Comércio Internacional

Preços do açúcar, café e cacau avançam com onda de calor na Europa e efeitos do El Niño

Os mercados internacionais de açúcar, café e cacau encerraram a semana sob forte influência das condições climáticas. A combinação da intensa onda de calor na Europa com as preocupações em torno do El Niño elevou a percepção de risco para a oferta global das commodities agrícolas, impulsionando as cotações, principalmente do açúcar e do cacau.

Clima extremo sustenta alta do açúcar

Os contratos futuros do açúcar bruto negociados na ICE fecharam em alta de 3,2%, cotados a 13,98 centavos de dólar por libra-peso, depois de atingirem o maior nível em cerca de duas semanas e meia, de 14,09 centavos. No acumulado da semana, o avanço foi de 2,8%.

Segundo analistas do mercado, a valorização reflete a preocupação com o clima em importantes regiões produtoras. A severa onda de calor registrada na Europa, a redução de aproximadamente 42% nas chuvas de monção na Índia e o tempo quente e seco na Tailândia reforçam os temores de impactos sobre a produção mundial.

Apesar desse cenário, a queda dos preços da energia limita ganhos mais expressivos. Isso porque o petróleo mais barato aumenta a tendência de destinar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar, reduzindo o uso da matéria-prima na produção de etanol.

Já o açúcar branco registrou valorização de 4,3%, encerrando o dia cotado a US$ 464 por tonelada, após alcançar o maior patamar em quase três meses. Na semana, o produto acumulou alta de 5,2%, favorecido pelas dificuldades climáticas enfrentadas pela Europa.

El Niño mantém mercado de café em alerta

No mercado de café, os contratos do robusta recuaram 1%, encerrando a sessão a US$ 3.627 por tonelada. Mesmo com a queda diária, especialistas destacam que o El Niño continua sendo um importante fator de sustentação dos preços, devido ao risco de temperaturas elevadas e menor volume de chuvas no Sudeste Asiático e na Índia, regiões estratégicas para a produção da variedade.

O café arábica também registrou baixa de 1,2%, sendo negociado a US$ 2,732 por libra-peso, após renovar recentemente a máxima de quase seis semanas.

No Brasil, as chuvas associadas ao fenômeno climático provocaram atrasos na colheita e afetaram parte da qualidade dos grãos. Ainda assim, a expectativa permanece positiva para uma safra robusta do maior produtor mundial de arábica. A previsão de melhora nas condições climáticas ao longo dos próximos dias deve favorecer o avanço dos trabalhos no campo.

Cacau acumula forte valorização na semana

O cacau foi uma das commodities de maior destaque no período. Em Londres, os contratos fecharam em queda de 2,8%, cotados a £ 3.820 por tonelada, mas encerraram a semana com valorização acumulada de 16%.

Em Nova York, os contratos recuaram 2,9% no fechamento diário, para US$ 5.095 por tonelada. No entanto, o saldo semanal foi expressivo, com alta de 20%.

De acordo com análises do mercado, a valorização do cacau reflete a transição para uma fase ativa do El Niño, a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio e o desenvolvimento mais lento da safra principal 2026/27 na África Ocidental. Apesar disso, instituições financeiras ainda projetam um excedente de produção para a temporada e avaliam que parte do prêmio de risco associado ao fenômeno climático pode estar acima do necessário.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Infomoney

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Internacional

Bloqueio ômega intensifica onda de calor extrema na Europa e eleva número de mortes

A forte onda de calor na Europa Ocidental continua provocando impactos severos em diversos países. Na França, mais de 40 mortes já foram registradas em meio às temperaturas extremas. Especialistas apontam que o cenário é sustentado por um fenômeno meteorológico conhecido como bloqueio ômega, responsável por prolongar períodos de calor intenso.

O padrão atmosférico tem chamado a atenção de meteorologistas devido à sua capacidade de manter massas de ar quente estacionadas sobre uma mesma região por vários dias ou até semanas.

O que é o bloqueio ômega?

O chamado bloqueio ômega recebe esse nome por causa da sua semelhança com a letra grega Ω. O fenômeno ocorre quando uma área de alta pressão atmosférica fica posicionada entre dois sistemas de baixa pressão.

Na prática, essa configuração cria uma espécie de barreira que impede o deslocamento normal dos sistemas meteorológicos. Em condições comuns, a corrente de jato transporta massas de ar de oeste para leste de forma contínua. Durante o bloqueio ômega, porém, esse fluxo sofre alterações significativas, fazendo com que os sistemas permaneçam praticamente estacionários.

Além disso, ventos mais fracos e diferenças de temperatura na atmosfera contribuem para a manutenção desse padrão climático.

Como o fenômeno favorece o calor extremo?

Sob a influência da alta pressão, o tempo tende a permanecer seco e ensolarado. A formação de nuvens é reduzida, permitindo maior incidência de radiação solar e favorecendo o aumento das temperaturas.

Esse é o cenário observado atualmente em países como França e Espanha, onde os termômetros já ultrapassaram os 40°C em diversas localidades.

Enquanto isso, as regiões localizadas nas áreas de baixa pressão que cercam o bloqueio costumam registrar condições opostas, com temperaturas mais amenas e aumento das chuvas.

No Reino Unido, por exemplo, o Met Office, serviço meteorológico britânico, informou que o país está situado na zona de transição entre o ar quente associado à alta pressão e massas de ar mais frias vindas do noroeste. Como resultado, o sul e o leste enfrentam calor intenso, enquanto o norte e o oeste apresentam clima mais fresco e úmido.

Mudanças climáticas podem agravar as ondas de calor?

Embora os cientistas ainda debatam se as mudanças climáticas estão aumentando a frequência dos eventos de bloqueio ômega, existe consenso de que o aquecimento global tem tornado as ondas de calor mais frequentes e severas.

De acordo com estudos climáticos, as emissões de gases de efeito estufa provenientes da queima de carvão, petróleo e gás elevaram a temperatura média do planeta em aproximadamente 1,3°C desde o período pré-industrial.

Esse aumento da temperatura de base faz com que eventos de calor extremo atinjam níveis ainda mais elevados. Segundo a pesquisadora Clair Barnes, do Imperial College London, as atuais ondas de calor europeias estão entre 2°C e 4°C mais intensas do que seriam em um cenário sem a influência do aquecimento provocado pela atividade humana.

Dessa forma, quando fenômenos atmosféricos como o bloqueio ômega se estabelecem, seus efeitos podem ser potencializados, resultando em temperaturas recordes e impactos mais graves para a população.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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