Exportadores agrícolas

Exportações agrícolas do Brasil podem enfrentar novas restrições da União Europeia

As exportações agrícolas brasileiras para a União Europeia (UE) podem enfrentar novas barreiras caso o bloco avance com uma proposta de endurecimento das regras para resíduos de determinados pesticidas considerados de maior risco.

A iniciativa prevê reduzir a níveis técnicos próximos de zero os Níveis Máximos de Resíduos (MRLs) permitidos para algumas substâncias não autorizadas na UE. Na prática, a medida poderia dificultar a entrada de produtos agrícolas de países como o Brasil no mercado europeu.

Um estudo do Joint Research Centre (JRC), serviço científico da Comissão Europeia, aponta o Brasil entre os países potencialmente mais expostos. Em 2025, o país exportou mais de 18 bilhões de euros em produtos agrícolas para o bloco.

Nova regra europeia mira resíduos de pesticidas

Atualmente, a legislação europeia permite a presença de determinados resíduos de pesticidas não autorizados no bloco quando os níveis encontrados não representam risco ao consumidor.

A proposta apresentada pela Comissão Europeia em dezembro de 2025 pretende alterar esse mecanismo para algumas substâncias classificadas como de maior perigo. A ideia é reduzir seus limites de resíduos ao chamado limite de quantificação (LOQ), o que, na prática, pode impedir a comercialização de produtos que utilizem determinados agroquímicos.

A discussão ocorre paralelamente no Parlamento Europeu e entre os Estados-membros. Os 27 países ainda não chegaram a um consenso, e a expectativa é de que uma proposta de compromisso seja apresentada em setembro pela Irlanda, que exerce a presidência rotativa do bloco.

A mudança também ocorre em um contexto de pressão de produtores europeus contrários ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.

Estudo aponta possível impacto sobre preços e comércio

O levantamento europeu avaliou os efeitos econômicos de três possíveis cenários.

No cenário mais severo, em que os países exportadores não alteram suas práticas agrícolas e perdem acesso ao mercado europeu, as importações agrícolas da UE poderiam cair 41% em volume.

Os impactos seriam particularmente fortes sobre:

  • Frutas cítricas: queda de 92% nas importações;
  • Soja: redução de 90%;
  • Café: alta potencial de 332% nos preços ao consumidor;
  • Bagaço de soja: aumento de até 105%;
  • Frutas cítricas: alta de até 85%.

A produção agrícola europeia cresceria apenas 1,1%, enquanto setores da produção pecuária poderiam ser prejudicados pelo encarecimento da ração. A produção de carne suína, por exemplo, poderia recuar 5,8%, enquanto a de aves cairia 5,4%.

Adaptação dos produtores reduz os efeitos

Em um cenário intermediário, no qual os produtores fazem apenas parte das adaptações necessárias, as importações agrícolas europeias diminuiriam 8%.

Os preços ao consumidor também subiriam, mas em proporções menores. As maiores altas estimadas seriam de 6,5% para uvas de mesa, 6% para café e 5,6% para frutas cítricas.

Já em um cenário de adaptação mais ampla, com parte dos produtores modificando seus métodos e custos de exportação para a UE aumentando 5%, a redução das importações agrícolas seria de apenas 0,4%.

Nesse caso, os impactos sobre a produção europeia e os preços ao consumidor permaneceriam abaixo de 1%.

Brasil aparece entre os países mais expostos

O estudo destaca que o impacto econômico não seria uniforme entre os países. Embora a produção agrícola doméstica de algumas nações não esteja diretamente muito exposta, setores dependentes da exportação de commodities que utilizam os pesticidas sob análise podem sofrer consequências relevantes.

Brasil, Turquia, Marrocos, Colômbia e Ucrânia estão entre os países apontados como mais vulneráveis.

No caso brasileiro, 52,8% das exportações para a União Europeia dos produtos agrícolas analisados têm o bloco como destino, segundo o levantamento.

Ao todo, o estudo identifica 30 países potencialmente expostos, divididos em três grupos:

Países dependentes das exportações: Bósnia e Herzegovina, Marrocos, Uruguai, Benin, Camarões, Moldávia, Reino Unido, Ucrânia, Macedônia do Norte, Sérvia, Panamá, Suriname, Colômbia, Turquia, Senegal e Brasil.

Países dependentes da produção: Peru, Equador e Costa Rica.

Países com valor de exportação em risco: Estados Unidos, Vietnã, Chile, China, Canadá, África do Sul, Israel, Costa do Marfim, República Dominicana, Tunísia e Belize.

Soja brasileira pode ser um dos setores mais afetados

A soja brasileira recebeu atenção especial na análise do JRC. A União Europeia depende fortemente das importações da commodity, utilizada principalmente na alimentação animal, e o Brasil responde por quase metade do fornecimento de soja destinado ao bloco.

Das 18 substâncias ativas avaliadas no estudo, resíduos de quatro foram identificados em soja e farelo de soja importados do Brasil. Três delas são autorizadas para utilização na produção brasileira de soja.

Caso o Brasil não faça nenhuma adaptação às exigências europeias, o estudo estima uma redução de 95% nas importações de soja brasileira pela UE, equivalente a aproximadamente 591 mil toneladas.

Com uma adaptação parcial dos produtores, a queda seria reduzida para cerca de 30%, mas haveria um custo adicional estimado em 20% para modificar as práticas produtivas.

Farelo de soja teria impacto ainda maior

O cenário é ainda mais expressivo no caso das importações europeias de farelo de soja brasileiro.

Dependendo da intensidade das mudanças regulatórias e da capacidade de substituição das substâncias utilizadas na produção, as compras europeias poderiam cair 100%, 25% ou apenas 0,1%.

No cenário mais severo, isso representaria uma redução de aproximadamente 9,525 milhões de toneladas.

Apesar da perda potencial no mercado europeu, o volume total das exportações brasileiras de soja permaneceria relativamente estável nos diferentes cenários analisados. A explicação é que parte da produção que deixaria de ser vendida para a UE poderia ser direcionada a outros mercados.

O deslocamento, porém, teria impacto sobre os preços. No Brasil, o valor recebido pelos produtores poderia cair 5,6% no cenário mais grave e 1% em uma hipótese intermediária.

Mudança de fornecedores afetaria o mercado global

Uma eventual redução das compras europeias de soja brasileira também poderia alterar as cadeias internacionais de abastecimento.

A UE tenderia a ampliar as compras de fornecedores menos afetados pelas novas regras, enquanto a menor demanda por soja e farelo poderia provocar mudanças nos mercados de oleaginosas, na atividade de esmagamento e na cadeia de produção de ração animal.

O estudo estima ainda que a adoção de substâncias alternativas aprovadas pela União Europeia poderia elevar os custos de produção entre 20% e 40% em alguns países exportadores.

Brasil possui alternativas a alguns agroquímicos

O levantamento aponta que produtores brasileiros já utilizam alternativas autorizadas pela UE para determinadas culturas.

Na produção de cereais, por exemplo, existem opções ao ciproconazol, como fosetil-alumínio, bixafen, metalaxil-M, fluazinam e fluxapiroxad.

Ao mesmo tempo, também são utilizados no Brasil produtos não autorizados na UE, entre eles propiconazol, flutriafol e mancozeb.

O estudo observa, contudo, que o flutriafol é a única dessas substâncias que ainda apresenta MRLs acima do limite de quantificação para algumas categorias de cereais, sem estar incluído na categoria de maior risco analisada.

Na produção de soja, os agricultores brasileiros também utilizam alternativas aprovadas pela UE, como protioconazol e piraclostrobina.

Produtores e exportadores contestam proposta na OMC

A possível mudança europeia já provoca questionamentos de grandes países produtores agrícolas. Um grupo de 19 nações, incluindo Brasil, Argentina, Estados Unidos, Canadá e Austrália, levou o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).

A principal preocupação é que a União Europeia estaria adotando critérios próprios de perigo para restringir determinadas substâncias, em vez de utilizar exclusivamente avaliações de risco baseadas em critérios científicos reconhecidos internacionalmente.

Os países também questionam a possibilidade de Bruxelas aplicar, de forma indireta, padrões de produção europeus a agricultores de outras regiões, mesmo diante de diferenças climáticas e agrícolas.

Na avaliação dos países que contestam a medida, esse tipo de exigência pode gerar instabilidade no comércio agrícola internacional e aumentar as dificuldades de funcionamento do sistema multilateral baseado em regras comuns.

Acesso ao mercado europeu pode ficar mais complexo

A proposta ainda está em discussão e seus efeitos dependerão do formato final das regras e do nível de adaptação dos produtores e exportadores.

Para o Brasil, entretanto, o estudo europeu indica que setores como soja, café e outras commodities agrícolas podem enfrentar custos adicionais e necessidade de mudanças nas práticas de produção caso as novas exigências sejam aprovadas.

Mesmo com o avanço do acordo de livre comércio entre UE e Mercosul, o cumprimento das normas sanitárias, ambientais e relacionadas ao uso de agroquímicos continuará sendo um fator relevante para o acesso dos produtos brasileiros ao mercado europeu.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Agricultura

20 municípios que mais produzem soja no Brasil: veja os líderes da safra

O Brasil deve colher 180,5 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, segundo o balanço mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa uma alta de 5,3% em relação à temporada anterior e reforça a força da produção de soja no país.

Soja mantém trajetória de crescimento no Brasil

A expectativa de uma nova produção recorde evidencia a capacidade de reação dos produtores brasileiros diante dos desafios do campo. Mesmo com os riscos relacionados ao clima, o setor continua ampliando os investimentos na principal commodity agrícola do país.

A soja brasileira está presente em praticamente todas as regiões nacionais. Atualmente, o cultivo do grão alcança 2.640 municípios, distribuídos de Norte a Sul, mostrando a ampla presença da oleaginosa no território.

Municípios que lideram a produção de soja

Os dados do levantamento Produção Agrícola Municipal (PAM), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a produção está concentrada em algumas das principais áreas agrícolas do país.

De acordo com o relatório, os 20 municípios que mais produzem soja no Brasil respondem, juntos, por aproximadamente 14% de toda a produção nacional.

O ranking evidencia a importância dessas localidades para o mercado de grãos, para o agronegócio brasileiro e para o abastecimento da cadeia ligada à soja.

Produção nacional segue em alta

Com a perspectiva de 180,5 milhões de toneladas na safra 2025/26, o Brasil mantém sua posição de destaque no cenário mundial da produção de soja. O resultado também reforça o peso da cultura na economia agrícola e nas exportações do país.

A expansão da área cultivada, aliada ao desempenho das lavouras, mantém a soja entre os principais motores do agronegócio brasileiro.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: IA

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Sustentabilidade

Rastreabilidade da soja e da carne bovina ganha propostas para reduzir riscos ambientais no Brasil

O Brasil possui uma estrutura avançada de acompanhamento das cadeias produtivas de soja e carne bovina, mas ainda precisa integrar melhor as ferramentas já existentes de rastreabilidade ambiental. A conclusão faz parte de um estudo que avaliou 21 iniciativas voltadas ao monitoramento socioambiental de dois dos principais produtos da agropecuária brasileira.

O levantamento, intitulado “Rastreando a Responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil”, foi divulgado pela organização ambiental WRI Brasil e analisa a capacidade do país de responder às novas demandas do mercado internacional por transparência e controle ambiental.

Pesquisa avalia sistemas de monitoramento da produção agropecuária

O estudo analisou dez iniciativas relacionadas à cadeia produtiva da soja e outras 11 ligadas à produção de carne bovina. Os mecanismos avaliados têm como objetivo acompanhar e verificar práticas produtivas nos biomas Amazônia e Cerrado, especialmente em relação ao uso da terra e ao desmatamento.

Após comparar os diferentes modelos existentes, os pesquisadores apresentaram dez recomendações para fortalecer os sistemas atuais de controle, ampliar a transparência e contribuir para a formulação de políticas públicas.

Recomendações para melhorar a rastreabilidade ambiental

Entre as principais medidas sugeridas pelo estudo estão:

  • Adotar a propriedade rural como principal unidade de monitoramento das cadeias produtivas;
  • Utilizar bases oficiais, com dados governamentais e informações validadas cientificamente;
  • Garantir conformidade com o Código Florestal Brasileiro e combater violações relacionadas ao trabalho forçado;
  • Ampliar auditorias independentes e divulgar relatórios de transparência;
  • Expandir o acompanhamento para todos os biomas brasileiros;
  • Assegurar que não tenha ocorrido desmatamento ilegal após o marco temporal de 2008;
  • Garantir o compromisso de desmatamento zero após agosto de 2020, alinhado às exigências nacionais e internacionais;
  • Monitorar toda a cadeia de fornecedores, incluindo os fornecedores indiretos;
  • Criar mecanismos para reinserção de produtores que regularizem situações de não conformidade;
  • Estabelecer uma gestão participativa com diferentes setores envolvidos.

Rastreabilidade pode fortalecer relações comerciais internacionais

Para a diretora do Programa de Florestas e Uso da Terra do WRI Brasil, Mariana Oliveira, o avanço dos sistemas de monitoramento ambiental pode contribuir para um modelo de desenvolvimento rural mais sustentável.

Segundo ela, a integração das ferramentas existentes também pode facilitar a atuação de diferentes agentes envolvidos no processo, como instituições financeiras, investidores e compradores internacionais.

A especialista destaca que algumas instituições financeiras brasileiras já utilizam bancos de dados oficiais e privados para avaliar riscos. A expectativa é que esse modelo também seja incorporado por organizações globais, como bancos de desenvolvimento e investidores internacionais.

China é um dos mercados interessados em maior transparência

O estudo aponta a China como um exemplo de mercado que poderia se beneficiar de protocolos mais estruturados de rastreabilidade da soja e da carne bovina. Em 2024, o país importou do Brasil US$ 44,6 bilhões em produtos dessas duas cadeias.

Com a integração das bases de dados e a padronização dos critérios técnicos entre diferentes órgãos públicos, compradores internacionais teriam mais segurança para avaliar riscos socioambientais relacionados aos produtos brasileiros.

Os pesquisadores defendem que o Brasil fortaleça a cooperação com grandes mercados consumidores, criando mecanismos que conciliem competitividade comercial e preservação ambiental.

Sistemas eficientes podem gerar benefícios no campo

Mariana Oliveira ressalta que a discussão sobre rastreabilidade vai além do atendimento às exigências comerciais. Para ela, a construção de sistemas mais eficientes pode aproximar o setor produtivo de um modelo de desenvolvimento com maior geração de renda, empregos e oportunidades para produtores rurais.

A especialista destaca ainda que investimentos em inovação tecnológica, mecanização e cooperação internacional podem ampliar os benefícios econômicos e sociais para as regiões produtoras de commodities agrícolas.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Agronegócio

Soja brasileira mantém competitividade mesmo com novas compras da China nos Estados Unidos

Mesmo com a soja dos Estados Unidos sendo negociada a valores superiores aos da produção brasileira, a China continua fechando novos contratos de importação com os norte-americanos. Nesta segunda-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou a venda de 374 mil toneladas da safra 2026/27, sendo 264 mil toneladas destinadas à China e outras 110 mil toneladas para compradores não identificados.

No mercado, parte dessas aquisições é interpretada como uma decisão de caráter político e estratégico, já que o produto norte-americano segue menos competitivo em relação à soja brasileira.

Até o momento, compradores chineses já reservaram 427 navios de soja dos Estados Unidos, com embarques concentrados entre setembro e outubro. Do Brasil, foram contratados 47 navios, além de cinco provenientes de Argentina, Uruguai e Canadá.

Logística favorece embarques antecipados dos Estados Unidos

Segundo o estrategista sênior de agricultura da Marex, Eduardo Vanin, os embarques programados para setembro correspondem à soja cultivada na região do Delta, nos Estados Unidos, onde o plantio ocorre mais cedo, permitindo colheita e exportação antecipadas.

Além disso, essa produção utiliza os portos do Golfo, que oferecem uma logística mais eficiente e custos menores em comparação com outras regiões produtoras do país.

Brasil segue competitivo e garante bons preços

Apesar dessa vantagem logística inicial, Vanin avalia que a soja brasileira continuará mais competitiva ao longo da temporada. Segundo ele, mesmo operando com um desconto em relação ao ano anterior, o Brasil mantém preços atrativos devido ao elevado custo da soja norte-americana.

O especialista destaca que os prêmios praticados nos Estados Unidos permanecem elevados tanto no mercado interno quanto nas exportações, além do preço internacional da commodity estar acima do observado no Brasil. Esse cenário favorece as vendas brasileiras durante a janela de exportação entre setembro e dezembro.

Custos nos EUA limitam queda dos preços da soja americana

Na avaliação do analista, dificilmente a soja produzida nos Estados Unidos ficará mais barata do que a brasileira nos próximos meses.

Entre os fatores que sustentam essa expectativa estão o aumento dos custos logísticos, com fretes ferroviários e hidroviários em alta, a maior demanda pelos portos do Pacífico e o crescimento da indústria de processamento de soja no país. As margens positivas do esmagamento também contribuem para manter os preços elevados.

Outro fator apontado é a permanência das tarifas sobre a soja americana, que reduzem ainda mais sua competitividade. Mesmo sem essas barreiras comerciais, a projeção é de que a soja brasileira continue apresentando preços mais atrativos para o mercado internacional.

Exportações brasileiras devem permanecer fortes em 2026

A expectativa da Marex é que o Brasil encerre 2026 exportando cerca de 113 milhões de toneladas de soja, podendo alcançar 114 milhões de toneladas. Desse total, aproximadamente 86 a 87 milhões de toneladas deverão ter como destino a China.

Segundo Vanin, parte das compras chinesas de soja norte-americana tende a abastecer estoques estratégicos e empresas estatais de processamento, sem representar uma substituição significativa das exportações brasileiras.

Importações chinesas recuam, mas compras do Brasil aumentam

Dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas da China mostram que as importações totais de soja do país caíram 21% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025.

Na direção oposta, os embarques brasileiros registraram crescimento de 13,7%, passando de 10,62 milhões para 12,08 milhões de toneladas no período. No acumulado do primeiro semestre, as importações chinesas de soja do Brasil aumentaram 9,8%, totalizando 34,75 milhões de toneladas, reforçando a liderança brasileira no principal mercado consumidor da commodity.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Exportação

Exportações de soja de Mato Grosso batem recorde no primeiro semestre de 2026

Mato Grosso registrou um novo recorde nas exportações de soja durante o primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o estado embarcou 24,06 milhões de toneladas do grão, volume que corresponde a 34,59% de toda a soja exportada pelo Brasil no período.

Os dados confirmam o protagonismo mato-grossense no mercado internacional e refletem o desempenho da safra 2025/26, considerada uma das maiores já registradas.

Safra elevada impulsiona desempenho brasileiro

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 69,58 milhões de toneladas de soja no primeiro semestre deste ano, um crescimento de 7,13% em comparação com o mesmo período de 2025.

Em Mato Grosso, o avanço foi de 5,15% na comparação anual, resultado atribuído à elevada produção obtida na última safra.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o cenário demonstra a continuidade da forte demanda internacional pela soja brasileira.

China segue como principal compradora

A China permaneceu como o principal destino da soja produzida em Mato Grosso. No entanto, o volume adquirido pelo país asiático apresentou redução de 4,77% em relação ao primeiro semestre de 2025.

Apesar desse recuo, o estado conseguiu ampliar sua presença em outros mercados. Os cinco principais importadores, excluindo a China, aumentaram suas compras em 42,25%, compensando parte da diminuição da demanda chinesa.

Embarques devem perder ritmo no segundo semestre

A expectativa do Imea é de que o ritmo das exportações de soja diminua nos próximos meses. A previsão está relacionada à menor oferta do grão disponível para comercialização, comportamento considerado habitual na segunda metade do ano após o pico dos embarques registrados no primeiro semestre.

Mesmo com essa desaceleração sazonal, Mato Grosso mantém posição de destaque como principal exportador de soja do país.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

Soja, aço e carne bovina enfrentam novas barreiras da União Europeia após acordo com Mercosul

A entrada em vigor provisória do acordo UE-Mercosul abriu perspectivas de ampliação do comércio entre os dois blocos, mas uma sequência de medidas adotadas pela União Europeia tem gerado preocupação entre exportadores brasileiros. Em poucos meses, setores estratégicos para a balança comercial do Brasil — como soja, carne bovina e aço — passaram a enfrentar novos obstáculos no mercado europeu.

Embora cada iniciativa tenha sido justificada por razões distintas, envolvendo questões ambientais, sanitárias e industriais, o conjunto das ações chamou a atenção de autoridades e representantes do setor produtivo por ocorrer justamente após a implementação do acordo comercial.

Acordo histórico convive com pressões internas na Europa

A aprovação do tratado entre Mercosul e União Europeia foi resultado de mais de duas décadas de negociações. O pacto criou expectativas de maior integração econômica entre regiões que somam mais de 700 milhões de consumidores.

Entretanto, a conclusão do acordo ocorreu em meio à forte pressão de agricultores europeus, que promoveram protestos em diversos países do bloco alegando concorrência desleal de produtos sul-americanos.

Para reduzir a resistência interna, a Comissão Europeia adotou medidas de apoio ao setor agrícola e reforçou mecanismos de proteção para evitar impactos sobre os produtores locais.

Enquanto os países europeus defendem a necessidade de garantir padrões ambientais e sanitários equivalentes, representantes do Mercosul argumentam que a competitividade da produção sul-americana decorre principalmente da eficiência produtiva e não de regras menos rigorosas.

Soja brasileira entra na mira de novas regras ambientais

O caso mais sensível para o Brasil envolve a cadeia da soja, um dos principais produtos exportados pelo país.

Em abril, a Comissão Europeia classificou o óleo de soja como matéria-prima de alto risco de mudança indireta no uso da terra, conceito conhecido pela sigla iLUC. O critério avalia se a expansão de determinada cultura agrícola pode contribuir indiretamente para o avanço do desmatamento.

Com a nova classificação, o óleo de soja poderá perder espaço nas metas europeias para combustíveis renováveis a partir de 2030, reduzindo a demanda pelo produto dentro do bloco.

Especialistas do setor alertam que os impactos podem ir além do óleo vegetal, afetando toda a cadeia produtiva da soja destinada ao mercado europeu.

Indústria contesta metodologia utilizada pela UE

Representantes da indústria brasileira questionam os critérios adotados pela União Europeia para enquadrar a soja na categoria de alto risco ambiental.

A principal crítica está relacionada à metodologia utilizada para calcular o impacto da expansão agrícola sobre áreas de floresta. Segundo o setor, a fórmula aplicada pode superestimar os efeitos da produção e gerar conclusões distorcidas sobre a sustentabilidade da cultura.

A controvérsia lembra discussões anteriores envolvendo o óleo de palma, cuja classificação ambiental provocou forte redução das importações europeias ao longo dos últimos anos.

Dependência europeia da soja mantém debate aberto

Apesar das novas restrições, o mercado europeu continua sendo um importante comprador de soja.

A União Europeia está entre os maiores importadores globais do produto, utilizando o farelo derivado da oleaginosa principalmente para alimentação animal. Alternativas como canola e girassol apresentam limitações de oferta e menor rendimento proteico, o que torna a substituição um desafio para o bloco.

Por isso, representantes do agronegócio brasileiro avaliam que a adoção de medidas mais restritivas pode gerar impactos não apenas para exportadores, mas também para cadeias produtivas europeias dependentes da matéria-prima.

Carne bovina e aço também enfrentam obstáculos

Além da soja, outros dois segmentos estratégicos passaram a enfrentar dificuldades recentes no mercado europeu.

No setor de carne bovina, restrições sanitárias impostas pela União Europeia levantaram preocupações sobre o acesso dos produtos brasileiros ao bloco. As medidas foram justificadas por exigências relacionadas à segurança alimentar e ao controle de substâncias utilizadas na produção pecuária.

Já no caso do aço, a Comissão Europeia discute mecanismos para reduzir a entrada de produtos siderúrgicos estrangeiros, alegando excesso de oferta global e necessidade de proteção da indústria local.

A proposta inclui alterações em cotas e tarifas que podem afetar diretamente exportadores brasileiros.

Exportadores temem aumento de barreiras comerciais

A sucessão de medidas reforçou o debate sobre o equilíbrio entre abertura comercial e proteção de mercados internos.

Para representantes do setor produtivo, existe preocupação de que exigências ambientais, sanitárias e regulatórias sejam utilizadas como instrumentos para restringir a entrada de produtos competitivos no mercado europeu.

O cenário aumenta a atenção do Brasil às futuras regulamentações da União Europeia, especialmente em áreas ligadas à sustentabilidade, agricultura e comércio exterior.

Mesmo com o acordo em vigor, exportadores defendem que a efetividade dos benefícios negociados dependerá da manutenção de condições reais de acesso ao mercado europeu para produtos estratégicos do Mercosul.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Agronegócio

Mercado de soja mantém ritmo forte com demanda aquecida e dólar favorável às exportações

O mercado de soja continua registrando forte movimentação no Brasil, sustentado pelo aumento da demanda internacional e pela maior participação das indústrias nacionais nas compras da oleaginosa. Mesmo com o ritmo acelerado das negociações, a ampla oferta global segue limitando ganhos mais expressivos nas cotações.

Segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a competitividade da soja brasileira ganhou impulso nas últimas semanas com a valorização do dólar frente ao real. O movimento torna o produto nacional mais atrativo para compradores estrangeiros e favorece o desempenho das exportações.

Apesar desse ambiente positivo, o elevado volume disponível no mercado internacional continua exercendo pressão sobre os preços da commodity.

Oferta global recorde reduz espaço para altas

As perspectivas para a produção mundial reforçam o cenário de abundância. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima sua estimativa para a safra global de soja 2025/26.

A nova projeção aponta produção de 429,2 milhões de toneladas, um volume recorde e cerca de 0,4% superior ao previsto anteriormente. Caso a estimativa se confirme, o resultado também ficará levemente acima da temporada passada.

O aumento da oferta mundial tende a equilibrar o mercado, mesmo diante da demanda consistente observada entre os principais países consumidores.

Brasil deve seguir como maior produtor mundial

A liderança global na produção de soja deve permanecer com o Brasil. De acordo com o USDA, a colheita brasileira poderá atingir 180 milhões de toneladas na safra 2025/26.

O número está alinhado às projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que estima uma produção de 180,25 milhões de toneladas.

Na Argentina, outro importante player do mercado internacional, a previsão foi elevada para 50 milhões de toneladas. O volume representa crescimento de 4,2% em relação à estimativa divulgada no mês anterior, embora ainda permaneça 2,2% abaixo do registrado na safra passada.

Exportações brasileiras devem alcançar 115 milhões de toneladas

Além de liderar a produção, o Brasil deve manter sua posição como principal exportador mundial da oleaginosa.

As projeções do USDA indicam que os embarques brasileiros poderão alcançar 115 milhões de toneladas no ciclo comercial compreendido entre outubro de 2025 e setembro de 2026.

O desempenho reforça a relevância do país no abastecimento global de commodities agrícolas, especialmente em um contexto de demanda firme por parte dos grandes mercados consumidores.

Demanda continua sustentando o setor

Mesmo com a expectativa de uma safra global recorde, a combinação entre câmbio favorável, forte demanda internacional e participação ativa da indústria nacional mantém o mercado brasileiro de soja aquecido.

O cenário aponta para a continuidade de bons volumes de comercialização, consolidando a importância da soja na balança comercial brasileira e no agronegócio nacional.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Portos

Exportações crescem 28,8% em maio e impulsionam movimentação nos portos paranaenses

Impulsionada pelo crescimento das exportações, a Portos do Paraná movimentou 6,12 milhões de toneladas em maio, volume 14,3% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando foram movimentadas 5,35 milhões de toneladas. No acumulado de janeiro a maio, a movimentação total alcançou 28,87 milhões de toneladas, resultado 2,4% superior ao do mesmo período do ano passado, que somou 28,19 milhões de toneladas.

“Toda essa movimentação demonstra que os portos paranaenses são altamente competitivos e geram bons resultados para os operadores que atuam aqui. Por isso, seguimos investindo em infraestrutura, modernização de sistemas e capacitação de pessoal. Só assim é possível construir uma logística cada vez mais inteligente e eficiente”, enfatiza o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Nas exportações, a Portos do Paraná alcançou 4,04 milhões de toneladas em maio, cerca de 900 mil toneladas a mais do que no mesmo período de 2025, crescimento de 28,8%. Já as importações somaram 2,07 milhões de toneladas, volume aproximadamente 140 mil toneladas inferior ao registrado no ano anterior.
 

Soja lidera crescimento

O principal produto impulsionador do comércio exterior foi a soja. As 831,8 mil toneladas exportadas em maio de 2025 saltaram para 1,58 milhão de toneladas em maio de 2026, um crescimento de 91%. No acumulado do ano, a commodity registra alta de 29%.

O Porto de Paranaguá é responsável pelo embarque de 14,2% de toda a soja exportada pelo Brasil, com destino principalmente aos mercados da Ásia e do Oriente Médio.

O farelo de soja foi o segundo grande destaque do mês. O volume exportado passou de 628,3 mil toneladas em maio de 2025 para 796 mil toneladas em maio deste ano, crescimento de 27%.

O Porto de Paranaguá é o segundo maior exportador de farelo de soja do Brasil, com participação de 26,5% nas exportações nacionais registradas nos cinco primeiros meses do ano, de acordo com dados do Comex Stat, sistema do Governo Federal que reúne informações sobre o comércio exterior, e do Centro de Estatísticas da Portos do Paraná.


Contêineres e proteínas animais em alta

As cargas exportadas por contêineres registraram aumento de aproximadamente 30 mil toneladas, alcançando 824,3 mil toneladas em maio, crescimento de 4%.

Grande parte desse volume é composto por proteínas animais congeladas. De janeiro até o fim de maio, cerca de 1,5 milhão de toneladas de carnes foram enviadas para mercados como China, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Filipinas e Japão, entre outros países.

Também houve crescimento nas exportações de óleos vegetais, com alta de 53% em maio e de 40% no acumulado do ano. Já a celulose registrou aumento de 5% no período analisado.
 

Importações

Entre as importações, os fertilizantes, principal produto desembarcado pelos portos paranaenses, somaram 825 mil toneladas em maio. O volume representa uma redução de 14% em comparação ao mesmo mês de 2025.

Por outro lado, as importações por contêineres, segundo principal segmento movimentado nos portos paranaenses, cresceram de 582,1 mil toneladas para 651 mil toneladas em maio, avanço de 12%.

FONTE: Portos do Paraná
IMAGEM: Claudio Neves/GCOM Portos do Paraná

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Agronegócio

China ameaça exportações do agro brasileiro com plano para reduzir importações até 2030

A nova política da China para ampliar a autossuficiência alimentar acendeu um sinal de alerta no agronegócio brasileiro. O país asiático pretende diminuir gradualmente a dependência de produtos importados, medida que pode afetar diretamente cadeias estratégicas como soja brasileira, carne bovina e fertilizantes.

As diretrizes fazem parte do 15º Plano Quinquenal chinês, previsto para o período entre 2026 e 2030, e podem impactar exportações que movimentam entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões por ano para o Brasil.

Plano chinês prioriza produção interna e segurança alimentar

A estratégia de Pequim vai além de questões comerciais. O governo chinês busca fortalecer a produção doméstica, ampliar investimentos em tecnologia agrícola e diversificar fornecedores internacionais.

Entre as prioridades estão iniciativas voltadas para proteínas alternativas, agricultura de precisão, modernização da pecuária, desenvolvimento de sementes e aumento da produtividade rural. O objetivo é reduzir a vulnerabilidade externa em setores considerados estratégicos para a segurança alimentar do país.

Especialistas avaliam que a mudança representa uma transformação estrutural no comércio global de alimentos, especialmente em mercados onde o Brasil possui forte participação.

Soja brasileira pode perder espaço no mercado chinês

A soja aparece como um dos setores mais expostos às mudanças. Atualmente, a China concentra grande parte das compras do grão exportado pelo Brasil.

Estimativas da consultoria Systemiq indicam que as importações chinesas de soja podem cair até 25% até 2030, o equivalente a cerca de 23,5 milhões de toneladas.

O cenário ganhou ainda mais atenção após relatos de retenção e devolução de aproximadamente 20 navios brasileiros carregados com soja em portos chineses. As cargas apresentariam problemas fitossanitários relacionados a impurezas, pragas e sementes consideradas inadequadas pelas autoridades locais.

O episódio aumentou a pressão sobre exportadores e reforçou a necessidade de ajustes nos protocolos sanitários entre os dois países.

Estados Unidos e Argentina ampliam concorrência

Outro fator que amplia a preocupação do setor é a retomada da aproximação comercial entre China e Estados Unidos. Acordos recentes voltaram a colocar a soja americana no centro das negociações internacionais.

Com isso, o Brasil pode enfrentar maior concorrência também de países como Argentina, que buscam ampliar participação nas vendas ao mercado asiático.

Apesar de a demanda chinesa seguir elevada no curto prazo, analistas avaliam que o país trabalha com uma estratégia de longo prazo para reduzir a dependência de fornecedores externos.

Carne bovina brasileira entra em zona de atenção

A carne bovina brasileira também passou a enfrentar maior pressão no mercado chinês. O governo da China implementou uma salvaguarda com tarifa adicional de 55% para volumes que ultrapassem cotas anuais de importação.

Para 2026, o limite estabelecido para o Brasil ficou em torno de 1,1 milhão de toneladas — abaixo do volume exportado no ano anterior.

A medida busca proteger a produção pecuária chinesa diante do excesso de oferta interna e da pressão sobre os preços locais. Com isso, frigoríficos brasileiros terão de disputar espaço em um mercado mais restrito ou buscar novos destinos para parte da produção.

Diversificação de mercados vira prioridade para o agro

Diante do novo cenário, especialistas defendem que o Brasil acelere a diversificação das exportações e amplie investimentos em produtos de maior valor agregado.

Acordos comerciais envolvendo Mercosul, União Europeia, EFTA e Singapura são apontados como alternativas para reduzir a dependência do mercado chinês e abrir novas oportunidades para o setor agroindustrial brasileiro.

Além disso, o país também enfrenta desafios ligados aos fertilizantes, já que parte significativa dos insumos agrícolas utilizados no campo brasileiro depende de importações chinesas e de mercados afetados por tensões geopolíticas.

O movimento reforça a necessidade de fortalecer a produção nacional de insumos e ampliar a competitividade do agro brasileiro em um ambiente global cada vez mais disputado.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Exportadores agrícolas

Brasil pode redirecionar exportações agrícolas após acordo entre EUA e China

O novo acordo comercial firmado entre Estados Unidos e China para ampliar a compra de produtos agrícolas norte-americanos pode provocar mudanças estratégicas no fluxo global de exportações do agronegócio. Especialistas avaliam que o Brasil deve aproveitar espaços deixados pelos embarques dos EUA em outros mercados internacionais.

Acordo entre EUA e China pode alterar mercado global

O entendimento anunciado pela Casa Branca prevê aumento das compras chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos, especialmente de soja americana. Apesar de ainda haver incertezas sobre os impactos reais da medida, analistas afirmam que o Brasil segue altamente competitivo no comércio internacional.

Dados do governo brasileiro mostram que as exportações do agronegócio para a China somaram US$ 55,22 bilhões em 2025, representando cerca de um terço de todas as vendas externas do setor. A soja brasileira liderou os embarques, com US$ 34,5 bilhões, seguida pelas exportações de carnes, que alcançaram US$ 9,82 bilhões.

Brasil pode ganhar espaço em outros mercados

Segundo estimativas da Casa Branca, a China poderá comprar até 25 milhões de toneladas adicionais de soja dos Estados Unidos. Para especialistas da corretora Stag International, caso esse volume se confirme, o Brasil tende a redirecionar sua produção para outros destinos.

A avaliação é de que a demanda internacional fora da China pode ser parcialmente atendida pelos produtores brasileiros, principalmente devido à forte competitividade do país e à expectativa de safra recorde superior a 180 milhões de toneladas em 2026.

Além disso, entidades do setor, como Anec e Abiove, ainda não comentaram oficialmente os possíveis efeitos do acordo sobre o mercado brasileiro.

Exportações de carne bovina também podem ser beneficiadas

Outro possível reflexo envolve o mercado de carne bovina. Com os Estados Unidos direcionando maior parte da produção para atender a China, o Brasil pode ampliar as vendas para o mercado norte-americano, que enfrenta restrições de oferta interna.

Paulo Mustefaga, presidente da Abrafrigo, explicou que a retomada das habilitações de frigoríficos americanos pela China pode incentivar os EUA a recuperar participação no mercado chinês. Com isso, países como o Brasil poderiam encontrar oportunidades adicionais para exportar carne aos americanos.

Recentemente, a China renovou mais de 400 licenças de exportação de frigoríficos dos Estados Unidos, após encontro entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping em Pequim.

Quotas chinesas ainda limitam expansão dos EUA

Apesar da reaproximação comercial entre Washington e Pequim, especialistas lembram que os Estados Unidos também estão sujeitos às cotas impostas pela China para importação de carne bovina. A medida pode limitar um crescimento mais agressivo das exportações americanas ao mercado chinês, mantendo espaço relevante para o produto brasileiro.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Paulo Whitaker

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