Transporte

Maersk registra alta de 27% na receita e eleva projeções financeiras para 2026

A Maersk apresentou um desempenho financeiro expressivo, com crescimento de 27% na receita em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os resultados foram impulsionados pela forte atuação comercial e operacional da companhia, em um cenário de demanda aquecida, fluxos comerciais resilientes e restrições de capacidade provocadas pela congestão portuária.

Diante dos números positivos, a gigante dinamarquesa do transporte marítimo de contêineres revisou para cima suas estimativas financeiras para 2026, elevando as expectativas de EBITDA e EBIT subjacentes.

A empresa atribuiu o resultado à capacidade de aproveitar as condições favoráveis do mercado e, simultaneamente, oferecer suporte aos clientes diante das constantes interrupções na cadeia global de suprimentos.

Maersk aumenta previsões de EBITDA e EBIT para 2026

Com a revisão das projeções, a Maersk passou a estimar um EBITDA subjacente entre US$ 14 bilhões e US$ 14,5 bilhões para 2026. Anteriormente, a expectativa estava entre US$ 10,5 bilhões e US$ 12,5 bilhões.

A previsão de EBIT subjacente também foi ampliada, passando da faixa de US$ 4,5 bilhões a US$ 6,5 bilhões para um intervalo entre US$ 8 bilhões e US$ 8,5 bilhões.

No terceiro trimestre, o grupo registrou EBITDA de US$ 4,7 bilhões e EBIT de US$ 3,3 bilhões. Ambos os indicadores superaram os resultados alcançados no mesmo período do ano anterior e também no segundo trimestre.

O CEO da Maersk, Vincent Clerc, destacou que todas as áreas de negócios apresentaram resultados sólidos, mesmo diante das incertezas geopolíticas e das dificuldades enfrentadas pelo comércio internacional.

Segundo o executivo, a demanda global vem sendo sustentada não apenas pelo consumo, mas também por investimentos expressivos em eletrificação, energia e expansão da infraestrutura de inteligência artificial, fatores que ampliam a movimentação de cargas industriais em diferentes regiões.

Clerc acrescentou que a companhia conseguiu aproveitar esse cenário com sua frota operando em plena capacidade, enquanto a procura por transporte superou a oferta de espaços disponíveis em algumas rotas.

Congestionamento portuário impulsiona tarifas de frete

A avaliação da Maersk aponta que a economia mundial manteve um ritmo de crescimento relativamente consistente durante o terceiro trimestre. Nesse contexto, a demanda global por transporte de contêineres avançou entre 2% e 4% na comparação anual.

As exportações asiáticas, entretanto, perderam força em julho e agosto, principalmente em razão de interrupções relacionadas às condições climáticas.

No fluxo de importações, o crescimento mais moderado da demanda europeia e os efeitos negativos das importações no Oriente Médio foram parcialmente compensados pelo desempenho positivo da África, América Latina e América do Norte.

Outro fator importante foi a intensa temporada de tufões na Ásia, que provocou congestionamentos em diversos portos e reduziu a disponibilidade de capacidade da frota.

No momento mais crítico do trimestre, o tempo médio global de espera das embarcações nos portos chegou a 16,6 horas, o maior patamar desde janeiro de 2023.

As restrições operacionais também contribuíram para a valorização dos fretes marítimos. De acordo com o Shanghai Containerised Freight Index (SCFI), as tarifas médias do mercado spot subiram 46% no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores.

Com o avanço das receitas nas três principais divisões de negócios, a Maersk alcançou faturamento de US$ 18,1 bilhões, crescimento anual de 27%. O EBITDA passou de US$ 2,7 bilhões para US$ 4,7 bilhões, enquanto o EBIT avançou de US$ 1,3 bilhão para US$ 3,3 bilhões. A margem EBIT atingiu 18,1%.

Transporte marítimo registra forte avanço na rentabilidade

A divisão de Ocean, responsável pelas operações de transporte marítimo, foi beneficiada pelas condições favoráveis do mercado e alcançou EBIT de US$ 2,6 bilhões, ante US$ 567 milhões registrados anteriormente.

Mesmo com os impactos das condições climáticas adversas na Ásia, que limitaram a capacidade operacional e a movimentação de cargas, os volumes transportados permaneceram elevados.

A utilização dos navios ficou em 96%, demonstrando o alto nível de ocupação da frota.

Por outro lado, a Maersk apontou que o fechamento contínuo do Estreito de Ormuz e os congestionamentos generalizados na rede logística elevaram os custos com combustível, operação da rede e movimentação de contêineres.

Essas dificuldades também prejudicaram a confiabilidade dos cronogramas de navegação.

Logística e serviços crescem 13% no trimestre

A divisão de Logística e Serviços apresentou expansão de 13% na receita, sustentada pelo aumento dos volumes na maioria das atividades, pelas tarifas elevadas e pelo desempenho das soluções de conexão terrestre no Oriente Médio.

O transporte rodoviário foi o principal responsável pelo crescimento da área, especialmente em função das operações de integração terrestre desenvolvidas na região do Golfo.

O segmento de agenciamento de cargas (freight forwarding) também apresentou resultados positivos, com expansão significativa dos volumes no transporte aéreo e na logística de projetos.

Já as atividades de armazenagem e distribuição mantiveram a contribuição para o crescimento das receitas da área de Solutions.

A rentabilidade também avançou. A margem EBIT da divisão passou de 5,5% para 5,8% na comparação anual, resultado atribuído ao controle disciplinado das despesas e à eficiência operacional.

Terminais portuários alcançam receita recorde

A divisão de Terminais manteve desempenho consistente e registrou receita recorde no período.

Os volumes movimentados cresceram 2,6%, com destaque para a expansão de 14% na África e de 6,7% na Europa. A taxa de utilização dos terminais ficou em 85%, ante 90% no período de comparação.

Considerando o ajuste relacionado à reversão de uma perda por impairment vinculada à extensão de uma concessão, reconhecida em 2025, a margem EBIT avançou de 32% para 32,5%, uma alta de 0,5 ponto percentual.

A companhia também destacou investimentos importantes em sua infraestrutura portuária internacional.

No final de agosto, a APM Terminals iniciou a construção do novo terminal de Laldia, em Chattogram, Bangladesh. O empreendimento deverá acrescentar capacidade anual de movimentação de 900 mil TEUs ao sistema portuário.

Em setembro, a APM Terminals Suape iniciou suas operações em Pernambuco, no Brasil, com a chegada do primeiro navio comercial. A nova estrutura amplia em 55% a capacidade do Complexo Portuário de Suape, adicionando inicialmente até 400 mil TEUs anuais de capacidade para movimentação de contêineres.

Maersk encomenda 26 novos navios porta-contêineres

Como parte da estratégia de modernização e renovação da frota, a Maersk confirmou a encomenda de 26 novos navios porta-contêineres com combustível dual.

Cada embarcação terá capacidade para transportar 18.600 TEUs e contará com tecnologia de propulsão preparada para operar com dois tipos de combustível.

As entregas estão programadas para ocorrer entre 2029 e 2030.

O investimento reforça a estratégia da companhia de ampliar e modernizar sua capacidade de transporte marítimo, acompanhando as transformações do comércio global e as necessidades futuras do mercado de contêineres.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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