Internacional

Justiça dos EUA considera ilegal tarifa global de 10% imposta por Trump

Uma corte federal de comércio dos Estados Unidos decidiu que a tarifa global de 10% criada pelo presidente Donald Trump sobre a maior parte das importações norte-americanas foi aplicada de forma ilegal. A decisão representa mais um revés jurídico para a estratégia comercial da Casa Branca, que tenta ampliar a política de tarifas comerciais sem autorização direta do Congresso.

A sentença foi emitida nesta quinta-feira por um painel do Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, que concluiu que Trump utilizou indevidamente uma legislação comercial antiga para justificar a cobrança das taxas iniciadas em fevereiro.

Tribunal limita poder tarifário de Trump

A decisão estabelece novos limites temporários para os poderes comerciais do presidente norte-americano. Nos últimos meses, Trump vinha utilizando as tarifas como ferramenta para renegociar relações econômicas internacionais, aumentar arrecadação e incentivar empresas a produzirem dentro dos Estados Unidos.

Embora a corte tenha considerado as tarifas ilegais, a suspensão da cobrança vale, neste momento, apenas para pequenas empresas e estados que participaram diretamente do processo judicial. Ainda não está claro como o governo interpretará a decisão, mas a expectativa é de recurso imediato.

Encontro com China pode ser impactado

O julgamento ocorre poucos dias antes da viagem de Trump à China, onde o presidente norte-americano deverá se reunir com Xi Jinping para discutir questões comerciais.

Analistas avaliam que a decisão judicial pode enfraquecer a posição de negociação dos Estados Unidos, já que as tarifas de importação seriam um dos principais temas do encontro diplomático.

Além disso, cresce a possibilidade de o governo precisar devolver bilhões de dólares arrecadados com as cobranças consideradas ilegais. Atualmente, já existe um processo de reembolso relacionado a cerca de US$ 166 bilhões arrecadados em tarifas anteriores implementadas por Trump.

Lei usada por Trump virou alvo de disputa judicial

Após a Suprema Corte invalidar um pacote anterior de tarifas em fevereiro, o governo norte-americano recorreu à chamada Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. O dispositivo permite a aplicação temporária de tarifas de até 15% por um período máximo de 150 dias em situações relacionadas a desequilíbrios econômicos internacionais.

O problema, segundo os autores da ação, é que a legislação foi criada em um contexto histórico específico, quando o dólar ainda era vinculado ao ouro. Estados e pequenos empresários argumentaram que a situação econômica atual não atende aos critérios previstos na lei.

Juízes apontam excesso de poder presidencial

Na decisão de 53 páginas, dois dos três magistrados entenderam que Trump ultrapassou os limites legais ao utilizar a Seção 122.

Os juízes destacaram que o histórico legislativo demonstra esforços do Congresso para restringir o poder presidencial em temas comerciais.

Jeffrey Schwab, diretor jurídico do Liberty Justice Center, grupo responsável por representar pequenas empresas no processo, afirmou que a lei foi criada para responder a uma crise econômica específica que não se aplica ao cenário atual.

Governo já prepara novas tarifas

Apesar da derrota judicial, a administração Trump já trabalha em novas alternativas para manter sua política tarifária.

O governo abriu duas investigações comerciais com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Uma delas trata de produtos fabricados com trabalho forçado; a outra envolve a capacidade industrial de outros países.

Especialistas afirmam que essas novas medidas podem resultar em outro pacote de tarifas comerciais a partir de julho.

Segundo o advogado Timothy Brightbill, especialista em comércio internacional, a decisão representa uma rejeição contundente ao uso da Seção 122 pelo governo. Ainda assim, ele acredita que a Casa Branca recorrerá da sentença e continuará buscando novas formas legais para ampliar as tarifas.

FONTE: The New York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tom Brenner for The New York Times

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Internacional

Trump e Lula se reúnem na Casa Branca após meses de tensão diplomática

Os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva participaram nesta quinta-feira de um encontro na Casa Branca marcado por tentativas de aproximação após um período de forte desgaste nas relações entre Brasil e Estados Unidos. O encontro ocorreu em meio a uma trégua considerada delicada, depois de meses de disputas envolvendo tarifas comerciais, críticas públicas e divergências políticas.

Apesar da expectativa de uma aparição conjunta para a imprensa, a agenda prevista foi cancelada sem explicações oficiais. Após cerca de três horas de reunião, Trump afirmou em suas redes sociais que o encontro “foi muito bom” e classificou Lula como “muito dinâmico”, sem detalhar os principais temas discutidos.

Relação entre Brasil e Estados Unidos passa por reaproximação

Após o encontro, Lula avaliou a reunião de forma positiva durante declaração na Embaixada do Brasil em Washington. Segundo o presidente brasileiro, houve um avanço importante na consolidação das relações históricas e democráticas entre os dois países.

O chefe do Executivo brasileiro destacou ainda que as duas maiores democracias do hemisfério ocidental podem servir de exemplo internacional. Entre os assuntos debatidos, Lula citou comércio internacional, combate ao crime organizado e exploração de minerais críticos.

Tarifas e caso Bolsonaro aumentaram tensão diplomática

Nos últimos meses, a relação entre Washington e Brasília foi marcada por episódios de instabilidade. Trump chegou a impor tarifas sobre produtos brasileiros em uma tentativa de pressionar o Brasil a interromper ações judiciais contra Jair Bolsonaro, aliado político do republicano.

Bolsonaro acabou condenado por participação em uma tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral para Lula. Além das tarifas, Trump também aplicou sanções contra um ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pelo caso.

O governo brasileiro reagiu classificando as medidas como interferência na soberania nacional. Posteriormente, parte das tarifas sobre exportações brasileiras foi suspensa pelo governo norte-americano, reduzindo a tensão entre os países.

Segurança pública e facções criminosas entraram na pauta

Outro tema relevante da reunião envolveu a possibilidade de os Estados Unidos classificarem as duas maiores facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A proposta ganhou força após articulação de filhos de Bolsonaro, entre eles Flávio Bolsonaro, que disputa a presidência.

A segurança pública deve ser um dos principais assuntos das eleições brasileiras de outubro, cenário em que Lula e Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas.

Especialistas avaliam que uma eventual classificação poderia ampliar o debate sobre criminalidade no Brasil e beneficiar politicamente Bolsonaro, crítico da atual política de segurança do governo federal.

Segundo Lula, o Brasil propôs aos Estados Unidos a criação de um grupo de trabalho envolvendo países sul-americanos para enfrentar o crime organizado de forma conjunta.

Minerais críticos ampliam disputa geopolítica

A reunião também abordou o interesse norte-americano em firmar acordos relacionados à produção de minerais críticos, recursos considerados estratégicos para tecnologia, indústria e defesa militar.

Os Estados Unidos buscam reduzir a dependência da China, hoje líder global no setor. O Brasil possui uma das maiores reservas desses minerais e vem sendo pressionado a ampliar parcerias comerciais com Washington.

No entanto, o governo Lula demonstra resistência a acordos exclusivos, defendendo autonomia para negociar com diferentes mercados internacionais.

Analistas apontam que a disputa por minerais críticos ganhou ainda mais importância diante das tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

Lula reforça soberania brasileira durante encontro

Durante conversa com jornalistas, Lula afirmou que o Brasil está disposto a negociar temas comerciais e diplomáticos, mas não aceitará interferências externas em assuntos internos ou ameaças à democracia brasileira.

O presidente também comentou, em tom descontraído, que brincou com Trump sobre a possibilidade de jogadores brasileiros terem problemas com vistos para disputar a próxima Copa do Mundo nos Estados Unidos.

Segundo Lula, Trump apenas riu da observação.

FONTE: The New York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Haiyun Jiang/The New York Times

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Exportação

Exportações do Brasil aos EUA caem para menos de 10% e acendem alerta comercial

Pela primeira vez em cerca de dois séculos, a participação dos Estados Unidos nas exportações do Brasil deve ficar abaixo de 10%. O movimento reflete mudanças no cenário global e, sobretudo, o impacto de medidas tarifárias e incertezas nas relações bilaterais.

Tensões comerciais geram instabilidade

A relação entre Brasil e Estados Unidos tem sido marcada por episódios de instabilidade tarifária. Investigações comerciais abertas pelo governo norte-americano ampliaram o alcance de possíveis sanções, abrangendo temas como comércio digital, propriedade intelectual, etanol e até desmatamento.

A amplitude dessas medidas aumenta a insegurança entre exportadores, que enfrentam dificuldades para planejar investimentos e contratos de longo prazo.

Tarifas e mudanças frequentes afetam exportações

Nos últimos meses, decisões unilaterais alteraram o ambiente comercial. Em 2025, tarifas adicionais chegaram a atingir produtos brasileiros, com posterior revisão parcial que excluiu itens agrícolas.

Já em 2026, novas medidas foram adotadas com base em legislações distintas, mantendo o cenário de incerteza. Esse “vai e vem” regulatório impacta diretamente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.

Empresas buscam diversificação de mercados

Diante desse contexto, empresas brasileiras têm intensificado a busca por novos destinos. Setores como o de móveis já ampliam sua presença na Europa e em mercados emergentes, reduzindo a dependência dos Estados Unidos.

A estratégia segue uma lógica comum no comércio internacional: priorizar previsibilidade, estabilidade regulatória e segurança contratual.

Histórico mostra mudança de parceiros

O Brasil já passou por situações semelhantes no passado. A Argentina, por exemplo, foi por muitos anos um dos principais destinos da indústria brasileira, mas perdeu relevância devido a barreiras comerciais e instabilidade econômica.

Esse histórico reforça a tendência de diversificação como resposta a ambientes menos previsíveis.

Impactos vão além do comércio direto

As tensões também afetam cadeias produtivas integradas, especialmente no chamado comércio intrafirma, no qual empresas operam com unidades em diferentes países. Nesse modelo, mudanças tarifárias elevam custos e afetam tanto empresas brasileiras quanto norte-americanas.

Autonomia comercial é característica histórica

A política externa brasileira tradicionalmente evita alinhamentos automáticos, buscando diversificar parceiros e manter autonomia nas decisões econômicas. Esse posicionamento reflete a estrutura de um país com forte presença em diferentes mercados globais, incluindo Ásia, Europa e outras regiões das Américas.

Relação pode perder relevância

Especialistas apontam que o uso recorrente de tarifas comerciais tende a reduzir a importância relativa dos Estados Unidos como parceiro do Brasil. Em vez de gerar concessões, as medidas podem acelerar a reconfiguração das cadeias de comércio.

No longo prazo, isso pode resultar em menor influência econômica e perda de espaço no mercado brasileiro.

FONTE: Brasil Agro
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images Reprodução Blog BBC News Brasil

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Internacional

Acordo Mercosul-UE é considerado “muito positivo” por ministro da França

O ministro delegado para o Comércio Exterior da França, Nicolas Forissier, afirmou que o acordo Mercosul-União Europeia representa um avanço importante para as relações comerciais entre os blocos. A declaração foi feita na terça-feira (28 de abril de 2026).

Segundo o ministro, o tratado é “muito positivo” para países europeus e sul-americanos, incluindo a própria França, apesar das divergências políticas registradas anteriormente.

França manteve oposição inicial

Mesmo com a avaliação favorável, a França esteve entre os países que se posicionaram contra o acordo, seguindo orientação do presidente Emmanuel Macron. O posicionamento, no entanto, não foi direcionado aos países do Mercosul, mas sim a pontos específicos do tratado.

Forissier explicou que a resistência francesa teve como objetivo pressionar por ajustes em setores considerados sensíveis, principalmente ligados à proteção econômica interna.

Exigências para produtos do Mercosul

Um dos principais pontos levantados pelo governo francês é a necessidade de que produtos exportados pelos países do Mercosul atendam aos mesmos critérios exigidos dos produtores europeus.

A medida busca garantir equilíbrio nas relações comerciais e evitar distorções competitivas, especialmente no setor agrícola.

Entrada em vigor e adesão dos países

O acordo Mercosul-UE foi assinado em janeiro de 2026, em Assunção, no Paraguai, e começou a vigorar de forma provisória em 1º de maio do mesmo ano.

No Brasil, a promulgação do tratado foi formalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia oficial no Palácio do Planalto.

Estratégia de diversificação comercial

De acordo com o ministro francês, o acordo faz parte de uma estratégia mais ampla da União Europeia para ampliar e diversificar suas parcerias comerciais. Negociações recentes com países como Índia e Austrália também seguem essa linha.

A ampliação de mercados é vista como essencial para fortalecer a competitividade das empresas europeias no cenário global.

Acordo será analisado pela Justiça europeia

Apesar da implementação provisória, o Parlamento Europeu decidiu encaminhar o tratado para avaliação judicial. O objetivo é verificar se as regras estabelecidas preservam o equilíbrio comercial entre os blocos.

A análise deve durar cerca de dois anos. Enquanto isso, a redução gradual de tarifas prevista no acordo seguirá em vigor.

Perspectivas para o comércio internacional

O avanço do acordo reforça a importância do comércio internacional, da integração econômica e da redução de barreiras tarifárias como ferramentas para estimular o crescimento econômico.

Ao mesmo tempo, o debate sobre regras, exigências e equilíbrio competitivo continua sendo um ponto central nas relações entre Mercosul e União Europeia.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Internacional

Déficit comercial dos EUA cresce com alta das importações e exportações recordes

O déficit comercial dos Estados Unidos voltou a avançar em fevereiro, refletindo o aumento das importações mesmo diante de um desempenho histórico das exportações. O resultado reforça a pressão do setor externo sobre o crescimento econômico no início de 2026.

Déficit aumenta e surpreende projeções

De acordo com dados divulgados pelo Departamento de Comércio, o saldo negativo da balança comercial dos EUA subiu 4,9% em fevereiro, totalizando US$ 57,3 bilhões.

O número veio acima do registrado em janeiro, que foi revisado para US$ 54,7 bilhões. Ainda assim, o resultado ficou abaixo da expectativa de analistas do mercado, que projetavam um déficit maior, na casa de US$ 61 bilhões.

Exportações atingem nível histórico

Mesmo com o aumento do déficit, o desempenho das exportações americanas foi destaque. Em fevereiro, as vendas externas cresceram 4,2%, alcançando um recorde de US$ 314,8 bilhões.

O avanço reflete a demanda internacional aquecida por produtos dos Estados Unidos, embora não tenha sido suficiente para compensar o ritmo das importações.

Importações avançam e pressionam balança comercial

As importações também registraram crescimento relevante no período, subindo 4,3% e atingindo US$ 372,1 bilhões.

Esse movimento foi determinante para o aumento do déficit, indicando maior consumo interno e dependência de produtos estrangeiros — fatores que tendem a ampliar o desequilíbrio comercial.

Instabilidade política e impacto nas estatísticas

Os dados recentes ainda refletem um cenário de instabilidade. Órgãos oficiais seguem ajustando atrasos na divulgação de indicadores, provocados por paralisações administrativas anteriores.

Além disso, mudanças nas políticas comerciais dos EUA têm contribuído para a volatilidade dos números. Decisões judiciais e medidas tarifárias recentes alteraram o fluxo de comércio internacional.

Tarifas e tensões comerciais seguem no radar

Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidou tarifas implementadas anteriormente com base em legislação emergencial. Como resposta, o governo anunciou uma nova tarifa global temporária, válida por até 150 dias.

A política tarifária tem sido defendida como instrumento para reduzir o déficit comercial e fortalecer a indústria nacional. No entanto, o setor manufatureiro acumula perdas de empregos desde 2025, o que levanta dúvidas sobre a eficácia dessas medidas.

Conflitos geopolíticos podem afetar o comércio global

O cenário internacional também adiciona incertezas. Analistas apontam que a escalada de conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pode impactar o fluxo global de mercadorias.

As restrições no transporte de energia e fertilizantes pelo Estreito de Ormuz tendem a reduzir volumes de comércio e pressionar custos logísticos, com possíveis reflexos na economia americana e mundial.

Perspectivas para o crescimento econômico

Com importações em alta e exportações fortes, o comércio exterior deve continuar exercendo influência sobre o desempenho do PIB dos EUA no primeiro trimestre.

O comportamento da balança comercial, aliado a fatores geopolíticos e decisões de política econômica, será determinante para o ritmo de crescimento nos próximos meses.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Mike Blake

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Comércio Internacional

Acordo comercial entre Argentina e EUA amplia acesso a mercados e fortalece aliança política

A Argentina e os Estados Unidos firmaram nesta quinta-feira um amplo acordo comercial, considerado histórico por especialistas e visto como uma vitória política do presidente argentino Javier Milei. O entendimento aprofunda a relação bilateral com o presidente Donald Trump e marca a primeira vez que os dois países assinam um pacto dessa dimensão.

O acordo está alinhado à estratégia do governo Milei de promover a abertura da economia argentina, a terceira maior da América do Sul, por meio da redução de tarifas recíprocas e da ampliação das exportações argentinas, com destaque para a carne bovina.

Redução de tarifas e estímulo a investimentos

Segundo o chanceler argentino Pablo Quirno, os Estados Unidos eliminarão tarifas para mais de 1.600 produtos argentinos, medida que também busca atrair maior investimento americano no país, prioridade do atual governo para impulsionar o crescimento econômico e reforçar a entrada de dólares.

“Hoje, a Argentina enviou uma mensagem clara ao mundo: somos um parceiro confiável”, afirmou Quirno em publicação nas redes sociais.

Do lado argentino, o acordo prevê a eliminação de tarifas para mais de 200 produtos norte-americanos, incluindo máquinas, equipamentos de transporte e insumos farmacêuticos e químicos, informou o Ministério das Relações Exteriores. O movimento, no entanto, gera apreensão entre industriais argentinos, tradicionalmente protegidos por barreiras comerciais, enquanto defensores do livre mercado avaliam que a abertura é necessária.

Carne bovina no centro das atenções

Um dos pontos mais sensíveis do acordo é a ampliação do acesso da carne argentina ao mercado dos EUA. A cota de exportação foi elevada para 100 mil toneladas, volume cinco vezes maior que o anterior. O presidente Trump afirmou que a medida tem como objetivo reduzir os preços da carne para os consumidores americanos.

A decisão, porém, provocou reação negativa entre pecuaristas dos Estados Unidos. Para Bill Bullard, diretor executivo da R-Calf USA, associação que representa criadores americanos, a medida pode atrasar a recuperação do rebanho doméstico.

Impacto político e geopolítico

Analistas avaliam que o acordo vai além do comércio. Para o consultor argentino Marcelo Elizondo, o entendimento tem peso também no campo geopolítico, reforçando a aproximação entre os governos Milei e Trump. Ele lembrou ainda o apoio financeiro de cerca de US$ 20 bilhões concedido pelos EUA à Argentina antes das eleições legislativas do ano passado.

O governo argentino deverá encaminhar ao Congresso um projeto de lei para ratificação do acordo, exigência constitucional. Com a maioria conquistada nas eleições de meio de mandato, Milei tem posição fortalecida no Parlamento e pretende avançar com pautas estratégicas, como uma ampla reforma trabalhista.

Mercosul, União Europeia e tensões regionais

Paralelamente, o Congresso argentino deve discutir o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que poderá criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. A implementação, no entanto, segue travada por entraves jurídicos no continente europeu.

A assinatura do acordo com os EUA sem a participação dos demais países do Mercosul pode gerar atritos adicionais com o Brasil. Segundo Elizondo, a decisão tende a aprofundar o desgaste na relação entre Milei e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Cooperação ampliada entre os governos

A aproximação entre Buenos Aires e Washington também se estende a outras áreas. Nesta semana, os dois países assinaram um acordo sobre minerais críticos e negociam um entendimento que permitiria aos EUA deportar estrangeiros para a Argentina.

Dentro desse contexto, Milei é visto como um aliado estratégico de Trump na tentativa de ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina e conter o avanço da China na região. O presidente argentino deve viajar nos próximos dias para a Flórida, onde participará de um evento privado na residência de Trump, em Mar-a-Lago.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Doug Mills/The New York Times

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Comércio Internacional

Parlamento Europeu avalia congelar acordo comercial com EUA após ameaças de Trump

O Parlamento Europeu deve avançar para o congelamento do acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos, firmado no ano passado. A sinalização foi feita por líderes parlamentares europeus nesta terça-feira (20), como resposta direta às recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, envolvendo a possível anexação da Groenlândia.

Consenso político para suspender acordo UE–EUA

De acordo com a presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) no Parlamento Europeu, Iratxe García Pérez, há um entendimento majoritário entre os grupos políticos da Casa para levar adiante a suspensão do tratado. A expectativa é que a votação formal ocorra na quarta-feira (21).

A medida é tratada como uma retaliação às ameaças feitas por Trump, que associou o tema da Groenlândia à imposição de tarifas comerciais contra países europeus.

Ameaças tarifárias e reação europeia

Nesta semana, Trump afirmou que pretende aplicar uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países da Europa caso haja oposição ao plano dos Estados Unidos de adquirir o território autônomo ligado à Dinamarca.

A reação foi imediata. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou a estratégia americana como “chantagem”, afirmando que Washington estaria usando ameaças econômicas para impor “concessões injustificáveis”. Segundo ele, a Comissão Europeia dispõe de instrumentos robustos para responder a esse tipo de pressão.

Termos do acordo e riscos da suspensão

O acordo comercial UE–EUA, assinado em julho do ano passado, previa a aplicação de tarifas de 15% pelos Estados Unidos sobre a maioria dos produtos europeus, enquanto a União Europeia concordou em reduzir parte das taxas sobre importações americanas.

O tratado, no entanto, ainda não havia entrado em vigor. A implementação estava prevista para os meses de março e abril deste ano, condicionada à aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos nacionais do bloco.

Com o congelamento, a UE volta a considerar a adoção de tarifas retaliatórias, que podem chegar a 93 bilhões de euros (aproximadamente R$ 580 bilhões), além da possibilidade de restringir o acesso de empresas americanas ao mercado europeu.

Groenlândia no centro da crise diplomática

Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que pressões comerciais entre aliados estratégicos representam um erro grave.

Trump tem intensificado declarações sobre a Groenlândia nas últimas semanas, alegando que a ilha é essencial para a segurança nacional dos EUA. Além de ser uma rota estratégica no Ártico e uma área rica em matérias-primas críticas, o território é considerado central para o chamado Domo de Ouro, um sistema de defesa antimísseis que o presidente norte-americano pretende construir.

Europa reforça segurança no Ártico

Em resposta, países europeus anunciaram o reforço da segurança no Ártico, incluindo o envio de contingentes militares à Groenlândia a pedido da Dinamarca. Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda reafirmaram o compromisso com a defesa do território no âmbito da Otan.

O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio. A crise também gerou protestos populares, com manifestações registradas no último fim de semana tanto na ilha quanto em Copenhague contra a intenção de anexação anunciada por Trump.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Evelyn Hockstein

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Comércio Internacional

Pré-mercado hoje: tensão nos mercados com nova escalada da guerra de tarifas

A semana começa com ritmo mais lento nos mercados globais por conta do feriado nos Estados Unidos, que celebra o Dia de Martin Luther King. As bolsas americanas não operam, mas os contratos futuros dos principais índices seguem ativos e apontam queda, refletindo a crescente apreensão dos investidores diante de uma possível intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e União Europeia.

Feriado nos EUA reduz liquidez, mas não afasta volatilidade

Com os pregões fechados em Nova York, o volume de negócios tende a ser menor, o que costuma aumentar a volatilidade. Mesmo assim, o sentimento predominante no pré-mercado é de cautela, alimentado por novas ameaças tarifárias feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no fim de semana.

Trump ameaça ampliar tarifas contra países europeus

No sábado (17), Trump declarou que pretende ampliar as tarifas comerciais aplicadas a países da União Europeia caso não haja um acordo que permita aos Estados Unidos a compra da Groenlândia. Segundo ele, taxas adicionais de 10% passariam a valer a partir de 1º de fevereiro sobre produtos importados de Alemanha, França, Reino Unido, Dinamarca, Noruega, Suécia, Holanda e Finlândia.

Ainda de acordo com o presidente americano, se não houver avanço nas negociações, as tarifas podem subir para 25% a partir de 1º de junho. A declaração surpreende, já que a UE e o Reino Unido haviam firmado acordos comerciais com os EUA no ano anterior.

União Europeia reage e estuda medidas inéditas

No domingo (18), o discurso ganhou tom mais duro. Lideranças dos principais países da UE classificaram as ameaças como chantagem econômica. A França defendeu uma resposta firme e chegou a sugerir o uso de instrumentos econômicos ainda não testados pelo bloco.

Entre as opções em estudo está a retomada de um pacote de tarifas sobre US$ 108 bilhões em exportações americanas para a Europa, que havia sido suspenso por seis meses em agosto de 2025. Também está no radar o chamado Instrumento Anticoerção, que pode atingir setores de serviços e investimentos dos Estados Unidos.

Davos deve ser palco de tensão diplomática

O aumento das ameaças comerciais ocorre às vésperas do Fórum Econômico Mundial, que começa nesta segunda-feira em Davos, na Suíça. O evento reúne líderes globais e contará com uma delegação expressiva dos EUA, liderada pelo próprio Trump, o que eleva a expectativa por novos embates diplomáticos.

Mercados reagem com cautela: câmbio, metais e petróleo

A reação inicial dos mercados financeiros foi moderada, mas indica maior desconfiança. O euro se recuperou de uma mínima de sete semanas e avançou 0,3%, sendo negociado a US$ 1,1628. Os metais preciosos também ganharam força: o ouro subiu 1,6%, alcançando US$ 4.689 por onça-troy, enquanto a prata chegou a tocar US$ 94,08.

Já o petróleo operou em leve queda, pressionado pelo temor de enfraquecimento da demanda caso a guerra comercial se intensifique. O Brent recuou 1%, para US$ 63,47 o barril, e o WTI caiu na mesma proporção, para US$ 58,86.

Perspectivas para o mercado

A tendência para o dia é de desempenho negativo nos mercados acionários, diante do aumento da tensão comercial entre Estados Unidos e União Europeia. O feriado americano, no entanto, deve limitar o volume de negociações, elevando a volatilidade, mas reduzindo o impacto imediato dos movimentos.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Forbes

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Internacional

Suprema Corte dos EUA pode decidir já nesta sexta sobre tarifas impostas por Trump

A Suprema Corte dos Estados Unidos pode divulgar já nesta sexta-feira uma decisão crucial sobre as tarifas globais impostas por Donald Trump, tema que está no centro de um dos processos mais sensíveis do atual cenário político e econômico americano.

Sexta-feira marca primeira chance de decisão

O tribunal agendou a sexta-feira como dia de divulgação de decisões, o que sinaliza a primeira oportunidade para um possível veredito sobre o pacote tarifário adotado pelo presidente. Embora a Corte não antecipe quais julgamentos serão publicados, decisões podem ser anunciadas sempre que os ministros se reúnem em plenário, a partir das 10h (horário de Washington).

A expectativa em torno do caso cresce diante da tramitação acelerada adotada pelos magistrados, o que reforça a possibilidade de uma decisão sobre tarifas comerciais já nos próximos dias.

Caso pode atingir principal política econômica de Trump

Uma eventual derrota de Trump no julgamento enfraqueceria sua principal bandeira econômica e representaria a maior derrota jurídica desde seu retorno à Casa Branca. O processo questiona as chamadas tarifas do “Dia da Libertação”, anunciadas em 2 de abril, que estabeleceram alíquotas entre 10% e 50% sobre a maioria das importações.

Além disso, estão sob análise as tarifas específicas aplicadas a Canadá, México e China, justificadas pelo governo como medidas para combater o tráfico de fentanil.

Autoridade presidencial é alvo de questionamento

Durante as audiências realizadas em 5 de novembro, os ministros demonstraram ceticismo quanto à autoridade do presidente para impor tarifas com base em uma lei de 1977, que concede poderes especiais apenas em situações de emergência nacional.

Trump, por sua vez, defendeu publicamente sua atuação. Em conversa com parlamentares republicanos, afirmou esperar que a Suprema Corte “faça o que é certo para o país” e reforçou que o presidente precisa ter liberdade para negociar tarifas.

Outros casos relevantes na pauta da Suprema Corte

Além do tema comercial, a Corte pode se pronunciar sobre um importante processo de redistritamento eleitoral, que pode influenciar o controle do Congresso nas eleições legislativas deste ano. Os ministros avaliam limitar de forma significativa o uso da Lei dos Direitos ao Voto para a criação de distritos eleitorais com maioria negra ou hispânica.

O anúncio do calendário ocorre com o retorno dos magistrados após um recesso de quatro semanas.

Agenda inclui temas sociais e políticos sensíveis

Nas próximas duas semanas, novos dias de divulgação de decisões podem ser incluídos. Na terça-feira, a Suprema Corte analisará leis estaduais que proíbem meninas e mulheres transgênero de competirem em equipes esportivas femininas nas escolas.

Já em 21 de janeiro, o tribunal avaliará a tentativa de Trump de demitir a diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, acusada pelo presidente de fraude hipotecária — acusações que ela nega.

FONTE: gCaptain
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/REUTERS/Kevin Lamarque

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE divide Europa e enfrenta resistência da França

Em meio a divergências internas, Alemanha e Espanha intensificaram a pressão para que a União Europeia avance na aprovação do acordo Mercosul-UE. Nesta quinta-feira (18), o chanceler alemão Friedrich Merz e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez pediram apoio dos líderes europeus para a assinatura do tratado de livre comércio com o bloco sul-americano. A iniciativa, no entanto, encontra forte resistência da França, que afirma que o pacto ainda não reúne condições para ser concluído.

Negociado há aproximadamente 25 anos, o acordo entre Mercosul e União Europeia é considerado o maior da UE em termos de redução de tarifas comerciais, com potencial impacto significativo nas relações econômicas globais do bloco.

Redução da dependência da China e reação às tarifas dos EUA

Países como Alemanha, Espanha e nações nórdicas avaliam que o tratado pode fortalecer as exportações europeias, especialmente diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, além de diminuir a dependência estratégica da China. O acesso facilitado a minerais estratégicos também é visto como um ganho relevante.

Para Sánchez, o acordo é essencial para ampliar a influência da Europa no cenário internacional. Segundo ele, trata-se de um passo necessário para reforçar o peso geoeconômico e geopolítico da UE em um momento de tensão global, tanto com adversários declarados quanto com aliados tradicionais. Merz reforçou o argumento ao afirmar que a credibilidade da política comercial europeia depende de decisões imediatas.

Resistência de agricultores e impasse político

Apesar do apoio de parte dos governos, o pacto enfrenta críticas de setores agrícolas europeus, que temem a entrada de commodities mais baratas, prejudicando produtores locais. A Comissão Europeia, presidida por Ursula von der Leyen, está disposta a viajar ao Brasil para formalizar o acordo fechado no ano passado com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

No entanto, a aprovação exige maioria qualificada: o apoio de pelo menos 15 países, que representem 65% da população da UE. Atualmente, Polônia e Hungria se posicionam contra, enquanto França e Itália demonstram preocupação com o impacto do aumento das importações de carne bovina, açúcar, aves e outros produtos agrícolas.

Macron afirma que “a França não está pronta”

Maior produtor de carne bovina da União Europeia, o presidente francês Emmanuel Macron reiterou que o país não considera o acordo viável neste momento. Segundo ele, os números apresentados não justificam a assinatura e há articulações com Polônia, Bélgica, Áustria e Irlanda para adiar a decisão.

Mesmo com um acordo provisório firmado entre parlamentares e governos europeus para criar salvaguardas que limitem a importação de produtos agrícolas sensíveis, Macron insiste na necessidade de reciprocidade. Ele defende que itens produzidos com pesticidas proibidos na UE, por exemplo, não tenham acesso ao mercado europeu.

Protestos tomam as ruas de Bruxelas

Enquanto as discussões avançavam dentro da cúpula, manifestações ganharam as ruas de Bruxelas. Cerca de 150 tratores bloquearam vias próximas ao local do encontro e ao Parlamento Europeu. Agricultores lançaram fogos de artifício e batatas contra a polícia, em protesto contra o acordo.

Faixas exibidas nos tratores questionavam a importação de produtos estrangeiros e pediam o fim das negociações com o Mercosul. Diante da mobilização, a polícia montou barreiras, fechou túneis e deixou tropas de choque e canhões de água em prontidão.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Yves Herman

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