Investimento

Brasil e Angola avançam em programa de investimento agropecuário bilateral

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recebeu em Brasília, uma delegação do governo de Angola para discutir o Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola. O encontro dá início a uma série de reuniões técnicas que seguem até 12 de março, com o objetivo de estruturar um modelo de cooperação para o desenvolvimento do setor agrícola angolano.

O secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, conduziu o encontro, destacando que a iniciativa busca estimular investimentos privados, transferência de tecnologia e compartilhamento de conhecimento técnico brasileiro. O foco é fortalecer a produção agrícola em Angola e ampliar a cooperação técnica, comercial e institucional entre os dois países.

Experiência brasileira aplicada ao desenvolvimento angolano

Durante a reunião, Billi ressaltou a evolução da agropecuária brasileira nas últimas cinco décadas e como essa experiência pode apoiar Angola.

“O Brasil passou de importador de alimentos a grande exportador global. Solos antes considerados improdutivos no Cerrado foram transformados graças a avanços científicos, melhoramento genético e políticas públicas como o Plano Safra. A organização dos produtores em cooperativas também contribuiu para produtividade e sustentabilidade”, explicou.

O secretário-adjunto afirmou que compartilhar essas experiências pode ajudar Angola a enfrentar desafios relacionados a crédito, garantias financeiras e segurança jurídica para investimentos.

Carlos Ernesto Augustin, assessor especial do Mapa, acrescentou que afinidades históricas, culturais e linguísticas, somadas a condições agroecológicas semelhantes, tornam o ambiente favorável para projetos produtivos. Mais de 20 produtores brasileiros já demonstraram interesse em investir no país africano.

Angola destaca potencial agrícola e cooperação com o Brasil

Pelo governo angolano, o secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Custódio Vieira Lopes, ressaltou que a parceria com o Brasil pode modernizar o setor agrícola local.

“A cooperação possibilita transferência de tecnologia, capacitação profissional, desenvolvimento das cadeias de valor e atração de investimentos produtivos. Isso pode aumentar a produção, gerar empregos rurais e fortalecer a segurança alimentar em Angola”, afirmou.

O secretário de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto, destacou que o programa poderá ampliar o fluxo de investimentos, bens, serviços e tecnologia entre Brasil e Angola, além de incentivar a formação de cadeias produtivas locais.

Ele reforçou que semelhanças climáticas e de solo entre o Cerrado brasileiro e a savana angolana permitem a adaptação de tecnologias agrícolas já testadas no Brasil, abrindo novas oportunidades de cooperação produtiva.

Proposta brasileira para o programa

Durante o encontro, as delegações analisaram a proposta brasileira, que prevê:

  • Disponibilização de áreas agricultáveis;
  • Marcos regulatórios que garantam segurança jurídica aos investimentos;
  • Criação de linhas de crédito;
  • Transferência de tecnologias agrícolas;
  • Adoção de sistemas sustentáveis de produção.

Produtores brasileiros interessados se comprometeriam a apoiar o desenvolvimento agrícola das comunidades locais, oferecer assistência técnica, criar parcerias com escolas técnicas para capacitação profissional e implantar agrovilas com infraestrutura básica. Parte da produção seria destinada ao mercado interno angolano.

O programa também prevê a disponibilização inicial de 20 mil hectares para cultivo de grãos, garantias para operações de financiamento, participação de instituições financeiras locais, uso de sementes com biotecnologia e mecanismos regulatórios para exportação parcial da produção.

As discussões técnicas continuam nos próximos dias para consolidar o marco institucional e operacional do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MAPA

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