Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA: veja a lista de produtos afetados divulgada pelo governo

O Governo do Brasil publicou na última sexta-feira (12) a tabela de produtos impactados pelas tarifas adicionais impostas unilateralmente pelos Estados Unidos. A medida integra o Plano Brasil Soberano, que estabelece critérios para acesso a linhas de crédito emergenciais e busca mitigar os efeitos do chamado tarifaço norte-americano.

Em Brasília, o tema teve reforço catarinense: o superintendente do Porto de Itajaí, João Paulo Tavares Bastos Gama, reuniu-se com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para discutir diretamente os reflexos das tarifas sobre empresas que utilizam o Porto de Itajaí como rota de exportação. “Nosso compromisso é garantir que os empresários catarinenses tenham o suporte necessário para enfrentar este momento. O Porto de Itajaí não é apenas um elo logístico: é um vetor de desenvolvimento econômico. Estamos atuando junto ao governo federal para ampliar alternativas comerciais e proteger empregos e investimentos na nossa região”, destacou João Paulo Tavares Bastos Gama.

Após o encontro, Alckmin ressaltou avanços nas negociações comerciais com o México e reforçou que o governo federal está ampliando relações com países da Ásia, a fim de diversificar mercados e reduzir a dependência das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Produtos afetados pelo tarifaço

De acordo com a Portaria Conjunta MDIC/MF nº 4, de 11 de setembro de 2025, serão atingidos 9.777 códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), divididos em duas listas:

  • 9.075 códigos entram automaticamente no cálculo do faturamento com exportações aos EUA.
  • 702 códigos exigirão autodeclaração das empresas comprovando impacto efetivo nas vendas.

Crédito emergencial para exportadores

O Plano Brasil Soberano destina R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para linhas de crédito a juros acessíveis. A prioridade será para empresas que registraram ao menos 5% do faturamento total em exportações de produtos atingidos entre julho de 2024 e junho de 2025.

Além disso, outras companhias poderão acessar R$ 10 bilhões via BNDES, também em condições especiais.

Critérios e prazos de financiamento

Para acessar os recursos, as empresas precisam estar regulares junto à Receita Federal e à PGFN. As linhas de financiamento contemplam:

  • Capital de giro;
  • Produção de bens afetados;
  • Aquisição de bens de capital;
  • Investimentos em adaptação e inovação.

Os prazos variam de 5 a 10 anos, com carência de 12 a 24 meses. O limite chega a R$ 150 milhões por empresa em investimentos e até R$ 200 milhões em capital de giro para grandes empresas (R$ 35 milhões para pequenas e médias).

Brasil Soberano: proteção ao setor produtivo

O Plano Brasil Soberano, lançado em 13 de agosto, reúne medidas emergenciais para enfrentar a elevação unilateral de até 50% nas tarifas de importação dos EUA sobre produtos brasileiros.

A iniciativa atua em três eixos principais:

  • Fortalecimento do setor produtivo;
  • Proteção aos trabalhadores;
  • Diplomacia comercial.

Com isso, o objetivo é preservar empregos, ampliar mercados estratégicos e assegurar competitividade às exportações brasileiras, com o Porto de Itajaí exercendo papel central na conexão do Brasil com o mundo.

Fontes

  • Portaria Conjunta MDIC/MF nº 4, de 11/09/2025
  • Plano Brasil Soberano – Governo Federal
  • Secretaria de Comunicação do Porto de Itajaí (Secom)
  • Vice-presidência da República – declarações do vice-presidente Geraldo Alckmin

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: PORTO DE ITAJAÍ

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Agronegócio

Acrimat critica Plano Brasil Soberano e cobra compensação para pecuaristas

Associação de Criadores do Mato Grosso afirma que o setor produtivo é quem realmente paga a conta das sobretaxas dos EUA e que as perdas diárias chegam a US$ 12 milhões

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) manifestou preocupação com o Plano Brasil Soberano, anunciado pelo governo federal, nesta quarta-feira (13) para mitigar os impactos das novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos.

A iniciativa destina R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para crédito com taxas acessíveis, amplia linhas de financiamento às exportações, prorroga a suspensão de tributos para empresas exportadoras e aumenta a restituição de tributos federais via Reintegra.

Segundo o governo federal, o plano se organiza em três eixos: fortalecimento do setor produtivo, proteção aos trabalhadores e diplomacia comercial, com o objetivo de proteger exportadores, preservar empregos e incentivar investimentos em setores estratégicos.

Desde 14 de julho, o Comitê Interministerial de Negociações e Contramedidas Econômicas e Comerciais, coordenado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, realizou 39 reuniões com cerca de 400 representantes de empresas, federações e governos estaduais, além de contatos com empresas norte-americanas.

No entanto, o plano não foi bem recebido por todos os setores. Em nota, a Acrimat pontua ver com “muita preocupação” o plano de ajuda emergencial ao setor exportador.

“No nosso setor, o pecuarista já está pagando essa conta sozinho com a derrubada dos preços da arroba quase que imediatamente após o anúncio do tarifaço pelos Estados Unidos. O produtor já está perdendo quase 400 reais por animal abatido, independentemente do destino dessa carne”, diz o presidente da entidade Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.

Ele reforça que, na visão da Associação, a prioridade deveria ser o ressarcimento dos produtores locais.

“Se há alguém ou setor que deva ser atendido, ressarcido ou ter qualquer tipo de compensação, é o pecuarista. Não há sentido algum dar incentivo a quem já se preveniu repassando seus prováveis futuros prejuízos ao produtor que sempre paga a conta.”

Conforme Ribeiro Jr., desde o anúncio das tarifas, o setor produtivo vem registrando perdas de cerca de US$ 12 milhões por dia com a queda nos preços da arroba, um período em que os produtores esperavam recuperação do valor da carne.

“Solicitamos ao governo federal que analise com cuidado antes de ajudar a quem não está pagando essa conta, para não cometer mais uma vez injustiça seja ela fiscal, tributária ou moral”, frisa o presidente da Acrimat.

O Plano Brasil Soberano, de acordo com o governo federal, busca não apenas reagir a uma ameaça imediata, mas também reconstruir e fortalecer o sistema nacional de financiamento e seguro à exportação, tornando o país mais competitivo e menos vulnerável a medidas externas. A expectativa com a medida é estimular empresas brasileiras a expandirem sua presença internacional e garantir que a defesa dos empregos caminhe junto com a preparação estratégica para novos desafios no comércio exterior.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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