Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE em vigor: veja impactos para o Brasil, preços e economia

O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia passou a valer de forma provisória na última sexta-feira (1º), após mais de duas décadas de negociações. A medida cria uma das maiores áreas de livre comércio do planeta e já começa a gerar efeitos na economia brasileira, com reflexos esperados em preços, exportações e investimentos. Com a entrada em vigor, o Brasil passa a ter acesso ampliado a um mercado de mais de 700 milhões de consumidores, em economias que somam cerca de US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).

Nesta fase inicial, mais de 80% dos produtos brasileiros exportados para a União Europeia passam a contar com tarifa de importação zerada, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A implementação completa, no entanto, será gradual e pode levar até 15 anos, dependendo do setor.

Preços podem cair para o consumidor

Entre os efeitos mais imediatos, está a possibilidade de redução no preço de produtos importados. Itens como vinhos, azeites, queijos e outros lácteos devem ficar mais acessíveis ao consumidor brasileiro. Além disso, o acordo pode facilitar a entrada de novas marcas no país, especialmente no segmento de produtos premium, como chocolates europeus. Outros setores também podem sentir impacto nos preços, incluindo veículos, medicamentos e insumos para o agronegócio, como máquinas e produtos veterinários.

No sentido inverso, o acordo favorece a presença de produtos brasileiros no mercado europeu. Itens do agronegócio, calçados, café solúvel, óleos vegetais e frutas frescas tendem a chegar à Europa com menos barreiras tarifárias. Produtos como carne bovina, aves e açúcar também entram no acordo, mas sujeitos a cotas e tarifas reduzidas.

Salvaguardas protegem agricultores europeus

A implementação do acordo foi destravada após a adoção de salvaguardas comerciais aprovadas pelo Parlamento Europeu no fim de 2025. Esses mecanismos permitem à União Europeia suspender temporariamente benefícios tarifários em caso de impacto significativo sobre produtores locais.

A medida foi defendida principalmente pela França, preocupada com a concorrência de produtos agrícolas do Mercosul.

Apesar das expectativas de queda nos preços, especialistas alertam que os efeitos não serão imediatos. Fatores como a taxa de câmbio e custos logísticos também influenciam os valores finais ao consumidor. Segundo analistas, o impacto mais relevante deve ocorrer de forma indireta, com a redução dos custos de produção no Brasil, impulsionada pela importação de máquinas e insumos mais baratos.

Crescimento econômico e investimentos

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que o acordo pode gerar aumento acumulado de 0,46% no PIB brasileiro até 2040, o equivalente a cerca de US$ 9,3 bilhões por ano.

Os investimentos também devem crescer, com projeção de alta de 1,49% no período. No comércio exterior, as importações tendem a crescer nos primeiros anos, podendo atingir um pico de US$ 12,8 bilhões em 2034. Já as exportações devem apresentar avanço contínuo, com ganho acumulado estimado em US$ 11,6 bilhões até 2040.

Regras ambientais e incertezas no curto prazo

Por ter caráter provisório, o acordo ainda pode passar por ajustes ao longo do tempo. Além disso, a manutenção dos benefícios está condicionada ao cumprimento de compromissos ambientais — uma exigência central da União Europeia. Esse cenário adiciona um nível de incerteza para empresas e investidores, especialmente no curto prazo.

Perspectiva global e ganhos para os blocos

A expectativa é que o acordo fortaleça as relações comerciais entre Europa e América do Sul, ampliando a competitividade das duas regiões em um cenário global marcado pela influência de grandes potências econômicas.

Projeções da Comissão Europeia indicam que as exportações do bloco europeu para o Mercosul podem crescer cerca de 50 bilhões de euros até 2040, enquanto os países sul-americanos podem ampliar suas vendas externas em até 9 bilhões de euros.

Fonte: BBC News Brasil e Ipea

Texto: Redação
Imagem: Arquivo ReConecta News

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