Economia

Panda Bonds: Brasil inicia processo para emitir títulos em Yuan e ampliar acesso ao mercado financeiro chinês

O governo brasileiro deu início aos preparativos para emitir títulos da dívida pública em Yuan, moeda oficial da China. A operação, conhecida internacionalmente como panda bonds, faz parte da estratégia do Tesouro Nacional para diversificar fontes de financiamento, ampliar a base de investidores estrangeiros e fortalecer as relações financeiras entre Brasil e China.

O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, que destacou a relevância da iniciativa para a inserção do Brasil no mercado de capitais chinês.

Mercado chinês passa a ter acesso à dívida brasileira

A emissão dos panda bonds permitirá que investidores da China adquiram diretamente títulos da dívida pública brasileira. A medida amplia as possibilidades de captação de recursos pelo governo federal e reduz a dependência de mercados tradicionalmente concentrados em moedas como dólar e euro.

Segundo Daniel Leal, a operação representa um avanço importante na estratégia de internacionalização da dívida pública brasileira. Além de atrair novos investidores, a emissão em yuan também poderá servir de referência para empresas brasileiras interessadas em captar recursos no mercado financeiro chinês.

Diversificação fortalece estratégia do Tesouro

De acordo com o Tesouro Nacional, a diversificação geográfica e monetária das emissões externas contribui para ampliar a segurança financeira do país e fortalecer o mercado de capitais. Ao acessar novos investidores e novos indexadores, o governo cria alternativas de financiamento e estabelece parâmetros que podem facilitar futuras operações de empresas brasileiras no exterior. A iniciativa também acompanha uma tendência global de ampliação do uso de moedas alternativas nas relações financeiras internacionais.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, cumpre agenda na China nesta semana para avançar nas negociações relacionadas aos panda bonds e discutir outras iniciativas de cooperação econômica entre os dois países. Entre os temas previstos estão projetos ligados ao programa Eco Invest, voltado à atração de investimentos privados para iniciativas sustentáveis no Brasil. A programação inclui ainda um fórum sobre finanças verdes, tema considerado estratégico pelo governo para impulsionar projetos de infraestrutura sustentável, transição energética e economia de baixo carbono.

Reuniões com instituições financeiras e Banco do BRICS

Durante a visita oficial, Durigan deverá se reunir com importantes autoridades do sistema financeiro chinês, incluindo representantes do Banco Popular da China, do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura e do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do BRICS), presidido por Dilma Rousseff.

A agenda contempla ainda encontros com o Ministério das Finanças da China e a inauguração de uma unidade de representação da Receita Federal brasileira no país asiático, iniciativa que busca ampliar a cooperação fiscal e aduaneira entre as duas nações.

Captações internacionais seguem em expansão

A emissão dos panda bonds ocorre em um momento de fortalecimento da presença brasileira nos mercados internacionais. Em abril deste ano, o Tesouro Nacional realizou uma das maiores operações de captação externa da história recente, levantando 5 bilhões de euros em títulos públicos.

A oferta registrou forte demanda de investidores internacionais e foi complementada por outra emissão que captou US$ 4,5 bilhões. O desempenho reforça o interesse global pelos ativos brasileiros e incentiva o governo a buscar novas alternativas de financiamento em diferentes mercados.

Relação financeira entre Brasil e China ganha novo impulso

Maior parceiro comercial do Brasil, a China tem ampliado sua importância também no campo financeiro. A emissão de títulos brasileiros em yuan representa mais um passo na aproximação entre os dois países e sinaliza a intenção de ampliar os mecanismos de cooperação econômica.

Ao ingressar no mercado chinês de capitais, o Brasil fortalece sua estratégia de diversificação financeira e amplia sua participação em uma estrutura internacional cada vez mais multipolar, com maior protagonismo de instituições e moedas dos países emergentes.

Fonte: Brasil 247, Valor Econômico e Tesouro Nacional.

TEXTO: Redação

IMAGEM: Ilustrativa criada por IA

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Informação

Superávit primário do Governo Central alcança R$ 86,9 bilhões em janeiro

O superávit primário do Governo Central somou R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado impulsionado por arrecadação recorde no período. O número, divulgado pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (25), supera o saldo positivo de R$ 85,1 bilhões registrado no mesmo mês de 2025.

Apesar do avanço nominal, o resultado apresenta retração de 2,2% em termos reais, já descontada a inflação.

O Governo Central é composto por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central.

Resultado acima das expectativas do mercado

De acordo com o relatório oficial, o resultado conjunto do Tesouro e do Banco Central foi positivo em R$ 107,5 bilhões, enquanto a Previdência Social (RGPS) registrou déficit de R$ 20,6 bilhões.

Na comparação com janeiro do ano passado, o desempenho fiscal refletiu:

  • Crescimento real de 1,2% na receita líquida (alta de R$ 3,3 bilhões);
  • Expansão de 2,9% nas despesas totais (aumento de R$ 5,3 bilhões).

O resultado ficou acima das projeções do mercado financeiro. Segundo dados do Prisma Fiscal, pesquisa mensal do Ministério da Fazenda, a estimativa era de superávit de R$ 84,7 bilhões no mês.

Déficit acumulado em 12 meses

No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o Governo Central apresenta déficit primário de R$ 62,7 bilhões, o equivalente a 0,47% do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas, sem considerar o pagamento dos juros da dívida pública.

Meta fiscal para 2026

A meta fiscal de 2026 prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões, desconsiderando o pagamento de precatórios e despesas autorizadas fora do novo arcabouço fiscal.

A legislação estabelece uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual. Assim, a meta será considerada cumprida caso o governo alcance resultado primário zero ou superávit de até R$ 68,6 bilhões.

O que impulsionou a arrecadação

O crescimento das receitas foi puxado por diferentes tributos e fontes de arrecadação:

  • Alta de R$ 3,9 bilhões (3,3%) no Imposto de Renda, com destaque para rendimentos do trabalho e do capital, apesar da queda no IRPJ;
  • Crescimento de R$ 2,7 bilhões (49,3%) no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), impulsionado por operações de câmbio, crédito e títulos mobiliários;
  • Avanço de R$ 2,1 bilhões (43,7%) em outras receitas administradas pela Receita Federal, incluindo participação da União em loterias e depósitos judiciais;
  • Elevação de R$ 3,9 bilhões (6,9%) na receita previdenciária, refletindo o mercado de trabalho aquecido, aumento nos recolhimentos do Simples Nacional e reoneração da folha.

Por outro lado, houve recuo relevante nas receitas com exploração de recursos naturais, que caíram R$ 5,1 bilhões (27,4%), impactadas principalmente pela queda no preço internacional do petróleo e pela valorização cambial.

Também foi registrada diminuição de R$ 1,4 bilhão (15,1%) na arrecadação com Imposto de Importação, influenciada pela redução no valor em dólar das importações e pela taxa média de câmbio.

Outro fator que limitou o crescimento da receita líquida foi o aumento de R$ 2,9 bilhões (7,8%) nos repasses aos fundos de participação federativos.

Despesas também avançaram

Pelo lado das despesas, os principais aumentos foram:

  • R$ 4 bilhões (5,3%) em benefícios previdenciários, devido à ampliação do número de beneficiários e aos reajustes reais do salário mínimo;
  • R$ 3,3 bilhões (10,3%) com pessoal e encargos sociais, influenciados pela base de comparação de janeiro de 2025, que ainda não refletia reajustes ao funcionalismo concedidos no ano passado.

Em contrapartida, algumas despesas recuaram:

  • Queda de R$ 1,5 bilhão (27,1%) em abono salarial e seguro-desemprego, com ausência de pagamentos do seguro-defeso em janeiro;
  • Redução de R$ 1,9 bilhão (6,5%) nas despesas obrigatórias com controle de fluxo, especialmente em programas sociais como o Bolsa Família e na área da saúde.

O desempenho fiscal de janeiro reforça o desafio do governo em equilibrar receitas e despesas ao longo do ano para cumprir a meta fiscal estabelecida.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

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