Comércio Exterior

SDA promove curso sobre os impactos da Reforma Tributária no Comércio Exterior em Curitiba e Itajaí

O Comércio Exterior brasileiro vive um momento de transição com a fase de testes das mudanças implantadas pela Reforma Tributária. Este é o momento ideal para que empresas e profissionais adaptem seus sistemas e processos, garantindo o cumprimento integral das novas exigências a partir de 2027.

Pensando nesse cenário, o SDA – Sindicato dos Despachantes Aduaneiros do Paraná e Santa Catarina promove o curso “Os Impactos da Reforma Tributária no Comex”, no dia 20 de junho, em Curitiba (PR), e no dia 4 de julho, em Itajaí (SC).

O curso será ministrado por Thális Andrade, advogado, doutor em Direito pela USP, professor de Direito Aduaneiro e analista de Comércio Exterior, especialista em tributação e facilitação do comércio internacional; e por Tiago Barbosa, consultor do BID e do FMI, ex-coordenador-geral de Facilitação do Comércio da SECEX e ex-gerente do Portal Único de Comércio Exterior, com ampla atuação na modernização e simplificação das operações de importação e exportação no Brasil. A intenção é trazer uma abordagem prática sobre os reflexos da Reforma Tributária nas rotinas do Comércio Exterior. As inscrições já estão abertas e as vagas são limitadas.

Reforma Tributária exige atualização dos profissionais do Comércio Exterior

Segundo o presidente do SDA, Flavio Demetrio da Silva, a Reforma Tributária promoverá mudanças estruturais na forma como os tributos incidem sobre as operações econômicas, incluindo aquelas relacionadas ao Comércio Exterior. “O despachante aduaneiro atua diretamente na interface entre empresas e órgãos governamentais, sendo fundamental que esteja preparado para compreender os novos procedimentos, regras e impactos fiscais. O conhecimento dessas mudanças permitirá uma atuação mais segura, eficiente e estratégica, reduzindo riscos e contribuindo para a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional”, destaca.

Entre as principais mudanças previstas está a substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pelo Imposto Seletivo (IS). Segundo o Governo Federal, a medida deve simplificar a arrecadação, reduzir a cumulatividade e aumentar a transparência do sistema tributário.

A transição ocorrerá de forma escalonada até 2033, permitindo que empresas e governos se adaptem gradualmente às novas regras.

Capacitação será diferencial estratégico para despachantes aduaneiros

Para Flavio Demetrio da Silva, o período de transição exigirá interpretação técnica, acompanhamento constante da legislação e capacidade de traduzir informações complexas para a realidade operacional das empresas. “O despachante aduaneiro que investe em atualização profissional estará mais preparado para identificar oportunidades, prevenir problemas e orientar seus clientes com maior assertividade. Além disso, poderá auxiliar na adaptação de processos internos, no planejamento tributário e na tomada de decisões estratégicas, agregando ainda mais valor aos serviços prestados”, reforça.

A iniciativa reafirma o compromisso do SDA com a qualificação da categoria e incentiva os profissionais a participarem de cursos, treinamentos e debates sobre o tema. “O conhecimento continuará sendo o principal diferencial para o sucesso profissional. Os profissionais que buscarem capacitação estarão mais aptos a enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que surgirão”, finaliza Flavio.

Informações e inscrições

Mais informações e inscrições para o curso “Os Impactos da Reforma Tributária no Comex”, em Curitiba e Itajaí, podem ser obtidas pelo e-mail: patricia.financeiro@sda.org.br

SERVIÇO

Curso: “Os Impactos da Reforma Tributária no Comex”

📍 Curitiba (PR)
📅 20/06/2026
🕘 Das 9h às 16h
📌 Hotel Pestana – Rua Comendador Araújo, 499, Centro

📍 Itajaí (SC)
📅 04/07/2026
🕘 Das 9h às 16h
📌 Sandri Palace Hotel – Avenida Sete de Setembro, 1675, Fazenda

Ler Mais
Informação

Reforma tributária entra em fase de testes em janeiro de 2026: o que muda para empresas, importadores e consumidores

A partir de 1º de janeiro de 2026, o sistema tributário brasileiro inicia a sua maior transformação em décadas. Entra em vigor a fase de testes da Reforma Tributária do consumo, com a implementação do chamado IVA dual, formado pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal. Embora o governo trate 2026 como um ano educativo, as mudanças já exigem adaptações imediatas por parte das empresas.

Período de adaptação sem multas em 2026

Para reduzir impactos e dar previsibilidade ao setor produtivo, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS publicaram o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1, que estabelece um período de adaptação sem penalidades. As empresas terão três meses, contados a partir da publicação dos regulamentos do IBS e da CBS, para ajustar seus sistemas, documentos fiscais e rotinas internas, sem recolhimento dos novos tributos e sem aplicação de multas por descumprimento de obrigações acessórias.

A diretriz consolida 2026 como um ano de aprendizado, testes e calibragem, tanto para os contribuintes quanto para as administrações tributárias, reforçando o caráter educativo da fase inicial da reforma.

Destaque obrigatório do IBS e da CBS nas notas fiscais

Mesmo sem recolhimento efetivo dos novos tributos em 2026, as empresas passam a ter a obrigação de destacar o IBS e a CBS nos documentos fiscais eletrônicos. Nessa fase de testes, as alíquotas serão simbólicas: 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, totalizando 1%. Esses valores poderão ser abatidos dos tributos atuais (PIS e Cofins), evitando aumento da carga tributária neste momento.

Segundo especialistas, o objetivo é permitir que sistemas de emissão de notas, ERPs e plataformas fiscais sejam ajustados gradualmente, evitando rupturas operacionais quando a tributação plena começar, em 2027.

Adaptação tecnológica e riscos operacionais

A coordenadora do MBA de Gestão Tributária da FIPECAFI, Andressa Gomes, destaca que a principal preocupação das empresas deve ser a adaptação dos sistemas internos e a compreensão das operações, especialmente na formação de preços, que já deverá considerar o IBS e a CBS.

Ela ressalta que todas as empresas, independentemente do porte ou regime tributário — Simples Nacional, lucro real, presumido ou arbitrado —, precisarão se adaptar. A falta de preparação pode gerar riscos relevantes, como rejeição de notas fiscais, inconsistências cadastrais e até perda de competitividade frente a concorrentes mais preparados.

Integração interna e revisão de contratos

Outro desafio apontado por especialistas é a necessidade de integração entre áreas antes pouco conectadas, como fiscal, contábil, jurídico, tecnologia e comercial. Além disso, contratos com fornecedores e parceiros precisarão ser revisados para prever o repasse de tributos e garantir a neutralidade fiscal prometida pela reforma.

Empresas que não se anteciparem podem enfrentar não apenas riscos fiscais, mas também perda de competitividade, já que aquelas que dominarem rapidamente a lógica do IBS e da CBS tendem a operar com maior eficiência no novo ambiente tributário.

Capacitação como fator decisivo

A recomendação unânime é investir em capacitação profissional. Andressa Gomes alerta que empresas que não compreenderem a fundo suas operações — seja na indústria, no comércio ou nos serviços — podem incorrer em riscos econômicos e fiscais significativos já a partir de 2026.

Impactos adicionais: importações, imóveis e produtores rurais

A reforma também alcança outros setores:

  • Produtos importados passam a ser tributados no destino, com incidência de IBS e CBS, alinhando a carga tributária ao produto nacional.
  • Imóveis e aluguéis entram em fase de teste em 2026, com regras específicas para pessoas físicas que atuam de forma recorrente.
  • Produtores rurais com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões permanecem isentos, enquanto os que ultrapassarem esse limite deverão se adequar ao IVA, com alíquotas mais elevadas a partir de 2027.

2026: um ano decisivo de preparação

Embora a cobrança efetiva do novo modelo tributário comece de forma gradual apenas em 2027, 2026 será decisivo. É o período em que empresas precisarão testar sistemas, revisar cadastros, capacitar equipes e ajustar processos para evitar problemas futuros.

Como reforçam Receita Federal e Comitê Gestor do IBS, a transição busca garantir segurança jurídica, previsibilidade e uma mudança gradual, mas o sucesso dessa fase dependerá, sobretudo, do nível de preparação de cada contribuinte.

FONTES:

  • Receita Federal do Brasil e Comitê Gestor do IBS – Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1, publicado em 23/12/2025
  • FIPECAFI – Declarações de Andressa Gomes, coordenadora do MBA de Gestão Tributária em reportagem publicada pela CNN
  • Artigo “Ano novo, impostos novos: veja o que começa a valer em janeiro com a reforma tributária”, de Roberta Ribeiro, publicado em 25/12/2025 na Gazeta do Povo
  • Nota Técnica 002 (versão 1.33) – Documentos fiscais eletrônicos

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: Joédson Alves/Agência Brasil

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook