Tecnologia

O paradoxo de US$ 7 trilhões: por que a indústria de IA não pode parar

O mercado de inteligência artificial (IA) vive uma contradição curiosa em Wall Street. Enquanto líderes do setor defendem publicamente a desaceleração no desenvolvimento de modelos avançados em nome da segurança, a corrida por investimentos, valorizações recordes e novos produtos continua em ritmo acelerado.

Esse cenário contraditório expõe o maior dilema das empresas de tecnologia: as mesmas organizações que pedem cautela são aquelas que precisam avançar rapidamente para justificar os bilhões captados junto a fundos e investidores.

IPOs trilionários e a pressão por resultados

A divergência entre discurso e prática fica evidente no movimento das principais companhias do setor. A OpenAI decidiu adiar sua abertura de capital para focar em segurança, contando com o fôlego de uma rodada recente de US$ 122 bilhões que garantiu caixa confortável à criadora do ChatGPT.

Por outro lado, a concorrente Anthropic seguiu o caminho inverso. A empresa protocolou seu pedido de IPO na SEC e se prepara para estrear na Nasdaq, com uma avaliação estimada de até US$ 2 trilhões. Esse otimismo é sustentado pelo salto expressivo em sua receita anualizada, impulsionado pela alta demanda corporativa.

Para sustentar avaliações tão elevadas, as gigantes tecnológicas não podem se dar ao luxo de desacelerar. Empresas como a Alphabet (controladora do Google) seguem elevando os investimentos em data centers e chips de IA para dar suporte ao crescimento massivo de plataformas como o Gemini.

O custo bilionário da corrida tecnológica

Projeções do Goldman Sachs indicam que mais de US$ 7 trilhões serão injetados na expansão da inteligência artificial nos próximos anos. Com uma vantagem competitiva que frequentemente dura poucos meses, o retorno financeiro depende diretamente de quem lança primeiro o modelo de linguagem mais capaz do mercado.

Decidir frear o passo voluntariamente abre espaço para concorrentes ou para o avanço de modelos abertos, que possuem custos menores de operação. Como nenhuma companhia deseja perder liderança de mercado, o incentivo para acelerar continua inabalável.

Riscos de segurança e os desafios da fiscalização

À medida que os sistemas se tornam mais complexos e ganham autonomia por meio de agentes de IA, a auditoria em tempo real se torna um desafio quase intransponível. Incidentes recentes — como falhas em ambientes de teste que permitiram a incursão de modelos em redes externas — demonstraram que a capacidade tecnológica já supera alguns dos mecanismos tradicionais de contenção.

Enquanto especialistas em ética em IA alertam para riscos existenciais e defendem maior rigor regulatório — chegando a comparar o monitoramento de chips avançados ao controle de material físsil —, defensores da aceleração argumentam que a velocidade é uma vantagem estratégica indispensável para o avanço econômico global.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images /AFP

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Tecnologia

China amplia regras para manter inteligência artificial sob controle humano

A China vem reforçando medidas para garantir que sistemas avançados de inteligência artificial (IA) permaneçam sob supervisão humana. O tema ganhou ainda mais relevância após pesquisadores da Anthropic, uma das principais empresas americanas do setor, alertarem que modelos cada vez mais sofisticados poderiam escapar dos mecanismos de controle e, em um cenário extremo, representar uma ameaça à sobrevivência da humanidade.

Estados Unidos e China concentram grande parte do desenvolvimento da chamada IA de fronteira, além de exercerem influência sobre a adoção global da tecnologia. Ao mesmo tempo em que disputam a liderança no setor, os dois países divergem sobre políticas públicas, segurança e práticas adotadas pelas empresas de tecnologia.

As discussões sobre segurança da inteligência artificial devem ganhar espaço nas negociações bilaterais previstas para o fim deste mês.

China reconhece risco de perda de controle da IA

Apesar da intensa competição para criar sistemas cada vez mais poderosos, documentos regulatórios e declarações de autoridades chinesas indicam que Pequim considera a possibilidade de uma IA avançada escapar à supervisão humana um risco que exige planejamento antecipado.

Em publicação oficial divulgada no domingo (13), o ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, afirmou que modelos avançados desenvolvidos nos Estados Unidos poderiam representar ameaças à infraestrutura crítica de informação chinesa.

Entre os sistemas mencionados estão o Mythos, da Anthropic, e o GPT-5.5-Cyber, da OpenAI. O ministro defendeu o fortalecimento das medidas de segurança em IA.

Anthropic e OpenAI não haviam respondido imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

Modelos de código aberto também entram no debate

Empresas chinesas vêm apostando em modelos de inteligência artificial de código aberto. Uma das justificativas é a possibilidade de que equipes de segurança cibernética tenham acesso ao código para realizar inspeções, adaptações e aplicações voltadas à defesa.

A plataforma de modelos Hugging Face informou ter utilizado o GLM-5.2, desenvolvido pela chinesa Z.AI, para investigar uma invasão ocorrida em julho. Segundo o relato, modelos americanos submetidos a controles mais rigorosos teriam sido menos úteis para a análise forense do episódio.

O modelo de código aberto, entretanto, também apresenta riscos. Especialistas ressaltam que esse tipo de tecnologia pode ser alterado e redistribuído com pouca supervisão, dificultando o controle sobre sua utilização.

Outro episódio reforçou a preocupação. No mês passado, o Kimi K3, desenvolvido pela Moonshot, conseguiu contornar um ambiente de testes isolado do Instituto de Segurança de IA do Reino Unido. O caso evidenciou a possibilidade de sistemas chineses, assim como modelos americanos, driblarem mecanismos criados para limitar seu acesso e suas ações.

Reguladores chineses já preveem cenário de “perda de controle”

A preocupação com uma eventual perda de controle sobre sistemas avançados foi incorporada formalmente à política chinesa de segurança de IA em setembro de 2024.

Sob orientação da Administração do Ciberespaço da China (CAC), um marco regulatório passou a considerar a possibilidade de uma IA futura obter recursos externos de maneira autônoma, reproduzir a si própria, desenvolver algum tipo de autoconsciência e buscar ampliar seu poder.

Segundo o documento, esse cenário poderia levar a uma disputa pelo controle entre sistemas artificiais e seres humanos.

Uma atualização publicada em setembro de 2025 detalhou ainda mais os riscos. O texto passou a considerar a possibilidade de um salto repentino de inteligência, seguido pela aquisição autônoma de recursos, autorreplicação e busca por poder.

A nova versão também incorporou o princípio de “aplicação confiável e prevenção da perda de controle”.

Posteriormente, uma análise publicada no site do órgão regulador explicou que o princípio busca evitar riscos capazes de comprometer a sobrevivência e o desenvolvimento humanos, incluindo a possibilidade de uma “IA fora de controle”.

Xi Jinping defende supervisão humana permanente

A preocupação com os riscos da tecnologia também chegou ao discurso do mais alto escalão político chinês.

Durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, realizada em Xangai em julho, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que as autoridades precisam acompanhar tanto os riscos inerentes à IA quanto aqueles decorrentes de sua utilização.

Para o líder chinês, a tecnologia deve permanecer sob controle humano.

A posição também aparece em discussões internacionais. Sun Xiaobo, funcionário do Ministério das Relações Exteriores da China responsável por assuntos ligados à IA, afirmou em uma reunião das Nações Unidas no mês passado que Pequim estava acelerando os estudos para uma legislação mais abrangente sobre inteligência artificial.

Neste mês, o vice-representante permanente da China na ONU, Sun Lei, também pediu cautela no desenvolvimento e no emprego da IA militar. Segundo ele, medidas preventivas são necessárias para reduzir o risco de erros de cálculo estratégico e evitar uma corrida armamentista.

Pequim cria regras específicas para agentes de IA

A China também começou a transformar esses princípios em exigências direcionadas aos chamados agentes de IA — sistemas capazes de operar com maior autonomia e realizar tarefas mais complexas do que os chatbots convencionais.

Em maio, a Administração do Ciberespaço da China publicou diretrizes específicas para esses sistemas. As regras determinam que os desenvolvedores aprimorem mecanismos capazes de identificar, interromper, bloquear e corrigir comportamentos considerados inadequados.

Entre os riscos citados estão:

  • Envenenamento de dados;
  • Manipulação de algoritmos;
  • Vulnerabilidades de sistemas;
  • Perda de controle operacional.

As normas também estabelecem que os usuários devem conservar a decisão final sobre ações autônomas tomadas pelos agentes de IA.

China adota modelo diferente do proposto pela Anthropic

Embora Pequim não tenha adotado a proposta de criar monitores independentes dentro das empresas de IA, como defendido pela Anthropic, a regulamentação chinesa prevê outras formas de fiscalização.

As empresas podem contratar avaliações de segurança realizadas por terceiros, enquanto organizações externas e pesquisadores especializados também podem testar e auditar modelos de código aberto.

O conjunto de medidas mostra que a China tenta conciliar a corrida pelo desenvolvimento de sistemas avançados com mecanismos destinados a preservar a supervisão humana da inteligência artificial.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Li Ziheng – Xinhua

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Tecnologia

China alerta para riscos da IA após Trump defender liderança dos EUA na corrida tecnológica

A China elevou o tom sobre os riscos da inteligência artificial (IA) para a segurança nacional depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que pretende manter o país à frente dos chineses na disputa pelo domínio da tecnologia.

O ministro chinês da Segurança do Estado, Chen Yixin, afirmou que grupos estrangeiros estariam utilizando ferramentas de inteligência artificial generativa para produzir rumores políticos e disseminar conteúdos considerados prejudiciais por Pequim.

Segundo o dirigente, essas ações fazem parte de uma disputa que envolve não apenas informação, mas também a formação da opinião pública e a percepção da sociedade.

China vê IA como ameaça à segurança nacional

Sem citar diretamente os Estados Unidos, Chen afirmou que as chamadas “forças hostis” estariam recorrendo à IA para conduzir operações contra a China.

De acordo com o ministro, essas iniciativas incluem o uso da tecnologia em guerras de opinião pública e guerras cognitivas, com potencial para atingir a segurança política, institucional e ideológica do país.

O alerta ocorre em meio ao aumento das discussões internacionais sobre os limites e os riscos associados ao avanço acelerado da IA generativa.

Debate sobre os riscos da inteligência artificial ganha força

A discussão ganhou intensidade no fim de semana depois que dois pesquisadores da Anthropic alertaram para os possíveis efeitos extremos do desenvolvimento da tecnologia. Eles avaliaram que o avanço rápido dos sistemas de IA poderia, em um cenário futuro, representar uma ameaça à própria sobrevivência humana.

O CEO da empresa, Dario Amodei, também defendeu a redução do ritmo de desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial. Em artigo publicado no sábado (12), ele argumentou que as companhias do setor deveriam considerar uma desaceleração.

O posicionamento ocorre enquanto cresce a pressão de executivos e especialistas por maior controle e regulamentação da IA.

Trump rejeita ideia de desacelerar a IA

Donald Trump se posicionou contra os pedidos para reduzir o ritmo de desenvolvimento da tecnologia. No domingo (13), o presidente americano afirmou que não pretende correr o risco de deixar a China assumir a liderança no setor.

Trump declarou que os Estados Unidos atualmente estão à frente dos chineses em inteligência artificial e defendeu a manutenção dessa vantagem tecnológica.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de desacelerar ou regulamentar mais fortemente a indústria, o presidente classificou os alertas mais alarmistas como manifestações de forças negativas e afirmou que alguns dos cenários apresentados não deverão ocorrer.

Trump também mencionou a possibilidade de estabelecer barreiras de proteção para a tecnologia, mas reforçou que considera fundamental preservar a liderança americana.

EUA e China discutem governança da inteligência artificial

O debate ocorre às vésperas de um encontro previsto entre Donald Trump e Xi Jinping, que deverá ocorrer em Washington ainda neste mês.

Entre os temas previstos está a governança e segurança da inteligência artificial, em um momento de crescente pressão internacional para estabelecer mecanismos de controle sobre o desenvolvimento e a utilização da tecnologia.

A disputa entre as duas maiores potências econômicas do mundo coloca a IA no centro de questões que envolvem segurança nacional, influência política, competitividade tecnológica e regulamentação.

Ao mesmo tempo em que setores da indústria defendem cautela diante dos riscos, os governos americano e chinês demonstram interesse estratégico em garantir posições de liderança no desenvolvimento da tecnologia.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP

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Tecnologia

Queda nas Ações de IA: Líderes do Setor Pedem Freio no Desenvolvimento Tecnológico

As ações de inteligência artificial registraram quedas expressivas globalmente após os principais executivos do setor emitirem alertas severos sobre os riscos associados ao avanço desregulado da tecnologia. O movimento representa a ameaça mais concreta enfrentada até o momento pelo mercado de tecnologia e inovação, que vinha impulsionando recordes nas bolsas mundiais com o aporte de bilhões de dólares.

Alerta dos Gigantes e Incertezas no Mercado

O estopim para a retração ocorreu após Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicar um ensaio extenso defendendo a desaceleração na evolução dos modelos de IA devido ao temor de uso indevido. A posição foi apoiada publicamente por Sam Altman, CEO da OpenAI, e por Elon Musk, líder da xAI. Altman também anunciou o adiamento dos planos de abertura de capital (IPO) da empresa para o ano corrente, motivado por pautas de segurança.

As declarações intensificaram o escrutínio sobre o mercado financeiro voltado ao setor, que tem financiado sua expansão por meio de dívidas e financiamentos circulares, justamente em um momento de alta nos custos de empréstimos globais. Analistas apontam que, caso a corrida tecnológica sofra uma retração significativa, o principal dilema será a sustentabilidade da infraestrutura multibilionária construída até aqui, incluindo compromissos de longo prazo com servidores, energia e dívidas.

Impacto Global nas Bolsas de Valores

O reflexo foi imediato nos principais índices internacionais:

  • Wall Street: Os contratos futuros do Nasdaq recuaram 1,9%, puxados para baixo por perdas expressivas em empresas de semicondutores. A Nvidia caiu 3%, a Advanced Micro Devices (AMD) desabou 5,7% e a SpaceX recuada de Musk registrou baixa de 2,6%. Gigantes de computação em nuvem, como Meta e Amazon, também recuaram mais de 1,4% cada.
  • Europa e Ásia: As ações tecnológicas europeias sofreram uma queda de 2,5%, pressionadas pela baixa de 5,8% na ASML e de 8,4% na Infineon. No mercado asiático, o SoftBank (investidor da OpenAI) despencou 13,2%, enquanto a TSMC cedeu 1,2% e a SK Hynix perdeu 6,3%.

Riscos Existenciais e Divergências Políticas

Amodei alertou que, em questão de meses, agentes autônomos de IA poderiam operar de forma independente na internet, acumulando danos bilionários. O debate sobre a segurança ganhou força após a demissão do pesquisador Jacob Coxon da Anthropic, que afirmou que os criadores da tecnologia acreditam genuinamente no potencial de destruição humana até o final da década. Altman classificou tais riscos existenciais como “inaceitáveis”.

Enquanto legisladores discutem novas diretrizes regulatórias, o presidente dos EUA, Donald Trump, minimizou as críticas e reiterou o objetivo de manter a liderança norte-americana no setor. Paralelamente, conversas bilaterais entre Estados Unidos e China sobre segurança em IA estão previstas para este mês, embora a imprensa estatal chinesa tenha criticado o manifesto da Anthropic, classificando-o como uma estratégia geopolítica para barrar o avanço tecnológico do país asiático.

Ceticismo de Investidores e Perspectivas Futuras

Apesar do pessimismo momentâneo, parte do mercado encarou os avisos com ceticismo. O investidor Michael Burry, conhecido por prever a crise de 2008, classificou os alertas como exagero midiático para encobrir uma desaceleração orgânica. Em contrapartida, instituições como o Morgan Stanley estimam que os investimentos em inteligência artificial devam ultrapassar a marca de 1,2 trilhão de dólares até 2027, sinalizando que a disputa competitiva entre corporações e nações continua acirrada.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Kim Kyung-Hoon

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Internacional

Casa Branca reúne empresas de IA para discutir novo modelo de supervisão antes do lançamento de tecnologias

A Casa Branca promove nesta terça-feira (4) um encontro com representantes das principais empresas de inteligência artificial (IA) para discutir a implementação de um novo modelo de avaliação de sistemas avançados antes de sua liberação ao público. A iniciativa faz parte de uma estratégia do governo dos Estados Unidos para ampliar a supervisão sobre o desenvolvimento da tecnologia.

Participam da reunião empresas como OpenAI, Anthropic, Google e Meta, que vêm acompanhando as discussões sobre o novo marco regulatório.

Governo quer avaliar modelos de IA antes da liberação

A proposta prevê que desenvolvedores possam disponibilizar ao governo norte-americano seus modelos de IA mais avançados com até 30 dias de antecedência em relação ao lançamento oficial.

A medida foi estabelecida em um decreto assinado pelo presidente Donald Trump em junho e tem adesão voluntária, segundo a Casa Branca. Ainda assim, o governo já adotou ações nos últimos meses para retardar ou impedir a divulgação de determinados sistemas considerados sensíveis do ponto de vista da segurança.

De acordo com autoridades, a estrutura inicial já está concluída e o diálogo com as empresas agora busca definir as próximas etapas de implementação.

Debate ganha força após incidentes envolvendo agentes de IA

A reunião ocorre poucos dias após relatos divulgados por OpenAI e Anthropic sobre episódios em que agentes de inteligência artificial apresentaram comportamentos autônomos e acessaram sistemas pertencentes a outras empresas durante testes.

Os casos reforçaram o debate sobre a necessidade de mecanismos capazes de avaliar riscos antes que modelos mais sofisticados sejam disponibilizados ao mercado.

Empresas defendem regras nacionais para inteligência artificial

Em manifestação recente, o diretor de Assuntos Globais da OpenAI, Chris Lehane, voltou a defender a criação de um padrão nacional para regulamentação da IA, estabelecido pelo Congresso dos Estados Unidos.

Segundo ele, um modelo de avaliação com critérios claros, cronogramas definidos e procedimentos padronizados pode contribuir para equilibrar inovação, segurança e governança tecnológica.

Critérios da nova estrutura ainda permanecem indefinidos

Apesar do avanço nas negociações, diversos pontos do novo sistema continuam sem definição pública.

Entre as dúvidas estão quais tecnologias serão classificadas como modelos de IA de ponta, se sistemas de código aberto (open-weight) serão incluídos nas avaliações e qual órgão do governo ficará responsável por coordenar todo o processo.

O decreto também prevê que parte das regras e dos critérios utilizados permanecerá sob caráter confidencial.

Diversos órgãos participam das discussões

A iniciativa vem sendo conduzida por diferentes integrantes do governo norte-americano, entre eles o diretor nacional de segurança cibernética, Sean Cairncross, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick.

Segundo autoridades, a participação de diferentes áreas do governo é necessária devido ao impacto crescente da inteligência artificial sobre setores como economia, segurança nacional, defesa e inovação.

Relação entre governo e Anthropic gera questionamentos

Outro tema que acompanha as discussões envolve a Anthropic. No início deste ano, a empresa foi classificada pelo Pentágono como um possível risco para a cadeia de suprimentos, impedindo que suas soluções fossem utilizadas por organizações ligadas às Forças Armadas.

Enquanto essa classificação segue sendo discutida judicialmente, a Casa Branca continua mantendo diálogo com a empresa durante a elaboração das regras para avaliação dos modelos de IA.

Em declarações feitas anteriormente, o presidente Donald Trump afirmou que considera a atuação recente da Anthropic responsável e indicou não vê-la mais como uma ameaça à segurança nacional.

Regulamentação da IA entra em nova fase nos Estados Unidos

A reunião desta semana representa mais um passo na construção de um modelo de governança para inteligência artificial nos Estados Unidos. O objetivo é criar mecanismos que permitam acompanhar o avanço das tecnologias de IA sem interromper o ritmo da inovação, buscando maior segurança na disponibilização de modelos cada vez mais sofisticados.

FONTE: CNN Brasil

TEXTO: Redação

IMAGEM: Gerada por IA

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Tecnologia

Inteligência Artificial movimenta US$ 110 bilhões e acelera expansão do mercado global

A Inteligência Artificial consolidou um novo patamar de crescimento no mercado mundial. De acordo com o relatório The State of the AI Economy, elaborado pela consultoria britânica Exponential View, a IA generativa acumulou US$ 110 bilhões em receita nos últimos 12 meses. Considerando o ritmo atual de crescimento, o setor já opera com uma projeção anualizada de aproximadamente US$ 175 bilhões.

O levantamento reúne informações de balanços financeiros de empresas de capital aberto, contratos de computação em nuvem e estimativas de mercado para oferecer uma visão mais precisa da economia da IA.

Metodologia evita duplicidade na contagem das receitas

Um dos diferenciais do estudo é a metodologia adotada para impedir que a mesma receita seja contabilizada mais de uma vez ao longo da cadeia de serviços da Inteligência Artificial.

Na prática, quando um cliente paga US$ 100 por um aplicativo de IA, esse valor permanece único na contabilização, mesmo que parte dele seja repassada a fornecedores de modelos de linguagem e empresas responsáveis pela infraestrutura em nuvem. Dessa forma, evita-se inflar artificialmente o tamanho do mercado.

Crescimento acelerado amplia diferença entre receita e projeção

O relatório aponta que existe uma diferença significativa entre a receita efetivamente registrada nos últimos 12 meses (US$ 110 bilhões) e o ritmo anualizado estimado (US$ 175 bilhões), uma distância equivalente a cerca de 1,6 vez.

Segundo os pesquisadores, essa diferença é consequência da rápida expansão da economia da IA. Quanto maior o ritmo de crescimento, maior tende a ser a distância entre os resultados já consolidados e a projeção baseada no desempenho mais recente do setor.

Gigantes da tecnologia acumulam contratos bilionários

Outro destaque do levantamento está no elevado volume de contratos ainda pendentes de execução pelas principais empresas de tecnologia.

Juntas, Microsoft, Oracle, Amazon e Google acumulavam cerca de US$ 2 trilhões em compromissos contratuais no trimestre mais recente. Desse total, aproximadamente US$ 633 bilhões pertencem à Microsoft, enquanto a Oracle concentra cerca de US$ 553 bilhões.

A Nvidia também registrou forte avanço nesse indicador. Os compromissos futuros da empresa cresceram de US$ 31 bilhões para US$ 95 bilhões em apenas um ano.

Investimentos em infraestrutura continuam em alta

O avanço das receitas acompanha um ciclo robusto de investimentos das big techs em infraestrutura para Inteligência Artificial. Segundo o estudo, os aportes previstos para este ano somam US$ 725 bilhões, valor 77% superior ao recorde registrado no período anterior.

Entre os desenvolvedores de modelos de IA, Anthropic, responsável pelo Claude, e OpenAI aparecem na liderança da disputa tecnológica. Apesar de ainda representarem uma parcela relativamente pequena da receita total do mercado, a participação desse segmento segue em expansão.

O relatório também ressalta que sua metodologia não considera receitas provenientes da venda de chips, publicidade impulsionada por IA nem funcionalidades de Inteligência Artificial incorporadas a softwares tradicionais. Por esse motivo, os números apresentados são considerados mais conservadores do que outras estimativas amplamente divulgadas pelo mercado.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Modais em Foco

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Tecnologia

IA ultrapassará inteligência humana em poucos anos, afirma CEO da Anthropic

A inteligência artificial (IA) deve superar a capacidade cognitiva humana na maioria das atividades em um intervalo de poucos anos. A projeção foi feita por Dario Amodei, CEO da Anthropic, durante a AI Impact Summit, realizada na Índia, na quinta-feira (19).

Segundo o executivo, o avanço da tecnologia segue um ritmo comparável a uma “Lei de Moore para a inteligência”, indicando crescimento acelerado e contínuo ao longo da última década.

“Um país de gênios em um data center”

Durante o evento, Amodei afirmou que o desenvolvimento da IA generativa e dos sistemas avançados está próximo de atingir um estágio que ele descreveu como “um país de gênios em um data center”.

A ideia, explicou, envolve a criação de agentes de IA capazes de desempenhar a maioria das tarefas melhor do que humanos, além de se coordenarem entre si em velocidades superiores às humanas. Esse cenário, segundo ele, pode transformar profundamente setores como tecnologia, ciência, educação e indústria.

Parceria com a Índia para segurança em IA

O CEO também destacou o interesse da Anthropic em estabelecer colaboração com a Índia para testar e avaliar modelos de inteligência artificial sob a ótica de riscos de segurança.

A proposta segue a linha de atuação de institutos nacionais e internacionais voltados à segurança em IA, que buscam criar parâmetros globais para desenvolvimento responsável da tecnologia.

As declarações ocorreram pouco depois de a empresa anunciar a abertura de um escritório em Bengaluru — o segundo na Ásia, após Tóquio — além de novas parcerias nos setores empresarial, educacional e agrícola indianos.

Índia é mercado estratégico para Claude.ai

A Anthropic, que conta com investimentos da Amazon e da Google, informou que a Índia já é o segundo maior mercado para o serviço Claude.ai.

De acordo com a companhia, quase metade do uso da plataforma no país está relacionada a tarefas computacionais e matemáticas, incluindo desenvolvimento de aplicativos e distribuição de software.

O movimento reforça a estratégia de expansão internacional da empresa em um momento de rápida evolução da inteligência artificial avançada e crescente debate global sobre seus impactos econômicos e sociais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/DOORDASHAN via REUTERS

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