Comércio Exterior

EUA ameaçam tarifas e taxas portuárias para barrar acordo verde da IMO

Os Estados Unidos estão pressionando fortemente aliados e rivais a rejeitarem um acordo histórico das Nações Unidas para reduzir as emissões de combustíveis marítimos, informou a Reuters. Washington alertou que países que avancem com a estrutura proposta pela Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) poderão enfrentar uma série de medidas retaliatórias — desde tarifas e taxas portuárias até restrições de visto.

A intervenção extraordinária ocorre após meses de disputas na IMO sobre seu plano de emissão líquida zero para o setor de navegação, que deve ser votado no próximo mês.

“Estamos ativamente explorando e nos preparando para adotar medidas corretivas, incluindo tarifas, restrições de visto e/ou taxas portuárias, caso esse esforço seja bem-sucedido”, disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA à Reuters. “Lutaremos com firmeza para proteger o povo americano e seus interesses econômicos.”

Sem regras claras e aplicáveis, os armadores não conseguem preparar suas frotas de forma responsável para o futuro.

A posição coloca os EUA em rota de colisão com a União Europeia e vários países do Pacífico e da Ásia que apoiam o acordo.

A ameaça de Washington de usar tarifas e acesso portuário como armas pode afundar anos de delicadas negociações sobre a trajetória climática do transporte marítimo.

Em declaração conjunta no mês passado, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Comércio Howard Lutnick, o secretário de Energia Chris Wright e o secretário de Transportes Sean Duffy afirmaram que o presidente Donald Trump não aceitaria “qualquer acordo ambiental internacional que imponha encargos excessivos ou injustos aos Estados Unidos ou que prejudique os interesses do povo americano.”

A estrutura proposta de emissão líquida zero, acordada em princípio pela maioria dos Estados-membros da IMO em abril, busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor de navegação por meio da introdução de padrões de combustíveis e taxas sobre navios que não cumpram metas rígidas. Os defensores afirmam que as medidas são essenciais para alcançar as metas climáticas da IMO para 2050, mas a delegação dos EUA argumenta que as regras beneficiariam desproporcionalmente a China e penalizariam combustíveis em que a indústria americana é líder, como GNL e biocombustíveis.

A posição é consistente com a sessão do Comitê de Proteção do Meio Ambiente Marinho (MEPC) de abril, quando os negociadores americanos abandonaram as discussões. Na votação de abril, 63 Estados-membros — incluindo China, Brasil e países da UE — apoiaram a estrutura, enquanto 16 se opuseram.

O acordo constitui um padrão de combustível, na forma de uma exigência quanto à intensidade de GEE da energia utilizada, acoplada a um mecanismo de precificação e comércio.

Navios que não reduzirem sua intensidade de emissões de gases de efeito estufa — incluindo dióxido de carbono, metano e óxido nitroso — de acordo com duas trajetórias de redução delineadas nas novas regulamentações, que ainda precisam ser promulgadas na próxima reunião do MEPC em outubro, serão considerados como tendo um déficit de emissões. Esse déficit deverá então ser compensado com a compra de unidades corretivas.

A decisão de outubro exigirá uma maioria de dois terços — 108 dos 176 membros da IMO que ratificaram a convenção relevante — caso não seja alcançado consenso.

A IMO raramente recorre a votações, mas com o endurecimento das posições, uma votação formal parece cada vez mais provável.

ONGs ambientais condenaram a posição dos EUA, alertando que novos atrasos na regulamentação das emissões de combustíveis marítimos podem comprometer a capacidade do setor de atingir suas metas climáticas.

“A próxima sessão do MEPC em outubro oferece a plataforma adequada para tratar de quaisquer preocupações dos Estados-membros antes do processo de adoção”, disse no mês passado um porta-voz da IMO ao portal Splash.

Um porta-voz da BIMCO, o maior grupo de lobby da navegação, disse ao Splash que a posição dos EUA provavelmente não impedirá a implementação caso a estrutura seja aprovada, mas alertou que a não participação de Washington complicaria a fiscalização.

“Mesmo quando, ou se, os EUA registrarem reservas de que as regras não se aplicarão a eles, elas se aplicarão, porque todos os navios de bandeira não americana que operam no comércio internacional estão vinculados pela sua bandeira. Os navios americanos também terão que cumprir se operarem internacionalmente. A única opção é o comércio bilateral fora das regras”, explicou o porta-voz da BIMCO no mês passado.

Para os armadores, a maior dor de cabeça pode ser a incerteza que a postura dos EUA injeta nas decisões de investimento em combustíveis. A corretora SSY afirmou que os pedidos no segmento de granel seco continuam paralisados pela ausência de regras claras e estáveis, com os armadores se resguardando entre GNL, amônia e metanol na esperança de preparar suas frotas para o futuro.

“A confiança importa mais do que a retórica na navegação, pois, sem regras claras e aplicáveis, os armadores não conseguem preparar suas frotas de forma responsável para o futuro, e a descarbonização continuará sendo apenas um exercício custoso de gestão de riscos”, destacou a SSY em uma atualização recente de mercado.

Fonte: Splash 247

Ler Mais
Agricultura, Comércio Exterior, Importação

Importação de banana do Equador gera preocupação para produção catarinense

Produtores de SC alegam preocupação com o preço, além de questões sanitárias

A decisão do governo federal, divulgada em agosto deste ano, de autorizar a importação de bananas do Equador gerou preocupação entre os produtores catarinenses. Os bananicultores temem queda nos preços, além de riscos em questões fitossanitárias. Em Santa Catarina, pequenos produtores, que movem majoritariamente este setor, já se mobilizam contra este cenário.

Em 18 de agosto deste ano, o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) recebeu uma visita oficial de  Daniel Noboa, presidente do Equador. No encontro, Lula afirmou que o Brasil está comprometido em promover um comércio mais equilibrado e reduzir as barreiras aos produtos equatorianos. 

Cultivo da fruta é familiar em Santa Catarina (Foto: Divulgação)

— Começaremos implementando a decisão judicial que abriu o mercado brasileiro para bananas equatorianas. O processo começará com bananas desidratadas e, até o final do ano, concluiremos a análise e a avaliação de risco para bananas frescas —  afirmou Lula.

No primeiro semestre deste ano, o Brasil exportou 43,8 mil toneladas de banana, com receita de aproximadamente R$ 85 milhões. Santa Catarina foi responsável por praticamente 50% do volume exportado, com 21,8 mil toneladas, o que representa um crescimento de 103% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são do painel temático de Comércio Exterior do Observatório Agro Catarinense.

Além disso, o Estado gerou aproximadamente R$ 39,2 milhões de receita, equivalente a 45,9% do total nacional com exportações de banana no primeiro semestre de 2025.

Para os produtores do Norte catarinense, o cenário é de preocupação. Jorge Marangoni é um dos bananicultores em São João do Itaperiú, pequena cidade do Norte catarinense que possui cerca de 200 famílias produtoras. Como presidente da associação do município e da federação catarinense, ele explica que, desde o anúncio sobre a retomada da importação, várias reuniões já aconteceram sobre o tema na região.

A importação da fruta equatoriana havia sido restringida em 1997 devido a questões fitossanitárias, mas foi liberada em 2017 e posteriormente suspensa novamente. Uma das preocupações com a retomada, inclui a possível introdução do vírus BBrMV (Banana Bract Mosaic Virus) no Brasil.

— Lá no Equador eles têm muitas mais pragas e doenças que nós não temos aqui e isso é um risco muito grande, não só para a economia, mas no geral para a produção e até mesmo para uma segurança alimentar — afirma.

Outro fator que pode desestimular a produção catarinense é a característica familiar. São pequenas propriedades rurais que têm a banana como principal fonte de renda para a subsistência.

— A nossa a banana (brasileira) em si é formada da agricultura familiar, principalmente Santa Catarina. É a característica do pai, da mãe, dos filhos, do avô, todos na mesma propriedade trabalhando. Porque as propriedades são muito pequenas, comparado em outras regiões e comparado com outras culturas — fala.

O impacto no Estado pode ser principalmente em relação a questão de oferta e procura, defende Jorge. O produtor explica que com mais competitividade no setor, a produção catarinense pode perder força e trazer reflexos no preço. Ainda, ele afirma que, apesar da boa produtividade na safra deste ano, o preço foi baixo. Com mais este obstáculo, o cenário preocupa cada vez mais.

— A banana equatoriana, por ela estar no clima da linha do Equador, o clima que ela se desenvolveu é melhor para a questão de qualidade de casca, apenas de aparência, não de sabor e menos ainda de segurança alimentar. Não se compara com a nossa. Então, isso muito nos preocupa — afirma.

A mobilização na região busca uma reunião com Carlos Fávaro, ministro da pasta de Agricultura e Pecuária. A intenção é derrubar a retomada da importação da banana equatoriana.

— Nós estamos bem otimistas que vamos conseguir — explica Jorge.

Repercussão do cenário

Na última terça-feira (2), a Câmara de Vereadores de Guaramirim, cidade do Norte do Estado,  aprovou uma moção contra a decisão do governo federal de importar a fruta do Equador. Para o autor da iniciativa, vereador Marcelo Deretti (PP), a importação preocupa os bananicultores da cidade.

— A entrada da banana do Equador no mercado interno pode gerar uma concorrência desleal, desvalorizando o preço do produto. Vale lembrar que o Brasil é autossuficiente na produção de banana — argumenta.

Antes disso, em 26 de agosto deste ano, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), também aprovou uma moção em manifestação de repúdio à decisão do governo federal de autorizar a retomada da importação de banana do Equador.

O autor da moção, deputado Antídio Lunelli (MDB), afirmou não haver justificativa econômica para importar banana. Ainda, citou sobre os riscos sanitários devido ao consumo do produto equatoriano pelo Brasil.

— O que essa decisão traz é risco fitossanitário e ameaça concreta de pragas que podem destruir plantações inteiras, como o Fusarium TR4, conhecido como Mal do Panamá — afirmou.

As moções serão enviadas ao presidente da República, ao ministro da Agricultura e Pecuária, aos presidentes da Câmara e do Senado e ao Fórum Parlamentar Catarinense, cobrando a revogação imediata da autorização de importação.

O NSC Total questionou o Ministério da Agricultura e Pecuária sobre as preocupações dos produtores quanto a questão sanitária e também preços de comercialização, mas não obteve retorno até a publicação deste matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

Fonte: NSC Total
Com informações de Agencia Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior

Produtores pedem que EUA suspendam importação de carne bovina do Brasil

A Associação Nacional dos Pecuaristas (National Cattlemen’s Beef Association, NCBA) dos Estados Unidos solicitou ao governo de Donald Trump que a carne brasileira seja vetada no país.

O que aconteceu
A solicitação foi exposta por Kent Bacus, diretor da NCBA, em carta ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA). Na quarta, dia 3, ele testemunhou em audiência pública de investigação que apura se as práticas comerciais do Brasil são prejudiciais às empresas americanas, com base na Seção 301 da legislação de comércio americana.

“A NCBA apoia fortemente o presidente Trump em responsabilizar o Brasil, impondo tarifas de até 76% sobre bens brasileiros destinados ao mercado dos EUA. Este é um bom primeiro passo, mas o governo deve continuar a responsabilizar o Brasil por suas barreiras comerciais à carne bovina dos EUA e por sua falta de transparência e responsabilidade.” Kent Bacus, diretor da NCBA

Com os 50% do tarifaço em vigor, o Brasil paga hoje uma tarifa que supera os 76% para a venda de carne para os Estados Unidos -a taxa anterior era de 26%. O país norte-americano é o segundo principal destino da carne brasileira, atrás apenas da China.

A NCBA solicita ao governo Trump suspender as importações de carne bovina do Brasil até que um processo completo de auditoria e inspeção comprove que o Brasil possa atender a um nível equivalente de segurança alimentar e saúde animal

A NCBA destacou ainda as restrições do Brasil à carne bovina dos EUA e preocupações de longa data com o histórico do governo brasileiro em segurança alimentar e saúde animal. “Nos últimos cinco anos, o Brasil vendeu US$ 4,45 bilhões em carne bovina para consumidores americanos, mas não ofereceu acesso significativo à carne bovina dos EUA, implementando barreiras técnicas onerosas”, diz a associação.

O texto também aponta uma ‘falha do Brasil em relatar casos graves de saúde animal de forma oportuna’ e diz que o país sul-americano ‘repetidamente atrasou semanas, meses ou até anos para relatar casos de encefalopatia espongiforme bovina (BSE) atípica, enquanto usava o atraso para vender mais produtos’.

A NCBA foi a primeira a alertar sobre os problemas de segurança alimentar do governo brasileiro em 2017 e seus atrasos em relatar casos de BSE atípica em 2021 e 2023. Os Estados Unidos mantêm todos os parceiros comerciais nos mais altos padrões baseados em ciência, e o Brasil não deve ser a exceção

Nos últimos 40 anos, o governo brasileiro sofreu sete investigações abertas pelo USTR sob a chamada seção 301 da Lei de Comércio. Foram alvos do escrutínio americano setores como os de software, fármacos e automóveis, entre outros.

Fonte: UOL

Ler Mais
Comércio Exterior

Trump assina decreto de isenções tarifárias a parceiros comerciais

Mais de 45 categorias entram na lista de tarifas zeradas para importação de “parceiros alinhados”. Ordem entra em vigor a partir da próxima segunda-feira (8)

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (5), um decreto que oferece algumas isenções tarifárias a parceiros comerciais que fecharem acordos sobre exportações industriais como níquel, ouro e outros metais, além de compostos farmacêuticos e produtos químicos. A ordem entra em vigor a partir da próxima segunda-feira (8).

A ordem identifica mais de 45 categorias para tarifas zero de importação de “parceiros alinhados” que firmam acordos para cortar as tarifas e taxas “recíprocas” impostas por Trump sob o estatuto de segurança nacional da Seção 232. O decreto alinha as tarifas dos EUA com seus compromissos em acordos-quadro existentes, incluindo aqueles com aliados como o Japão e a União Europeia.

No documento, Trump afirma que sua disposição em reduzir tarifas depende do “escopo e do valor econômico dos compromissos de um parceiro comercial com os Estados Unidos em seu acordo de comércio recíproco” e dos interesses nacionais dos EUA.

Trump passou seus primeiros sete meses no cargo implementando aumentos tarifários massivos para reorganizar o sistema comercial global, reduzir os déficits comerciais dos EUA e obter concessões de países parceiros comerciais em negociações.

Categorias isentas

Os cortes abrangem itens que “não podem ser cultivados, minerados ou produzidos naturalmente nos Estados Unidos” ou produzidos em volume suficiente para atender à demanda doméstica.

Um funcionário da Casa Branca afirmou que também cria novas exceções para alguns produtos agrícolas, aeronaves e peças, além de artigos não patenteados para uso em produtos farmacêuticos. Em situações em que um país tenha firmado um acordo comercial “recíproco” com os Estados Unidos, isso permitirá que o representante comercial dos EUA, o Departamento de Comércio e a alfândega isentem tarifas sobre importações cobertas sem uma nova ordem executiva de Trump, afirmou o funcionário.

Os itens com tarifa zero identificados na ordem incluem grafite e várias formas de níquel, um ingrediente essencial na fabricação de aço inoxidável e em baterias de veículos elétricos. Também estão abrangidos compostos usados ​​em medicamentos genéricos, incluindo o anestésico lidocaína e reagentes usados ​​em testes de diagnóstico médico.

A ordem abrange vários tipos de importações de ouro, desde pós e folhas até ouro em barras, uma importação importante da Suíça que enfrenta tarifas americanas de 39%, já que ainda não chegou a um acordo comercial. A ordem também permite a eliminação de tarifas sobre grafite natural, ímãs de neodímio e diodos emissores de luz (LEDs), além de eliminar isenções tarifárias anteriores sobre certos plásticos e polissilício, um componente essencial dos painéis solares.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior

As tarifas nas principais rotas marítimas caíram 1% durante a última semana

O índice composto elaborado pela Drewry, World Container Index (WCI), apresentou uma queda de 1%, chegando a 2.104 dólares por contêiner de 40 pés nesta semana. Com isso, consolida-se a estabilização após 11 semanas de declínio.

“Essa estabilidade se deve a tendências opostas em diferentes rotas comerciais. Enquanto um aumento significativo nas tarifas transpacíficas impulsionou o índice para cima, uma queda acentuada nas tarifas Ásia-Europa compensou esse avanço, resultando em um índice estável no geral”, informou a consultoria.

“Após 11 semanas consecutivas de queda, as tarifas spot transpacíficas estão em alta graças aos anúncios de GRI de várias companhias marítimas”, acrescentou.

Nesse sentido, as tarifas spot de Xangai para Los Angeles aumentaram 8%, alcançando 2.522 dólares por FEU, enquanto as de Xangai para Nova York subiram 12%, chegando a 3.677 dólares por FEU.

“Apesar da próxima Semana Dourada na China, é improvável que essas tarifas se mantenham sem novos cortes na capacidade do transporte marítimo. Portanto, a Drewry prevê que as tarifas permanecerão estáveis nas próximas semanas”, destacou a consultoria.

Por outro lado, as tarifas de Xangai para Roterdã caíram 10% (2.385 USD/FEU) e as de Xangai para Gênova recuaram 7% (2.653 USD/FEU).

“Apesar da boa demanda e dos atrasos nos portos europeus, o crescente excesso de capacidade dos navios pressionou para baixo as tarifas spot nessa rota comercial. Por isso, a Drewry prevê uma nova queda das tarifas spot nas próximas semanas”, reforçou a entidade.

O WCI projeta que o equilíbrio entre oferta e demanda volte a enfraquecer no segundo semestre de 2025, o que provocará uma nova contração das tarifas spot.

“A volatilidade e o momento das mudanças nas tarifas dependerão das futuras tarifas impostas por Trump e das alterações na capacidade relacionadas à introdução de sanções dos Estados Unidos contra navios chineses, que ainda são incertas”, concluiu a Drewry.

Fonte: Portal Portuario

Ler Mais
Comércio Exterior

União Europeia reconhece Brasil como país livre da gripe aviária

Restrições a frango brasileiro haviam sido colocadas em maio deste ano

A União Europeia reconheceu o Brasil livre da gripe aviária e autorizou a retomada das compras de carne de frango brasileiro para os Estados-membros do bloco europeu. O comunicado oficial foi realizado durante encontro, nessa quinta-feira (4), entre o comissário de Saúde e Bem-Estar Animal da União Europeia, Olivér Várhelyi, e o ministro brasileiro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

As restrições ao frango brasileiro foram colocadas pelos europeus, após um foco de influenza aviária ser identificado em uma granja brasileira no mês de maio. O ministro da Agricultura lembrou que em abril do ano passado, uma auditoria feita pela Direção-Geral de Saúde e Segurança Alimentar da UE já havia concluído que o sistema sanitário brasileiro é transparente.

Segundo o comissário europeu, as informações adicionais enviadas pelo Ministério da Agricultura, nos últimos meses, confirmam que o Brasil está livre da influenza aviária. Na prática, agora o bloco europeu vai propor um levantamento gradual das restrições às exportações brasileiras para seus Estados-membros.

O ministro Carlos Fávaro ressaltou outros avanços das negociações, como a retomada do pre-listing, que é a dispensa de auditorias adicionais às empresas brasileiras. “As próximas semanas, os Estados-membros da comunidade europeia se reunirão para a retirada do controle reforçado e a volta do pré-listing tão importante para o Brasil, que está suspenso desde 2018. Por último, o compromisso também que ele manda uma auditoria da comunidade europeia para vistoriar as plantas frigoríficas de pescados brasileiros, o que pode então ter a retomada desse comércio tão importante para essa cadeia produtiva”, diz.

A reunião do Brasil com o representante europeu foi por videoconferência e teve a participação do Ministro da Pesca, André de Paula.

Fonte: Agência Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior

Em impasse tarifário com Trump, China boicota soja americana

Os agricultores americanos precisam vender sua safra, e a China precisa comprá-la caso sua principal alternativa, o Brasil, sofra com enchentes ou secas; mas a guerra comercial entre os dois países impede um acordo

China possui metais de terras raras. Os Estados Unidos e o Brasil possuem soja.

Apesar de todo o domínio que a China exerce sobre as cadeias de abastecimento globais, ela depende enormemente da soja proveniente de outras partes do mundo. A China importa três quintos de toda a soja comercializada nos mercados internacionais. Agora, com a China e os Estados Unidos em um impasse tenso sobre tarifas, a soja surgiu como uma disputa central entre os parceiros comerciais.

A China vem boicotando as compras de soja dos EUA desde o final de maio para mostrar seu descontentamento com a imposição de tarifas pelo presidente Donald Trump sobre as importações da China. O impacto está sendo sentido nos estados do Meio-Oeste, especialmente Illinois, Iowa, Minnesota e Indiana. Pela primeira vez em muitos anos, os agricultores americanos estão se preparando para colher sua safra neste outono sem pedidos de compra da China.

“Quanto mais nos aproximamos do outono sem chegar a um acordo com a China sobre a soja, piores serão os impactos para os agricultores de soja dos EUA”, alertou a American Soybean Association em uma carta enviada a Trump em 19 de agosto.

Mas a China também enfrenta riscos nesse impasse. O Brasil, que fará a colheita no início do próximo ano, é o único outro país com soja suficiente para atender à demanda chinesa e com trens e capacidade portuária suficientes para transportar essa soja para a China.

“Acho que eles provavelmente poderiam passar sem a soja americana neste outono, mas se o Brasil tiver alguma seca ou enchente que afete suas safras no próximo ano, isso colocaria a China em uma posição difícil”, disse Darin Friedrichs, diretor-gerente da Sitonia Consulting, uma empresa de pesquisa especializada em agricultura chinesa.

Na China, espera-se uma safra recorde de soja este ano e agricultores como Zhou Ping estão prosperando. Com a forte demanda, os preços estão subindo, e este verão trouxe um equilíbrio quase perfeito entre sol e chuva.

“A safra deste ano é a melhor que já vi em anos”, disse ele, parado à beira de seu campo verde-escuro de plantas que chegam à altura das coxas.

No entanto, mesmo com uma colheita provável de 21 milhões de toneladas este ano, a China precisará importar mais 100 a 105 milhões de toneladas.

A imensa necessidade da China por soja importada — o suficiente para encher o Superdome em Nova Orleans mais de 30 vezes por ano — reflete uma mudança para dietas ricas em proteínas, à medida que os padrões de vida dispararam nos últimos 30 anos. A China agora cria um grande número de porcos e galinhas.

A China importa soja geneticamente modificada para alimentar esses animais. As modificações genéticas são quase totalmente proibidas na China, e a soja cultivada no país é usada principalmente para consumo humano, principalmente em tofu e leite de soja.

Antes da primeira guerra comercial de Trump com Pequim em 2018, a China comprava entre um quarto e um terço da safra americana. Desde então, a China tem tentado desenvolver alternativas. Mas apenas o Brasil conseguiu realmente aumentar significativamente o fornecimento ao mercado chinês.

A China comprou 71% de suas importações de soja no ano passado do Brasil, quando um clima quase perfeito levou a uma safra recorde.

Os Estados Unidos forneceram 21% do total de soja importada pela China no ano passado. A safra é, no entanto, a maior exportação remanescente dos Estados Unidos para a China. Pequim substituiu sistematicamente as importações de equipamentos agrícolas e outros produtos manufaturados avançados dos Estados Unidos por meio de um programa, o Made in China 2025, destinado a aumentar a autossuficiência do país.

A China tem feito um esforço conjunto para aumentar a produção de soja, aplicando extensos subsídios governamentais. Apesar da colheita bem-sucedida deste ano, os resultados desse esforço têm sido mistos.

Os principais produtores do país estão na província de Heilongjiang, no nordeste da China, próxima à Sibéria, na Rússia. Mas eles têm demorado a aumentar a produção.

O governo paga aos agricultores em grande parte de Heilongjiang um subsídio equivalente a cerca de US$ 17 por acre para cultivar milho e cerca de US$ 300 para cultivar soja. No entanto, nas aldeias próximas a Harbin, capital da província, e perto de Heihe, na fronteira com a Rússia, no rio Amur, a maioria dos campos ainda está coberta de milho.

Os agricultores que plantaram soja disseram que seus vizinhos estavam relutantes em mudar de cultura.

A regra geral em Heilongjiang é que o milho é vendido pela metade do preço da soja por tonelada. Mas um acre de terra plantado com milho normalmente produz três vezes mais alimentos. Assim, os agricultores podem ganhar mais dinheiro com o milho do que com a soja, mesmo quando os subsídios são levados em consideração.

Heilongjiang, como a maior parte da China rural, tem uma grave escassez de mão de obra, já que os jovens migram para as cidades. Eles ganham salários elevados nas fábricas do país, que também têm escassez de mão de obra, mas pagam muito mais do que a agricultura.

“O milho é fácil de cultivar porque dá menos trabalho — a soja requer mais cuidados e manutenção e, se não for bem cuidada, fica cheia de ervas daninhas”, disse Jia Yinghai, agricultor em Dawusili, uma vila perto de Heihe.

Durante o primeiro mandato de Trump, quando Pequim suspendeu temporariamente as compras de soja americana, muitas pessoas pensaram que a Rússia poderia ajudar a China a reduzir sua dependência das importações americanas.

Algumas empresas chinesas já operam fazendas de soja do outro lado do rio Amur, na Sibéria. Mas seus esforços para expandir esbarraram em dificuldades.

Por um lado, a linha ferroviária chinesa que vai do sul da fronteira russa em Heihe cobra tarifas de frete mais altas do que o sistema nacional da China, disse Zhou Rui, gerente geral da Heihe Beifeng Yuandong Agricultural Development Company, uma empresa de Heihe com fazendas de soja na Rússia. A empresa possui moinhos de esmagamento de soja em Heihe que extraem o óleo de soja, usado na culinária, e deixam para trás a farinha de soja, usada como ração animal.

Caminhões transportam o óleo de soja de alto valor da Heihe Beifeng para o sul. Mas a empresa tem tido dificuldade em convencer grandes empresas de criação de frangos e suínos a 2.400 km de distância, na China central, a comprar sua farinha de soja, disse Zhou, que não tem parentesco com o agricultor de mesmo sobrenome.

Para piorar a situação, a Rússia mudou suas políticas relativas à soja após invadir a Ucrânia em 2022. A Rússia introduziu um imposto de aproximadamente 20% sobre as exportações de soja não triturada. O imposto desestimulou os agricultores a enviar suas safras para a China.

O sistema ferroviário da Rússia também está fornecendo transporte gratuito de farelo de soja para fazendas de gado no oeste da Rússia, que fornecem carne para seus soldados na linha de frente. Esse é outro incentivo para que a soja cultivada na Sibéria russa seja transportada para o oeste, e não para o sul, para a China.

No ano passado, as exportações de soja da Rússia para a China caíram pela metade e representaram apenas 0,6% do total das importações de soja da China.

No geral, a China vende três a quatro vezes mais produtos para os Estados Unidos do que compra, um desequilíbrio que o presidente Trump está tentando resolver. “Espero que a China quadruplique rapidamente seus pedidos de soja”, escreveu ele nas redes sociais no mês passado.

No entanto, a China pode ter outro trunfo na disputa com os Estados Unidos pela soja: reservas estratégicas de soja para uso durante guerras, desastres agrícolas ou outras crises. Embora o tamanho exato das reservas seja segredo de Estado, o governo dos EUA estimou recentemente que Pequim pode ter 45 milhões de toneladas de soja, o equivalente a dois anos de importações dos Estados Unidos.

O que não está tão claro, porém, é quanto dessa reserva de emergência a China está disposta a usar em uma guerra comercial.

Fonte: Estadão

Ler Mais
Comércio Exterior

Índia fornecerá pacotes de ajuda para exportadores afetados por tarifas dos EUA

A Índia planeja introduzir pacotes de apoio para exportadores afetados pelas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos indianos, anunciou a Ministra das Finanças Nirmala Sitharaman na sexta-feira.

Sitharaman revelou as intenções do governo durante uma entrevista ao canal de notícias India Today, reconhecendo o impacto significativo que essas tarifas tiveram no setor de exportação da Índia.

A ministra das finanças não forneceu detalhes específicos sobre a natureza ou o cronograma dos pacotes de ajuda.

Fonte: Investing

Ler Mais
Comércio Exterior

China importa mais e superávit da balança brasileira pós-tarifaço cresce

Vendas de produtos brasileiros para a China cresceram 29,9% em agosto deste ano. Soma de todas as vendas para o mundo no mês cresceu 3,9%, atingindo US$ 29,86 bilhões

A China importou mais no período e contribuiu para as exportações brasileiras, que somaram US$ 227,6 bilhões de janeiro a agosto deste ano.

Só em agosto, período em que as tarifas impostas por Donald Trump entraram em vigor, as compras que a China fez de produtos brasileiros cresceram 29,9%. Os resultados mais recentes da balança comercial foram divulgados nesta quinta (4/9) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

As exportações para a China, Hong Kong e Macau no mês de agosto somaram US$ 9,60 bilhões. As importações  diminuíram -5,8% e totalizaram US$ 5,54 bilhões. Assim, a balança comercial com este parceiro comercial apresentou superávit de US$ 4,06 bilhões e a corrente de comércio aumentou 14,1% alcançando US$ 15,13 bilhões.

No período de janeiro a agosto deste ano, o acumulado das vendas para o exterior – US$ 227,6 bilhões – bateu o recorde da série histórica. Já as importações alcançaram US$ 184,8 bilhões, fazendo com que a corrente de comércio também batesse recorde do período, com 412,4 bilhões.

Na comparação ao mesmo período de 2024, a soma das exportações brasileiras para o mundo cresceu 0,5%. Já as exportações para os Estados Unidos, em agosto, pós-tarifaço de Donald Trump, caíram -18,5% e somaram US$ 2,76 bilhões.

Esses e outros resultados foram apresentados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC), nesta quinta-feira (4/9), durante coletiva da Balança Comercial, relativa aos resultados de agosto.

Balança Comercial Mensal – Dados Consolidados >> Agosto/2025

No mês, as exportações somaram US$ 29,9 bilhões e as importações, US$ 23,8 bilhões, com saldo positivo de US$ 6,1 bilhões e corrente de comércio de US$ 53,6 bilhões.

Nos comparativos totais somente do mês de agosto/2025 (US$ 29,86 bilhões), nas exportações, comparados com agosto/2024 (US$ 28,74 bilhões), houve crescimento de 3,9%. Em relação às importações, houve queda de 2% na comparação entre agosto/2025 (US$ 23,73 bilhões) e agosto/2024 (US$ 24,22 bilhões).

Assim, em agosto a corrente de comércio totalizou US$ 53,59 bilhões e o saldo foi de US$ 6,13 bilhões. Comparando-se este período com o de agosto/2024, houve crescimento de 1,2%.

Já nos comparativos totais das exportações, de janeiro/agosto 2025 (US$ 227,6 bilhões), comparado com o de janeiro/agosto 2024 (US$ 226,5 bilhões) houve crescimento de 0,5%. Em relação às importações, o crescimento de 6,9%, saltando de US$ 172,9 bilhões em janeiro/agosto 2024 para US$ 184,77 bilhões em janeiro/agosto 2025. A corrente de comércio de US$ 412,35 bilhões representou crescimento de 3,2% na comparação entre estes períodos.

Exportações por Setor

No mês de agosto/2025, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de US$ 0,51 bilhões (8,3%) em Agropecuária e de US$ 0,74 bilhões (11,3%) em Indústria Extrativa; houve queda de US$ 0,14 bilhões (0,9%) em produtos da Indústria de Transformação.

No acumulado de janeiro/agosto 2025, comparando com igual período do ano anterior, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de US$ 0,23 bilhões (0,4%) em Agropecuária e de US$ 4,69 bilhões (4,0%) em produtos da Indústria de Transformação; houve queda de US$ 4,01 bilhões (7,2%) em Indústria Extrativa.

Importações por Setor

No mês de agosto/2025, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de US$ 1,7 milhão (0,4%) em Agropecuária e de crescimento de US$ 0,37 bilhão (26,5%) em Indústria Extrativa; houve queda de US$ 0,85 bilhão (3,8%) em produtos da Indústria de Transformação.

No acumulado de janeiro/agosto 2025, comparando com igual período do ano anterior, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de US$ 0,35 bilhões (9,2%) em Agropecuária e de US$ 13,92 bilhões (8,9%) em produtos da Indústria de Transformação; houve queda de US$ 2,42 bilhões (21,6%) em Indústria Extrativa.

Fonte: Agência Gov

Ler Mais
Comércio Exterior

Um mês de tarifaço: vendas para EUA caem 18,5%, e superávit da balança sobe

A balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 6,133 bilhões em agosto, primeiro mês em que vigorou a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos a diversos produtos brasileiros. O crescimento foi de 3,9% em relação a agosto do ano passado. Já as exportações para o mercado americano despencaram 18,5% no mês passado, informou hoje o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

O que aconteceu

As exportações brasileiras somaram US$ 29,8 bilhões em agosto, contra US$ 28,7 bilhões em agosto do ano passado. O resultado foi impulsionado pela agropecuária e indústria extrativista. “Temos um destaque em valor para a carne bovina, que aumentou 56%, e para o ouro, que aumentou 55,9% em valor, mas em volume cresceu [também]”, afirmou Herlon Brandão, diretor de estatísticas e estudos de comércio exterior do ministério.

Já as importações atingiram US$ 23,7 bilhões no mês passado. A queda foi de 2% em comparação com agosto de 2024 (US$ 24,2 bilhões). Destaque para bens de capital, que caíram 10,1% em valores, e bens de consumo (-9%).

No acumulado do ano, o Brasil exportou US$ 227,5 bilhões. O crescimento foi de 0,5% em relação ao acumulado dos oito primeiros meses de 2024.

Já as importações somaram US$ 184,7 bilhões de janeiro a agosto. O valor significa crescimento de 6,9% em comparação com os US$ 172,9 bilhões importados no mesmo período do ano passado. Assim, o saldo positivo nos oito primeiros meses do ano foi US$ 42,8 bilhões.

Já o saldo corrente de comércio ficou de US$ 412,3 bilhões nos oito primeiros meses do ano. Essa é a diferença entre o valor total exportado e importado em um determinado período.

O aumento da exportação foi mais que suficiente para compensar a queda da importação e fazer com que a corrente de comércio crescesse no mês de agosto, com aumento de 1,2%.Herlon Brandão, diretor de estatísticas do Mdic

Caem exportações para os EUA

As exportações brasileiras para os EUA caíram 18,5%, para US$ 4 bilhões em agosto. No ano passado, o Brasil havia exportado US$ 4,4 bilhões para o mercado americano.

Os produtos com as maiores quedas de exportação para os EUA foram:

  1. Minério de ferro: – 100%. “Não exportamos minério de ferro nesse mês de agosto para os Estados Unidos”, afirmou o diretor de estatísticas.
  2. Açúcar: – 88,4%.
  3. Aeronaves e partes de aeronaves: – 84,9%
  4. Motores e máquinas não elétricos: – 60,9%
  5. Carne bovina fresca: – 46,2%
  6. Máquinas de Energia Elétrica: – 45,6%
  7. Madeira em bruto (parcialmente trabalhada): – 39,9%.
  8. Óleos combustíveis: – 37%
  9. Produtos semi-acabados de ferro-aço: – 23,4%
  10. Celulose: – 22,7%.

Já as importações de produtos americanos subiram 4,6%, e chegaram a US$ 3,9 bilhões no mês passado. Há um ano, as importações para os americanos somaram R$ 3,8 bilhões.

Outros mercados

Brasil também vendeu menos para Canadá e União Europeia. Enquanto as vendas recuaram 11,9% para a UE (de US$ 4,5 bi para US$ 4 bi), o recuo foi de 10,7% para os canadenses, de US$ 546 milhões em agosto de 2024 para US$ 487 milhões em agosto de 2025.

Já as exportações para o México cresceram 43,8%. Em agosto, foram vendidos US$ 790 milhões ao país latino-americano, contra US$ 549 milhões um ano antes.

O grupo representado por China, Hong Kong e Macau foi o principal destino dos produtos brasileiros em agosto. Aumento de 29,9%, de US$ 7,3 bilhões para US$ 9,5 bilhões, o que significou uma participação de 32,1% das exportações nacionais no mês passado.

Os produtos mais vendidos para a China, Hong Kong e Macau foram:

  1. Carne bovina: + 84%
  2. Óleos e produtos de petróleo: + 75%
  3. Soja: + 28,4%
  4. Açúcar e melaço: + 20%
  5. Minério de ferro: + 4,9%

A China, que vinha caindo a exportação para esse destino ao longo do ano por conta principalmente de preço, (…) nesse mês de agosto [teve] um grande crescimento de volume exportado.Herlon Brandão, diretor de estatísticas do Mdic

O tarifaço

O tarifaço de 50% vale desde 6 de agosto. Naquela data, os EUA passaram a cobrar mais 40% sobre as tarifas de 10% que já aplicavam desde abril sobre a importação de produtos brasileiros. Desde então, uma taxa de 50% passou a ser cobrada sobre produtos como café, carnes, pescados, açúcar, cacau e frutas tropicais, como manga e uva. Castanhas, suco de laranja e produtos de aviação civil entraram em uma lista de quase 700 produtos que se livraram da sobretaxa.

As razões para o tarifaço são políticas. Trump implementou a tarifa adicional de 40% sobre o Brasil “para lidar com políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro que constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA”, escreveu o republicano em sua ordem executiva.

O documento cita o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Casa Branca classificou o processo contra o ex-presidente como uma “perseguição, intimidação, assédio e censura”.

Moraes tem abusado de sua autoridade judicial para ameaçar, atingir e intimidar milhares de seus oponentes políticos.Comunicado da Casa Branca

As decisões judiciais do Brasil contra big techs também foram mencionadas. O americano acusou o Brasil de tomar “medidas sem precedentes para coagir empresas americanas de forma tirânica e arbitrária” com objetivo de “censurar” discursos políticos, remover usuários e alterar políticas de moderação de conteúdo sob penas de “multas extraordinárias” e processos criminais.

Fonte: UOL

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook