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Temporada de cruzeiros 2026/27 projeta queda nas escalas nos portos do norte do Chile

A temporada de cruzeiros 2026/27 deve ser marcada por uma redução nas escalas de navios turísticos nos principais portos do norte do Chile. As projeções oficiais indicam uma queda que vem se prolongando nos últimos ciclos e já preocupa representantes do setor portuário, do turismo e do comércio.

A situação é especialmente relevante para Antofagasta, Iquique, Arica e Coquimbo, que registram diferentes níveis de retração na programação de cruzeiros. Para integrantes da indústria, fatores econômicos, operacionais e mudanças nas rotas internacionais ajudam a explicar o cenário.

Antofagasta é o caso mais crítico

De acordo com dados da Corporación de Puertos del Cono Sur, entidade responsável pela promoção internacional dos portos chilenos como destinos turísticos, o Porto de Antofagasta apresenta a situação mais preocupante.

A programação disponível não registra escalas para a temporada 2026/27, embora a Empresa Portuaria de Antofagasta (EPA) tenha informado que está previsto o navio Discoverer para 30 de março de 2027.

Na temporada anterior, uma escala chegou a ser programada, mas acabou cancelada devido às fortes ondulações marítimas. Além disso, o terminal não registra mais de quatro chegadas de cruzeiros desde o ciclo 2015/16.

A EPA reconhece que a retração da atividade de cruzeiros no Chile também atingiu Antofagasta e afirma estar trabalhando com empresas de navegação e outros representantes do setor para recuperar espaço nos itinerários internacionais.

Porto busca melhorar estrutura para receber cruzeiros

A estratégia de Antofagasta inclui ações de promoção internacional e melhorias na infraestrutura portuária e turística.

A empresa afirma que trabalha para garantir operações portuárias confiáveis e oferecer uma experiência organizada aos passageiros. O terminal participa de iniciativas da Corporación de Puertos del Conosur, incluindo ações de divulgação em eventos internacionais como a Seatrade Cruise Global.

No âmbito regional, a articulação envolve Sernatur, prefeitura, governo regional e operadores turísticos, com o objetivo de estruturar uma oferta compatível com o tempo de permanência dos navios e os interesses dos visitantes.

Entre os projetos considerados estratégicos está a ampliação do molhe de abrigo, que inclui obras de dragagem. A iniciativa pretende diminuir as restrições provocadas pelas ondulações e melhorar as condições de acesso marítimo.

A EPA também trabalha na proposta de um terminal de cruzeiros em Antofagasta, com utilização do Sitio Cero para o atendimento aos passageiros.

Turismo precisa ser mais atrativo, diz governo

Para Pablo Pomareda, secretário regional ministerial de Economia de Antofagasta, a infraestrutura portuária é apenas parte da estratégia para recuperar a presença de navios na região.

Segundo ele, a concorrência internacional pela atração de cruzeiros turísticos é cada vez maior. Por isso, a região precisa oferecer experiências capazes de estimular os passageiros a desembarcar, conhecer a cidade e consumir nos estabelecimentos locais.

Entre as iniciativas citadas está o projeto Pueblito Salitrero, voltado à valorização da história e da identidade regional por meio da criação de novos espaços e experiências turísticas.

A meta, segundo Pomareda, não deve ser apenas aumentar o número de navios que chegam a Antofagasta, mas fazer com que os passageiros efetivamente desembarquem, circulem pela cidade e movimentem a economia local.

Comércio vê impacto limitado no turismo regional

Antonio Sánchez, presidente da Câmara de Comércio, Serviços e Turismo da Região de Antofagasta, avalia que a redução das escalas não representa necessariamente um grande impacto para o turismo regional.

Na visão do dirigente, o principal destino turístico da região é San Pedro de Atacama, no interior, cuja demanda não depende diretamente dos passageiros de cruzeiros. Segundo ele, o destino vem recuperando níveis de chegada de turistas próximos aos registrados antes da pandemia.

Sánchez também considera que Antofagasta ainda não apresenta vantagens suficientes para funcionar como um importante ponto de abastecimento de navios.

O dirigente avalia que outros destinos já possuem estruturas logísticas consolidadas para fornecer os produtos e serviços necessários aos cruzeiros durante suas viagens, deixando Antofagasta em posição menos competitiva nesse segmento.

Iquique terá seis escalas na temporada 2026/27

O Porto de Iquique também apresenta redução na programação. A previsão para a temporada 2026/27 é de seis escalas, contra nove registradas no ciclo anterior.

Apesar da queda, Rafael Montes, presidente da Câmara de Comércio, Indústrias, Serviços e Turismo de Iquique, destaca que o número de escalas precisa ser analisado em conjunto com a quantidade de passageiros.

Segundo os dados apresentados pelo dirigente, Iquique recebeu 3.163 passageiros em 11 escalas durante 2024/25. No ciclo seguinte, foram 5.219 passageiros em nove escalas, um crescimento próximo de 65%.

Para Montes, a projeção de seis escalas exige atenção e reforço nas ações de promoção turística e relacionamento com as companhias de cruzeiros, mas não deve ser interpretada automaticamente como perda de atratividade da cidade.

Arica registra alta pontual, mas mantém tendência de queda

Entre os portos do norte chileno, Arica é o único que apresenta aumento em relação à temporada imediatamente anterior. A programação passou de quatro para cinco escalas.

Apesar desse avanço pontual, os dados mostram uma redução gradual desde a temporada 2023/24, seguindo a tendência observada em outros terminais da região.

Jorge Cáceres, gerente-geral da Empresa Portuaria Arica, considera que Arica e Parinacota possuem potencial para ampliar sua participação no mercado de cruzeiros.

O executivo destaca que as companhias marítimas costumam organizar suas escalas de maneira cíclica, alternando destinos entre diferentes temporadas. Nesse contexto, a empresa pretende ampliar a cooperação com o governo regional, prefeitura, Sernatur e demais instituições.

A EPA também está promovendo uma mesa de trabalho permanente para desenvolver a oferta turística regional, melhorar as experiências dos visitantes e buscar novas escalas nas próximas temporadas.

Coquimbo reforça cenário de retração

A queda também aparece no Porto de Coquimbo. O terminal teve 20 escalas na temporada 2023/24, mas conta atualmente com apenas seis visitas confirmadas para a temporada em andamento.

O desempenho reforça a percepção de que a redução das escalas não está concentrada em um único terminal, mas faz parte de um movimento mais amplo entre os portos do norte do Chile.

Por que as escalas de cruzeiros estão diminuindo?

A Corporación de Puertos del Conosur aponta uma combinação de fatores para explicar a retração.

Entre os principais elementos estão a contração global do mercado de cruzeiros, a instabilidade econômica e geopolítica, o aumento dos custos operacionais e a mudança das estratégias das companhias marítimas.

As empresas também vêm reconfigurando seus itinerários, com maior direcionamento para cruzeiros de expedição e destinos antárticos. Além disso, características específicas de cada porto, como restrições provocadas por condições marítimas adversas, podem afetar a programação.

A entidade afirma que trabalha para elevar a competitividade dos portos chilenos e reduzir os custos associados às operações de cruzeiros no país.

A intenção é criar condições mais favoráveis para que as companhias marítimas mantenham suas escalas no Chile e, no médio prazo, ampliem a presença do país nos itinerários internacionais.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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