Informação

Antidumping sobre leite em pó do Mercosul é aprovado, mas aplicação é suspensa pelo MDIC

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmou a aprovação de direitos antidumping sobre as importações de leite em pó provenientes da Argentina e do Uruguai. Apesar da decisão favorável à aplicação da medida, sua implementação foi suspensa imediatamente por razões de interesse público.

A deliberação ocorreu durante reunião do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), realizada na última semana. Segundo o ministério, a suspensão tem caráter cautelar e permanecerá em vigor até a conclusão de uma análise específica sobre os possíveis impactos da cobrança.

Investigação identificou prática de dumping

A decisão foi baseada em parecer técnico elaborado pelo Departamento de Defesa Comercial (Decom), órgão vinculado ao MDIC e responsável pela investigação iniciada em 2024.

O estudo concluiu que houve prática de dumping nas exportações de leite em pó originárias da Argentina e do Uruguai, caracterizada pela venda do produto no mercado brasileiro a preços considerados inferiores aos praticados em seus mercados de origem ou abaixo de valores de referência internacional.

Com base nessas conclusões, os ministérios que integram o Gecex aprovaram, por unanimidade, a aplicação dos direitos antidumping.

Suspensão busca avaliar impactos econômicos

Apesar da aprovação da medida comercial, o colegiado decidiu interromper temporariamente sua vigência para aprofundar a avaliação sobre seus efeitos na economia.

De acordo com o MDIC, será aberto um processo específico para analisar os potenciais reflexos da cobrança sobre o mercado interno, especialmente em relação aos preços dos alimentos e ao consumidor final.

A suspensão foi proposta pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), que apontou preocupações relacionadas ao possível aumento dos custos do leite em pó importado e seus impactos na inflação dos alimentos.

Análise de interesse público definirá próximos passos

Enquanto o estudo estiver em andamento, os direitos antidumping permanecerão suspensos. Somente após a conclusão da avaliação de interesse público o governo decidirá se a medida será efetivamente aplicada ou se continuará sem efeito.

O mecanismo de análise busca equilibrar a proteção da indústria nacional contra práticas consideradas desleais com os possíveis impactos econômicos para consumidores e setores que dependem do produto importado.

Debate envolve produção nacional e preços ao consumidor

A discussão sobre o antidumping no leite em pó ocorre em um momento de atenção aos custos dos alimentos e à competitividade da cadeia produtiva do leite no Brasil.

De um lado, produtores defendem medidas para combater práticas comerciais que possam prejudicar a indústria nacional. De outro, integrantes do governo avaliam os efeitos que restrições às importações podem provocar sobre os preços pagos pelos consumidores.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/SBA1

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Internacional

Uruguai e Argentina avançam em negociações sobre usina de hidrogênio verde na fronteira

Os governos do Uruguai e da Argentina deram novos passos nas negociações envolvendo a instalação de uma usina de hidrogênio verde próxima ao rio Uruguai, área que divide os dois países. O tema foi discutido na última terça-feira (12) durante reunião realizada em Montevidéu entre representantes diplomáticos das duas nações.

O empreendimento, liderado pela multinacional HIF Global, prevê investimentos superiores a US$ 5 bilhões, equivalente a cerca de R$ 24,4 bilhões.

Governo uruguaio avalia impactos ambientais

Após o encontro, o chanceler uruguaio, Mario Lubetkin, afirmou que as conversas avançaram de forma positiva e destacou que ainda existem etapas importantes antes da possível concretização do projeto.

Segundo o governo uruguaio, o estudo de impacto ambiental da futura planta industrial segue em análise. Além disso, Montevidéu também considera alternativas para a localização da usina, atendendo a uma das principais preocupações apresentadas por Buenos Aires.

A proposta inicial prevê a instalação da unidade no departamento de Paysandú, no norte uruguaio, a poucos quilômetros do rio Uruguai.

Cidade argentina teme efeitos no turismo e no meio ambiente

O projeto mantém autoridades e moradores da cidade argentina de Colón em estado de atenção devido aos possíveis impactos ambientais e reflexos sobre o turismo local.

O representante argentino, Pablo Quirno, avaliou de forma positiva a decisão uruguaia de considerar as observações ambientais feitas pela Argentina durante a análise técnica do empreendimento.

Ele também ressaltou que o Uruguai possui autonomia para receber investimentos estrangeiros, desde que atendam às exigências nacionais, mas destacou que o diálogo entre os países é fundamental para evitar futuros conflitos diplomáticos.

Possível mudança de localização está em análise

Embora ainda não exista definição oficial, veículos da imprensa local indicam que a usina poderá ser transferida para outra área dentro do mesmo departamento uruguaio.

A relação entre Montevidéu e Buenos Aires já enfrentou tensões semelhantes em anos anteriores devido à instalação de indústrias próximas ao rio compartilhado.

Histórico de conflitos entre Uruguai e Argentina

Em 2010, os dois países encerraram uma longa disputa diplomática relacionada à instalação de uma fábrica de celulose em território uruguaio, também nas proximidades do rio Uruguai.

Anos depois, o ex-presidente uruguaio Tabaré Vázquez revelou que, durante o período de tensão, chegou a considerar a possibilidade de um conflito armado com o país vizinho.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de São Paulo

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Comércio Internacional

MERCOSUL inicia aplicação provisória do acordo comercial com a União Europeia

O MERCOSUL ativou o mecanismo para a aplicação provisória do Acordo Interino de Comércio com a União Europeia (UE), permitindo reduções tarifárias, maior acesso a novos mercados e condições comerciais mais vantajosas para os países signatários.

Notificação e trâmites legais

Argentina e Uruguai notificaram os depositários do acordo sobre a conclusão de todos os procedimentos legais internos necessários para a entrada em vigor, concedendo ainda seu aval à aplicação provisória.

No Brasil, o acordo já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e segue em análise no Senado Federal. Em Paraguai, o tratado também está em tramitação parlamentar.

União Europeia confirma início da aplicação provisória

Em resposta, a União Europeia anunciou que dará início à aplicação provisória do acordo, conforme informou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O Acordo Interino prevê que a aplicação provisória comece no primeiro dia do segundo mês seguinte à data em que a UE e cada Estado do MERCOSUL notifiquem mutuamente a conclusão de seus procedimentos internos ou a ratificação formal do acordo, confirmando sua concordância com a implementação provisória.

Benefícios para o comércio internacional

A medida representa um passo importante para o fortalecimento das relações comerciais entre o MERCOSUL e a União Europeia, facilitando o comércio de produtos, reduzindo barreiras tarifárias e promovendo maior integração econômica entre os continentes.

FONTE: Mercosur
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de PE

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Comércio Internacional

BRICS e América do Sul: Argentina, Paraguai e Uruguai avaliam aproximação, mas sem adesão formal

A possibilidade de aproximação entre países do Mercosul e o BRICS voltou ao centro do debate na América do Sul, em um contexto marcado por incertezas econômicas globais, negociações comerciais em andamento e esforços regionais para ampliar exportações e atrair investimentos. Argentina, Paraguai e Uruguai aparecem com frequência em análises sobre o tema, mas, até o momento, não há sinalização conjunta, pública ou formal de adesão ao bloco.

Apesar do espaço crescente que o assunto ocupa no debate político e diplomático, os registros oficiais apontam para um cenário mais fragmentado, com movimentos distintos e cautelosos por parte de cada país.

Expansão do BRICS e criação da categoria de país parceiro

Criado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia e China, o BRICS incorporou a África do Sul em 2011 e, desde então, ampliou sua relevância como fórum de coordenação política e econômica entre países emergentes. O grupo ganhou novo impulso com a decisão de expansão anunciada na cúpula de 2023.

Em 2024, os líderes do bloco aprovaram mudanças institucionais e criaram a categoria de “país parceiro”, que permite participação em reuniões e debates, mas sem direito a deliberação, prerrogativa reservada aos membros plenos. Em janeiro de 2025, o governo brasileiro anunciou os primeiros países parceiros, inaugurando oficialmente o novo modelo. No mesmo ano, o Vietnã também passou a integrar essa categoria, sinalizando que o mecanismo segue ativo.

Argentina: convite formal e recusa registrada

No caso da Argentina, as informações confirmadas caminham em sentido contrário à hipótese de ingresso iminente. Em agosto de 2023, o país foi convidado a se tornar membro pleno do BRICS, com adesão prevista para janeiro de 2024.

No entanto, já sob o governo de Javier Milei, Buenos Aires enviou carta oficial aos líderes do bloco comunicando a decisão de não ingressar no grupo. O posicionamento foi tornado público no fim de dezembro de 2023.

A recusa formal não impede a manutenção de relações comerciais ou políticas com países do BRICS, nem a participação em fóruns paralelos. Ainda assim, o gesto institucional registrado foi de não adesão, o que diferencia o interesse econômico em ampliar comércio de um movimento político formal para integrar o bloco.

Uruguai e Paraguai mantêm diálogo, sem pedido de adesão

A movimentação do Uruguai tem se concentrado mais no diálogo do que em um processo estruturado de adesão. Em março de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou Uruguai, Colômbia e México para participar de um encontro vinculado à cúpula do BRICS realizada no Brasil.

Analistas interpretaram o convite como um sinal de abertura para ampliar a interlocução com países latino-americanos, mas não como um convite formal para ingresso no bloco, seja como membro pleno ou país parceiro.

Em relação ao Paraguai, há registros de declarações diplomáticas que mencionam “interesse” no BRICS. No entanto, não existe anúncio oficial de pedido de adesão nem inclusão do país nas listas divulgadas formalmente pelo bloco. Até aqui, a aproximação se restringe a conversas políticas e cooperação econômica pontual.

Mercosul, acordo com a União Europeia e diversificação de parcerias

O debate sobre novas alianças ocorre em paralelo às negociações internacionais do Mercosul. O acordo entre Mercosul e União Europeia teve suas negociações concluídas em dezembro de 2024, segundo comunicados oficiais do governo brasileiro.

Apesar disso, o processo enfrenta entraves no continente europeu. Em janeiro de 2026, o Parlamento Europeu decidiu encaminhar o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para avaliação jurídica, o que pode postergar a votação final. Autoridades brasileiras defendem que a tramitação interna no Brasil pode ajudar a acelerar etapas, mas ainda não há prazo definido.

Esse cenário reforça a estratégia regional de diversificação de mercados, reduzindo a dependência histórica de parceiros tradicionais como Estados Unidos e Europa, especialmente em um ambiente econômico global mais volátil.

Investimentos, exportações e limites das informações disponíveis

A ideia de que uma maior aproximação com o BRICS poderia impulsionar exportações e atrair investimentos aparece associada a setores estratégicos da América do Sul, como agronegócio, energia e infraestrutura. No entanto, não há dados oficiais, projetos anunciados ou compromissos firmes que sustentem a expectativa de “investimentos bilionários” envolvendo especificamente Argentina, Paraguai e Uruguai no âmbito do bloco.

Indicadores de comércio regional, como os dados brasileiros sobre fluxo comercial com o Paraguai, ajudam a explicar por que Assunção é vista como parceira estratégica. Ainda assim, essas estatísticas não confirmam a existência de negociações formais para entrada paraguaia no BRICS.

O mesmo vale para a narrativa de rompimento com Estados Unidos e Europa. Há, de fato, uma tendência histórica de diversificação da política externa sul-americana, mas atribuir esse objetivo a decisões concretas de adesão ao BRICS exige declarações oficiais que, até agora, não existem.

Cenário aponta cautela e aproximações graduais

No estágio atual, o quadro mais fiel é o de uma região que busca ampliar sua margem de manobra internacional. O Mercosul acelera acordos comerciais, enquanto o BRICS adota formatos mais flexíveis, como o de país parceiro, que funcionam como pontes para novos diálogos.

A questão central permanece em aberto: se e quando Argentina, Paraguai ou Uruguai transformarão sinais de interesse econômico em um movimento institucional concreto, com pedido formal e negociação política dentro do bloco.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Comércio Exterior

Uruguai entra na Parceria Transpacífica e aumenta pressão sobre o futuro do Mercosul

A decisão do Uruguai de ingressar na Parceria Transpacífica (CPTPP) — grupo que reúne economias como Japão, Canadá, Austrália, Chile e Reino Unido — acendeu um alerta na Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). Para a entidade, o movimento pode fragilizar o Mercosul e interferir diretamente nas negociações do acordo entre o bloco sul-americano e a União Europeia, previsto para ser discutido em 19 de dezembro, em Foz do Iguaçu.

Cláusula do Mercosul é ponto central da tensão

Segundo a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, a preocupação decorre do possível descumprimento de uma cláusula fundamental do Mercosul, que impede que seus membros firmem acordos comerciais individuais com outros países ou blocos.

Bustamante afirma que essa regra sempre limitou a atuação do Brasil no cenário internacional.
Nenhum dos quatro países pode assinar acordos comerciais isolados. Essa é uma das razões pelas quais o Brasil tem poucos tratados”, explicou.

Precedente também envolve a Argentina

A entrada do Uruguai no CPTPP, segundo Bustamante, rompe o entendimento tradicional do bloco e abre um precedente delicado — tendência que já seria perceptível na Argentina.
Ela lembrou que Buenos Aires mantém tratativas para um acordo comercial com os Estados Unidos, com declaração oficial de que o processo está em andamento.

Impacto direto no acordo Mercosul–União Europeia

O maior receio da Fiesc é que a instabilidade gerada pelas decisões unilaterais afete o acordo Mercosul–União Europeia, considerado estratégico para o Brasil.
Bustamante destacou que não há clareza sobre o posicionamento que Uruguai e Argentina levarão à reunião de dezembro, o que pode comprometer a coesão do bloco.

Indústria defende revisão do Tratado de Assunção

Diante do cenário, a Fiesc sugere que o Brasil articule uma revisão da cláusula do Tratado de Assunção que impede acordos bilaterais. Para Bustamante, abrir essa possibilidade fortaleceria o comércio regional.
“O Brasil não pode continuar sem essa oportunidade”, afirmou. Segundo ela, permitir negociações individuais sem extinguir o Mercosul seria uma adaptação necessária aos novos tempos.

Incertezas sobre punições e presença dos presidentes

O tratado prevê punições, como suspensão de países, para quem descumprir as regras. No entanto, ainda não há sinalização oficial sobre quais medidas podem ser aplicadas ao Uruguai ou à Argentina.

Outro fator que aumenta a tensão é a dúvida sobre a participação dos presidentes dos dois países na cúpula de dezembro — presença ainda não confirmada.

Reunião em Foz do Iguaçu deve ter clima tenso

Para Bustamante, o encontro tem tudo para ocorrer em um ambiente de pressão e incerteza, já que os membros do bloco não deram sinais claros de alinhamento. Ela avalia que o risco de impasse é alto, especialmente num momento decisivo para as negociações internacionais e para o futuro do Mercosul.

FONTE: Ligado no Sul
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ligado no Sul

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Agricultura

Brasil retoma investigação antidumping sobre leite em pó da Argentina e do Uruguai

Governo reabre investigação antidumping

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) decidiu reabrir a investigação antidumping sobre as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai. O processo havia sido suspenso em agosto após questionamentos técnicos, mas foi retomado oficialmente nesta terça-feira, durante reunião em Brasília com lideranças do setor e parlamentares, anunciada pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin.

A previsão é de que a apuração siga até junho de 2026. Contudo, há expectativa de que medidas provisórias sejam adotadas antes da conclusão, caso seja confirmado o impacto negativo das importações sobre o mercado brasileiro.

Pressão no campo e alerta sobre crise na produção

Para o deputado federal Heitor Schuch (PSB), presidente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, o aumento das importações e a queda no preço pago ao produtor têm agravado a crise na cadeia do leite. Segundo ele, famílias que dependem da atividade enfrentam endividamento crescente e, em muitos casos, abandonam a produção.

“Os agricultores não têm mais tempo para esperar. A retomada da investigação é positiva, mas precisamos de medidas antidumping que restabeleçam a concorrência justa no mercado”, reforçou.

Setor lácteo vê avanço e cobra ações efetivas

A decisão do governo também foi comemorada por representantes da indústria. Para Darlan Paharini, secretário-executivo do Sindilat, a reabertura da investigação representa um avanço importante na busca por maior equilíbrio no mercado brasileiro, pressionado pelo excesso de produtos importados.

“É um sinal claro de que o governo está atento e busca soluções para a crise que afeta produtores e indústrias nacionais”, afirmou.

Reivindicações do setor para conter oferta externa

O setor lácteo defende um pacote emergencial que ajude a reduzir a entrada de leite importado. Entre as propostas estão:

  • Compras governamentais para equilibrar a oferta;
  • Incentivos a indústrias que utilizem leite nacional em seus processos;
  • Aplicação de uma sobretaxa emergencial por 36 meses sobre leite em pó e queijo muçarela provenientes da Argentina e do Uruguai.

As lideranças afirmam que essas medidas seriam essenciais para recuperar a competitividade e evitar novas perdas na produção interna.

Com informações de agências e representantes do setor.
Texto: Redação

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Notícias

Bovinos retornam após bloqueio sanitário na Turquia

Cerca de 2.900 bovinos procedentes do Uruguai iniciaram seu retorno após permanecerem quase um mês a bordo de um cargueiro ancorado diante da costa da Turquia, devido a um bloqueio sanitário. A interrupção ocorreu depois que as autoridades turcas negaram o desembarque por supostas inconsistências na documentação sanitária, enquanto o Uruguai atribuiu o conflito a um desacordo comercial entre exportadores e importadores.

Marcelo Rodríguez, diretor de Serviços Pecuários do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP), explicou que os animais “estão no navio retornando ao Uruguai”, embora os responsáveis pela carga busquem redirecioná-los a outro mercado durante o trajeto. Assinalou ainda que os relatórios recebidos até agora indicam que os bovinos se encontram “em boas condições”, embora tenha reconhecido que não é possível verificar diretamente o estado atual do lote.

Problemas de identificação
Segundo o governo turco, a decisão de impedir a entrada foi tomada após detectar problemas nas identificações individuais. As inspeções no porto de Bandirma revelaram que alguns animais não portavam brincos nem chips eletrônicos, e que 469 bovinos não coincidiam com as listas de carga entregues pelas empresas importadoras. Por essas irregularidades, as autoridades locais rejeitaram a entrada da carga no país.

O Uruguai defendeu que o lote cumpriu a quarentena prévia ao embarque e superou todos os controles sanitários exigidos. Durante a viagem, morreram cerca de 40 animais, número que, segundo Rodríguez, é considerado habitual nesse tipo de travessia de longa distância.

Apesar do bloqueio sanitário, o vínculo comercial entre ambos os países se mantém. A Turquia é um dos principais destinos do gado em pé uruguaio e, segundo adiantou o MGAP, está previsto que nos próximos dias saia um novo envio de milhares de animais para esse mercado.

O Uruguai, com um rebanho de mais de 12 milhões de cabeças e forte orientação agroexportadora, enviou à Turquia mais de 269.000 bovinos no que vai de 2025, de acordo com dados oficiais.

FONTE: Todo Logistica News
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Logística

O transporte fluvial como eixo logístico estratégico

O presidente Yamandú Orsi destacou o potencial do transporte fluvial como eixo logístico estratégico, durante a apresentação do rebocador TFF Anglo em Fray Bentos.

O Uruguai vê no transporte fluvial uma oportunidade chave para diversificar sua matriz logística e reduzir os custos operacionais. Foi o que afirmou o presidente Orsi, que ressaltou que esse modo de transporte ainda tem um grande potencial a ser desenvolvido e concretizado.

A apresentação do rebocador TFF Anglo, da empresa Transportes Fluviales Fray Bentos, foi o cenário desses anúncios. A nova embarcação permitirá impulsionar barcaças carregadas com pasta de celulose no trecho Fray Bentos–Nueva Palmira, integrando rios e portos com eficiência.

Integração modal como desafio

Para Orsi, não se trata apenas de vontade política, mas de identificar os pontos-chave que permitam articular os diferentes modos de transporte. “É preciso encontrar a articulação com o transporte ferroviário, o rodoviário, o fluvial e os portos de águas profundas”, destacou o presidente.

Ele também fez um apelo para melhorar a organização institucional, promovendo espaços de coordenação entre os organismos públicos e privados ligados ao setor.

Compromissos do governo para potencializar o setor

A ministra dos Transportes e Obras Públicas, Lucía Etcheverry, reafirmou o compromisso do governo com uma logística sustentável. Ela destacou que a incorporação de tecnologia no transporte fluvial permitirá ampliar a capacidade e reduzir as emissões ambientais.

Entre os compromissos mencionados estão:

  • Reforçar a Direção Geral de Transporte Fluvial e Marítimo.
  • Incorporar tecnologias para ampliar sua operatividade.
  • Valorizar o Instituto Nacional de Logística (INALOG) como ator chave do ecossistema.

Com isso, o Uruguai dá um passo importante para consolidar uma rede logística mais eficiente, multimodal e ambientalmente responsável.

Fonte: Todo Logistica News

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Economia, Exportação, Industria, Internacional, Negócios, Tributação

Acordo UE-Mercosul ‘não é remédio’ para tarifas de Trump, alerta França

O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul “não é um remédio” para as tarifas de Donald Trump, porque “acrescentaria mais desordem”, declarou nesta terça-feira a ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard.

A França lidera um grupo de países europeus que se opõem à ratificação do acordo negociado em dezembro entre a Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia, e os países do bloco sul-americano (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), que criaria um mercado de 700 milhões de pessoas.

— O Mercosul era ruim ontem e continua sendo, na minha opinião, para os setores cruciais, agrícola e agroalimentar, do nosso país — disse Genevard à Rádio J, ao ser questionada se as tarifas de Trump enfraquecem sua posição na UE.

Na semana passada, em meio a tarifas de Trump, Josef Síkela, representante para parcerias internacionais da Comissão Europeia (braço executivo da União Europeia), defendeu o acordo UE-Mercosul. Já o presidente da França, Emmanuel Macron, continua buscando “uma minoria de bloqueio” dentro da UE contra o acordo comercial com o Mercosul.

Se o acordo for ratificado, a União Europeia, primeiro parceiro comercial do Mercosul, poderia exportar com mais facilidade automóveis, máquinas e produtos farmacêuticos, enquanto o bloco sul-americano poderia exportar para a Europa mais carne, açúcar, soja, mel, entre outros produtos.

A França enfrenta a oposição veemente de seu setor agropecuário, que organizou grandes mobilizações nos últimos anos, e exige que as exportações do bloco sul-americano cumpram as mesmas normas de produção adotadas na UE.

O acordo “favoreceria outras produções (francesas) e em especial a produção de vinho, mas um bom acordo é um acordo equilibrado”, acrescentou Genevard, para quem os setores mais impactados seriam os de carne ovina e bovina, açúcar e etanol.

Embora a ministra tenha considerado que o Mercosul “não é um remédio”, ela chamou de “boa política” que a UE busque acordos alternativos para minimizar as consequências do impacto do aumento de tarifas decretado por Trump.

O presidente dos Estados Unidos assinou no dia 2 deste mês um decreto para adotar uma tarifa alfandegária mínima de 10% para todas as importações que entram no país, e de 20% para os produtos procedentes da UE.

A Comissão Europeia ofereceu aos Estados Unidos um acordo para adotar uma tarifa zero no comércio de produtos industriais — uma oferta que Trump já considerou “insuficiente” — e, ao mesmo tempo, ameaça com medidas de retaliação.

— A agricultura não deve ser uma variável de ajuste da resposta — disse Genevard, diante do temor de que aumentar as tarifas sobre a soja americana, que os pecuaristas europeus precisam, acabe afetando o setor e os consumidores.

FONTE: O Globo
Acordo UE-Mercosul ‘não é remédio’ para tarifas de Trump, alerta França

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O Uruguai envia touros aos chineses a bordo de um Boeing 747 como presente

O Aeroporto Internacional de Montevidéu, no Uruguai, viveu uma realidade incomum no último dia 22 de fevereiro. Um Boeing 747-400 pousou na capital com um propósito: abastecer o seu compartimento de cargas com três touros.

A aeronave, sob a operação da Suparna Airlines, pousou na América do Sul e pouco depois decolou rumo ao aeroporto de Yinchuan, na China. Com capacidade para transportar mais de 178 toneladas, o avião dedicou um espaço exclusivo para acomodar os três animais das raças Hereford, Aberdeen Angus e Braford.

Uruguai quer ampliar exportação de animais vivos

A iniciativa uruguaia faz parte de um gesto simbólico que visa celebrar os 35 anos de relações diplomáticas com a China. Antes de pousar em Montevidéu, o avião fez escalas em três outros aeroportos entre a Ásia e a América do Norte principalmente para descarregar itens de comércio eletrônico.

De acordo com o governo uruguaio, os animais passaram por um protocolo de saúde rigoroso antes do voo. Durante a viagem, tiveram o acompanhamento de veterinários do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca, responsáveis pela supervisão do estado de saúde dos animais.

Os touros foram um presente do governo do presidente uruguaio Luis Lacalle Pou, como reconhecimento pela amizade diplomática com a potência asiática. Mas além da afinidade ideológica – o Uruguai atualmente vive regime de esquerda -, o país sul-americano está de olho na balança comercial de exportação.

A China representa um importante cliente do rebanho bovino do Uruguai. Mais do que isso, o país quer ampliar a venda de animais vivos, cujo valor da carne supera o da carne ovina exportada, o que torna o mercado de genética bovina mais promissor. Nesse contexto, a aviação desempenha um papel fundamental.

Conforme especialistas, o transporte aéreo garante mais segurança e bem-estar aos animais. Já o transporte marítimo envolve uma viagem muito mais longa, que poderia causar estresse. Outro risco é a exposição dos animais a doenças em portos de escala.

Na América do Sul, países como Argentina, Chile e, agora, o Uruguai se destacam na exportação de animais vivos, especialmente cavalos e touros. Parte desses animais tem como destino o Oriente Médio, que os adquirem por meio principalmente de xeiques árabes para eventos e atividades recreativas.

Fonte: Revista Oeste
Uruguai usa Boeing 747 para presentear chineses com touros

 

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