Internacional

Chile negocia com os Estados Unidos para ampliar isenções à sobretaxa de 12,5% sobre produtos

O governo do Chile retomou as negociações comerciais com os Estados Unidos para ampliar a lista de produtos chilenos isentos da sobretaxa de 12,5% aplicada pelo mercado norte-americano. A subsecretária de Relações Econômicas Internacionais, Paula Estévez, está em visita oficial aos EUA para se reunir com autoridades e dar continuidade às tratativas bilaterais.

O objetivo é aumentar o número de mercadorias chilenas beneficiadas pelas exceções tarifárias e reduzir os impactos das medidas sobre as exportações do país sul-americano.

Atualmente, os produtos que já contam com isenção representam 53,6% do valor das exportações chilenas destinadas aos Estados Unidos.

Autoridades dos dois países discutem tarifas comerciais

Durante a visita, Estévez tem reuniões previstas com Juan Pablo Segura, subsecretário de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, e Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos (USTR).

Os encontros integram as negociações iniciadas após a imposição das tarifas norte-americanas, em julho, e buscam avançar na definição das condições de acesso dos produtos chilenos ao mercado dos EUA.

As conversas fazem parte de um processo bilateral que vem sendo conduzido por equipes técnicas dos dois países desde 2025. Até o momento, foram realizadas quatro rodadas formais de negociação. A mais recente ocorreu em agosto, durante a visita do vice-representante comercial dos Estados Unidos, Jeffrey Goettman, ao Chile.

Além das reuniões com representantes do Departamento de Estado e do USTR, as autoridades dos dois países também mantiveram encontros com subsecretários do Departamento de Comércio responsáveis por áreas como indústria, segurança e comércio internacional.

Chile busca preservar competitividade das exportações

A ampliação das isenções tarifárias é uma das prioridades da agenda comercial chilena diante das medidas adotadas pelos Estados Unidos. A negociação busca garantir condições mais favoráveis para os produtos do país no mercado norte-americano.

A proporção atual de mercadorias isentas — equivalente a 53,6% do valor exportado — evidencia a relevância das exceções para o comércio bilateral. A inclusão de novos produtos poderá ampliar a parcela das vendas chilenas protegida da sobretaxa.

Visita também inclui agenda sobre comércio internacional

Além das negociações bilaterais, Paula Estévez participa do programa Navigating the Global Trade Reset: Strategic Options for Latin America and the Caribbean, realizado nos Estados Unidos.

A iniciativa é organizada pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) em parceria com o Georgetown Americas Institute e reúne autoridades responsáveis por comércio exterior, integração econômica e investimentos de países latino-americanos e caribenhos.

O encontro tem como foco as transformações do comércio internacional, os impactos sobre as cadeias globais de valor e as alternativas estratégicas disponíveis para os países da região diante das mudanças no cenário econômico mundial.

A programação também busca estimular oportunidades de cooperação e investimento, além de promover discussões sobre desafios geopolíticos e o posicionamento da América Latina e do Caribe na economia global.

Subsecretária chilena se reúne com representante da República Dominicana

Durante a participação no programa, Estévez também realizou uma reunião bilateral com Daniel Peña, vice-ministro de Comércio Exterior da República Dominicana.

O encontro ocorreu no contexto das atividades promovidas pelo CAF e abriu espaço para o diálogo entre representantes dos dois países sobre temas relacionados ao comércio exterior e à cooperação econômica regional.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Comércio Exterior

EUA isentam 471 produtos brasileiros da nova tarifa de 12,5%; veja quais ficam de fora

Os Estados Unidos divulgaram a lista oficial de 471 produtos brasileiros que não serão atingidos pela nova tarifa de 12,5%, anunciada sob a justificativa de reforçar o combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Entre os principais itens beneficiados estão café, petróleo, gás natural, fertilizantes, madeira, suco de laranja e derivados de açaí.

A relação foi publicada nesta quinta-feira (23) pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e reúne exceções distribuídas em 20 categorias de produtos.

A medida entra em vigor na madrugada desta sexta-feira (24). Para os produtos que ficaram fora da lista de isenção, a nova cobrança será somada à sobretaxa de 25% aplicada desde quarta-feira (22), elevando a tributação para até 37,5% em parte das exportações brasileiras.

Quais produtos foram isentos da nova tarifa

Segundo o USTR, os itens excluídos da nova cobrança foram selecionados por sua relevância para o comércio bilateral e pela importância como insumos para a indústria norte-americana.

Entre os principais produtos isentos estão:

  • café;
  • petróleo e derivados;
  • gás natural;
  • fertilizantes;
  • madeira e produtos florestais;
  • suco de laranja;
  • derivados de açaí;
  • defensivos agrícolas;
  • couros e peles;
  • ferro-gusa;
  • resíduos e sucata de alumínio;
  • equipamentos destinados à fabricação de semicondutores;
  • determinados medicamentos e ingredientes farmacêuticos;
  • obras de arte, antiguidades e itens de coleção.

Além desses segmentos, também foram excluídos da medida diversos minerais, resíduos metálicos e matérias-primas utilizadas pelas indústrias de tecnologia e farmacêutica.

Entenda como a medida será aplicada

A nova sobretaxa foi definida após investigação conduzida pelo governo norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

Na avaliação do USTR, o Brasil integra o grupo de países que não adotam mecanismos considerados suficientes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em seus mercados.

Mesmo com essa conclusão, o órgão decidiu preservar centenas de mercadorias da nova cobrança. Segundo o governo americano, as exceções levam em conta fatores como a relevância econômica dos produtos, compromissos comerciais vigentes e características específicas de determinados setores produtivos.

Produtos sem isenção poderão pagar até 37,5%

Os produtos brasileiros que não constam na lista de exceções estarão sujeitos à nova tarifa adicional de 12,5%.

Como essa alíquota será aplicada de forma cumulativa à sobretaxa de 25% anunciada anteriormente, parte das exportações do Brasil para os Estados Unidos poderá enfrentar uma carga tributária total de 37,5%.

A nova medida também substitui a tarifa global temporária de 10% que vinha sendo aplicada desde fevereiro deste ano.

Outros parceiros comerciais receberam tratamento diferenciado

Além das isenções concedidas por produto, os Estados Unidos estabeleceram regras específicas para alguns países e blocos econômicos.

Argentina, Bangladesh, Camboja, Equador, El Salvador, União Europeia, Guatemala, Indonésia, Jordânia, Malásia, Suíça, Taiwan e Reino Unido receberam tratamento diferenciado em razão de acordos comerciais ou por manterem mecanismos considerados mais robustos de combate ao trabalho forçado.

Em alguns casos, como nas importações de vestuário e produtos têxteis provenientes de Bangladesh, Camboja, Indonésia e Malásia, foi criado um sistema de cotas que permite a entrada das mercadorias sem a tarifa prevista na Seção 301, desde que sejam utilizados algodão e outros insumos produzidos nos Estados Unidos.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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