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“NR-1 na Prática” reúne especialistas para orientar empresas sobre os novos desafios da saúde mental e gestão de riscos no trabalho

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) marca uma nova fase na gestão de saúde e segurança do trabalho no Brasil. Com a ampliação do foco sobre os riscos psicossociais, as empresas passaram a ser desafiadas a olhar para além dos riscos físicos, incorporando fatores como estresse ocupacional, assédio, sobrecarga de trabalho, clima organizacional e saúde mental na gestão de seus ambientes corporativos.

Esse novo cenário tem despertado dúvidas entre empresários, gestores e profissionais de Recursos Humanos sobre como colocar as exigências da norma em prática. Para contribuir com esse processo, o ReConecta News promove, no dia 29 de julho, o encontro “NR-1 na Prática”, no espaço We Scale, na Praia dos Amores, em Balneário Camboriú. O encontro está marcar para começar às 9h.

O evento contará com palestras e uma mesa de debates formada por especialistas com ampla experiência nas áreas jurídica, psicológica, acadêmica e de gestão de pessoas.

Uma visão multidisciplinar sobre a nova NR-1

A programação foi estruturada para apresentar diferentes perspectivas sobre a implementação da norma, oferecendo aos participantes uma visão prática dos impactos da atualização na rotina das empresas.

Entre os convidados está Odair Tramontim, mestre em Direito, professor da FURB desde 1990 e ex-promotor de Justiça, com 35 anos de atuação no Ministério Público e passagem pela coordenação do GAECO de Blumenau. Também participa a psicóloga Greice Ferreira, fundadora da ComexMind, que reúne 15 anos de experiência na psicologia clínica e organizacional, com atuação voltada à gestão de riscos psicossociais e saúde mental no ambiente corporativo.

Representando a academia, Rogério Benche contribuirá com sua experiência em comportamento humano, desenvolvimento de lideranças e produtividade organizacional. A mediação da mesa de discussões será conduzida por Rose Catarina, executiva com quatro décadas de trajetória profissional e 27 anos dedicados à gestão de pessoas, especialista em gestão estratégica, operações e desenvolvimento humano.

Espaço para troca de experiências

Mais do que apresentar os aspectos técnicos da norma, o encontro foi pensado para aproximar empresários, gestores, profissionais de Recursos Humanos, lideranças e especialistas em um ambiente de discussão sobre as mudanças que já começam a transformar a cultura organizacional das empresas brasileiras.

A condução do evento ficará por conta da CEO do ReConecta News, Renata Palmeira, que atuará como host das apresentações e da programação.

Segundo Renata, a proposta é transformar um tema que ainda gera muitas dúvidas em conhecimento acessível e aplicável à realidade das empresas. “A atualização da NR-1 representa muito mais do que uma mudança legal. Ela reforça a necessidade de as organizações olharem para as pessoas como parte estratégica do negócio. O ‘NR-1 na Prática’ foi criado justamente para conectar conhecimento, experiências e soluções que ajudem empresas e lideranças a implementar essas mudanças de forma segura, responsável e eficiente.”

Para participar basta acessar o link: https://meuingresso.com.br/eventos/nr1-na-pratica

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Saúde

STF suspende multas da NR-1 por 90 dias, mas mantém obrigação das empresas de proteger a saúde mental

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a suspensão, por 90 dias, da aplicação de multas e demais sanções relacionadas aos riscos psicossociais previstos na NR-1. A decisão, assinada pelo ministro André Mendonça, busca abrir espaço para um processo de conciliação que esclareça como as empresas devem cumprir as exigências da norma.

Apesar da suspensão das penalidades, a obrigação de identificar, avaliar e prevenir fatores que possam comprometer a saúde mental no trabalho continua em vigor em todo o país.

O que muda com a decisão do STF

A medida tem caráter liminar e impede temporariamente que auditores-fiscais do trabalho apliquem multas, autuações ou outras sanções relacionadas aos dispositivos da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) que tratam dos riscos psicossociais.

Na prática, as empresas seguem obrigadas a adotar medidas para prevenir situações como assédio, sobrecarga de trabalho, jornadas excessivas, pressão constante e falhas na organização do ambiente laboral. A decisão também suspende, durante esse período, os efeitos de penalidades já aplicadas com base nesses dispositivos específicos da norma.

Conciliação deve definir critérios mais objetivos

A suspensão atende a uma ação movida pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), que questiona a falta de critérios objetivos para a identificação e gestão dos chamados riscos psicossociais.

Segundo a entidade, a ausência de parâmetros claros pode gerar insegurança jurídica e dificultar o cumprimento das exigências pelas empresas. Ao analisar o caso, o ministro André Mendonça reconheceu a importância da atualização da NR-1 para fortalecer a proteção à saúde mental dos trabalhadores, mas considerou necessário esclarecer quais condutas são efetivamente exigidas das organizações e em quais situações elas poderão ser responsabilizadas.

Por esse motivo, foi determinada a abertura de um procedimento de conciliação no Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) do STF, reunindo representantes do governo, empregadores e demais envolvidos.

NR-1 continua valendo

A suspensão das multas não altera a validade da norma. O Ministério Público do Trabalho (MPT) reforçou que as empresas continuam obrigadas a implementar ações de prevenção, identificação e controle dos fatores de risco psicossociais.

Segundo o órgão, a proteção da saúde mental dos trabalhadores está assegurada não apenas pela NR-1, mas também pela Constituição Federal, pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e por convenções internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O MPT informou ainda que continuará atuando na fiscalização e orientação das empresas para garantir ambientes de trabalho seguros e saudáveis.

Entenda a atualização da NR-1

A atualização da NR-1 entrou em vigor em maio de 2026 após ter sido adiada por um ano diante de pedidos do setor empresarial. A nova regulamentação passou a incluir oficialmente os riscos psicossociais entre os fatores que devem integrar o gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas. Desde sua publicação, a medida vem sendo alvo de discussões judiciais e de pedidos por maior clareza técnica sobre sua aplicação.

A atualização da norma ocorre em um momento de crescimento dos afastamentos por transtornos mentais relacionados ao trabalho. Dados apresentados no processo mostram que ansiedade, depressão, jornadas prolongadas, assédio e pressão excessiva têm contribuído para o aumento das licenças médicas no país, reforçando a necessidade de políticas voltadas à promoção da saúde mental, da segurança do trabalho e da melhoria das condições laborais.

Fonte: G1

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa Pexels

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Saúde

Atualização da NR-1 entra em vigor e reforça proteção à saúde mental no ambiente de trabalho

A partir desta terça-feira (26), começa a valer a atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), ampliando a responsabilidade das empresas na proteção da saúde mental dos trabalhadores. Com as novas regras, organizações passam a ser obrigadas a identificar, avaliar e prevenir riscos psicossociais no ambiente corporativo.

A mudança acompanha o crescimento dos casos de afastamentos por transtornos mentais no Brasil e aproxima a legislação trabalhista brasileira de padrões internacionais voltados à saúde ocupacional.

O que muda com a atualização da NR-1

A NR-1 é considerada a principal diretriz de Segurança e Saúde no Trabalho no país. A norma estabelece que empresas adotem o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais por meio do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Com a atualização, fatores ligados à saúde emocional e psicológica dos colaboradores passam a integrar oficialmente a lista de riscos que precisam ser monitorados pelas empresas.

Entre os principais fatores que deverão ser identificados e prevenidos estão:

  • Assédio moral;
  • Metas excessivas;
  • Sobrecarga de trabalho;
  • Jornadas abusivas;
  • Pressão psicológica constante;
  • Clima organizacional tóxico;
  • Falta de pausas e descanso.

Brasil registra alta nos afastamentos por transtornos mentais

A implementação da nova regra ocorre em um cenário de crescimento expressivo dos afastamentos relacionados à saúde mental. Segundo dados da Previdência Social, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, o maior número da série histórica. O volume representa aumento de 15,6% em comparação com 2024. Além do impacto humano, os afastamentos também geraram custos elevados ao INSS, chegando perto de R$ 1 bilhão no último ano.

Especialistas em direito trabalhista avaliam que a atualização da NR-1 amplia a responsabilidade das empresas na prevenção do adoecimento mental dos funcionários. De acordo com a advogada trabalhista Angela Glomb, a inclusão formal dos riscos psicossociais cria critérios mais objetivos para fiscalizações e ações judiciais.

A expectativa é de crescimento em processos relacionados a:

  • Burnout;
  • Ansiedade ocupacional;
  • Depressão ligada ao trabalho;
  • Assédio moral organizacional;
  • Cobranças excessivas por metas.

Segundo a especialista, empresas que não implementarem medidas efetivas de prevenção poderão enfrentar condenações indenizatórias mais severas. “Do ponto de vista jurídico, a mudança fortalece a responsabilidade civil da empresa em casos de adoecimento mental, a obrigação de adotar medidas preventivas, a fiscalização por auditores do trabalho e a produção de provas em ações judiciais”, explica Angela, em reportagem publicada no site CNN.

Prevenção ganha protagonismo na saúde ocupacional

Na avaliação de profissionais da área da saúde corporativa, a nova exigência pode ajudar empresas a identificar sinais de adoecimento antes que o trabalhador precise ser afastado. Amanda Bittencourt, gerente de uma empresa de saúde ocupacional, destaca que sintomas como exaustão constante, dificuldades de concentração, alterações no sono e aumento do estresse costumam surgir antes de quadros mais graves. “Isso é crucial porque os primeiros sinais de adoecimento surgem de forma mais silenciosa, muito antes do afastamento de fato, refletindo-se em sintomas como exaustão constante, dificuldade de concentração, alterações de sono e aumento do estresse nas equipes”, destaca em entrevista à CNN.

Com a atualização da NR-1, empresas passam a ter a obrigação de desenvolver um olhar estruturado sobre fatores emocionais e organizacionais que impactam diretamente a saúde dos colaboradores.

Denúncias devem preservar anonimato dos trabalhadores

Outro ponto destacado pelos especialistas é a necessidade de garantir segurança e confidencialidade aos funcionários. O objetivo da norma não é expor individualmente os trabalhadores, mas permitir que empresas realizem análises preventivas sobre o ambiente corporativo por meio de dados coletivos e estatísticos. Segundo especialistas, os gestores terão acesso apenas a indicadores gerais dos setores, sem visualização de diagnósticos individuais, preservando o sigilo das informações e fortalecendo ações de acolhimento e prevenção.

Fonte: Com informações da CNN Brasil.

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa / Magnific

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Especialista

O ESPECIALISTA: GREICE FERREIRA


NR-1: como a nova exigência de riscos psicossociais muda a forma de cuidar das pessoas nas empresas

Quando o risco não é visível, mas é real

O mundo corporativo mudou. Processos estão mais ágeis,metas mais exigentes e o nível de cobrança — interna e externa — nunca foi tão alto. Nos bastidores dessa rotinaacelerada, um novo tipo de risco começou a ganhar nome e, agora, espaço legal: os riscos psicossociais.

Esses riscos estão diretamente ligados à saúde mental, à forma como as pessoas se relacionam com o trabalho e à cultura organizacional. Quando nãoreconhecidos, afetam produtividade, clima e até a reputaçãoda empresa.

O que é a NR-1 e o que ela exige das empresas

Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) define as diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho. Desde a atualização publicada em 2022, ela passou a incluir aobrigatoriedade de identificar e avaliar os riscos psicossociais — um marco que aproxima, pela primeira vez, a psicologia organizacional da segurança do trabalho.

Na prática, isso significa que:

● As​empresas​precisam​avaliarfatoresdeestresse,sobrecarga, comunicação e relações de trabalho;

● Elaborar relatórios técnicos e planos de ação que comprovem a análise;

● E​atuarpreventivamente,​promovendo​ambientes​saudáveis​e emocionalmente seguros.

Ignorar essa etapa pode gerar não conformidade legal, além de custos indiretos altos: afastamentos, queda de performance e rotatividade.

Pontos de atenção: onde estão os principais riscos

Os riscos psicossociais não aparecem em máquinas, planilhas ou EPIs — eles aparecem em comportamentos e sinais sutis do dia a dia. Entre os principais pontos de atenção estão:

1. Sobrecarga e prazos excessivos, que geram estresse crônico e exaustão.

2. Lideranças despreparadas, que comunicam pressão sem suporte.

3. Falta de escuta e diálogo, que criam sensação de isolamento e medo.

4. Ambientes competitivos e desumanizados, que adoecem silenciosamente.

5. Ausência de políticas claras de apoio psicológico e emocional.

Esses fatores comprometem não apenas a saúde doscolaboradores, mas também

a sustentabilidade emocional e financeira do negócio.

Como transformar a exigência em oportunidade

Cumprir a NR-1 vai muito além do compliance: é uma chancede rever a cultura organizacional e fortalecer o capital humano. Empresas que tratam o tema de forma preventiva colhem resultados concretos:

● Menos afastamentos e processos trabalhistas;

● Equipes mais engajadas e criativas;

● Maior retenção de talentos;

● Clima de confiança e pertencimento.

Como psicóloga organizacional, percebo que quando as lideranças aprendem a equilibrar exigência e humanidade, a empresa ganha em todos os sentidos — inclusive financeiramente. Cuidar de quem sustentatudo é, hoje, uma das estratégias de gestão mais inteligentes.

Como começar o processo de adequação

O primeiro passo é realizar um Diagnóstico de RiscosPsicossociais, que mapeia as condições emocionais e relacionais que impactam o ambiente de trabalho. Esse diagnóstico serve de base para o plano de ação exigido pela NR-1, e deve ser conduzido por profissionais habilitados em psicologia organizacional e segurança do trabalho.

A partir desse diagnóstico, a empresa pode implementar programas de Desenvolvimento Humano e Compliance Emocional, voltados à redução dos riscos psicossociais identificados — que normalmente envolvem aspectos de liderança, comunicação, clima organizacional e sobrecarga emocional.

As ações podem incluir treinamentos de liderança saudável, aprimoramento da comunicação assertiva e estratégias de prevenção do burnout, entre outras intervenções personalizadas conforme o perfil da empresa.

Cumprir a NR-1 não é um custo. É um investimento inteligente em pessoas, reputação e resultado. Ofuturo das empresas será definido por quem entender quesaúde mental também é estratégia de negócio.

Greice Ferreira é psicóloga clínica e organizacional, com mais de 15 anos de experiência em saúde mental e 10 anos de atuação em programas de Saúde e Segurança do Trabalho (NRs 33 e 35).

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