Comércio Exterior, Exportação

Tarifa de 50% de Donald Trump pode zerar exportação de suco de laranja brasileiro para os EUA, diz CNA

Item deve ser um dos mais afetados pelo tarifaço de Trump. Em 2024, produtores brasileiros exportaram para os EUA mais de um milhão de toneladas de suco.

A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros aplicada pelo presidente Donald Trump deve zerar a exportação de suco de laranja brasileiro para o mercado dos Estados Unidos, segundo uma nota técnica da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

O produto deve ser um dos mais afetados pelo tarifaço de Trump. Em 2024, produtores brasileiros exportaram para os EUA mais de um milhão de toneladas de suco.

“Alguns produtos sofrerão mais impacto que outros, caso dos sucos de laranja, em que a tarifa se tornaria impeditiva para o produto brasileiro. Enquanto isso, produtos como o café verde teriam um menor impacto relativo, devido à queda na oferta do grão no mercado internacional nos últimos anos, o que faz com que a capacidade de substituição seja mais rígida”, diz a nota.

O Brasil é o maior produtor de suco de laranja do mundo. De cada cinco copos consumidos no planeta, três são produzidos em solo brasileiro. Um dos principais mercados do produto é a América do Norte.

A CNA estima uma redução de 48% no valor das exportações brasileiras para os Estados Unidos com a tarifa. Isso representaria 5,8 bilhões de dólares a menos na venda de produtos agropecuários para o mercado norte-americano. A estimativa considera a repetição do saldo de 2024 – quando exportou 12,1 bilhões de dólares.

Além do suco de laranja, o setor açucareiro também deve sofrer forte impacto. A estimativa é de que açúcares de cana tenham uma redução de 74% do volume exportado, em relação ao ano passado. Já a venda de sacarose quimicamente pura, uma forma refinada do açúcar, também deve zerar.

O volume de exportação de artigos de madeira, que é considerado como produto agropecuário pelo Ministério da Agricultura, deve cair 93%. Obras em madeira podem ter uma redução de 77% na exportação.

Na sexta-feira (25), senadores devem embarcar para os Estados Unidos para participarem de uma rodada de negociações com empresários e congressistas norte-americanos. Eles vão tentar sensibilizar as empresas para que ajudem na negociação com o governo Trump. As reuniões ocorrerão entre os dias 28, 29 e 30.

Eles participaram de uma reunião no Ministério das Relações Exteriores, com a participação do ministro Mauro Vieira, nesta quarta (23). Os senadores receberam um briefing dos principais discursos que têm sido feitos contra o Brasil e de como combatê-los.

Fonte: G1

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Agronegócio, Exportação

CNA estima perda de US$ 5,8 bilhões em exportações do agronegócio aos EUA com tarifa de 50%

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o agronegócio deixará de exportar US$ 5,8 bilhões aos Estados Unidos neste ano com a imposição da tarifa de 50% anunciada pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. A sobretaxa está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

A projeção da confederação considera uma queda de 48% nos embarques de produtos do agronegócio ao mercado norte-americano ante os US$ 12,1 bilhões comercializados em 2024.

O cálculo, informou a CNA em nota, considera a “elasticidade” das importações de bens nos Estados Unidos, com o impacto da alíquota de 50%.

“A elasticidade das importações de um país mede o quanto o volume importado reage a mudanças no preço dos produtos. Assumiu-se que o choque causado nas tarifas seria integralmente transmitido para os preços de importação. Ou seja, uma elevação de 50% nas tarifas elevaria em 50% os preços finais”, explicou a CNA na nota.

O indicador de elasticidade foi estimado com base nos dados de comércio dos EUA nos últimos cinco anos, explicou a CNA. Quanto menor o indicador, maior o impacto sobre as importações americanas.

De acordo com a confederação, a maior parte dos produtos agropecuários exportados para os Estados Unidos possui elasticidade menor que -1, indicando uma maior sensibilidade às variações de preço.

De acordo com o estudo da entidade, na aplicação da tarifa de 50%, as exportações brasileiras de suco de laranja, açúcares de beterraba, outros açúcares de cana e sacarose cairiam a zero.

“Alguns produtos sofrerão mais impacto que outros, caso do suco de laranja, em que a tarifa se tornaria impeditiva para o produto brasileiro”, explicou a entidade.

Produtos como etanol e sebo de bovinos também devem ter quedas expressivas nas exportações aos Estados Unidos, com redução prevista em volume de, respectivamente, 71% e 50%.

Já os embarques de café não torrado e não descafeinado seriam os menos afetados, com redução prevista de 25% em volume.

“Enquanto isso, produtos como o café verde teriam um menor impacto relativo, devido à queda na oferta do grão no mercado internacional nos últimos anos, o que faz com que a capacidade de substituição seja mais rígida”, observa a confederação.

A venda de carne bovina e açúcar de cana têm impactos limitados previstos, com 33% em volume que deixariam de ser exportados.

Fonte: Estadão

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Comércio Exterior, Exportação, Inovação

Planejamento, inovação e visão global: os caminhos para o sucesso na exportação, segundo Mariana Pires Tomelin

Em um cenário internacional cada vez mais dinâmico e competitivo, o sucesso nas exportações depende de muito mais do que ter um bom produto. É o que afirma Mariana Pires Tomelin, especialista em Comércio Exterior com mais de 15 anos de experiência no setor. À frente da ExonTrade Business Intelligence, Mariana lidera projetos de internacionalização que unem tecnologia, estratégia e inteligência de mercado para transformar empresas brasileiras em protagonistas globais.

Reconhecida por sua atuação à frente de operações internacionais eficientes e sustentáveis, Mariana defende que o planejamento estratégico, a capacitação e a inovação são pilares fundamentais para a inserção bem-sucedida em mercados externos. Ela acredita que o Brasil tem um enorme potencial de crescimento no comércio internacional — desde que esteja preparado para os desafios e oportunidades que ele apresenta.

Nesta entrevista, a especialista compartilha insights práticos sobre os primeiros passos na exportação, os cuidados com a adaptação de produtos e a importância da inovação e da visão estratégica no setor.

Que papel o planejamento estratégico desempenha no sucesso da exportação?
Mariana – O planejamento permite antecipar riscos, organizar processos, preparar equipes e construir metas realistas. Sem planejamento, a exportação pode virar um esforço isolado e insustentável.

Como as micro e pequenas empresas podem começar a exportar com segurança?
Mariana – Elas devem buscar capacitação, participar de programas de incentivo à exportação, estudar o mercado-alvo e começar com operações-piloto. Hoje, há muitas plataformas e órgãos de apoio à disposição.

A atuação internacional exige adaptação dos produtos ou serviços?
Mariana – Em muitos casos, sim. Pode ser necessária a adaptação de embalagem, rótulos, certificações técnicas e até mesmo do posicionamento da marca. Essa adaptação demonstra respeito ao mercado local e aumenta a aceitação do produto.

Como lidar com as exigências documentais do comércio exterior?
Mariana – É essencial montar um checklist robusto e manter uma comunicação fluida entre os departamentos envolvidos. Ter apoio de um despachante aduaneiro e sistemas integrados de gestão documental é um grande diferencial.

O que mudou no comércio exterior nos últimos 5 anos?
Mariana – Houve avanços expressivos na digitalização dos processos, maior exigência de sustentabilidade, aumento da volatilidade geopolítica e uma crescente demanda por rastreabilidade e transparência.

Quais habilidades você considera essenciais para um profissional da área?
Mariana – Visão estratégica, capacidade de negociação, conhecimento técnico em legislação e logística, domínio de idiomas, familiaridade com tecnologia e sensibilidade cultural são indispensáveis.

Como você enxerga o papel do Brasil no comércio exterior nos próximos anos?
Mariana – O Brasil tem potencial para ser protagonista, especialmente com alimentos, minérios, energia limpa e biotecnologia. Para isso, é preciso investir em infraestrutura, acordos comerciais e redução da burocracia.

Que conselhos você daria para quem deseja construir carreira em comércio exterior?
Mariana – Busque conhecimento prático, aprenda com erros, esteja sempre atualizado e desenvolva uma mentalidade global. O profissional dessa área precisa ser curioso, resiliente e conectado com as mudanças do mundo.

Há espaço para inovação no comércio exterior?
Mariana – Muito. Desde soluções logísticas inteligentes até plataformas de matchmaking internacional, passando por fintechs de câmbio e crédito. O setor ainda tem muito a evoluir com apoio de tecnologia.

Qual mensagem você deixa para as empresas brasileiras que ainda não exportam?
Mariana – A internacionalização pode parecer desafiadora, mas é perfeitamente viável com planejamento, orientação e coragem. O Brasil tem produtos e talentos de altíssimo nível, com a preparação adequada é possível diversificar mercados e trazer inúmeros benefícios para a empresa e sociedade.

TEXTO E IMAGEM: DIVULGAÇÃO

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Comércio Exterior, Exportação

Abertura de mercado para exportação do guaraná em pó do Brasil para a Malásia

Com este anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 395 aberturas de mercado desde o início de 2023

O governo brasileiro e o governo da Malásia concluíram negociação fitossanitária para que o Brasil exporte guaraná em pó para aquele país.

O guaraná em pó, nativo da região amazônica, é um dos produtos da biodiversidade brasileira com maior demanda do mercado internacional. O fruto do guaraná é naturalmente rico em cafeína, taninos, saponinas e catequinas, que contribuem para efeitos estimulantes, antioxidantes e anti-inflamatórios. Por essas características, tem ganhado espaço nas indústrias de bebidas energéticas e suplementos. O Brasil lidera a produção global de guaraná e é o principal exportador do insumo.

A Malásia, com mais de 34 milhões de habitantes e uma indústria alimentícia em expansão, importou do Brasil mais de US$ 1,27 bilhão em produtos agropecuários em 2024, com destaque para o complexo sucroalcooleiro, fibras e produtos têxteis, cereais, farinhas, café e carnes.

Com este anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 395 aberturas de mercado desde o início de 2023.

Esse resultado é fruto do trabalho conjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Exportação

Empresas ficam sem tempo de “evitar tarifas” e corrida da exportação acaba

Tempo médio de viagem do Porto de Santos aos principais portos americanos é de 14 a 18 dias, enquanto taxas de 50% aos produtos brasileiros estão previstas a partir de 1º de agosto

As empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos já não conseguem embarcar as mercadorias antes das tarifas de 50% de Donald Trump entrarem em vigor em 1º de agosto.

Assim que a Casa Branca anunciou em 9 de julho a taxa de 50% a produtos do Brasil, exportadores de café, carne, celulose e outros produtos adiantaram os envios para fugir da medida. O embarque de proteínas animais, por exemplo, aumentou 96% nas duas primeiras semanas do mês.

A estratégia, porém, teve prazo de validade curto: não há mais tempo hábil para levar os itens ao país antes de 1º de agosto, data anunciada por Trump para começar o tarifaço.

À CNN, técnicos do Porto de Santos disseram que a viagem de um navio carregado para os principais portos americanos leva, em média, de 14 a 18 dias. Dessa maneira, mesmo que as cargas fossem enviadas nesta terça-feira (22), já não haveria escapatória à taxação, visto que falta nove dias para a medida da Casa Branca.

O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) explica que as tarifas de importação são cobradas a partir do momento em que a mercadoria chega ao país de destino. Ou seja, se forem enviadas antes da vigência do tarifaço e chegarem depois, a taxa será cobrada.

Além do tempo médio de envio dos produtos para os EUA a partir do Porto de Santos, há algumas condições podem deixar a viagem ainda mais longa, conforme destacam as fontes, como outros tipos de rotas, viagens em escalas ou fatores climáticos.

No caso do café brasileiro, mais de 70% do produto que vai aos Estados Unidos sai do Porto de Santos. Deste total, cerca de 30% chega ao país pelo Porto de Nova Orleans e, cerca de 15%, pelo Porto de Nova York. Com tempo de viagem do navio cargueiro neste percurso pode chegar a 30 dias.

Com a iminência do tarifaço de Trump, o setor produtivo passa a apostar no diálogo com as empresas americanas, entre outras estratégias. A importadora de suco de laranja Johanna Food, localizada no estado de Nova Jersey, por exemplo, foi à Justiça dos Estados Unidos contra a medida de Trump.

Em outra frente, entidades e empresas americanas avaliam a possibilidade de propor ao governo dos Estados Unidos uma lista de exceções às tarifas de 50%. A ideia seria pedir que produtos naturais não existentes nos EUA pudessem ser importados com taxa inferior.

Uma das entidades à frente da avaliação é a National Coffee Association, principal associação cafeeira dos EUA. O café seria o principal beneficiado por esta medida, visto que quase a totalidade do produto consumido nos EUA é importado. O Brasil é o principal fornecedor do item ao país, sendo responsável por cerca de 35% (mais de um terço) dos grãos que os Estados Unidos compram do exterior.

Também em outros segmentos, o setor de frutas seria beneficiado pela lista de exceções. O principal exemplo é a manga: a produção interna nos EUA quase inexiste, e o Brasil é o terceiro maior fornecedor do item para o país (responsável por cerca de 8% das importações).

Fonte: CNN Brasil

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Comércio, Exportação

Santa Catarina lidera exportações e prevê safra recorde de banana em 2025

Entre janeiro e junho, o Brasil exportou 43,8 mil toneladas de banana, com receita de US$ 15,7 milhões

O mercado da banana em Santa Catarina enfrentou um período de desvalorização nos meses de maio e junho de 2025. A banana-caturra, por exemplo, teve queda de 25,3% nos preços pagos ao produtor, reflexo do aumento na oferta. A banana-prata também registrou recuo de 16,4%, influenciada pela concorrência com outras frutas da estação e pela redução na demanda.

Para julho, a expectativa é de recuperação nas cotações da caturra, com a redução na oferta decorrente do menor desenvolvimento das frutas. No caso da banana-prata, a tendência é de estabilidade, ainda sob influência da presença de outras frutas no mercado.

Em nível nacional, as variedades nanica e prata devem apresentar valorização, impulsionadas pela menor oferta provocada pelas baixas temperaturas que afetam o desenvolvimento dos cachos. Com isso, o preço ao consumidor deve subir um pouco.

Estimativa da safra da banana

Para a safra 2024/25, a estimativa é de aumento de 17,5% na produção estadual. Que pode chegar a 768 mil toneladas, impulsionada pela ampliação da área cultivada, que passou para 28,4 mil hectares. A produção de banana-caturra deve crescer 18%, enquanto a da banana-prata tem alta estimada de 15,2% em relação à safra anterior.

Conforme explica o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Rogério Goulart Júnior, o setor da bananicultura catarinense tem enfrentado um cenário desafiador. Também devido as condições climáticas também foram determinantes nesse período. “Tivemos chuvas frequentes e uma geada em junho que comprometeram a qualidade dos cachos. Muitos produtores precisaram colher antes do ponto ideal de maturação, o que impactou ainda mais o mercado”, observa.

Apesar das dificuldades, Goulart destaca que o cenário tende a melhorar para os produtores a partir de julho. O que também significa preços ,mais salgados ao consumidor.  “A expectativa é de valorização nos preços devido à redução da oferta, causada pelas baixas temperaturas e pelo menor desenvolvimento dos cachos nos bananais. A banana-caturra deve ter recuperação nos preços, enquanto a banana-prata tende a se manter estável, favorecida por uma demanda mais equilibrada no período”, projeta.

Painel temático de Comércio Exterior

De acordo com o painel temático de Comércio Exterior do Observatório Agro Catarinense, Santa Catarina se mantém como o maior exportador de bananas do Brasil em 2025. Entre janeiro e junho, o Brasil exportou 43,8 mil toneladas de banana, com receita de US$ 15,7 milhões. Santa Catarina foi responsável por praticamente 50% do volume exportado, com 21,8 mil toneladas, o que representa um crescimento de 103% em relação ao mesmo período de 2024. O estado gerou US$ 7,2 milhões, equivalente a 45,9% da receita nacional com exportações de banana no primeiro semestre de 2025.

Os dados dos painéis temáticos do Observatório Agro Catarinense são atualizados mensalmente, com isso, além de permitirem o monitoramento da variação da balança comercial catarinense, é possível comparar o desempenho de Santa Catarina com o restante do país.

Os principais compradores da banana catarinense são Argentina, responsável por 62% das exportações com um faturamento de US$ 4,5 milhões, e em segundo lugar é o Uruguai, com 37,8% gerando uma receita de US$ 2,7 milhões. Conforme o analista da Epagri/Cepa, Rogério Goulart Júnior, as perspectivas do setor para o mercado internacional são positivas. “Santa Catarina teve um crescimento expressivo no primeiro semestre de 2025 nas exportações brasileiras de banana. Para o segundo semestre, a expectativa é de uma queda sazonal na oferta, mas com perspectiva de melhores valores nas exportações, em comparação com anos anteriores”, conclui o analista.

Fonte: Guararema News

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Exportação, Mercado Internacional

PCI Itália: estudo destaca 410 oportunidades para ampliar exportações brasileiras com destino ao país europeu

Estudo da ApexBrasil revela potencial de diversificação da pauta exportadora e destaca aumento dos investimentos italianos no Brasil

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) publicou uma atualização do Perfil de Comércio e Investimentos: Itália. Elaborado pela equipe de Inteligência da Agência, o estudo reforça a importância estratégica da Itália como parceiro comercial do Brasil na Europa e destaca oportunidades concretas para diversificação da pauta exportadora e ampliação de investimentos bilaterais.

Com população de 59,3 milhões de habitantes e PIB de US$ 2,4 trilhões, a Itália é a oitava maior economia do mundo. Em 2024, o comércio bilateral entre os países totalizou US$ 10,8 bilhões, tornando o país o 15º principal destino das exportações brasileiras. No entanto, o estudo aponta que a pauta exportadora ainda é concentrada em commodities, produtos como café, celulose, soja, carnes, petróleo, farelo de soja, açúcar e minérios.

O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou 410 produtos com potencial de exportação para o mercado italiano. Além dos setores tradicionais, há espaço para avançar em áreas como madeira compensada, papel e motores elétricos. A Agência atualmente apoia sete projetos setoriais voltados à Itália, que incluem moda, couro, audiovisual, móveis, gemas e joias, vitivinicultura e produtos para pets.

O estudo traz alertas importantes para os exportadores sobre regulamentações ambientais recentes da União Europeia, como o EUDR (Produtos Livres de Desmatamento) e o CBAM (Ajuste de Fronteira de Carbono). As tratativas do Acordo de Associação Mercosul–União Europeia também são relevantes para o comércio bilateral. A Itália participa do processo, que pode reduzir tarifas e facilitar o acesso de produtos brasileiros ao bloco europeu. No entanto, o país ainda não definiu oficialmente sua posição.

Do lado dos investimentos, os números também são expressivos. Em 2023, o estoque de Investimento Estrangeiro Direto (IED) da Itália no Brasil cresceu US$ 2,7 bilhões, alcançando US$ 23,8 bilhões, um aumento de 12,8% em relação ao ano anterior. Os aportes italianos se concentram principalmente nos setores automotivo, de energia, agricultura e bens de consumo.

Fonte: Apex Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Informação, Tributação

Tarifa de Trump obriga Brasil a acelerar busca por novos mercados de exportação

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025, provocou uma reação em cadeia no comércio exterior do Brasil. Com os EUA respondendo por uma fatia expressiva das exportações brasileiras — 40% do total no primeiro semestre deste ano, somando-se à China —, setores estratégicos, como agronegócio e aviação, estão em alerta.

O tarifaço obriga empresas brasileiras a repensarem suas rotas comerciais. Produtos como carne bovina, suco de laranja, café e pescado são alguns dos mais afetados. De acordo com dados do comércio exterior, só no primeiro semestre de 2025, os americanos compraram quase 8% da carne exportada pelo Brasil, 56% do pescado e 16% do café. “Redirecionar esses produtos não é uma tarefa simples. São décadas de negociações e avaliações técnicas para conquistar a confiança de novos mercados”, explicou o economista André Galhardo, em entrevista à Rede Globo.

Além das barreiras comerciais, o Brasil também precisa lidar com obstáculos culturais na busca por novos mercados. Países como a Índia, por exemplo, não consomem determinados produtos por motivos religiosos, o que impede a exportação de itens como carne bovina. Adaptar-se a esses novos destinos exige mais do que estratégia comercial — é necessário compreender profundamente os hábitos e preferências de consumo de cada população.

A resposta do governo brasileiro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou uma ofensiva diplomática para minimizar os impactos das sanções americanas. O ministro Carlos Fávaro declarou que o foco agora será abrir novas frentes no Oriente Médio, no Sul Asiático e no Sul Global — regiões com grande potencial consumidor. “Vamos reforçar as ações diplomáticas e buscar mercados alternativos. Já estamos em diálogo com entidades dos setores mais afetados para diversificar as exportações e reduzir os impactos internos, como a queda dos preços das commodities”, afirmou o ministro em pronunciamento oficial.

As medidas vêm sendo articuladas em parceria com os adidos agrícolas, que atuam como pontes entre o Brasil e outros países, levantando dados sobre demanda, legislações sanitárias e oportunidades comerciais.

Entre as novas apostas, destaca-se o mercado de carne caprina na Nigéria, país com mais de 220 milhões de habitantes e grande consumo dessa proteína. Outro exemplo está nas mangas: mesmo com produção limitada, os EUA importaram mais de US$ 570 milhões em mangas frescas em 2023, sendo o Brasil um dos principais fornecedores.

Dependência crítica do setor aéreo

Mesmo com alguma diversificação, o setor aeronáutico ainda depende fortemente dos Estados Unidos. No primeiro semestre de 2025, 65% das exportações do setor tiveram como destino o mercado americano. Trata-se de um segmento técnico, com ciclos longos de negociação e alto valor agregado.

Diversificação é palavra de ordem

Com o comércio exterior brasileiro pressionado, o governo e especialistas avaliam que o momento é propício para repensar a pauta exportadora e investir em produtos estratégicos para a economia do século 21. O Mapa tem incentivado a exportação de novos produtos e a entrada em mercados menos tradicionais, com base em relatórios detalhados que consideram hábitos de consumo, conjuntura política e ambiente regulatório. “Temos uma estratégia clara de diversificação. Estamos mapeando oportunidades que muitas vezes o setor produtivo ainda não enxergou, e que podem garantir mais resiliência ao agro exportador brasileiro”, explicou um porta-voz do Ministério da Agricultura.

FONTES: G1 / CNN / AGÊNCIA BRASIL

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: PORTO DE SANTOS / DIVULGAÇÃO

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Tributação

Fontes de Washington alertam empresários que tarifa de 50% pode ser mantida

Segundo relatos feitos à CNN, mensagens sempre vêm acompanhadas da lembrança de que decisão final cabe apenas a Trump

Diante do impasse nas negociações entre Brasil e Estados Unidos, fontes de Washington disseram a um grupo de empresários e negociadores brasileiros que a Casa Branca tende a confirmar a tarifa de 50% no dia primeiro de agosto.

E num segundo momento, depois de alguns dias ou semanas, iniciar um processo de negociação contando com vulnerabilidade maior do Brasil.

Segundo relatos feitos à CNN, as mensagens sempre vêm acompanhadas da lembrança de que a decisão final cabe apenas a Donald Trump, mas que a sinalização mais forte nesta segunda-feira (21) é de confirmação da tarifa daqui a dez dias.

Os americanos ainda sinalizaram que o governo Trump parece não ter pronta uma lista de demandas para o Brasil, o que dificulta o processo negociador entre os dois países.

Executivos disseram ao blog que os dois tópicos comerciais que parecem mais óbvios nas conversas com a Casa Branca são a questão do etanol e as queixas sobre o tratamento às big techs.

Na percepção das fontes ouvidas pela CNN, o Brasil não é uma prioridade e, por isso, os negociadores americanos não se debruçaram sobre o que poderiam ser os contornos da barganha comercial.

A lista de cobranças é abrangente e difusa, como ficou claro na abertura de investigação do Escritório do USTR (Representante de Comércio dos Estados Unidos).

Este grupo de executivos brasileiros que está atuando junto a autoridades e empresas dos EUA enfatiza que, mesmo que eles consigam ser ouvidos por quem importa em Washington, a negociação precisa ser conduzida pelo governo brasileiro.

Muitos veem como positiva a movimentação do governo brasileiro, especialmente na figura do presidente em exercício Geraldo Alckmin (PSB). Mas que, no contexto atual, ainda parece pouco, sobretudo diante do prazo exíguo para qualquer solução.

Se nos EUA, a última palavra é de Trump, a mesma coisa acontece no Brasil com Lula (PT). E, do ponto de vista dos empresários, há muitas dúvidas sobre o empenho do Planalto em encontrar uma solução que desative o modo de “combate ao inimigo externo”. Este passou a ser o mote do governo Lula diante dos ataques do presidente americano.

Sobre a ligação de Jair Bolsonaro (PL) com Donald Trump, fontes de Washington têm dados sinais de que não tratam o ex-presidente brasileiro como um negociador, ou mesmo como alguém que pode influenciar uma ruptura no processo de negociação que venha acontecer entre o governo Lula e o governo americano.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio, Comércio Exterior, Exportação

Exportações brasileiras para a China recuam 7,5% em meio a tensões globais e China amplia domínio sobre importações

A guerra tarifária entre China e EUA, a queda nos preços das commodities e a diversificação dos fornecedores chineses mudaram o cenário da balança comercial entre Brasil e seu principal parceiro asiático.

A relação comercial entre Brasil e China passou por transformações importantes no primeiro semestre de 2025. Pela primeira vez em uma década, as exportações brasileiras para a China caíram significativamente, somando US$ 47,7 bilhões — queda de 7,5% em comparação com o mesmo período de 2024. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Essa retração ocorre em um contexto internacional conturbado, com destaque para a intensificação da guerra tarifária entre Estados Unidos e China, iniciada pelo presidente norte-americano Donald Trump. Em resposta, a China acelerou sua estratégia de diversificação de fornecedores, reduzindo sua dependência de parceiros tradicionais como o Brasil.

Queda nas exportações e perda de superávit

Apesar de seguir como principal destino das exportações brasileiras, com 28,7% de participação, o volume embarcado sofreu fortes baixas em produtos-chave. A soja, principal item exportado, registrou crescimento de 5% no volume, mas a queda nos preços derrubou o valor negociado para US$ 18,9 bilhões — uma redução de 6% na receita.

Outro destaque negativo foi o petróleo bruto, que sofreu sua maior retração em cinco anos, com queda de 7% no volume e de 15% no faturamento, totalizando US$ 9,3 bilhões. O impacto foi significativo na balança comercial, que, embora ainda positiva, teve seu superávit com os chineses reduzido para US$ 12 bilhões — o menor desde 2019 e quase metade do registrado no primeiro semestre de 2024.

China amplia presença no mercado brasileiro

Na contramão, as importações do Brasil vindas da China cresceram 22%, atingindo um novo recorde: US$ 35,7 bilhões. A participação chinesa nas compras brasileiras subiu para 26,3%, o maior percentual já registrado no comércio bilateral.

Esse crescimento foi impulsionado especialmente pelo aumento nas importações de veículos híbridos e aço. As compras de carros híbridos somaram US$ 1,38 bilhão — alta de 52% —, enquanto os laminados planos de aço cresceram impressionantes 318%, totalizando US$ 294 milhões.

Segundo especialistas, esses picos foram influenciados por uma corrida de antecipação às novas tarifas sobre veículos elétricos no Brasil, que subiram de 25% em julho de 2024 para 30% em julho de 2025. Mesmo com uma pequena retração em relação a 2024, os veículos chineses ganharam protagonismo, aparecendo pela primeira vez como o segundo bem mais vendido para o Brasil.

De acordo com o Icomex/FGV, entre 2002 e 2025, o Brasil passou de 17º para 6º maior mercado da indústria automotiva chinesa, representando 5,6% das vendas globais de veículos do país asiático.

Crescimento das exportações de industrializados e terras-raras

Apesar da concentração ainda alta em commodities, os embarques de bens industrializados brasileiros para a China avançaram. Destaque para o crescimento nas vendas de torneiras, dispositivos de aquecimento e aferidores de gases, além da valorização das exportações de terras-raras — compostos essenciais para a indústria de eletrônicos, turbinas e baterias de carros elétricos.

As exportações brasileiras de compostos de terras-raras para a China somaram US$ 6,7 milhões no semestre, mais que o triplo do valor registrado em todo o ano de 2024. O aumento coincide com o fortalecimento da presença do Brasil nesse mercado estratégico, impulsionado por acordos internacionais envolvendo China e EUA.

Contexto geopolítico influencia comércio bilateral

O cenário de tensões entre as duas maiores economias do mundo impactou diretamente a dinâmica do comércio internacional. A China, que encerrou o semestre com um superávit comercial global de US$ 586 bilhões, vem ganhando espaço como fornecedora global com preços competitivos e alta capacidade produtiva.

Segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o avanço da China sobre o mercado brasileiro reflete uma mudança estrutural no comércio global: “A China hoje concorre com tudo, produz de tudo e tem preço competitivo em tudo. O mundo está se adaptando a essa nova realidade”.

FONTES: ICL NOTÍCIAS / COMEX DO BRASIL / FGV / MDIC
TEXTO: REDAÇÃO
IMAGEM: FREEPIK

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