Comércio Exterior

Desligamento da DI e LI: tecnologia e integração são essenciais para cumprir o novo cronograma

O cronograma de desligamento da Declaração de Importação (DI) e da Licença de Importação (LI) já está em andamento e marca um dos momentos mais importantes da modernização do comércio exterior brasileiro. A substituição gradual desses documentos pela Declaração Única de Importação (DUIMP) é parte central do Programa Portal Único, que visa simplificar processos, reduzir custos e integrar os diversos órgãos anuentes em um ambiente digital unificado.

O calendário, publicado pela Receita Federal e pela Secretaria de Comércio Exterior, prevê que o desligamento das DI e LI comece em 17 de novembro de 2025, com um processo faseado — ou seja, novas etapas ocorrerão mensalmente, até que todo o sistema atual seja substituído ao longo de 2026.

Mas para os importadores, a transição não é apenas burocrática: ela exige adaptação tecnológica, revisão de processos e integração de dados. E é exatamente nesse ponto que o suporte tecnológico faz toda a diferença. Segundo David Tavares, executivo de negócios da Blue Route, o momento é de grande mudança de paradigma. “Saímos de uma realidade em que diversos documentos são exigidos pela Receita Federal e pelos órgãos anuentes para a importação de um produto, para uma nova fase em que tudo será consolidado em um único documento, a DUIMP. Por isso é fundamental que o importador esteja amparado por sistemas integrados e um modelo de gestão eficiente, que garantam uma transição tranquila para essa nova realidade”, ressalta.

Tecnologia como fator de conformidade

Durante o processo de implementação do Novo Processo de Importação (NPI), muitos importadores adiaram seus projetos por conta das constantes atualizações e mudanças nas orientações dos órgãos envolvidos. Isso gerou insegurança jurídica e atrasos, especialmente na organização do catálogo de produtos, etapa indispensável para a migração ao novo modelo. Para Tavares, uma estrutura tecnológica eficiente permite que as empresas mantenham o controle total das etapas do projeto, com histórico, rastreabilidade e segurança das informações. “Isso garante conformidade com o novo processo e evita retrabalhos, já que todos os registros ficam claros e acessíveis”, destaca.

A contribuição da Blue Route

Com foco em automação, rastreabilidade e controle de riscos, a plataforma da Blue Route foi desenvolvida para atender exatamente às novas exigências do Portal Único. A solução faz a gestão completa do catálogo de produtos, mantendo o alinhamento com as normas do programa OEA (Operador Econômico Autorizado), o que aumenta a confiabilidade e reduz o risco de não conformidades. “Nossa plataforma garante excelência na gestão do catálogo de produtos. O importador ganha visibilidade total das informações e consegue manter seu processo sob controle, dentro das orientações do OEA e das exigências da DUIMP”, explica David Tavares, executivo de negócios da Blue Route.

O futuro é digital e conectado

Com o avanço da digitalização no comércio exterior, a automação não é mais uma opção — é uma necessidade. A nova dinâmica imposta pelo desligamento da DI e LI reforça a urgência de investir em tecnologia, controle de dados e processos integrados. “Meu conselho aos gestores é claro: invistam em tecnologia agora. Ela é indispensável para garantir controle, histórico e gerenciamento de riscos. O tempo é curto, e o cronograma já está em curso — sem tecnologia, será impossível cumprir os prazos e estruturar um catálogo de produtos com excelência”, conclui o David. 

Calendário de desligamento da DI e LI

  • Início do desligamento: 17/11/2025
  • Transição faseada: etapas mensais subsequentes até 2026
  • Documento substituto: DUIMP (Declaração Única de Importação)
  • Programa responsável: Portal Único de Comércio Exterior

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TEXTO: REDAÇÃO
IMAGEM: DIVULGAÇÃO

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Comércio Exterior

Reunião sem Rubio indica que negociações se restringem a tarifas

A primeira rodada de negociações entre Brasil e Estados Unidos, realizada na segunda-feira (26) na Malásia, deixou claro para o governo brasileiro que a Casa Branca, por enquanto, mantém o acordo de limitar as discussões à questão tarifária. Segundo fontes diplomáticas, o principal indicativo disso foi a ausência do Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na reunião.

Rubio, diretamente responsável pelo anúncio de várias sanções políticas impostas ao Brasil e a autoridades brasileiras, não participou da mesa de negociação. Em seu lugar, enviou o Representante Comercial dos EUA (USTR) Jamieson Greer e o Secretário do Tesouro Scott Bessent, ambos conhecidos por sua atuação econômica.

Do ponto de vista de Brasília, isso significa que, pelo menos por enquanto, questões políticas, como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, permanecerão fora da pauta, exatamente como acordado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Esse sinal foi considerado crucial, já que o Palácio do Planalto temia que os EUA incluíssem questões políticas nas discussões iniciais, o que poderia atrasar o pedido do Brasil para que Trump suspendesse a taxa de 40% sobre produtos brasileiros.

Rubio tem sido a figura mais vocal no governo americano ao vincular repetidamente a condenação de Bolsonaro às sanções políticas de Washington contra o Brasil. Em redes sociais, ele chegou a mencionar nominalmente o Ministro do STF Alexandre de Moraes.

Além disso, integrantes do governo brasileiro acreditam que a ideia de retaliar o Brasil pela cooperação com Cuba — especificamente a parceria que permite que médicos cubanos atuem no programa Mais Médicos — se originou no Departamento de Estado de Rubio. Essa medida levou os EUA a revogar vistos de diversos brasileiros, incluindo familiares do Ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP).

Na ocasião, os EUA também cancelaram os vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales e Alberto Kleiman, dois servidores federais envolvidos no desenvolvimento do programa de saúde pública.

Apesar das tensões, Lula afirmou que ele e Trump concordaram, durante reunião no último domingo (26), que disputas políticas seriam tratadas apenas entre os chefes de Estado, ou seja, seus assessores não estão autorizados a abordar tais assuntos.

Na reunião de segunda-feira, a delegação brasileira foi composta pelo Ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira, pelo Secretário-Executivo do MDIC Márcio Rosa e pelo Embaixador Audo Faleiro, da Assessoria Especial da Presidência.

Durante as negociações, o Brasil reiterou o pedido de suspensão das tarifas americanas sobre seus produtos. As próximas rodadas devem ocorrer em Washington, D.C., com sinais crescentes de que o Ministro da Fazenda Fernando Haddad pode participar pessoalmente das futuras discussões.

FONTE: Valor International
IMAGEM: Umit Bektas/REUTERS

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Comércio Exterior

FCCE celebra 75 anos e defende transição do Brasil para exportações de maior valor agregado

A Federação das Câmaras de Comércio Exterior (FCCE) comemorou seus 75 anos de fundação em um evento que reuniu representantes empresariais e diplomáticos de diversos países, consolidando sua posição como a entidade mais antiga dedicada à promoção do comércio exterior brasileiro.

Durante a cerimônia, o vice-presidente da FCCE, Marco Aurélio Kühner, ressaltou a importância histórica da federação e apresentou resultados expressivos da atuação internacional da instituição. “Somos a associação de classe mais antiga voltada à promoção do comércio exterior. A FCCE nasceu para conectar o Brasil ao mundo e continua cumprindo esse papel com excelência”, afirmou Kühner.

Fundada em 1950, a federação conta atualmente com 65 câmaras bilaterais e 22 conselhos temáticos, que trabalham em parceria com embaixadas e consulados para fortalecer a internacionalização das empresas brasileiras.

Kühner apresentou dados que demonstram o alcance global da federação. Segundo ele, a FCCE já promoveu mais de 200 seminários com representantes de 60 países diferentes e recebeu, somente no último ano, 80 missões empresariais e diplomáticas de diversos continentes. Essas ações refletem o aumento do interesse internacional pelo mercado brasileiro e reforçam o papel da FCCE na criação de pontes comerciais estratégicas.

Durante o evento, o vice-presidente recebeu uma homenagem de um empresário colombiano da Sublay S/A, que destacou o apoio da federação às empresas latino-americanas e mencionou parcerias estabelecidas no Panamá, Colômbia e Uruguai, além do avanço das exportações brasileiras para a África, especialmente para o Marrocos.

Entre as principais metas da FCCE está a mudança da pauta exportadora brasileira, com foco na agregação de valor. “Queremos promover a transição do Brasil de um país exportador de commodities para um exportador de produtos com inovação e sustentabilidade”, destacou Kühner.

A proposta busca fortalecer setores tecnológicos e industriais, reduzindo a dependência de produtos primários e impulsionando a competitividade global do país. A federação também defende a adoção de práticas sustentáveis e de economia verde, alinhadas às tendências do comércio internacional.

A FCCE baseia sua estratégia em três eixos principais: mentoria empresarial, com orientação estratégica sobre mercados e adequações regulatórias; capacitação profissional, com programas sobre legislação, logística e negociação internacional; e internacionalização, oferecendo suporte técnico e conexões com parceiros estrangeiros.

Além disso, a federação mantém serviços de consultoria e apoio ao financiamento, auxiliando empresas brasileiras a acessar linhas de crédito e programas de incentivo à exportação. “Nosso papel é ajudar as empresas a encontrarem novos mercados e fontes de funding para sua expansão global”, explicou Kühner.

Reconhecida internacionalmente, a FCCE reafirma seu compromisso em tornar o comércio exterior brasileiro mais competitivo, sustentável e inovador. As parcerias com países da América Latina e da África demonstram a força da diplomacia econômica conduzida pela federação.

Aos 75 anos, a instituição segue focada em preparar o Brasil para uma nova era do comércio internacional, marcada por tecnologia, diversificação e responsabilidade ambiental.

FONTE: Última Hora
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Última Hora

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Comércio Exterior

Senado dos EUA aprova projeto de lei para encerrar tarifas de Trump contra o Brasil

Apesar do aval, o texto deve ser barrado na Câmara. Na prática, a proposta tem caráter simbólico e busca expor a insatisfação com a política tarifária do republicano.

O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite desta terça-feira (28) um projeto de lei que prevê a anulação das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump ao Brasil, incluindo produtos como petróleo, café e suco de laranja.

Apesar do aval do Senado, a proposta — apresentada pelo senador democrata Tim Kaine, da Virgínia — tem poucas chances de avançar.

O texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara, controlada pelos republicanos. Recentemente, a Casa implementou novas regras que permitem à liderança barrar o avanço de projetos relacionados a tarifas. Além disso, Trump poderia vetar a proposta.

Para o senador Kaine, as votações são uma maneira de forçar o Senado a debater “a destruição econômica causada pelas tarifas”. Na prática, portanto, a medida tem principalmente caráter simbólico e busca expor a insatisfação com a política tarifária do governo Trump.

Além disso, o projeto é visto como um teste da adesão dos senadores republicanos à política comercial de Trump. O texto propõe revogar o estado de emergência nacional, mecanismo usado pelo presidente para impor tarifas de importação de até 50% sobre produtos brasileiros desde agosto.

Nesse sentido, a votação no Senado, que terminou com placar de 52 a 48 pela aprovação, evidenciou uma resistência dentro do Partido Republicano às tarifas impostas por Trump.

Cinco senadores republicanos votaram a favor da resolução, ao lado de todos os democratas. Foram eles: Susan Collins (Maine), Mitch McConnell (Kentucky), Lisa Murkowski (Alasca), Rand Paul (Kentucky) e Thom Tillis (Carolina do Norte).

Aliados de Trump têm demonstrado desconforto com a política comercial do presidente, especialmente em um momento de instabilidade econômica.

O Escritório de Orçamento do Congresso, órgão apartidário, afirmou no mês passado que as tarifas estão entre os fatores que devem elevar o desemprego e a inflação, além de reduzir o crescimento econômico neste ano.

Segundo a agência de notícias Associated Press, o senador democrata Tim Kaine, autor da proposta, pretende apresentar novas resoluções para suspender tarifas impostas a outros países, como o Canadá, ainda nesta semana.

Brasil-EUA: o que esperar das negociações?

A aprovação do projeto ocorre em um momento de progresso nas negociações entre Brasil e Estados Unidos.

No domingo (26), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reuniram por aproximadamente 45 minutos, o que elevou a expectativa de exportadores quanto a uma possível redução das tarifas.

“O que importa em uma negociação é olhar para o futuro. A gente não quer confusão, quer resultado”, afirmou Lula.

Trump, por sua vez, disse que, apesar de o encontro ter sido “muito bom”, isso não garante um acordo imediato. “Eles gostariam de fazer um acordo. Vamos ver, agora mesmo estão pagando cerca de 50% de tarifa.”

No encontro, os líderes decidiram iniciar um processo de negociação bilateral. Já na segunda-feira (27), representantes comerciais dos dois países realizaram a primeira reunião.

Participaram das conversas o chanceler Mauro Vieira, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, e o embaixador Audo Faleiro. O grupo definiu um calendário de reuniões focado nos setores mais afetados pelas tarifas.

Segundo o ministro do Desenvolvimento e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ainda não há data marcada para uma nova reunião.

Na segunda-feira, Lula afirmou que “não existem temas proibidos” para negociação, demonstrando abertura para discutir desde minerais estratégicos até açúcar e etanol. O presidente também propôs a suspensão temporária das tarifas durante o período de negociações, como ocorreu nos acordos com México e Canadá.

O governo brasileiro também contestou a justificativa apresentada pelos EUA para a imposição das tarifas. Lula entregou a Trump um documento que aponta um superávit de US$ 410 bilhões acumulado pelos EUA na balança comercial com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos.

“No G20, só três países têm superávit com os EUA: Brasil, Reino Unido e Austrália”, destacou o presidente.

O encontro foi descrito como cordial. Trump disse ter sido “uma grande honra” conversar com Lula, e os dois chegaram a cogitar visitas recíprocas, ainda sem data definida.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Amcham e outros setores empresariais consideraram o diálogo “um avanço concreto” e esperam que um acordo seja fechado nas próximas semanas.

“Esperamos concluir em pouco tempo uma negociação bilateral que trate dos setores afetados”, afirmou Vieira.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Comércio Exterior, Economia

Senado americano tenta anular tarifas de Trump contra o Brasil

Senado dos EUA aprova projeto para revogar tarifas de Trump sobre produtos do Brasil

O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite de terça-feira (28) um projeto de lei que busca revogar as tarifas impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros como petróleo, café e suco de laranja. A medida, que entrou em vigor em agosto, havia sido justificada pelo ex-presidente com base em um estado de emergência nacional declarado em julho.


Proposta busca encerrar estado de emergência e reavaliar política tarifári

A iniciativa foi apresentada pelo senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, com o objetivo de anular o estado de emergência utilizado por Trump para sustentar o aumento das tarifas. Segundo Kaine, a aprovação simboliza um posicionamento contrário à política comercial adotada e um alerta sobre os impactos econômicos dessas medidas.

O parlamentar também pretende estender a revisão das tarifas a outros países afetados, como o Canadá, reforçando a necessidade de repensar as relações comerciais internacionais dos Estados Unidos.


Chances de avanço são consideradas baixas na Câmara

Apesar da aprovação no Senado, as chances de o projeto prosperar são consideradas reduzidas. Agora, o texto segue para a Câmara dos Representantes, onde a maioria republicana pode bloquear a tramitação com base nas novas regras internas.

Kaine reconheceu o caráter simbólico da votação, destacando que ela representa “a insatisfação com a política tarifária do governo federal” e busca chamar atenção para “a destruição econômica causada por essas tarifas”.

FONTE: g1
TEXTO: Redação

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Comércio Exterior

Empresários brasileiros esperam redução de taxas após encontro de Lula e Trump

O empresariado brasileiro mantém expectativas cautelosas em relação aos desdobramentos do encontro entre o presidente Lula (PT) e Donald Trump, realizado no último domingo (26) na Malásia. O foco principal está nas possíveis alterações nas sobretaxas americanas sobre produtos brasileiros, aponta análise de Victor Irajá no Bastidores CNN.

Revisão de sobretaxas e exceções

Entre as medidas discutidas, estão a reavaliação da sobretaxa de 50% e a possível inclusão de novos produtos brasileiros na lista de exceções, que atualmente conta com cerca de 700 itens. “Essa é uma expectativa positiva, mas ainda cautelosa, dos empresários”, afirmou Irajá.

Antes do encontro, o Brasil enfrentava dificuldades até mesmo para manter contato com representantes do segundo escalão do governo americano. A mudança no cenário foi impulsionada pela pressão conjunta de setores empresariais brasileiros e americanos, que buscavam abertura para negociações.

Pressões internas nos Estados Unidos

O presidente Donald Trump enfrenta crescente pressão interna devido ao aumento dos preços ao consumidor. O café registrou alta de 21% em agosto, em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto as carnes tiveram variações entre 13% e 18,4%.

O setor manufatureiro norte-americano também demonstra preocupação com o impacto das sobretaxas. José Velloso, presidente executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), destaca que diversos produtos industriais brasileiros são essenciais para as cadeias produtivas dos EUA, tanto no agronegócio quanto na indústria em geral.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Comércio Exterior

Taxa das blusinhas faz 38% dos consumidores desistirem de compras internacionais, aponta pesquisa da CNI

A chamada “taxa das blusinhas” já impacta diretamente o comportamento dos consumidores brasileiros. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta segunda-feira (27), 38% dos consumidores deixaram de comprar em sites internacionais após a cobrança do imposto de importação.

Brasileiros buscam alternativas nacionais

Entre os entrevistados que realizaram compras internacionais nos últimos 12 meses, 32% afirmaram ter buscado produtos semelhantes no mercado nacional para evitar a nova taxação. A medida, que voltou a incidir sobre compras de até US$ 50, foi defendida pelo setor industrial como uma forma de equilibrar a competição entre empresas brasileiras e estrangeiras.

Para o superintendente de Economia da CNI, Márcio Guerra, o retorno do tributo é um passo importante para garantir justiça e competitividade à indústria nacional.

“A implementação do Imposto de Importação é o início de um processo que busca trazer mais equilíbrio ao mercado. Ainda assim, o patamar atual está abaixo do necessário, já que outros países possuem carga tributária bem menor”, afirmou.

Entenda a “taxa das blusinhas”

O imposto de importação (II), de 20% sobre compras internacionais até US$ 50, foi reestabelecido em 2024 após forte pressão do varejo nacional. A cobrança foi retomada para garantir concorrência justa entre os vendedores estrangeiros e as lojas brasileiras.

Até então, as remessas estavam isentas desde 2023 por meio do Programa Remessa Conforme, criado pela Receita Federal. Desde 1º de agosto de 2024, todas as compras internacionais passaram a pagar tributos federal (20%) e estadual (ICMS entre 17% e 20%).

Frete e prazos também influenciam desistências

Além dos impostos, o frete internacional e o prazo de entrega são fatores decisivos para a desistência de compra. O estudo mostra que 45% dos entrevistados cancelaram pedidos ao descobrir o valor do frete, um aumento de cinco pontos percentuais em comparação à pesquisa de maio de 2024.

32% desistiram por causa do tempo de entrega, percentual próximo ao do levantamento anterior (34%).

Segundo Guerra, essa mudança de comportamento demonstra uma maior racionalidade do consumidor brasileiro.

“A ‘taxa das blusinhas’ fez o consumidor refletir mais sobre o real custo-benefício das compras internacionais, algo que antes era ofuscado pela diferença de preços”, explicou.

Impactos na indústria e no consumo

A nova tributação sobre compras internacionais deve fortalecer o varejo nacional e favorecer a indústria brasileira, que enfrentava desvantagem competitiva frente aos marketplaces estrangeiros. A expectativa é de que o mercado interno volte a se beneficiar da mudança, com estímulo à produção e à geração de empregos.

FONTE: Metrópoles
TEXTO: Redação
IMAGEM: FG Trade/Getty Images

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Comércio Exterior

Comitiva brasileira prepara nova missão aos Estados Unidos para reabrir negociações comerciais.

Retomada das conversas após encontro entre Lula e Trump

Uma nova missão de políticos e empresários brasileiros deve embarcar em breve para os Estados Unidos com o objetivo de retomar negociações comerciais e diplomáticas. A informação foi confirmada pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Segundo o parlamentar, o encontro recente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente americano Donald Trump, realizado na Malásia, abriu caminho para uma fase mais produtiva nas tratativas bilaterais.


Senadores americanos já demonstravam interesse nas negociações

Em entrevista à CNN Brasil, Nelsinho Trad afirmou que congressistas e empresários norte-americanos já haviam sinalizado interesse em retomar o diálogo comercial com o Brasil mesmo antes da reunião entre os presidentes. A expectativa agora é que a conversa avance em um novo patamar de entendimento.


Tentativa anterior terminou sem acordo

No fim de julho, uma comitiva oficial do Senado esteve em Washington com o objetivo de discutir a redução e o adiamento da tarifa de 50% aplicada a produtos brasileiros. A viagem, porém, não teve sucesso — o governo dos EUA recusou-se a incluir o tema na agenda.


Setor do agronegócio mantém otimismo

Trad destacou que há otimismo entre produtores de soja e carne, especialmente no Mato Grosso do Sul, um dos maiores polos agrícolas do país. O senador acredita que o avanço nas negociações pode estimular as exportações brasileiras e aliviar os efeitos do chamado “tarifaço” sobre o setor.


Produtores acreditam em recuperação das exportações

Mesmo com a queda de 20,3% nas exportações para os Estados Unidos em setembro, primeiro mês completo após o aumento tarifário, o desempenho geral do comércio exterior brasileiro mostrou crescimento de 7,2% em relação ao mesmo período de 2024, alcançando US$ 30,5 bilhões.

De acordo com Trad, os produtores nacionais têm capacidade de atender simultaneamente aos novos mercados abertos e de retomar o fornecimento ao mercado americano. “Ouvi dos produtores que temos condições. Eles dizem: quanto mais, melhor”, afirmou o senador.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação

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Comércio Exterior

BNDES já liberou R$ 5,3 bilhões pelo Plano Brasil Soberano para empresas afetadas por tarifas dos EUA

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira, 23 de outubro, que já aprovou R$ 5,3 bilhões em crédito por meio do Plano Brasil Soberano, criado para amparar empresas brasileiras afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

De acordo com o banco, 371 operações de crédito já foram realizadas. Do total, R$ 2,86 bilhões foram destinados à linha Capital de Giro, voltada a despesas operacionais; R$ 2,39 bilhões para a linha Giro Diversificação, que incentiva a busca de novos mercados; e R$ 52,46 milhões para a linha Bens de Capital, voltada à modernização produtiva.

Indústria lidera aprovações de crédito

As empresas da indústria de transformação foram as principais beneficiadas, com R$ 4,38 bilhões em financiamentos aprovados. Em seguida aparecem os setores de comércio e serviços (R$ 468 milhões), agropecuária (R$ 336 milhões) e indústria extrativa (R$ 127 milhões).

Até o momento, 470 solicitações de crédito foram protocoladas, somando R$ 8,27 bilhões, dentro de uma demanda estimada de R$ 14,5 bilhões, segundo levantamento feito pelo BNDES em parceria com instituições financeiras credenciadas.

Apoio à economia e manutenção de empregos

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o objetivo central do programa é preservar empregos e impulsionar o desenvolvimento de novos mercados de exportação.

“O BNDES mantém o compromisso de apoiar as empresas brasileiras impactadas pelo tarifaço. A determinação do presidente Lula é proteger os empregos e fortalecer a capacidade produtiva nacional”, afirmou.

O que é o Plano Brasil Soberano

O Plano Brasil Soberano foi criado pelo governo federal para reduzir os impactos econômicos da elevação unilateral das tarifas de importação dos EUA, que chegaram a até 50% sobre produtos brasileiros.

A iniciativa está estruturada em três eixos principais:

  • Fortalecimento do setor produtivo;
  • Proteção aos trabalhadores;
  • Diplomacia comercial e multilateralismo, voltada à defesa dos interesses brasileiros no cenário internacional.

FONTE: Agência Gov
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images/Via Secom-PR

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Comércio Exterior

Aproximação entre EUA e China acende alerta no mercado da soja brasileira

A reaproximação entre Estados Unidos e China nas negociações comerciais reacende a preocupação entre produtores e exportadores de soja no Brasil. Caso um acordo tarifário seja firmado, o país pode enfrentar queda nas exportações e recuo nos preços internos do grão, que ainda está no início do plantio da nova safra.

Desde o início da guerra comercial, em fevereiro deste ano, a soja brasileira vinha se beneficiando da perda de espaço do produto americano no mercado chinês. Em setembro, a China não importou um único grão de soja dos EUA, algo que não acontecia desde novembro de 2018, segundo autoridades alfandegárias chinesas. No mesmo período, as compras de soja brasileira somaram 10,96 milhões de toneladas, um aumento de 30% em relação a setembro de 2024, representando 85% do total das importações chinesas.

Encontro entre Trump e Xi Jinping pode mudar cenário

O presidente americano Donald Trump anunciou que se reunirá com o líder chinês Xi Jinping durante a Cúpula da APEC, em novembro, e a soja será um dos principais temas da pauta. Embora as tensões entre os dois países ainda sejam evidentes, analistas acreditam que há uma tentativa concreta de aproximação diplomática.

Segundo Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural, as recentes declarações públicas de ambos os governos indicam que um acordo comercial está sendo costurado.

“Toda vez que as tensões aumentam, os países criam um problema para depois inventar uma solução. A China pode negociar o acesso às suas terras raras em troca da compra de soja americana — e tem poder de barganha para isso, já que mostrou que pode ficar sem importar dos EUA por um bom tempo”, afirma.

Impactos diretos sobre a soja brasileira

Caso o acordo se concretize, o Brasil pode ser o principal prejudicado. De janeiro a setembro de 2025, a China respondeu por 77% das exportações brasileiras de soja, com alta de 4,83% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Fernandes explica que o preço da soja seria pressionado por diversos fatores.

“O dólar cairia, os preços na bolsa de Chicago subiriam e o prêmio nos portos brasileiros despencaria, podendo ficar negativo nos contratos de fevereiro e março de 2026. Ou seja, a soja brasileira apanharia de todos os lados”, avalia.

Com esse cenário, os analistas estimam uma queda acentuada nos preços internos. De acordo com Luiz Pacheco, da T&F Consultoria Agroeconômica, a saca de soja no interior do Paraná, atualmente cotada a R$ 131, poderia cair para R$ 100. O prêmio de exportação, que hoje está em 167 pontos positivos no porto de Paranaguá (PR), teria redução de 82%.

Brasil segue como pêndulo entre China e EUA

“Hoje, o Brasil é o pêndulo do comércio global de soja”, resume Pacheco. Ele lembra que, caso a produção nacional atinja as 176 milhões de toneladas estimadas pela Conab para a safra 2025/26, a China poderá manter a estratégia de não comprar soja americana por mais um ano. Porém, qualquer problema climático pode inverter esse quadro e devolver o poder de negociação aos Estados Unidos.

China desacelera compras à espera de acordo

Após um primeiro semestre de forte demanda, os chineses reduziram o ritmo de importações da soja brasileira.

“Neste mês, a China comprou apenas um navio de soja do Brasil para embarque em novembro. A demanda segue fraca, mesmo com a necessidade de importar 9 milhões de toneladas entre dezembro e janeiro”, explica Pacheco.

A justificativa chinesa seria o alto custo da soja brasileira, mas, segundo Fernandes, isso serve como pretexto estratégico para diversificar fornecedores.

“Na primeira guerra comercial, o prêmio da soja brasileira chegou a 300 pontos, e hoje está abaixo de 200. A China usou esse argumento para buscar soja no Canadá e na Argentina”, relembra.

Com estoques elevados, o país asiático pode evitar novas compras até fevereiro — ou até que haja um desfecho nas negociações com os EUA.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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