Portos

Portos do Paraná realiza audiência pública para arrendamento da área PAR05

A Portos do Paraná realizou uma audiência pública para discutir o projeto de arrendamento portuário da área PAR05, localizada no Porto de Paranaguá. Com 29,8 mil metros quadrados, o espaço será destinado à movimentação e armazenagem de granéis sólidos vegetais.

A audiência faz parte da etapa preparatória para a elaboração do edital, conclusão dos estudos técnicos e posterior realização do leilão de arrendamento. O encontro também permitiu a apresentação do projeto, o recebimento de sugestões e o esclarecimento de dúvidas.

Projeto amplia estrutura do Porto de Paranaguá

Segundo o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, o PAR05 representa uma nova oportunidade de expansão da capacidade portuária e de atração de investimentos.

A sessão foi conduzida por Marcos Alfredo Bonoski, presidente da Comissão de Licitação de Áreas Portuárias (CLAP) e diretor administrativo e financeiro da Portos do Paraná.

Também participaram da audiência Bruna Pereira Veiga Nicolau, superintendente de governança da Portos do Paraná; Fernando Corrêa dos Santos, superintendente de projetos portuários e aquaviários da Infra S.A.; e Thilo Martin Zindel, coordenador de projetos portuários e aquaviários da empresa.

Consulta pública sobre o PAR05

Consulta Pública do PAR05 recebeu contribuições até as 23h59 de 21 de agosto de 2026. Os interessados puderam apresentar sugestões para aperfeiçoar as minutas do edital de licitação, do futuro contrato de arrendamento, dos documentos técnicos e dos anexos.

As contribuições foram encaminhadas por meio do formulário disponibilizado pela Portos do Paraná.

Após o encerramento da consulta, as sugestões serão analisadas e respondidas. As propostas consideradas pertinentes poderão ser incorporadas aos documentos do projeto.

O processo ainda precisará passar pela análise do Tribunal de Contas da União (TCU) antes de avançar para o leilão público na B3.

Área será usada para exportação e importação de cereais

O PAR05 está situado na Avenida Portuária, em frente ao Palácio Dom Pedro II, e foi projetado para atender operações de exportação de grãos e importação de cereais.

Entre os produtos previstos para exportação estão soja, milho e farelo. Nas operações de importação, o terminal deverá receber produtos como malte, cevada e trigo.

A expectativa é que o empreendimento aumente a capacidade de armazenagem do Porto de Paranaguá e contribua para uma maior especialização das operações de importação.

Estruturas terão capacidade para mais de 190 mil toneladas

Uma das áreas do PAR05 possui 15,4 mil metros quadrados. Nela, está prevista a construção de uma estrutura para armazenagem de grãos com capacidade estática de 153 mil metros cúbicos, equivalente a aproximadamente 115 mil toneladas.

A capacidade dinâmica do sistema deverá chegar a cerca de 2,2 milhões de toneladas por ano.

A segunda área possui 14,39 mil metros quadrados e receberá um complexo de armazenagem destinado à importação de cereais. O projeto prevê oito silos metálicos com 20 metros de altura.

A capacidade estática será de 97,7 mil metros cúbicos, o equivalente a aproximadamente 78,2 mil toneladas.

Arrendamento prevê R$ 581 milhões em investimentos

O critério previsto para a licitação é o maior valor de outorga, com lance mínimo de R$ 1.

O vencedor do processo deverá realizar R$ 581 milhões em investimentos. Parte dos recursos será destinada à infraestrutura de uso comum do porto até o terceiro ano do contrato.

O prazo de exploração da área será de 35 anos.

Leilões já somam mais de R$ 5 bilhões em investimentos

Desde 2019, a Portos do Paraná realizou oito leilões de áreas portuárias, todos na B3. Os contratos firmados a partir dessas disputas representam mais de R$ 5 bilhões em investimentos na infraestrutura portuária.

O Porto de Paranaguá também se tornou o primeiro do país a ter 100% das áreas destinadas ao setor privado regularizadas.

Os contratos de arrendamento incluem ainda recursos para obras de infraestrutura. Entre os projetos estão R$ 1,2 bilhão para a primeira fase do Píer em “T”, R$ 570 milhões para a primeira etapa do Píer em “F” e R$ 290 milhões destinados ao Píer em “L”.

Além dos investimentos, os oito leilões já geraram R$ 1,18 bilhão em valores de outorga para a Portos do Paraná, recursos que também serão destinados à melhoria da infraestrutura portuária.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Logística

Déficit de armazenagem de grãos no Brasil exige R$ 148 bilhões em investimentos

O déficit de armazenagem de grãos no Brasil segue como um dos principais gargalos do agronegócio. Para equilibrar a capacidade de estocagem com o volume produzido, seriam necessários cerca de R$ 148 bilhões em investimentos, segundo estimativas do setor.

A demanda surge diante de uma produção crescente que não é acompanhada pela infraestrutura disponível, o que impacta diretamente a eficiência logística e os custos do produtor.

Produção avança mais rápido que a capacidade

A safra brasileira de grãos deve alcançar 357 milhões de toneladas no ciclo 2025/26. No entanto, a capacidade estática de armazenagem no país é de aproximadamente 223 milhões de toneladas.

Com isso, cerca de 135 milhões de toneladas ficam sem espaço adequado, levando produtores a recorrerem a alternativas como armazenamento a céu aberto ou venda imediata da produção — práticas que reduzem o poder de negociação e elevam despesas com transporte.

Expansão insuficiente agrava gargalo

Atualmente, o crescimento da capacidade de armazenagem no Brasil ocorre em ritmo inferior ao da produção. Enquanto a oferta de silos avança cerca de 2,4% ao ano, a produção de grãos cresce, em média, 4,4% no mesmo período.

Para eliminar o déficit, seria necessário ampliar significativamente o número de unidades armazenadoras, com a construção de milhares de novas estruturas em um curto espaço de tempo.

Armazenagem nas fazendas ainda é limitada

Outro fator que pressiona os custos da cadeia é a baixa presença de armazenagem dentro das propriedades rurais. Apenas 16% das estruturas estão localizadas nas fazendas brasileiras.

O índice é bem inferior ao de países concorrentes, como os Estados Unidos (65%) e a Argentina (40%). Essa limitação obriga o transporte da produção até cooperativas e tradings, aumentando despesas logísticas.

Investimentos dependem de crédito e rentabilidade

Especialistas apontam que, para acompanhar apenas o crescimento da produção — sem reduzir o déficit atual — seriam necessários investimentos anuais de cerca de R$ 15 bilhões em armazenagem.

No entanto, o cenário de juros elevados, restrição ao crédito e margens mais apertadas tem dificultado novos aportes. Apesar da capacidade da indústria em fornecer equipamentos, o acesso a financiamento ainda é um entrave.

Industrialização e biocombustíveis podem impulsionar setor

A tendência de expansão da industrialização do agronegócio, especialmente com o avanço dos biocombustíveis, pode aumentar a demanda por armazenagem nos próximos anos.

Esse movimento reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura para garantir eficiência na cadeia produtiva e maior competitividade no mercado internacional.

Setor busca eficiência mesmo com desafios

Durante eventos do setor, como feiras agrícolas, a busca por soluções para melhorar a logística e reduzir perdas tem se intensificado. Mesmo diante de um cenário desafiador, produtores e empresas reconhecem a importância de investir em armazenagem de grãos para sustentar o crescimento da produção.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Kepler Weber/Divulgação

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