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Decisão da Justiça pode acabar com uma das maiores dores de cabeça de importadores e exportadores

Superior Tribunal de Justiça manteve decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo definindo que é ilegal a cobrança de demurrage em casos de retenção ilegal da unidade pela Alfândega da Receita Federal

 

Em decisão que se tornou definitiva nesta semana, o Superior Tribunal de Justiça manteve decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo definindo que é ilegal a cobrança de o deu demurrage de contêineres em de casos de retenção ilegal da unidade de carga pela Alfândega da Receita Federal. Demurrage é uma taxa cobrada pelos armadores (donos dos navios e contêineres) quando o tempo contratado para a devolução do contêiner é excedido. A demurrage se dã na importação e a detention na exportação.

No caso em questão, o dono da carga foi acionado judicialmente pelo armador, que cobrava, a título de demurrage, US$ 410,7 mil. 0 argumento era de que os contêineres utilizados no transporte não foram devolvidos dentro do prazo contratualmente estipulado. No entanto, a defesa da importadora, feita pelo advogado Bruno Barcellos Pereira, do escritório capixaba Bergi Advocacia demonstrou que a retenção e apreensão dos contêineres se-deu por decisão da Receita Federal, impossibilitando a restituição no prazo determinado. Ao analisar o caso, os desembargadores do TJSP entenderam que a responsabilidade pelo atraso na devolução não poderia ser atribuída à importadora, uma vez que a retenção decorreu de decisão administrativa, portanto, caso de força maior.

“A decisão é relevante porque a Justiça reconhece que não se pode cobrar taxas de quem não deu causa. O caso em questão tem a ver com a Alfândega da Receita Federal, mas há uma série de outras situações ao longo da cadeia do comércio internacional que acabam desaguando em demurrage o detention, hoje, essas taxas estão entre os maiores custos dos nossos importadores e exportadores”, explicou Bruno Barcellos Pereira.

Na visão dele, a decisão da 16 Câmara de Direito Privado do TJSP, que não tem mais recursos, estabelece um importante precedente para importadores, exportadores e operadores logísticos no Brasil. “A prática de cobrança abusiva de demurrage por transportadoras e armadores vinha sendo alvo de criticas e litígios frequentes, pois onerava indevidamente empresas que, por decisões alheias à sua vontade, eram impedidas de restituir os contêineres dentro do prazo contratual. A partir deste julgamento, a tendência é que novas demandas sejam impulsionadas para impedir cobranças indevidas e exigir maior responsabilidade das transportadoras na gestão de suas unidades de carga, e da Aduana na retenção das unidades de carga”

Importante dizer que, por Santos ser o grande hub de logística portuária do Brasil, as decisões do tribunal de São Paulo neste tipo de matéria têm ampla repercussão.

FONTE:  A GAZETA
Decisão da Justiça pode acabar com uma das maiores dores de cabeça de importadores e exportadores | A Gazeta

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Economia, Importação, Informação, Internacional

Retorno de Trump aumenta tensões para a economia brasileira

Analistas alertam que o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos trouxe um novo nível de incerteza para o já desafiador cenário econômico do Brasil.

Nos últimos dois anos, a política fiscal “fortemente expansionista” do Brasil elevou a economia além de seu potencial, aumentando os riscos inflacionários. Esse contexto doméstico agora se cruza com “fortes ventos contrários vindos do exterior”, que devem se intensificar, escreveram Silvia Matos e Armando Castelar na edição de janeiro do Boletim Macro do FGV Ibre, compartilhado com exclusividade ao Valor.

Para Elizabeth Johnson, analista da TS Lombard, o retorno de Trump adiciona outro elemento de imprevisibilidade às perspectivas econômicas do Brasil. Apesar de ser um dos países menos dependentes dos EUA na América Latina e de ter um déficit comercial com o país, “há preocupação de que o Brasil e seu líder de esquerda, o presidente Lula, possam se tornar alvos fáceis para Trump enquanto ele impulsiona sua agenda ‘América Primeiro’”, explicou Johnson em um relatório aos clientes.

A pesquisadora do FGV Ibre, Lia Valls, lembrou também dos comentários anteriores de Trump sobre as “altas tarifas de importação” do Brasil e a falta de reciprocidade, levantando a possibilidade de investigações sob a Seção 301. Essa lei comercial dos EUA permite ações retaliatórias caso empresas americanas sejam prejudicadas.

Valls explicou que os bloqueios dos EUA paralisam atualmente o mecanismo de resolução de disputas da OMC, dificultando que o Brasil conteste tais medidas ou imponha contrarretaliações. “Assim como no primeiro mandato de Trump, o caminho é pela negociação”, disse ela.

Embora um aumento generalizado de tarifas sobre produtos brasileiros pareça improvável, Valls não descartou aumentos setoriais, particularmente em aço ou possivelmente produtos de carne, influenciados por lobbies industriais nos EUA.

Guerra comercial global

Os impactos indiretos também podem ser significativos. Johnson, da TS Lombard, alertou que uma prometida guerra comercial poderia desestabilizar a China—maior parceiro comercial do Brasil—e a economia global. Enfrentando múltiplos desafios, como dívida pública crescente, alta inflação e desaceleração econômica, o Brasil corre o risco de um “pouso forçado” antes das eleições presidenciais de 2026, especialmente se o conflito comercial afetar exportações agrícolas ou levar a medidas populistas para gerenciar as consequências.

Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, observou que a aparente moderação de Trump em relação à China durante seu discurso inaugural, juntamente com sua recente aproximação ao presidente chinês Xi Jinping, pode indicar disposição para negociar. No entanto, isso pode prejudicar as exportações de soja do Brasil, que se beneficiaram durante o primeiro mandato de Trump devido às tensões comerciais entre EUA e China.

“Não acredito que o raio caia duas vezes no mesmo lugar”, disse Leal. “Acho que o Brasil será prejudicado de qualquer forma em relação à China e aos EUA, seja por uma redução no comércio internacional, por uma guerra comercial global, ou porque os EUA e a China chegam a um acordo, reduzindo nossas exportações agrícolas para lá.”

Atualmente, a China absorve quase 75% das exportações de soja do Brasil. Embora a safra de soja de 2025 esteja praticamente garantida, um acordo EUA-China no primeiro semestre do ano poderia comprometer as exportações brasileiras de milho no meio do ano e a safra de 2026, acrescentou Leal.

O compromisso do Brasil com uma política externa e comercial de não alinhamento poderá ser testado pelas crescentes tensões entre EUA e China. Valls, do FGV Ibre, destacou a importância de o Brasil assinar o acordo comercial Mercosul-União Europeia como um passo para diversificar suas relações comerciais.

“O acordo ainda requer aprovações e, mesmo após aprovado, inclui um cronograma de redução tarifária que, em alguns casos, leva até 18 anos. No entanto, pode desviar o comércio de importações dos EUA, particularmente no setor industrial. Notavelmente, um marco foi negociado para tratar de minerais críticos, o que poderia afetar os interesses dos EUA nessa área”, observou Valls.

Ao mesmo tempo, a China tem se preparado para uma possível retaliação dos EUA sob Trump. No final de 2024, durante a visita do presidente chinês Xi Jinping ao Brasil, os dois países assinaram 37 acordos, incluindo memorandos sobre tecnologia, saúde e inovação. Significativamente, a China abriu seu mercado para exportações brasileiras de sorgo, o que Valls interpretou como uma estratégia preventiva contra potenciais conflitos EUA-China.

Acordo de Paris

A saída de Trump do Acordo de Paris, ordens executivas restringindo incentivos para a transição energética e anúncios de aumento na produção de petróleo sinalizam que os EUA estão “virando as costas para o mundo”, alertou Leal, da G5 Partners. Ele observou que essas ações podem apresentar desafios ao Brasil, que ocupa uma posição-chave nas discussões globais sobre clima, e potencialmente minar a conferência climática COP30, marcada para novembro em Belém.

Diplomaticamente, a presidência do Brasil no bloco BRICS em 2025—cujos membros incluem China, Rússia e Irã—adiciona outra camada de complexidade. Os EUA há muito veem o BRICS com ceticismo, e quaisquer discussões renovadas sobre uma moeda comum dentro do bloco podem provocar ações retaliatórias da administração Trump, alertou Leal. Como presidente do BRICS, “o Brasil estará sob os holofotes”, e Trump não hesitará em reagir se o bloco desafiar os interesses dos EUA, disse Leal.

Fonte: Valor International
Trump’s return escalates tensions for Brazil’s economy | Economy | valorinternational

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Trump suspende novas licenças para energia eólica onshore e offshore nos EUA

Entre as justificativas para a decisão está a necessidade de “promover uma economia energética capaz de atender à crescente demanda do país por energia confiável”, segundo o presidente dos EUA

 

RIO – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na segunda-feira (20/1) um decreto presidencial suspendendo temporariamente a emissão de novas licenças para projetos de energia eólica onshore e offshore em terras e águas federais.

O decreto determina que as secretarias do Interior, da Agricultura, de Energia, a Agência de Proteção Ambiental e os chefes de todas as outras agências envolvidas não devem emitir “aprovações novas ou renovadas, direitos de passagem, licenças, arrendamentos ou empréstimos para projetos eólicos onshore ou offshore”.

Entre as justificativas para a decisão está a necessidade de “promover uma economia energética capaz de atender à crescente demanda do país por energia confiável”.

A medida reafirma o compromisso do presidente republicano em focar no crescimento da indústria de petróleo e gás, buscando garantir energia de baixo custo e sem intermitência para os americanos.

E vem acompanhada do anúncio da saída do país novamente do Acordo de Paris, da “emergência energética nacional” – para ampliação das atividades de exploração e produção – e da revisão de incentivos para veículos elétricos.

Durante a assinatura do decreto, Trump reforçou que a característica intermitente das eólicas traria insegurança energética para os lares americanos, e disse que os EUA deveriam fornecer energia barata aos seus cidadãos.

“Não vamos fazer a coisa do vento. Grandes e feios moinhos de vento. Eles arruínam sua vizinhança. Eles são a forma de energia mais cara que você pode ter, de longe. Eles matam seus pássaros e arruínam suas belas paisagens”, completou Trump.

O documento também inclui uma revisão de critérios para arrendamento e licenciamento de novos projetos eólicos.

O decreto ordena ao Secretário do Interior e a outras agências que avaliem o impacto ambiental e econômico das turbinas eólicas, na fauna, como aves e mamíferos marinhos, e considere os custos de geração intermitente de eletricidade e efeitos de subsídios federais na viabilidade da indústria.

A decisão começa a valer a partir desta terça (21/4), mas não afeta os atuais projetos em desenvolvimento no país, a exemplo dos parques offshore da Orsted e Copenhagen Infrastructure Partners.

FONTE: Eixos
Trump suspende novas licenças para eólica onshore e offshore | eixos

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Milei diz que deixaria o Mercosul para fechar acordo de livre comércio com os EUA

Em entrevista à Bloomberg News no Fórum Econômico Mundial, presidente argentino alegou que prefere evitar uma medida drástica, mas que negocia aproximação com governo Trump

O presidente argentino Javier Milei afirmou que deixaria o Mercosul, se necessário, para consolidar um acordo de livre comércio com os EUA, embora ele espere alcançar um acordo sem precisar tomar uma medida tão drástica. Questionado pelo editor-chefe da Bloomberg News, John Micklethwait, se ele sairia do bloco econômico sul-americano, Milei hesitou antes de dizer que sim, se tal movimento extremo fosse necessário.

“Mas existem mecanismos que podem ser usados mesmo dentro do Mercosul, então achamos que isso pode ser feito sem necessariamente ter que sair”, disse ele em uma entrevista no Fórum Econômico Mundial em Davos.

O líder libertário argentino também afirmou que planeja acessar os mercados de capitais após a remoção da rede de controles cambiais do país, embora não tenha fornecido um cronograma específico. Milei destacou o compromisso de sua equipe em manter a meta de déficit zero quando questionado sobre o retorno aos mercados internacionais de títulos.

O ministro da Economia, Luis Caputo, havia dito anteriormente a investidores em Nova York que o objetivo era acessar gestores de dinheiro até 2026, quando a esperança é também levantar os controles de capital.

Sobre comércio, Milei evitou comentar se havia discutido um possível acordo com Donald Trump ou membros de sua administração enquanto estava em Washington para a posse do novo líder dos EUA. Mas, disse ele, seu governo tem “trabalhado muito” em um acordo com os EUA.

O Mercosul, o bloco originalmente formado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, representa um grande obstáculo potencial para tal acordo. O bloco, no passado, se opôs à negociação de acordos individuais por seus membros, como fez quando o Uruguai buscou aderir a um dos maiores pactos comerciais da Ásia em 2022.

Milei tem sido um crítico feroz do Mercosul, que ele chamou de “prisão” protecionista. Mas, até agora, ele não cumpriu as ameaças de campanha de retirar a Argentina do bloco e, no ano passado, se juntou a pedidos por uma rápida aprovação de um importante acordo comercial com a UE que foi assinado em dezembro.

Pelo menos um membro já expressou algumas dúvidas: o presidente do Paraguai, Santiago Peña, se opôs a um possível acordo bilateral EUA-Argentina em uma entrevista na semana passada, mesmo admitindo que o Mercosul precisa de reformas.

Deixar o Mercosul seria difícil para a Argentina, dada sua integração econômica com o Brasil, seu maior parceiro comercial.

Fonte: Bloomberg L.P
Milei diz que deixaria o Mercosul para fechar acordo de livre comércio com os EUA

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As respostas de Emmanuel Macron e Olaf Scholz às falas agressivas de Trump

O presidente francês e o chanceler alemão destacam importância de coesão e soberania na Europa

Em uma coletiva de imprensa em Paris, o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Olaf Scholz deixaram claro que o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos exige uma Europa mais coesa e soberana.

Macron destacou a necessidade de fortalecer a autonomia europeia. ‘Mais do que nunca, os europeus devem proteger sua soberania”, afirmou o líder francês, enfatizando a importância de apoiar indústrias estratégicas, como a automotiva, siderúrgica e química, para enfrentar os novos desafios globais.

O discurso veio em resposta a declarações mais agressivas feitas mais cedo por Trump, que criticou a União Europeia e ameaçou impor tarifas aos seus produtos “A União Europeia é muito, muito ruim para nós”, declarou Trump, reforçando comentários já feitos anteriormente. “Por isso, eles terão de pagar tarifas. É a única forma… de alcançar justiça.”

Scholz, por sua vez, ressaltou a importância de resiliência diante de um cenário internacional em constante transformação. “A Europa deve ser forte e resiliente em um mundo que, para dizer com muita cautela, está em movimento”, pontuou o chanceler alemão. Ele ainda reconheceu que a postura de Trump apresenta desafios significativos: “O presidente Trump, isso já está claro, será um desafio”,

FONTE: Veja Negocio
As respostas de Emmanuel Macron e Olaf Scholz às f… | VEJA

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Quem Precisa de Quem? O Verdadeiro Peso do Brasil para os EUA

Comércio entre os dois países vai além da balança comercial e também influencia no desenvolvimento industrial brasileiro

A volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos tem sido, no mínimo, agitada no campo diplomático. Entre declarações sobre retomar o controle do Canal do Panamá, transformar o Canadá no 51º estado dos EUA e comprar a Groenlândia, o novo ocupante da Casa Branca não deixou o Brasil passar ileso.

Na segunda-feira (21), após tomar posse, Trump foi questionado sobre como ele vê a relação entre o seu país e a América Latina — incluindo o Brasil. “Avalio como boa. Não precisamos deles. Eles precisam de nós. Todo mundo precisa de nós”, respondeu.
Na primeira ocasião, disse que poderia taxar os produtos vindos desses países em até 100%. Já a mais recente foi mais intimidadora. “Se fizerem isso, não ficarão felizes com o que acontecerá”, afirmou.

Entrar na lista de desafetos de Donald Trump não costuma ser algo indolor — a diplomacia trumpista costuma incluir boicotes, taxações extraordinárias e endurecimento protecionista com relação a produtos estrangeiros.

Durante o seu primeiro mandato (2017-2020), Donald Trump afirmou que taxaria a importação de aço e alumínio vindos do Brasil, em 25% e 10%, respectivamente. No entanto, o governo brasileiro se dispôs a negociar e os países definiram um esquema de cotas para o comércio desses itens, algo que ainda está em vigor.

E se na maior parte do tempo as declarações podem parecer exageradas, dessa vez o seu recado para o Brasil tem um fundo de verdade: o nosso país realmente tem mais a perder do que a ganhar com um estranhamento entre as duas nações.

Raio-X da balança comercial
Os EUA são o segundo maior importador de produtos brasileiros, sendo responsável por 11,97% do volume exportado (ou cerca de US$ 40,3 bilhões). Esse total fica apenas atrás do consumido pelos chineses, que é de 28%.

Enquanto isso, o Brasil consome mais produtos americanos do que importa — de acordo com dados da Comex, a importação de produtos Made in USA foi de R$ 40,5 bilhões em 2024. Um déficit de US$ 253 milhões na balança comercial entre os dois países. Desse montante, ao menos 15% foram de motores, máquinas não elétricas e suas partes (exceto motores de pistão e geradores), seguidos por petróleo (9,7%) e o ecossistema de peças e itens necessários para aeronaves (4,9%).

Em termos de relevância, o Brasil é 16º país que mais exporta para os Estados Unidos, enquanto é o 27º maior importador, segundo dados do Departamento do Censo dos Estados Unidos (DCEU). Ou seja: a dependência comercial é muito maior para o país latino. E não apenas em questão de dólares. Especialistas apontam que a diversificação das exportações para os EUA ajuda a manter a indústria nacional ativa e em desenvolvimento. Uma queda neste montante poderia ser extremamente prejudicial ao desenvolvimento industrial do país, apesar das ações previstas pelo plano Nova Indústria Brasil (NIB).

Quem depende de quem?
A relação comercial entre os países é positiva e de interdependência, embora historicamente seja superavitária para os americanos. Entre janeiro a outubro do último ano, houve um crescimento no volume exportado para o Brasil de mais de 11%. Ainda assim, ao longo de mais de 20 anos, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu mais de 10%, saindo de 24% em 2001 para 12% em 2024.

Para Lia Valls, pesquisadora associada do FGV Ibre e professora da Uerj, os EUA saem à frente quando o assunto é investimento. “O Brasil é um país em desenvolvimento, tem menos empresas multinacionais e isso afeta na sua capacidade de competir com os Estados Unidos”, afirmou. Em um potencial mercado de retaliações econômicas por todos os lados, com medidas unilaterais, isso implicaria em redução de crescimento econômico para o mundo todo, inclusive o país norte-americano.

Para Haroldo Silva, vice-presidente do Corecon-SP, a relação comercial entre EUA e Brasil é boa, menos importante do que já foi, mas fundamental para ser mantida, algo que ele acredita que ocorrerá. “A diplomacia brasileira é bastante hábil e, neste momento, o que valerá é o pragmatismo nessas relações internacionais”, ponderou.

Embora Trump tenha certa razão ao falar da independência comercial dos Estados Unidos, ele não leva em conta como o aumento dos impostos de importação pode impactar a economia americana. “Tarifas maiores implicam em cenário propício para ter inflação, o que obrigaria o Fed a elevar a taxa de juros e que, por consequência, esfriaria a economia dos Estados Unidos”, destacou o vice-presidente do Corecon-SP.

FONTE: Forbes
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Dólar cai e fecha abaixo de R$ 6 pela 1ª vez desde dezembro; bolsa recua

O dólar encerrou em forte queda nesta quarta-feira (22) e se afastou do patamar de R$ 6 com mercados em todo o mundo acompanhando as medidas tarifárias apresentadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A divisa norte-americana encerrou a sessão com recuo de 1,41%, negociada a R$ 5,946, no menor patamar desde 27 de novembro, quando a moeda encerrou em R$ 5,914.

O dólar se mantém majoritariamente acima de R$ 6 desde o fim de novembro do ano passado, com o recrudescimento do temor do mercado com as contas públicas do governo federal.

A última vez que a divisa encerrou abaixo da marca de R$ 6 foi em 11 de dezembro, a R$ 5,959.

Ignorando o clima positivo nos principais mercados internacionais, o Ibovespa operou a maior parte da sessão próximo da estabilidade. O principal índice do mercado doméstico encerrou em queda de 0,30%, a 122.971,77 pontos.

Na terça-feira (21), o dólar à vista fechou em leve queda de 0,18%, a R$ 6,031.

O dólar se mantém majoritariamente acima de R$ 6 desde o fim de novembro do ano passado, com o recrudescimento do temor do mercado com as contas públicas do governo federal.

A última vez que a divisa encerrou abaixo da marca de R$ 6 foi em 11 de dezembro, a R$ 5,959.

Trump e tarifas
Mercados em todo o mundo acompanham os primeiros passos de Trump de volta à Casa Branca.

Na véspera, o republicano afirmou que seu governo está discutindo a imposição, a partir de fevereiro, de uma tarifa de 10% sobre os produtos importados da China.

Além disso, ele citou barreiras para produtos da União Europeia, Canadá e México.

Mais cedo, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou que objetivo de Trump de fomentar a manufatura no país por meio do aumento de barreiras comerciais é uma abordagem questionável, uma vez que a economia já está funcionando perto de sua capacidade.

Apesar de renovar suas ameaças tarifárias nos primeiros dias do cargo, Trump apenas orientou até agora as agências federais a investigarem os déficits comerciais dos EUA e as práticas comerciais injustas de parceiros.

“Essa abordagem do governo Trump, de primeiro ameaçar para depois estudar se realmente vai ser implantada alguma tarifa sobre as outras economias, tem levado a um movimento de enfraquecimento global do dólar”, disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

“Visto o que se antecipava, o receio era de que ele teria uma postura agressiva já no seu primeiro dia de mandato”, completou.

Fonte: CNN Brasil
Dólar cai e fecha abaixo de R$ 6 pela 1ª vez desde dezembro; bolsa recua | CNN Brasil

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Abertura de mercado agropecuário nos Estados Unidos

Com o anúncio, o agronegócio brasileiro alcança sete novas aberturas de mercado em 2025, totalizando 307 novas oportunidades de negócio em 63 destinos desde o início de 2023

O governo brasileiro comemorou o anúncio feito pelos Estados Unidos de que três novos produtos brasileiros — feno (Alfalfa Hay e Timothy Hay), erva-mate e flor seca de cravo-da-índia — poderão ser exportados sem a exigência de certificação fitossanitária.

Essa decisão reflete a elevada credibilidade internacional do sistema de controle sanitário e fitossanitário do Brasil, um diferencial que vem consolidando a competitividade dos produtos agropecuários brasileiros no mercado global.

Consolidação de parcerias comerciais

Em 2024, o Brasil reafirmou sua posição como um dos principais fornecedores agropecuários para os EUA, com destaque para carne bovina, café e suco de laranja. A abertura do mercado norte-americano para esses novos produtos deve fortalecer ainda mais as exportações nos setores beneficiados.

Com o anúncio, o agronegócio brasileiro atinge a marca de sete novas aberturas de mercado em 2025, somando 307 novas oportunidades comerciais em 63 destinos internacionais desde o início de 2023.

Esforço conjunto para a expansão comercial

Esses avanços são resultado do trabalho integrado entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), que têm atuado para diversificar os mercados de destino dos produtos brasileiros e ampliar as oportunidades para o setor agropecuário.

A expansão do mercado para os produtos brasileiros nos Estados Unidos é mais um passo importante no fortalecimento das relações comerciais bilaterais e no aumento da competitividade do agronegócio brasileiro no cenário internacional.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária
Abertura de mercado agropecuário nos Estados Unidos — Ministério da Agricultura e Pecuária

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2025 será um grande ano para o setor portuário e aeroportuário, diz Silvio Costa Filho

O ministro Sílvio Costa Filho, de Portos e Aeroportos, apresentou as principais ações da pasta previstas para os próximos dois anos, durante reunião ministerial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e destacou os projetos que resultarão em ampliação da capacidade econômica do país e geração de emprego e renda.

Na área de Portos, o MPor planeja leiloar 20 unidades portuárias em 2025, entre elas o Terminal de Conteineres (Tecon) Santos 10, cujo valor de investimentos deverá ser o maior da história do país: R$ 3,51 bilhões. Ainda em Santos, há previsão também para este ano do leilão para construção do túnel Santos/Guarujá, com investimentos de R$ 6 bilhões, compartilhado entre o Governo Federal e o governo do estado de São Paulo.

Além disso, está prevista a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá (R$ 1 bilhão). “São medidas que garantem mais eficiência na atividade portuária, o que tornará cada vez mais nossos produtos mais competitivos no mercado internacional”, disse o ministro, lembrando que pelos portos passam 95% do comércio internacional do país.

Na área de Hidrovias, o ministro apresentou o projeto de concessão da Hidrovia do Rio Paraguai, que deve ser leiloado até o final do ano, e destacou medidas para desburocratizar a cabotagem e a navegação interior. Destacou ainda que em 2024 o ministério concluiu a licitação para garantir dragagem permanente por cinco anos em trechos dos rios Amazonas e Solimões, áreas afetadas nos últimos anos por forte estiagem.

“Como disse o presidente Lula, temos uma causa em comum, que é recuperar o país e promover o desenvolvimento econômico. Porque com isso a gente melhora a vida da população, cria emprego e renda. Nossa atuação no MPor tem este propósito: capacitar o país para este crescimento e possibilitar o desenvolvimento econômico e social”, afirmou o ministro.


FONTE: DatamarNews
2025 será um grande ano para o setor portuário e aeroportuário, diz Silvio Costa Filho – DatamarNews

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Mesmo sem China no mercado, ritmo das vendas de soja supera o de 2024

A antecipação de compras de soja dos Estados Unidos pela China, no fim de 2024, devido à apreensão sobre a política comercial no segundo mandato de Donald Trump, reduziu as aquisições do grão brasileiro neste início de ano.

Apesar disso, o ritmo de comercialização no Brasil é superior ao do mesmo período de 2024, impulsionado pelo câmbio favorável. Segundo a Safras & Mercado, as negociações de soja da safra 2024/25 chegaram a 35% da produção esperada, o equivalente a 60,83 milhões de toneladas. No mesmo período do ano passado, a comercialização antecipada era de 29,1%. Entretanto, o percentual atual ainda está abaixo da média dos últimos cinco anos, de 39%.

A China, maior comprador da soja brasileira, está temporariamente fora do mercado. Em 2024, o país asiático importou um volume recorde do grão, antecipando possíveis tarifas prometidas por Trump. Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, com o volume de colheita ainda pequeno no Brasil, a comercialização deve se intensificar a partir de fevereiro. “Os chineses são pragmáticos e vão esperar o momento certo para direcionar a demanda para o Brasil. Em fevereiro, teremos o pico da comercialização. O câmbio, no patamar atual, também deve favorecer a procura por soja brasileira”, explica.

Impacto do dólar e expectativas de mercado

A alta do dólar tem sido o principal fator para a valorização dos preços da soja no Brasil. Anderson Galvão, CEO da Céleres, estima que cada dez centavos de valorização do dólar aumentam, em média, R$ 5 por saca. “O câmbio continuará sustentando os preços no início da colheita”, afirma.

As projeções da Safras & Mercado indicam que as exportações brasileiras de soja devem alcançar 107 milhões de toneladas na safra 2024/25. Entre 80 milhões e 81 milhões de toneladas terão como destino a China, superando as 77,5 milhões de toneladas exportadas no ciclo anterior. A maior safra prevista no Brasil é a principal razão para esse crescimento.

Plínio Nastari, presidente da Datagro, reforça que a China não pode prescindir da soja brasileira e deve retomar as compras à medida que a colheita avance. “Mesmo com a antecipação de compras nos EUA, será inevitável que a China volte ao Brasil para adquirir soja”, avalia. Em 2024, 73,4% da soja brasileira exportada teve como destino o mercado chinês, uma redução de 2,6% em relação a 2023.

Produtores cautelosos diante do cenário geopolítico

Apesar do câmbio favorável, as incertezas quanto à política comercial do novo governo Trump estão freando as negociações no Brasil. Leandro Guerra, da LC Guerra Corretora de Cereais, observa que muitos produtores estão apreensivos com a possibilidade de novas tarifas sobre a China pelos EUA. “Se não houvesse esse fator geopolítico, as vendas antecipadas estariam acima de 40%”, aponta.

A lembrança da guerra comercial de 2018, no primeiro mandato de Trump, também influencia as decisões. “Naquela época, vimos uma demanda muito agressiva pela soja brasileira, com prêmios nos portos subindo até 200 pontos. Foi uma mudança de mercado muito rápida, e os produtores estão atentos a um cenário semelhante”, afirma Guerra.

Tiago Medeiros, diretor da Czarnikow, compartilha da mesma visão e afirma que “todo mundo trabalha com a hipótese de retorno das sanções do primeiro governo Trump”. Ele ressalta, no entanto, que as especulações sobre uma nova guerra comercial ainda não impactam diretamente a venda de soja brasileira no momento. “O reflexo será sentido no próximo ciclo”, projeta.

Segundo levantamento da Czarnikow, as vendas da safra atual estão atrasadas, com 35% comercializados, enquanto no mesmo período do ano passado, o percentual era de 40%.

Com a proximidade do pico da colheita e as incertezas globais, o mercado de soja brasileiro segue dividido entre o impacto imediato do câmbio e as expectativas geopolíticas.

Fonte: Globo Rural
Mesmo sem China no mercado, ritmo das vendas de soja supera o de 2024

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