Comércio

Petróleo pressiona exportações de commodities do Brasil enquanto minério de ferro e celulose seguem trajetórias distintas

As principais commodities exportadas pelo Brasilpetróleo, minério de ferro e celulose — encerraram 2025 em ritmos diferentes, cenário que deve se estender ao longo de 2026. Enquanto o petróleo acumulou forte queda de preços e pesou sobre a balança comercial, o minério manteve relativa estabilidade e a celulose entrou em um ciclo de recuperação moderada.

Petróleo perde força e limita desempenho das exportações

O petróleo, que até novembro ocupava a segunda posição entre os itens mais exportados pelo Brasil, atrás apenas da soja, fechou 2025 com desvalorização expressiva. O barril do Brent, referência internacional, encerrou o ano cotado a US$ 60,49, queda de 18,52% em relação ao fim de 2024.

A média anual do Brent em 2025 foi de US$ 67,54 por barril, recuo de 14,78% frente ao valor médio de 2024. Para 2026, bancos e analistas projetam preços entre US$ 59 e US$ 62, com algumas estimativas mais pessimistas apontando cotações próximas de US$ 55.

Entre os fatores que explicam esse cenário estão as incertezas geopolíticas — como a guerra entre Rússia e Ucrânia, a pressão dos Estados Unidos sobre a Venezuela e as decisões da Opep — além da desaceleração da economia global.

Minério de ferro mantém estabilidade sustentada pela China

Diferentemente do petróleo, o minério de ferro teve um desempenho mais equilibrado em 2025 e deve repetir esse comportamento em 2026. O preço do minério com teor de 62% de ferro, principal referência do mercado, permaneceu próximo de US$ 100 por tonelada ao longo do ano.

Em 30 de dezembro de 2025, a commodity era negociada a US$ 107,13 por tonelada, alta anual de 3,4%. Ainda assim, o preço médio do ano ficou em US$ 101,97, queda de 7,57% frente à média de 2024.

Especialistas atribuem essa estabilidade às condições do mercado chinês. A redução dos estoques nos portos da China ao longo de 2025, segundo a UBS, ajudou a sustentar os preços. Além disso, a produção de aço chinesa, que demanda grandes volumes de minério, segue como um dos principais vetores de sustentação da commodity.

Celulose se recupera após ajustes de oferta e tarifas

A celulose de fibra curta iniciou 2025 acima das expectativas, mas perdeu força ao longo do ano com a entrada de nova oferta no mercado global e o impacto de tarifas impostas pelos Estados Unidos. A partir de agosto, no entanto, os preços passaram a se recuperar.

A tendência é que esse movimento continue em 2026, embora com revisões para baixo nas projeções. A estimativa inicial, no primeiro semestre de 2025, era de preço médio de US$ 620 por tonelada. Após ajustes, a previsão foi reduzida para cerca de US$ 570 por tonelada em 2026, ante US$ 540 no fim de 2025.

Mesmo sem novos grandes projetos na América Latina, o aumento da produção de celulose no Brasil e na China deve continuar exercendo pressão sobre os preços.

Crescimento global mais fraco influencia commodities

Outro fator relevante para o desempenho das commodities é o enfraquecimento da economia mundial. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta crescimento global de 3,1% em 2026, ligeiramente abaixo dos 3,2% estimados para 2025.

Para a China, maior produtora e consumidora de commodities, a expectativa é de desaceleração mais acentuada: crescimento de 4,2% em 2026, após 4,8% em 2025. Já para o Brasil, o FMI estima redução do ritmo econômico de 2,4% para 1,9%, o que pode afetar investimentos e produção.

Peso das commodities na pauta exportadora

Até novembro de 2025, o petróleo respondeu por 12,9% da receita de exportações brasileiras, enquanto o minério de ferro representou 8,2% e a celulose, cerca de 3%. A combinação de petróleo mais fraco, minério estável e celulose em recuperação deve seguir moldando o desempenho do comércio exterior brasileiro em 2026.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Leo Pinheiro/Valor

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