Comércio Exterior

Tarifaço gera férias coletivas e demissões no setor de madeira

Ao menos 1,4 mil funcionários estão em férias coletivas e 100 foram demitidos desde julho

As tarifas de 50% às exportações brasileiras, implementadas no começo de agosto pelos Estados Unidos, já começam a afetar trabalhadores do setor de madeira processada do país.

O setor faz parte do grupo que não conseguiu entrar na lista de 694 produtos isentos ao aumento da taxa, que teve início há cerca de duas semanas. Mas os efeitos são sentidos desde o começo de abril, quando a tarifa de 10% entrou em vigor.

“Desde esse primeiro momento, a indústria começou a ajustar questões de mão de obra e custos internos. Nesse sentido, a estratégia de férias coletivas já havia sido adotada por muitas empresas que dependem do mercado norte-americano”, explica Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), à CNN.

É o caso da Millpar, segunda maior empresa do setor no país e terceira na América Latina. Em julho, a companhia afirmou que alguns setores da unidade de Guarapuava (PR) entraram em férias coletivas por 15 dias.

Um dia antes de o tarifaço entrar em vigor, a empresa anunciou a suspensão total de sua produção — colocando mais de 65% de seu quadro de funcionários (720 de 1,1 mil) em férias por período indeterminado.

“Temos informações que muitas empresas estão finalizando esse período de férias coletivas. Se a coisa continuar da forma como está (e parece que sim) as empresas terão que fazer cortes para equilibrar as suas contas”, diz Pupo.

Quem sofre

Segundo dados da Abimci, o setor madeireiro exportou US$ 1,6 bilhão para os Estados Unidos em 2024, para onde são destinados, em média, 50% do total produzido no país.

O impacto da aplicação das taxas norte-americanas nas empresas madeireiras coloca em risco aproximadamente 180 mil empregos diretos em todo o Brasil, afirma a associação. Em nota divulgada no dia 18 de julho, a Abimci afirmou que o setor estaria enfrentando “o início de um colapso” com o tarifaço.

Inclusive, 90% dessa produção está concentrada no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Só no primeiro estado, onde aconteceram os maiores casos de férias e demissões, são 6,7 mil empresas atuantes e 109 mil empregos em jogo.

A madeira é o principal produto de exportação do Paraná ao vizinho norte-americano.

“Temos uma tradição de madeira, com cadeias produtivas bem estabelecidas e interligadas com inúmeros outros setores”, explica Ailson Loper, diretor-executivo da Apre (Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal).

“Para cada tonelada de frango produzido no Paraná, são necessárias quatro toneladas de madeiras. Portanto, quando há um impacto em um setor, há um impacto em todos”, argumenta.

Apesar os números relevantes, o setor de madeira não é o único que não escapou das tarifas de Trump. Café, carnes, pescados, frutas e equipamentos de construção civil, por exemplo, também sofrem com a interrupção de exportações ao país, que representava uma fatia relevante da clientela de todos os setores citados.

Até agora, férias coletivas e demissões não foram vistas na mesma escala.

Segundo Pupo, isso acontece por uma particularidade do setor de madeira: a personalização de parte da indústria exclusivamente aos EUA. Os contratos são fechados com uma especificidade muito grande, que praticamente impossibilitam a mudança de um mercado para outro tão rapidamente.

O negócio dos mouldings (molduras de madeira, do inglês), por exemplo, é produzido especialmente para o mercado norte-americano. Não há mercado em nenhum outro lugar do mundo para o produto.

“Nestes casos, não há outra solução além da paralisação das unidades fabris”, explica o especialista.

O setor madeireiro exportou US$ 1,6 bilhão para os Estados Unidos em 2024, para onde são destinados, em média, 50% do total produzido no país.

Caminho à frente

Além da ameaça tarifária, os EUA deflagraram uma investigação comercial contra o Brasil, na qual citam, entre suas preocupações, a madeira brasileira.

O USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) avalia que o país parece não estar conseguindo aplicar efetivamente as leis e regulamentações destinadas a impedir o desmatamento ilegal, o que prejudicaria a competitividade dos produtores norte-americanos de madeira e produtos agrícolas.

Contudo, toda a produção exportada para os norte-americanos provinda do Sul do país, que representa mais de 95% da produção nacional de madeira processada, provém de florestas plantadas, afirmou Pupo, da Abimci.

“Essa imagem antiga da [madeira ilegal] da Amazônia já tem décadas que ficou para trás, o grande polo produtivo nacional é aqui no Sul. Nós cumprimos todos os regramentos para atender o mercado americano, sobretudo na construção civil”, enfatiza.

Loper, da Apre, afirma que medidas legais já estão sendo tomadas nos EUA, com companhias daqui contratando advogados para construir uma defesa sólida do setor.

Sobre as tarifas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, semana passada, a criação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para amparar empresas afetadas pelas tarifas.

“O pacote anunciado pelo governo traz um respiro, mas entendemos que é paliativo. Ajuda a questão dos empregos, mas não resolve”, argumenta Ailson Loper, da Apre.

“Estamos em meio a uma guerra. O que é preciso fazer para sair firme dela é a renegociação da tarifa”.

Até lá, segundo ele, milhares de empregos seguirão ameaçados.

Fonte: CNN Brasil

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Exportação

Tarifaço de Trump pode zerar exportações de tilápia após embarques crescerem 52% no primeiro semestre

O primeiro semestre de 2025 trouxe resultados positivos e desafios significativos para a piscicultura brasileira, de acordo com a PEIXE BR. No mercado interno, o setor manteve o ritmo de crescimento esperado, impulsionado pelo aumento da oferta e pela redução de preços ao consumidor em comparação ao mesmo período de 2024.

Nos embarques internacionais, a atividade registrou um crescimento de 52% nas exportações, principalmente de filé fresco para os Estados Unidos. A expectativa era desse volume aumentar ao longo do ano e o Brasil liderar os envios, porém, o anúncio recente do governo americano alterou as projeções.

“Devido à tarifa de 50% e à falta de ação do governo brasileiro em negociar, teremos um segundo semestre com exportações próximas de zero. Isso agravará a crise no mercado interno, diante do aumento da oferta e, principalmente, da entrada de filé de tilápia do Vietnã, que deve piorar ainda mais a situação”, enfatiza o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros.

Queda de 14,6% nos preços da tilápia

Conforme destaca Medeiros, o consumo de tilápia se mantém estável, devido ao crescimento contínuo da produção da espécie. No entanto, a redução na produção de tambaqui e de peixes de pesca nativa tem limitado a expansão do consumo geral de pescado no Brasil.

No recorte de preços, o mercado brasileiro de tilápia enfrentou um cenário desafiador no primeiro semestre de 2025, impulsionado por mudanças importantes em relação ao mesmo período de 2024.

De acordo com o coordenador de Pecuária e Tilápia do Cepea/Esalq, Thiago Bernardino de Carvalho, a média do preço da tilápia no período foi de R$8,04/kg, uma queda nominal de 14,6% em comparação aos R$9,42/kg registrados no primeiro semestre de 2024. Ao mesmo tempo, o peso médio dos animais comercializados aumentou 11,1%, passando de 921 gramas para 1.023 gramas, indicando uma oferta maior de tilápias mais pesadas no mercado.

“Embora tenha havido uma leve redução no custo da ração, que caiu 2,9% (de R$2,78/kg para R$2,70/kg), essa diminuição não foi suficiente para compensar a pressão sobre as margens dos produtores. A margem bruta média nas propriedades acompanhadas pelo Cepea caiu 45,5%, passando de R$2,82 para R$1,54 por quilo comercializado”, ressalta Carvalho.

Além disso, foi observado um crescimento expressivo de 18,7% no alojamento de alevinos e juvenis, puxado principalmente pela atuação das cooperativas, o que sinaliza expectativas de aumento na produção futura.

Exportações crescem 52% nos primeiros meses de 2025

No comércio internacional, o setor registrou resultados positivos. Segundo o coordenador o pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Pedroza, as exportações da piscicultura brasileira aumentaram 52% no primeiro semestre de 2025, comparado com o mesmo período de 2024, atingindo US$ 36 milhões e 8 mil toneladas.

“A tilápia foi protagonista, representando 95% do total exportado no semestre, consolidando sua posição como principal peixe cultivado e comercializado internacionalmente pelo Brasil”, compartilha Carvalho.

Como destaque de país comprador, os Estados Unidos continuam como o principal destino das exportações da piscicultura brasileira, representando cerca de 90% do total exportado no primeiro semestre de 2025, totalizando US$ 32 milhões. “O Peru foi o segundo principal importador no período, com US$ 1,8 milhão”, ressalta Pedroza.

Importações do Vietnã geram preocupações no setor

A importação de tilápia de outros países, especialmente do Vietnã, tem gerado preocupações entre os produtores brasileiros e representantes da cadeia produtiva da aquicultura nacional.

Segundo o coordenador de Pecuária e Tilápia do Cepea/Esalq, os peixes importados chegam ao mercado brasileiro com preços muito inferiores aos praticados internamente, podendo ser considerado dumping, o que pode inviabilizar economicamente a produção nacional, comprometendo a sustentabilidade de diversas propriedades e cooperativas locais.

“De forma extremamente negativa, a importação de filé de tilápia do Vietnã demonstra a inabilidade do governo brasileiro com o setor, mesmo tendo um ministério que deveria gerir o setor. O Vietnã tem procedimentos na indústria que são proibidas aqui nas indústrias brasileiras e, com isso, perdemos competitividade”, alerta o presidente da PEIXE BR.

Para contornar esse cenário, neste momento, o setor tem realizado ações visando minimizar os riscos sanitários e econômicos ligados à importação de tilápia do Vietnã, evitando possíveis danos a cadeia produtiva e aos consumidores, diz o pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura.

Cenário desafiador para o segundo semestre

Na avaliação de Medeiros, a combinação de importações liberadas e a suspensão das exportações de filé de tilápia para os Estados Unidos gera incerteza para o setor. “Nos próximos 12 meses, a cadeia produtiva da tilápia no Brasil enfrentará grandes desafios tanto no mercado interno quanto externo”, salienta.

Em relação ao desempenho doméstico, o principal desafio está em aumentar o consumo per capita da tilápia. Para isso, destaca Carvalho, será fundamental a diversificação do mix de produtos, estratégia que vem sendo bem conduzida por indústrias e varejistas nos últimos anos.

No cenário internacional, o tarifaço dos EUA terá um grande impacto nas exportações brasileiras da piscicultura no segundo semestre de 2025, principalmente na cadeia da tilápia, gerando grandes desafiados no setor.

Neste contexto, a abertura de novos mercados externos será fundamental para assegurar a competitividade internacional da cadeia. “Para isso o setor precisará realizar um grande esforço para entrar em novos países e investir na exportação de produtos congelados, os quais respondem pela maior parte do comércio internacional de peixes como a tilápia”, afirma o coordenador de Pecuária e Tilápia do Cepea/Esalq.

Apesar das dificuldades, especialistas acreditam que há potencial de valorização do produto nacional, desde que políticas públicas e investimentos em infraestrutura permitam maior competitividade frente aos concorrentes internacionais.

Fonte: Comex do Brasil

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Comércio Exterior

Prioridade do governo é negociar aumento da lista de exceções à tarifa americana, diz Alckmin

Vice-presidente participou da 25ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira que a prioridade do governo federal é ampliar o número de produtos brasileiros excluídos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. A sobretaxa resulta de uma ordem executiva do presidente Donald Trump, que adicionou 40% aos 10% já em vigor desde abril. Quase 700 itens entre os 4 mil exportados pelo Brasil aos EUA ficaram fora da tarifa extra.

— Nosso trabalho é aumentar a exclusão para mais produtos saírem da tarifa, e reduzir essa tarifa — disse Alckmin durante a 25ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo. — A primeira tarefa é a negociação e nós acreditamos que é possível.

O vice-presidente destacou que o tarifaço de Donald Trump não faz sentido, já que a taxa média aplicada pelo Brasil a produtos americanos importados é de 2,7%. Oito dos dez itens mais vendidos ao país entram com alíquota zero.

Alckmin também lembrou que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, e o principal investidor estrangeiro no país, com cerca de 4 mil empresas instaladas. Segundo ele, o mercado americano é um destino relevante para produtos brasileiros de maior valor agregado, como os industriais.

O vice-presidente reforçou que a relação bilateral é marcada por “amizade e parceria extremamente antiga”. Atualmente, 12% das exportações brasileiras têm os EUA como destino.

— O Brasil é um bom parceiro porque há quinze anos os EUA têm superávit comercial com o Brasil. Os EUA têm déficit enorme de comércio, de US$ 1,2 trilhão. Mas, do G20 (grupo que reúne as vinte maiores economias do mundo), só três países têm superávit: Brasil, Reino Unido e Austrália. No ano passado, contando bens e serviços, deu US$ 25 bilhões de superávit. Nos últimos 15 anos, quase meio trilhão de dólares.

Alckmin também comentou a agenda doméstica e defendeu o avanço da reforma administrativa nos próximos meses do governo Lula. Segundo ele, a medida pode ajudar a reduzir custos, simplificar processos e fixar regras para os altos salários no funcionalismo.

— A reforma administrativa pode ajudar a reduzir custos, desburocratizar, simplificar, estabelecer regras para altos salários. Temos que ter uma cultura contra privilégio e desperdício.

Fonte: O Globo

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Comércio Exterior, Importação

Índia suspende temporariamente tarifas de importação sobre algodão

Decisão é vista como um alívio para o setor de vestuário do país, que vem sofrendo com uma tarifa de 50% sobre as remessas para os Estados Unidos

A Índia suspendeu impostos de importação sobre o algodão de 19 de agosto a 30 de setembro, atendendo à demanda de grupos do setor que disseram que as isenções ajudariam a tornar o setor mais competitivo.

A suspensão temporária das tarifas, anunciada em uma ordem do governo na noite de segunda-feira (18), é vista como um alívio para o setor de vestuário da Índia, que vem sofrendo com uma tarifa exorbitante de 50% sobre as remessas para os Estados Unidos.

A tarifa dos EUA inclui uma taxa de 25% já existente e uma taxa adicional de 25% que entrará em vigor no final deste mês, imposta como penalidade pelas compras de petróleo russo feitas pela Índia. A taxa efetiva é desfavorável em comparação com 20% para Bangladesh e Vietnã e 30% para a China.

Órgãos do setor, como a CITI (Confederação da Indústria Têxtil Indiana), pediram ao governo que eliminasse a tarifa de importação de algodão para ajudar a tornar o setor mais competitivo.

Antes da isenção, as importações de algodão estavam sujeitas a uma tarifa de 11%.

As autoridades do setor agora esperam que o governo estenda as importações de algodão isentas de impostos para além de setembro.

A Reuters informou anteriormente que alguns exportadores indianos estavam se esforçando para explorar opções de fabricação no exterior para compensar o impacto das tarifas mais altas.

O setor de vestuário da Índia já estava lutando contra a escassez de mão de obra e a capacidade de produção limitada. A perspectiva de os exportadores transferirem a produção para o exterior representa um desafio adicional para a iniciativa de fabricação “Make in India” do governo.

A Índia pretende aumentar as exportações têxteis para US$ 100 bilhões até 2030.

O aumento acentuado das tarifas dos EUA ocorre no momento em que a Índia vinha surgindo como uma forte alternativa para os consumidores norte-americanos de vestuário, com Bangladesh enfrentando incertezas políticas e empresas buscando diversificar as cadeias de suprimentos além da China.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Na surdina, Trump amplia tarifa sobre metais – e surpreende empresários

Nova tarifa apareceu oficialmente no sistema alfandegário só nesta terça, após ter entrado em vigor um dia antes, até mesmo para mercadorias em trânsito

O presidente Donald Trump surpreendeu o setor de logística ao expandir suas tarifas sobre aço e alumínio para abranger mais de 400 itens de consumo que contêm esses metais, como motocicletas e utensílios de mesa. Corretoras alfandegárias e importadores nos Estados Unidos tiveram pouco tempo para se preparar para a mudança, que entrou em vigor na segunda-feira sem exceções para mercadorias em trânsito.

A nova lista de produtos sujeitos a tarifas foi divulgada pela agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) justamente quando muitos profissionais deixavam o trabalho para o fim de semana e só apareceu oficialmente no Federal Register na terça-feira, criando novas dores de cabeça para especialistas em comércio exterior. A orientação oficial tem sido confusa, sobretudo no caso de mercadorias já a caminho dos EUA, e ainda não está claro se as tarifas sobre metais se somam às tarifas impostas país a país.

Após seis meses de guerra comercial sob Trump e de uma pandemia que provocou fortes rupturas na cadeia de suprimentos, é difícil abalar transportadoras, donos de carga e intermediários que mantêm o comércio internacional funcionando. Mas a abrangência e a velocidade de implementação deste último anúncio pegaram muitos de surpresa.

“Temos vivido várias implementações de última hora ao longo de 2025, mas essa, em especial, afeta enormemente todos os meus clientes”, disse Shannon Bryant, corretora alfandegária em Michigan, em entrevista.

“Nos anúncios anteriores, pelo menos havia isenções para mercadorias já em trânsito, o que permitia aos importadores tomar decisões de compra razoáveis”, acrescentou Bryant, presidente da consultoria Trade IQ. “Esta foi única nesse sentido — é realmente um ‘pegadinha’.”

A lista inclui autopeças, produtos químicos, plásticos e componentes de móveis — demonstrando o alcance da autoridade de Trump para aplicar tarifas setoriais. Isso é separado do poder executivo que ele invocou para as chamadas tarifas “recíprocas”.

“Basicamente, se é brilhante, metálico ou remotamente relacionado a aço ou alumínio, provavelmente está na lista”, escreveu Brian Baldwin, vice-presidente de alfândega nos EUA da gigante de logística Kuehne + Nagel, em uma postagem no LinkedIn. “Isso não é apenas mais uma tarifa — é uma mudança estratégica na forma como derivados de aço e alumínio são regulados.”

Custos de compliance

A dificuldade de aplicar tarifas a produtos derivados está em determinar qual porcentagem do item é composta pelos materiais-alvo.

A Flexport, empresa de transporte digital, afirmou em um blog que, “para muitas marcas, isso significa correr atrás de fornecedores para obter dados detalhados: peso do alumínio, percentual do valor aduaneiro e país de fundição/refino”.

“O peso regulatório é significativo”, disse a empresa.

Esta rodada de tarifas também é particularmente ampla, abrangendo itens como motocicletas, equipamentos de movimentação de carga, cadeirinhas infantis, utensílios de mesa e produtos de cuidados pessoais em recipientes ou embalagens metálicas.

Jason Miller, professor de gestão da cadeia de suprimentos na Universidade Estadual de Michigan, estima de forma conservadora que as tarifas sobre metais agora cubram cerca de US$ 328 bilhões em mercadorias, com base em dados de importação de 2024. Isso é seis vezes mais do que em 2018 e um salto em relação aos US$ 191 bilhões em produtos cobertos antes da mudança, disse ele em e-mail à Bloomberg News.

O apelo dos corretores

Bryant, cuja clientela inclui importadores de cosméticos e utensílios de cozinha profissionais, enviou uma carta a parlamentares em Washington na segunda-feira alertando que a complexidade das tarifas sobrepostas está se tornando impossível de administrar, mesmo para especialistas. “Para pequenos importadores”, escreveu, “é inviável.”

“Estou tentando pensar em um cliente que não tenha sido afetado”, disse ela. “São empresas americanas, que empregam americanos, sendo surpreendidas pelo próprio governo.”

Trump impôs tarifas sobre aço e alumínio pela primeira vez em 2018, com o objetivo de estimular a produção doméstica ao tornar mais caro para os americanos comprar material estrangeiro.

Mas vários fornecedores importantes, incluindo Canadá, México e União Europeia, acabaram isentos, e indústrias dos EUA afirmam que ainda enfrentam dificuldades para competir com importados.

Aplausos da siderurgia

Em junho, Trump cumpriu uma promessa de campanha ao dobrar a alíquota sobre aço e alumínio para 50% e também solicitou feedback da indústria sobre como expandi-la ainda mais.

Lourenco Goncalves, CEO da siderúrgica americana Cleveland-Cliffs Inc., elogiou a ampliação da lista de tarifas em um comunicado na segunda-feira, agradecendo à administração Trump por “tomar uma ação decisiva e concreta que vai coibir a evasão de tarifas que ocorre diante de nossos olhos com produtos derivados de aço inoxidável e elétrico.”

E provavelmente vem mais por aí. No fim de julho, o governo Trump impôs uma tarifa de 50% sobre importações de cobre semimanufaturado avaliadas em mais de US$ 15 bilhões e ordenou que autoridades elaborassem um plano para aplicar tarifas a uma série de outros produtos intensivos em cobre.

“Isso não acabou”, disse Pete Mento, diretor global de alfândega da DSV, em uma postagem nas redes sociais na segunda-feira. “A próxima lista certamente será sobre cobre e espero que seja igualmente dolorosa.”

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

EUA querem impor solução constitucionalmente impossível para o Brasil

Declaração é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse hoje (18), que o Brasil continua buscando manter um diálogo com os Estados Unidos (EUA) para tentar reduzir a aplicação da tarifa de 50% às exportações brasileiras. No entanto, afirmou ele, a negociação não tem sido possível porque os Estados Unidos insistem em impor ao Brasil uma solução “constitucionalmente impossível”. Para o ministro, está ocorrendo “uma dificuldade de compreensão do que se passa no Brasil”.

“Hoje nós temos documentos oficiais demonstrando que a negociação só não ocorre porque os Estados Unidos está tentando impor ao Brasil uma solução constitucionalmente impossível, que é Executivo se imiscuir em assuntos de outro poder, que é o Poder Judiciário. Nós não temos uma situação constitucional que nos permita, política e juridicamente, atuar no caso. Então, gerou-se um impasse que é pedir o que não pode ser entregue”, disse.

Segundo o ministro, o comércio bilateral entre os dois países já representa hoje metade do que foi nos anos 80 e a tendência é que continue caindo ainda mais.

“Nós tínhamos exportações da ordem de 25% com os Estados Unidos, hoje elas significam 12% e, pelo andar dos acontecimentos, eu acredito que o comércio bilateral, infelizmente, vai cair ainda mais”, disse.

Na manhã de hoje, Haddad participou da cerimônia de abertura do evento FT Climate & Impact Summit Latin America e Brasil 2030: Uma Nação de Oportunidades, promovido pelo Times Brasil/NBC, em parceria com o Financial Times, em São Paulo.

Durante a entrevista ao canal de TV, o ministro também disse que o cancelamento da reunião que ele teria com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, foi provocado por interlocutores da extrema-direita brasileira. Ele ressaltou que o ministério tem todos os documentos para comprovar as tratativas com o governo americano e detalhou que o encontro com Scott Bessent, em maio, havia sido positivo.

“[Foi uma reunião] excelente. Agora, o que mudou de maio para julho, tem que ser perguntado para eles”.

Segundo ele, causou estranhamento o fato de a reunião ter sido cancelada e, no mesmo momento em que ela ocorreria, Bessent ter aparecido conversando com um “concorrente” do governo brasileiro [no caso, o deputado federal Eduardo Bolsonaro]. Para Haddad, cada país tem uma maneira de proceder em situações como essa, mas disse que jamais cancelaria uma reunião que tivesse sido agendada.

“Eu nunca faria cometeria uma deslealdade dessa com um homólogo meu de outro país, por mais hostil que o outro país fosse. Se eu marquei um compromisso, eu cumpro”.

Mais tarde, em entrevista a jornalistas, Haddad comentou que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro tem trabalhado “para impedir que as negociações se estabeleçam”. E que, neste momento, o governo brasileiro está trabalhando para regulamentar o plano de contingência para apoiar o setor produtivo afetado pelo tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos. O plano de apoio prevê R$ 30 bilhões em crédito e será viabilizado por meio de uma medida provisória chamada de MP Brasil Soberano.

“A tarefa dessa semana é regulamentar o plano de contingência, fazer chegar na ponta os recursos liberados e proteger o Brasil dessa agressão externa”, disse a jornalistas.

Para o ministro, o plano de contingência “está bem calibrado” e não precisará ser ampliado.

“Se o cenário se confirmar, eu não vejo razão para ampliar. Mas vamos ver o desdobramento da coisa. Nesse momento, eu devo dizer que não”.

Globalização

Para Haddad, o atual movimento do governo Trump, inclusive com a imposição de novas tarifas, indica que os Estados Unidos decidiram “mudar o jogo” da globalização.

“Eles venderam para o mundo a globalização, com desregulamentação financeira, a descentralização das atividades produtivas, o ganho de eficiência que isso ia gerar, a acumulação flexível. E aí, quando eles perceberam que eles ganharam muito, mas que a China ganhou ainda mais, aí [decidiram] ‘vamos melar o jogo’, ‘vamos mudar o jogo’”, destacou.

Segundo o ministro, os Estados Unidos ganharam muito com a globalização, mas enfrentaram um “desafio inesperado” e decidiram “mudar as regras do jogo”.

Confira reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil, sobre os impactos do tarifaço no setor têxtil

Fonte: Agência Brasil

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Especialista, O ESPECIALISTA

O ESPECIALISTA: PIETER POOL

O Tarifaço de Trump ameaça colapso nas exportações florestais do Brasil

O Tarifaço indicado pelo presidente Trump no dia 9 de julho de 2025, indicando uma tarifação de 50% sobre os produtos importados do Brasil, deixou os exportadores brasileiros de produtos florestais extremamente preocupados. Empresas com grande dependência do mercado dos EUA foram as mais afetadas, como a produtora de molduras Braspine, optou por dar férias coletivas em sistema de rodízio para 1500 funcionários, conforme matéria do G1 no dia 22de julho de 2025, evitando assim, por hora, medidas mais drásticas. A empresa exporta quase toda sua produção aos EUA onde molduras brasileiras são comumente comercializadas. Igualmente as fabricantes de molduras Ipumirim Mouldings, com 500 funcionários e a Millpar, igualmente entrou em férias coletivas, por 15 dias.

No segmento de madeira serrada de pinus, empresas exportadoras de cerquinhas (dogear pickets) e APG (Appearance Grade Boards), produtos específicos para os EUA, tiveram contratos cancelados e algumas inclusive cogitam a possibilidade de encerrarem suas operações no país, sendo a alternativa, adquirir madeira de outros países como Argentina, Paraguai e Uruguay, pois estes tem a tarifação base de 10%.

No setor de papel e celulose, os preços estão de forma geral em viés de queda. Segundo Antonio Mendes Junior, head de vendas internacionais e sócio da Hypertrade, uma das maiores tradings exportadoras de papel e celulose do Brasil, os maiores players exportadores de celulose fibra longa mercado, Klabin, Eldorado Brasil, Bracell, CMPC e Irani seguraram todos seus embarques. Ele comenta: “Entendo que os clientes não somente nos EUA, que em 2023  estão segurando as ordens, pois entendem que os brasileiros estão fragilizados. Enquanto isso consomem seus  estoques gradativamente aguardando alguma evolução de mercado. Se o Tarifaço for realmente aplicado, os exportadores brasileiros vão ter que procurar mercados alternativos com preços inferiores”. Os EUA forma o terceiro maior importador de celulose do Brasil com ~14%, ficando somente atrás da Europa com ~24% e da China com ~43%.

As indústrias de compensados multilaminados, que em 2024 exportaram, entre compensados multilaminados de eucalipto, pinus e tropical um volume aproximado de 2.241 MM de metros cúbicos, o que representa aproximadamente 51,5 K containers, também podem ser mais uma vez afetadas. Algumas indústrias como a Marini Compensados de Palmas-PR, que anunciou neste dia 23 de julho férias coletivas para 600 funcionários segundo matéria publicada no rbj.com.br, também está se precavendo e tomando as medidas necessárias para mitigar os riscos decorrentes do Tarifaço.

O seguimento que tem uma representatividade significativa no PIB da região sul do Brasil e gera milhares de empregos.

Com isso a cadeia florestal inteira fica prejudicada, chegando a afetar inclusive grandes empresas florestais do setor como por exemplo a REMASA, empresa do ramo florestal, produtora de pinus. Segundo seu diretor executivo Gilson Geronasso, a situação é preocupante e todos estão ansiosos pelos próximos passos. 

A ABIMCI (Associação Brasileira da Industria da Madeira Processada Mecanicamente), entidade de extrema relevância para o setor no Brasil, expressou através de uma “Nota de posicionamento” no dia 18 de julho, sua grande preocupação com as medidas tomadas pelo presidente Trump e disse entre outros, que além do setor gerar mais de 180 mil postos de trabalhos diretos:

“ Nossa participação na balança comercial brasileira é expressiva. Só para os Estados Unidos exportamos cerca de US$ 1,6 bilhão em 2024, o que representa uma dependência do mercado norte-americano de uma média de 50% da produção nacional. Porém, alguns segmentos madeireiros dependem exclusivamente dos EUA, com 100% de suas vendas atreladas a esse mercado. Por isso, desde o anúncio da possível taxação pelos Estados Unidos, instalou-se a insegurança no mercado, levando o nosso setor ao início de um colapso. ” Estão também diretamente engajados em contato com Brasília, em conjunto com outros setores, para articular ações positivas para o setor madeireiro.

Não podemos esquecer toda a cadeia logística, tanto no transporte doméstico, como no transporte internacional. Em relação aos fretes marítimos principalmente, enxerga-se uma tendência de redução, no entanto isso deve se equilibrar a médio prazo, uma vez que os volumes devem aumentar devido à redução dos fretes. Segundo Carlos Hauck, proprietário da CSS, empresa do ramo de transporte internacional, houveram congelamentos de pedidos que a curto prazo, podem acarretar em redirecionamentos de rotas por parte dos armadores, assim como redução na oferta de espaços para os EUA devido à redução na demanda.

O momento não é um momento fácil para o setor e para o país. Exportadores, associações e trabalhadores esperam ações que minimizem os impactos e ofereçam caminhos para diversificação de mercados.

Enquanto isso o setor florestal brasileiro segue em alerta, tentando evitar que o Tarifaço se torne a faísca de um colapso estrutural. Até lá, estamos à deriva.

PIETER POOL é especialista em comércio exterior, com mais de 23 anos de experiência em exportação, importação e desenvolvimento de mercados internacionais. Atuou em setores como madeireiro, automotivo, agroindustrial, alimentício e tecnologia, com passagem por empresas familiares, nacionais e multinacionais.  Tem sólida experiência em prospecção internacional, gestão de fornecedores, logística integrada, processos aduaneiros e desenvolvimento de produtos OEM/ODM. Também se destaca na análise financeira, gestão de indicadores e internacionalização de empresas. Foi Diretor Regional Sul da Aliança Brasil-China (2009) e tem formação em Comércio Exterior, MBA em Logística (UFPR) e Mestrado em Management (FAE/Baldwin Wallace University).

Bibliografia

https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2025/07/22/tarifaco-de-trump-industria-do-parana-amplia-ferias-coletivas-para-mais-da-metade-dos-funcionarios-e-medida-afeta-15-mil-trabalhadores.ghtml

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/tarifaco-madeireira-de-sc-da-ferias-coletivas-a-quase-500-trabalhadores

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/setor-madeireiro-forca-ferias-e-projeta-demissoes-frente-a-tarifas-de-trump

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Exportação

Exportações do Brasil para a Argentina voltam a subir: podem aliviar o impacto do tarifaço nos EUA?

Após vacas magras, saltaram 53% as vendas de empresas brasileiras para o país vizinho, que compra produtos tarifados pelos americanos

Com o sinal de alerta aceso nas exportações para os Estados Unidos, por causa do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump, o comércio exterior do Brasil terá um alívio, ao menos, nas trocas com a Argentina. As vendas do Brasil para lá saltaram 53,2%, em valor, nos sete primeiros meses do ano, ante igual período de 2024.

O crescimento representa uma recuperação, após as exportações brasileiras para o mercado argentino tombarem 17,6% em 2024 por causa da recessão no país vizinho. Os US$ 10,780 bilhões vendidos à Argentina este ano até julho ainda estão abaixo do registrado nos sete primeiros meses de 2023.

EUA e Argentina são importantes para a indústria brasileira. Tanto o mercado americano quanto o argentino se destacam por demandarem bens manufaturados numa proporção superior à média das exportações do Brasil.

Apesar disso, os tipos de produtos vendidos pelo Brasil para um e outro país são diferentes, lembra Lia Valls, professora da Uerj e pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Por isso, ela vê a retomada da demanda argentina como uma boa notícia, mas incapaz de amenizar as perdas com o mercado americano:

— As exportações para a Argentina são muito concentradas nos automóveis. Nem entramos com automóveis nos EUA.

A concentração das vendas para a Argentina nos itens da indústria automotiva se repetiu nos sete primeiros meses deste ano. Desde a década de 1990, com o estabelecimento do Mercosul, as multinacionais do setor passaram a organizar suas cadeias entre Brasil e Argentina numa relação de interdependência entre os dois mercados.

No início deste mês, a Anfavea, associação nacional de fabricantes de veículos, revisou para baixo sua projeção de vendas de automóveis no mercado doméstico para este ano, para 2,7 milhões de unidades, ante os 2,8 milhões estimados em janeiro. Mas manteve inalterada a previsão de produção, em 2,7 milhões de unidades, por causa da demanda argentina — a estimativa é que sejam exportados 552 mil carros para lá este ano, o que representaria um salto de 38,4% na comparação com 2024.

— Os argentinos começaram a comprar mais carros — diz Federico Servideo, presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo (Camarbra).

A economia argentina estava em recessão no primeiro semestre do ano passado, mas voltou a crescer na segunda metade de 2024. No primeiro trimestre, cresceu 0,8%. Ao mesmo tempo, o câmbio do peso com o dólar se valorizou, tornando os produtos brasileiros mais baratos no país. O fluxo de turistas argentinos para o Brasil e as compras deles no varejo nacional também saltaram.

Fatores conjunturais

O problema, para Servideo, é que esses fatores são conjunturais. Na visão do presidente da Comarbra, nos últimos anos a relação comercial entre os dois maiores países da América do Sul tem sido “oportunística”.

As trocas crescem ou caem em função do ritmo do crescimento econômico, da estabilidade da economia ou da variação nas taxas de câmbio. Ideal seria impulsionar a integração das cadeias de produção entre os dois países, envolvendo pequenas e médias empresas, como no setor automotivo.

Servideo cobra maior ativismo do empresariado, de lado a lado, em prol da integração. Nas políticas públicas, o foco deveria ser a remoção da burocracia, como trâmites alfandegários e a regulação de padrões industriais.

Fora do setor automotivo, a volta da demanda argentina pode amenizar, em alguma medida, as perdas nas vendas para os EUA nas indústrias de calçados e de máquinas e equipamentos.

A fabricante alemã de bombas para uso industrial Netzsch vê o redirecionamento dos EUA para outros mercados da América Latina como um caminho, disse ao GLOBO Osvaldo Ferreira, diretor-geral da empresa no Brasil. A recuperação argentina “pode ajudar”, disse o executivo:

— Eles ficaram muito em baixa, sentimos também (quando houve queda nas vendas para a Argentina).

Fonte: O Globo

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Comércio Exterior

Estado anuncia em Itajaí pacote de R$ 435 milhões contra efeitos de tarifaço

Secretário divulgou programas de incentivos a empresários da Amfri

O governo estadual anunciou em Itajaí o pacote emergencial de R$ 435 milhões para apoiar os setores da economia catarinense mais prejudicados pelo tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil. Para a região da Amfri, foi apresentado um conjunto de programas e incentivos fiscais pra fortalecer a competitividade das empresas.

A apresentação foi em evento na Associação Empresarial de Itajaí (ACII), com a presença do secretário estadual da Indústria, Comércio e Serviço, Silvio Dreveck. Autoridades locais, lideranças empresariais e representantes de associações empresariais dos municípios da região participaram do encontro.

O secretário destacou as principais ferramentas disponíveis pelo estado, com ênfase em linhas de crédito, incentivos fiscais e programas voltados à inovação e à geração de empregos. Foram apresentados o Programa Juro Zero, para microempreendedores individuais (MEIs), e o Pronampe SC, que oferta crédito a pequenas e médias empresas.

Também foi destacado o Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense (Prodec), voltado para o setor industrial, e o Pró-Emprego, programa mais abrangente que atende diversos segmentos da economia. Segundo o secretário, os programas buscam estimular investimentos privados, aumentar a produtividade e incentivar a inovação nas empresas.

“Estamos fortalecendo o diálogo entre o setor público e privado, promovendo um ambiente de negócios mais competitivo e com foco na geração de empregos e renda”, afirmou Dreveck.

A presidente da ACII, Thaísa Nascimento Corrêa, ressaltou a importância da parceria entre o empresariado e o estado. “Esta é uma articulação estratégica que contribui para o futuro das nossas empresas e da região como um todo. Iniciativas como essa mostram o potencial da nossa indústria, comércio e serviços, que merecem políticas públicas alinhadas às suas necessidades”, disse.

Foco em inovação, crédito e competitividade

Os programas do governo estadual ganharam atualizações e melhorias para ajudar ainda mais as empresas. O Prodec passou a incluir despesas com inteligência artificial, automação, software, energia renovável e formação de capital humano, para estimular a modernização do parque industrial e o desenvolvimento de novos produtos.

Já o Pró-Emprego, que concede incentivos fiscais na compra de equipamentos, construção civil e insumos importados, foi reforçado como alternativa para negócios do setor comercial, de serviços e energia. Os dois programas somaram mais de R$ 25 bilhões em investimentos nos últimos dois anos, gerando 85 mil novos empregos.

Uma nova frente de atuação do governo será a capacitação da mão de obra. O secretário adiantou que o estado está elaborando, em parceria com entidades, um programa de qualificação pra atender às vagas em aberto em Santa Catarina, que somam mais de nove mil só nos anúncios pelo Sine.

Crédito para empreendedores

Entre as novas linhas de crédito está o financiamento de até R$ 250 mil para projetos de inovação, com subsídio de até 50% dos juros pelo estado, por meio de cooperativas. Já programa Juro Zero oferece microcrédito de até R$ 5 mil para MEIs, com pagamento em dia e possibilidade de renovação sem cobrança de juros.

Em 2024, o programa estadual já financiou mais de R$ 100 milhões em operações para pequenos empreendedores. “Esses recursos movimentam a base da economia catarinense, principalmente nos municípios que têm nos MEIs uma grande força produtiva”, observou o secretário.

Pacote contra o tarifaço

O pacote de R$ 435 milhões em medidas financeiras e tributárias do estado contra o tarifaço de Donald Trump foi anunciado na quarta-feira pelo governador Jorginho Mello (PL). As ações visam evitar demissões, garantir a competitividade das empresas e manter as atividades das indústrias mais afetadas.

São três frentes de atuação do pacote, prevendo a liberação de crédito acumulado de exportação, dividido em três meses; a prorrogação por 60 dias, durante três meses, do pagamento de ICMS e o financiamento emergencial pelo BRDE.

Em contrapartida, as empresas atendidas deverão manter empregos. O governo estima que 73 mil postos de trabalho sejam protegidos pelas medidas. Haverá critérios de classificação de risco pra atendimento às empresas.

Os setores de madeira, blocos de motor e compressores e de motores elétricos e transformadores são os mais afetados pelo tarifaço. A região do vale do Itajaí é a segunda mais impactada no estado, enquanto a norte é a primeira.

Fonte: Diarinho

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Comércio Exterior, Exportação

Empresários do mel no Ceará renegociam com importadores dos EUA e retomam exportações após tarifaço

Empresários cearenses renegociaram diretamente com importadores norte-americanos para viabilizar o embarque de 50 contêineres de mel destinados aos Estados Unidos no segundo semestre deste ano, evitando grandes prejuízos com o tarifaço imposto sobre as exportações brasileiras, em vigor desde o último dia 6 de agosto.

O setor enfrentava forte pressão, sobretudo por exportar 95% de sua produção para os EUA, e chegou a registrar, em julho, o bloqueio de cargas no Porto do Pecém, enquanto importadores ainda aguardavam definições sobre a implementação da medida.

Joventino Neto, presidente da Federação dos Apicultores do Ceará (Fecap), explica que a iniciativa para manter as exportações exigiu a renegociação de contratos, com redução das margens de lucro tanto para os vendedores quanto para os compradores.

De acordo com ele, atualmente, os importadores compram o mel cearense por cerca de R$ 14 o quilo, valor inferior aos R$ 16 pagos anteriormente. No entanto, revendem o produto no exterior por R$ 65 a R$ 70 o quilo, atingindo uma margem de lucro superior a 300%.

Por isso, afirma, aceitaram dividir os prejuízos do tarifaço com os produtores cearenses para minimizar os impactos para ambos.

“Como eles [os EUA] têm uma margem de lucro muito grande, dividiram o prejuízo, porque as grandes empresas já possuem clientes certos, contratos de fidelidade e logística. Eles se prepararam para exportar cerca de 300 toneladas mensais ao longo do ano”, disse, em entrevista ao Diário do Nordeste.

Os acordos na cadeia produtiva do mel acontecem independentemente das medidas anunciadas pelo Governo do Ceará, como a compra de alimentos por supermercados, e das ações Governo Federal, cujos anúncios foram feitos nesta quarta-feira (13).

Pequenos produtores serão os mais impactados pela redução do lucro
A redução do lucro, contudo, terá impacto na cadeia produtiva do mel local, afetando diretamente os apicultores de pequeno e médio porte do Ceará, como frisa Joventino Neto.

Segundo ele, como a maioria dos 70 mil produtores cearenses não é associada a uma cooperativa, os lucros devem ser ainda mais reduzidos em virtude da renegociação entre exportadores e importadores.

“Estou querendo abrir uma cooperativa aqui no Ceará para podermos exportar igual à Casa Ápis (em Picos, no Piauí), e a forma que eles encontraram foi dividir o prejuízo. Quando chega lá, eles fazem um acordo verbal e dividem os prejuízos”, diz.

“Vai baixar em mais ou menos à metade o lucro. Isso, na verdade, vai para as costas dos pequenos apicultores, porque os atravessadores sempre ganham mais”, completa.

Estados Unidos consomem mais de 90% do mel cearense exportado
O Ceará exportou para os Estados Unidos 1,55 mil tonelada de mel de janeiro a julho deste ano, antes de o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump entrar em vigor. Os dados são do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Ainda conforme esses dados, esse número representa 95% das exportações cearenses de mel de abelha em 2025. Foram US$ 5,3 milhões (R$ 28,6 milhões na conversão atual) comprados pelos EUA.

Além dos Estados Unidos, o mel cearense também terá como foco, neste ano, a Europa. Em 2025, Itália e Reino Unido compraram o produto do Ceará, mesmo que em quantidade muito menor.

O resultado demonstra que o mel cearense ganhou o mercado norte-americano, uma vez que o consumo no Brasil ainda é baixo, na comparação com Estados Unidos e Europa.

Fonte: Diário do Nordeste

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