Transporte

Eletrificação de caminhões pesados avança lentamente e enfrenta desafios globais

A eletrificação de caminhões pesados ainda progride em ritmo abaixo do esperado no cenário internacional. É o que aponta o relatório “Behind the Curve”, elaborado pela coalizão Idle Giants, que analisa a evolução da transição energética no transporte de carga.

Produção limitada e custos elevados travam expansão

De acordo com o estudo, apesar dos avanços tecnológicos, a fabricação de caminhões elétricos segue restrita e com preços elevados. Esse cenário limita o acesso principalmente para pequenas e médias transportadoras, mantendo a demanda reprimida.

O relatório também alerta que a lentidão na adoção pode abrir espaço para novos concorrentes globais, com destaque para fabricantes chineses, que já operam com maior escala e custos mais competitivos em determinados mercados.

Brasil avança com alternativas, mas ainda de forma gradual

No Brasil, a descarbonização do transporte rodoviário ocorre de maneira progressiva e ainda está concentrada no uso de biocombustíveis, gás natural e melhorias na eficiência do diesel.

Mesmo assim, especialistas apontam que o país possui condições favoráveis para ampliar o uso de veículos elétricos pesados, especialmente devido à matriz energética predominantemente renovável.

Energia renovável é vantagem competitiva

Segundo Clemente Gauer, diretor da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), o Brasil tem diferenciais importantes para acelerar essa transição.

O executivo destaca a disponibilidade de energia renovável, com crescimento da geração solar e eólica, além de momentos de excedente no sistema elétrico — fatores que podem impulsionar a adoção dos caminhões elétricos.

Economia operacional pode acelerar adoção

Outro ponto relevante é o custo. De acordo com Gauer, o uso de veículos elétricos no transporte de carga pode reduzir em até 80% o custo por quilômetro rodado.

A maior eficiência energética em relação ao diesel, que perde parte significativa da energia em calor e emissões, torna o modelo elétrico mais competitivo no longo prazo.

Infraestrutura de recarga ainda é desafio

A infraestrutura de recarga segue como um dos principais entraves. No entanto, a expectativa é de que esse sistema evolua gradualmente, acompanhando o crescimento da demanda — de forma semelhante ao que ocorreu historicamente com a rede de abastecimento de combustíveis fósseis.

Perfil das rotas favorece eletrificação

Estudos indicam que cerca de 80% do transporte rodoviário no Brasil ocorre em trajetos de até 300 quilômetros. Esse perfil operacional favorece o uso de caminhões elétricos, especialmente em rotas regionais, onde a tecnologia atual já é considerada viável.

Múltiplas soluções para reduzir emissões

Embora os biocombustíveis tenham papel importante na redução de emissões, especialistas avaliam que eles não devem ser a única alternativa. A eletrificação tende a oferecer maior eficiência ambiental no longo prazo.

O relatório conclui que o avanço da mobilidade elétrica no transporte pesado dependerá da combinação entre redução de custos, aumento de escala produtiva e expansão da infraestrutura — fatores decisivos para o ritmo dessa transformação nos próximos anos.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rodolfo Buhrer/La Image / Volvo

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