Agronegócio

Mercado global de fertilizantes deve enfrentar nova onda de instabilidade, alerta BHP

O mercado global de fertilizantes atravessa sua terceira fase de turbulência em apenas seis anos e deve continuar volátil nos próximos meses. O alerta foi feito por Karina Gistelinck, presidente de potássio da BHP, maior mineradora do mundo.

Segundo a executiva, após os impactos causados pela pandemia de Covid-19 e pela guerra na Ucrânia, novos fatores geopolíticos — como o conflito no Oriente Médio e restrições de exportação impostas por Rússia e China — adicionaram mais incerteza ao setor.

Custos elevados e queda temporária na demanda

Embora o potássio seja menos afetado diretamente por conflitos internacionais do que outros nutrientes, como nitrogênio e fosfato, a empresa já sente os reflexos da crise. O principal impacto vem do aumento nos custos de frete marítimo.

Com isso, a expectativa é de uma redução temporária na demanda por fertilizantes do tipo NPK, que combinam diferentes nutrientes essenciais à agricultura.

De acordo com Gistelinck, os produtores rurais tendem a reduzir o uso desses insumos no curto prazo. “O agricultor não compra potássio isoladamente, mas sim o NPK, cujo principal componente é o nitrogênio. Se houver corte no consumo, isso afetará também o preço do potássio”, explicou.

Impacto limitado no Brasil, mas com efeito no curto prazo

No caso do Brasil, a redução no uso de fertilizantes deve ser pontual. Isso porque os solos brasileiros são naturalmente pobres em nutrientes, o que impede cortes prolongados.

Segundo a executiva, um eventual recuo no uso de potássio pode afetar uma safra, mas exigirá compensação nas seguintes. Como o país possui dois ciclos agrícolas por ano, o impacto tende a durar cerca de seis meses.

Estratégia da BHP foca em redução de custos

Diante do cenário instável, a BHP aposta na redução dos custos de produção como estratégia para manter margens positivas no mercado de fertilizantes.

Historicamente, o custo de produção do potássio varia entre US$ 105 e US$ 120 por tonelada, enquanto o preço mínimo do produto gira em torno de US$ 260 por tonelada. A meta da empresa é se tornar a produtora com menor custo operacional no Canadá.

Novo projeto no Canadá deve ampliar oferta global

A mineradora prevê iniciar a extração de potássio em sua mina na província de Saskatchewan, no Canadá, no início de 2027. A região concentra cerca de 40% das reservas globais do nutriente.

O projeto, que recebeu investimento de US$ 13 bilhões — o maior da história da empresa — deve atingir produção de 4,1 milhões de toneladas em dois anos. No pico, previsto para 2033, a capacidade pode chegar a 8,5 milhões de toneladas anuais, o equivalente a 10% da produção global.

Desse total, aproximadamente 20% deve ser destinado ao mercado brasileiro, reforçando o papel do país como grande importador de potássio.

Cooperação internacional é chave para estabilidade

Para enfrentar a volatilidade do setor e garantir o abastecimento de insumos agrícolas, a executiva defende maior cooperação entre governos e empresas.

Ela destacou o potencial de parceria entre países como Austrália, Canadá e Brasil, que possuem economias complementares e forte presença nos setores mineral e agrícola.

Infraestrutura brasileira é fator estratégico

Durante visita recente a Brasília, Gistelinck participou de reuniões para avançar contratos de distribuição no Brasil e demonstrou otimismo com o alinhamento entre governo e setor privado.

Ela ressaltou a importância de investimentos em infraestrutura logística — especialmente em ferrovias e rodovias — para facilitar o transporte de fertilizantes dos portos até regiões agrícolas como o Centro-Oeste e o Matopiba.

Além disso, destacou a necessidade de ampliar a capacidade de armazenamento e reduzir custos de importação.

Dependência externa ainda é inevitável

Apesar da ausência de barreiras regulatórias relevantes no Brasil, a executiva alertou que a dependência excessiva de importações não é ideal.

Ainda assim, ela reconhece que o país continuará sendo um grande importador de fertilizantes, devido a limitações geológicas e à expansão do agronegócio.

“Não há cenário em que o Brasil deixe de importar potássio”, afirmou.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

Conflito no Irã pode impactar agronegócio brasileiro mais que guerra na Ucrânia, alerta CNA

A escalada do conflito no Irã pode gerar impactos significativos para o agronegócio brasileiro, especialmente nos custos de combustíveis e fertilizantes. A avaliação é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, principal entidade representativa do setor no país.

Segundo a organização, os efeitos econômicos da tensão no Oriente Médio podem ser ainda mais intensos do que os provocados pela Guerra entre Rússia e Ucrânia, que já havia pressionado os custos de produção agrícola nos últimos anos.

Dependência de fertilizantes do Oriente Médio preocupa setor

De acordo com Bruno Lucchi, cerca de 30% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil, como a ureia, têm origem em países do Oriente Médio. Embora este não seja o principal período de compras desses insumos, o setor teme alta nos preços e dificuldades logísticas.

Lucchi afirma que existem fornecedores alternativos no mercado internacional, mas os custos tendem a subir caso o conflito comprometa a oferta.

Ele lembra que o cenário atual é mais sensível do que no início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Naquele momento, as commodities agrícolas estavam valorizadas, o que ajudava a compensar os custos mais altos. Hoje, segundo ele, muitos produtores enfrentam endividamento, juros elevados e aumento no preço dos insumos.

Diesel já registra alta em várias regiões do país

Outro ponto de preocupação é o aumento no preço do diesel, combustível essencial para a atividade agrícola.

A CNA relatou que produtores rurais em estados como Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Pará e Goiás já reportaram aumentos expressivos nas últimas semanas.

De acordo com o setor, o preço do combustível subiu cerca de R$ 1 por litro inicialmente, mas em alguns casos o aumento já chega a R$ 2 por litro.

Diante da situação, a entidade solicitou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis que intensifique a fiscalização para evitar reajustes considerados desproporcionais motivados por especulação ou alarmismo no mercado.

Momento coincide com fase intensa da produção agrícola

A preocupação é maior porque o aumento no custo do diesel ocorre em um período estratégico para o campo.

Atualmente, produtores estão envolvidos em atividades como:

  • colheita de soja
  • colheita de arroz
  • plantio da segunda safra de milho
  • transporte da produção agrícola

Grande parte dessa logística depende de máquinas agrícolas e caminhões movidos a diesel, o que torna o setor especialmente sensível às oscilações do combustível.

Custos de produção já pressionavam produtores

Segundo Lucchi, o cenário já era complicado antes mesmo da nova crise geopolítica.

Após a pandemia, os preços dos fertilizantes permaneceram elevados, enquanto as commodities agrícolas recuaram em relação aos níveis registrados naquele período. Isso reduziu as margens de rentabilidade dos produtores.

Ele também destacou que o Brasil ainda importa entre 20% e 30% do diesel consumido no país, o que aumenta a exposição às oscilações do mercado internacional.

Regiões Norte e Nordeste podem ser mais afetadas

De acordo com a CNA, os impactos podem ser ainda maiores nas regiões Norte do Brasil e Nordeste do Brasil.

Nessas áreas, fertilizantes e outros insumos costumam chegar por portos do Sudeste e do Sul, sendo posteriormente transportados por longas distâncias em caminhões movidos a diesel.

Estados localizados no chamado Arco Norte logístico tendem a enfrentar custos adicionais, já que muitos insumos precisam atravessar grande parte do território nacional até chegar às propriedades rurais.

Alta de custos pode pressionar inflação dos alimentos

Para Pedro Lupion, a situação pode trazer reflexos para toda a economia.

Segundo o parlamentar, caso o governo não consiga conter os impactos da guerra sobre combustíveis e fertilizantes, o aumento dos custos no campo pode resultar em elevação no preço dos alimentos e pressão sobre a inflação no Brasil.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor

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