Agricultura

União Europeia anuncia medidas para proteger agricultores no acordo com o Mercosul

Bloco promete salvaguardas e monitoramento das importações para reduzir resistência ao tratado

A União Europeia (UE) anunciou, nesta quarta-feira (8), um conjunto de medidas para proteger agricultores europeus diante do impacto do acordo de livre comércio com o Mercosul. O bloco se comprometeu a monitorar as importações e investigar possíveis efeitos negativos sobre a produção local, adotando ações corretivas quando necessário.

O tratado entre a UE e o Mercosul — formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — criará a maior zona de livre comércio do mundo, com cerca de 700 milhões de habitantes. A expectativa de Bruxelas é concluir a ratificação até o fim de 2025, durante a presidência brasileira do bloco.

França mantém resistência ao acordo

Apesar do avanço, a França segue como principal opositor do tratado. O governo francês afirma que o acordo ameaça setores sensíveis como carne bovina, aves, açúcar e biocombustíveis, defendendo a adoção de medidas de proteção adicionais.

Em resposta, a Comissão Europeia prometeu mecanismos de salvaguarda “robustos” para garantir a competitividade dos agricultores locais.

Monitoramento de importações e apoio de países

Entre as medidas anunciadas está a vigilância reforçada de produtos sensíveis, como carne bovina, frango, arroz, mel, ovos, alho e açúcar. Relatórios semestrais sobre o impacto dessas importações serão enviados ao Parlamento Europeu e aos Estados-membros.

O tratado, no entanto, tem forte apoio de países como a Alemanha, que busca ampliar o acesso de suas empresas a novos mercados — especialmente após a volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e a retomada de tarifas comerciais.

Critérios para investigações e possíveis sanções

A Comissão Europeia definiu critérios para abrir investigações:

  • quando o preço de produtos do Mercosul for 10% mais baixo que o similar europeu;
  • quando o volume de importações com isenção de tarifas subir acima de 10%.

Caso seja identificado dano grave ao setor agroalimentar, a UE poderá restabelecer tarifas sobre os produtos afetados.

As investigações terão prazo máximo de quatro meses, mas se um Estado-membro solicitar a análise, a Comissão deverá iniciar o processo em até 21 dias.

Declaração oficial

Segundo o comissário europeu de Agricultura, Christophe Hansen, as medidas buscam equilibrar os interesses comerciais com a proteção do setor produtivo.

“A Comissão estará pronta para agir rápida e decisivamente, se necessário, para proteger os interesses do nosso setor agroalimentar”, declarou Hansen.

De acordo com estimativas da Comissão, o acordo Mercosul–UE permitirá que exportadores europeus economizem mais de 4 bilhões de euros por ano (cerca de R$ 25 bilhões) em tarifas para acessar o mercado latino-americano.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Daniel Roland/AFP

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Comércio Exterior

Mercosul e Canadá retomam negociações para acordo de livre comércio

Nova rodada de diálogo em Brasília busca atualizar compromissos bilaterais

O Mercosul e o Canadá deram início, nesta quinta-feira (9/10), em Brasília (DF), a uma nova rodada de negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Canadá. As discussões, conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), seguem até esta sexta-feira (10/10).

O objetivo do encontro é atualizar os entendimentos comerciais entre o bloco sul-americano e o país norte-americano diante do atual cenário internacional, fortalecendo a integração econômica e as oportunidades de negócios.

Visita canadense abriu caminho para retomada

As negociações foram reativadas após a visita ao Brasil do ministro de Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, em agosto de 2025. Na ocasião, Sidhu se reuniu com o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, reforçando o interesse mútuo em ampliar o diálogo econômico e retomar a agenda de cooperação.

De acordo com a Secex, o processo reflete o compromisso do Mercosul em firmar acordos modernos, equilibrados e benéficos para ambas as partes, seguindo modelos de negociações recentes com Singapura, União Europeia e EFTA.

Temas em negociação

A rodada de discussões reúne chefes negociadores e equipes técnicas dos quatro Estados Partes do Mercosul e do Canadá. A agenda inclui balanço dos avanços já alcançados, revisão de pendências e definição de prioridades em capítulos estratégicos, como:

  • Acesso a mercados e regras de origem;
  • Facilitação de comércio e barreiras técnicas;
  • Medidas sanitárias e fitossanitárias;
  • Serviços, investimentos e compras governamentais;
  • Propriedade intelectual e meio ambiente;
  • Questões relacionadas à concorrência, micro e pequenas empresas, gênero, trabalho e povos indígenas.

Relação comercial Brasil–Canadá

O Canadá é um parceiro estratégico para o Brasil. Em 2024, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 9,1 bilhões, consolidando o país como o 19º destino das exportações brasileiras.

Do total exportado pelo Brasil ao Canadá, que somou US$ 6,3 bilhões, cerca de 91% correspondeu à indústria de transformação. Entre os principais produtos estão alumínio, ouro, aço, máquinas e equipamentos, aeronaves e café.Nova rodada de diálogo em Brasília busca atualizar compromissos bilaterais

O Mercosul e o Canadá deram início, nesta quinta-feira (9/10), em Brasília (DF), a uma nova rodada de negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Canadá. As discussões, conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), seguem até esta sexta-feira (10/10).

O objetivo do encontro é atualizar os entendimentos comerciais entre o bloco sul-americano e o país norte-americano diante do atual cenário internacional, fortalecendo a integração econômica e as oportunidades de negócios.

Visita canadense abriu caminho para retomada

As negociações foram reativadas após a visita ao Brasil do ministro de Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, em agosto de 2025. Na ocasião, Sidhu se reuniu com o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, reforçando o interesse mútuo em ampliar o diálogo econômico e retomar a agenda de cooperação.

De acordo com a Secex, o processo reflete o compromisso do Mercosul em firmar acordos modernos, equilibrados e benéficos para ambas as partes, seguindo modelos de negociações recentes com Singapura, União Europeia e EFTA.

Temas em negociação

A rodada de discussões reúne chefes negociadores e equipes técnicas dos quatro Estados Partes do Mercosul e do Canadá. A agenda inclui balanço dos avanços já alcançados, revisão de pendências e definição de prioridades em capítulos estratégicos, como:

  • Acesso a mercados e regras de origem;
  • Facilitação de comércio e barreiras técnicas;
  • Medidas sanitárias e fitossanitárias;
  • Serviços, investimentos e compras governamentais;
  • Propriedade intelectual e meio ambiente;
  • Questões relacionadas à concorrência, micro e pequenas empresas, gênero, trabalho e povos indígenas.

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O Canadá é um parceiro estratégico para o Brasil. Em 2024, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 9,1 bilhões, consolidando o país como o 19º destino das exportações brasileiras.

Do total exportado pelo Brasil ao Canadá, que somou US$ 6,3 bilhões, cerca de 91% correspondeu à indústria de transformação. Entre os principais produtos estão alumínio, ouro, aço, máquinas e equipamentos, aeronaves e café.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cadu Gomes/VPR

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