Portos

Porto de Itajaí avança em estudos para remoção do Pallas e aprofundamento do canal

O Porto de Itajaí entra na etapa final dos estudos técnicos que vão definir como será feita a retirada dos destroços do navio Pallas, naufragado há 133 anos no rio Itajaí-Açu. O procedimento é considerado estratégico para o futuro do Complexo Portuário de Itajaí e para os projetos de aprofundamento do canal de acesso.

Nesta quarta-feira (12), às 10h, será realizado um mergulho técnico para vistoriar, conferir e registrar as condições atuais da embarcação submersa. A atividade integra o trabalho desenvolvido pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) em parceria com a Superintendência do Porto de Itajaí.

Mergulho técnico será a última etapa de campo

O mergulho está previsto para ocorrer conforme as condições climáticas e de navegabilidade. A atividade representa a última etapa de campo dos estudos necessários para estabelecer a metodologia de remoção dos destroços.

A expectativa é de que os levantamentos técnicos sejam concluídos ainda neste mês. O trabalho é coordenado pelo professor Jules Soto, diretor do Museu Oceanográfico da Univali e pesquisador que já participou de estudos científicos relacionados ao naufrágio.

O convênio entre a universidade e o Porto de Itajaí prevê investimento de R$ 310 mil. Entre os procedimentos estão inspeções subaquáticas, mergulhos técnicos, sondagens e análises estruturais da embarcação.

Retirada do Pallas é necessária para aprofundar o canal

Os destroços do Pallas estão entre as boias 9 e 11, nas proximidades da Bacia de Evolução nº 2 e junto ao molhe norte, no lado de Navegantes.

Atualmente, a presença da embarcação impede o avanço do aprofundamento do canal naquela região para 16 metros, tornando-se uma restrição para futuras ampliações da capacidade operacional do complexo.

A retirada do navio também permitirá avançar na adequação da Bacia de Evolução nº 2, que tem projeto para atingir 530 metros de diâmetro. A ampliação deverá proporcionar melhores condições para as manobras e possibilitar a operação de navios de maior porte.

A remoção completa do casco tem custo estimado em aproximadamente R$ 23 milhões, com previsão de participação de recursos do governo federal.

Porto de Itajaí busca ampliar capacidade e competitividade

Para o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a retirada do Pallas representa uma ação importante para preparar o complexo para o crescimento da atividade portuária.

“A remoção do Pallas é uma etapa estratégica para o futuro do Complexo Portuário. Estamos eliminando um obstáculo histórico para avançar no aprofundamento do canal, receber navios de maior porte e aumentar a nossa competitividade”, afirma.

Segundo Pereira, a iniciativa também sinaliza ao mercado a preparação da estrutura portuária para novos investimentos e para a expansão das operações.

Com a retirada dos destroços, um dos principais obstáculos físicos ao aprofundamento do canal de acesso será eliminado. A medida poderá contribuir para aumentar a capacidade de receber grandes embarcações, melhorar a segurança da navegação e fortalecer a posição do Complexo Portuário de Itajaí no cenário nacional.

Pallas naufragou em 1893

Construído na Inglaterra em 1891, o Pallas fazia o transporte de cargas e passageiros entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires, com escalas em Itajaí.

O naufrágio ocorreu em 23 de outubro de 1893, na região do Pontal da Barra de Itajaí, atualmente pertencente a Navegantes, durante a Revolta da Armada.

Segundo registros históricos, o navio entrou no canal do rio Itajaí-Açu durante a noite e acabou atingindo pedras submersas nas proximidades do atual molhe norte. A colisão provocou o afundamento da embarcação.

Os restos do Pallas permaneceram submersos por mais de um século. A estrutura foi novamente identificada em 2017, durante trabalhos de dragagem relacionados à implantação da nova bacia de evolução.

Levantamentos realizados posteriormente indicaram que o navio está partido ao meio. Estruturas metálicas e fragmentos de madeira permanecem espalhados pelo leito do rio.

Desde então, os destroços passaram a ser considerados uma limitação para projetos de expansão da infraestrutura aquaviária do Complexo Portuário.

Remoção pode abrir caminho para novos projetos

Após mais de um século submerso, o Pallas se aproxima de uma nova etapa de sua história. A conclusão dos estudos entre o Porto de Itajaí e a Univali deverá permitir a definição da estratégia para a retirada definitiva da embarcação.

A expectativa é que a remoção elimine um obstáculo histórico à expansão da infraestrutura e permita avançar nos projetos de aprofundamento do canal, ampliação da bacia de evolução e preparação do complexo para atender à nova geração de grandes navios.

FONTE: Porto de Itajaí
TEXTO: Redação
IMAGEM: Porto de Itajaí

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook