Transporte

Trem Intercidades será o mais rápido do Brasil e ligará 11 cidades em São Paulo

O projeto do trem mais rápido do Brasil avança em São Paulo com o início das obras do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte. A iniciativa promete conectar 11 municípios e beneficiar cerca de 15 milhões de pessoas, marcando a retomada do transporte ferroviário de passageiros no estado.

Obras começam entre Campinas e Jundiaí

As intervenções iniciais tiveram início no fim de março e estão concentradas no trecho entre Campinas e Jundiaí. Nesta fase, os trabalhos incluem:

  • Implantação de canteiros e áreas de apoio
  • Preparação do solo e terraplenagem
  • Construção de contenções
  • Instalação de passagem inferior para veículos
  • Remoção de interferências na via

A etapa representa o primeiro avanço concreto do projeto, considerado estratégico para a mobilidade regional.

Projeto reúne três sistemas integrados

Com investimento estimado em R$ 14,2 bilhões, o plano contempla três frentes principais de infraestrutura ferroviária:

  • Trem Intercidades (TIC): serviço expresso entre São Paulo e Campinas
  • Trem Intermetropolitano (TIM): conexão com paradas entre Jundiaí e Campinas
  • Modernização da Linha 7-Rubi: integração com a malha metropolitana

A proposta é integrar diferentes modalidades e ampliar a eficiência do transporte sobre trilhos no estado.

Trem mais rápido do Brasil terá viagem de 64 minutos

O Trem Intercidades será o primeiro modelo de média velocidade do país, com capacidade para aproximadamente 860 passageiros por viagem.

Entre os destaques do projeto:

  • Velocidade de até 140 km/h
  • Percurso de 101 km entre São Paulo e Campinas
  • Tempo estimado de viagem de 64 minutos
  • Início de operação previsto para 2031

Já o Trem Intermetropolitano deve começar a operar em 2029, com trajeto de 44 km e paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos, além de tempo médio de 33 minutos.

Impacto na mobilidade e na economia regional

O projeto deve transformar a mobilidade urbana em São Paulo, oferecendo uma alternativa mais rápida e eficiente ao transporte rodoviário.

Além disso, a iniciativa deve gerar mais de 10 mil empregos diretos e indiretos durante sua implantação, estimulando a economia local.

Atualmente, o trajeto entre São Paulo e Campinas é realizado principalmente por carro, ônibus ou combinações de transporte. Com o novo sistema, a expectativa é reduzir o tempo de deslocamento e melhorar a qualidade das viagens.

Expansão ferroviária mira demandas futuras

A modernização da Linha 7-Rubi será fundamental para sustentar a operação dos novos serviços, garantindo integração com a rede existente.

Paralelamente, a concessionária responsável e a fabricante dos trens já iniciaram o planejamento para a produção das composições que irão operar no sistema.

O projeto reforça a retomada dos investimentos em transporte ferroviário e posiciona São Paulo como referência em mobilidade sobre trilhos no Brasil.

FONTE: ND+
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ND+

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Logística

Estatais chinesas ampliam presença em infraestrutura e logística no Brasil

A rede de infraestrutura construída por estatais chinesas no Brasil cresce em ritmo acelerado, fortalecendo o papel do país asiático em setores estratégicos como agronegócio, logística portuária, energia e transporte ferroviário.

No comércio de grãos, a influência da China já é expressiva. Embora as exportações brasileiras sejam tradicionalmente intermediadas por grandes traders como Cargill, Bunge e Louis Dreyfus, a Cofco, estatal chinesa, tornou-se a segunda maior trader de grãos do mundo, atrás apenas da Cargill. Em 2024, a empresa foi responsável por transportar 6,65 milhões de toneladas da soja brasileira destinada ao mercado chinês — cerca de 9% dos embarques do ano.

Além da soja, a Cofco lidera a exportação de milho, açúcar e outros produtos agrícolas, somando 17 milhões de toneladas enviadas a dezenas de países em 2023.

Cofco amplia operações no Porto de Santos

A expansão da estatal inclui investimentos robustos em infraestrutura portuária. Depois de operar dois terminais no Porto de Santos, a Cofco inaugurou parcialmente, em março, o TEC (Terminal Exportador Cofco), conhecido tecnicamente como STS11. A operação plena está prevista para 2025.

Com o novo terminal, a capacidade da empresa no porto deve saltar de 4,5 milhões para 14 milhões de toneladas por ano, tornando o STS11 o maior terminal da Cofco fora da China. Parte desse volume será transferida de instalações terceirizadas, reduzindo custos logísticos.

A estratégia de verticalização inclui ainda a compra de 23 locomotivas e 979 vagões, numa operação de R$ 1,2 bilhão. Os trens, operados pela Rumo, devem transportar 4 milhões de toneladas de grãos e açúcar até Santos a partir de 2026.

Os investimentos recentes da China na infraestrutura brasileira

Fonte: Alvarez & Marsal

Portos e contêineres: atuação da China Merchants

A presença chinesa no sistema portuário brasileiro vai além dos granéis. No segmento de contêineres, 11% de toda movimentação nacional passa pelo TCP (Terminal de Contêineres de Paranaguá), controlado desde 2018 pela estatal China Merchants Port Holdings (CMPorts), maior operadora de contêineres da China e terceira maior do Brasil, com 1,6 milhão de TEUs por ano.

A empresa formalizou recentemente um acordo para investir R$ 1,5 bilhão na ampliação do terminal, ampliando sua competitividade no país.

CMPorts também avança no setor de petróleo

Outro movimento estratégico é a entrada da CMPorts no Porto do Açu (RJ) — empreendimento originalmente idealizado por Eike Batista, hoje desenvolvido pela Prumo Logística, do fundo americano EIG. Em fevereiro de 2025, a estatal chinesa assinou acordo para adquirir 70% do terminal de petróleo, responsável por 30% das exportações brasileiras da commodity. A operação ainda depende de aprovação regulatória.

Se confirmada, a CMPorts passará a gerir a logística de 21% das exportações de petróleo do Brasil, reforçando seu papel no escoamento de commodities energéticas.

China investe também em transporte de passageiros

Um dos investimentos mais simbólicos da China no Brasil envolve o transporte de pessoas. O Trem Intercidades São Paulo–Campinas, leiloado em 2024, será desenvolvido por um consórcio formado pelo Grupo Comporte (60%) e pela estatal chinesa CRRC (40%), maior fabricante de trens do mundo.

O projeto deve consumir R$ 14 bilhões, sendo R$ 2 bilhões de responsabilidade da CRRC. A inauguração está prevista para 2031.

A empresa também venceu a licitação para fabricar 44 novos trens do Metrô de São Paulo, num contrato de R$ 3,1 bilhões, utilizando a fábrica que assumiu em Araraquara (SP).

Ecossistema chinês conecta energia, logística e tecnologia

Os investimentos chineses no Brasil seguem uma lógica integrada: um ecossistema no qual diferentes estatais se complementam. No setor elétrico, a State Grid controla a CPFL, responsável por 15% da distribuição no país, enquanto a China Three Gorges (CTG) detém 3,5% da geração nacional. Ambas utilizam painéis solares chineses, que dominam 80% da produção global.

No petróleo, parte do óleo que chega ao Porto do Açu vem de petroleiras como CNOOC, CNPC e Sinopec, todas estatais chinesas que atuam no Brasil.

A estratégia reproduz um modelo já buscado por grandes conglomerados, mas em escala monumental, consolidando a China como uma força central na infraestrutura brasileira.

FONTE: InvestNews
TEXTO: Redação
IMAGENS: Wirestock/John Lamb/Getty Images

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