Comércio Exterior

China rejeita limite da UE para exportações de carros híbridos

A China rejeitou a proposta da União Europeia (UE) para limitar voluntariamente as exportações de carros híbridos chineses ao mercado europeu, aumentando a pressão nas negociações comerciais entre Pequim e Bruxelas.

A recusa ocorre em um momento de tentativa de aproximação entre os dois lados, que buscam evitar uma nova escalada das tensões comerciais. Diante do impasse, a Comissão Europeia avalia a possibilidade de estabelecer unilateralmente restrições temporárias às importações de veículos híbridos fabricados na China.

A informação foi divulgada pelo Financial Times, que citou dois diplomatas familiarizados com as negociações.

UE avalia limitar importações de veículos chineses

O comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, iniciou nesta quinta-feira uma visita de dois dias a Pequim. Entre os objetivos da viagem está a busca por um acordo capaz de reduzir o crescente déficit comercial da União Europeia com a China e evitar novas medidas de retaliação.

A proposta apresentada inicialmente por Bruxelas previa que Pequim restringisse as exportações de automóveis híbridos para cerca de 15% do mercado europeu. Atualmente, os veículos chineses representam mais de um terço desse segmento.

A alternativa negociada seria adotada de forma voluntária, mas a rejeição chinesa pode levar a UE a recorrer a medidas comerciais próprias, incluindo possíveis aumentos de tarifas.

Salvaguarda pode criar novas quotas de importação

Após a negativa de Pequim, a Comissão Europeia passou a analisar a criação de uma medida temporária de salvaguarda comercial. O mecanismo permitiria estabelecer uma quota para a entrada de veículos chineses e aplicar tarifas adicionais elevadas sobre os automóveis que ultrapassassem o limite estabelecido.

A ideia é chegar a um volume de importações que a China possa aceitar informalmente, reduzindo o risco de uma nova reação comercial.

No entanto, a medida não poderia ser direcionada exclusivamente à China. Outros fornecedores, como Reino Unido, Coreia do Sul e Japão, também seriam incluídos no sistema, com quotas calculadas de acordo com seus históricos de exportação para o mercado europeu.

Disputa envolve carros elétricos e tarifas

O aumento das exportações chinesas de veículos híbridos para a Europa ganhou força depois que Bruxelas aplicou direitos compensatórios de até 35% sobre automóveis elétricos produzidos na China. Essas tarifas são cobradas além da taxa convencional de 10%.

Pequim reagiu com medidas comerciais direcionadas a produtos europeus, entre eles conhaque, carne suína e laticínios, ampliando o alcance da disputa entre os dois mercados.

França e Alemanha pedem resposta mais firme

De acordo com o Financial Times, autoridades europeias consideram que as negociações em Pequim terão dificuldades para avançar caso não haja uma solução para o crescimento das importações de automóveis híbridos.

A dimensão do déficit comercial europeu com a China também preocupa os governos dos Estados-membros. O saldo negativo chegou a aproximadamente 1 bilhão de euros por dia.

França e Alemanha apresentaram nesta semana uma posição conjunta defendendo uma atuação mais firme da Comissão Europeia diante das práticas comerciais chinesas.

Os dois países alertaram para o risco de um “choque industrial maciço” em setores considerados estratégicos para a economia europeia, como as indústrias farmacêutica, aeroespacial, automotiva, química e de máquinas-ferramentas.

Berlim e Paris também propõem um novo instrumento que permita restringir rapidamente a entrada de determinados produtos no mercado europeu. Segundo os dois governos, o mecanismo poderia funcionar ainda como forma de dissuadir eventuais retaliações de Pequim.

Terras raras e relação com a Rússia entram nas negociações

As discussões entre China e União Europeia não se limitam ao setor automotivo. Outro tema relevante são os controles chineses sobre a exportação de terras raras, ímãs e minerais críticos, materiais fundamentais para as indústrias de automóveis, tecnologias de energia limpa e defesa.

Diplomatas citados pelo Financial Times afirmam que aproximadamente 90% dos pedidos de licenciamento apresentados por empresas europeias foram aprovados pelas autoridades chinesas. O processo, porém, exige que as companhias forneçam informações comerciais e industriais consideradas sensíveis.

Pequim também pressiona Bruxelas pelo fim das sanções contra empresas chinesas acusadas de apoiar a Rússia na guerra contra a Ucrânia. O governo chinês ainda quer a retirada de restrições europeias à exportação de tecnologias avançadas, incluindo equipamentos para fabricação de semicondutores produzidos pela empresa neerlandesa ASML.

China critica restrições voluntárias às exportações

Um terceiro diplomata ouvido pelo jornal britânico demonstrou ceticismo sobre a possibilidade de um acordo durante as atuais negociações.

O Ministério do Comércio da China, por sua vez, afirmou no mês passado que se opõe firmemente às restrições voluntárias às exportações. Segundo Pequim, esse tipo de medida viola as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e entra em conflito com os princípios de economia de mercado e concorrência justa.

As negociações em Pequim, portanto, envolvem não apenas o comércio de automóveis híbridos, mas também tarifas, acesso a mercados, minerais estratégicos, tecnologia e sanções relacionadas à guerra na Ucrânia.

FONTE: SIC Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/SIC

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Terras raras no Brasil atraem produtoras de fertilizantes em busca de novos negócios

A corrida por terras raras no Brasil começa a ganhar novos participantes vindos do setor de fertilizantes. A Verde AgriTech ampliou os trabalhos de exploração do projeto Minas Americas, em Minas Gerais, e divulgou nesta terça-feira (6) novos resultados de sondagem.

Por meio da subsidiária Magnes Rare Earths, a empresa identificou um intervalo de 30 metros a partir da superfície com concentração média de 1.853 partes por milhão (ppm) de óxidos de terras raras magnéticas.

Desse volume, 1.792 ppm correspondem a óxidos de neodímio e praseodímio (NdPr), elementos empregados na fabricação de ímãs permanentes. O mesmo intervalo apresentou ainda 270 ppm de óxidos de terras raras pesadas.

Sondagens apontam altas concentrações de minerais

Outras sondagens realizadas em níveis mais próximos da superfície também encontraram concentrações superiores a 2.100 ppm de terras raras magnéticas.

Em um dos furos, por exemplo, foram identificados 11 metros de mineralização desde a superfície, com média de 2.179 ppm de MREO e 335 ppm de terras raras pesadas.

Apesar dos resultados, o projeto ainda está em fase de avaliação. A empresa não estabeleceu até o momento taxa de recuperação comercial, recurso mineral ou avaliação econômica para o empreendimento.

A Verde AgriTech criou a Magnes em maio deste ano com o objetivo de concentrar seus ativos de terras raras em uma subsidiária integralmente controlada pelo grupo.

A companhia pretende divulgar uma primeira estimativa de recursos minerais até o fim de 2026. Uma avaliação econômica preliminar está prevista para o primeiro semestre de 2027, desde que os trabalhos técnicos avancem conforme o planejado.

Harvest amplia presença em terras raras

A Verde não é a única empresa ligada à produção de fertilizantes a investir no segmento. A Harvest Minerals, responsável pelo projeto de fertilizantes Arapuá, também em Minas Gerais, acelerou sua estratégia voltada aos minerais críticos ao longo deste ano.

Em setembro, a companhia concluiu a compra da Scanty Mineração. Com a operação, incorporou oito projetos de terras raras distribuídos em 27 direitos minerários localizados em quatro estados brasileiros.

O novo portfólio se soma ao potencial para exploração de terras raras já identificado pela empresa em Arapuá.

Com a mudança de estratégia, a Harvest passou a se apresentar como uma companhia emergente de exploração de terras raras, embora continue mantendo suas operações tradicionais de fertilizantes no país.

Negócio de fertilizantes enfrenta incertezas

A diversificação ocorre em um momento de desafios para a operação tradicional da Harvest. Nos resultados apresentados na semana passada, a empresa afirmou que as perspectivas para sua divisão de fertilizantes continuam “muito incertas”.

A companhia também informou que segue avaliando de forma crítica o futuro dessa atividade dentro do grupo.

Ao mesmo tempo, a aquisição da Scanty foi classificada pela empresa como um passo importante para a construção de um negócio relevante de minerais de terras raras no Brasil.

Mosaic busca terras raras em resíduos de fertilizantes

A estratégia da Mosaic tem uma característica diferente. A companhia está trabalhando com a Rainbow Rare Earths para recuperar terras raras a partir do fosfogesso gerado durante a produção de ácido fosfórico em Uberaba, Minas Gerais.

O fosfogesso é um subproduto resultante do processamento da rocha fosfática utilizada na fabricação de fertilizantes. A proposta, nesse caso, não é abrir uma nova mina exclusivamente para extrair terras raras, mas aproveitar um material que já é gerado pela operação industrial.

Em setembro, Mosaic e Rainbow iniciaram um estudo de pré-viabilidade para avaliar o projeto.

A SRK Consulting foi contratada para elaborar uma primeira estimativa de recursos minerais. Paralelamente, cerca de seis toneladas de fosfogesso serão encaminhadas para testes no laboratório e na planta-piloto da Rainbow, na África do Sul.

A previsão é concluir o estudo de pré-viabilidade no segundo semestre de 2027. Caso o projeto avance pelas etapas técnicas, regulatórias e de investimento, a produção inicial está projetada para 2030.

Setor de fertilizantes busca espaço no mercado de minerais críticos

Embora utilizem estratégias diferentes, os movimentos de Verde AgriTech, Harvest Minerals e Mosaic apontam para uma mesma tendência: empresas tradicionalmente ligadas ao agronegócio passaram a buscar oportunidades no mercado de terras raras.

Verde e Harvest estão utilizando sua atuação no setor mineral para desenvolver novos projetos de exploração. A Mosaic, por sua vez, aposta no aproveitamento de um resíduo produzido pela própria cadeia de fertilizantes.

Os elementos de terras raras têm importância estratégica por serem utilizados na fabricação de ímãs permanentes empregados em veículos elétricos, equipamentos tecnológicos, sistemas de defesa e outras aplicações consideradas essenciais para a indústria de alta tecnologia.

A movimentação amplia a participação de empresas do setor de fertilizantes na busca por novos ativos minerais e reforça o interesse crescente pelas terras raras brasileiras como uma possível nova frente de negócios.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/David Becker

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Nova lei dos minerais críticos prevê até R$ 7 bilhões em incentivos para o setor

O Brasil terá uma nova política para estimular a exploração e o processamento de minerais críticos e estratégicos, incluindo as chamadas terras raras. Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (16), a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) prevê até R$ 7 bilhões em mecanismos de incentivo para ampliar a produção nacional e agregar valor aos recursos minerais.

Esses minerais são considerados importantes para setores como tecnologia, defesa e transição energética. Apesar de possuir grandes reservas, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para transformar seu potencial geológico em produção em escala.

Brasil tem grandes reservas de terras raras

O cenário das terras raras mostra a distância entre o potencial brasileiro e a produção efetiva. O país possui aproximadamente 21 milhões de toneladas em reservas, segundo os dados citados na proposta, ficando atrás apenas da China nesse ranking.

Um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) identificou 62 projetos relacionados a terras raras no território nacional. As iniciativas estão em diferentes fases, que vão desde a prospecção até estudos técnico-econômicos mais avançados.

Apesar do número de projetos, apenas um empreendimento está em produção comercial: o projeto Pela Ema, da Serra Verde, localizado em Minaçu, Goiás. A operação começou a produzir em escala comercial em 2024 e foi adquirida recentemente pela empresa americana USA Rare Earth por aproximadamente US$ 2,8 bilhões.

Como funcionarão os incentivos aos minerais críticos

O principal instrumento criado pela nova política é o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE).

O programa permitirá que empresas convertam em crédito fiscal até 20% das despesas realizadas com atividades de mineração urbana, beneficiamento e transformação dos minerais contemplados.

O mecanismo terá um limite de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034. Para ter acesso ao incentivo, cada empreendimento deverá ser previamente aprovado pelo conselho criado pela nova legislação.

A proposta busca estimular não apenas a extração, mas principalmente as etapas de processamento e transformação mineral, consideradas fundamentais para aumentar o valor agregado produzido no país.

Fundo terá até R$ 5 bilhões em garantias

Outra frente da política é o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM).

A União poderá fazer um aporte inicial de até R$ 2 bilhões. Com a participação de estados, municípios e entidades privadas, a estrutura poderá alcançar até R$ 5 bilhões.

O fundo terá a função de oferecer garantias e reduzir os riscos associados a projetos de minerais críticos e estratégicos. O acesso, entretanto, ficará restrito a empreendimentos classificados como prioritários pelo conselho responsável pela política.

Lei busca levar projetos da exploração à produção

Grande parte dos projetos de minerais críticos ainda está nas primeiras etapas de desenvolvimento. Muitas iniciativas permanecem em fases de exploração, sondagem e testes laboratoriais.

Outras já avançaram para etapas como testes metalúrgicos, licenciamento ambiental e estudos de viabilidade técnico-econômica.

Entre os projetos de terras raras considerados mais avançados estão o Caldeira, da australiana Meteoric Resources, em Minas Gerais, e o Carina, da canadense Aclara Resources, em Goiás. A previsão apresentada para ambos é de início da produção em 2028.

É justamente nesse intervalo entre a descoberta de uma reserva e a entrada efetiva de uma mina em operação que os novos instrumentos de crédito fiscal e garantias pretendem atuar.

Processamento no Brasil é um dos objetivos

Um dos desafios do setor é avançar além da simples extração. Sem investimentos suficientes em beneficiamento e processamento mineral, o minério pode seguir o caminho da exportação em estado bruto, deixando de gerar etapas adicionais de valor dentro do país.

A nova política pretende estimular a criação de uma cadeia produtiva mais completa, envolvendo desde a mineração até a transformação dos minerais em insumos para setores industriais estratégicos.

Conselho definirá projetos prioritários

A legislação também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), ligado à Presidência da República.

O órgão terá entre suas atribuições definir e atualizar a relação de minerais considerados críticos e estratégicos, além de selecionar projetos prioritários e participar da análise de alterações societárias envolvendo ativos minerais.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) continuará responsável pelas atividades de regulação e fiscalização que já fazem parte de suas atribuições.

Como será formado o novo conselho

O CIMCE terá uma estrutura dividida em três níveis.

  • Plenário: contará com 13 ministros, além de representantes de estados, municípios, empresas e universidades.
  • Comitê executivo: reunirá representantes de nove ministérios e ficará responsável pela aprovação e priorização dos projetos.
  • Secretaria executiva: funcionará no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e organizará o processo de análise das iniciativas.

A estrutura deverá concentrar a definição das prioridades da política nacional para minerais estratégicos.

Mapeamento geológico terá mais recursos

Além dos incentivos aos projetos, a nova política prevê reforço na produção de conhecimento sobre o subsolo brasileiro.

Segundo o governo, somente 25% do território nacional foi mapeado geologicamente até o momento.

A legislação também aumenta os recursos destinados ao Serviço Geológico do Brasil para atividades de mapeamento. O orçamento citado passa de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões.

A ampliação dos levantamentos geológicos poderá ajudar a identificar novas ocorrências minerais e melhorar o conhecimento sobre o potencial do território brasileiro.

O desafio é transformar reservas em produção

A nova política busca enfrentar uma das principais dificuldades do setor mineral brasileiro: transformar grandes reservas e projetos em produção efetiva e cadeias industriais de maior valor agregado.

Com mecanismos de crédito fiscal, garantias financeiras, estímulo ao processamento e ampliação do mapeamento geológico, a estratégia pretende criar condições para acelerar projetos considerados relevantes para a transição energética, tecnologia e indústria.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Invest News

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PL dos minerais: governo tenta sancionar Política Nacional de Minerais Críticos nesta semana

O governo federal pretende sancionar ainda nesta semana o projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta foi aprovada pelo Senado na semana passada e agora aguarda a sanção presidencial.

A realização de uma cerimônia para marcar a sanção ainda não foi confirmada. O evento depende da agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está em campanha eleitoral. Segundo fontes do governo e do setor privado que acompanham as negociações, porém, a intenção é viabilizar a solenidade nos próximos dias.

Projeto cria nova política para minerais estratégicos

O texto foi encaminhado à Casa Civil na sexta-feira (4), depois de passar pelo Senado sem alterações de mérito. A proposta estabelece uma política específica para o segmento e amplia as ferramentas disponíveis ao governo para estimular o processamento de minerais no Brasil, monitorar operações estratégicas e reduzir possíveis riscos de desabastecimento.

A iniciativa também se encaixa no discurso de soberania sobre os recursos naturais, que ganhou espaço nas declarações recentes de Lula e passou a integrar sua agenda eleitoral. No pronunciamento do 7 de Setembro, o presidente voltou a mencionar as reservas brasileiras de terras raras e defendeu que esses recursos sejam transformados em desenvolvimento econômico para o país.

Regulamentação do CIMCE ficará para uma segunda etapa

Embora a sanção possa ocorrer nos próximos dias, alguns dos principais pontos da nova política ainda não têm regulamentação definida. Entre eles está o funcionamento do CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), órgão ligado à Presidência da República.

O conselho terá atribuições para analisar determinadas operações e poderá, na prática, impedir negócios relacionados a ativos minerais considerados estratégicos. A legislação estabelece que deverão passar por um mecanismo de triagem situações como alterações de controle societário, operações envolvendo títulos minerários, determinados contratos internacionais e casos de participação ou influência estrangeira em empresas que possuem direitos minerários.

O principal ponto em aberto é justamente a extensão desse poder. A lei aprovada pelo Congresso deixa para o Executivo a tarefa de regulamentar o sistema de triagem e estabelecer quais critérios deverão diferenciar operações comuns daquelas capazes de representar risco à segurança econômica ou estratégica do Brasil.

Governo avalia critérios para definir operações relevantes

Entre os parâmetros analisados pelo governo estão o valor da operação, a importância estratégica do ativo e a possibilidade de uma transação afetar o abastecimento nacional.

A tendência discutida é utilizar esses fatores como filtros para evitar que toda aquisição, venda ou alteração societária envolvendo empresas de minerais críticos precise ser submetida ao CIMCE.

A definição é considerada especialmente importante porque a abrangência prevista na lei é ampla. Além das mudanças no controle de empresas, o mecanismo poderá alcançar contratos e parcerias internacionais de fornecimento que tenham potencial de impacto econômico ou geopolítico, além de transferências de títulos minerários e situações em que companhias estrangeiras tenham participação relevante ou influência significativa.

Sem critérios de proporcionalidade, a avaliação poderia alcançar uma parcela expressiva dos projetos de mineração existentes no país. O próprio governo considera que esse cenário seria inviável operacionalmente e inadequado para o funcionamento do conselho.

Setor de mineração cobra critérios objetivos

Durante a tramitação do projeto no Congresso, representantes das mineradoras defenderam que parte dos filtros fosse incluída diretamente na legislação. A intenção era diminuir a margem de decisão que ficaria nas mãos do Executivo.

As tentativas, no entanto, não avançaram. Com a eventual sanção da proposta, a discussão sobre os critérios passa agora para a fase de regulamentação. O setor privado cobra regras objetivas, transparentes e previamente conhecidas para determinar quais operações poderão ser analisadas pelo CIMCE.

A sinalização transmitida pelo governo às empresas é de que o conselho não deverá atuar como uma espécie de órgão de aprovação para transações consideradas rotineiras. A expectativa é concentrar sua atuação em negócios com relevância econômica ou estratégica suficiente para representar impacto sobre a soberania nacional.

Conselho terá até 90 dias para ser regulamentado

Apesar das diretrizes já discutidas, fontes que acompanham o processo afirmam que os critérios ainda não estão suficientemente consolidados para serem apresentados no momento da sanção.

O próprio projeto estabelece prazo de até 90 dias após a publicação da lei para que o Executivo instale formalmente e regulamente a estrutura do CIMCE.

Outras partes da nova política também dependerão de regulamentação. É o caso dos mecanismos destinados a incentivar o beneficiamento e a transformação de minerais no Brasil, incluindo exigências relacionadas à agregação de valor em produtos destinados à exportação.

Nesses casos, caberá ao Executivo estabelecer critérios, limites, procedimentos, prazos e mecanismos de acompanhamento para a aplicação das novas regras.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Internacional

Terras raras no Brasil: acordo de US$ 4,5 milhões pode abrir mercado para o Japão

A canadense Aclara Resources, especializada em terras raras e listada na Bolsa de Toronto, firmou uma parceria que pode aproximar a produção mineral brasileira do mercado japonês. O acordo prevê investimentos de até US$ 4,5 milhões em atividades de exploração no Brasil e envolve a Japan Organization for Metals and Energy Security (Jogmec), agência ligada ao governo do Japão.

O objetivo da parceria é identificar depósitos de terras raras pesadas em argilas iônicas. Em um cenário de busca por novas fontes de minerais estratégicos, o acordo também pode criar uma futura rota de comercialização da produção brasileira para empresas japonesas.

Japão poderá investir até US$ 4,5 milhões na exploração

Pelos termos anunciados na terça-feira (8), a Jogmec destinará inicialmente até US$ 3 milhões para financiar trabalhos de exploração durante três anos.

Caso determinadas condições sejam atendidas, a agência japonesa poderá acrescentar outros US$ 1,5 milhão ao projeto e estender o período de exploração por mais 12 meses.

Além do financiamento, o acordo prevê mecanismos para garantir ao Japão acesso à futura produção. A Jogmec terá direitos de preferência para compras, o que, segundo a Aclara, estabelece um caminho para possíveis vendas dos minerais brasileiros ao mercado japonês.

“O acordo também cria um caminho natural para futuras vendas ao Japão por meio dos direitos de preferência da Jogmec”, afirmou Ramón Barúa, CEO da Aclara, em comunicado.

Jogmec poderá ficar com 30% de um projeto

Após realizar os aportes previstos, a organização japonesa poderá adquirir 30% de um dos projetos de exploração da Aclara no Brasil.

A participação também dará à Jogmec o direito de comprar uma quantidade da produção proporcional à sua fatia no empreendimento, além de outros 10% da produção futura. Os contratos deverão seguir condições comerciais de mercado.

A agência ainda poderá transferir sua participação e os direitos associados para uma empresa japonesa ou para um consórcio formado por companhias do país.

Durante a fase de exploração, a Aclara Resources continuará responsável pela operação. Depois dessa etapa, os investimentos adicionais serão divididos entre os parceiros conforme a participação de cada um no projeto.

Projeto Carina, em Goiás, está fora da parceria

A Aclara possui ativos de terras raras no Brasil e no Chile e trabalha na construção de uma cadeia produtiva que pretende abranger desde a extração do minério até a fabricação de ligas destinadas à produção de ímãs permanentes.

No Brasil, o principal empreendimento da companhia é o Projeto Carina, localizado em Nova Roma, Goiás. O ativo, porém, não fará parte da joint venture com a Jogmec e permanecerá sob controle integral da empresa canadense.

De acordo com estimativas da própria Aclara, o projeto demanda aproximadamente R$ 2,8 bilhões em investimentos. A expectativa é alcançar uma produção média anual de 4.378 toneladas de óxidos de terras raras.

A companhia projeta o início da operação para 2028 e estima uma vida útil de 18 anos para o empreendimento.

O acordo com a Jogmec será direcionado a outras áreas de exploração da Aclara no Brasil. Até o momento, a empresa não revelou qual projeto poderá receber a participação de 30% da organização japonesa.

Para que servem as terras raras?

As terras raras são fundamentais para diversas aplicações de alta tecnologia. Entre seus principais usos estão a fabricação de ímãs permanentes, empregados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e diferentes equipamentos eletrônicos.

Elementos como disprósio e térbio têm papel importante nesses componentes porque ajudam a aumentar sua resistência a temperaturas elevadas.

Além dos projetos de mineração, a Aclara desenvolve uma unidade de separação de terras raras nos Estados Unidos. A companhia também mantém uma joint venture com a chilena CAP para transformar os óxidos separados em metais e ligas utilizados na fabricação de ímãs.

Por que o Japão está interessado nas terras raras brasileiras?

A parceria acontece em meio ao esforço de grandes economias para diminuir a dependência da China na cadeia global de minerais estratégicos.

Dados da Agência Internacional de Energia indicam que a China responde por aproximadamente 60% da extração mundial de terras raras usadas na produção de ímãs. A concentração é ainda maior nas etapas seguintes da cadeia: o país representa mais de 90% do refino e cerca de 95% da fabricação de ímãs permanentes.

Nesse contexto, a Jogmec busca desenvolver fontes alternativas de fornecimento fora do território japonês. A agência oferece instrumentos como financiamento, garantias, suporte técnico e participação em projetos de mineração internacionais.

Em troca, o Japão procura ampliar a segurança do abastecimento e garantir acesso à produção futura de minerais estratégicos.

Acordo representa avaliação positiva dos ativos brasileiros

Antes da formalização da joint venture, a Jogmec realizou uma avaliação técnica do portfólio de projetos da Aclara no Brasil.

Para Ramón Barúa, a entrada da organização japonesa representa uma espécie de validação independente da qualidade e do potencial dos ativos brasileiros da companhia.

O acordo, além de financiar novas etapas de exploração, pode aproximar o Brasil de um dos principais mercados interessados em diversificar o fornecimento global de minerais críticos e terras raras.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dado Ruvic

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Internacional

Empresa chinesa Gulf Resources anuncia entrada no mercado de lítio e terras raras no Brasil

A chinesa Gulf Resources, produtora de bromo e sal bruto com ações negociadas na Nasdaq, anunciou na quarta-feira (26) um acordo para iniciar operações no setor mineral brasileiro. A estratégia prevê atuação em ativos de lítio, terras raras, bromo e outros minerais.

A companhia firmou, em 20 de agosto, um acordo de cooperação estratégica com a brasileira Montes Verdes Participações. A proposta é criar uma joint venture que combine os ativos minerais da empresa brasileira com a tecnologia, a experiência industrial e a estrutura comercial da Gulf Resources.

Até o momento, as companhias não divulgaram o valor que será aplicado no negócio, a participação de cada sócia na nova empresa nem quais projetos brasileiros farão parte da operação. Segundo a Gulf Resources, as negociações sobre os termos da parceria ainda estão em andamento.

Montes Verdes reúne ativos de diferentes minerais

De acordo com o comunicado da empresa chinesa, a Montes Verdes atua na exploração de ouro, manganês, lítio, bromo e terras raras.

A Gulf Resources afirma que os recursos minerais da companhia brasileira poderão ser desenvolvidos a partir da aplicação de sua experiência tecnológica e industrial.

Apesar do anúncio, ainda não foram informados quais projetos de terras raras no Brasil poderão integrar a futura joint venture. Também não há detalhes públicos sobre reservas, recursos minerais ou possíveis cronogramas de produção.

Parceria mira expansão internacional

A criação da joint venture faz parte da estratégia da Gulf Resources para ampliar sua presença fora da China. Atualmente, os negócios da companhia estão concentrados principalmente no mercado doméstico chinês.

A expectativa é unir os recursos minerais brasileiros à tecnologia, capacidade operacional e canais de comercialização da empresa chinesa, criando novas oportunidades de negócios em mercados internacionais.

A parceria também representa uma tentativa de diversificação das fontes de receita da Gulf Resources e de expansão de sua atuação em segmentos considerados estratégicos para a indústria global, como lítio e terras raras.

Meta de US$ 180 milhões em receitas em 2027

O acordo estabelece uma meta de crescimento para as operações que deverão ser incorporadas à estrutura da Gulf Resources.

Segundo o comunicado, a Montes Verdes garantiu que os negócios consolidados pela companhia chinesa deverão alcançar pelo menos US$ 180 milhões em receita em 2027.

O valor não corresponde, portanto, ao montante que será investido pela Gulf Resources no Brasil. Trata-se de uma projeção mínima de faturamento para as atividades que poderão ser integradas à empresa.

O planejamento prevê ainda crescimento anual de pelo menos 20% na receita durante os cinco anos seguintes.

As companhias, entretanto, não especificaram quais operações ou ativos deverão gerar esse volume de negócios já no próximo ano.

Gulf Resources quer reduzir dependência da China

A expansão para o Brasil está inserida em um plano mais amplo de internacionalização da Gulf Resources.

A empresa informou que pretende diminuir a dependência das operações realizadas na China e aumentar a geração de caixa proveniente de outros mercados.

No comunicado, a companhia também reconheceu que sua condição de empresa chinesa listada nos Estados Unidos e com forte concentração de negócios no mercado doméstico contribuiu para o desempenho negativo de suas ações nos últimos anos.

Com a recuperação dos preços do bromo, a Gulf Resources afirma identificar oportunidades para ampliar sua presença internacional.

Produção no Brasil ainda não tem data

A empresa chinesa avalia que a parceria com a Montes Verdes poderá abrir espaço para negócios envolvendo bromo, sal bruto, lítio e outros minerais, além de ampliar a geração de caixa fora da China.

Ainda não há, porém, uma previsão para a constituição formal da joint venture.

Também permanecem sem definição os ativos brasileiros que serão transferidos para a nova empresa e a data para eventual início da produção mineral no Brasil.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Informação

Exportações de minerais críticos do Brasil somam US$ 11,4 bilhões em 2025, aponta ApexBrasil

O Brasil alcançou US$ 11,4 bilhões em exportações da cadeia de minerais críticos em 2025, segundo um estudo técnico divulgado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Desse total, US$ 4,3 bilhões tiveram como destino a União Europeia, que respondeu por 37,6% das exportações brasileiras dos nove minerais analisados.

A publicação, lançada nesta terça-feira (14), apresenta a versão em português do levantamento e destaca oportunidades de cooperação entre Brasil e União Europeia em um segmento considerado estratégico para ambas as economias.

Estudo destaca minerais estratégicos para a transição energética

A análise contempla nove minerais críticos considerados essenciais para o desenvolvimento industrial e tecnológico: cobre, nióbio, silício, níquel, lítio, grafite, terras raras, fosfato e potássio.

Além de avaliar o desempenho das exportações, o estudo também mapeia os fluxos comerciais dessas cadeias produtivas, identifica instrumentos de incentivo governamental e reúne projetos aptos a receber investimentos internacionais.

Brasil amplia papel como fornecedor estratégico

Com reservas expressivas de diversos desses recursos naturais, o Brasil reforça sua posição como fornecedor estratégico para atender ao crescimento da demanda global impulsionada pela transição energética, pela digitalização da economia e pelo fortalecimento das cadeias globais de suprimentos.

O levantamento aponta que a busca da União Europeia por diversificar seus fornecedores cria um ambiente favorável para novas parcerias com o Brasil. Entre os fatores que fortalecem esse cenário estão iniciativas europeias como o Critical Raw Materials Act (CRMA), o programa Global Gateway e a European Raw Materials Alliance (ERMA), além da conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Outro diferencial destacado é a matriz energética renovável brasileira, que aumenta a atratividade do país para investimentos de longo prazo voltados ao desenvolvimento da cadeia de minerais estratégicos.

Investimentos devem impulsionar agregação de valor

O relatório ressalta que as oportunidades vão além da extração mineral. Há potencial para ampliar etapas como processamento, refino, transformação industrial e fabricação de produtos de maior valor agregado dentro do território brasileiro.

Para estimular esses investimentos, o país conta com diferentes mecanismos de financiamento, incluindo linhas de crédito do BNDES, da Finep, debêntures incentivadas e programas ligados à Nova Indústria Brasil (NIB) e ao Novo PAC.

Projetos abrangem diferentes fases da cadeia mineral

Em parceria com o IBRAM, a ApexBrasil estruturou um portfólio de oportunidades voltado a investidores estrangeiros. Os projetos contemplam desde atividades de pesquisa e exploração mineral até etapas de beneficiamento químico e industrial.

Entre os segmentos considerados mais promissores para atração de recursos e transferência de tecnologia estão terras raras, grafite, cobre, níquel, cobalto e potássio, apontados como prioritários para os próximos anos.

FONTE: Apex Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vantoen Pereira Jr

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Brasil quer ampliar participação na produção de minerais críticos para 12,2% até 2050

O governo federal pretende elevar a participação do Brasil na produção mundial de minerais críticos dos atuais 8,3% para 12,2% até 2050. A meta integra o Plano Nacional de Mineração 2050 (PNM 2050), documento que estabelece as diretrizes estratégicas para o desenvolvimento do setor mineral nas próximas décadas.

A proposta será apresentada ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e marca uma nova estratégia para fortalecer a posição brasileira em um mercado considerado essencial para o futuro da economia global.

Plano prioriza minerais estratégicos para a indústria

Os minerais críticos são matérias-primas indispensáveis para segmentos como transição energética, fabricação de baterias, semicondutores, fertilizantes, tecnologia, defesa e indústria de transformação.

Entre os recursos minerais contemplados estão lítio, terras raras, níquel, cobre, grafita, fosfato e potássio, conforme a classificação adotada pelo governo.

A iniciativa surge em um cenário de crescente competição internacional por cadeias de suprimento mais diversificadas, reduzindo a dependência da China, que concentra parte significativa do processamento global desses minerais, especialmente de terras raras e ímãs permanentes.

Investimentos em pesquisa mineral devem crescer

Segundo o diagnóstico apresentado pelo governo, o Brasil possui reservas expressivas e já ocupa posição relevante na produção mineral mundial. No entanto, ainda há desafios para ampliar a pesquisa geológica, o beneficiamento dos minérios e a agregação de valor dentro do país.

Como parte dessa estratégia, o PNM 2050 prevê aumentar os investimentos anuais em pesquisa mineral de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,7 bilhões. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre o potencial geológico brasileiro e transformar novas áreas em empreendimentos economicamente viáveis.

Governo quer fortalecer a industrialização do setor mineral

Outro objetivo do plano é elevar a participação da indústria de transformação mineral no Produto Interno Bruto (PIB) do setor, passando de 51,5% para 65%.

Na prática, a proposta busca reduzir a exportação de matérias-primas com baixo nível de processamento e estimular a produção nacional de insumos de maior valor agregado, fortalecendo a cadeia produtiva brasileira.

Redução da burocracia também faz parte das metas

O governo também pretende diminuir o tempo médio de análise dos processos minerários. A meta é reduzir o prazo de 1.563 dias para 780 dias, atendendo a uma das principais demandas do setor privado, que aponta a lentidão regulatória como um dos maiores obstáculos para a implantação de novos projetos.

Plano ainda será detalhado

Apesar das metas estabelecidas, o PNM 2050 funciona como um documento de planejamento estratégico. Após sua publicação, o governo terá até 180 dias para apresentar um Plano de Metas e Ações, que definirá cronogramas, responsáveis, prioridades e mecanismos de financiamento para viabilizar as medidas previstas.

Paralelamente, o Congresso Nacional debate um novo marco legal para os minerais críticos. Um projeto já aprovado pela Câmara dos Deputados propõe mecanismos para incentivar pesquisas, ampliar o acesso ao financiamento, promover a agregação de valor e fortalecer a rastreabilidade da produção mineral. O texto ainda depende de análise do Senado.

Na avaliação do governo, a exploração dos minerais críticos ganhou importância estratégica diante das transformações da economia mundial. A intenção é evitar que o Brasil permaneça apenas como exportador de matéria-prima, ampliando sua presença nas etapas de processamento, desenvolvimento tecnológico e industrialização desses recursos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: NeoFeed

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Internacional

China impõe sanções a 10 empresas dos EUA em resposta a restrições americanas

A China anunciou a aplicação de sanções econômicas contra 10 empresas dos Estados Unidos, entre elas companhias dos setores de defesa, tecnologia e minerais estratégicos, como L3Harris, MP Materials e USA Rare Earths. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (22) e representa uma reação às recentes medidas adotadas por Washington contra empresas chinesas.

Segundo o Ministério do Comércio da China, a iniciativa responde à ampliação da chamada lista de “empresas militares chinesas” elaborada pelo governo norte-americano, classificada por Pequim como uma prática considerada prejudicial aos interesses do país.

Exportação de itens de dupla utilização está proibida

Em comunicado oficial, o governo chinês informou que as novas restrições foram adotadas com base na Lei de Controle de Exportações e no regulamento que disciplina a comercialização de itens de dupla utilização — produtos e tecnologias que podem ter aplicação tanto civil quanto militar.

Com a entrada em vigor das sanções, exportadores chineses ficam proibidos de fornecer esse tipo de material às empresas incluídas na lista. Além disso, qualquer organização ou pessoa, independentemente do país de origem, está impedida de transferir produtos de origem chinesa classificados nessa categoria para as companhias sancionadas.

O ministério determinou ainda a interrupção imediata de todas as operações de exportação que estejam em andamento envolvendo essas empresas.

Empresas ligadas ao setor de minerais e defesa estão entre as afetadas

Além da USA Rare Earth, que anunciou em abril a aquisição da brasileira Serra Verde, a lista de empresas atingidas inclui Aveox, Teal Drones, Red Cat, Imsar, Jaia Robotics, Ball Aerospace & Technologies, Oshkosh Defense, L3Harris Maritime Services e MP Materials.

As companhias atuam em segmentos considerados estratégicos, como defesa, tecnologia militar, mineração de terras raras e desenvolvimento de equipamentos de alta tecnologia.

Mercado reage às sanções chinesas

A decisão repercutiu nos mercados financeiros dos Estados Unidos. Entre as empresas listadas na Bolsa de Nova York (NYSE), as ações da Red Cat encerraram o pregão com queda de 7%, enquanto os papéis da Imsar recuaram 7,5%.

A USA Rare Earth perdeu 2,11% de seu valor de mercado, a L3Harris registrou baixa de 3,05% e a MP Materials fechou em queda de 0,97%.

Na contramão, a Oshkosh Corporation, fabricante de caminhões especiais utilizados em aeroportos, operações industriais, combate a incêndios e aplicações militares, apresentou valorização de 1,98% no mesmo período.

As novas restrições ampliam as tensões comerciais entre China e Estados Unidos, especialmente em setores ligados à segurança nacional, tecnologia e fornecimento de matérias-primas estratégicas.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Internacional

Minerais críticos: União Europeia amplia apoio ao Brasil para desenvolver cadeia de valor

A União Europeia (UE) sinalizou interesse em ampliar a cooperação com o Brasil para impulsionar o desenvolvimento da cadeia de valor dos minerais críticos, incluindo investimentos em processamento, refino, transferência de tecnologia e qualificação profissional.

O anúncio foi feito pelo comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, durante o 2º Fórum de Investimento UE-Brasil sobre o Acordo de Associação UE-Mercosul, realizado em Brasília.

Segundo o representante europeu, o objetivo é contribuir para que o país avance além da exportação de matéria-prima, ampliando sua participação nas etapas de maior valor agregado da indústria mineral.

UE quer fortalecer produção e industrialização de minerais estratégicos

A proposta prevê apoio à instalação e expansão de atividades ligadas ao processamento de minerais, ao refino local e ao compartilhamento de conhecimento tecnológico.

De acordo com Síkela, a estratégia europeia busca criar oportunidades para que o Brasil fortaleça sua capacidade industrial no setor, ao mesmo tempo em que amplia a formação de mão de obra especializada.

A iniciativa integra os esforços da União Europeia para diversificar o fornecimento de minerais estratégicos, considerados fundamentais para segmentos como transição energética, mobilidade elétrica, tecnologias digitais e indústria de defesa.

Brasil ganha relevância no mercado global de minerais críticos

O Brasil possui algumas das maiores reservas de recursos minerais considerados essenciais para a economia do futuro, incluindo terras raras, lítio e níquel.

Nos últimos anos, a demanda internacional por esses insumos cresceu significativamente, impulsionada pelo avanço das energias renováveis, da eletrificação dos transportes e da digitalização da economia.

Diante desse cenário, o governo brasileiro tem defendido a ampliação do processamento interno desses minerais, com o objetivo de gerar empregos qualificados, estimular a inovação tecnológica e aumentar o valor agregado das exportações.

Projetos em Minas Gerais são destaque na cooperação

Durante sua passagem pelo Brasil, o comissário europeu destacou iniciativas voltadas ao processamento de terras raras em Minas Gerais como exemplos concretos do potencial de colaboração entre empresas brasileiras e europeias.

A União Europeia também avalia mecanismos que possam facilitar a entrada de investimentos privados em projetos considerados estratégicos, além de instrumentos para reduzir riscos e ampliar a viabilidade financeira dos empreendimentos.

Disputa global por minerais impulsiona novas parcerias

O fortalecimento da cooperação ocorre em um momento de crescente competição internacional pelo acesso a matérias-primas consideradas essenciais para a economia de baixo carbono.

Diversos países e blocos econômicos têm buscado reduzir sua dependência de cadeias globais de suprimentos e garantir acesso seguro a recursos fundamentais para a produção de baterias, equipamentos tecnológicos e sistemas de energia limpa.

Nesse contexto, o Brasil surge como um parceiro estratégico devido à abundância de reservas minerais e ao potencial de expansão de sua indústria de transformação.

Acordo UE-Mercosul reforça aproximação econômica

As declarações de Jozef Síkela também refletem o interesse europeu em aprofundar as relações econômicas com o Brasil e acelerar a implementação do acordo UE-Mercosul.

Considerado um dos mais relevantes pactos comerciais já negociados pelas duas regiões, o acordo é visto como uma ferramenta para ampliar investimentos, fortalecer cadeias produtivas e estimular o comércio entre os países envolvidos.

A cooperação na área de minerais críticos surge como um dos setores com maior potencial de crescimento dentro dessa nova fase de integração econômica.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Nacional

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