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Incêndio no navio HMM Platinum ameaça cargas destinadas a quatro portos brasileiros

O incêndio a bordo do porta-contêineres HMM Platinum provocou uma mudança de rota na viagem entre a Índia e o Brasil e acendeu um alerta para importadores e responsáveis pelas mercadorias transportadas. A embarcação, que levava aproximadamente 2.300 contêineres, desviou o trajeto em direção à África do Sul para buscar um porto de refúgio. A viagem previa escalas em Santos (SP), Paranaguá (PR), Navegantes (SC) e Rio Grande (RS).

O episódio ocorreu entre o fim de setembro e o início de outubro de 2026, mas os comunicados disponíveis não especificam a data exata nem esclarecem as causas do incêndio.

Incêndio no HMM Platinum altera rota entre Índia e Brasil

O navio saiu do porto de Kattupalli, na Índia, com destino ao porto de Santos. Durante a travessia, o incêndio a bordo levou à alteração do itinerário e à busca por um local seguro para a embarcação.

A escolha de um porto de refúgio permite que um navio com avarias receba assistência, passe por inspeções e, quando necessário, tenha reparos realizados ou parte da carga descarregada antes de retomar a viagem.

Inicialmente, Durban foi apontada como possível destino do desvio. No entanto, uma atualização posterior indicou que a embarcação procurava outra alternativa e mencionou Port Elizabeth, atualmente chamada de Gqeberha, também na África do Sul.

Embora uma previsão anterior indicasse a chegada a Durban em 8 de outubro, não há confirmação de que o navio tenha atracado naquele porto. Até o momento, as informações disponíveis também não estabelecem uma nova previsão para a chegada aos terminais brasileiros.

Avaria Grossa pode elevar custos para os importadores

Em atualização divulgada em 8 de outubro, o W.E. Cox Claims Group informou que profissionais de salvamento da empresa SMIT foram contratados por meio do Lloyd’s Open Form (LOF), modalidade de contrato utilizada em operações de salvamento marítimo.

Esse modelo permite iniciar os trabalhos de assistência sem definir previamente o valor final da remuneração, que poderá ser estabelecido posteriormente por arbitragem.

O comunicado também apontou a possibilidade de danos expressivos e indicou que uma declaração de Avaria Grossa é provável. Até aquela atualização, porém, não havia confirmação formal da medida.

A diferença entre os dois procedimentos é importante para os proprietários das mercadorias. Enquanto a contratação da equipe de salvamento já foi comunicada, a Avaria Grossa permanece como uma possibilidade.

Se formalizada, a declaração poderá obrigar os donos de todas as cargas envolvidas a contribuir proporcionalmente para os custos extraordinários do salvamento e de outras despesas elegíveis. Isso significa que mesmo mercadorias não atingidas diretamente pelo fogo poderão gerar obrigações financeiras para seus proprietários.

Os comunicados não informam os valores das garantias exigidas, nem apresentam prazos para a liberação ou o reembarque dos contêineres.

Durban ou Gqeberha: destino do navio ainda é incerto

A definição do porto de refúgio é uma das principais questões pendentes. Durban apareceu inicialmente nos informes como destino provável, mas a atualização mais recente citou Gqeberha como alternativa.

Sem a confirmação da atracação e das condições da embarcação, ainda não é possível estabelecer quando as operações de inspeção, avaliação das mercadorias e eventual retomada da viagem poderão ocorrer.

A indefinição também afeta o planejamento logístico das empresas que aguardam produtos nos portos de Santos, Paranaguá, Navegantes e Rio Grande. Como não foi divulgada uma programação revisada das escalas, não há base suficiente para calcular novas datas de chegada.

O que os donos de carga devem fazer neste momento

O W.E. Cox Claims Group informou que poderão ser exigidas garantias de salvamento antes do reembarque das mercadorias ou de sua liberação no destino. Caso a Avaria Grossa seja declarada, os responsáveis pelas cargas também poderão precisar apresentar garantias específicas relacionadas a esse procedimento.

Diante desse cenário, os importadores e demais proprietários das mercadorias devem acompanhar as atualizações e verificar quais medidas são necessárias para evitar atrasos adicionais na retirada dos contêineres.

A corretora solicitou que os clientes com cargas transportadas pelo HMM Platinum entrem em contato para receber orientações sobre os próximos passos.

Outra recomendação é comunicar preventivamente a seguradora responsável pelo seguro de transporte internacional. O aviso permite que a companhia acompanhe o caso e oriente o segurado sobre a documentação e os procedimentos aplicáveis.

Empresas que dependem das mercadorias para abastecer linhas de produção ou cumprir compromissos comerciais também devem avaliar alternativas logísticas e conversar com fornecedores e clientes sobre possíveis impactos nos prazos de entrega.

Avaliação dos danos depende de inspeções no navio

A dimensão dos prejuízos ainda não foi determinada. Além dos danos provocados diretamente pelas chamas, as mercadorias podem apresentar avarias causadas pela fumaça ou pela água empregada no combate ao incêndio.

A identificação dos contêineres afetados e a avaliação das perdas dependerão da inspeção da embarcação e da análise das cargas. Até o momento, não foram divulgadas informações que permitam identificar quais unidades sofreram danos.

Esse levantamento será importante para definir as medidas necessárias à recuperação das mercadorias, à eventual apresentação de reclamações de seguro e à apuração dos prejuízos financeiros.

Características do navio HMM Platinum

Construído em 2013 e registrado sob a bandeira da Libéria, o HMM Platinum possui o número de identificação marítima IMO 9637155.

A embarcação tem capacidade nominal para 5.593 TEUs, sigla utilizada no transporte marítimo para representar unidades equivalentes a contêineres de 20 pés.

Essa capacidade não deve ser confundida com a quantidade de carga transportada na viagem em questão, estimada em cerca de 2.300 contêineres.

Impactos do incêndio para o comércio exterior brasileiro

O caso do HMM Platinum evidencia como um incidente marítimo pode afetar não apenas as mercadorias diretamente danificadas, mas também empresas cujos contêineres permaneçam intactos.

Se houver declaração de Avaria Grossa, os proprietários das cargas poderão ter de apresentar garantias financeiras e contribuir para despesas elegíveis de salvamento antes de receber suas mercadorias. A situação pode comprometer o fluxo de caixa dos importadores e ampliar os custos da operação.

A contratação dos salvadores da SMIT e a adoção do Lloyd’s Open Form já foram informadas pelo W.E. Cox Claims Group. Entretanto, os valores envolvidos, a extensão dos danos e as condições para a liberação das mercadorias continuam sem definição.

No campo logístico, a falta de confirmação sobre o porto de refúgio e a ausência de um cronograma atualizado impedem estimativas confiáveis para as escalas no Brasil. Por isso, empresas com cargas a bordo precisam manter contato com seus agentes de carga, corretores e seguradoras.

O episódio também reforça a importância do seguro de transporte de cargas e do acompanhamento das ocorrências durante o trânsito internacional. Mesmo quando uma mercadoria não sofre danos diretos, sua liberação pode depender de exigências financeiras decorrentes de um incidente marítimo.

Até que sejam concluídas as inspeções e divulgadas novas informações, permanecem indefinidos o alcance dos prejuízos, os custos envolvidos e o prazo para a retomada do itinerário do HMM Platinum rumo aos portos brasileiros.

FONTE: Painel Político
TEXTO: Redação
IMAGEM: Robert Bortolin

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Comércio Exterior

Movimentação de contêineres cresce mais de 22% nos portos do Sul em janeiro de 2026

A movimentação de contêineres nos portos do Sul do Brasil apresentou forte expansão em janeiro de 2026, com crescimento de 22,3% na comparação anual. O volume atingiu 4,9 milhões de toneladas, respondendo por mais de um terço de toda a carga movimentada no período.

No total, os portos da região registraram 13,9 milhões de toneladas no mês. Apesar de uma leve oscilação no volume geral, o desempenho positivo das cargas conteinerizadas — de maior valor agregado — foi determinante para o resultado.

Economia aquecida e infraestrutura impulsionam desempenho

O avanço da logística portuária reflete o aquecimento da economia brasileira e os investimentos realizados no setor. Segundo o ministro Silvio Costa Filho, o crescimento está ligado ao aumento da circulação de produtos industrializados e à maior inserção do país nas cadeias globais.

De acordo com ele, a expansão das operações portuárias indica mais eficiência, capacidade e competitividade, fatores essenciais para sustentar o desenvolvimento econômico.

Crescimento reforça comércio exterior e cadeias globais

O aumento da movimentação de contêineres também sinaliza maior fluxo de insumos, bens de consumo e mercadorias industrializadas. Esse tipo de carga está diretamente associado ao fortalecimento do comércio exterior brasileiro e à integração logística internacional.

Além disso, houve avanço nas operações de navegação: o transporte de longo curso cresceu 7,2%, enquanto a cabotagem teve alta de 3,7%, evidenciando maior dinamismo nas rotas marítimas.

Principais portos lideram movimentação no Sul

Entre os complexos portuários, o Porto de Paranaguá (PR) liderou a movimentação entre os portos públicos, com 4,7 milhões de toneladas em janeiro. Na sequência aparece o Porto de Rio Grande (RS), com 1,9 milhão de toneladas.

Terminais privados também tiveram papel relevante no desempenho regional. Estruturas como o Porto Itapoá (SC) e a Portonave, em Navegantes (SC), ampliam a capacidade logística e fortalecem a competitividade dos portos do Sul do Brasil.

Entre outras cargas relevantes, destacaram-se petróleo e derivados, com 2,5 milhões de toneladas, e fertilizantes, com 1,3 milhão de toneladas — insumos estratégicos para a indústria e o agronegócio.

Investimentos ampliam capacidade e eficiência logística

Os resultados refletem um ciclo recente de investimentos em infraestrutura portuária. No Porto de Paranaguá, obras como a ampliação do calado e serviços contínuos de dragagem já permitem a operação de navios de maior porte, aumentando a produtividade e reduzindo custos logísticos.

Outro projeto importante é a concessão do canal de acesso, que prevê investimentos de R$ 1,23 bilhão ao longo de 25 anos. A iniciativa deve ampliar o calado para até 15,5 metros, elevando a capacidade operacional do terminal.

Além disso, o projeto do Moegão promete aumentar em cerca de 60% a capacidade ferroviária do porto, otimizando o escoamento de cargas.

No Rio Grande do Sul, o arrendamento do terminal POA26, no Porto de Porto Alegre, também deve impulsionar a movimentação e atrair novos aportes, contribuindo para o crescimento da logística no Sul do Brasil nos próximos anos.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/MPor

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Portos

Portos RS acelera recuperação dos canais

Após os eventos climáticos extremos de 2024 e 2025, que provocaram severo assoreamento em diversos trechos da hidrovia estadual, a Portos RS iniciou uma força-tarefa para restaurar a navegabilidade e garantir o escoamento de cargas estratégicas para a economia gaúcha.

Atualmente o principal foco da operação emergencial é o Canal da Feitoria, considerado o maior gargalo logístico do Estado no momento. Um levantamento técnico identificou estreitamento crítico no canal, impedindo a passagem de embarcações de grande porte (acima de 150m de comprimento e 25 de largura), e comprometendo ainda mais as cadeias produtivas ligadas a fertilizantes, cevada cervejeira, sebo bovino, transformadores e insumos químicos.

Neste sentido, a contratação emergencial para dragagem do Canal da Feitoria foi aberta em 21 de agosto, com prazo para envio de propostas até o dia 31. A expectativa é que a obra recupere a profundidade operacional do canal, já nas primeiras etapas, e restabeleça a navegação comercial de navios de grande porte considerada vital para a competitividade da indústria local mesmo antes da finalização completa da obra.

Além do Feitoria, outras frentes de trabalho estão em andamento. O Canal de Itapuã teve sua dragagem concluída em maio, com a retirada de 181 mil metros cúbicos de sedimentos. Na Bacia do Guaíba, os canais Pedras Brancas e Leitão já avançaram significativamente. O primeiro está com 73% da dragagem concluída, totalizando 258.730,72 m³ de sedimentos removidos. O segundo alcançou 62%, com 535.121,04 m³ dragados. No Delta do Jacuí, o Canal Furadinho tem início previsto para setembro, enquanto o Canal São Gonçalo deve começar ainda em agosto.
Ao todo, a Portos RS é responsável por 21 canais hidroviários, com extensão superior a 90 km. A recuperação da hidrovia é considerada estratégica para evitar prejuízos à indústria, preservar empregos e garantir a geração de renda em diversas regiões do Estado.

Fonte: Portos RS

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