Informação, Tecnologia

Inmetro avalia novas regras para recarga de veículos elétricos no Brasil

O avanço da eletromobilidade no Brasil levou o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) a ampliar os estudos sobre segurança e regulamentação de equipamentos ligados ao setor. Entre os temas em análise estão os sistemas de recarga de veículos elétricos e as baterias de reposição usadas em bicicletas elétricas, patinetes e hoverboards.

A iniciativa é conduzida pela Diretoria de Avaliação da Conformidade (Dconf), por meio de um grupo de trabalho criado em março de 2025 e integrado à Agenda Regulatória 2025, com continuidade prevista para 2026 e 2027.

Inmetro acompanha crescimento da eletromobilidade

O aumento da circulação de veículos elétricos e equipamentos de micromobilidade impulsionou a necessidade de discutir critérios técnicos para garantir mais segurança aos consumidores.

Uma das frentes do grupo de trabalho está voltada às baterias de íon-lítio de reposição utilizadas em bicicletas elétricas e dispositivos autopropelidos, segmento que registra forte expansão no país.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que o mercado de bicicletas elétricas, patinetes e similares atingiu 338.970 unidades em 2025, número que representa crescimento de aproximadamente 238% em comparação com 2023.

Expansão dos eletropostos acelera discussão sobre recarga

Outro foco do estudo envolve os Sistemas de Abastecimento de Veículos Elétricos (SAVE), responsáveis pela infraestrutura de recarga.

Segundo informações da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e da Tupi Mobilidade, o Brasil passou de cerca de 500 eletropostos em março de 2021 para uma expansão acumulada de 1.584% na oferta de pontos de recarga até 2026.

O crescimento acelerado da rede de carregamento aumentou a preocupação com padrões de qualidade, desempenho e segurança dos equipamentos disponíveis no mercado.

Estudos podem resultar em regulamentação técnica

O grupo de trabalho do Inmetro conduz duas Análises de Impacto Regulatório (AIR), mecanismo obrigatório antes da criação de novas regulamentações técnicas no país.

Os estudos têm como objetivo identificar possíveis falhas regulatórias, avaliar riscos, analisar alternativas e medir os impactos de futuras normas sobre fabricantes, importadores e consumidores. A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos até dezembro de 2026.

De acordo com Hercules Souza, chefe da Divisão de Regulamentação e Qualidade Regulatória do Inmetro, o crescimento da eletromobilidade exige atenção especial à segurança dos produtos oferecidos no mercado brasileiro.

Segundo ele, o avanço acelerado do setor demanda análises técnicas consistentes para identificar riscos e eventuais lacunas regulatórias, sempre priorizando requisitos mínimos de segurança para os consumidores.

Caso os estudos indiquem necessidade de regulamentação, o Inmetro poderá estabelecer exigências técnicas obrigatórias para comercialização desses equipamentos no país.

Entenda os conceitos analisados pelo Inmetro

Regulamento técnico

Documento oficial e obrigatório emitido por órgão regulador, que estabelece exigências para determinadas atividades econômicas. O descumprimento pode gerar sanções.

Norma técnica

Diretriz de caráter orientativo, criada por consenso técnico para padronizar procedimentos, sem aplicação de penalidades.

Análise de Impacto Regulatório (AIR)

Processo obrigatório que avalia custos, benefícios, riscos e alternativas antes da criação de regulamentações técnicas no Brasil.

Grupo reúne representantes do setor e consumidores

O grupo de trabalho reúne entidades da cadeia produtiva da eletromobilidade, representantes de consumidores, laboratórios acreditados e organismos de certificação.

A proposta é ampliar a coleta de dados técnicos e garantir mais transparência no desenvolvimento das análises regulatórias relacionadas ao setor.

O Inmetro informou que novas atualizações sobre os estudos deverão ser divulgadas ao longo do ano, conforme o avanço das avaliações e consolidação dos resultados.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

Ler Mais
Transporte

Eletrificação de caminhões pesados avança lentamente e enfrenta desafios globais

A eletrificação de caminhões pesados ainda progride em ritmo abaixo do esperado no cenário internacional. É o que aponta o relatório “Behind the Curve”, elaborado pela coalizão Idle Giants, que analisa a evolução da transição energética no transporte de carga.

Produção limitada e custos elevados travam expansão

De acordo com o estudo, apesar dos avanços tecnológicos, a fabricação de caminhões elétricos segue restrita e com preços elevados. Esse cenário limita o acesso principalmente para pequenas e médias transportadoras, mantendo a demanda reprimida.

O relatório também alerta que a lentidão na adoção pode abrir espaço para novos concorrentes globais, com destaque para fabricantes chineses, que já operam com maior escala e custos mais competitivos em determinados mercados.

Brasil avança com alternativas, mas ainda de forma gradual

No Brasil, a descarbonização do transporte rodoviário ocorre de maneira progressiva e ainda está concentrada no uso de biocombustíveis, gás natural e melhorias na eficiência do diesel.

Mesmo assim, especialistas apontam que o país possui condições favoráveis para ampliar o uso de veículos elétricos pesados, especialmente devido à matriz energética predominantemente renovável.

Energia renovável é vantagem competitiva

Segundo Clemente Gauer, diretor da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), o Brasil tem diferenciais importantes para acelerar essa transição.

O executivo destaca a disponibilidade de energia renovável, com crescimento da geração solar e eólica, além de momentos de excedente no sistema elétrico — fatores que podem impulsionar a adoção dos caminhões elétricos.

Economia operacional pode acelerar adoção

Outro ponto relevante é o custo. De acordo com Gauer, o uso de veículos elétricos no transporte de carga pode reduzir em até 80% o custo por quilômetro rodado.

A maior eficiência energética em relação ao diesel, que perde parte significativa da energia em calor e emissões, torna o modelo elétrico mais competitivo no longo prazo.

Infraestrutura de recarga ainda é desafio

A infraestrutura de recarga segue como um dos principais entraves. No entanto, a expectativa é de que esse sistema evolua gradualmente, acompanhando o crescimento da demanda — de forma semelhante ao que ocorreu historicamente com a rede de abastecimento de combustíveis fósseis.

Perfil das rotas favorece eletrificação

Estudos indicam que cerca de 80% do transporte rodoviário no Brasil ocorre em trajetos de até 300 quilômetros. Esse perfil operacional favorece o uso de caminhões elétricos, especialmente em rotas regionais, onde a tecnologia atual já é considerada viável.

Múltiplas soluções para reduzir emissões

Embora os biocombustíveis tenham papel importante na redução de emissões, especialistas avaliam que eles não devem ser a única alternativa. A eletrificação tende a oferecer maior eficiência ambiental no longo prazo.

O relatório conclui que o avanço da mobilidade elétrica no transporte pesado dependerá da combinação entre redução de custos, aumento de escala produtiva e expansão da infraestrutura — fatores decisivos para o ritmo dessa transformação nos próximos anos.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rodolfo Buhrer/La Image / Volvo

Ler Mais
Tecnologia

Carros elétricos avançam em Santa Catarina com alta do diesel e da gasolina

O aumento no preço do diesel e da gasolina no Brasil, influenciado pela volatilidade do petróleo e por tensões geopolíticas, tem acelerado a adoção de carros elétricos em Santa Catarina. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que o diesel acumulou alta de quase 20% desde fevereiro, enquanto a gasolina subiu 5,5%.

Esse cenário tem levado consumidores a buscar alternativas mais econômicas e sustentáveis, fortalecendo a eletromobilidade no país.

Frota de veículos eletrificados cresce no Brasil

Desde 2020, o uso de veículos elétricos e híbridos vem ganhando espaço entre motoristas brasileiros. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a frota nacional cresceu 26% em 2025, superando 230 mil unidades.

Em Santa Catarina, mais de 30 mil veículos eletrificados já circulam, representando cerca de 10% do mercado de veículos leves, com destaque para modelos 100% elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV).

Infraestrutura de recarga ainda é desafio

Apesar do crescimento, a expansão da infraestrutura de recarga elétrica ainda enfrenta limitações. O Brasil conta atualmente com cerca de 16 mil pontos públicos e semipúblicos, concentrados principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Mesmo em expansão, essa rede atende apenas cerca de 25% dos municípios, evidenciando um gargalo que demanda novos investimentos para acompanhar o avanço da frota elétrica.

Economia no uso favorece adoção

O fator econômico também pesa na decisão dos consumidores. O custo por quilômetro rodado com carros elétricos pode ser até 70% menor em comparação aos veículos a combustão.

Além disso, a menor dependência das oscilações do mercado internacional garante maior previsibilidade de खर्च, especialmente para quem percorre longas distâncias mensalmente.

Expansão de eletropostos acompanha demanda em SC

Em Santa Catarina, a rede de postos de recarga começa a se expandir para atender ao crescimento da demanda. Um dos exemplos é o Ecoposto Rudnik, que já opera unidades em cidades como Florianópolis, Balneário Camboriú, Santo Amaro da Imperatriz e Tubarão.

A estratégia inclui parcerias com redes varejistas e postos de combustíveis, integrando a recarga a atividades do dia a dia. A empresa projeta alcançar 50 unidades na região Sul até o fim de 2026, ampliando a cobertura e reduzindo lacunas na infraestrutura.

Energia solar reforça sustentabilidade do modelo

Outro destaque é a integração da energia solar aos sistemas de recarga. Parte dos eletropostos opera com geração própria por meio de usinas solares, alinhando a mobilidade elétrica à transição energética.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil já ultrapassa 30 GW de capacidade instalada em geração distribuída. Esse modelo reduz custos operacionais, diminui a dependência de fontes fósseis e contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

A combinação entre mobilidade elétrica e fontes renováveis aponta para uma transformação estrutural no setor, com impactos no consumo, na sustentabilidade e nos modelos de negócio.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook