia que as falsas ameaças podem ter dois objetivos: provocar interrupções nas operações e observar como companhias aéreas, aeroportos e autoridades reagem a situações de risco.

O especialista também apontou uma coincidência temporal entre os incidentes na aviação e ataques contra sistemas de refrigeração de supermercados em vários países europeus.

Nesta semana, hackers ainda não identificados provocaram, pela segunda vez, a paralisação de refrigeradores em estabelecimentos comerciais de diferentes nações. Os ataques também atingiram bancos de sangue na França.

Para Almog, a ocorrência simultânea de problemas em setores fundamentais demonstra como diferentes serviços podem ser afetados por ações que provocam prejuízos econômicos e comprometem a confiança da população nas instituições.

A sequência de incidentes mantém autoridades e empresas europeias em alerta diante dos riscos de novas interrupções na aviação e em outros setores estratégicos.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Claudia Greco

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