Exportação

Exportação de carnes do Brasil cresce mais de 50% apesar de tarifas dos EUA

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Mesmo com a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos às carnes brasileiras desde 6 de agosto, as exportações do setor não perderam fôlego. Enquanto as vendas totais do Brasil para o mercado americano recuaram 18% em agosto, o setor de carnes mostrou resiliência e expandiu sua presença em outros destinos internacionais.

Queda para os EUA, salto no mercado global

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), os embarques de carnes para os EUA caíram 46% em agosto, somando US$ 37 milhões. Ainda assim, a perda foi compensada pela forte demanda mundial: as exportações totais de carnes cresceram 56%, alcançando US$ 1,5 bilhão, um dos maiores volumes já registrados.

Dados preliminares de setembro reforçam a tendência. A média diária de exportação de carne bovina foi de R$ 1,6 milhão, alta de 53% em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho levou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) a revisar sua projeção de crescimento anual para 2025 de 12% para 14%.

Demanda aquecida na Ásia e em mercados emergentes

Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, o cenário é favorável porque há uma escassez global de carne. “Nossos principais competidores, como Estados Unidos e Austrália, enfrentam dificuldades de produção. Enquanto isso, a demanda cresce, especialmente na Ásia, onde países como Vietnã, Malásia, Indonésia e Filipinas estão aumentando o consumo de carne bovina”, explicou.

A China, que já representa 60% das exportações brasileiras, aumentou as compras em 90% em agosto. Outros mercados também registraram altas expressivas: Rússia (109%), México (300%) e Chile (30%).

EUA continuam estratégicos para o setor

Apesar da expansão em novos destinos, Perosa lembra que o mercado americano segue fundamental:

“Os Estados Unidos eram nosso segundo maior comprador e são altamente rentáveis. Redirecionar as vendas é possível, mas trabalhamos com margens apertadas de 3% a 4%. Perder um mercado que oferece maior rentabilidade impacta todo o sistema de vendas”, afirmou.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Paula Bronstein/Getty Images/VEJA

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