Agricultura

Fertilizantes no Brasil: dependência externa desafia agronegócio e coloca Petrobras diante de novo dilema

O Brasil, uma das maiores potências do agronegócio mundial, ainda enfrenta um desafio estratégico: a forte dependência de fertilizantes importados. No caso da ureia, principal fonte de nitrogênio utilizada nas lavouras, cerca de 80% do consumo nacional é abastecido por fornecedores internacionais, especialmente da Rússia, China e Oriente Médio.

As recentes crises geopolíticas, como a guerra na Ucrânia, além da volatilidade dos preços e dos custos logísticos, evidenciaram a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos. Nesse contexto, a decisão da Petrobras de retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), reacendeu o debate sobre a produção nacional e o futuro dos fertilizantes no país.

Retomada da UFN-III busca reduzir dependência de importações

Paralisada desde 2014, a UFN-III deverá receber investimentos superiores a R$ 5 bilhões, com apoio do Novo PAC. A expectativa da Petrobras é concluir a planta entre o fim de 2028 e o início de 2029.

Quando entrar em operação, a unidade terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, volume suficiente para atender aproximadamente 15% da demanda nacional de ureia.

Para o governo, o projeto representa um avanço na estratégia de fortalecimento da segurança alimentar e da soberania na produção de insumos agrícolas. Já para o setor produtivo, a retomada pode ampliar a oferta nacional, mas ainda há dúvidas sobre sua competitividade.

Preço do gás natural é principal obstáculo

Especialistas avaliam que o maior desafio da produção nacional não está na capacidade industrial, mas no custo da matéria-prima.

Segundo Marcelo Soto, head de Operações e Inteligência de Suprimentos da SCA, o gás natural responde por 60% a 80% do custo de fabricação da ureia. Enquanto grandes exportadores, como Rússia, Irã e Catar, trabalham com preços próximos de US$ 3 por milhão de BTUs, no Brasil esse valor pode chegar a US$ 15, comprometendo a competitividade da indústria nacional.

Mesmo com a localização estratégica da planta, próxima ao Gasbol, ainda não há garantia de que o custo do gás permitirá competir com os fertilizantes importados sem subsídios ou mudanças estruturais no mercado energético.

Agronegócio prioriza custo e flexibilidade

Além da concorrência com a ureia importada, a produção nacional também disputa espaço com outras fontes de nitrogênio, como o sulfato de amônio, amplamente importado da China, e o nitrato de amônio, fornecido principalmente pela Rússia.

Na prática, o produtor rural escolhe o fertilizante com base no menor custo disponível, independentemente da origem do produto.

Outro fator apontado por especialistas é a falta de regularidade histórica da produção nacional. Segundo Marcelo Soto, a Petrobras costuma operar de forma pontual, dificultando contratos de fornecimento de longo prazo e obrigando distribuidores e agricultores a manterem a dependência do mercado internacional.

Amônia verde entra no debate sobre o futuro dos fertilizantes

Embora a retomada da UFN-III seja considerada positiva sob o ponto de vista da segurança de abastecimento, o projeto também desperta questionamentos sobre sua atualização tecnológica.

A unidade foi concebida há cerca de 15 anos com base em processos convencionais de produção de amônia e ureia a partir do gás natural. Entretanto, diversos países já investem em tecnologias de baixo carbono, como a amônia verde, produzida por meio do hidrogênio verde.

Especialistas ouvidos pelo setor avaliam que adaptar a planta para esse novo modelo poderia aumentar sua competitividade no longo prazo, embora os custos atuais da tecnologia ainda sejam elevados.

Transição energética depende da redução dos custos

O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Luiz Viga, afirma que a produção de fertilizantes verdes representa uma alternativa estratégica para o Brasil.

Segundo ele, ao utilizar água e eletricidade renovável em vez de gás natural, o país pode aproveitar sua abundância de recursos energéticos para construir uma indústria mais competitiva no futuro.

No entanto, Viga alerta que o principal desafio não está na tecnologia, mas no custo da energia elétrica. Encargos setoriais e outros componentes tarifários ainda dificultam a viabilidade econômica dos projetos de hidrogênio verde.

Apesar disso, ele destaca que os custos internacionais vêm caindo rapidamente. Em mercados como China e Índia, projetos de amônia verde já apresentam valores significativamente inferiores aos registrados há poucos anos.

Brasil busca fortalecer produção nacional de fertilizantes

Programas federais de incentivo, como o Profert, também fazem parte da estratégia para ampliar a produção nacional e reduzir a dependência das importações.

A expectativa do setor é que os primeiros investimentos em fertilizantes produzidos com hidrogênio verde avancem até 2028, com unidades entrando em operação a partir de 2030. Para especialistas, a consolidação dessa tecnologia poderá transformar gradualmente o mercado brasileiro ao longo da próxima década.

Enquanto isso, a retomada da UFN-III representa um passo importante para ampliar a oferta nacional, mas especialistas ressaltam que sua efetividade dependerá de fatores como competitividade, custo do gás natural e evolução das tecnologias sustentáveis.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Porto do Açu e Sempen assinam contrato de reserva de área para planta de amônia verde

O Porto do Açu e a empresa Sempen, especializada na produção de combustíveis renováveis, assinaram nesta semana um contrato de reserva de área no hub de hidrogênio de baixo carbono e derivados do complexo porto-indústria, localizado no Norte do estado do Rio de Janeiro, para a construção de uma fábrica de amônia verde.

A nova planta terá capacidade de produção de 1 milhão de toneladas de amônia verde por ano. A decisão final de investimento (FID) está prevista para 2027-2028, com o início da produção das primeiras moléculas verdes em 2030. Com esse novo acordo, o Porto do Açu fortalece ainda mais seu papel na transição energética do Brasil, consolidando-se como um hub estratégico na cadeia de baixo carbono.

“O Porto do Açu avança no tema da transição energética ao desenvolver sua plataforma integrada para a economia de baixo carbono. A chegada da Sempen nos coloca como líder em projetos para a produção de hidrogênio e amônia verde no país”, disse Mauro Andrade, Diretor Executivo de Desenvolvimento de Negócios da Prumo Logística.

O Açu oferece uma das melhores infraestruturas do país para apoiar de forma sustentável a descarbonização da indústria, com calado profundo, terrenos disponíveis com acesso direto ao cais e um cluster de serviços que reúne múltiplos fornecedores de suporte portuário e marítimo.

“Somos o primeiro porto no país a licenciar um hub de hidrogênio e derivados de baixo carbono de 1 milhão de m² e, no momento, estamos licenciando uma nova área de 2 milhões de m² para ampliar nossas operações. A Sempen será alocada a esse novo hub, e sua parceria conosco é mais um passo para estabelecer o Açu como um hub para soluções de energia sustentável, refletindo nosso compromisso com projetos inovadores que contribuem para a transição energética global’’, completou o CEO do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo.

“A parceria com o Porto do Açu representa um marco importante em nossa jornada para impulsionar a produção de amônia verde e combustíveis sustentáveis no Brasil. Estamos entusiasmados com o potencial de contribuir para a transição energética global e de fazer parte de um hub estratégico de baixo carbono que apoiará o desenvolvimento sustentável da indústria de energia renovável e hidrogênio verde no país.” — Juan Pablo Freijo, CEO da Sempen.

O complexo porto-indústria tem um ecossistema preparado e vantagens competitivas com calado profundo, área disponível com acesso direto ao cais e um cluster de serviços que reúne múltiplos fornecedores de suporte portuário e marítimo, consolidando-se como um hub de soluções de energia sustentável.

FONTE: Portos Navios
Porto do Açu e Sempen firmam acordo para fábrica de amônia verde

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Yamna firma acordo para fábrica de amônia verde no Porto do Açu

A inglesa Yamna, especializada na produção de hidrogênio verde e derivados, firmou um acordo com o Porto do Açu para reservar área no complexo portuário no norte do Rio de Janeiro para a implantação de uma fábrica de amônia verde, anunciaram as empresas nesta terça-feira.

A planta de amônia da Yamna, que será o primeiro projeto da empresa no Brasil, está projetada para uma capacidade de produção de até 1 milhão de toneladas por ano.
Segundo a empresa inglesa, que é financiada pela gestora de ativos de “net zero” HYCAP, a decisão final de investimento sobre a fábrica está prevista para 2027, com o início da produção das primeiras moléculas em 2030.
A amônia verde é produzida com recursos renováveis, utilizando fontes de energia limpas em vez de fósseis, e pode ter diversas aplicações, como na produção de fertilizantes verdes ou no armazenamento e transporte do hidrogênio verde.

Para o Porto de Açu, o novo projeto se insere na estratégia do complexo portuário de diversificar suas operações, concentradas atualmente nos setores de petróleo, minério e logística, e se tornar um centro de soluções para transição energética. O porto fluminense, operado pela Prumo, controlada por EIG e Mubadala, assinou nos últimos anos vários acordos com grandes empresas, como Eletrobras e Vale, para projetos ligados à economia de baixo carbono.

O complexo já conta com uma área licenciada de 1 milhão de metros quadrados para plantas de produção de hidrogênio e derivados e, com a nova parceria com a Yamna, serão reservados mais dois milhões de metros quadrados para o desenvolvimento de novos projetos sustentáveis.

“Esta parceria destaca o papel estratégico do Açu como um hub para soluções de energia sustentável e reflete nosso compromisso com projetos inovadores que contribuem para a transição energética global”, afirmou o CEO do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo, em comunicado.

“Esperamos desempenhar um papel fundamental no sucesso deste projeto, aproveitando nossa experiência em hidrogênio e amônia verde”, declarou Abdelaziz Yatribi, CEO da Yamna.

FONTE: Investimento e Notícias
Yamna firma acordo para fábrica de amônia verde no Porto do Açu – Investimentos e Notícias

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