Transporte

Elas Transformam: mulheres debatem desafios e avanços na infraestrutura de transportes

O Instituto Brasileiro de Infraestrutura Social (IBI Social) realizou, na quinta-feira (11), a mesa redonda Elas Transformam, dedicada a discutir a participação feminina na infraestrutura de transportes. O encontro celebrou os seis meses de atuação do instituto e reuniu lideranças para debater barreiras, oportunidades e caminhos para ampliar a presença das mulheres em todas as esferas do setor, da operação à liderança estratégica.

União feminina como motor de transformação

A presidente do IBI Social, Eliane Sammarco, abriu o evento destacando a rápida consolidação do instituto e a importância das conexões construídas entre as participantes. Segundo ela, o fortalecimento do setor passa pela colaboração entre mulheres, capaz de gerar impacto real e sustentável. A dirigente ressaltou que nenhuma transformação acontece de forma isolada e que a troca de experiências é essencial para superar desafios históricos da área.

Autonomia, representatividade e pressão política

A diretora de Relações Internacionais do Instituto Global SG, Paola Comim, compartilhou sua trajetória profissional e defendeu que mulheres não devem buscar validação externa para ocupar espaços de poder. Já Núria Bianco, diretora de Inteligência de Mercado do Grupo Brasil Export, chamou atenção para a dificuldade de incluir mulheres em painéis e cargos estratégicos, defendendo uma atuação mais firme para garantir indicações femininas, especialmente após a legislação que estabelece 30% de mulheres nos conselhos de administração (CONSAD).

Liderança feminina ainda é solitária

A coordenadora-geral de Sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos, Rafaela Gomes, descreveu a liderança feminina como um exercício solitário em ambientes majoritariamente masculinos, reforçando a necessidade de redes de apoio. A diretora da Cine Group, Patrícia Monteiro, acrescentou que dar visibilidade a mulheres qualificadas é fundamental para quebrar ciclos de exclusão.

Ocupar espaços e ampliar a voz

Para Ana Clara Moura, diretora de Relações Institucionais e Governamentais do Grupo Arnone, a presença feminina precisa ser ativa e constante. Ela defendeu que mulheres aceitem convites, participem de debates e ampliem sua voz nos espaços de decisão, fortalecendo a atuação coletiva.

Diversidade como vantagem estratégica

A diretora de Programa da Secretaria Adjunta de Infraestrutura Econômica, Patrícia Gravina, destacou que fatores culturais contribuem para o desenvolvimento de habilidades femininas como colaboração, criatividade e resolução de problemas. Segundo ela, ampliar a presença das mulheres em conselhos e lideranças não é apenas uma questão de equidade, mas um ganho direto para a inovação e eficiência das organizações.

Apoio mútuo e quebra de estigmas

A chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Portos, Rebecca Ferreira, reforçou a importância do apoio entre mulheres, alertando para a necessidade de substituir a rivalidade pela valorização mútua. Ela também defendeu que características como ambição, frequentemente associadas aos homens, sejam reconhecidas como qualidades legítimas nas mulheres.

Síndrome da impostora e diálogo com lideranças masculinas

A sócia da Salomão Advogados, Nathália Fritz, abordou a síndrome da impostora e destacou a importância da capacitação contínua e do diálogo com homens em cargos de gestão. A advogada Maíra observou que, apesar de avanços, o setor portuário ainda apresenta baixa presença feminina em posições de diretoria.

Propósito social e inovação no setor portuário

A superintendente de ESG e Inovação da ANTAQ, Cristina Castro, compartilhou sua trajetória no setor portuário e o engajamento com temas como transição energética, descarbonização e projetos sociais. Ela também revelou a criação da inteligência artificial Glória, voltada ao combate à violência contra mulheres, com atuação em 194 países.

Políticas públicas e equidade no cotidiano

A ouvidora do Ministério de Portos e auditora da CGU, Maíra Nascimento, defendeu políticas públicas que apoiem a mulher multitarefa, destacando iniciativas como a coalizão pela paternidade, que busca ampliar a licença paterna. Também citou projetos de enfrentamento ao escalpelamento e à exploração sexual infantil.

Representatividade além do discurso

A engenheira Karenina, assessora do Ministério das Cidades, criticou a ausência de promoção feminina no dia a dia, mesmo com a pauta de gênero presente em debates institucionais. Já Carol, chefe de gabinete da Diretoria-Geral da ANTAQ, relatou sua experiência em ambientes masculinos e o reconhecimento tardio da importância da representatividade feminina.

Caminho para a transformação do setor

A mesa redonda Elas Transformam reforçou a necessidade de converter indignação em ações concretas, utilizando a articulação política e a construção de redes para promover a equidade de gênero. As participantes convergiram na avaliação de que ampliar a inserção feminina na infraestrutura de transportes é essencial não apenas para justiça social, mas para impulsionar inovação, criatividade e desenvolvimento sustentável.

FONTE: Jornal dos Associados
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal dos Associados

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