Informação

Baterias de sódio podem revolucionar o setor energético e desafiar o domínio do lítio

As baterias de sódio estão surgindo como uma das principais apostas para transformar o futuro da energia global. De acordo com uma análise divulgada pelo Morgan Stanley, a tecnologia tem potencial para remodelar cadeias produtivas, impulsionar a eletrificação em larga escala e reduzir a dependência de matérias-primas estratégicas utilizadas atualmente na fabricação de baterias.

No relatório intitulado “Sal: o novo petróleo”, o banco destaca que o sódio, abundante e de baixo custo, pode assumir um papel semelhante ao que o petróleo desempenhou durante décadas na economia mundial, abrindo caminho para uma nova fase de desenvolvimento industrial e energético.

Mercado pode alcançar trilhões de watts-hora até 2035

Embora ainda esteja em estágio inicial de expansão, o mercado de armazenamento de energia com baterias de sódio apresenta perspectivas expressivas de crescimento.

As projeções do Morgan Stanley apontam para uma capacidade global de cerca de 830 gigawatts-hora (GWh) até 2030. Em 2035, esse volume poderá alcançar 2,4 terawatts-hora (TWh), com possibilidade de chegar a 3,7 TWh em cenários mais otimistas.

O avanço da tecnologia deve movimentar aproximadamente US$ 800 bilhões em investimentos ao longo da próxima década, abrangendo desde a produção de insumos até a expansão da infraestrutura elétrica e da indústria de armazenamento energético.

Menor custo e maior segurança energética impulsionam adoção

Um dos principais diferenciais das baterias de sódio é o custo competitivo. Segundo o relatório, a tecnologia pode ser entre 30% e 40% mais barata que as baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP), atualmente amplamente utilizadas em veículos elétricos e sistemas de armazenamento.

Além da vantagem econômica, o sódio oferece maior disponibilidade global, reduzindo a dependência de minerais concentrados em poucos países, como lítio, cobre e grafite. Esse fator ganha relevância diante do crescimento da demanda energética impulsionada pela inteligência artificial, centros de dados e expansão da mobilidade elétrica.

Outro ponto destacado é o desempenho superior em baixas temperaturas, característica que amplia o potencial de utilização em regiões de clima frio.

Três setores devem liderar a transformação

A análise identifica três segmentos com maior potencial de adoção da nova tecnologia nos próximos anos:

Armazenamento de energia

O setor de energy storage systems (ESS) aparece como principal motor de crescimento. O menor custo das baterias pode tornar economicamente viáveis projetos de armazenamento em larga escala, fortalecendo a estabilidade das redes elétricas.

Frotas comerciais

Empresas de transporte e logística podem acelerar a substituição de veículos movidos a diesel por alternativas elétricas, aproveitando os ganhos de eficiência e redução de custos operacionais.

Veículos compactos

No mercado automotivo, a tecnologia tende a ganhar espaço em carros de menor porte e custo reduzido, onde a autonomia máxima não é o principal critério de compra.

Avanço do sódio pode pressionar mercado de lítio

A expansão das baterias de sódio também representa um desafio para a indústria tradicional de baterias. O Morgan Stanley estima que a tecnologia poderá responder por cerca de 20% do mercado global até 2030 e alcançar até 37% em 2035.

Com isso, a demanda por compostos de lítio pode sofrer desaceleração, especialmente em aplicações relacionadas ao armazenamento de energia e veículos de entrada.

Embora o banco ainda projete forte consumo de lítio no curto prazo, uma mudança estrutural pode começar a ganhar força a partir de 2027, com reflexos sobre preços e investimentos no setor.

Além do lítio, fabricantes ligados às cadeias de cobre e grafite também poderão sentir os impactos, já que as baterias de sódio utilizam materiais alternativos, como alumínio e novas soluções à base de carbono.

China lidera corrida tecnológica

O relatório aponta a China como principal protagonista no desenvolvimento e na adoção comercial das baterias de sódio. O país já concentra investimentos relevantes e possui vantagem competitiva na produção em larga escala.

Enquanto isso, Estados Unidos e Europa avançam de forma mais gradual, buscando ampliar sua participação em uma tecnologia considerada estratégica para a segurança energética e a competitividade industrial.

Nova era energética pode redefinir mercados globais

Para os analistas do Morgan Stanley, o impacto das baterias de sódio vai além do setor elétrico. A combinação entre baixo custo, abundância de matéria-prima e menor dependência geopolítica pode acelerar a transição energética e criar novas oportunidades econômicas em escala global.

A expectativa é que a tecnologia deixe de ser vista apenas como alternativa ao lítio e passe a ocupar posição central na próxima geração de soluções energéticas, influenciando decisões de governos, investidores e grandes indústrias ao redor do mundo.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP

Ler Mais
Tecnologia

BYD investirá até R$ 500 milhões para ampliar produção de baterias no Brasil

A fabricante chinesa BYD confirmou um investimento de até R$ 500 milhões para expandir sua capacidade de produção de baterias de lítio no Brasil. O anúncio ocorre após o governo federal definir as diretrizes do primeiro leilão nacional voltado à contratação de sistemas de armazenamento de energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN).

A informação foi divulgada inicialmente pelo Valor Econômico e reforça o interesse da empresa em ampliar sua atuação no mercado brasileiro de soluções energéticas.

Empresa avalia ampliar fábrica em Manaus ou construir nova unidade

De acordo com o vice-presidente sênior da BYD Brasil, Alexandre Baldy, a companhia ainda analisa qual será o destino do aporte. Entre as alternativas estão a expansão da fábrica já instalada em Manaus (AM) ou a construção de uma nova unidade industrial no país.

A definição deve ocorrer nos próximos três meses, após a conclusão dos estudos técnicos e estratégicos.

Segundo Baldy, a decisão sobre o investimento já está tomada, restando apenas a escolha do local mais adequado para receber a operação.

Atualmente, a BYD produz em Manaus baterias do tipo LFP (lítio-ferro-fosfato), utilizadas tanto em ônibus elétricos quanto em sistemas de armazenamento destinados a aplicações de backup energético.

Leilão de armazenamento foi decisivo para novo aporte

A expectativa em torno do primeiro leilão de armazenamento de energia do país foi um dos fatores que motivaram a decisão da companhia. O certame está previsto para ocorrer entre os dias 2 e 4 de dezembro e deverá impulsionar a instalação de novas fábricas e a nacionalização de componentes.

Um dos pontos que mais chamou a atenção da empresa foi a exigência de conteúdo nacional nos projetos participantes, conforme critérios que ainda serão regulamentados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo a BYD, as regras finais poderão influenciar diretamente o volume de recursos destinados à ampliação da produção no Brasil.

O projeto será financiado com capital próprio e os recursos serão liberados após a definição da estratégia industrial da empresa.

Incentivos regionais podem influenciar escolha da localização

A escolha da futura unidade também dependerá dos incentivos previstos pelo governo para empreendimentos instalados em regiões consideradas estratégicas para o setor elétrico.

A proposta prevê benefícios para projetos localizados próximos a áreas indicadas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), distribuídas em estados como Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba.

Esses incentivos poderão representar vantagens competitivas nos leilões, funcionando como um mecanismo de redução dos valores ofertados pelos participantes.

Expansão deve gerar empregos e ampliar produção nacional

A expectativa inicial da montadora é criar ao menos 400 empregos diretos com o novo investimento.

A empresa já possui uma presença industrial consolidada no Brasil, com operações em Manaus, Campinas (SP) e Camaçari (BA), onde desenvolve projetos ligados à mobilidade elétrica, fabricação de veículos e produção de componentes.

Embora ainda não tenha detalhado quais itens serão fabricados localmente, a companhia afirma que pretende ampliar gradualmente o índice de nacionalização de sua cadeia produtiva, sempre que houver viabilidade econômica e industrial.

Mercado de baterias deve crescer além dos leilões

Para a BYD, o mercado brasileiro de armazenamento de energia tem potencial para crescer muito além das contratações públicas.

A empresa avalia que o avanço da regulamentação do setor pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), aliado ao interesse crescente de diferentes segmentos econômicos, tende a acelerar a adoção da tecnologia nos próximos anos.

Além das distribuidoras de energia, setores como agronegócio, mineração e indústria já demonstram interesse em soluções de armazenamento capazes de aumentar a eficiência operacional e a segurança no fornecimento de eletricidade.

BYD reforça estratégia de expansão no Brasil

O novo investimento integra um plano mais amplo de crescimento da BYD no país. Nos últimos anos, a empresa tem ampliado sua presença industrial e tecnológica em diferentes frentes ligadas à transição energética e à mobilidade sustentável.

Em março, a companhia anunciou a instalação de seu primeiro centro de testes e desenvolvimento automotivo no Rio de Janeiro, com investimento estimado em R$ 300 milhões.

Com a ampliação da produção de baterias, a empresa busca fortalecer sua posição tanto no mercado de veículos elétricos quanto no segmento de infraestrutura energética, considerado estratégico para acompanhar o avanço das fontes renováveis e a modernização do sistema elétrico brasileiro.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/REUTERS/Stephane Mahe

Ler Mais
Sustentabilidade

Armazenamento de energia e hidrogênio ganham protagonismo nas estratégias de Brasil e China

O avanço do armazenamento de energia e do hidrogênio verde tem reforçado o papel dessas tecnologias como pilares da transição energética global. O tema esteve no centro das discussões do painel “Fortalecendo as energias renováveis com hidrogênio e armazenamento de energia em uma nova era”, realizado nesta sexta-feira (12) durante o 17º Fórum e Exposição Internacional de Investimentos e Construção de Infraestrutura, em Macau.

Promovido pela PowerChina e conduzido por Li Sisheng, vice-presidente executivo da companhia, o encontro reuniu representantes do setor energético, especialistas e lideranças empresariais de diferentes países para debater os desafios da expansão das energias renováveis e as soluções necessárias para garantir maior estabilidade aos sistemas elétricos.

Brasil prepara primeiro leilão nacional de baterias

O debate ocorre em um momento estratégico para o Brasil. Recentemente, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou a realização do primeiro leilão nacional de sistemas de armazenamento por baterias, previsto para dezembro de 2026.

A expectativa é que a iniciativa atraia mais de R$ 10 bilhões em investimentos, contribuindo para ampliar a segurança energética, aumentar a flexibilidade operacional do sistema e facilitar a integração de fontes renováveis ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Armazenamento de energia se torna peça-chave da transição energética

Durante a abertura do painel, Fang Qiuchen, presidente da Associação Internacional de Empreiteiros da China (CHINCA), destacou que o setor energético mundial vive uma nova etapa de transformação impulsionada pela inovação tecnológica, pela expansão das fontes limpas e pelas mudanças na matriz energética.

Segundo ele, o modelo tradicional está sendo substituído por sistemas mais eficientes, inteligentes e sustentáveis. Nesse cenário, o armazenamento de energia e o hidrogênio assumem funções estratégicas para equilibrar oferta e demanda, aumentar a capacidade de regulação das redes elétricas e viabilizar a integração de fontes renováveis.

Fang ressaltou ainda que a rápida expansão da energia solar e da energia eólica traz desafios relacionados à intermitência da geração. Para ele, o armazenamento é essencial para garantir o aproveitamento eficiente desses recursos em larga escala.

Integração tecnológica fortalece sistemas energéticos

Na sequência, He Yanfeng, vice-presidente executivo da Power Construction Corporation of China, afirmou que a busca simultânea por crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e segurança energética tem acelerado a transformação do setor.

De acordo com o executivo, os sistemas de armazenamento passaram a desempenhar papel estrutural ao permitir que a eletricidade produzida por fontes renováveis seja utilizada de forma mais previsível e eficiente.

He destacou que a combinação entre energia solar, hidrogênio verde, armazenamento de energia e redes inteligentes representa uma das principais rotas tecnológicas para os sistemas energéticos do futuro.

O executivo também apresentou projetos desenvolvidos pela empresa em diferentes regiões do mundo, incluindo um dos maiores empreendimentos de armazenamento conectado à rede elétrica na Arábia Saudita e iniciativas voltadas ao uso industrial de energia renovável na Ásia Central.

Segundo ele, o armazenamento agrega “valor de tempo” à energia renovável, permitindo que a eletricidade gerada em períodos de maior produção seja utilizada posteriormente com segurança e estabilidade.

Hidrogênio verde e armazenamento caminham juntos

A visão internacional do tema foi reforçada por Adel Alsaeedi, vice-presidente sênior da Emirates Water and Electricity Company (EWEC), dos Emirados Árabes Unidos.

O executivo alertou que o aumento da demanda global por eletricidade, impulsionado pelo crescimento populacional, pela industrialização e pela expansão tecnológica, exige soluções capazes de fornecer energia limpa em grande escala.

Para Alsaeedi, embora as fontes renováveis sejam fundamentais para a descarbonização da economia, elas não conseguem, sozinhas, atender todas as exigências dos sistemas elétricos modernos.

Nesse contexto, o hidrogênio verde e os sistemas de armazenamento de energia tornam-se indispensáveis para garantir flexibilidade operacional, estabilidade das redes e maior resiliência energética.

Ele destacou ainda que o hidrogênio terá papel decisivo na redução das emissões em setores de difícil eletrificação, como aviação, transporte marítimo e indústria pesada, enquanto o armazenamento permitirá ampliar a participação das fontes renováveis com maior confiabilidade.

Estratégias de Brasil e China mostram convergência

As discussões realizadas em Macau reforçam que o armazenamento de energia deixou de ser uma solução complementar para se tornar um elemento central na expansão das energias renováveis em escala global.

A avaliação está alinhada com os movimentos adotados pelo Brasil, que busca ampliar sua capacidade de armazenamento por meio do leilão nacional de baterias e fortalecer a integração da geração solar e eólica ao sistema elétrico.

Nesse cenário, os debates promovidos pela PowerChina evidenciam uma crescente convergência entre as estratégias de Brasil e China. Os dois países avançam na construção de sistemas energéticos mais limpos, resilientes e preparados para absorver volumes cada vez maiores de energia renovável, tendo o armazenamento de energia e o hidrogênio verde como protagonistas dessa transformação.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Brasil 247

Ler Mais
Tecnologia

Leilão de armazenamento de energia em baterias marca nova etapa do setor elétrico no Brasil

O Brasil realizará, pela primeira vez, um leilão voltado à contratação de sistemas de armazenamento de energia em baterias, iniciativa considerada estratégica para ampliar a segurança e a eficiência do sistema elétrico nacional. O processo contará com uma etapa exclusiva para projetos com conteúdo nacional e dará prioridade a empreendimentos localizados no Nordeste e em Minas Gerais.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a medida representa um avanço na modernização da infraestrutura energética do país, permitindo a implantação de baterias eletroquímicas em larga escala para fortalecer a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Baterias ajudarão a atender a demanda nos horários de pico

Os equipamentos contratados terão a função de armazenar energia elétrica em momentos de menor consumo e disponibilizá-la quando houver maior necessidade da rede. A expectativa é aumentar a confiabilidade do fornecimento e contribuir para o equilíbrio da oferta de energia nos períodos de maior demanda.

A iniciativa acompanha uma tendência global de expansão das soluções de armazenamento de energia, consideradas fundamentais para a integração de fontes renováveis e para a estabilidade dos sistemas elétricos.

Certame será realizado em duas etapas em dezembro

O leilão ocorrerá em duas datas distintas. A primeira disputa está marcada para 2 de dezembro e será destinada exclusivamente a projetos que cumpram os critérios mínimos de nacionalização estabelecidos pelo Sistema CFI do BNDES.

A exigência atende a uma demanda apresentada por fabricantes brasileiros do setor, entre eles a WEG, a Moura e a UCB.

Já a segunda rodada, prevista para 4 de dezembro, será aberta a todos os participantes, independentemente do índice de nacionalização dos equipamentos.

Contratos terão validade de 15 anos

Os projetos vencedores negociarão contratos de disponibilidade de potência, com prazo de fornecimento de 15 anos. O início da operação está previsto para 1º de agosto de 2028.

Pelas regras estabelecidas, os empreendimentos serão remunerados por meio de uma receita fixa, garantindo previsibilidade financeira aos investidores e operadores do setor.

Nordeste e Minas Gerais terão prioridade na seleção dos projetos

Outro diferencial do leilão será a adoção de uma bonificação por localização. Projetos instalados em áreas consideradas estratégicas terão vantagem competitiva durante a disputa, seguindo metodologia definida pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Entre os estados apontados como prioritários estão Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, regiões que concentram pontos considerados relevantes para o reforço da rede elétrica.

A expectativa do governo é que o novo modelo impulsione investimentos em armazenamento de energia, fortaleça a segurança energética e contribua para a expansão sustentável do sistema elétrico brasileiro.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

Ler Mais
Sustentabilidade

China acelera armazenamento de energia renovável com mega reservatórios

A China energia renovável avança em ritmo acelerado e já superou metas estabelecidas para o setor. O país atingiu, ainda em julho de 2024, a marca de 1.200 GW de capacidade instalada em energia eólica e solar, seis anos antes do previsto.

Até o fim de 2025, esse número ultrapassou 1.840 GW, representando 47,3% da capacidade elétrica total. Pela primeira vez, essas fontes limpas superaram os combustíveis fósseis, como carvão e gás, na matriz energética chinesa.

Desafio agora é armazenar energia em larga escala

Com a expansão rápida das renováveis, surge um novo desafio: garantir a estabilidade do sistema elétrico. Como a geração de energia solar e eólica é intermitente, o país precisa investir em armazenamento de energia e em redes inteligentes capazes de equilibrar oferta e demanda.

Para lidar com essa questão, o governo chinês transformou o armazenamento em prioridade estratégica, apostando em diferentes tecnologias.

Hidrelétricas reversíveis lideram estratégia

A principal aposta da China está no armazenamento hidrelétrico por bombeamento, tecnologia que utiliza reservatórios em diferentes altitudes para armazenar energia.

O funcionamento é simples: o excedente de eletricidade é usado para bombear água para um reservatório superior. Quando há necessidade de energia, a água retorna ao nível inferior, acionando turbinas e gerando eletricidade.

Esse modelo, considerado um dos mais eficientes para armazenamento de energia em larga escala, se beneficia da geografia montanhosa do país.

Atualmente, a China concentra mais projetos desse tipo do que o restante do mundo somado e pretende ampliar significativamente sua capacidade nos próximos anos.

Meta ambiciosa prevê expansão acelerada

O plano chinês prevê adicionar cerca de 100 GW de capacidade em usinas de bombeamento nos próximos cinco anos. Hoje, o país já conta com aproximadamente 59 GW nessa modalidade.

Caso a meta seja atingida, o sistema hidrelétrico reversível deve se consolidar como a principal solução para armazenamento de longa duração no país.

Baterias também avançam em ritmo acelerado

Paralelamente, a China também investe fortemente em armazenamento com baterias. Em 2025, a capacidade instalada cresceu 75% em relação ao ano anterior.

Ao final do mesmo ano, o país alcançou 136 GW nesse tipo de tecnologia — um volume 40 vezes maior do que o previsto em planos anteriores.

As baterias de íon-lítio lideram o mercado, mas há esforços para diversificar soluções, incluindo pesquisas com baterias de íon-sódio, sistemas de ar comprimido, volantes de inércia e armazenamento gravitacional.

Transição energética ganha escala global

O avanço chinês reforça o papel do país na transição energética global, especialmente ao combinar expansão de fontes limpas com soluções robustas de armazenamento.

Essa estratégia é vista como essencial para garantir segurança energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que sustenta o crescimento econômico.

FONTE: Xataka
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xataka

Ler Mais
Tecnologia

WEG anuncia nova fábrica automatizada de armazenamento de energia em Itajaí

A WEG vai expandir seu parque industrial em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, com a implantação de uma nova fábrica dedicada à produção de sistemas de armazenamento de energia em baterias (Bess). O empreendimento será o mais moderno do Brasil nesse segmento e reforça a estratégia da multinacional catarinense voltada à transição energética e à descarbonização.

Investimento conta com apoio do BNDES e da Finep

Para tirar o projeto do papel, a companhia obteve R$ 280 milhões em financiamento por meio do programa BNDES Mais Inovação, aprovado em chamada pública voltada à transformação de minerais estratégicos para a transição energética. A operação foi estruturada em parceria com a Finep, agência pública de fomento à inovação no país.

Obras começam em breve e devem gerar novos empregos

As obras da nova planta industrial devem começar nos próximos meses, com previsão de conclusão no segundo semestre de 2027. A entrada em operação da fábrica vai resultar na criação de cerca de 90 empregos diretos.

Com a nova unidade, a capacidade produtiva da WEG em sistemas Bess poderá chegar a 2 GWh por ano, volume equivalente à fabricação de aproximadamente 400 sistemas de 5 MWh.

Fábrica terá robôs e alto nível de automação

O projeto prevê um elevado grau de automação industrial, com linhas de montagem automáticas e semiautomáticas, além da utilização de robôs móveis autônomos para a logística interna. O complexo também contará com um laboratório de testes, desenvolvimento e qualificação, voltado à melhoria contínua de processos, controle de qualidade e aceleração de novas soluções tecnológicas.

Outro destaque da infraestrutura será a instalação de uma subestação de energia, que permitirá simular condições reais de operação dos sistemas.

Projeto fortalece segurança energética e posicionamento global

Segundo o presidente da WEG, Alberto Kuba, o investimento amplia o portfólio de soluções de alto valor agregado desenvolvidas no Brasil. “Com esse passo, a WEG contribui diretamente para o avanço da segurança energética e para a maior resiliência do sistema elétrico nacional”, afirma.

O executivo também ressalta que a iniciativa fortalece a presença da empresa no cenário internacional. “É um projeto alinhado à estratégia de posicionar a WEG e o Brasil de forma mais competitiva no contexto global da transição energética, reduzindo riscos e consolidando a atuação nacional em um mercado em expansão”, explica.

Sistemas Bess são essenciais para fontes renováveis

Os sistemas de armazenamento de energia em baterias têm papel fundamental na estabilidade das redes elétricas, especialmente diante do crescimento das fontes renováveis, como energia solar e energia eólica. Eles permitem armazenar eletricidade em períodos de menor consumo e liberá-la nos momentos de maior demanda, aumentando a confiabilidade do sistema e reduzindo o risco de falhas no fornecimento.

FONTE: Diarinho
TEXTO: Redação
IMAGEM: João Batista

Ler Mais
Informação

Bateria de nióbio: tecnologia brasileira pode transformar o futuro do armazenamento de energia

Enquanto o mercado global intensifica a corrida pelo lítio, o Brasil surge como protagonista em uma possível mudança de rota no setor de armazenamento de energia. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma bateria de nióbio funcional, recarregável e com tensão de 3 volts, já validada fora do ambiente acadêmico e em testes industriais reais.

O avanço vai além da teoria científica. Trata-se de uma tecnologia com potencial de mercado, capaz de disputar espaço com soluções comerciais já consolidadas.

Desafio histórico do nióbio é superado

A pesquisa é coordenada pelo professor Frank Crespilho, do Instituto de Química de São Carlos, e enfrentou um obstáculo que por décadas limitou o uso do nióbio em baterias: a degradação do metal em sistemas eletroquímicos, especialmente quando exposto à água e ao oxigênio.

Esse problema foi contornado com uma abordagem inédita, que permitiu ao nióbio operar de forma estável sem perda de desempenho ao longo dos ciclos de carga e descarga.

Natureza inspira solução tecnológica

A resposta veio da biologia. Inspirado em processos naturais, Crespilho desenvolveu o NB-RAM (Niobium Redox Active Medium), um sistema que regula o ambiente químico interno da bateria. A tecnologia possibilita que o nióbio alterne seus estados eletrônicos sem sofrer degradação, reproduzindo mecanismos observados em enzimas e metaloproteínas presentes no corpo humano.

Esses sistemas biológicos utilizam metais altamente reativos de forma estável há bilhões de anos. A ciência, nesse caso, apenas adaptou uma solução já testada pela natureza.

Equilíbrio entre proteção e desempenho elétrico

Parte fundamental do desenvolvimento ficou a cargo da pesquisadora Luana Italiano, responsável por ajustar o ponto mais sensível do projeto: proteger o nióbio sem comprometer a performance elétrica da bateria. O desafio envolvia encontrar o equilíbrio ideal entre estabilidade química e eficiência energética.

Após dois anos de ajustes, os testes confirmaram que o modelo mantém desempenho consistente e durável, atendendo às exigências técnicas do setor.

Tecnologia avança para padrão industrial

A patente da bateria de nióbio já foi depositada pela USP. Em parceria com a Unicamp, os pesquisadores testaram o sistema em formatos industriais, como células coin e pouch, amplamente utilizados pela indústria de baterias. Os resultados indicaram estabilidade operacional e repetidos ciclos de carga e descarga.

Com 3 volts de tensão, a tecnologia se posiciona no mesmo nível das baterias comerciais atuais, ampliando sua viabilidade econômica e industrial. O avanço já despertou o interesse de empresas chinesas do setor de baterias.

Impacto geopolítico e estratégico para o Brasil

O desenvolvimento tem relevância que vai além da ciência. O Brasil concentra cerca de 98% das reservas mundiais de nióbio e responde por aproximadamente 90% da produção global. Até agora, o país atua majoritariamente como exportador de matéria-prima.

A nova bateria altera esse cenário ao abrir caminho para que o Brasil se torne desenvolvedor de tecnologia estratégica, especialmente em um contexto de transição energética global.

Segundo Crespilho, o avanço mostra que o país pode ir além da extração de recursos naturais. Para isso, os pesquisadores defendem a criação de um centro multimodal de inovação, integrando governo, universidades e startups, com foco em escalar a tecnologia e levá-la ao mercado.

Se esse movimento se consolidar, o Brasil não apenas seguirá como líder em nióbio, mas poderá assumir um papel central no futuro da energia.

FONTE: StartSe
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/StartSe

Ler Mais
Sem Categoria

China inaugura maior usina de armazenamento de energia por baterias do país

A China deu um novo passo na expansão do armazenamento de energia em larga escala com a entrada em operação da maior usina do país baseada em baterias de fluxo redox de vanádio. O empreendimento reforça a estratégia chinesa de integrar fontes renováveis e tecnologias capazes de garantir fornecimento contínuo de eletricidade.

Projeto entra em operação plena em Xinjiang

A China Three Gorges Corporation informou que a Usina de Armazenamento de Energia por Baterias de Fluxo Redox de Vanádio de Xinjiang Jimsar começou a operar plenamente em 2 de janeiro. O projeto está localizado no condado de Jimsar, na prefeitura de Changji, na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, e já é considerado o maior sistema desse tipo em funcionamento no território chinês.

A iniciativa representa um avanço relevante na aplicação de tecnologias de armazenamento de energia de longa duração, especialmente em regiões com grande potencial de geração solar.

Capacidade reforça aproveitamento da energia solar

A usina possui potência instalada de 200 mil quilowatts e capacidade de armazenamento de 1 milhão de quilowatts-hora. Integrado a um complexo fotovoltaico, o sistema permite armazenar o excedente de energia solar produzido durante o dia e devolvê-lo à rede elétrica nos períodos noturnos ou de maior demanda.

De acordo com a empresa, a solução deve aumentar em mais de 10% ao ano a taxa de utilização da usina solar associada ao projeto, além de acrescentar aproximadamente 230 milhões de quilowatts-hora de energia limpa ao sistema elétrico.

Como funcionam as baterias de fluxo redox de vanádio

As baterias de fluxo redox de vanádio operam por meio de reações químicas entre íons do metal em diferentes estados de oxidação. Nesse processo, a energia elétrica é convertida em energia química armazenada em um eletrólito líquido e, posteriormente, reconvertida em eletricidade de forma controlada.

Segundo Deng Fubin, gerente do projeto na filial da China Three Gorges em Xinjiang, a usina integra unidades de armazenamento, sistemas de conversão de energia e plataformas de controle. Durante a carga, ocorrem reações químicas que acumulam energia no eletrólito; na descarga, o processo é revertido para fornecer eletricidade estável à rede.

Tecnologia favorece aplicações de longa duração

Deng destaca que a tecnologia apresenta vida útil prolongada, alto nível de segurança e facilidade de expansão, características que favorecem projetos de armazenamento de energia em grande escala e por longos períodos. Esses atributos tornam as baterias de fluxo redox uma alternativa estratégica para complementar fontes renováveis intermitentes.

Operação em ambiente extremo no Deserto de Gobi

A usina está instalada no Deserto de Gobi, onde as temperaturas variam de -30 °C a 40 °C. Para assegurar o funcionamento em condições climáticas severas, a China Three Gorges adotou estruturas pré-fabricadas de aço e instalou os equipamentos em ambientes fechados.

Segundo a companhia, o sistema de controle térmico aplicado aos edifícios e aos equipamentos reduz riscos associados ao frio intenso, ao calor elevado e às frequentes tempestades de areia da região.

Modelo construtivo inédito no país

Para Ma Zongren, responsável pelo projeto Jimsar na Divisão de Gestão de Construção de Novas Energias da empresa, esta é a primeira usina de armazenamento de energia da China a utilizar estruturas de aço fechadas para abrigar os sistemas, o que amplia a estabilidade operacional ao longo de todo o ano.

Cadeia industrial do vanádio ganha impulso

Dados do setor mostram que a China concentra cerca de 72% da capacidade global de produção de vanádio, metal essencial para esse tipo de bateria. Desenvolvido com tecnologia nacional e direitos de propriedade intelectual próprios, o projeto fortalece toda a cadeia industrial das baterias de fluxo redox de vanádio, desde a fabricação de equipamentos até a integração de sistemas e o fornecimento de materiais.

Segundo a China Three Gorges, o modelo adotado em Jimsar pode servir de referência para a expansão de soluções de armazenamento de energia de longa duração em outras regiões do país.

FONTE: China 2 Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: China Three Gorges Corporation

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook