Comércio, Exportação

Com tarifa zerada, Brasil pode ampliar exportação de carne suína à Coreia do Sul

País asiático autoriza cota de 10 mil toneladas com isenção

A Coreia do Sul anunciou a criação de uma cota de 10 mil toneladas para importação de carne suína congelada do Brasil com tarifa zero, medida que deve impulsionar o comércio bilateral.

Até então, o produto brasileiro era tributado em 25%. A isenção, no entanto, não se aplica ao corte conhecido como “barriga”.

A medida foi comunicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e comemorada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que vê na decisão um passo relevante para o fortalecimento das exportações brasileiras ao país asiático.

Hoje, a Coreia do Sul ocupa a 16ª posição entre os principais destinos da carne suína brasileira, com a importação de 3,7 mil toneladas no primeiro trimestre deste ano.

país é ainda o quarto maior importador global da proteína, com um consumo per capita de aproximadamente 29 quilos e 785 mil toneladas importadas em 2024, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Para Ricardo Santin, presidente da ABPA, a nova cota tarifária representa um avanço nas negociações conduzidas pelo governo brasileiro.

“O estabelecimento de uma cota isenta é um sinal importante para os avanços das exportações brasileiras de carne suína para a Coreia do Sul, conquistada pelo Ministério da Agricultura. Isto, especialmente em meio às negociações lideradas pelo ministro Carlos Fávaro e seus secretários, em função do reconhecimento do Paraná, Rio Grande do Sul e de outros estados como livres de febre aftosa sem vacinação”, afirmou. 

Atualmente, apenas Santa Catarina tem autorização para exportar carne suína ao mercado sul-coreano, por ser o único estado brasileiro com status sanitário reconhecido pelas autoridades do país.

Fonte: Agrofy News

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Comércio, Exportação

Exportações de couro do Brasil têm volume maior e valor menor

As exportações brasileiras de couro fecharam o primeiro trimestre de 2025 com alta no volume, mas com queda no faturamento. Os curtumes nacionais embarcaram 49,8 milhões de metros quadrados, crescimento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Em peso, os números são 173,1 mil toneladas, incremento de 25,3% na comparação com os primeiros três meses de 2024. Do mesmo modo, esses totais representaram em valores US$ 298,8 milhões, redução de 4,3% no comparativo ao intervalo de janeiro a março de 2024. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e acabaram sendo analisados pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB).

Rogério Cunha, da Inteligência Comercial do CICB, observa a movimentação dos Estados Unidos nas importações de couro do Brasil no primeiro trimestre. Ao mesmo tempo, os norte-americanos iniciaram o ano caindo da segunda colocação no ranking de maiores compradores (2024) para a quarta colocação em janeiro e fevereiro de 2025, anteriormente ao tarifaço de Donald Trump. Por outro lado, em março, recuperaram uma posição e ocupam agora o terceiro lugar.

Para Cunha, ainda é cedo para avaliar o impacto das novas tarifas norte-americanas. “Mas qualquer análise deve ser feita de forma transversal, considerando mudanças na dinâmica de produção e consumo que as taxas devem acarretar em mercados como Ásia e União Europeia – também clientes majoritários da indústria curtidora brasileira– além da manufatura chinesa”, antecipa.

Mercados internacionais

No primeiro trimestre de 2025, a China (excluindo Hong Kong) foi o principal mercado internacional para o couro brasileiro. Nesse sentido, o país asiático teve uma participação de 31,4% (antes 32,6%) em valor e 46,3% (47,2%) em área, com aumentos de 2,1% (+8,0%) em valor e 27,3% (+33,9%) em área.

A Itália aparece na segunda posição, com uma participação de 13,4% (13,9%) em valor e 15,3% (15,7%) em área, registra crescimento de 9,5% (+19,1%) em valor e 20,0% (+33,5%) em área.

Os Estados Unidos, agora em terceiro lugar no ranking, com 12,9% (11,4%) de participação em valor e 6,3% (5,6%) em área. Quedas de 16,8% (-27,8%) em valor e 10,3% (-18,7%) em área.

Estados exportadores de couro

O Rio Grande do Sul se manteve na liderança entre os estados exportadores de couro no primeiro trimestre. Nesse sentido, os curtumes gaúchos responderam por 27,6% do total em valores. Na sequência aparecem Paraná (15,1%), São Paulo (14,6%), Goiás (12,4%) juntamente com Mato Grosso do Sul (8,3%).

O Curtume Minuano (Lindolfo Collor/RS), especializado em couros com pelo, manteve estabilidade nas exportações no primeiro trimestre de 2025. “Foi dentro das expectativas, muito em linha com o ano passado”, frisa o business manager da empresa gaúcha, Mateus Leão Enzveiler. Ele reitera, sobretudo, que a distribuição no mercado externo “foi equilibrada entre os continentes, principalmente na América do Norte, Europa, de forma geral, não somente China”, comenta Enzveiler.

Fonte: Exclusivo 

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Comércio, Exportação

Exportações de mel disparam e Paraná assume vice-liderança no Brasil

Nos primeiros três meses do ano, o Paraná subiu de terceiro para segundo lugar no ranking nacional de exportação de mel, segundo dados do Agrostat Brasil.

Esse é um dos assuntos detalhados no Boletim de Conjuntura Agropecuária referente à semana de 24 a 30 de abril preparado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento.

Isso se deve a um aumento de 114% no volume e de 181,4% de receita no primeiro trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2024.

Foram movimentadas 1.641 toneladas de mel e US$ 5.251 milhões, com um preço médio de US$ 3,20 por quilo.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de mel a partir de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Mel| Jan 2022 –  Fev 2025 | TEUs

O primeiro lugar do ranking é ocupado por Minas Gerais, que movimentou US$ 7,292 milhões em receita e 2.333 toneladas do produto. E em terceiro lugar se encontra o Piauí com US$ 4,006 milhões em receita e 1.359 toneladas de mel.

No âmbito nacional, as exportações do produto no primeiro trimestre de 2025 alcançaram 9.120 toneladas, um aumento de 19,7% em relação ao ano anterior. Por outro lado, foram movimentados US$ 28,412 milhões em receita, uma queda de 54,3% em comparação com 2024.

O principal destino do mel brasileiro continua sendo os Estados Unidos (EUA), que adquiriu 85,7% do volume total exportado no período, seguido de Canadá e Alemanha.

Fonte: Datamar News

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Comércio, Industria

Autoridades do Japão vêm ao Brasil para discutir inspeção de frigoríficos

Uma delegação japonesa vem ao Brasil, na próxima sexta-feira (2/5), para definir a data e roteiro da inspeção das plantas frigoríficas, visando a abertura de mercado do país oriental às exportações de carne bovina. A informação é do secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcel Moreira, que participou nesta quarta-feira (30/4) de um encontro com empresários do agro e produtores na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).

“Temos uma negociação longa com o Japão para essa abertura de mercado, mas, por meio das nossas boas relações e do status sanitário do Brasil, conseguimos com a visita do presidente Lula ao país a excelente sinalização de ir para o próximo passo. Essa visita vai definir exatamente quando e como será a inspeção das nossas plantas”.

O evento foi promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) no estande da Baldan, fabricante de máquinas agrícolas. Em sua palestra, o secretário disse que o Brasil tem os Estados Unidos como o terceiro maior parceiro comercial e tem adotado uma postura pragmática nesse novo cenário de guerra tarifária. O país analisa oportunidades e pontos de atenção para os principais produtos exportados ao mercado americano, como café, suco de laranja, carne bovina, açúcar e etanol.

“A nossa carne bovina, por exemplo, ganhou uma sobretaxa e pode chegar a ser tarifada em 39% com o acréscimo da tarifa geral de 10%. Estimamos que o Brasil deve manter ou aumentar as exportações pela qualidade e preço de sua carne, mas Canadá e México são pontos de atenção por ter livre comércio com os EUA.”

Pastagens
Moreira também citou o programa do Ministério da Agricultura, chamado de Caminho Verde Brasil, que substitui iniciativa anterior de recuperação e conversão de pastagens degradadas. Segundo ele, um estudo identificou 160 milhões de hectares, dos quais 40 milhões são plenamente compatíveis com atividade agrícola e pecuária por ter bons solos e boas condições hídricas.
“Logicamente, é preciso investir nessas áreas para correção do solo, mas com a conversão dos 40 milhões de hectares, o Brasil pode dobrar a produção de alimentos.”

Nesta semana, o governo federal anunciou a realização do segundo leilão EcoInvest para o programa Caminho Verde Brasil. É uma linha de crédito dentro do Fundo Clima para o programa de recuperação de pastagens.

As instituições financeiras deverão apresentar suas propostas do quanto pretende captar no mercado para complementar o aporte do Tesouro Nacional. O plano é garantir a restauração de pelo menos um milhão de hectares. O produtor que receber recursos se compromete por um período de dez anos a não desmatar, mesmo que legalmente, áreas em sua propriedade.

Na Agrishow, o secretário Márcio Moreira, ressaltou que a intenção é oferecer financiamentos com taxas de juros “bem abaixo” das de mercado para os produtores rurais interessados em converter pastagens degradadas em áreas produtivas.

Fonte: Globo Rural 

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Agronegócio, Comércio, Exportação

Mercado de exportação do arroz segue aquecido segundo Federarroz

Segundo informações da Federarroz, a expectativa é de negócios em boa escala especialmente para países da América Central. A exportação de arroz do Brasil registra em 2025 uma demanda aquecida para países da América Central.

No primeiro trimestre do ano, os principais destinos do produto em casca foram Senegal, México, Gâmbia, Nicarágua e Venezuela. Já entre os meses de abril e junho, a Costa Rica, em especial, deve confirmar uma compra acima de 200 mil toneladas.

A partir deste cenário, a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) sinaliza aos produtores para que fiquem atentos às oportunidades de embarques para o cereal, visando o bom andamento do mercado interno.

Conforme o presidente da entidade, Alexandre Velho, essa demanda externa pelo arroz brasileiro trará reflexos para o setor não apenas para este ano. “No próximo ano agrícola, os produtores também sentirão o impacto desta procura”, observa.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de arroz a partir de janeiro de 2022. Os dados são do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Arroz | Jan 2022 –  Feb 2025 | TEUs

Em março, foi realizado um negócio de 30 mil toneladas para o México ao valor de R$ 82,00 a saca de 50 quilos no Porto de Rio Grande. A operação trouxe um indicativo importante para o mercado, especialmente diante de um cenário de oscilações nos últimos meses. O valor foi considerado positivo, tanto pela representatividade da exportação quanto por sua capacidade de influenciar os preços praticados internamente.

O Rio Grande do Sul responde por cerca de 70% da produção nacional e tem capacidade logística consolidada para atender à demanda internacional, especialmente via Porto de Rio Grande, que é uma das principais saídas para o arroz produzido no Estado.

Fonte: Portal Sou Agro

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Comércio, Internacional

Acordo Mercosul-UE enfrenta batalha difícil apesar da guerra tarifária

Diplomatas brasileiros dizem que as ações comerciais de Trump facilitam o caminho, mas convencer França, Polônia e Itália pode exigir o envolvimento pessoal de Lula.

Apesar das tensões comerciais globais desencadeadas pelos Estados Unidos criarem um ambiente mais favorável à ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, os próximos meses exigirão intensos esforços diplomáticos para que ele avance. Autoridades brasileiras envolvidas nas negociações esperam um período desafiador, marcado por possíveis tentativas de França, Polônia e Itália de bloquear o acordo. Uma campanha coordenada contra o tratado também é esperada neste verão europeu, além de uma possível resistência de última hora no Parlamento Europeu. Ainda assim, o objetivo é conseguir a aprovação final até o fim do ano.

Espera-se que o presidente Lula intervenha mais uma vez para ajudar a conduzir o processo até sua conclusão. Não há um cronograma fixo para a ratificação, mas autoridades brasileiras acreditam que o envolvimento direto de Lula será crucial.

“O presidente [Donald] Trump está, na verdade, ajudando, porque a Europa não tem muitas alternativas além de fortalecer acordos já existentes ou pendentes”, disse Jorge Viana, presidente da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Viana participou recentemente de uma missão diplomática por Portugal, Polônia e Bélgica. A última parada, Bruxelas, é também o coração político da União Europeia.

Negociado desde 1999, o acordo foi anunciado no fim de 2024 pelos chefes de Estado do Mercosul e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Quando implementado, o tratado criará uma área de livre comércio abrangendo 700 milhões de pessoas, com PIB conjunto de US$ 22 trilhões.

Diante da crescente onda de protecionismo alimentada pela escalada tarifária de Trump, o acordo ganhou urgência. Em abril, citando os impactos da política comercial dos EUA, a Organização Mundial do Comércio (OMC) reduziu sua previsão para o comércio global em 2025: de crescimento de 2,7% para retração de 0,2%. Desde então, autoridades da UE e do Mercosul intensificaram a divulgação da importância estratégica e econômica do acordo.

Mas ainda há etapas antes de sua entrada em vigor. O texto está sendo traduzido para os 23 idiomas oficiais da UE, além de versões específicas em português e espanhol para os países do Mercosul.

A próxima fase envolve a aprovação por 65% do Conselho Europeu (chefes de Estado), representando pelo menos 55% da população da UE. Os cálculos são considerados “complexos” e “dinâmicos” — negociadores brasileiros usam até um aplicativo de celular para acompanhar as mudanças diárias nos votos. Um alinhamento entre França, Polônia e Itália seria suficiente para barrar o acordo. França e Polônia já expressaram oposição pública; a posição da Itália é vista como ambígua.

Garantir a neutralidade de países como a Bélgica já é visto como vitória diplomática pelos brasileiros.

A última etapa será uma votação por maioria simples no Parlamento Europeu, com base no número de parlamentares presentes. Essa fase é considerada a mais difícil, pois os parlamentares são mais suscetíveis a pressões de lobbies do que os chefes de Estado.

“Vamos precisar de um grande esforço para conquistar a opinião pública”, afirmou Aloysio Nunes, ex-chanceler e atual chefe de assuntos estratégicos da ApexBrasil na Europa.

Segundo autoridades brasileiras, o envolvimento pessoal de Lula será fundamental nas etapas finais. Jorge Viana é um dos que defendem que a “revitalização da diplomacia presidencial” desde o retorno de Lula em 2023 fortaleceu a posição global do Brasil.

“O engajamento do presidente será decisivo para virar o jogo”, disse Viana, aliado de Lula e ex-governador do Acre e senador pelo PT.

Um possível impulso para o Brasil veio em maio, com o reconhecimento formal esperado da Organização Mundial de Saúde Animal de que o país está livre de febre aftosa sem vacinação — uma antiga preocupação de setores agrícolas europeus.

O embaixador brasileiro na UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, prevê que o acordo será “aprovado discretamente”. “Ninguém quer lidar com o custo político disso”, afirmou.

Apesar do otimismo, Costa e Silva alertou que, até o fim do verão europeu, “todos os opositores” do acordo — especialmente o lobby agrícola europeu e ONGs — estarão promovendo uma “campanha implacável”, exigindo uma resposta “exaustiva” do Brasil. “Vai ser intenso”, disse.

No Brasil, a aprovação deve ocorrer com menos obstáculos. Após passar pelo Congresso Nacional e ser sancionado, o tratado entra em vigor para a economia brasileira, sem depender da ratificação pelos demais países do Mercosul.

“Esse conflito global acaba criando oportunidades e janelas de negociação que se tornam vitais para países que buscam se proteger”, afirmou o senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. “Não é uma questão de ‘se’, e sim de ‘quando’ — precisamos aprovar isso.”

O acordo deverá passar pelas comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Constituição e Justiça e Assuntos Econômicos, antes de ir ao plenário da Câmara dos Deputados e do Senado.

Fonte: Valor International

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Comércio, Internacional, Negócios

Líder da indústria brasileira alerta para uma guerra comercial “perde-perde” com os EUA

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, defende cotas de importação e critica políticas populistas trabalhistas e tributárias em meio às tensões entre EUA e China.

Em meio à guerra tarifária iniciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, uma delegação empresarial brasileira deve desembarcar em solo americano nesta quarta-feira. Segundo Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a missão é ajudar a preservar a relação complementar entre os setores industriais dos dois países. Na visão dele, “não há ganha-ganha — só perde-perde”.

Alban defende um sistema de cotas como forma de proteger a indústria brasileira de um possível aumento nas importações de produtos que os EUA deixem de comprar de outros países. Ele afirmou que já discutiu a proposta com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin. “Está no radar”, disse.

A entrevista foi realizada na véspera do 1º de maio, quando um dos principais apelos dos movimentos trabalhistas era o fim da jornada 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso) — proposta que Alban classifica como “populista”. Para ele, a baixa produtividade brasileira não permite esse tipo de medida.

Sobre o projeto de reforma do Imposto de Renda enviado recentemente ao Congresso, ele se posiciona contra o que considera uma forma de bitributação: um imposto mínimo sobre pessoas físicas de alta renda que já são tributadas na esfera corporativa e agora seriam taxadas também como indivíduos. Alban também demonstrou preocupação com a complexa transição para um novo regime de impostos sobre o consumo.

A seguir, os principais trechos da entrevista ao jornal Valor Econômico:

Valor: O senhor viaja aos EUA na próxima semana?

Ricardo Alban: Sim, vamos na quarta-feira com cerca de dez empresas brasileiras que já têm relações com empresas americanas. Estaremos acompanhados da Amcham, de representantes do governo e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Vamos nos reunir com interlocutores do governo americano.

Valor: Qual o objetivo da viagem?

Alban: Identificar pontos críticos e construir mais alinhamento. Algumas questões envolvem segmentos inteiros das cadeias produtivas, outras são específicas de produtos. Estamos lidando com os debates sobre aço e alumínio, atingidos não só pela tarifa de 10% imposta por Trump, mas também por sobretaxas. Mais importante ainda, temos segmentos integrados — áreas de verdadeira complementaridade entre os dois países. O Brasil exporta produtos semielaborados para os EUA, e eles nos vendem produtos quase finalizados ou finais, como equipamentos. Isso não é ganha-ganha; é perde-perde. Vai apenas aumentar os custos dos dois lados. O Brasil não impõe tarifas tão altas sobre produtos americanos porque há exceções, compensações e mecanismos de equilíbrio.

Valor: Como o senhor avalia as medidas tarifárias de Trump até agora?

Alban: O Brasil precisa aproveitar esse momento com inteligência. Não podemos simplesmente ignorar a China, nem virar as costas para os EUA. Os EUA são parceiros industriais fundamentais, enquanto a China é uma parceira relevante em commodities. Precisamos de equilíbrio.

Valor: A China pesa mais que os EUA hoje?

Alban: Não necessariamente, mas a China domina em escala global. E não dá mais para desprezar a tecnologia chinesa. A época de dizer que “máquinas chinesas são baratas, mas ruins” acabou. A China hoje compete em setores de alta tecnologia, como satélites e data centers. Essa é a nova realidade — e mudou o jogo.

Valor: O setor industrial teme o redirecionamento de produtos chineses para o Brasil. É por isso que a CNI defende cotas de importação?

Alban: É uma questão que precisa ser discutida. Vejo as cotas — como o próprio Trump já usou no caso do aço — como uma forma de lidar com o fluxo crescente de aço chinês no Brasil. Com essa disputa entre EUA e China e o esfriamento do comércio global, é inevitável o aumento de produtos chineses no Brasil. Os dados já mostram isso.

Valor: De que forma?

Alban: No primeiro trimestre deste ano — antes mesmo da situação se agravar, o que começou em março — as exportações de manufaturados da China para o Brasil aumentaram mais de 30%. Isso considerando o total. Imagine o que pode acontecer se a guerra comercial se intensificar. Então, por que não estabelecer uma referência com base nos níveis de 2024 e criar um modelo de cotas ou faixas tarifárias que tragam previsibilidade às cadeias produtivas?

Valor: Mas não há conflitos internos nas cadeias? Alguns setores se beneficiam com insumos mais baratos…

Alban: A indústria tem conflitos internos legítimos e naturais. No agronegócio, por exemplo, soja não compete com milho, nem o milho com o trigo — eles se complementam. Já na indústria, aço e máquinas competem — um é insumo do outro. Políticas de preços petroquímicos competem com a indústria de plásticos. Esses conflitos existem e precisam ser debatidos com transparência e base técnica — e não com foco apenas em produtos isolados.

Valor: O Brasil deveria adotar cotas especificamente para produtos chineses?

Alban: Não especificamente. Não devemos apontar um país só. O que precisamos é aplicar o conceito de cotas dentro de uma política tarifária mais ampla. As duas devem se complementar — para evitar protecionismo excessivo, mas também impedir o enfraquecimento da base industrial.

Valor: Então, as medidas dos EUA são justificáveis?

Alban: A Europa provavelmente terá que fazer o mesmo para se reindustrializar ou modernizar. O que são as medidas dos EUA senão formas de proteger sua indústria? Estão realmente errados? Essa é a pergunta.

Valor: Como o governo brasileiro está tratando a questão das cotas?

Alban: Estamos conversando tanto setor a setor quanto diretamente com o governo. A própria embaixada americana afirmou que o Brasil está tendo um diálogo muito construtivo. O vice-presidente Alckmin parece ter sido o primeiro a iniciar essa conversa. Mas também há uma dimensão geopolítica. Haverá solução de curto prazo? Difícil dizer — a cada dia surge algo novo. Um dia é um anúncio de programa, no outro é uma declaração do presidente dos EUA sobre acordo com a Índia… Isso vai acalmar ou piorar?

Valor: Os EUA alegam que há aço chinês sendo vendido indiretamente via Brasil — uma triangulação. Isso faz sentido?

Alban: É preciso analisar os dados. Também importamos aço para nossa indústria de máquinas. Como eu disse, aço e máquinas têm políticas concorrentes. O mesmo vale para plástico e resinas. Então, não se pode assumir que o aço importado é apenas para reexportação. Temos uma indústria avançada de máquinas agrícolas. O aço vem dos EUA, do México, da China. Esse debate é antigo na relação com os EUA — aço, alumínio. Já passamos por isso no governo Trump, e foi resolvido com cotas. É o que se pede de novo agora.

Valor: Isso não causaria problemas com a OMC? O Brasil costuma respeitar a instituição.

Alban: Os EUA não parecem muito preocupados com a OMC. Sinceramente, precisamos ter um referencial, e não concordo em ignorar a OMC, pois é importante ter um mediador. Mas o mundo está, em muitos aspectos, ignorando a OMC. Isso não significa que o Brasil deva fazer o mesmo — mas ela não dará soluções de curto ou médio prazo. Esse é o ponto.

Valor: O que acha da lei de reciprocidade aprovada pelo Congresso?

Alban: Gostaria que o Congresso tivesse a mesma unidade em outros temas importantes para o país. Precisamos de convergência em torno do que é bom para o Brasil — e não apenas de medidas que nos dividem. A reciprocidade não pode ser nossa única ferramenta.

Valor: Como o 6×1, por exemplo?

Alban: Exatamente.

Valor: O presidente Lula está sob pressão para se posicionar sobre isso…

Alban: Porque é uma pauta populista. E, no momento, tanto o governo quanto a oposição estão apelando ao populismo — isso é claro. Mas qual é a lógica? Tenho plena convicção de que o capital não funciona sem o trabalho. Isso não é demagogia — é fato. Claro que hoje o trabalho tem peso menor comparado ao capital, por causa da automação. Mas o que falta no Brasil hoje? Nos rankings de competitividade, ficamos em último lugar. Produtividade não se melhora da noite para o dia. E temos baixa produtividade. Enquanto isso, fala-se em pleno emprego…

Valor: Os dados oficiais mostram isso…

Alban: Não concordo. Ver o copo meio cheio é dizer que temos pleno emprego. Mas é preciso ver quem realmente está procurando trabalho. Muitos já desistiram. Sim, o emprego aumentou — é fato. Mas temos uma narrativa de pleno emprego combinada com baixa produtividade e falta real de mão de obra qualificada.

Valor: Então o problema é a qualificação?

Alban: É um problema relativamente simples. Não temos nem pedreiro suficiente para obra. Num cenário desses, como se fala em reduzir jornada? Onde vamos encontrar mão de obra para repor? Como vamos melhorar a competitividade com aumento de custo? Isso tudo está sendo discutido com oportunismo. Precisamos de racionalidade.

Valor: A isenção de IR para quem ganha até R$5.000 também é populista?

Alban: Isso é populista, sim — mas é justo. Ainda assim, precisamos de uma abordagem racional para encontrar uma solução. Caso contrário, corremos o risco de judicialização e bitributação. A empresa já é tributada, e agora estamos impondo um imposto adicional à pessoa física. É uma forma de compensação fiscal sobre algo que a empresa já pagou.

Valor: E não houve mudança no Imposto de Renda das Empresas…

Alban: Exato. É apenas um aumento da carga tributária indireta. E tudo isso para atingir os chamados “super-ricos”. Mas sabe quem é realmente afetado? Pequenas empresas e profissionais autônomos.

Valor: Acho que é a primeira vez que venho à CNI e não ouço um apelo por reformas estruturais…

Alban: Vamos ver como será a experiência com essa reforma tributária nos próximos três ou quatro anos. Teremos que lidar com dois regimes tributários paralelos. Vamos precisar de muito esforço para entender todas as novas normas…

Valor: Mas, no longo prazo, a reforma não simplifica o sistema?

Alban: Simplifica — até certo ponto. Não é o ideal, mas pelo menos elimina o efeito cascata dos créditos. Isso é uma grande conquista para o setor industrial. Ainda nem sabemos qual será a alíquota final do IVA. Então, como vamos navegar por esse período de transição, especialmente com dois sistemas sobrepostos? Vai ser confuso.

Valor: O senhor tem alguma proposta concreta sobre o período de transição da reforma? Deveria ser estendido?

Alban: Não, acho que poderia até ser mais curto. Prolongar demais só vai gerar mais disputas.

Valor: Como os juros altos estão afetando a indústria?

Alban: Independentemente dos gastos públicos irracionais do governo, a política monetária está extremamente apertada. Nossos juros reais são absurdos. Não há nada parecido no mundo. Some-se a isso nosso sistema financeiro — com todos os calotes e inseguranças jurídicas, que também questiono — e se chega a um spread médio de 15% a 20%. Como se sustenta um setor produtivo com esse “Custo Brasil”?

Valor: O Banco Central está exagerando?

Alban: É claro que o Banco Central tem uma meta de inflação a cumprir. Mas o Brasil é uma nação. Precisamos de uma visão de médio e longo prazo. Juros altos são uma ferramenta legítima de controle da inflação — mas não nesse nível de juros reais. Não sou contra uma política monetária rígida, especialmente se houver uma política fiscal mais racional. Mas precisamos de racionalidade.

Valor: O que o senhor quer dizer com isso?

Alban: Política fiscal não é só responsabilidade do governo federal — vamos dar a César o que é de César. Os três Poderes não colaboram com a disciplina fiscal. Nenhum deles. Há gastos públicos irracionais em todos os Poderes.

Valor: Por exemplo? O novo arcabouço fiscal depende de medidas que ainda não foram implementadas — como aconteceu com o antigo teto de gastos.

Alban: Esses vínculos obrigatórios de gastos são um grande problema. O orçamento é engessado por causa das receitas carimbadas e da forma como o Congresso administra os recursos disponíveis. Mas sabemos que isso não começou com o atual governo, então não se trata de culpar um só. Temos decisões judiciais… A judicialização virou um problema sério no país.

Valor: Um tema em discussão é a racionalização dos gastos tributários. Como o setor privado pode contribuir? O senhor defende um corte linear ou uma revisão caso a caso?

Alban: Estamos falando de gastos tributários — ou de incentivos fiscais direcionados, necessários ao desenvolvimento de certos setores? Acho que tem um pouco dos dois. Mas aqui vai a questão: por que o lobby não é legalizado neste país? O que impede isso? Por que não temos discussões estruturadas, setor por setor? Talvez seja necessário aumentar incentivos em alguns setores e reduzir em outros. Mas esse tipo de decisão não deveria ser unilateral do Ministério da Fazenda ou da Receita Federal.

Valor: Já há uma proposta no Congresso prevendo corte linear. Qual a sua opinião?

Alban: Isso não é lavar as mãos como Pôncio Pilatos? É o caminho mais fácil — mas você acaba com as mesmas distorções. Acredito que precisamos de uma discussão mais profunda e aberta. A isenção do IR até R$ 5 mil já está definida. Mas alguém que ganha R$ 50 mil por mês não é “super-rico”. Não sei em que lugar do mundo isso é considerado super-riqueza. Se há legislação que dá vantagens injustas aos verdadeiramente ricos, corrija-se isso. Mas isso aqui não resolve nada. Só vai atingir a classe média. Na minha visão, a classe média molda a opinião pública — mas não é formada por super-ricos. Se quem ganha R$ 50 mil por mês fosse super-rico no Brasil, estaríamos com uma distribuição de renda maravilhosa.

Valor: A CNI tem uma posição sobre esse projeto de imposto de renda?

Alban: Temos participado ativamente do debate sobre tributação justa, especialmente sobre as big techs. Mas acho que a sociedade se beneficiaria mais se o foco fosse o combate ao comércio ilegal e ao crime organizado. Em 2023, identificamos comércio ilegal em 17 setores, somando R$ 500 bilhões. A perda potencial de arrecadação? Cerca de R$ 150 bilhões.

Valor: E quanto ao projeto sobre reincidência tributária?

Alban: Inicialmente apoiamos, mas ele travou na Câmara. Agora há duas novas propostas em discussão no Senado.

Fonte: Valor International




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Comércio, Logística, Portos

O equívoco no corredor logístico que ligará portos do Brasil ao Pacífico

A promessa é de aumento das exportações para a China, mas o problema se encontra em um ponto-chave: a ênfase nas rodovias

Quando governou o estado de São Paulo, de 1920 a 1924, Washington Luís transformou a construção de rodovias na grande marca de sua gestão, a ponto de cunhar a frase com que seria lembrado: “Governar é construir estradas”. Seus desafetos não perderam a chance de apelidá-lo de “Dr. Estradas de Bobagem”, um trocadilho jocoso com as estradas de rodagem que tanto prezava. Desde então, o Brasil percorreu um longo caminho de asfalto que o afastou cada vez mais dos meios de transporte mais eficientes para a economia, como as ferrovias e as hidrovias.

Cem anos depois, o encontro ocorrido há poucos dias entre os presidentes Lula, do Brasil, e Gabriel Boric, do Chile, mostra que o país insiste nessa trilha. O centro das atenções foi o anúncio dos detalhes da rota rodoviária que ligará os portos de Santos (SP), Paranaguá (PR), São Francisco do Sul e Itajaí (ambos em SC) aos portos chilenos de Iquique, Mejillones e Antofagasta. Promovido por Lula como a solução para aumentar as exportações para a China e os países vizinhos, o projeto é o mais recente exemplo de desperdício de recursos provocados pela opção por um caminho equivocado. “Ninguém garante que trará ganhos aos exportadores”, diz Olivier Girard, presidente da consultoria Macroinfra.

A rota terrestre para o Chile é estudada há décadas e agora vai mesmo sair do papel. Com 3 320 quilômetros de extensão entre os oceanos Atlântico e Pacífico, e cruzando a Argentina e o Paraguai, ela deve ser concluída no primeiro semestre de 2026. O trecho brasileiro, com cerca de 1 500 quilômetros, custará 19 bilhões de reais, providos pelo Orçamento federal e pelo BNDES. Em tempos de déficit fiscal e aumento da dívida pública, o governo argumenta que o projeto reduzirá a distância, o tempo e os custos para alcançar a China, nossa maior cliente. Hoje, um navio que parte de Santos e cruza o Canal do Panamá demora 54 dias até Xangai. Se partisse do Chile, economizaria doze dias. Para a ministra do Planejamento, Simone Tebet, uma das mais entusiasmadas com o projeto, os custos de exportação para a Ásia serão até 90% menores.

Esse otimismo não encontra amparo nas contas dos especialistas. É verdade que o frete marítimo cairá, mas o problema é levar a carga até o Chile a preços competitivos — e a opção por rodovias é a pior possível. “Não faz sentido utilizar estradas para transporte de longa distância”, afirma Roberto Guimarães, diretor da Abdib, que representa as empresas de infraestrutura. “O melhor seriam as ferrovias.” Um estudo feito no ano passado pela Anec, que reúne os exportadores de soja, mostra que o transporte rodoviário para os portos representa até 75% do frete total para chegar à China. Segundo a entidade, os produtores de Sorriso, em Mato Grosso, gastavam 138 dólares para carregar 1 tonelada de grãos até o país asiático. O transporte rodoviário para o Porto de Santos consumia 103 dólares. Apenas 35 dólares eram gastos com o navio.

Nesse sentido, aumentar a utilização das estradas para escoar a exportação não convence os entendidos. “Caminhões são adequados para distâncias de até 500 quilômetros”, diz Maria Fernanda Hijjar, sócia da consultoria Ilos. Outros fatores podem onerar ainda mais a conta. A nova rota cruzará a Argentina, o Paraguai e o Chile. Em cada fronteira, há o risco de os caminhoneiros esperarem dias até que a carga seja liberada pela alfândega para seguir viagem. Além disso, o corredor logístico cruzará a Cordilheira dos Andes em um trecho elevado, onde o trânsito de veículos pesados é restrito — não é possível, por exemplo, fazer o trajeto com os caminhões biarticulados comuns por aqui.

Apesar desses entraves, o governo federal acredita que a nova rota ajudará a elevar o intercâmbio com os nossos vizinhos. No ano passado, a América do Sul contribuiu com 6,3 bilhões dos 75 bilhões de dólares de superávit que o Brasil obteve transacionando com o mundo. Os automóveis e as autopeças responderam por 25% dos 37 bilhões de dólares que vendemos na região. “Negociar com os vizinhos faz sentido no mundo todo”, diz João Villaverde, secretário de Articulação Institucional do Ministério do Planejamento. Faz sentido, mas ocorre que há caminhos mais eficientes e econômicos para atingir esse objetivo, conforme apontam especialistas e empresários que exportam seus produtos. Em um país como o Brasil, tão atrasado em investimentos em infraestrutura, é bastante questionável gastar bilhões de reais em um projeto que investe em uma trilha antiga. A rota terrestre para o Pacífico festejada por Lula representa um novo capítulo de uma série de projetos que privilegiam um caminho equivocado.

Fonte: Veja Negócios

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Comércio, Comércio Exterior, Internacional

China mostra chegada de soja brasileira e diz que não precisa dos EUA

O influente perfil de mídia social Yuyuan Tan Tian, da rede oficial CCTV, publicou nesta segunda-feira (28) um vídeo mostrando diversos navios descarregando soja no porto de Ningbo-Zhoushan, próximo a Hangzhou e Xangai, na China.

“Depois que a China reduziu as compras dos Estados Unidos, navios com soja brasileira apareceram um atrás o outro”, afirmou o canal da plataforma Weibo.

Neste mês de abril, 40 usaram o terminal, um aumento de 48% em relação aos 27 do mesmo mês, no ano passado. Estão sendo desembarcadas 700 mil toneladas de soja brasileira no mês, contra 530 mil em abril de 2024, um aumento de 32%.

Pouco antes, foi aberto o terminal da “trader” chinesa Cofco, o maior no porto de Santos, voltado em grande parte para soja.

Poucas horas depois de sair o vídeo, Zhao Chenxin, vice-diretor da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, principal órgão de planejamento econômico no país, afirmou em entrevista coletiva que a China pode prescindir dos produtos agrícolas dos EUA, por dispor de outras fontes de suprimento e da produção interna.

“Não haverá muito impacto no fornecimento de grãos de nosso país mesmo que não compremos grãos e oleaginosas dos Estados Unidos”, disse Zhao. O mesmo valeria para minérios e gás.

As cenas de Ningbo-Zhoushan, um dos principais portos para soja na China, contrastam com imagens dos portos de Seattle e Los Angeles, veiculadas em mídia social americana nos dias anteriores.

Ambos são situados na costa oeste dos EUA e já apresentam queda no fluxo de carga, segundo veículos jornalísticos locais, depois que as tarifas impostas por Washington aos produtos manufaturados chineses inviabilizaram as importações.

Pequim já vinha buscando menor dependência da produção americana há anos, tendo reduzido a proporção de importações de soja do país, em relação ao total anual, de 40% em 2016 para 18% no ano passado.

Na comparação direta com o concorrente sul-americano, a proporção de alimentos americanos importados pela China caiu de 20% para 13%, enquanto a de brasileiros saltava de 17% para 25%.

A China comprou apenas 1.800 toneladas de soja dos EUA na semana encerrada em 17 de abril, após 72.800 toneladas na semana encerrada em 10 de abril, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA.

A perda do mercado chinês seria um golpe substancial para os agricultores americanos, que enviaram aproximadamente US$ 33 bilhões (R$ 187 bilhões) em produtos agrícolas para o país em 2023. Os EUA também enviaram cerca de US$ 15 bilhões (R$ 85 bilhões) em petróleo, gás e carvão para a China.

Um artigo de Yin Ruifeng, que é afiliado ao ministério da agricultura da China, estima que as remessas de grãos, principalmente do Brasil, Argentina e Uruguai, podem subir para mais de 30 milhões de toneladas entre abril e o final de junho. Segundo cálculos da Bloomberg, esse seria um recorde para o trimestre.

“Não importa como a situação internacional evolua, manteremos o foco em nossos objetivos de desenvolvimento e nos concentramos em administrar bem nossos próprios assuntos”, disse Zhao na coletiva. “Estamos totalmente confiantes em alcançar as metas de desenvolvimento deste ano.”

Foi uma referência à projeção para o PIB chinês em 2025, de cerca de 5%, que vem sendo questionada em relatórios de agentes financeiros ocidentais após a escalada tarifária entre os dois lados, a partir do início de abril.

Zhao não chegou a anunciar medidas de maior impacto sobre o consumo interno, como se esperava na própria China, como saída para as vendas mais baixas nos EUA. A avaliação chinesa teria sido de que as medidas de estímulo, iniciadas no final do ano passado, são o bastante —ao menos até que haja maior definição por parte dos EUA.

Fonte: Folha de S. Paulo

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Comércio, Portos

JBS denunciou que Porto de Santos tá querendo liberar fertilizantes no Porto de Itajaí

Foi publicada nesta terça-feira a deliberação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) que barrou qualquer autorização ou tratativa da Autoridade Portuária de Santos (APS) pra viabilizar a exploração de cargas a granel no Porto de Itajaí. A decisão atende denúncia feita pela JBS Terminais, arrendatária do terminal de contêineres, contra a autoridade portuária do Porto de Itajaí.

O despacho é assinado pelo diretor-geral substituto da Antaq, Caio Farias. A decisão tem caráter de medida cautelar administrativa, com vigência imediata, e suspende preventivamente tratativas pra movimentação de cargas a granel em Itajaí. O mérito da questão ainda será analisado.

Conforme o processo na Antaq, a denúncia da JBS Terminais foi protocolada no dia 26, com pedido de medida cautelar contra a autorização de movimentação de cargas a granel no Porto de Itajaí. Na petição, a empresa alegou que há tratativas da APS envolvendo a possível movimentação de fertilizantes a granel nas instalações públicas do porto, que supostamente envolveria o operador portuário ZPort Itajaí.

A JBS Terminais alegou que a iniciativa estaria sendo estruturada sobre as áreas que integram o contrato de arrendamento transitório, sem que houvesse prévia comunicação formal ou qualquer tipo de consulta aos operadores diretamente impactados. Também foi apontado que não houve o atendimento das exigências técnicas e legais pra implantação de nova modalidade operacional de cargas.

Para justificar os argumentos, a JBS Terminais apresentou a programação do navio Athanasia, com previsão de atracar na noite desta terça-feira para uma possível operação de fertilizantes. Na segunda-feira, a APS negou que o navio esteja trazendo fertilizantes. Segundo o órgão, a movimentação será de bobinas de aço, carga permitida nas práticas operacionais no cais público para cargas gerais.

A denúncia da JBS Terminais contra a APS leva em conta que a empresa detém o arrendamento transitório, que abrange áreas, infraestruturas e instalações portuárias públicas no Porto de Itajaí, inclusive o pátio de carga geral, quando necessário. A Antaq destacou que o contrato, firmado em dezembro de 2023 com prazo inicial de dois anos, teve objetivo de garantir a continuidade da movimentação e armazenagem de cargas até a concessão definitiva do porto.

Itajaí apoia JBS Terminais contra Santos

Em resposta à Antaq na segunda-feira, o superintendente do Porto de Itajaí, João Paulo Tavares Bastos Gama, concordou com a denúncia da JBS Terminais, apontando que a nova modalidade de carga afetaria a vocação do porto para a movimentação de contêineres e “cargas limpas”.

Ele destacou, como abordado pela empresa na denúncia, que o Porto de Itajaí consolidou-se como porto de cargas limpas e de alto valor agregado, essencialmente contêineres, contêineres refrigerados, veículos e cargas especiais, mantendo relação histórica de equilíbrio e harmonia com o centro urbano da cidade.

“Neste contexto, há que se concordar com a denunciante, que a realização da operação de movimentação de fertilizantes no Porto de Itajaí – carga classificada como granel sujo e sabidamente poluente – rompe diretamente com essa vocação histórica e ameaça causar sérios impactos ambientais, urbanos, econômicos e sociais”, escreveu.

João Paulo lembrou que o contrato de descentralização firmado em 2024 passou pro Porto de Santos a autoridade portuária do Porto de Itajaí. Com a mudança, a antiga autarquia municipal passou, em razão de convênio operacional entre a APS, Superintendência do Porto de Itajaí e a prefeitura, a desempenhar papel executivo, inclusive nas operações, com medidas de transição definidas.

O DIARINHO questionou a APS, a SPI, a JBS e a Zport sobre as tratativas pra operações de fertilizantes em Itajaí e aguarda manifestação oficial das empresas. A superintendência do porto respondeu que teve ciência da denúncia à Antaq e não se pronunciará sobre a determinação.

Queda de braço: Porto de Santos derrubou ordem da superintendência

O superintendente do Porto de Itajaí também confirmou que foram iniciados “procedimentos preparativos diversos” para o recebimento de cargas de fertilizantes, por ordem da APS. Em 10 de abril, equipe técnica da SPI, por demanda da ZPort, mandou ofício ao superintendente apontando os requisitos da operação de fertilizantes. O documento dizia que se trataria de uma “operação teste” que atenderia às condicionantes ambientais e operacionais exigidas.

No dia 16 a Zport encaminhou à superintendência e-mail pedindo autorização pra entrada de equipamentos da operação de fertilizantes no porto. No dia 22, por ordem do superintendente, a operação foi suspensa.

No dia seguinte, porém, por determinação da APS, o diretor de operações, Ricardo de Sousa, revogou por conta própria a suspensão dada pelo superintendente do Porto de Itajaí e autorizou a instalação dos equipamentos pra movimentação de fertilizantes. A montagem foi feita e o equipamento ficou pronto pra receber a carga. Três dias depois, houve a denúncia da JBS à Antaq.

Fonte: Diarinho

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