Logística

Abu Dhabi Ports compra CLI por R$ 4,1 bilhões e estreia no mercado portuário da América Latina

A Abu Dhabi Ports (AD Ports) oficializou a aquisição da CLI (Corredor Logística e Infraestrutura) por US$ 835 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 4,18 bilhões. A operação marca a entrada do grupo portuário dos Emirados Árabes Unidos no mercado da América Latina e representa o maior investimento já realizado pela companhia desde sua fundação, há cerca de duas décadas.

Do montante negociado, US$ 500 milhões correspondem à compra da participação acionária da empresa, enquanto o restante refere-se à assunção das dívidas da CLI.

A transação contou com assessoria do BTG Pactual e do escritório Machado Meyer pelo lado da compradora. Já a CLI foi representada pelo Citi, Pinheiro Neto e Lefosse.

Terminais movimentam cerca de 10% das exportações brasileiras

Com a aquisição, a AD Ports passa a controlar dois importantes terminais voltados ao escoamento de produtos agrícolas.

Os ativos estão localizados no Porto de Santos (SP), por meio do terminal CLI Sul, e no Porto de Itaqui (MA). Em 2025, as duas estruturas movimentaram mais de 17 milhões de toneladas de grãos e açúcar, volume equivalente a aproximadamente 10% de todas as exportações brasileiras desses produtos no período.

No mesmo exercício, a CLI registrou receita de cerca de R$ 1 bilhão. Apesar do faturamento, a empresa encerrou o ano com prejuízo líquido de R$ 12 milhões.

Negociação envolveu os dois acionistas da CLI

O processo de venda foi iniciado no começo de 2025, quando a CLI era controlada igualmente pela gestora brasileira IG4 e pela australiana Macquarie, cada uma com 50% de participação.

Embora a Macquarie não tivesse intenção inicial de se desfazer de sua fatia, a AD Ports iniciou as negociações no fim do ano passado com o objetivo de adquirir a totalidade da companhia, estratégia que acabou sendo concretizada.

Compra reforça estratégia de segurança alimentar dos Emirados Árabes

A aquisição está alinhada ao plano da Abu Dhabi Ports de fortalecer sua presença na cadeia global de abastecimento de alimentos.

Ao assumir o controle de uma infraestrutura relevante para o escoamento da produção agrícola brasileira, o grupo amplia sua participação em um dos principais corredores logísticos do maior exportador mundial de commodities agrícolas.

Essa não é a primeira iniciativa da companhia com esse perfil. Em 2022, a AD Ports adquiriu a empresa espanhola Noatum por US$ 645 milhões, ampliando sua atuação internacional em logística e infraestrutura com foco em mercados estratégicos.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Portos

Portos brasileiros ampliam movimentação de cargas estratégicas no primeiro semestre de 2026

Os portos brasileiros reforçaram sua importância para a logística nacional e o comércio exterior ao registrar crescimento na movimentação de cargas entre janeiro e junho de 2026. Terminais localizados em diferentes regiões do país apresentaram resultados positivos, impulsionados pelo transporte de grãos, contêineres, combustíveis, minérios, veículos e outros produtos destinados tanto ao mercado interno quanto às exportações.

Entre os principais destaques do semestre estão os portos de Santos (SP), Paranaguá e Antonina (PR), Itaqui (MA), Suape (PE), os portos administrados pela Codeba, na Bahia, e o Porto de Itajaí (SC).

Porto de Santos mantém liderança na América Latina

Maior complexo portuário da América Latina, o Porto de Santos movimentou 92,8 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, crescimento de 5,05% em comparação ao mesmo período do ano passado.

As exportações responderam por 68,71 milhões de toneladas, enquanto as importações totalizaram 24,08 milhões de toneladas.

Nas vendas ao exterior, a soja em grãos foi o principal produto embarcado, com 25,61 milhões de toneladas, seguida pela carga conteinerizada e pelos granéis líquidos, com destaque para óleo combustível, sucos cítricos e óleo diesel.

Já nas importações, a movimentação foi liderada pelas cargas em contêineres, fertilizantes e combustíveis.

Paraná registra alta impulsionada pela soja e pelos contêineres

Os portos de Paranaguá e Antonina movimentaram 34,44 milhões de toneladas no semestre, avanço de 0,6% sobre o mesmo período de 2025.

A soja permaneceu como principal destaque, alcançando 9,47 milhões de toneladas embarcadas, volume 21% superior ao registrado no ano anterior.

Outro segmento que apresentou crescimento foi o de cargas conteinerizadas, que atingiu 8,7 milhões de toneladas, alta de 8,9%.

Porto do Itaqui fortalece o Arco Norte

Fundamental para o escoamento da produção agrícola pelo Arco Norte, o Porto do Itaqui, no Maranhão, movimentou 16,58 milhões de toneladas entre janeiro e junho.

Os granéis sólidos concentraram a maior parte da operação, somando 11,97 milhões de toneladas, impulsionados principalmente pela soja.

Também tiveram participação relevante os granéis líquidos, especialmente derivados de petróleo, além da carga geral, liderada pela movimentação de celulose.

Suape cresce com petróleo, contêineres e veículos

O Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, registrou movimentação de 13,7 milhões de toneladas, crescimento de 25,6% na comparação anual.

Os granéis líquidos, compostos principalmente por petróleo e derivados, responderam pela maior parte das operações, com 9,14 milhões de toneladas.

O terminal também movimentou 333.786 TEUs, unidade utilizada para medir o volume de contêineres, além de registrar aumento na movimentação de granéis sólidos e de 33.779 veículos ao longo do semestre.

Portos da Bahia apresentam crescimento acima de 22%

Os portos públicos administrados pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) encerraram o semestre com crescimento de 22,49% na movimentação de cargas.

O Porto de Salvador liderou o desempenho, com 3,79 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelo avanço das importações.

Já o Porto de Aratu-Candeias movimentou 3,70 milhões de toneladas, registrando forte expansão das exportações.

No sul do estado, o Porto de Ilhéus movimentou 89,9 mil toneladas e passou a operar uma nova carga: o óxido de magnésio, embarcado pela primeira vez com destino ao Porto de Nova Orleans, nos Estados Unidos.

Porto de Itajaí registra um dos maiores crescimentos do país

O Porto de Itajaí, em Santa Catarina, movimentou 2,6 milhões de toneladas no primeiro semestre, resultado 40% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Na operação de contêineres, o terminal alcançou 238.873 TEUs, crescimento de 75% em relação ao ano anterior, reforçando sua recuperação e expansão operacional.

Portos impulsionam a logística e o comércio brasileiro

Os resultados registrados no primeiro semestre demonstram a relevância dos portos brasileiros para o escoamento da produção nacional, abastecimento da indústria e fortalecimento das exportações. A evolução da movimentação de cargas evidencia a importância da infraestrutura portuária para ampliar a competitividade do país e integrar diferentes modais de transporte.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/MPor

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Exportação

Exportação de farelo de soja ganha nova rota pelo Porto de Itaqui

O Brasil passa a contar com uma nova alternativa logística para impulsionar a exportação de farelo de soja. A operadora ferroviária VLI S.A. iniciará uma operação permanente de transporte do produto até o Porto de Itaqui, no Maranhão, ampliando a capacidade de escoamento e reduzindo a dependência dos portos do Sul do país.

A iniciativa busca solucionar gargalos logísticos em um momento de crescimento da produção nacional de farelo, resultado do aumento do processamento da soja para atender à demanda da indústria de biodiesel.

Nova rota ferroviária amplia capacidade de exportação

Segundo a diretora comercial da VLI, Carolina Hernandez Tascon, a empresa passará a operar o transporte de farelo de soja durante todo o ano pela ferrovia que liga importantes regiões produtoras ao Porto de Itaqui.

Até então, os embarques eram realizados apenas de forma pontual. Com a mudança, a operação se tornará contínua, oferecendo uma alternativa aos terminais portuários tradicionalmente mais congestionados das regiões Sul e Sudeste.

A nova rota atende áreas estratégicas da produção agrícola brasileira, incluindo Mato Grosso — maior produtor de soja do país —, além de Tocantins, Piauí e Bahia.

Produção crescente aumenta pressão sobre a logística

O fortalecimento da infraestrutura ocorre em um cenário de expansão da produção de farelo de soja no Brasil. O aumento do esmagamento da soja, impulsionado pela demanda da cadeia de biodiesel, tem elevado a oferta do coproduto destinado principalmente à fabricação de ração animal.

Com maior volume disponível para exportação, cresce também a necessidade de ampliar a capacidade de transporte, armazenagem e movimentação da carga.

De acordo com Carolina Tascon, a redução dos custos logísticos será determinante para elevar a competitividade do produto brasileiro frente à Argentina, atualmente a maior exportadora mundial de farelo de soja.

Outro fator considerado estratégico é a localização dos portos da região Norte, que oferecem menor distância marítima até a Europa, reduzindo custos e tempo de viagem para esse importante mercado consumidor.

Estrutura de armazenagem ainda é um desafio

Apesar dos investimentos realizados nos últimos anos para ampliar os embarques de soja e milho pelos portos do Norte, o farelo de soja exige instalações específicas para armazenamento e movimentação, já que precisa permanecer segregado de outras cargas.

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) alertou recentemente que, durante os períodos de safra, a elevada movimentação de soja no primeiro semestre e de milho na segunda metade do ano limita a disponibilidade de espaços para armazenagem, tornando a logística ainda mais desafiadora.

Empresas investem em novos terminais

Além da iniciativa da VLI, outras companhias também ampliam investimentos para fortalecer a infraestrutura de exportação.

As empresas 3Tentos Agroindustrial e Caramuru Alimentos desenvolvem um novo terminal de embarque em Miritituba, no Pará. A expectativa é que a estrutura entre em operação no último trimestre de 2026, ampliando a capacidade logística da região.

No caso da VLI, os primeiros testes com cargas de farelo de soja começam ainda neste mês. A empresa prepara áreas exclusivas de armazenagem em terminais ferroviários ligados ao corredor Norte. Os terminais portuários TPSL e Tegram, localizados no Maranhão, também passarão a operar com armazenamento e movimentação do produto.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dan Koeck

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Exportação

Arco Norte amplia participação nas exportações de grãos e desafia liderança dos portos do Sul

Durante décadas, os portos das regiões Sul e Sudeste concentraram o embarque da soja, do milho e de outros grãos produzidos no Brasil. No entanto, o crescimento da produção agrícola, especialmente no Centro-Oeste, impulsionou uma mudança significativa na logística nacional. Os portos do Arco Norte passaram a absorver uma parcela cada vez maior das exportações, reduzindo a dependência histórica de Santos e Paranaguá.

A principal vantagem está na localização estratégica. Para produtores instalados no interior do país, principalmente no Mato Grosso, transportar a produção para os terminais do Norte significa percorrer distâncias menores, diminuindo os custos com frete e aumentando a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

Nova rota logística fortalece o agronegócio

O avanço do Arco Norte deixou de ser uma projeção para se tornar uma realidade consolidada. Portos como Itaqui, no Maranhão, e diversos terminais instalados no Pará assumiram papel relevante no escoamento da produção agrícola.

A expansão foi impulsionada por investimentos em infraestrutura, incluindo novos terminais graneleiros, ampliação de cais, obras de dragagem e fortalecimento das hidrovias, que permitem o transporte de grãos por barcaças até os portos marítimos.

Essa integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias e terminais cria um corredor logístico alternativo capaz de disputar espaço com o tradicional eixo Sul-Sudeste.

Menos gargalos nos portos tradicionais

O crescimento da movimentação pelo Norte também contribui para reduzir a pressão sobre os portos de Santos e Paranaguá, que historicamente enfrentam filas de caminhões e navios durante os períodos de safra.

Embora continuem entre os principais corredores de exportação do país, os terminais do Sul passam a dividir o fluxo de cargas, tornando a logística nacional mais eficiente e menos dependente de uma única região.

Nos últimos anos, a participação do Arco Norte nas exportações de grãos cresceu de forma consistente e, em determinados períodos, já alcança volumes semelhantes ou até superiores aos registrados pelo eixo Sul-Sudeste.

Porto de Itaqui simboliza transformação logística

Entre os destaques dessa nova configuração está o Porto de Itaqui, no Maranhão. O terminal reúne características consideradas estratégicas para o comércio exterior, como calado profundo para receber grandes navios graneleiros e conexão com a Ferrovia Norte-Sul, facilitando o transporte da produção agrícola do interior até o litoral.

A integração entre ferrovia e porto tem contribuído para ampliar o volume de embarques destinados principalmente aos mercados da Ásia e da Europa.

Infraestrutura ainda é desafio para expansão

Apesar do avanço, especialistas apontam que ainda existem obstáculos para consolidar o potencial do Arco Norte.

Algumas hidrovias necessitam de melhorias para garantir operação durante todo o ano, enquanto projetos de infraestrutura enfrentam desafios relacionados ao licenciamento ambiental e à ampliação dos acessos rodoviários e ferroviários.

A expansão da capacidade logística dependerá da conclusão dessas obras e da integração eficiente entre diferentes modais de transporte.

Frete segue decisivo para competitividade da soja

Como a soja é uma commodity negociada internacionalmente com preços semelhantes, independentemente da origem, o custo do transporte exerce influência direta sobre a rentabilidade do produtor.

Nesse cenário, reduzir a distância entre as áreas produtoras e os portos representa uma vantagem econômica significativa. Por isso, o Arco Norte vem se consolidando como uma alternativa cada vez mais atrativa para o escoamento da produção agrícola do Centro-Norte brasileiro.

Além dos produtores rurais, o novo corredor logístico também movimenta investimentos de tradings, operadores portuários, governos estaduais e empresas privadas, fortalecendo a economia de estados do Norte e Nordeste.

Com a continuidade dos investimentos em infraestrutura, a tendência é que os portos do Arco Norte ampliem ainda mais sua participação nas exportações, consolidando-se como protagonistas da logística do agronegócio nacional.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Logística

AD Ports investe US$ 835 milhões e assume controle da CLI no Brasil

A AD Ports Group, companhia sediada em Abu Dhabi e especializada em infraestrutura portuária e logística, anunciou a aquisição do controle da Corredor Logística e Infraestrutura (CLI), em uma operação avaliada em US$ 835 milhões. O negócio representa a entrada oficial da empresa dos Emirados Árabes Unidos no mercado brasileiro de logística e terminais portuários.

A conclusão da transação ainda depende da aprovação de órgãos reguladores e autoridades de defesa da concorrência.

CLI opera em portos estratégicos do Brasil

A CLI atua como uma das principais plataformas independentes de logística portuária do país, com operações concentradas em dois importantes corredores de exportação: o Porto de Itaqui, no Maranhão, e o Porto de Santos, em São Paulo.

Atualmente, a empresa é controlada de forma compartilhada por fundos administrados pela IG4 Capital e pela Macquarie Asset Management, da Austrália. Ambos os grupos concordaram em vender suas participações para a AD Ports.

Segundo as empresas envolvidas, a chegada do novo controlador deverá impulsionar investimentos e apoiar a próxima etapa de expansão da plataforma logística brasileira.

Reestruturação impulsionou valorização da empresa

A trajetória recente da CLI foi marcada por uma ampla recuperação financeira. Em 2020, a IG4 Capital assumiu o controle da companhia em uma operação de aproximadamente US$ 240 milhões, incluindo passivos, quando a empresa enfrentava dificuldades financeiras.

Após um processo de reestruturação e fortalecimento operacional, a companhia passou a ampliar sua presença no setor portuário.

Em 2022, a Macquarie ingressou na sociedade como controladora conjunta, contribuindo para financiar a aquisição de terminais especializados em grãos e açúcar no Porto de Santos, anteriormente pertencentes à Rumo.

Operação reforça interesse internacional no setor logístico brasileiro

A aquisição da CLI reforça o movimento de investidores globais em busca de oportunidades no segmento de infraestrutura logística, considerado estratégico para o crescimento do comércio exterior brasileiro.

Com presença em diversos países, a AD Ports amplia sua atuação internacional ao ingressar em um mercado que desempenha papel fundamental no escoamento de commodities e produtos industrializados da América do Sul.

Bancos assessoraram negociação bilionária

A operação contou com a participação de instituições financeiras de destaque. O Citi atuou como assessor financeiro dos vendedores, representando a Macquarie e a IG4 Capital.

Já a AD Ports recebeu assessoria do BTG Pactual durante o processo de negociação e estruturação da compra.

FONTE: Bloomberg Línea:
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jonne Roriz/Bloomberg

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