Economia

Euro ganha força frente ao iene e dólar fica estável antes de decisões dos bancos centrais

O euro avançou em relação ao iene japonês e permaneceu praticamente estável diante do dólar nesta segunda-feira, em um cenário de alívio parcial das pressões sobre a moeda europeia. A queda dos preços do petróleo e a manutenção da classificação de crédito da França ajudaram a reduzir as preocupações dos investidores antes de uma semana marcada por decisões de importantes bancos centrais.

A moeda europeia havia perdido valor na semana anterior, pressionada pela venda de títulos da dívida pública francesa. O movimento elevou o prêmio de risco da dívida do país ao maior nível desde a crise da dívida soberana de 2011, reacendendo temores sobre a estabilidade financeira da zona do euro.

Na segunda-feira, porém, os títulos públicos franceses se recuperaram após a agência Moody’s decidir não rebaixar a nota de crédito da França. A decisão trouxe algum alívio ao governo francês, que enfrenta dificuldades para equilibrar as contas públicas.

Euro se recupera com alívio no mercado de títulos francês

No mercado cambial, o euro ficou estável em US$ 1,1201 e subiu 0,37% frente ao iene, para 176,15 ienes.

Os preços futuros do petróleo Brent recuaram, embora permanecessem próximos das máximas de seis meses. A cotação elevada da commodity continua sendo um fator de pressão para economias dependentes de importações de energia, como as que integram a zona do euro.

Apesar da melhora recente, analistas do Barclays avaliam que as preocupações com as finanças francesas devem persistir, especialmente diante da proximidade das eleições presidenciais previstas para abril e maio. Para os estrategistas, o prêmio de valorização do euro em relação ao dólar já diminuiu para menos de 3%, mas ainda pode passar por novos ajustes.

O cenário político também permanece no radar. Segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, as autoridades se preparavam para possíveis novos protestos no fim de semana seguinte, mesmo após uma ampla operação de segurança ter ajudado a conter as manifestações realizadas no sábado.

Decisão do BCE pode influenciar a moeda europeia

A redução das tensões no mercado de títulos franceses também diminuiu a diferença entre os rendimentos dos títulos da França e os papéis alemães, considerados mais seguros.

O diferencial entre os títulos franceses OAT e os títulos públicos alemães Bund caiu para 160 pontos-base, depois de atingir 176 pontos-base na semana anterior, o maior patamar desde 2011.

Para Erik Liem, estrategista de juros do Commerzbank, o alívio observado desde sexta-feira pode se prolongar até a decisão do Banco Central Europeu (BCE), prevista para quinta-feira.

Mesmo assim, a situação fiscal francesa deve permanecer entre os principais assuntos acompanhados pelos investidores. Analistas do Citi avaliam que o BCE terá de abordar os riscos relacionados à dívida francesa, ainda que prefira evitar o tema.

A expectativa é de que a instituição adote um discurso cauteloso e reforce a possibilidade de mecanismos de proteção condicionais, sem sinalizar uma intervenção direta no mercado.

Dólar acompanha incertezas no mercado de tecnologia

O dólar sofreu pressão vendedora na semana passada, em meio a uma onda de perdas nas bolsas liderada por empresas de tecnologia. Nesta segunda-feira, porém, a moeda norte-americana apresentou pouca variação.

O índice do dólar, que mede o desempenho da divisa dos Estados Unidos em relação a uma cesta de moedas, avançou 0,05%, para 101,83 pontos.

Os investidores também acompanham os resultados financeiros de grandes empresas de computação em nuvem, como Alphabet, Microsoft e Amazon. Os balanços devem ajudar a determinar se a valorização das ações associadas à inteligência artificial (IA) conseguirá se sustentar e preservar o apetite global por ativos de risco.

Uma eventual intensificação das vendas de ações norte-americanas pode influenciar as decisões do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, e abrir espaço para uma postura monetária mais moderada.

Economistas do Citi avaliam que, caso a queda das bolsas se prolongue, o aumento de 0,25 ponto percentual realizado pelo Fed em setembro poderá acabar sendo o primeiro e o último de um ciclo de elevação dos juros.

Real brasileiro pode sofrer pressão após resultado eleitoral

O real brasileiro também entrou no radar dos mercados internacionais. A moeda era apontada como candidata a uma queda expressiva frente ao dólar após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conquistou um quarto mandato histórico no domingo, segundo o cenário descrito no relato original.

Os investidores haviam apostado em uma vitória do senador Flávio Bolsonaro, adversário de Lula. Após o resultado, Bolsonaro afirmou que pediria a anulação da eleição.

Para Chris Turner, responsável global pela estratégia cambial do ING, a situação fiscal continua sendo uma das principais vulnerabilidades da economia brasileira.

O estrategista destacou que um déficit orçamentário entre 7% e 8% e uma dívida líquida equivalente a 70% do Produto Interno Bruto (PIB) deixariam o país exposto a uma eventual onda global de vendas de títulos públicos.

Turner também avaliou que os ativos brasileiros poderão enfrentar novas pressões diante das propostas de campanha de Lula, incluindo a redução da jornada semanal de trabalho, em contraste com a expectativa de ajuste fiscal associada a uma possível vitória de Bolsonaro.

Cinco bancos centrais concentram as atenções nesta semana

Além das decisões do Fed e do BCE, os investidores aguardam os anúncios de política monetária do Banco do Japão (BoJ), do Banco do Canadá e do Banco Central da Nova Zelândia.

As expectativas apresentadas no relato indicam que o Federal Reserve, o BCE e o Banco do Japão devem manter as taxas de juros inalteradas, apesar das pressões inflacionárias. Ainda assim, as instituições poderão preservar a possibilidade de novos aumentos em dezembro.

O iene recuou 0,25% frente ao dólar, para 157,28 ienes, enquanto o mercado acompanha possíveis sinais sobre a trajetória futura dos juros japoneses.

Já os bancos centrais do Canadá e da Nova Zelândia são esperados para elevar suas taxas nesta semana.

Com diferentes perspectivas para a inflação, o crescimento econômico e a política monetária, as decisões deverão influenciar o comportamento das principais moedas e orientar as estratégias dos investidores nos mercados internacionais.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

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