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Trump impõe tarifa de 50% sobre Brasil e cita Bolsonaro e ‘relação comercial injusta’

Presidente dos EUA anunciou tarifa de 50% sobre o Brasil em retaliação ao julgamento de Bolsonaro e ao déficit comercial

O presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (9) que os Estados Unidos vão impor uma tarifa de 50% sobre as importações do Brasil, em parte como retaliação à atual acusação contra o ex-presidente do país, Jair Bolsonaro.

Trump afirmou que a nova tarifa, que representa um aumento significativo em relação à alíquota de 10% que os EUA impuseram ao Brasil no início de abril, também foi motivada pela “relação comercial muito injusta” com o país, dizendo que ela tem sido “longe de ser recíproca”.

Os Estados Unidos também estão iniciando uma investigação sobre possíveis práticas comerciais desleais por parte do Brasil, disse Trump em uma carta ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

A apuração baseia-se nas “continuadas ações do Brasil contra as atividades de comércio digital de empresas americanas”, escreveu Trump na carta, que compartilhou publicamente em uma publicação na Truth Social.

O anúncio teve impacto imediato nos mercados futuros no Brasil: o Ibovespa futuro com vencimento em agosto de 2025 (INDQ25) caía 2,23%, a 138.085 pontos, enquanto o dólar futuro com vencimento no mesmo mês saltava 1,76%, equivalente a R$ 5,58, por volta das 17h40 (horário de Brasília).

O índice à vista havia fechado em queda de 1,3%, enquanto o dólar comercial encerrou a sessão desta quarta com alta de 1,06%, a R$ 5,50.

Leia a íntegra da carta:

“Prezado Sr. Presidente:

Conheci e lidei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei profundamente, assim como a maioria dos outros líderes de países. A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro — um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos — é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar acontecendo. Trata-se de uma caça às bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!

Em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra as eleições livres e os direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos (como foi ilustrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro, que emitiu centenas de ordens secretas e ilegais de censura às plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com milhões de dólares em multas e expulsão do mercado brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos uma tarifa de 50% sobre qualquer produto brasileiro enviado aos Estados Unidos, além de todas as tarifas setoriais existentes. Mercadorias transbordadas para evitar essa tarifa de 50% estarão sujeitas à tarifa mais alta.

Além disso, tivemos anos para discutir nossa relação comercial com o Brasil, e concluímos que precisamos nos afastar dessa relação antiga e muito injusta, marcada por políticas e barreiras tarifárias e não-tarifárias do Brasil. Nossa relação tem sido, infelizmente, muito pouco recíproca.

Peço que compreenda que a tarifa de 50% é muito menor do que o necessário para equilibrar o campo de jogo com o seu país. E é necessário adotar essa medida para corrigir as graves injustiças do regime atual. Como o senhor sabe, não haverá tarifa se empresas brasileiras, ou que operem no Brasil, decidirem construir ou fabricar seus produtos dentro dos Estados Unidos. E, de fato, faremos tudo o possível para aprovar isso de forma rápida, profissional e rotineira — ou seja, em questão de semanas.

Se por algum motivo o senhor decidir aumentar suas tarifas, então qualquer que seja o número que escolher aumentá-las, será acrescentado aos 50% que cobraremos. Por favor, entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de políticas tarifárias e não-tarifárias do Brasil, causando déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional! Além disso, por causa dos contínuos ataques do Brasil às atividades comerciais digitais das empresas americanas, bem como de outras práticas comerciais desleais, estou instruindo o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação de Seção 301 contra o Brasil.

Se o senhor quiser abrir seus mercados comerciais, até então fechados, para os Estados Unidos e eliminar suas políticas tarifárias e não-tarifárias e barreiras comerciais, nós talvez consideremos um ajuste desta carta. Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo da nossa relação com seu país. O senhor nunca ficará desapontado com os Estados Unidos da América.

Obrigado por sua atenção a este assunto!”

Confira a carta:

Cartas tarifárias

Nesta quarta-feira, Trump também anunciou que aplicaria uma tarifa de 30% sobre produtos da Argélia, Líbia, Iraque e Sri Lanka, com alíquotas de 25% para produtos de Brunei e Moldávia, e uma tarifa de 20% sobre mercadorias das Filipinas.

As tarifas estavam em grande parte alinhadas com as taxas que Trump havia anunciado inicialmente em abril, embora as alíquotas para o Iraque tenham sido reduzidas de 39% e para o Sri Lanka de 44%.

Trump começou a notificar os parceiros comerciais sobre as novas tarifas na segunda-feira, antes do prazo desta semana para que os países concluíssem as negociações com sua administração — e publicou nas redes sociais que planejava divulgar “no mínimo 7” cartas na manhã de quarta-feira, com tarifas adicionais a serem anunciadas à tarde.

Questionado sobre qual fórmula estava usando para determinar a alíquota adequada para os parceiros comerciais, Trump disse a repórteres em um evento na Casa Branca na quarta-feira que a decisão era “baseada no bom senso, nos déficits, em como temos estado ao longo dos anos e nos números brutos.”

“São baseadas em fatos muito, muito substanciais, e também na história passada”, afirmou.

Fonte: InfoMoney

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