Internacional

Como aviões comerciais continuam operando em meio a conflitos no Oriente Médio

Enquanto a tensão aumenta sobre o Irã e o Golfo, o tráfego aéreo comercial segue intenso, mesmo em rotas alteradas para garantir a segurança de passageiros e tripulações. O controle de voos tornou-se ainda mais complexo, exigindo coordenação e atenção máxima dos controladores de tráfego aéreo.

Tráfego aéreo desviado e rotas alternativas

Nos últimos 15 dias, enquanto drones e mísseis cruzavam o céu, controladores monitoravam aviões de passageiros por rotas mais seguras, ainda que congestionadas. Mapas de rastreamento mostram aumento de tráfego sobre regiões como Egito e Geórgia, à medida que as companhias aéreas buscam desviar aeronaves de áreas de risco.

Cada controlador supervisiona uma porção do espaço aéreo e coordena entradas e saídas com colegas. Em condições normais, um controlador acompanha cerca de seis aviões simultaneamente; em situações de conflito, esse número pode dobrar. Brian Roche, controlador aposentado do Reino Unido, alerta: “O cérebro consegue manter esse nível de concentração por apenas 20 a 30 minutos”.

Turnos curtos para evitar sobrecarga

Para lidar com o aumento do fluxo, os turnos de controladores são adaptados: normalmente, duram 45 a 60 minutos, seguidos por 20 a 30 minutos de descanso. Em períodos de guerra, a prática reduz os turnos para 20 minutos, com pausas iguais, garantindo segurança e concentração.

“Os controladores estão realizando turnos incríveis, lidando com volumes igualmente impressionantes de tráfego aéreo”, destaca Roche.

Lições do passado: MH17 e acidentes recentes

O acidente do voo MH17 da Malaysia Airlines, derrubado por um míssil em 2014 na Ucrânia e que matou 298 pessoas, exemplifica os riscos de voar sobre áreas de conflito. Mais recentemente, seis tripulantes americanos morreram após a queda de um avião-tanque no oeste do Iraque.

Incidentes assim reforçam a necessidade de rotas alternativas, planejamento antecipado e monitoramento constante do espaço aéreo.

Coordenação entre pilotos e controladores

Quando há fechamento parcial do espaço aéreo, os controladores informam os pilotos sobre rotas alternativas, combustível disponível e aeroportos aptos a receber cada tipo de aeronave. A separação segura entre aviões é fundamental, considerando turbulência causada por grandes jatos e diferenças de tamanho entre aeronaves.

Pilotos com experiência na região destacam que fechamentos repentinos são raros. “A maioria das companhias aéreas planeja com antecedência para evitar zonas de conflito. Neste caso, sabíamos que algo se formaria no Oriente Médio”, afirma John, piloto que prefere não ter seu nome divulgado.

Tripulação preparada e passageiros tranquilos

Além dos pilotos, comissários de bordo têm papel essencial em manter a calma dos passageiros durante conflitos. Hannah, que lidera equipes em voos de longa distância, ressalta: “Nosso trabalho vai muito além de servir refeições. Garantimos a segurança e o bem-estar dos passageiros em todas as situações”.

Alterações de rotas e escalas extras exigem adaptação da equipe, mas fazem parte da rotina. “Como comissários, sentimos que somos parte de uma grande família, unidos pelas asas”, completa Hannah.

Segurança e rotina aérea mantidas

Apesar dos desafios, o setor de aviação comercial continua a operar com segurança, disciplina e procedimentos rigorosos, garantindo que os passageiros cheguem ao destino mesmo em meio a crises geopolíticas.

FONTE: Estado de Minas
TEXTO: Redação
IMAGEM: FlightRadar24

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Greve

Pilotos de linhas aéreas aprovam greve nacional na Argentina

Paralisação é resposta a decreto do governo Milei que reduziu período mínimo de descanso e aumentou tempo máximo de voos

A APLA (Associação de Pilotos de Linhas Aéreas) da Argentina aprovou, por unanimidade, na 5ª feira (26.jun.2025) uma greve nacional de pilotos. Ainda não há data para a paralisação. Os trabalhadores protestam contra o decreto 378/2025, que alterou o regime de tempo máximo de voo e de período de descanso para os tripulantes.

A decisão foi tomada durante Assembleia Geral realizada na sede do sindicato em Lezica, a menos de 1 mês do início das férias de inverno no país.

Segundo a APLA, a norma do governo de Javier Milei (La Libertad Avanza, direita) foi implementada sem o devido processo de consulta aos profissionais do setor e sem análise técnica adequada dos riscos envolvidos.

O decreto modificou os parâmetros operacionais estabelecidos para os pilotos, incluindo a extensão dos tempos máximos de voo e a redução dos períodos mínimos de descanso entre as jornadas de trabalho.

Apesar da mobilização da associação, as novas regras na Argentina se alinham a normas e legislações já estabelecidas internacionalmente.

O horário de voo para pilotos argentinos, por exemplo, ficou estabelecido em 1000h por ano –antes era 800h–, o que significava um aumento na quantidade de voos e dias trabalhados. Esse limite, no entanto, já é praticado no Brasil –na Lei nº 13.475/2017, Estados Unidos –na CFR Part 117– e nos países da UE (União Europeia).

As horas de descanso também são semelhantes. A Argentina passaria a praticar 30 horas semanais de descanso. É o padrão das legislações brasileiras e norte-americanas. O decreto também cria um mínimo de 120h mensais de voo para os pilotos.

Eis como ficaram as regras na Argentina e como são em outros países:

  • Argentina
    • Limite anual de voo: até 1.000 horas para voos regulares (1.400 horas para voos charter);
    • Limite mensal de voo: até 120 horas;
    • Descanso mínimo diário: descanso igual ao tempo trabalhado no dia anterior, mas nunca inferior a 10 horas consecutivas. A cada 7 dias, é obrigatório um descanso mínimo de 30 horas consecutivas;
    • Férias: direito a pelo menos 15 dias de férias consecutivas por ano.
  • Brasil
    • Limite anual de voo: 800 a 960 (aviões convencionais) horas;
    • Limite mensal de voo: 80 a 100 horas;
    • Descanso mínimo diário: 12 a 24 horas.
  • Estados Unidos
    • Limite anual de voo: Até 1.000 horas (ou 1.400 horas para voos charter, ou seja, sob demanda);
    • Limite mensal de voo: 100 horas;
    • Descanso mínimo diário: 10 horas.
  • União Europeia
    • Limite anual de voo: 900 horas;
    • Limite mensal de voo: 100 horas
    • Descanso mínimo diário: 10 a 12 horas.

Na teoria, a Argentina não pratica uma “precarização” do trabalho, mas uma flexibilização das regras ao estabelecer mínimos mais baixos –como nas férias, que variavam de 30 a 45 dias, e ficam com mínimo de 15 dias na nova legislação.

Na prática, no entanto, tais mudanças abrem espaço para as companhias aéreas estabelecerem prazos mais apertados e com menos descanso para os pilotos. “É o preço da liberdade”.

Segundo mensagem publicada no perfil da associação no X, a assembleia teve ampla participação de filiados. Os pilotos ratificaram o estado de assembleia permanente e concederam à comissão diretiva autoridade para implementar “todas as medidas de ação gremial que considere pertinentes”.

Reivindicações da APLA

A APLA manifestou preocupação com os efeitos da nova normativa sobre a segurança operacional do sistema aeronáutico argentino. “Seguiremos com nossa luta, com a responsabilidade e a consciência que a segurança operacional exige — um princípio fundamental da nossa atividade”, escreveu na mensagem.

Em comunicado divulgado após a assembleia, a APLA declarou que “o decreto […] foi imposto sem análise de risco sistêmico nem consulta aos atores do setor”. O texto também acrescentou: “Não apenas precariza nossas condições laborais: compromete diretamente a segurança dos voos”.

Os pilotos representados pela APLA são os profissionais diretamente afetados pela medida governamental. O sindicato alerta que as mudanças introduzidas pelo decreto têm impacto direto sobre a capacidade de recuperação das tripulantes, o que pode resultar em situações críticas durante o voo.

Diante da mobilização dos trabalhadores, segundo o La Nación, o governo publicou a resolução 402/2025, que suspende por 90 dias a implementação do decreto 378/2025.

Essa medida, no entanto, foi rejeitada pela APLA, que exige a revogação definitiva da norma. O sindicato considera que a suspensão total do decreto, em vez da revisão apenas do artigo mais questionado, confirma a falta de solidez técnica da medida.

A Comissão Diretiva da APLA direcionou suas críticas ao subsecretário de Transporte Aéreo, Hernán Gómez, apontando-o como o principal responsável por impulsionar uma medida “improvisada, tecnicamente inconsistente e completamente desconectada do funcionamento real do sistema aerocomercial”.

Enquanto a data da greve não é anunciada, o sindicato mantém estado de assembleia permanente, permitindo ativar ações sindicais imediatas caso não haja avanços na revogação da normativa questionada.

Fonte: Poder 360

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