Internacional

Guerra no Oriente Médio pressiona custos da carne, afirma CEO da JBS em Nova York

O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou nesta quarta-feira, durante o Summit Valor Brazil-USA 2026, em Nova York, que a guerra no Oriente Médio vem elevando os custos em toda a cadeia de produção de carnes e proteínas.

Segundo o executivo, os impactos chegam desde embalagens plásticas até fertilizantes e fretes logísticos, pressionando os custos operacionais da indústria alimentícia mundial.

JBS aposta em diversificação geográfica para reduzir impactos

Durante o painel, Tomazoni explicou que a companhia tem conseguido minimizar os efeitos do cenário internacional por meio da sua presença global e da diversificação de mercados.

De acordo com ele, a estratégia permite equilibrar dificuldades regionais e manter o abastecimento em diferentes países.

“O grande fornecedor do Oriente Médio é o Brasil. Não tivemos ruptura de abastecimento, mas foi necessário reorganizar a estratégia logística, utilizando novos portos e transporte interno para garantir a entrega ao cliente final”, destacou o executivo.

A empresa também reforçou o foco em segurança alimentar e na otimização da infraestrutura para enfrentar períodos de instabilidade geopolítica.

Alta da demanda compensou aumento nos custos

Apesar do avanço das despesas operacionais, o CEO da JBS afirmou que o crescimento da demanda global por proteína animal ajudou a compensar os custos adicionais registrados nos últimos meses.

Segundo Tomazoni, a companhia manteve seus investimentos e operações sem alterar o planejamento estratégico de médio e longo prazo.

A Seara, controlada pela JBS, segue entre os principais negócios do grupo no Brasil, incluindo operações relevantes em Santa Catarina.

Mercado americano enfrenta baixa oferta de animais

Ao comentar o cenário dos Estados Unidos, Tomazoni afirmou que o país vive dificuldades específicas relacionadas à baixa oferta de animais para abate.

Além do ciclo pecuário natural, a seca em algumas regiões americanas também vem pressionando a produção, fator que contribui para manter os preços da carne elevados.

Segundo o executivo, esse cenário reduz as chances de queda nos preços ao consumidor, tema frequentemente citado pelo presidente Donald Trump.

“O preço da carne depende diretamente da relação entre oferta e demanda”, ressaltou.

Redução de tarifas pode beneficiar Brasil e EUA

Tomazoni também defendeu a discussão sobre redução tarifária para a carne brasileira no mercado americano. Na avaliação dele, Brasil e Estados Unidos possuem mercados complementares no setor de proteína animal.

O executivo destacou ainda que a produção de carnes exige planejamento de longo prazo, o que diferencia o segmento de outras cadeias industriais.

JBS amplia presença e faturamento nos Estados Unidos

Durante o evento, mediado pelo jornalista Lauro Jardim, o CEO apresentou números das operações da JBS no mercado americano.

Segundo ele, a empresa atua há cerca de 20 anos nos EUA, onde concentra mais de 52% do faturamento global, superando US$ 40 bilhões em receita.

Atualmente, a companhia está presente em 31 estados americanos, conta com aproximadamente 78 mil colaboradores e possui uma rede de cerca de 10 mil fornecedores no país.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Estela Benetti

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