Agronegócio

Conflito no Irã pode impactar agronegócio brasileiro mais que guerra na Ucrânia, alerta CNA

A escalada do conflito no Irã pode gerar impactos significativos para o agronegócio brasileiro, especialmente nos custos de combustíveis e fertilizantes. A avaliação é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, principal entidade representativa do setor no país.

Segundo a organização, os efeitos econômicos da tensão no Oriente Médio podem ser ainda mais intensos do que os provocados pela Guerra entre Rússia e Ucrânia, que já havia pressionado os custos de produção agrícola nos últimos anos.

Dependência de fertilizantes do Oriente Médio preocupa setor

De acordo com Bruno Lucchi, cerca de 30% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil, como a ureia, têm origem em países do Oriente Médio. Embora este não seja o principal período de compras desses insumos, o setor teme alta nos preços e dificuldades logísticas.

Lucchi afirma que existem fornecedores alternativos no mercado internacional, mas os custos tendem a subir caso o conflito comprometa a oferta.

Ele lembra que o cenário atual é mais sensível do que no início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Naquele momento, as commodities agrícolas estavam valorizadas, o que ajudava a compensar os custos mais altos. Hoje, segundo ele, muitos produtores enfrentam endividamento, juros elevados e aumento no preço dos insumos.

Diesel já registra alta em várias regiões do país

Outro ponto de preocupação é o aumento no preço do diesel, combustível essencial para a atividade agrícola.

A CNA relatou que produtores rurais em estados como Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Pará e Goiás já reportaram aumentos expressivos nas últimas semanas.

De acordo com o setor, o preço do combustível subiu cerca de R$ 1 por litro inicialmente, mas em alguns casos o aumento já chega a R$ 2 por litro.

Diante da situação, a entidade solicitou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis que intensifique a fiscalização para evitar reajustes considerados desproporcionais motivados por especulação ou alarmismo no mercado.

Momento coincide com fase intensa da produção agrícola

A preocupação é maior porque o aumento no custo do diesel ocorre em um período estratégico para o campo.

Atualmente, produtores estão envolvidos em atividades como:

  • colheita de soja
  • colheita de arroz
  • plantio da segunda safra de milho
  • transporte da produção agrícola

Grande parte dessa logística depende de máquinas agrícolas e caminhões movidos a diesel, o que torna o setor especialmente sensível às oscilações do combustível.

Custos de produção já pressionavam produtores

Segundo Lucchi, o cenário já era complicado antes mesmo da nova crise geopolítica.

Após a pandemia, os preços dos fertilizantes permaneceram elevados, enquanto as commodities agrícolas recuaram em relação aos níveis registrados naquele período. Isso reduziu as margens de rentabilidade dos produtores.

Ele também destacou que o Brasil ainda importa entre 20% e 30% do diesel consumido no país, o que aumenta a exposição às oscilações do mercado internacional.

Regiões Norte e Nordeste podem ser mais afetadas

De acordo com a CNA, os impactos podem ser ainda maiores nas regiões Norte do Brasil e Nordeste do Brasil.

Nessas áreas, fertilizantes e outros insumos costumam chegar por portos do Sudeste e do Sul, sendo posteriormente transportados por longas distâncias em caminhões movidos a diesel.

Estados localizados no chamado Arco Norte logístico tendem a enfrentar custos adicionais, já que muitos insumos precisam atravessar grande parte do território nacional até chegar às propriedades rurais.

Alta de custos pode pressionar inflação dos alimentos

Para Pedro Lupion, a situação pode trazer reflexos para toda a economia.

Segundo o parlamentar, caso o governo não consiga conter os impactos da guerra sobre combustíveis e fertilizantes, o aumento dos custos no campo pode resultar em elevação no preço dos alimentos e pressão sobre a inflação no Brasil.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook