Sustentabilidade

Energia renovável no Brasil: sobreoferta faz setor frear novos investimentos

O setor elétrico brasileiro vive uma mudança importante de cenário. Após anos de expansão acelerada da capacidade de geração, especialistas, órgãos reguladores, empresas, investidores e consumidores começam a questionar a necessidade de manter o mesmo ritmo de investimentos em energia renovável.

O motivo é o aumento da sobreoferta de energia, principalmente nos segmentos solar e eólico. A expansão da geração avançou em velocidade superior ao crescimento da demanda, enquanto incentivos e subsídios contribuíram para manter atrativos projetos que, diante das condições atuais do mercado, passaram a enfrentar maior dificuldade para encontrar espaço no sistema.

Sobreoferta de energia aumenta cortes na geração

O excesso de oferta já tem reflexos na operação do sistema elétrico. Em determinados períodos, usinas existentes não conseguem produzir toda a energia que poderiam fornecer.

Essa redução compulsória da geração é conhecida no setor como curtailment. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) determina cortes principalmente quando não há demanda suficiente para absorver toda a eletricidade disponível.

O fenômeno ganhou relevância justamente porque evidencia uma mudança na principal preocupação do setor: se antes o desafio era ampliar a oferta para garantir a segurança energética, agora também é necessário encontrar formas de aproveitar a capacidade de geração que já existe.

Aneel alerta para distorções provocadas por subsídios

O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval Feitosa, está entre os primeiros representantes do setor a defender publicamente uma revisão do ritmo de expansão.

Segundo ele, os incentivos concedidos à geração renovável alteraram os sinais econômicos que deveriam orientar as decisões de investimento.

“As empresas não respondem ao estímulo natural do mercado, mas, sim, aos subsídios que recebem”, afirmou à CNN.

A avaliação coloca em evidência uma contradição do modelo atual. Enquanto a sobreoferta de energia e o avanço do curtailment indicam a necessidade de reduzir o ritmo de novos projetos, diferentes segmentos continuam buscando preservar mecanismos de incentivo capazes de estimular a expansão.

Incentivos continuam mesmo diante dos alertas

Apesar das críticas, medidas adotadas pelo governo e pelo Congresso nos últimos anos mantiveram parte dos estímulos à expansão da geração.

Em 2024, a MP 1.212 permitiu que projetos elegíveis prorrogassem por 36 meses o prazo para entrada em operação sem perder os descontos aplicados às tarifas de uso das redes.

No mesmo ano, o governo regulamentou o acesso da minigeração distribuída ao Reidi, regime voltado a incentivos tributários para projetos de infraestrutura.

Já em 2025, a Lei 15.269 permitiu que parte desses empreendimentos adiasse, sem custos pela postergação, o início dos contratos de uso da transmissão.

Na avaliação de críticos do modelo, essas medidas mantiveram sinais favoráveis à expansão justamente quando o sistema começava a demonstrar excesso de oferta.

ONS vê pouco espaço para nova geração durante o dia

A discussão ganhou força com o posicionamento de Alexandre Zucarato, diretor de planejamento do ONS.

Em entrevista à CNN, Zucarato concordou que novos investimentos em geração de energia precisam considerar a atual capacidade excedente do sistema.

O problema, segundo ele, já não se resume à infraestrutura de transmissão. Em determinadas horas do dia, especialmente durante o período de maior geração solar, não existe consumo suficiente para absorver toda a eletricidade produzida.

“Não faz mais sentido injetar potência na rede no período diurno porque basicamente vamos colocar um megawatt novo e vai ter que deslocar um megawatt existente”, afirmou ao programa Alta Voltagem, da CNN.

Uma das alternativas apontadas pelo diretor é justamente postergar investimentos que não tenham outra justificativa operacional.

Excesso de investimento preocupa infraestrutura

O presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), Venilton Tadini, avalia que o problema mudou de natureza.

Na visão dele, o Brasil passou de uma fase de insuficiência de investimentos privados em infraestrutura elétrica para um momento em que parte do capital está sendo direcionada para segmentos que já apresentam excesso de capacidade.

“O que estamos vivendo hoje no setor elétrico é o excesso do investimento privado mal direcionado justamente pelos sinais negativos de excesso de subsídios em segmentos que não necessitam mais, como energia solar e eólica”, afirmou ao programa Conexão Infra, da CNN.

A consequência não é apenas operacional. Os cortes na produção também começam a afetar a situação financeira dos empreendimentos.

Curtailment aumenta risco financeiro de usinas

A redução forçada da geração representa perda de receita para empresas que possuem projetos expostos ao problema. Com isso, aumenta a percepção de risco sobre ativos de energia solar e eólica.

Já existem casos de quebra de covenants, cláusulas previstas em contratos de financiamento que estabelecem determinadas condições para os devedores.

Também surgiram situações de standstill, mecanismo pelo qual algumas obrigações relacionadas a dívidas são temporariamente suspensas.

O cenário amplia a preocupação entre bancos e investidores, que precisam considerar não apenas a capacidade de geração de um empreendimento, mas também o risco de ele não conseguir produzir e vender toda a energia prevista.

Consumidores pedem revisão da expansão renovável

Os grandes consumidores também passaram a defender uma mudança no ritmo de crescimento da geração renovável.

Luiz Eduardo Barata, presidente da FNCE (Frente Nacional dos Consumidores de Energia), afirma que novos projetos solares e eólicos podem exigir investimentos adicionais em transmissão para transportar uma energia que, em determinados momentos, não encontra demanda suficiente.

O custo dessas estruturas, segundo ele, acaba sendo repassado aos consumidores.

“O processo de expansão de renováveis tem que ser feito considerando o consumo de energia que temos hoje e não apenas a vontade do investidor, que é o que está acontecendo”, disse. “Continuar do jeito que está é suicídio”.

Bancos mudam prioridade e olham para transmissão e armazenamento

A mudança de percepção também chegou às instituições financeiras.

Segundo informações da MegaWhat, o BNB (Banco do Nordeste), tradicional financiador de projetos de energia renovável, alterou temporariamente suas prioridades diante do avanço do curtailment sobre grandes empreendimentos no Nordeste.

A análise de documentos feita pelo portal especializado apontou que o banco passou a priorizar investimentos em transmissão de energia, armazenamento e instalação de grandes cargas na região, em vez de concentrar recursos na construção de novas usinas.

A mudança representa uma inversão relevante na estratégia de financiamento. O foco deixa de ser simplesmente aumentar a oferta e passa a incluir soluções capazes de aproveitar a energia que já está disponível no sistema.

Mercado de capitais reduz apetite por novos projetos

O mesmo movimento pode ser observado na avaliação dos ativos no mercado financeiro.

Anderson Brito, chefe de banco de investimento do UBS BB, afirmou que a combinação de sobreoferta, cortes de geração e incerteza sobre receitas futuras prejudica o valor de mercado das empresas e dificulta a captação de recursos.

“Neste momento, o mercado não vê racionalidade econômica em adicionar nova capacidade de geração sem que haja crescimento correspondente da demanda. O curtailment já afeta receitas, reduz o valor dos ativos e encarece o acesso a capital. Antes de construir mais, é preciso criar condições para absorver melhor a energia que já está disponível”, disse.

Importação de módulos solares recua em 2026

Os primeiros sinais concretos de desaceleração já aparecem nos dados do mercado.

Levantamento da consultoria Greener aponta que as importações de módulos solares recuaram 48% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Entre os grandes projetos de geração, a queda foi ainda mais expressiva: o volume destinado às grandes usinas diminuiu 82%.

O movimento indica uma possível redução do ritmo de expansão da energia solar no Brasil, em um momento de maior cautela por parte de desenvolvedores, bancos e investidores.

Projetos solares e eólicos perdem atratividade

Além da menor entrada de equipamentos, ativos já existentes enfrentam dificuldades para encontrar compradores.

A cautela dos investidores aumentou diante da exposição dos empreendimentos ao curtailment, à redução das receitas e à incerteza sobre o desempenho financeiro futuro.

Outro reflexo é a desistência de projetos. A Aneel vem aprovando pedidos de revogação de outorgas para empreendimentos eólicos e solares de empresas como Enel, Engie, EDF e Rio Energy, entre outras.

O conjunto desses movimentos aponta para uma possível mudança de ciclo no setor elétrico brasileiro: depois de anos de forte estímulo à expansão das fontes renováveis, o desafio passa a ser equilibrar oferta e demanda de energia, ampliar a capacidade de armazenamento e transmissão e evitar que novos investimentos agravem a ociosidade existente.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Stringer

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Sustentabilidade

Consulta pública sobre produtos sustentáveis no Acordo Mercosul-UE termina em 5 dias

Faltam cinco dias para o encerramento da consulta pública sobre produtos sustentáveis no Acordo Mercosul-UE. As contribuições podem ser enviadas até 2 de setembro de 2026, por meio da plataforma oficial Brasil Participativo.

A iniciativa é conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), e busca reunir sugestões para a criação de uma lista de produtos do Mercosul relacionados à conservação, recuperação e uso sustentável de florestas e outros ecossistemas vulneráveis.

Consulta busca identificar produtos da sociobiodiversidade

A participação de empresas, entidades do setor produtivo, universidades, organizações da sociedade civil e demais interessados é considerada importante para mapear produtos da sociobiodiversidade e cadeias produtivas brasileiras que estejam alinhados aos objetivos estabelecidos no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

A lista deverá contemplar produtos e atividades capazes de associar produção, comércio e sustentabilidade, valorizando cadeias que contribuam para a preservação ambiental e o uso responsável dos recursos naturais.

Produtos poderão ter benefícios no mercado europeu

Uma vez incluídos na lista, os produtos selecionados poderão ter acesso preferencial ou adicional ao mercado da União Europeia, além de outros mecanismos de incentivo destinados a estimular sua comercialização.

A consulta representa, portanto, uma oportunidade para que empresas e organizações indiquem produtos com potencial para ampliar sua presença no mercado europeu a partir de critérios relacionados à sustentabilidade.

Oportunidade para empresas e cadeias produtivas

A participação na consulta pública pode contribuir para diferentes objetivos do setor produtivo:

  • Ampliação do acesso ao mercado europeu: empresas e representantes de cadeias produtivas podem indicar produtos com potencial para integrar a lista prevista no acordo e obter possíveis vantagens comerciais.
  • Valorização da produção sustentável: as sugestões ajudam a identificar produtos da sociobiodiversidade e cadeias produtivas que conciliem atividade econômica e preservação ambiental.
  • Participação na implementação do acordo: as contribuições ajudam a construir a relação de produtos prevista no Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia.

Como enviar a contribuição

As manifestações podem ser encaminhadas até 2 de setembro de 2026 pela plataforma oficial Brasil Participativo.

A consulta é aberta ao setor produtivo, academia, sociedade civil e demais interessados em contribuir para a identificação de produtos sustentáveis com potencial de ampliar as oportunidades comerciais entre o Mercosul e a União Europeia.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/SEBRAE

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Sustentabilidade

COP17 pode adiar novamente acordo global para enfrentar as secas

A COP17 de Combate à Desertificação, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, caminha para terminar sem um acordo sobre a criação de um regime internacional específico para enfrentar as secas. Embora representantes oficiais ainda mantenham expectativas de avanço, negociadores envolvidos nas discussões apontam como provável um novo adiamento da decisão.

A conferência termina oficialmente nesta sexta-feira (28). Até o momento, Estados Unidos e União Europeia (UE) lideram a resistência à proposta, acompanhados por países sul-americanos como Argentina, Chile e Paraguai.

A tendência é que os países aprovem apenas uma decisão de caráter procedimental, mantendo o tema na agenda para a COP18, prevista para 2028 e com possível realização no Egito. Um encaminhamento semelhante ocorreu na COP16, realizada em Riad, na Arábia Saudita.

Brasil defende continuidade das negociações

O Brasil apoia a criação de um regime global para as secas, mas avalia que, diante da dificuldade de construir consenso nesta conferência, a alternativa mais viável é garantir a permanência do assunto na agenda internacional.

A própria definição desse encaminhamento exigiu negociações ao longo da semana, com participação especialmente ativa do Brasil e da Arábia Saudita.

Enquanto os Estados Unidos defendiam retirar completamente a questão dos documentos finais, países africanos pressionavam pela implementação efetiva de um mecanismo internacional.

África cobra mecanismo permanente contra a seca

A criação do regime é uma reivindicação de países africanos há pelo menos três conferências. A região enfrenta historicamente problemas relacionados à escassez de água e à expansão de áreas desérticas e busca uma resposta multilateral capaz de coordenar ações de prevenção e recuperação.

Para esses países, o mecanismo deveria incluir apoio financeiro às nações mais vulneráveis, permitindo investimentos em preparação e recuperação diante de eventos extremos.

Os governos africanos argumentam que instrumentos existentes, como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), estão concentrados em uma abordagem mais ampla de degradação das terras e não atendem especificamente às necessidades relacionadas às secas.

Países ricos resistem a compromissos obrigatórios

As nações desenvolvidas, por sua vez, demonstram resistência à criação de obrigações financeiras vinculantes. A preferência é por um modelo de participação voluntária.

A União Europeia também evita assumir novos compromissos de financiamento externo em um momento em que enfrenta seus próprios episódios de seca e outras pressões internas.

Além das questões financeiras, as negociações são atravessadas por disputas geopolíticas. Desde o início da COP17, países liderados pelos Estados Unidos vêm buscando limitar ou dificultar diferentes agendas multilaterais.

ONU mantém esperança de acordo

Como o documento final da COP17 será consolidado apenas no encerramento da conferência, representantes das Nações Unidas ainda evitam antecipar o resultado.

Andrea Meza Murillo, secretária executiva adjunta da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), afirmou que ainda trabalha pela possibilidade de um entendimento, embora reconheça o ambiente difícil.

A dirigente destacou que os governos enfrentam pressão para reconhecer a seca como um desafio de alcance global e manter a cooperação internacional.

Para Meza, a participação de sociedade civil, organizações não governamentais e setor privado também pode ajudar a manter o tema avançando mesmo diante das dificuldades políticas.

Ao mesmo tempo, ela reconheceu que o atual cenário internacional torna mais difícil alcançar compromissos multilaterais ambiciosos.

Secas estão mais frequentes e intensas

A urgência da discussão é reforçada por dados da UNCCD. Relatórios da organização apontam que a frequência, intensidade e abrangência das secas aumentaram quase 30% desde 2000.

Os efeitos já são observados em diferentes regiões do mundo, incluindo Europa, África, Ásia e América Latina.

Daniel Tsegai, coordenador do grupo de trabalho da UNCCD sobre secas, defende uma mudança na maneira como os governos lidam com o fenômeno.

Segundo o especialista, considerar a seca apenas como um desastre imprevisível deixou de ser adequado. A proposta é adotar uma estratégia permanente de prevenção e gestão de riscos, com ações antes, durante e depois dos períodos críticos.

Seca já é considerada risco sistêmico

Tsegai afirma que o problema ultrapassou os limites do setor agrícola e da simples falta temporária de chuva. A seca passou a representar um risco sistêmico, com impactos sobre hidrovias, transporte, saúde, comércio e cadeias de abastecimento.

Os efeitos também podem atravessar fronteiras. Uma crise hídrica em determinada região pode gerar consequências econômicas e logísticas em outros continentes.

Entre os exemplos citados pelo especialista estão as alterações no nível da água no Canal do Panamá e no Rio Reno, que podem afetar rotas comerciais e o fornecimento internacional de grãos.

A avaliação é de que a preparação precisa acontecer antes da ocorrência dos eventos extremos, e não somente depois que os danos já foram registrados.

Financiamento avança por iniciativas paralelas

Enquanto as negociações para um regime global permanecem travadas, projetos voltados ao financiamento da resiliência às secas avançam durante a COP17.

Um deles é a Aliança de Riad para Resiliência Global à Seca (RGDRP), que trabalha na criação de um fundo destinado a apoiar 70 países em desenvolvimento na adaptação e no enfrentamento do fenômeno.

A primeira assembleia da iniciativa ocorreu durante a conferência na Mongólia. A Arábia Saudita, que criou a aliança, anunciou um compromisso de US$ 150 milhões. O Banco Islâmico de Desenvolvimento e o fundo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sinalizaram aportes de US$ 2 bilhões.

Novo fundo busca atrair capital privado

Outra iniciativa anunciada em Ulaanbaatar foi o Fundo de Investimento para Resiliência à Seca (Drif), apresentado como uma plataforma global de financiamento catalítico.

Esse modelo utiliza recursos públicos, filantrópicos ou subsidiados para assumir riscos maiores ou aceitar retornos financeiros menores. A estratégia busca criar condições para atrair investimentos privados em escala.

O fundo foi criado pela UNCCD e pelo governo de Luxemburgo, com apoio da Aliança Internacional para Resiliência à Seca (Idra). Luxemburgo realizou um aporte inicial de US$ 2 milhões.

A meta é mobilizar até US$ 400 milhões em recursos públicos e privados para projetos relacionados à resiliência climática.

Plataforma usa inteligência artificial para mapear riscos

A COP17 também marcou a apresentação da segunda fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (Idro).

A plataforma foi desenvolvida pela UNCCD em parceria com o Centro de Ecossistemas e Arquitetura de Yale e a Idra. A nova versão representa a evolução do projeto-piloto apresentado durante a COP16.

A ferramenta pretende ajudar os países não apenas a monitorar riscos, mas também a identificar caminhos para antecipação, preparação e adaptação às secas.

O sistema utiliza o Índice de Resiliência à Seca (DRI), criado para avaliar a capacidade dos países de lidar com o fenômeno. Os dados podem apoiar a definição de políticas públicas e orientar investimentos.

A plataforma também incorpora recursos de inteligência artificial para facilitar a interpretação de informações complexas por gestores públicos, especialistas e usuários em geral.

A versão atual reúne oito estudos de caso de países distribuídos por cinco continentes e está disponível para avaliação de usuários de diferentes partes do mundo, que podem contribuir para seu aprimoramento.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Kiara Worth/UNCCD

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Sustentabilidade

Algodão brasileiro busca novos mercados com tecnologia, qualidade e sustentabilidade

O algodão brasileiro vive uma nova etapa de expansão no mercado internacional, mas o aumento da produção já não é suficiente para garantir competitividade. Com as exportações em crescimento, produtores enfrentam uma cobrança maior por qualidade, rastreabilidade, eficiência e sustentabilidade, além dos desafios relacionados ao clima, às pragas e às doenças.

Esse cenário estará no centro dos debates do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), marcado para 22 a 24 de setembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG). O evento reunirá produtores, pesquisadores, consultores, técnicos e empresas para discutir desde o manejo das lavouras até as exigências dos compradores da fibra brasileira.

Congresso debate desafios da produção de algodão

A programação do CBA inclui temas ligados à fisiologia do algodoeiro, resiliência produtiva e impactos das mudanças climáticas sobre as lavouras.

Também estão previstos debates sobre o bicudo-do-algodoeiro, outras pragas e doenças, nematologia, matologia e destruição de soqueira. Agricultura digital, melhoramento vegetal e biotecnologia completam parte da agenda científica.

As discussões avançam ainda para as etapas posteriores à produção, com conteúdos sobre colheita, beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço. A proposta é aproximar os avanços técnicos das decisões tomadas nas propriedades e das demandas de toda a cadeia produtiva.

Para Marcio Portocarrero, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o congresso acompanha as mudanças que vêm transformando a cotonicultura.

Segundo ele, o evento coloca em debate questões que vão da ciência e tecnologia à sustentabilidade, qualidade, rastreabilidade e mercado.

Produtividade precisa vir acompanhada de qualidade

A maior presença do Brasil no mercado mundial de algodão aumenta a responsabilidade do setor. A produção em larga escala precisa estar associada a padrões de qualidade capazes de atender diferentes perfis de consumidores.

Nesse contexto, a origem da fibra e as condições utilizadas em sua produção ganham importância. Rastreabilidade e transparência passam a ser fatores estratégicos para uma cadeia que pretende ampliar sua participação no comércio internacional.

Ao mesmo tempo, problemas recorrentes no campo continuam influenciando os resultados. Condições climáticas adversas, pragas, doenças e falhas de manejo podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade do algodão.

Portocarrero afirma que a expansão internacional coloca a cotonicultura brasileira diante de uma nova fase, na qual produtividade, inovação e responsabilidade precisam avançar conjuntamente.

Ciência busca soluções para os desafios do campo

A programação científica do congresso terá 12 horas de palestras distribuídas em duas plenárias. Os conteúdos abrangem diferentes etapas da produção e buscam aprofundar questões que afetam diretamente o desempenho das lavouras.

Entre os temas estão a fisiologia do algodoeiro e sua capacidade de preservar a produtividade em situações adversas. O manejo fitossanitário também terá destaque, com discussões sobre bicudo, fitopatologia, nematologia e matologia.

O período pós-colheita também será abordado. Beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço serão discutidos ao lado de melhoramento vegetal e biotecnologia.

As chamadas Plenárias Conexões ampliarão o debate para assuntos como mercado, estratégia, liderança, sustentabilidade e perspectivas para o setor. A proposta é relacionar o desenvolvimento técnico da produção às transformações que ocorrem no mercado.

Agricultura digital ganha espaço na cotonicultura

A agricultura digital vem ampliando as possibilidades de monitoramento, manejo e tomada de decisão nas propriedades. O tema será discutido no congresso junto a ferramentas como biotecnologia e melhoramento genético.

Quatro Hubs Técnicos concentrarão debates especializados. A programação também terá workshops e minicursos voltados ao aprofundamento de conteúdos e à troca de experiências entre profissionais.

A área de exposição reunirá empresas que atuam na cadeia do algodão, com apresentação de tecnologias, produtos e serviços destinados às diferentes etapas da produção e do beneficiamento.

A aproximação entre fornecedores de soluções e profissionais do campo deve facilitar o debate sobre tecnologias capazes de responder aos desafios enfrentados pela cotonicultura.

Para Portocarrero, a trajetória do algodão brasileiro foi marcada por tecnologia, profissionalização e capacidade de adaptação. Na avaliação do executivo, a próxima etapa depende de manter esse processo de evolução sem deixar de lado qualidade e responsabilidade.

Congresso reúne setor em momento de expansão

Com o tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, o 15º Congresso Brasileiro do Algodão será realizado no Expominas, em Belo Horizonte.

A edição anterior aconteceu em Fortaleza e reuniu mais de 4,2 mil participantes de 20 países e 25 estados. O encontro contou com 114 palestrantes, 62 patrocinadores, 19 hubs temáticos e 288 trabalhos científicos.

Para a edição deste ano, a organização estima a participação de aproximadamente 2.500 pessoas, entre produtores, pesquisadores, consultores, técnicos, representantes de empresas e outros profissionais.

O encontro ocorre em um momento estratégico para o setor algodoeiro brasileiro. Entre os principais desafios estão aumentar a eficiência produtiva, preservar a qualidade da fibra, incorporar novas tecnologias e atender às exigências de compradores cada vez mais atentos à sustentabilidade e à origem dos produtos.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Sustentabilidade

Norsul reduz 13 mil toneladas de CO₂ com tecnologia e eficiência energética na cabotagem

A Norsul, empresa de navegação de cabotagem, reduziu em cerca de 13 mil toneladas as emissões de CO₂ de sua frota ao combinar tecnologias de eficiência energética com medidas de otimização operacional.

A estratégia adotada pela companhia tem como foco diminuir o consumo de combustíveis fósseis e tornar a operação dos navios mais eficiente. Entre as ações estão ajustes de velocidade, planejamento de rotas, melhor aproveitamento da frota e adoção de soluções tecnológicas voltadas à redução do atrito das embarcações.

Entre 2023 e 2025, a Norsul registrou uma queda significativa na intensidade das emissões de gases de efeito estufa por milha navegada, tomando 2022 como ano-base. O resultado indica o impacto acumulado das iniciativas implementadas pela empresa.

“Essas medidas mostram que a redução de emissões não depende apenas de novos combustíveis, mas também de dados e tecnologia aplicados à operação do dia a dia. É um caminho que já está em nossas mãos e que temos usado para reduzir custos, aumentar a confiabilidade da frota e diminuir nosso impacto ambiental”, afirma João Bottoni, gerente executivo de Frota da Norsul.

Segundo o executivo, além de contribuir para a redução de emissões, as medidas ajudam a diminuir custos e aumentar a confiabilidade da frota.

Tecnologia reduz atrito no casco dos navios

Uma das soluções adotadas pela Norsul está relacionada ao revestimento anti-incrustante de silicone aplicado ao casco de uma das embarcações durante uma docagem realizada em 2025.

A empresa utilizou uma tecnologia eletrostática para aplicar o revestimento. A solução cria uma superfície com menor atrito, reduzindo a resistência encontrada pelo navio durante a navegação e, consequentemente, o esforço necessário para seu deslocamento.

Além do ganho de eficiência energética, a tecnologia também diminui a perda de tinta para a atmosfera durante a aplicação, segundo Bottoni.

“O revestimento anti-incrustante de alta performance aumenta a eficiência energética do navio e a aplicação com essa tecnologia reduz a perda de tinta para atmosfera por overspray”, explica.

Sistema eletromagnético combate incrustações marinhas

Outra frente de atuação envolve uma solução desenvolvida pela BioRen, empresa do grupo Lorinvest, que também controla a Norsul.

O sistema utiliza componentes eletrônicos e um algoritmo próprio para produzir pulsos elétricos com diferentes frequências e potências. Esses pulsos formam um campo eletromagnético que atua sobre as superfícies expostas da embarcação.

A tecnologia gera uma corrente elétrica randômica no casco, dificultando a formação de incrustações marinhas. O mecanismo é especialmente relevante quando os navios permanecem longos períodos sem navegar, já que o acúmulo de organismos no casco aumenta o atrito com a água.

De acordo com estudos alinhados à ISO 19030 e às referências da International Towing Tank Conference, tecnologias anti-incrustantes desse tipo podem reduzir em até 35% as emissões de CO₂ e diminuir em até 20% a potência necessária para a navegação em comparação com métodos tradicionais.

Painéis solares e monitoramento também fazem parte da estratégia

A Norsul mantém outras iniciativas voltadas à eficiência energética na navegação. Entre elas está o Propeller Boss Cap Fins, dispositivo instalado na hélice que reduz a formação de vórtices e pode proporcionar economia de combustível de até 5%, com redução proporcional das emissões.

A companhia também instalou painéis solares em barcaças fundeadas, permitindo substituir parte do funcionamento de geradores movidos a diesel.

Outra frente utiliza Internet das Coisas (IoT) e softwares de monitoramento para acompanhar o desempenho operacional das embarcações e identificar oportunidades de ganho de eficiência.

A empresa ainda estuda alternativas para permitir o fornecimento de energia elétrica em terra aos navios durante períodos de permanência nos portos, reduzindo a necessidade de utilização dos equipamentos de geração de energia a bordo.

Eficiência prepara empresa para transição energética

Para a Norsul, as medidas de eficiência ganham importância diante do processo de descarbonização do transporte marítimo. Embora combustíveis alternativos aos derivados de petróleo já estejam disponíveis, a adoção em larga escala ainda enfrenta desafios relacionados a custos e disponibilidade.

“Os combustíveis alternativos aos fósseis já são uma realidade e uma rota para a descarbonização da navegação, mas ainda não alcançaram escala e competitividade de custo suficientes para uma adoção em massa pela indústria”, explica Bottoni.

Nesse cenário, a companhia considera que investir desde já em tecnologias capazes de reduzir o consumo de combustível ajuda a preparar a operação para uma futura mudança na matriz energética do setor.

As emissões da empresa são acompanhadas por meio do Inventário de Emissões da Norsul, publicado no registro público do Programa Brasileiro GHG Protocol. Os resultados também foram apresentados no mais recente Relatório de Sustentabilidade da companhia.

FONTE: Norsul
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NORSUL

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Sustentabilidade

Ministério de Portos e Aeroportos atualiza diagnóstico de sustentabilidade nos setores portuário, aeroportuário e de navegação

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) iniciou a atualização do diagnóstico sobre sustentabilidade nos setores portuário, aeroportuário e de navegação. A segunda edição do levantamento busca identificar a evolução das práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) adotadas pelas organizações que atuam nesses segmentos.

A iniciativa dá continuidade ao trabalho realizado em 2025, quando o ministério elaborou um panorama inicial sobre as ações de sustentabilidade nos três setores. Agora, a proposta é ampliar a participação das empresas e organizações e comparar os novos resultados com a linha de base estabelecida na primeira edição.

Conduzido pela Diretoria de Sustentabilidade do MPor, o levantamento pretende identificar avanços, mapear desafios e destacar iniciativas que possam servir de referência para outras organizações.

Diagnóstico apoia políticas de sustentabilidade

Além de acompanhar a evolução das práticas ESG, o diagnóstico deve contribuir para o planejamento das ações do ministério. A iniciativa busca conciliar desenvolvimento econômico, inclusão social e uma infraestrutura logística mais sustentável.

O levantamento também reforça a importância da transparência e da responsabilidade socioambiental nos setores que integram a infraestrutura de transportes do país.

Descarbonização e inclusão estão entre os temas avaliados

O diagnóstico reúne diferentes dimensões da sustentabilidade. Na área ambiental, são analisadas iniciativas como descarbonização, inventários de emissões, regularização ambiental e adoção de fontes de energia mais limpas.

No aspecto social, entram ações voltadas à capacitação profissional, inclusão, diversidade, acessibilidade, prevenção e combate ao assédio, além do relacionamento com comunidades.

Já no eixo de governança, o levantamento considera práticas relacionadas à transparência, compliance, auditorias e políticas internas.

Na primeira edição, realizada em 2025, todas as empresas participantes do setor aéreo declararam desenvolver projetos de descarbonização, regularização ambiental, iniciativas sociais e ações de combate ao assédio.

Entre os participantes do setor portuário, 96,2% informaram possuir regularização ambiental. Já 73,1% disseram manter uma política de sustentabilidade e a mesma parcela afirmou desenvolver projetos de descarbonização.

Empresas podem participar até setembro

Empresas e organizações dos setores portuário, aeroportuário e de navegação são convidadas a contribuir com a atualização do diagnóstico. A participação busca ampliar a representatividade dos dados e oferecer um retrato mais abrangente das práticas adotadas nos diferentes modais.

As informações coletadas poderão apoiar a elaboração e o aprimoramento de políticas públicas, programas e ações de sustentabilidade voltados à infraestrutura logística brasileira.

O formulário de participação ficará disponível até 30 de setembro de 2026.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos

TEXTO; Redação

IMAGEM: Magnific

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Sustentabilidade

Indústrias verdes chinesas aceleram transição sustentável do Brasil

A expansão de tecnologias verdes chinesas no Brasil vai além da importação de produtos. Empresas dos dois países vêm ampliando parcerias, investimentos e operações locais em setores como mobilidade elétrica, energia renovável, infraestrutura e indústria de baixo carbono.

O movimento indica uma aproximação entre as estratégias de desenvolvimento sustentável de Brasil e China, com a incorporação de tecnologias chinesas às cadeias produtivas brasileiras.

Veículos elétricos ganham espaço no mercado brasileiro

No setor automotivo, as montadoras chinesas ampliaram sua presença no Brasil. Em julho de 2026, três modelos totalmente elétricos fabricados por empresas chinesas — BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin e Geely EX2 — apareceram entre os dez veículos leves mais vendidos no país, segundo a Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave).

O Brasil também ganhou relevância como destino das exportações automotivas chinesas. Entre janeiro e junho de 2026, foram enviadas ao país 410.825 unidades, colocando o mercado brasileiro na segunda posição entre os principais destinos. Em 2025, o Brasil ocupava o quinto lugar.

A aproximação entre empresas chinesas e brasileiras também avança por meio de acordos industriais. Um exemplo é a parceria entre Geely e Renault, formalizada como joint venture em novembro de 2025.

A Geely fornece sua plataforma GEA, desenvolvida para veículos elétricos, híbridos plug-in e modelos movidos a metanol-elétrico. A Renault, por sua vez, oferece experiência industrial acumulada no país ao longo de 27 anos, período em que produziu mais de 3,5 milhões de veículos.

As vendas acumuladas de veículos de nova energia da Geely no Brasil já ultrapassaram 20 mil unidades. Somente em julho, o EX2 registrou 5.898 emplacamentos.

Segundo a empresa, a estratégia passa por adaptar as tecnologias às características de cada mercado. Ao menos oito marcas chinesas já produzem veículos no Brasil ou anunciaram planos para instalar produção local.

Tecnologia chinesa chega à infraestrutura industrial

A presença chinesa no processo de transição energética brasileira também se estende ao setor elétrico.

A CHINT atua no Brasil há mais de duas décadas e estruturou uma operação local que reúne atividades comerciais, fabricação, entrega e pesquisa e desenvolvimento.

Em 2025, a companhia inaugurou uma fábrica de medidores inteligentes em Manaus, gerando empregos e ampliando a oferta de tecnologias voltadas ao setor elétrico brasileiro e latino-americano.

Para Shan Hao, gerente nacional da CHINT Global no Brasil, a transferência de conhecimento em eletricidade e novas fontes de energia contribui para aprofundar a cooperação energética e apoiar a redução das emissões de carbono.

Empilhadeiras elétricas substituem modelos a combustão

Outro exemplo está no setor de equipamentos industriais. A chinesa EP Equipment, sediada em Zhejiang, é especializada na fabricação de empilhadeiras elétricas e autônomas.

A empresa lidera há 13 anos consecutivos as vendas de empilhadeiras elétricas para armazéns na China e oferece equipamentos com capacidades que variam de 0,6 a 45 toneladas.

Uma das soluções desenvolvidas pela companhia é a chamada remanufatura circular, que permite transformar antigas empilhadeiras a diesel em equipamentos movidos por baterias de lítio. A tecnologia busca reduzir resíduos, emissões e custos operacionais.

Para atender às condições brasileiras, marcadas por clima tropical, poeira, terrenos com lama e operações com cargas pesadas, a empresa afirma ter reforçado a resistência dos equipamentos e desenvolvido modelos com maior autonomia e baterias de troca rápida.

A estratégia, segundo a EP Equipment, é levar ao mercado brasileiro experiências chinesas em automação industrial e desenvolvimento sustentável.

State Grid amplia infraestrutura de energia limpa

Na área de transmissão, a State Grid iniciou a construção de sua terceira linha de ultra-alta tensão (UHV) no Brasil.

O projeto, com tensão de ±800 kV, será instalado na região Nordeste e terá 1.468 quilômetros de extensão. A infraestrutura será financiada, construída e operada pela subsidiária brasileira da companhia, sob uma concessão de 30 anos.

A linha deverá transportar energia renovável produzida no Nordeste para centros consumidores das regiões Centro e Leste do país.

Com capacidade de 5 milhões de kW, a previsão é que o empreendimento entre em operação plena em 2029. Segundo as estimativas apresentadas, poderá viabilizar o consumo de mais de 20 bilhões de kWh de energia limpa por ano e evitar a emissão de aproximadamente 6,84 milhões de toneladas de dióxido de carbono.

Brasil e China aproximam estratégias de desenvolvimento verde

Para especialistas, os projetos empresariais fazem parte de uma aproximação mais ampla entre Brasil e China em torno da economia verde.

José Medeiros da Silva, professor e diretor do Centro de Estudos de Brasil da Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang, afirma que o conceito chinês de civilização ecológica procura integrar a proteção ambiental à estratégia de desenvolvimento econômico.

Na avaliação do professor, Brasil e China enfrentam desafios distintos, mas complementares. Enquanto o Brasil precisa conciliar a força dos setores agrícola e mineral com a preservação de seus biomas e da biodiversidade, a China busca combinar desenvolvimento industrial e recuperação ambiental.

A cooperação entre os dois países, segundo ele, pode contribuir para soluções que conciliem crescimento econômico, inclusão social e sustentabilidade.

Investimentos chineses em energia limpa avançam

Zhou Zhiwei, diretor-executivo do centro de estudos brasileiros e diretor do departamento de relações internacionais do Instituto da América Latina da Academia Chinesa de Ciências Sociais, também vê convergência entre as estratégias ambientais dos dois países.

Segundo ele, a experiência chinesa em governança ambiental pode oferecer referências ao Brasil, enquanto os dois países podem ampliar a cooperação em áreas relacionadas à sustentabilidade.

O Brasil foi o principal destino dos investimentos chineses em 2025, recebendo US$ 6,1 bilhões distribuídos em 52 projetos, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China.

Pelo quinto ano consecutivo, cresceram os investimentos chineses em projetos relacionados à sustentabilidade e energia limpa. Ao todo, foram lançados 31 projetos envolvendo geração hidrelétrica, solar e eólica, além de mobilidade elétrica.

Nova Indústria Brasil abre espaço para cooperação

Zhou também apontou semelhanças entre o programa Nova Indústria Brasil e a estratégia chinesa de desenvolvimento verde.

A política brasileira coloca a reindustrialização entre suas prioridades, enquanto a experiência chinesa reúne investimentos em infraestrutura, modernização industrial e inovação tecnológica.

Nesse contexto, áreas como transição energética, desenvolvimento sustentável, inovação e reindustrialização podem ampliar as oportunidades de cooperação bilateral.

Fundo de US$ 1 bilhão deve financiar projetos sustentáveis

A parceria financeira entre os dois países também ganha força. O BNDES e o China EximBank trabalham na criação de um fundo de investimento de US$ 1 bilhão, com previsão de lançamento em 2026.

O banco chinês deverá contribuir com US$ 600 milhões, enquanto o BNDES entrará com US$ 400 milhões.

Os recursos deverão apoiar projetos em segmentos como energia verde, infraestrutura, bioeconomia, mineração, agricultura, economia digital e inteligência artificial.

Para Zhou, o modelo de cooperação entre Brasil e China pode servir de referência para outras economias do Sul Global. A combinação de capital, tecnologia e escala industrial chineses com os recursos naturais e a demanda brasileira por industrialização sustentável cria, segundo ele, oportunidades de benefício mútuo.

A avaliação é que a transição para uma economia de baixo carbono pode deixar de ser apenas um desafio ambiental e se transformar também em vetor de crescimento econômico e modernização industrial.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Xinhua/Yin Dongxun

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Sustentabilidade

Embraer E175 faz voo comercial com eSAF e mostra novo caminho para a aviação sustentável

Uma aeronave da Embraer realizou nos Estados Unidos um voo comercial abastecido com eSAF, combustível sustentável de aviação produzido a partir de dióxido de carbono (CO₂), água e eletricidade de fontes renováveis.

O teste representa um avanço na busca por alternativas ao querosene tradicional e reforça o potencial dos combustíveis sintéticos para reduzir as emissões do setor aéreo sem exigir a substituição imediata da frota atualmente em operação.

Os eSAFs utilizam hidrogênio produzido com energia renovável e carbono capturado da atmosfera ou de resíduos industriais. Segundo estimativas apresentadas no projeto, essa tecnologia pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com o combustível convencional.

Apesar do potencial, a produção global de SAF (Sustainable Aviation Fuel) ainda corresponde a menos de 1% de todo o combustível consumido pela aviação.

Embraer E175 realiza voo de 30 minutos no Texas

O voo foi realizado pela American Airlines, maior companhia aérea do mundo, em parceria com a empresa de combustíveis sintéticos Infinium.

O avião utilizado foi um Embraer E175-E1, que decolou do Aeroporto Internacional de Corpus Christi e pousou no Aeroporto Internacional de Dallas Fort Worth, ambos no Texas. A viagem teve duração aproximada de 30 minutos.

O E175 é um jato regional bimotor desenvolvido pela fabricante brasileira para operações de curta e média distância. A aeronave utilizada no teste conta com dois motores turbofan General Electric CF34, uma família de propulsores convencionais amplamente empregada na aviação regional.

O uso do eSAF em uma aeronave equipada com motores convencionais é um dos pontos de destaque do teste. A experiência demonstra que o combustível sustentável pode ser utilizado na infraestrutura e em aeronaves já presentes no mercado, sem depender necessariamente de uma renovação completa da frota.

American Airlines investe em combustíveis sintéticos

A operação faz parte de uma estratégia mais ampla da companhia aérea para desenvolver uma cadeia comercial de eFuels.

Em Corpus Christi, a American Airlines conduz o Project Pathfinder, sua primeira instalação comercial voltada à produção de combustíveis sintéticos. A iniciativa busca fabricar eFuels em escala comercial utilizando a infraestrutura de aviação existente.

No oeste do Texas, outro projeto amplia a aposta na tecnologia. O Project Roadrunner foi planejado para produzir aproximadamente 23 mil toneladas por ano de eSAF e outros combustíveis sintéticos quando estiver em operação.

A estrutura também prevê 100 MW de capacidade de produção de hidrogênio e 150 MW de capacidade de energia eólica contratada por meio de um acordo de fornecimento de eletricidade.

Projeto Atlas quer produzir 100 mil toneladas de eSAF por ano

A parceria entre a American Airlines e a Infinium também prevê uma estratégia de longo prazo para ampliar a oferta do combustível.

As empresas trabalham no Project Atlas, iniciativa que tem como objetivo alcançar uma produção anual de 100 mil toneladas de eSAF para atender à indústria de aviação comercial até 2029.

Além de participar do desenvolvimento do voo experimental, a American Airlines firmou uma parceria para adquirir futuramente volumes comerciais do combustível produzido pela Infinium.

A estratégia mostra como as companhias aéreas começam a buscar alternativas capazes de reduzir a pegada de carbono da aviação sem depender exclusivamente de novas tecnologias de motores ou aeronaves.

Hidrogênio é um dos principais desafios

Apesar do potencial dos combustíveis sintéticos, a expansão do eSAF ainda enfrenta obstáculos importantes. Um dos principais está relacionado à própria cadeia de produção, transporte e armazenamento do hidrogênio.

Em voos comerciais de longa distância, a quantidade de hidrogênio necessária pode representar um desafio adicional. O combustível pode aumentar o peso da aeronave e, consequentemente, elevar a quantidade de energia necessária para a operação.

Por outro lado, os eSAFs apresentam uma vantagem importante: possuem alta densidade energética e podem ser misturados ao combustível convencional ou utilizados em motores já existentes.

Essa característica reduz a necessidade de mudanças imediatas na infraestrutura aeroportuária e na frota comercial.

Aviação responde por até 2,5% das emissões de CO₂

A busca por combustíveis de menor impacto ambiental ganhou importância diante da participação da aviação nas emissões globais.

Atualmente, o setor aéreo é responsável por aproximadamente 2% a 2,5% das emissões de dióxido de carbono (CO₂) produzidas pelas atividades humanas. As operações comerciais representam cerca de 81% desse volume.

Por isso, o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis para aviação tornou-se uma das principais estratégias para reduzir as emissões do setor.

Entre as alternativas atualmente utilizadas estão biocombustíveis e combustíveis produzidos a partir de óleos reciclados. Os eSAFs surgem como uma opção adicional, principalmente por utilizarem carbono capturado e hidrogênio produzido com energia renovável.

Estados Unidos estabelecem metas para o combustível sustentável

O governo norte-americano também estabeleceu metas ambiciosas para ampliar a produção de SAF.

Por meio do SAF Grand Challenge, iniciativa que reúne diferentes órgãos do governo dos Estados Unidos, a meta é alcançar uma produção mínima de 3 bilhões de galões de combustível sustentável por ano até 2030.

Para 2050, o objetivo é elevar esse volume para 35 bilhões de galões anuais.

Nesse cenário, o voo realizado com o Embraer E175 representa mais do que um teste de combustível. A operação ajuda a avaliar como os eSAFs podem ser incorporados à aviação comercial convencional e contribuir para a transição do setor rumo a uma matriz energética com menor emissão de carbono.

FONTE: Fórum
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wikipedia

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Sustentabilidade

Data center do Google na Índia enfrenta protestos por impactos ambientais e uso de água

O projeto do data center do Google na Índia, avaliado em cerca de US$ 15 bilhões, enfrenta crescente resistência de ambientalistas e moradores devido a preocupações relacionadas ao consumo de água e aos possíveis impactos sobre áreas de preservação ambiental.

As obras já avançam no estado de Andhra Pradesh, no sul do país, onde uma grande área foi preparada para receber o complexo tecnológico. Apesar do apoio do governo estadual, que considera o investimento histórico para o desenvolvimento regional, o empreendimento passou a ser alvo de ações judiciais e manifestações públicas.

Ambientalistas questionam consumo de água

Um dos principais pontos levantados pelos críticos é a elevada demanda por água para o funcionamento do data center, especialmente para o resfriamento dos servidores.

Segundo dados do governo estadual, a cidade de Visakhapatnam recebe diariamente cerca de 410 milhões de litros de água, enquanto a necessidade estimada chega a 480 milhões de litros. O déficit já resulta em racionamentos frequentes para uma população de aproximadamente 2,5 milhões de habitantes.

Nos últimos dias, ativistas realizaram protestos nas ruas da cidade com faixas que chamavam atenção para a escassez hídrica, defendendo que o desenvolvimento tecnológico não comprometa o abastecimento da população.

Google afirma que utilizará tecnologia para reduzir consumo

Em resposta às críticas, o Google informou que o empreendimento seguirá todas as exigências legais e adotará sistemas avançados de resfriamento por ar, tecnologia que reduz significativamente o uso de recursos hídricos em comparação aos métodos tradicionais.

O governo de Andhra Pradesh também rejeitou as acusações de que o projeto tenha sido aprovado sem estudos adequados e afirmou estar disposto a esclarecer eventuais dúvidas apresentadas pela sociedade civil.

Segundo as autoridades, o abastecimento do complexo não utilizará água destinada ao consumo residencial nem recursos provenientes de reservatórios utilizados pelas comunidades locais.

Proximidade de reserva ambiental amplia controvérsia

Além das preocupações com o abastecimento hídrico, organizações ambientais questionam a localização do empreendimento, situado a cerca de 860 metros do Santuário de Vida Selvagem de Kambalakonda.

A área abriga espécies como leopardos e pangolins, e ambientalistas argumentam que a movimentação intensa de máquinas e a poluição sonora podem afetar o ecossistema.

O governo estadual afirma que a distância entre o empreendimento e a unidade de conservação está dentro dos limites estabelecidos pela legislação. Já o Google informou que adotará medidas para minimizar o ruído durante a operação do complexo.

Projeto enfrenta ações judiciais

As contestações ao empreendimento já chegaram ao Judiciário. A Suprema Corte de Andhra Pradesh analisa uma ação apresentada pelo grupo Jal Biradari, que questiona os possíveis impactos do projeto sobre a disponibilidade de água na região. Uma nova audiência está marcada para 24 de agosto.

Paralelamente, outras três ações tramitam no tribunal ambiental da Índia, movidas pelo Human Rights Forum, que pede a suspensão das obras até que sejam realizados estudos mais detalhados sobre os impactos ambientais e o uso dos recursos hídricos.

Investimento prevê geração de empregos

O data center do Google está sendo desenvolvido em parceria com o grupo do empresário indiano Gautam Adani e é considerado um dos maiores investimentos da empresa no país.

A expectativa é que o empreendimento gere até 188 mil empregos diretos e indiretos, reforçando a estratégia da companhia de expandir sua infraestrutura digital na Índia. Ao mesmo tempo, o projeto se tornou símbolo do desafio de equilibrar crescimento tecnológico, desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Priyanshu Singh

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Sustentabilidade

Rastreabilidade da soja e da carne bovina ganha propostas para reduzir riscos ambientais no Brasil

O Brasil possui uma estrutura avançada de acompanhamento das cadeias produtivas de soja e carne bovina, mas ainda precisa integrar melhor as ferramentas já existentes de rastreabilidade ambiental. A conclusão faz parte de um estudo que avaliou 21 iniciativas voltadas ao monitoramento socioambiental de dois dos principais produtos da agropecuária brasileira.

O levantamento, intitulado “Rastreando a Responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil”, foi divulgado pela organização ambiental WRI Brasil e analisa a capacidade do país de responder às novas demandas do mercado internacional por transparência e controle ambiental.

Pesquisa avalia sistemas de monitoramento da produção agropecuária

O estudo analisou dez iniciativas relacionadas à cadeia produtiva da soja e outras 11 ligadas à produção de carne bovina. Os mecanismos avaliados têm como objetivo acompanhar e verificar práticas produtivas nos biomas Amazônia e Cerrado, especialmente em relação ao uso da terra e ao desmatamento.

Após comparar os diferentes modelos existentes, os pesquisadores apresentaram dez recomendações para fortalecer os sistemas atuais de controle, ampliar a transparência e contribuir para a formulação de políticas públicas.

Recomendações para melhorar a rastreabilidade ambiental

Entre as principais medidas sugeridas pelo estudo estão:

  • Adotar a propriedade rural como principal unidade de monitoramento das cadeias produtivas;
  • Utilizar bases oficiais, com dados governamentais e informações validadas cientificamente;
  • Garantir conformidade com o Código Florestal Brasileiro e combater violações relacionadas ao trabalho forçado;
  • Ampliar auditorias independentes e divulgar relatórios de transparência;
  • Expandir o acompanhamento para todos os biomas brasileiros;
  • Assegurar que não tenha ocorrido desmatamento ilegal após o marco temporal de 2008;
  • Garantir o compromisso de desmatamento zero após agosto de 2020, alinhado às exigências nacionais e internacionais;
  • Monitorar toda a cadeia de fornecedores, incluindo os fornecedores indiretos;
  • Criar mecanismos para reinserção de produtores que regularizem situações de não conformidade;
  • Estabelecer uma gestão participativa com diferentes setores envolvidos.

Rastreabilidade pode fortalecer relações comerciais internacionais

Para a diretora do Programa de Florestas e Uso da Terra do WRI Brasil, Mariana Oliveira, o avanço dos sistemas de monitoramento ambiental pode contribuir para um modelo de desenvolvimento rural mais sustentável.

Segundo ela, a integração das ferramentas existentes também pode facilitar a atuação de diferentes agentes envolvidos no processo, como instituições financeiras, investidores e compradores internacionais.

A especialista destaca que algumas instituições financeiras brasileiras já utilizam bancos de dados oficiais e privados para avaliar riscos. A expectativa é que esse modelo também seja incorporado por organizações globais, como bancos de desenvolvimento e investidores internacionais.

China é um dos mercados interessados em maior transparência

O estudo aponta a China como um exemplo de mercado que poderia se beneficiar de protocolos mais estruturados de rastreabilidade da soja e da carne bovina. Em 2024, o país importou do Brasil US$ 44,6 bilhões em produtos dessas duas cadeias.

Com a integração das bases de dados e a padronização dos critérios técnicos entre diferentes órgãos públicos, compradores internacionais teriam mais segurança para avaliar riscos socioambientais relacionados aos produtos brasileiros.

Os pesquisadores defendem que o Brasil fortaleça a cooperação com grandes mercados consumidores, criando mecanismos que conciliem competitividade comercial e preservação ambiental.

Sistemas eficientes podem gerar benefícios no campo

Mariana Oliveira ressalta que a discussão sobre rastreabilidade vai além do atendimento às exigências comerciais. Para ela, a construção de sistemas mais eficientes pode aproximar o setor produtivo de um modelo de desenvolvimento com maior geração de renda, empregos e oportunidades para produtores rurais.

A especialista destaca ainda que investimentos em inovação tecnológica, mecanização e cooperação internacional podem ampliar os benefícios econômicos e sociais para as regiões produtoras de commodities agrícolas.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fernando Frazão/Agência Brasil

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