Comércio Exterior, Economia, Exportação, Gestão, Mercado Internacional, Negócios, Notícias

Por Que a Exportação de Carne para o Japão é Estratégico para o Brasil

Como essa abertura de mercado pode ser um grande incentivo para investir ainda mais em qualidade

A notícia de que o Brasil finalmente irá exportar carne bovina para o Japão é um marco para o setor. Quem acompanha a pecuária sabe que não se trata apenas de abrir um novo mercado: estamos falando de um dos países mais exigentes do mundo quando se trata de qualidade, segurança alimentar e rastreabilidade. Dominado pelos Estados Unidos e Austrália, que conseguem atender a esses padrões, conquistar o mercado japonês é um reconhecimento significativo para a evolução da produção brasileira.

Falo isso com conhecimento de causa. Trabalhei na Austrália, em confinamentos cuja produção eram 100% voltadas ao Japão. Foi ali que tive contato de perto com os critérios rigorosos que o país exige para aceitar a carne que importa. A nutrição dos animais seguia protocolos específicos, garantindo que a carne tivesse exatamente o marmoreio esperado pelo consumidor japonês. Além, é claro, os criadores de onde eram originados os animais precisavam oferecer animais padronizados e selecionados a dedo pelo time de originação.

O Japão possui um dos sistemas mais sofisticados do mundo para o monitoramento da produção pecuária, com um Número de Identificação Individual para cada animal, garantindo transparência ao longo da cadeia produtiva, desde o nascimento até a venda ao consumidor final. A exigência assegura a segurança alimentar e fortalece a confiança do consumidor japonês na procedência do produto.

Ainda não sabemos quais protocolos serão adotados para a carne brasileira a ser exportada, mas olhando para nossa pecuária, não há dúvidas de que evoluímos muito nos últimos anos. Por muito tempo, nossa produção já foi mais voltada para volume do que para qualidade. Isso mudou. O país avançou em genética, nutrição, manejo e rastreabilidade, o que nos permitiu chegar ao nível necessário para atender mercados exigentes.

O Japão é um mercado estratégico, sendo o sétimo maior importador global de carne bovina, com cerca de 700 mil toneladas ao ano – o que equivale a 57% de seu consumo interno, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Já o Itamaraty aponta uma participação ainda maior, estimando que 70% da carne consumida no país seja importada, movimentando entre US$ 3 e US$ 4 bilhões por ano. A oportunidade tem um potencial gigante, mas também traz à tona a necessidade de garantir um fornecimento consistente e competitivo.

A mecanização tem ajudado muito a garantir mais eficiência e padronização na produção, assim como aumentar a taxa de desfrute do rebanho. Hoje, contamos com equipamentos que permitem um controle mais preciso da alimentação do rebanho, o que reflete diretamente na qualidade e sabor da carne. Sistemas de mistura e distribuição de ração, por exemplo, reduzem o desperdício e garantem que os animais recebam uma dieta balanceada, sem variações. Adotar práticas de manejo de excelência na produção é essencial quando se busca atender a padrões rigorosos como os do Japão.

Mas se queremos realmente consolidar essa nova fase da pecuária brasileira, é preciso ir além. A rastreabilidade precisa ser mais ampla e eficiente, para que todo o processo, desde a fazenda até o frigorífico, seja transparente e confiável. Precisamos garantir que a carne que sair daqui chegará ao Japão sem risco de interrupções por questões sanitárias.

E, acima de tudo, devemos entender que esse mercado não quer apenas um produto de qualidade — ele quer consistência. Isso significa que não basta conseguir exportar um primeiro lote para o Japão. Há o desafio de garantir que a carne brasileira mantenha o padrão exigido a longo prazo, sem falhas.

Para o pecuarista brasileiro, essa abertura de mercado pode ser um grande incentivo para investir ainda mais em qualidade. O consumidor japonês paga mais por um produto premium e, se soubermos aproveitar essa oportunidade, podemos fortalecer ainda mais a pecuária nacional. Os preços de exportação para o Japão são cerca de 29% mais altos do que a média da carne bovina brasileira, o que pode trazer ganhos expressivos para os produtores. Mas isso exige comprometimento com boas práticas, tecnologia e, principalmente, uma visão estratégica de longo prazo.

A entrada no Japão é uma vitória para o setor, mas não um ponto final. Pelo contrário, é o começo de uma nova etapa que exigirá ainda mais profissionalismo e rigor. Agora, cabe a nós mostrar que o Brasil está realmente preparado para o desafio.

FONTE: Forbes
Por Que a Exportação de Carne para o Japão é Estratégico para o Brasil

Ler Mais
Economia, Informação, Internacional, Negócios, Notícias

Trump suspende lei que levou a multa bilionária da Odebrecht e Petrobras

Legislação que permitiu EUA processar empresas estrangeiras ajudou a minar concorrentes, apontam especialistas

Em 10 de fevereiro, Donald Trump emitiu uma ordem executiva para que o Departamento de Justiça suspenda a aplicação da Lei de Práticas Corruptas no Exterior, a Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) por 180 dias e reavalie a estratégia para novos processos. Segundo a ordem, a segurança nacional americana “depende em parte substancial da obtenção de vantagens comerciais estratégicas pelos Estados Unidos e pelas suas empresas, seja em minerais críticos, portos de águas profundas ou outras infraestruturas ou ativos essenciais”. O presidente a acusa a FCPA de impedir empresas americanas de irem contra “práticas de negócios rotineiras em outros países” e prejudicar a “competitividade americana”.

Porém, segundo diversos estudiosos, desde 1988, quando a FCPA foi reformada, ela tem sido usada prioritariamente contra empresas estrangeiras, e não americanas. Essa mudança na legislação permitiu o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) investigue e puna, nos Estados Unidos, atos de corrupção que envolvam autoridades estrangeiras praticados por empresas e pessoas estrangeiras, independente de onde tenham ocorrido – basta que tenha havido transferência de dinheiro por algum banco americano, que se vendam ações de empresas envolvidas na bolsa nos EUA, ou até mesmo que a propina tenha sido paga em dólares.

Foi esse o caso da Odebrecht e da Petrobras. Em dezembro de 2016, a Odebrecht, junto com sua subsidiária Braskem, fez um acordo com o DOJ no qual ambas concordaram em pagar um mínimo de US$ 3,2 bilhões aos EUA, Suíça e Brasil – total depois reduzido para 2,6 bilhões de dólares – pelas práticas de corrupção ocorridas. Na época, foi o maior acordo global de corrupção internacional. Já a Petrobras fechou acordo em 1,8 bilhão de dólares com o governo americano em 2018.

Ambas foram processadas pelo DOJ nos Estados Unidos por corrupção ocorrida no Brasil através de depoimentos e evidências obtidas em aliança com a Força-Tarefa de Curitiba, durante a Operação Lava Jato.

Por que isso importa?

  • A Lei de Práticas Corruptas no Exterior (FCPA) permitiu aos EUA processar empresas brasileiras como a Petrobras e a Odebrecht, no contexto da Operação Lava Jato.
  • A legislação é apontada como uma ferramenta para o país minar concorrência estrangeira em mercados estratégicos para os EUA.

As multas aplicadas foram, inclusive, divididas com o Brasil. O caso mais notório foi o da Petrobras, cuja multa foi alvo de disputas judiciais porque seria usada, originalmente, para criar uma fundação para o combate à corrupção, com forte influência do Ministério Público Federal em Curitiba (MPF). A fundação foi posteriormente suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Como a Agência Pública revelou, na mesma época Deltan Dallagnol e Sergio Moro abriram empresas para ministrar cursos e palestras anticorrupção.

As negociações da divisão dos valores ocorreram desde 2015. Segundo os diálogos vazados ao Intercept Brasil e compartilhados com a Pública, os procuradores de Curitiba valeram-se da pressão dos EUA para ampliar as multas e pressionar investigados a colaborar.

Procurador do MPF e coordenador da força tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Procurador do MPF e coordenador da força tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Lei ajudou EUA a minar concorrência estrangeira

Para a pesquisadora e jurista Maria Virgínia Mesquita Nasser, doutora em direito econômico pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em direito pela London School of Economics and Political Science (LSE), a FCPA nunca foi “o Santo Graal do combate à corrupção”. “O mais grave é o barulho tremendo que ele [Trump] faz. E a narrativa que ele põe nisso, afirmando que a FCPA tira a competitividade das empresas americanas, como se o único fator de competitividade internacional fosse o poder de subornar autoridades estrangeiras.”

Nasser é autora do livro Previsível mas problemático: o papel dos EUA na Operação Lava Jato, por força do FCPA, com Paula Maria Bertran, escrito a partir de pesquisas de documentos do próprio governo americano e da literatura acadêmica. Elas demonstram que, dos dez maiores acordos fechados pelo DOJ entre 1977 e 2019, apenas uma empresa era americana – a Halliburton.

“Quando a gente olha com atenção, na verdade a FCPA incidiu majoritariamente sobre empresas estrangeiras atuando em mercados preferenciais para os EUA. A FCPA é bastante seletiva em termos de segmento – indústria farmacêutica, gás e petróleo, que são mercados estratégicos para os EUA”, diz Nasser.

Ou seja: nas últimas duas décadas, a FCPA ajudou a minar a concorrência a empresas americanas, e não o contrário, como alega Trump.

Para a especialista, a lei se tornou uma ferramenta de soft power econômico dos Estados Unidos. “A gente só chama de ‘soft’ porque não explodiu nenhuma bomba, mas era um ‘hard power’ americano”, conclui.

Na visão de Fábio de Sá e Silva, pesquisador da Universidade de Oklahoma (EUA), é possível que a suspensão não dure muito e seja questionada na Justiça. “Uma das coisas estruturantes do governo Trump é que o presidente está suspendendo algumas leis com base em decretos. Isso é questionável se é possível.”

“O que o FCPA fazia era dar uma jurisdição dos EUA para que ele pudesse processar empresas de outros países. Agora os EUA perdem esse instrumento que tinham, que muita gente entendia ser um instrumento de política externa e de defesa de interesse de política nacional, como foi muito falado no caso da Lava Jato”, explica.

Até o ano passado, as investigações contra a Petrobras ainda rendiam dividendos para o DOJ. Em março de 2024, a Trafigura, uma empresa suíça que negocia com commodities, fechou um acordo pelo pagamento de propina no Brasil para obter contratos com a Petrobras. A empresa aceitou pagar 127 milhões de dólares ao governo americano.

Em junho do mesmo ano, o empresário norte-americano Gary Oztemel assinou delação assumindo ter pagado propina a executivos da Petrobras no valor de mais de 10 mil dólares. Segundo o relatório “2024 FCPA Year in Review”, da Universidade Stanford, em 2024 o Brasil empata com México e China em termos de países mais citados nos casos de investigações de FCPA.

FONTE: Diarinho Net
Trump suspende lei que levou a multa bilionária da Odebrecht e Petrobras | DIARINHO

Ler Mais
Comércio Exterior, Exportação, Informação, Logística, Notícias, Portos

Exportação de café sofre com entraves nos portos brasileiros.

Diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil cobra investimentos para evitar colapso logístico e estima prejuízo de mais de R$ 57 milhões.

A infraestrutura portuária do Brasil não tem acompanhado o ritmo crescente das exportações de café, expondo gargalos logísticos que impactam diretamente o setor. Em 2024, o país embarcou um volume recorde de 50,5 milhões de sacas, mas os entraves logísticos resultaram em atrasos e custos adicionais para os exportadores. “Se não houver celeridade nos projetos, os problemas persistirão”, disse Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), em entrevista ao Poder360.

Segundo Heron, até dezembro de 2024, cerca de 1,8 milhão de sacas de café estavam paradas nos portos aguardando embarque, o equivalente a 5.300 contêineres retidos. Essa demora gerou um prejuízo acumulado de R$ 57 milhões ao setor exportador apenas nos últimos 8 meses.

“O Brasil está perdendo eficiência e competitividade. O setor agropecuário tem batido recordes de exportação, mas os investimentos em infraestrutura não acompanham esse crescimento”, afirmou. Os principais problemas são a falta de estrutura nos portos e a pouca disponibilidade de horários para embarque, o que leva os exportadores a pagar mais por armazenamento e taxas extras.

De acordo com Heron, o Porto de Santos, principal corredor logístico do café brasileiro, precisa urgentemente de ampliação e modernização para atender a demanda crescente. “Projetos como a concessão do STS-10 [terminal de contêineres] e a ampliação do canal de acesso são fundamentais, mas estão andando a passos lentos”, disse.

Assista (29min48s):

 

A situação se agrava com a proximidade da nova safra, que deve aumentar ainda mais o volume de café a ser exportado. Para Heron, o 1º semestre de 2025 pode passar a falsa impressão de normalização devido ao menor volume de embarques no período de entressafra, mas os problemas estruturais devem se intensificar no segundo semestre.

“A partir de julho, quando a safra entra no pico, a pressão sobre os portos será ainda maior. Se nada for feito agora, podemos enfrentar novos colapsos logísticos”, alertou. 

Além da infraestrutura portuária, os problemas logísticos se estendem às rodovias e ferrovias, que também carecem de investimentos para garantir um escoamento mais eficiente.

Atualmente, cerca de 15 mil a 20 mil caminhões circulam diariamente em direção ao Porto de Santos, evidenciando a necessidade de alternativas como o modal ferroviário e hidroviário para reduzir a pressão sobre o sistema rodoviário. “O Brasil tem um potencial gigantesco na cafeicultura, mas os gargalos logísticos precisam ser resolvidos para que o país mantenha sua liderança global”, disse.

FONTE: Poder360
Exportação de café sofre com entraves nos portos brasileiros

Ler Mais
Comércio Exterior, Economia, Exportação, Industria, Informação, Inovação, Internacional, Notícias, Tecnologia

O Crescimento das Marcas Automotivas Chinesas no Brasil

Nos últimos anos, o mercado automotivo brasileiro tem testemunhado a entrada e saída de diversas marcas chinesas.

Enquanto algumas enfrentam dificuldades para se estabelecer, outras demonstram um interesse crescente em consolidar sua presença no país. Este movimento reflete a dinâmica do setor automotivo global, onde as empresas buscam novos mercados para expandir suas operações.

Recentemente, a Seres anunciou sua saída do Brasil, enquanto a Neta, apesar de desafios na matriz chinesa, ainda mantém operações no país. A Neta, por exemplo, possui apenas uma concessionária no Rio de Janeiro, mas planeja expandir sua rede em breve. Este cenário destaca a importância de um planejamento estratégico robusto e da adaptação às condições locais para o sucesso no mercado brasileiro.

Quais são as estratégias das marcas chinesas para se estabelecer no Brasil?

Para se firmar no Brasil, algumas marcas chinesas têm adotado estratégias de aquisição de instalações industriais. A GWM e a BYD, por exemplo, adquiriram fábricas em Iracemápolis e Camaçari, respectivamente. A GAC, por sua vez, está interessada na fábrica da Toyota em Indaiatuba, atualmente em processo de desativação. Essas iniciativas são fundamentais para reduzir custos de importação e aumentar a competitividade no mercado local.

Além disso, a Caoa Chery, que foi a primeira a construir uma fábrica no Brasil, está buscando novas parcerias para fortalecer sua presença. Recentemente, a Caoa cedeu parte de seu terreno para que o grupo chinês possa tentar novamente se estabelecer industrialmente no país, desta vez com a divisão Omoda & Jaecoo. Essas parcerias são essenciais para enfrentar os desafios do mercado e garantir uma operação sustentável.

O Crescimento das Marcas Automotivas Chinesas no Brasil
Carros da Neta Auto – Créditos: Neta Auto Brasil

Como as vendas globais influenciam a presença das marcas no Brasil?

O desempenho das marcas chinesas no mercado global também impacta suas operações no Brasil. De acordo com a consultoria japonesa MarkLines, marcas como BYD e Chery estão entre as que mais vendem veículos leves no mundo. A BYD, por exemplo, tem se destacado pela produção de veículos elétricos e híbridos, o que pode ser uma vantagem competitiva no Brasil, onde a demanda por veículos sustentáveis está em crescimento.

Por outro lado, a competição global é acirrada, com gigantes como Toyota, Volkswagen e Hyundai-Kia liderando as vendas. As marcas chinesas precisam, portanto, não apenas aumentar sua produção, mas também investir em inovação e tecnologia para se destacar. A adaptação às preferências locais e a oferta de produtos diferenciados são estratégias essenciais para conquistar o consumidor brasileiro.

O que o futuro reserva para as marcas chinesas no Brasil?

O futuro das marcas chinesas no Brasil dependerá de sua capacidade de adaptação e inovação. Com o aumento das tarifas de importação previsto para 2026, as empresas que não possuem fábricas locais enfrentarão desafios significativos. No entanto, aquelas que investirem em produção local e em parcerias estratégicas poderão se beneficiar de um mercado em expansão.

Além disso, a crescente demanda por veículos elétricos e híbridos oferece uma oportunidade única para as marcas chinesas que já possuem expertise nesse segmento. Com a combinação certa de estratégia, inovação e adaptação, as marcas chinesas têm o potencial de se tornar players importantes no mercado automotivo brasileiro nos próximos anos.

FONTE: Terra Brasil Noticias
O Crescimento das Marcas Automotivas Chinesas no Brasil – Terra Brasil Notícias

Ler Mais
Comércio Exterior, Gestão, Informação, Logística, Notícias

Greve: Direção Nacional, CNM e CDS visitam Auditores de Foz do Iguaçu

Representantes da Direção Nacional, do Comando Nacional de Mobilização (CNM) e do Conselho de Delegados Sindicais (CDS) estiveram em Foz do Iguaçu (PR), na quinta-feira (27), para conversar com Auditores-Fiscais sobre a greve da categoria e as atuais condições de trabalho no cenário de protesto de mototaxistas contrários à operação-padrão que vem sendo realizada. 

Participaram das visitas o diretor de Defesa Profissional do Sindifisco, Auditor-Fiscal Francisco César Santos, o diretor do Sindifisco Nacional e representante do Comando Nacional na 10ª Região Fiscal, Auditor-Fiscal Diogo Loureiro, o representante do CNM, Auditor-Fiscal Agnaldo Neri, o presidente da Mesa Diretora do CDS, Auditor-Fiscal Elias Carneiro, e o presidente da DS/Foz do Iguaçu, Auditor-Fiscal Silvio Henkemeier.

No período da manhã, a reunião ocorreu na Ponte Internacional da Amizade, que liga Foz do Iguaçu ao comércio movimentado de importados localizado em Ciudad del Este, no Paraguai. Por dia, circulam cerca de 40 mil veículos no local, sendo a ponte considerada a fronteira mais movimentada do país.

Segurança nas atividades aduaneiras 

Durante a reunião, a equipe fez um relato sobre a rotina de trabalho e a pressão em decorrência da operação-padrão na fronteira com o Paraguai. Os Auditores-Fiscais daquela localidade reiteraram o compromisso com o movimento reivindicatório e a disposição em intensificar as ações de fiscalização até que o governo atenda o pleito da categoria. A necessidade de equipamentos de melhor qualidade e a realização de cursos necessários às atividades de fiscalização, pesquisas e gestão de riscos foram outros pontos da discussão.

A Direção Nacional declarou apoio irrestrito e colocou a estrutura do sindicato à disposição para garantir segurança à integridade física dos Auditores. O sindicato também informou que vem trabalhando para melhorar a situação nas fronteiras, negociando junto à administração da Receita Federal uma série de medidas, entre elas melhores condições para promover a permanência de Auditores nessas localidades. Também está na agenda de tratativas a viabilização do acesso a cursos de aperfeiçoamento nas áreas de repressão.

“Ouvimos atentamente cada demanda. Vamos trabalhar prioritariamente nas questões relacionadas à segurança e à melhoria dos equipamentos utilizados pelos Auditores”, disse o diretor de Defesa Profissional do Sindifisco, Auditor-Fiscal Francisco César Santos.

No último sábado (22), o presidente do Sindifisco Nacional, Auditor-Fiscal Dão Real, gravou um vídeo em apoio aos Auditores-Fiscais aduaneiros e colocou à disposição da DS/ Foz do Iguaçu toda a estrutura da Direção Nacional, seja no campo jurídico, seja na área da defesa profissional, para garantir a segurança dos Auditores em greve.

Representantes da Direção Nacional, do CNM, do CDS e da DS/Foz do Iguaçu

Movimento grevista forte 

Assim como na Ponte da Amizade, segue intensa a adesão dos aduaneiros do Porto Seco de Foz do Iguaçu. Somente no período de dois dias, o pátio concentrava mais de 800 caminhões aguardando fiscalização. Durante visita na tarde de quinta (27), os representantes da Direção Nacional, do CNM, do CDS e da DS/Foz do Iguaçu conversaram com os Auditores lotados na área alfandegada e trocaram informações sobre novas estratégias de mobilização.

“A greve está sendo intensificada diariamente, com cada vez mais Auditores demonstrando sua coragem para enfrentar essa batalha. Apoiando uns aos outros, tenho certeza de que sairemos vitoriosos de mais essa mobilização”, disse o diretor do Sindifisco Nacional e representante do Comando Nacional na 10ª Região Fiscal, Auditor-Fiscal Diogo Loureiro.

FONTE: Sindifisco Nacional
Greve: Direção Nacional, CNM e CDS visitam Auditores de Foz do Iguaçu – Sindifisco Nacional

Ler Mais
Comércio Exterior, Gestão, Informação, Logística, Notícias

Parlamentares manifestam apoio à greve dos Auditores-Fiscais

Com a retomada do calendário legislativo, o Sindifisco Nacional tem atuado na Câmara dos Deputados e no Senado Federal buscando apoio dos parlamentares às reivindicações da categoria, que está em greve desde o dia 26 de novembro.

“O Parlamento é a caixa de ressonância da população e tem que ser a nossa caixa de ressonância também. Por isso, estamos atuando, por meio do nosso trabalho parlamentar, para que os congressistas saibam das motivações da greve e possam fazer essa pressão”, explica o diretor de Assuntos Parlamentares, Auditor-Fiscal Floriano de Sá Neto.

Esse trabalho já tem alcançado resultados, e vários congressistas têm manifestado publicamente apoio à categoria, como os deputados Erika Kokay (PT-DF), Alice Portugal (PCdoB-BA) e Gilberto Nascimento (PDS-SP). Na quarta-feira (26), durante a sessão no Plenário da Câmara dos Deputados, a deputada Professora Luciene (PSOL-SP) expressou solidariedade à greve. A parlamentar fez um apelo aos ministérios da Fazenda e da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) para que iniciem as negociações com a categoria. Além disso, destacou a relevância do trabalho dos Auditores-Fiscais para o funcionamento da sociedade (assista ao vídeo no fim desta matéria).

Na semana passada, cerca de 50 Auditores e Auditoras-Fiscais, sob a coordenação da Diretoria de Assuntos Parlamentares, participaram de uma verdadeira “força-tarefa” para conversar com os congressistas, incluindo membros da Comissão Mista de Orçamento (CMO), com o objetivo de tratar do apoio ao reajuste dos Auditores-Fiscais por meio da Emenda 20, de autoria do deputado Toninho Wandscheer (PP-PR) (veja a matéria aqui).

A emenda foi resultado de intensa articulação do sindicato com o objetivo de garantir recursos no orçamento para quando forem concluídas as negociações com o governo federal sobre o reajuste do vencimento básico. Outras duas emendas com mesmo teor (14 e 17) foram apresentadas pelos deputados Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) e Erika Kokay.

FONTE: Sindifisco Nacional
Parlamentares manifestam apoio à greve dos Auditores-Fiscais – Sindifisco Nacional

Ler Mais
Comércio Exterior, Exportação, Informação, Internacional, Notícias, Tecnologia

BYD bate recordes: Vendas disparam 188% em fevereiro

Os resultados mais recentes da empresa mostram um crescimento impressionante, especialmente nas exportações.

A gigante chinesa de veículos elétricos BYD está a consolidar a sua posição como líder global na produção de carros plug-in, com novos modelos, tecnologia de baterias inovadora e planos de expansão global acelerados.

Em fevereiro de 2025, a BYD vendeu globalmente 322.846 veículos, um aumento de 8,9% em relação aos 296.446 unidades vendidas em janeiro. Este crescimento é particularmente notável considerando que fevereiro geralmente é afetado pelas celebrações do Ano Novo Chinês.

No entanto, o destaque vai para as exportações:

  • A BYD exportou 67.025 veículos em fevereiro, um aumento surpreendente de 187,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
  • Combinando os números de janeiro e fevereiro, a empresa já exportou 133.361 veículos em 2025, representando um crescimento de 124% em relação ao ano anterior.
Image 3

Estratégias por trás do sucesso da BYD

Um dos fatores que contribuiu para este aumento nas vendas é o lançamento do BYD Atto 2 na Europa. Este crossover elétrico compacto combina:

  • Tecnologia de bateria Blade da BYD
  • Arquitetura de veículo e-Platform 3.0
  • Ecrã do condutor de 8,8 polegadas
  • Suporte para Apple CarPlay e Android Auto
  • Teto panorâmico
  • Sistema avançado de assistência à condução (ADAS)

O Atto 2 oferece estas características a um preço competitivo em comparação com concorrentes diretos como o Volvo EX30, o que tem forçado outras marcas a reagir.

Preços agressivos

A estratégia de preços da BYD está a causar ondas no mercado. Alguns concorrentes viram-se obrigados a fazer “movimentos desesperados” para se manterem competitivos. Um exemplo notável é a Volkswagen, que reduziu o preço do ID.4 em quase 20.000 dólares na China para fazer frente à concorrência feroz no mercado de veículos elétricos.

A BYD não está apenas a focar-se na produção de veículos, mas também a investir fortemente em infraestrutura logística. A empresa adquiriu vários navios de transporte de alta eficiência para facilitar as suas exportações. Este investimento em logística posiciona a BYD para um crescimento ainda maior no futuro.

Byd atto 2 (3)

Perspetivas para o futuro

Os analistas têm grandes expectativas para a BYD em 2025. Prevê-se que a empresa venda cerca de 5,5 milhões de carros este ano. Este número representa um crescimento significativo em relação aos 4,25 milhões de veículos de passageiros vendidos globalmente em 2024, que já tinha sido um aumento de 41% relativamente a 2023.

É importante notar que a BYD deixou de produzir veículos exclusivamente a combustão interna em abril de 2022, focando-se apenas em veículos de nova energia, que incluem veículos elétricos a bateria (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e veículos a célula de combustível (FCEV).

Em 2024, a distribuição das vendas da BYD foi:

  • 42,3% BEV
  • 57,7% PHEV
  • FCEV com vendas quase inexistentes na China

Com estes resultados impressionantes e as estratégias em curso, a BYD está a posicionar-se como uma força dominante no mercado global de veículos elétricos.

A sua capacidade de oferecer produtos inovadores a preços competitivos, combinada com uma forte infraestrutura logística, sugere que a empresa está bem preparada para enfrentar os desafios e oportunidades que o futuro do setor automóvel reserva.

FONTE: Teche net
BYD bate recordes: Vendas disparam 188% em fevereiro

Ler Mais
Economia, Gestão, Informação, Internacional, Negócios, Notícias

Erosão da confiança no Judiciário brasileiro leva à maior piora do risco país na América Latina

Argentina foi a nação que apresentou uma melhora mais significativa no período, indo de 3,49 para 3,06

A erosão da confiança no Judiciário brasileiro contribuiu para a forte trajetória de aumento de risco no Brasil, que pulou de 3,07 para 3,32 entre abril e dezembro, segundo o estudo Latin America Country Risk Index and Analysis 2024. Os dados revelam que a confiança do brasileiro nas instituições tem declinado, impulsionada pela corrupção generalizada e pela percepção de parcialidade política, especialmente no STF.

Foi a maior piora entre os seis países analisados – Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador e México. Por outro lado, a Argentina foi a nação que apresentou uma melhora mais significativa no período, indo de 3,49 para 3,06.

Produzido pelo Adam Smith Center for Economic Freedom e conduzido no Brasil pelo Instituto Millenium, o estudo analisou os riscos políticos, econômicos, sociais e internacionais que rondam seis países da América Latina, expondo um quadro de deterioração acentuada nos principais indicadores.

Judiciário é percebido como ativista

Para Paulo Resende, um dos pesquisadores do Millenium, o resultado em relação ao Judiciário chama a atenção. O poder foi amplamente percebido como independente no país, permitindo uma autonomia sem controles efetivos e resultando em ativismo judicial, que compromete o equilíbrio entre os três poderes e acelera a crise de confiança nas instituições.

“Este foi um resultado muito interessante que obtivemos no estudo”, diz. “A independência do poder judiciário é algo fundamental para o princípio da separação de poderes, e vemos muitos casos de ditaduras em que o poder judiciário é comprometido para dar suporte institucional a um governo ilegítimo. A percepção de um judiciário independente é justamente a percepção de que o judiciário não está sendo comandado por outro poder”.

Mas ressalta: “Porém, este mesmo grau de independência institucional permite ao judiciário agir com ampla autonomia, muitas vezes sem controles efetivos, extrapolando suas atribuições tradicionais, e isto é visto como uma consequência direta da CRFB de 1988 e da Emenda Constitucional nº 45 de 2004. Ou seja, a independência do poder judiciário, que deveria servir ao equilíbrio entre os três poderes, deu vazão ao atual ativismo judiciário, que tem comprometido a consistência de todo o sistema judiciário, o equilíbrio entre poderes, e tem acelerado a erosão da confiança nas instituições.”

Além da desconfiança crescente nas instituições, o avanço da criminalidade e as relações internacionais cada vez mais instáveis contribuem para a piora da percepção de risco. As tendências, segundo os pesquisadores, podem afetar diretamente empresas, organizações internacionais e ONGs interessadas em investir ou operar na região. Resende ressalta ainda que a burocracia excessiva e a insegurança jurídica agravam o problema, sem sinais de melhora na administração atual.

FONTE: Gazeta do Povo
Crise de confiança no Judiciário aumenta risco Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior, Importação, Informação, Internacional, Logística, Notícias

Revogado o regulamento relativo aos adiantamentos sobre as importações

A Resolução revogou a regulamentação que impedia o uso dos certificados que dispensavam os contribuintes do pagamento antecipado de adiantamentos sobre importações definitivas.

Autoridade Tributária Argentina (ARCA) emitiu a Resolução Geral 5655/2025 em 30 de dezembro de 2024, revogando todas as normas relacionadas à suspensão do uso de certificados de isenção estabelecidos na Resolução Geral 5339/2023 (publicada em 29 de março de 2023) para pagamentos antecipados sobre importações definitivas, que era válida até 30 de junho de 2025.

A partir de 1º de março de 2025, os importadores podem enviar seus certificados de isenção ao sistema eletrônico aduaneiro (Sistema Informático Malvina) e evitar ter que cancelar os pagamentos antecipados relevantes na importação de mercadorias.

FONTE: MARVAL
Revogado o regulamento relativo aos adiantamentos sobre as importações

Ler Mais
Comércio Exterior, Exportação, Gestão, Importação, Informação, Logística, Navegação, Notícias, Portos

Deputado propõe nova regulamentação para Sistema Portuário Brasileiro

Entre as mudanças, o licenciamento ambiental integrado e a livre negociação das tarifas portuárias

Um Projeto de Lei (PL) apresentado nesta sexta-feira (28) pelo deputado federal Leur Lomanto Júnior (União/BA) pretende mudar o Sistema Portuário Brasileiro. Entre as principais mudanças, está o licenciamento ambiental único e a livre precificação dos serviços portuários. O projeto também pretende desburocratizar os processos de privatização dos portos brasileiros.

O PL define os atores do setor portuário, incluindo a União, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), autoridades portuárias, operadores portuários, terminais e sindicatos. A regulação baseia-se em princípios como segurança jurídica, livre concorrência, intervenção mínima do Estado, inovação tecnológica, preservação ambiental e integração porto-cidade.

Para ser aprovado, o projeto tem um longo caminho. Além de ser apresentado, ele precisa, se aprovado em plenário, passar por comissões. Como trata-se de mudança de Lei, é necessário ser aprovado também na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ). Além de nova votação na Câmara, Senado e, por fim, ir à Sanção Presidencial.

De acordo com o texto, cada órgão ficaria responsável, da seguinte forma, pela organização portuária:

União: Responsável por planejar e estabelecer políticas públicas para o setor, concedendo outorgas e definindo estratégias de desenvolvimento.

Antaq: Atua na regulação, fiscalização e outorga de concessões e autorizações para exploração portuária.

Autoridade Portuária: Responsável pela gestão dos portos públicos, administração de terminais e regulação de operações.

Conselho de Autoridade Portuária (CAP): Órgão consultivo que participa das decisões sobre planejamento e infraestrutura portuária.

Autoridade Aduaneira: Responsável pela fiscalização e controle de mercadorias e tributos nos portos.

Operadores Portuários: Empresas qualificadas para realizar movimentação e armazenagem de cargas.

Agentes Marítimos: Representam armadores e transportadores nos portos.

Fornecedores de Bens e Serviços a Navios: Empresas responsáveis pelo abastecimento e serviços aos navios.

Câmara de Autorregulação: Criada para mediar conflitos e regulamentar relações no setor.

Exploração e licenciamento

Segundo o texto, a exploração dos portos pode ocorrer de forma direta pela União ou indiretamente por meio de concessão, arrendamento e autorização. 

Uma das principais mudanças é com relação ao licenciamento ambiental dos portos públicos, que seria integrado, dispensando licenças individuais para terminais dentro de suas poligonais.

A precificação dos serviços portuários será livre, desde que respeitadas normas concorrenciais. Além disso, o texto prevê a implantação da Janela Única Aquaviária (Maritime Single Window – MSW), sistema para integrar informações logísticas e otimizar processos portuários.

Licenciamento Ambiental Integrado

Os portos públicos terão um licenciamento ambiental único, o que significa que terminais localizados dentro dessas áreas não precisarão de licenças individuais.

Atualmente, os portos brasileiros precisam seguir um processo de licenciamento ambiental conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou pelos órgãos ambientais estaduais e municipais, dependendo do caso. O licenciamento ocorre em três fases principais:

Licença Prévia (LP), que avalia a viabilidade ambiental do porto antes do início do projeto; Licença de Instalação (LI), que autoriza a construção do porto ou terminal portuário; e Licença de Operação (LO), que permite que o porto comece a operar, após a verificação do cumprimento das exigências ambientais.

Tarifas integradas

As tarifas praticadas pelos operadores portuários poderão ser negociadas livremente, sem interferência governamental direta, desde que respeitadas as normas de concorrência. Isso favorece um ambiente mais competitivo e transparente no setor.

Atualmente, a precificação dos serviços portuários no Brasil segue um modelo regulado, onde os preços são estabelecidos ou supervisionados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). As regras variam dependendo do tipo de porto e serviço.

Em Portos Públicos, as autoridades portuárias estabelecem as tarifas para uso da infraestrutura, como atracação, armazenagem e movimentação de cargas. Essas tarifas devem ser previamente aprovadas pela Antaq, garantindo que não haja abusos de preços.

Nos Terminais Privados, os preços são definidos livremente pelos operadores, sem necessidade de aprovação prévia da Antaq, mas devem seguir regras de concorrência justa.

Em Operadores Portuários, as empresas que movimentam cargas dentro dos portos públicos podem negociar valores livremente, mas precisam seguir normas regulatórias e não podem praticar preços abusivos.

Por fim, o Maritime Single Window (MSW) é um sistema que centraliza e digitaliza a troca de informações logísticas entre os diferentes agentes do setor. Essa iniciativa busca reduzir a burocracia e agilizar os processos portuários, permitindo maior integração e eficiência na gestão das operações.

FONTE: Portal be News
Deputado propõe nova regulamentação para Sistema Portuário Brasileiro | BE News

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook