Tecnologia

Mercado Livre usará 125 robôs para separar pedidos no Brasil, após novo frete grátis impulsionar vendas

Mudança ocorre após redução do valor mínimo para frete grátis elevar vendas. Equipamentos manuseiam até 105 mil itens por dia, diminuindo em 25% o ciclo de processamento de pedidos com múltiplos itens

O Mercado Livre anunciou o lançamento de uma nova geração com 125 robôs de separação de produtos para acelerar as operações logísticas e otimizar as entregas. Eles são capazes de manusear até 105 mil itens por dia, diminuindo em 25% o ciclo de processamento de pedidos com múltiplos itens. Na prática, isso vai significar uma hora a menos no ciclo total de preparo de uma encomenda, o que possibilita um avanço no prazo de entrega ao cliente.

A empresa já tem quase 500 robôs em operação no país, contando também com um modelo chinês que carrega as estantes até os operadores, economizando quilômetros de caminhada dos trabalhadores de centros de distribuição.

Indagada se a inovação significaria perda de postos de trabalho, a cúpula da empresa afirmou que busca otimizar o trabalho humano, realocando funcionários em funções de maior valor agregado. Fernando Yunes, vice-presidente sênior da plataforma, afirmou que a implementação dos robôs não elimina a necessidade de mão de obra e que a empresa planeja contratar mais de 12 mil pessoas este ano.

O reforço da automação ocorre pouco depois de a empresa reduzir o valor mínimo para frete grátis de R$ 79 para R$ 19, o que levou a um crescimento de 34% no volume comercializado em julho na comparação com o mês anterior.

A aposta no frete mais acessível pressiona a rentabilidade no curto prazo, mas visa o crescimento sustentável a longo prazo ao expandir a base de clientes, afirmou Yunes. A estratégia de frete grátis para pedidos de menor valor, com prazo de entrega mais longo, permite que a empresa use melhor sua malha logística.

— Temos que mandar o caminhão de todo jeito, então ocupamos espaços sobrando com esses pacotes que não têm urgência — completa Luiz Vergueiro, diretor sênior de Logística.

Segundo a empresa, a otimização de rotas e espaços vazios gerou ganho de eficiência crucial para a operação.

IA busca produto proibido

O Brasil é o maior mercado da empresa na América Latina. Segundo a plataforma, 5,8 milhões de empreendedores e pequenas e médias empresas usaram o ecossistema da companhia no ano passado e movimentaram R$ 381 bilhões.

De acordo com a empresa, 56% das entregas são feitas em até 24 horas nas capitais, índice que chega a 73% no estado de São Paulo.

Com a recente resolução da Anatel que responsabiliza marketplaces pela venda de produtos irregulares, o Mercado Livre afirmou que reforçou sua postura de não permitir a venda de itens não homologados. A plataforma exige que os vendedores preencham um campo com o código de homologação da Anatel ao anunciar produtos eletrônicos.

A empresa usa ferramentas de inteligência artificial (IA) para monitorar e derrubar anúncios que violam as regras. No ano passado, mais de 10 milhões de anúncios foram removidos automaticamente por meio desses algoritmos.

Além do uso da IA, a empresa mantém um programa de colaboração com as próprias marcas. Equipes das grandes marcas parceiras do Mercado Livre navegam pela plataforma buscando produtos que possam ser irregulares. Ao identificar um anúncio que a IA não detectou, elas podem denunciá-lo.

A partir da denúncia, o Mercado Livre inicia investigação do vendedor e do produto, aplicando penalidades que variam desde a remoção do anúncio até o banimento definitivo da plataforma em casos de reincidência.

Fonte: O Globo

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