Negócios

Iates de luxo acima de R$ 25 milhões dominam mercado, afirma CEO do Okean

Grupo Okean investe em verticalização e diversificação para enfrentar pressões do mercado, enquanto inovações sustentáveis ganham destaque nas embarcações

O mercado náutico brasileiro está passando por uma transformação significativa, com um aumento de 60% na demanda por iates de 70 a 100 pés desde 2024. Essa mudança reflete uma migração de consumidores para embarcações mais caras, enquanto a procura por barcos menores, até 60 pés, diminui. Roberto Paião, CEO do Grupo Okean, destaca que essa tendência é uma resposta natural à saturação do mercado de embarcações menores.

O principal modelo em vendas do estaleiro, a Ferretti 850, exemplifica essa nova demanda, com preço médio de R$ 36 milhões. Apesar do crescimento, o setor enfrenta desafios, como pressões regulatórias e tarifas de importação. Paião considera a inclusão do IPVA para embarcações na reforma tributária uma ameaça significativa, citando experiências negativas em outros países que resultaram em perda de empregos.

Estratégias de Diversificação

Para enfrentar esses desafios, o Grupo Okean está adotando estratégias de diversificação e verticalização. A empresa inaugurou uma nova fábrica de móveis náuticos em Santa Catarina, que produzirá itens para substituir importações. Além disso, avalia investimentos nos Estados Unidos para montagem final de embarcações, visando evitar tarifas mais altas.

A diversificação geográfica também é uma prioridade, com exportações para países como Austrália, Japão e prospecção nos Emirados Árabes Unidos. O grupo também lançou o programa Concierge & Co, que oferece compartilhamento de embarcações menores, visando aumentar a utilização e a produção.

Inovação e Sustentabilidade

O setor está incorporando inovações tecnológicas focadas em sustentabilidade e eficiência, como propulsão elétrica e sistemas de hidrogênio. Paião observa que essas tecnologias estão se tornando cada vez mais relevantes entre consumidores de luxo. O futuro do grupo inclui a expansão para embarcações acima de 100 pés, acompanhando a tendência de crescimento do segmento ultra luxo.

Com 8.000 quilômetros de costa, o Brasil apresenta um potencial significativo para o mercado náutico, apesar dos desafios de infraestrutura. A estratégia do Grupo Okean visa aproveitar esse potencial, focando em um nicho de mercado com menor concorrência e maior margem de lucro.

Fonte: Portal Tela

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Agronegócio, Negócios

ApexBrasil terá escritório em Cuiabá e aproxima Mato Grosso do mercado internacional

Brasília testemunhou nesta terça-feira (23/09) um marco histórico para a agricultura e pecuária mato-grossense. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, assinou, ao lado do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, um termo de cooperação que oficializa a instalação de um escritório regional da ApexBrasil no Edifício Famato, em Cuiabá.

A iniciativa, proposta pela Famato, consolida Mato Grosso como protagonista no cenário global do agronegócio. Com a chegada da ApexBrasil, o estado passa a contar com uma estrutura dedicada a preparar e conectar cadeias produtivas diretamente ao mercado internacional, garantindo acesso a certificações, orientação estratégica e atração de novos investidores.

Maior produtor nacional de soja, milho, algodão e carne bovina, Mato Grosso concentra números que o colocam entre as maiores potências do setor no planeta. Agora, com a presença física da ApexBrasil em Cuiabá, os produtores rurais terão acesso facilitado a serviços que antes dependiam de articulações em Brasília ou em outros polos do país, o que representa mais agilidade e competitividade.

Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, a medida coloca o produtor rural como protagonista no processo de internacionalização. “Nosso compromisso é abrir mercados e levar o nome de Mato Grosso para o mundo. Esse escritório vai dar ao produtor rural condições de competir em pé de igualdade, com suporte técnico, acesso a certificações e oportunidades que consolidam nossa posição como referência global em alimentos. É o agro mato-grossense, de mãos dadas com o Brasil, mostrando sua força e sustentabilidade ao planeta”, afirmou.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, que também é de Mato Grosso, destacou a importância do momento para o estado e para o país. “Ter um escritório da ApexBrasil em Cuiabá significa aproximar ainda mais o agro mato-grossense das oportunidades globais. Mato Grosso é a maior potência agropecuária do Brasil, e essa estrutura permitirá que os produtores tenham acesso direto a programas de internacionalização, certificações e parcerias estratégicas. É um passo que fortalece o produtor e projeta o Brasil no cenário mundial”, disse Fávaro.

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, reforçou o papel da Agência e a relevância da nova regional. “A missão da ApexBrasil é abrir portas, criar pontes e apoiar empresas e produtores que querem conquistar mercados internacionais. Estar em Cuiabá, coração do agronegócio brasileiro, é estratégico. Mato Grosso produz em grande escala e com qualidade, e merece ter esse apoio de perto. Esse escritório vai permitir que os produtores tenham mais acesso a programas de capacitação, feiras internacionais e investidores, ampliando o alcance da produção mato-grossense no mundo”, afirmou Viana.

O ato contou ainda com a participação do superintendente do Sistema Famato, Cleiton Gauer. Pela ApexBrasil, estiveram presentes a diretora de negócios, Ana Repezza, o coordenador de Relações Institucionais e Governamentais, Lucas Brandão, a gerente de Relações Institucionais e Governamentais, Carla Duarte, o gerente executivo da presidência, Raphael Cittadino, a coordenadora do Agronegócio, Luciana Pecegueiro, e o coordenador regional, Fellipe Paulino. Do Ministério da Agricultura e Pecuária participaram o chefe de gabinete, Wilson Taques, e o secretário-adjunto de Comércio e Relações Institucionais, Marcel Moreira.

Para o presidente da Famato, mais do que abrir mercados, a chegada da ApexBrasil simboliza um passo decisivo para que o maior beneficiado, o produtor rural, possa transformar potencial em resultado, consolidando Mato Grosso como motor do desenvolvimento brasileiro e referência no fornecimento de alimentos ao mundo.

Fonte: Famato

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Portos

Porto Itapoá anuncia dois novos diretores, reforçando sua estratégia de expansão

Marcelo Costa assume a diretoria financeira, enquanto Ricardo Nuno assume a recém-criada diretoria de Novos Negócios e Inovação

O Porto Itapoá anuncia duas mudanças importantes em sua estrutura organizacional, reforçando sua estratégia de crescimento e consolidação como um dos terminais portuários mais modernos e eficientes da América do Sul.

Além da criação da Diretoria de Novos Negócios e Inovação, que será liderada por Ricardo Nuno, o Terminal também confirma a chegada de Marcelo Costa como novo Diretor Financeiro (CFO).

As duas nomeações refletem a visão de futuro da empresa, que busca unir inovação, expansão e excelência em gestão financeira para sustentar sua trajetória de desenvolvimento.

Atual Gerente Comercial do Porto Itapoá, Ricardo Nuno assume a nova Diretoria de Novos Negócios e Inovação, que inicia no dia 6 de outubro. A área será responsável pelos processos de Novos Negócios, Engenharia (expansão), Inovação, Estratégia, Gestão de Projetos e Meio Ambiente (expansão). A estrutura nasce alinhada ao propósito do terminal de consolidar-se como o maior, mais eficiente e mais seguro da América do Sul.

Com mais de 20 anos de experiência no setor de logística e transporte, Ricardo já atuou em empresas de destaque no mercado global. Formado em Gestão da Cadeia de Suprimentos e Logística, com especializações em Finanças, Logística Empresarial e Administração, construiu sua carreira com foco em resultados, inovação e excelência operacional. “Assumir este novo desafio no Porto Itapoá é uma grande honra. Estou comprometido em impulsionar o crescimento sustentável do terminal, sempre com foco em inovação, segurança e excelência, para que possamos consolidar nossa posição como referência na América do Sul”, afirma Ricardo Nuno.

Marcelo Costa é formado em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco, com MBA em Finanças e mestrado em Ciências Econômicas e Finanças pelo Insper, além de formação executiva na Wharton University, nos Estados Unidos, Marcelo traz uma trajetória profissional de 30 anos, marcada por grandes projetos e mudanças estratégicas.

Com passagens por banco internacional e agência de risco, acumulou experiência no mercado financeiro até migrar para grandes empresas do setor energético. Segundo ele, a decisão de vir para o Porto Itapoá marca o início de um novo ciclo profissional. “A coragem visionária dos acionistas em apostar na criação de um porto desse porte é algo que me impressiona. É um privilégio poder fazer parte desse próximo capítulo. Estou motivado a contribuir com esse projeto e tenho certeza de que, juntos, podemos levar o Porto Itapoá a patamares ainda mais altos”, destaca Marcelo Costa.

Com as duas novas diretorias, o Porto Itapoá reforça sua estratégia de crescimento sustentável e inovação, ao mesmo tempo em que fortalece sua governança financeira.

A chegada de Marcelo Costa e a promoção de Ricardo Nuno representam não apenas o fortalecimento da gestão, mas também a preparação do terminal para os desafios e oportunidades de um mercado cada vez mais competitivo.

TEXTO E IMAGENS: DIVULGAÇÃO

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Internacional

O que os empresários americanos realmente pensam sobre Trump

Em público, poucos empresários e executivos americanos criticam Donald Trump.

Mas nos bastidores, a história é outra.

Durante um encontro a portas fechadas na Yale School of Management, ocorrido em Washington na quarta-feira, dezenas de líderes empresariais manifestaram suas preocupações com relação a temas como tarifas, imigração e um ambiente de negócios cada dia mais caótico e difícil de navegar.

O relato é de uma reportagem do Wall Street Journal.

“Eles estão sendo extorquidos e intimidados. Nas conversas reservadas, eles demonstram que estão realmente chateados,” disse ao Journal o professor Jeffrey Sonnenfeld, organizador do evento.

A “extorsão” refere-se a acordos como o que obriga a Nvidia a repassar para o Governo dos EUA uma parcela de suas vendas na China ou a golden share na US Steel.

Sondagens realizadas com os participantes dão uma mostra do mal-estar.

Com relação ao tarifaço, 71% das pessoas ouvidas disseram que é uma política prejudicial para suas empresas. 75% disseram que a Justiça deveria decidir como ilegal a imposição das tarifas decidida por Trump.

Quando questionados se planejavam investir mais na expansão da capacidade produtiva nos EUA, 62% dos entrevistados disseram que não.

Os motivos citados para o desalento, de acordo com Sonnenfeld, são as incertezas e os custos causados pelas tarifas e a política de imigração, entre outros fatores. Há críticas também à interferência no Federal Reserve e ao ‘capitalismo de estado’ praticado por Trump.

“O governo não deve escolher vencedores ou perdedores em determinados setores,” disse Nick Pinchuk, o CEO da Snap-on Tools.

Os executivos foram quase unânimes em expressar desacordo com as pressões de Trump sobre o presidente do Fed, Jerome Powell, para reduzir as taxas de juros: 80% dos entrevistados disseram que o Presidente não está agindo pelos interesses de longo prazo dos EUA.

Para 71% das pessoas ouvidas, a independência do Fed saiu enfraquecida.

Fonte: Marca Legal

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Comércio Exterior

Tarifaço: indústria nacional de madeira demite 4 mil pessoas e coloca 5,5 mil em férias coletivas

Um mês e uma semana após a entrada em vigor do tarifaço de 50% imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros, fabricantes de molduras, itens de marcenaria e madeira processada — que têm no mercado americano seu principal destino — já registraram 4 mil demissões, colocaram 5,5 mil funcionários em férias coletivas e suspenderam temporariamente o contrato de 1,1 mil trabalhadores, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci).

O setor emprega diretamente 180 mil pessoas no País e a maior parte dos fabricantes afetados pela sobretaxa está nos Estados do Sul, Paraná e Santa Catarina, sobretudo em pequenos municípios. Caso o tarifaço continue, a entidade prevê mais 4,5 mil demissões nos próximos 60 dias.

Segundo a Abimci, os cortes no emprego refletem a retração nas exportações de madeira industrializada para os EUA. Após o anúncio do tarifaço em julho, diz a entidade, os contratos e os embarques começaram a ser cancelados. Também houve queda no fechamento de novos contratos.

Exportações despencam

O resultado do tarifaço é que as exportações de alguns dos principais produtos de madeira processada para os Estados Unidos em agosto despencaram. Caíram entre 35% e 50% na comparação com julho, informa a entidade.

Paulo Pupo, superintendente da Abimci, diz que a entidade foi inúmeras vezes a Brasília para participar de reuniões como ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, que sempre demonstrou boa vontade, mas não houve ação efetiva para reverter a situação.

Puppo diz que o setor espera que tratativas ocorram em regime de urgência, porque é função do governo federal estar à frente nas negociações das tarifas, uma vez que é muito difícil o setor fazer inclusões nas ordens executivas. “É de responsabilidade do governo federal o avançar (nas negociações) para estacar o grande número de demissões que estamos tendo.”

No ano passado, os Estados Unidos importaram US$ 1,6 bilhão de madeira industrializada. Nesse grupo existem produtos para finalidades diferentes na construção civil, como compensado laminado, moldura muito usada nas casas americanas, madeira serrada para cerca, pellets, portas e pisos, por exemplo.

Os EUA concentram, em média, 50% das compras da produção nacional. Em alguns segmentos, a dependência é ainda maior, com 100% das vendas voltadas exclusivamente ao mercado americano.

Fonte: Estadão

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Evento

Brasil e China promovem em São Paulo Fórum de Cooperação Financeira

Objetivo é ampliar o diálogo bilateral

Representantes dos governos brasileiro e chinês realizaram, na tarde dessa terça-feira (16), na capital paulista, o 2º Fórum de Cooperação Financeira Brasil-China. Para a manhã desta quarta (17), está prevista a 11ª Reunião da Subcomissão Econômico-Financeira Brasil-China, que integra a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban).

De acordo com a secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito, que chefia a delegação brasileira, os encontros pretendem oferecer subsídios à agenda governamental dos dois países para incrementar o diálogo bilateral.

“Buscamos estruturar os trabalhos de forma a aprofundar o conhecimento mútuo sobre os mercados, explorar suas potencialidades, ampliar a conectividade financeira e mobilizar recursos privados para o financiamento sustentável”, disse.

Tatiana Rosito acrescentou que o evento servirá aos representantes governamentais para ouvir o setor privado dos países sobre suas prioridades, seus desafios e as potenciais parcerias, “áreas em que os governos podem atuar para facilitar, ampliar e tornar mais dinâmicas a cooperação financeira bilateral”, afirmou.

Moedas locais

O presidente do Conselho Empresarial Brasil China (CEBC), embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, destacou que o aprofundamento das relações financeiras entre os países é a nova fronteira do desenvolvimento das relações Brasil-China. De acordo com Neves, os países têm fortes laços comerciais e de investimentos, mas ainda apresentam conexões financeiras limitadas. 

“Temos avançado na facilitação das transações em moedas locais, que têm o potencial de reduzir custos, mitigar riscos cambiais e expandir os laços financeiros entre empresas de ambos os países”.

A delegação brasileira conta com integrantes dos ministério das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária, da Casa Civil, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, da Superintendência de Seguros Privados (Susep), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

A delegação chinesa tem representantes do Ministério das Relações Exteriores, da Administração Nacional de Regulação Financeira, da Comissão de Regulação de Valores Mobiliários, do Banco de Desenvolvimento da China e do Banco de Importação-Exportação da China.

Fonte: Agência Brasil

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Industria

Avança a elaboração da política industrial rumo a 2050

O Ministério da Indústria, Energia e Mineração (MIEM) realizou o segundo Conselho da Indústria, uma reunião mensal com representantes do setor privado, sindicatos, academia e autoridades do Ministério do Trabalho e Seguridade Social (MTSS); com o objetivo de desenhar uma política industrial de médio e longo prazo até 2050.

A ministra Fernanda Cardona e o diretor de Indústria, Adrián Míguez, lideraram o encontro no LATU, onde os participantes visitaram o Centro Tecnológico do Plástico, o Centro de Automação Industrial e Mecatrônica (Caime) e o Centro de Desenvolvimento de Conteúdos da Dinatel. Cardona destacou a importância de articular o setor privado, os trabalhadores e a academia em torno de uma visão integrada e territorial.

Durante o encontro, foi apresentado um projeto conjunto de diagnóstico da indústria manufatureira, elaborado pela CIU, pelo Instituto Cuesta Duarte do Pit-Cnt e pelo Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (Inefop). Esse documento permitirá identificar necessidades de produtividade, capacitação e mapeamento territorial dos trabalhadores industriais.

Está previsto analisar 12 núcleos industriais, incluindo metal-mecânico, vestuário e calçados, farmacêutico, cárneo e lácteo, com o objetivo de propor medidas que fortaleçam a competitividade regional e nacional.

O registro de trabalhadores industriais também busca facilitar a reinserção no mercado de trabalho, especialmente após o fechamento da empresa japonesa de autopeças Yazaki em Colônia e Las Piedras, que afetou cerca de 1.100 trabalhadores. Segundo Danilo Dárdano, presidente da Confederação de Sindicatos Industriais (CSI), avalia-se a extensão de benefícios e também programas de capacitação para quem está em seguro-desemprego.

Fonte: Todo Logistica News

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Negócios

Fusão entre Marfrig e BRF dá origem à MBRF: rei saudita vira sócio do colosso brasileiro com faturamento de R$ 150 bilhões e coloca o Brasil em posição ainda mais destacada no setor

O setor de alimentos brasileiro ganhou um novo capítulo histórico. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou a fusão entre Marfrig e BRF. O resultado é a criação da MBRF, um conglomerado com faturamento estimado em R$ 150 bilhões por ano.

O movimento coloca o Brasil em posição ainda mais destacada no mercado global de proteínas, porque reúne duas das maiores companhias do setor.

Além disso, traz um detalhe inédito: a entrada direta do rei da Arábia Saudita como sócio relevante, por meio do fundo soberano do país.

Participação saudita e influência internacional

A presença do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) foi decisiva. O fundo já possuía participação significativa na BRF e, com a união, passa a deter espaço ainda maior dentro da nova companhia.

Considerado um dos maiores fundos soberanos do mundo, o PIF tem histórico de investimentos em áreas estratégicas como energia, logística, tecnologia e alimentos.

Portanto, a entrada saudita não é apenas financeira, mas também política, já que amplia a projeção da MBRF em mercados do Oriente Médio e da Ásia.

Essa ligação é vista como estratégica porque a Arábia Saudita exerce forte influência comercial na região e garante credibilidade na exportação de carnes halal, requisito essencial para consumidores muçulmanos.

Duas forças que se completam

A união envolve empresas de perfis distintos, mas complementares. Marfrig é reconhecida como a maior produtora de hambúrgueres do mundo e uma das líderes em carne bovina.

Já a BRF controla marcas históricas como Sadia e Perdigão, com amplo portfólio de processados, aves e suínos.

Com a fusão, a MBRF passa a operar de ponta a ponta, do abate ao fornecimento de produtos industrializados.

Essa amplitude oferece escala global, maior solidez financeira e diversidade de portfólio, fatores que fortalecem sua posição frente a concorrentes como JBS e Minerva.

Decisão do Cade e impacto na concorrência

O aval do Cade foi concedido com algumas condicionantes para preservar a competição. Mesmo assim, não impediu a formação do grupo.

As autoridades entenderam que, embora concentrada, a nova estrutura ainda convive com outros grandes players nacionais e internacionais.

Especialistas destacam que a medida deve ampliar o peso do Brasil como fornecedor estratégico de alimentos, porque aumenta a capacidade de fechar contratos internacionais bilionários e fortalece o país como protagonista na segurança alimentar global.

A fusão é vista como mais do que um negócio empresarial. Representa também um alinhamento entre Brasil e Arábia Saudita em torno de interesses comuns no agronegócio.

A presença do rei saudita como sócio direto é simbólica porque transmite confiança ao mercado internacional.

Mas é prática ao abrir portas para novos investimentos, acordos comerciais preferenciais e ampliação das exportações de proteína brasileira.

Portanto, a MBRF nasce não apenas como gigante da carne, mas como peça estratégica no cenário mundial.

Sua criação marca um ponto de virada para o agronegócio brasileiro, que reforça sua posição como um dos pilares da alimentação global.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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Negócios

Dois suecos criaram o Flightradar24 como hobby em 2006; acabaram de vendê-lo por uma fortuna

Eles eram dois entusiastas da aviação que chegaram ao monopólio global do monitoramento aéreo, marcado por margens de lucro estratosféricas

O Flightradar24 vendeu 35% de suas ações para o fundo londrino Sprints Capital, avaliando a empresa em 500 milhões de dólares. Os fundadores embolsaram 175 milhões, mantendo o controle com os 65% restantes.

A operação torna Mikael Robertsson e Olov Lindberg bilionários, dois entusiastas da aviação que criaram a plataforma em 2006 como projeto pessoal. Hoje, o Flightradar é o líder mundial incontestável em monitoramento aéreo em tempo real.

O Flightradar24 faturou 420 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 242.700.000) em 2024, com crescimento de 18% e margem de lucro de 52%. Uma rentabilidade extraordinária no setor tecnológico.

A empresa combina três fontes principais de receita:

  1. Assinaturas premium (Silver, Gold e Business), que desbloqueiam funções avançadas como dados históricos e camadas meteorológicas.
  2. Publicidade na versão gratuita básica.
  3. Venda de dados comerciais para companhias aéreas, reguladores e empresas do setor.

O sucesso se baseia em uma rede global de mais de 30.000 receptores ADS-B operados por voluntários, que captam os sinais dos aviões. Essa infraestrutura colaborativa deu à empresa uma vantagem competitiva decisiva sobre rivais como o FlightAware.

Em fóruns como o Reddit, alguns usuários já manifestaram preocupação sobre o futuro do Flightradar sob propriedade de capital de risco. Temem que seja priorizada a monetização agressiva em detrimento da qualidade do serviço e do acesso gratuito.

Os fundadores suecos mantiveram o controle por 18 anos, construindo um monopólio de fato antes de abrir o capital — algo que ocorreu apenas parcialmente, com a dupla mantendo o controle. Uma lição de paciência estratégica.

Agora, a Sprints Capital, conhecida por seus investimentos na Hemnet e na Modular Finance, fornecerá recursos para a expansão internacional. Os fundadores garantiram uma fortuna considerável sem perder o comando de sua própria criação.

Imagem: FlightRadar24
Fonte: Xataka Brasil

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Negócios

Economista critica transição energética via mercado de carbono

Ele avalia que é necessário robusto planejamento estatal

A criação de um mercado de carbono para incentivar as empresas a substituírem suas fontes de energia “sujas”, baseada em combustíveis fósseis, para fontes “limpas” ou renováveis, não é capaz de promover a transição energética na velocidade necessária para impedir a catástrofe climática.

O alerta é do professor do Instituto de Economia da Unicamp Pedro Paulo Zahluth Bastos, em publicação recente na Phenomenal World, revista de economia política editada em Nova York.  

Construída nos últimos 30 anos sob coordenação da Organização das Nações Unidas (ONU) e concluída na COP29, em Baku, no Azerbaijão, a proposta do mercado de carbono, segundo o economista, “serviu mais para desviar a discussão do que realmente funcionar no combate à crise climática do que promover soluções significativas”.

O economista brasileiro argumenta que o mercado de carbono não é capaz de incentivar a transição energética sem um robusto planejamento estatal para substituição dos combustíveis fósseis.

“Os mercados de carbono têm estado no centro da diplomacia multilateralista sobre mudanças climáticas”, mas a solução “aprovada em Baku não resolverá esse problema”, lamenta o especialista.

Mercado de carbono

Os defensores do mercado de carbono argumentam que, ao aumentar o custo da emissão de gases do efeito estufa, seja por meio da tributação governamental ou de associações voluntárias, as empresas tenderiam a alterar suas fontes de energia para outras renováveis, acelerando assim a transição energética.

O mercado de carbono fixa cotas para emissão de gases do efeito estufa. Com isso, quem emitiu menos do que o permitido ganha créditos, que podem ser vendidos para as empresas que ultrapassaram a meta.

O pesquisador Pedro Paulo Zahluth argumenta que, ao contrário do pretendido, esse mecanismo atrasa os investimentos verdes por causa da incapacidade de fixar um preço global do carbono.

Ele aponta que há evidências de que os mercados e impostos não conseguiram encarecer o valor da emissão de carbono no valor estabelecido pelo Acordo de Paris.

“Isso cria um problema de coordenação, impossibilitando o estabelecimento de um preço internacional único para o carbono. A divergência internacional nos preços do carbono prejudica um sistema eficaz de redução das emissões globais”, avalia Pedro Paulo Zahluth.

Para o especialista, o estabelecimento de um preço do carbono por mecanismos de mercado não é capaz de sustentar a transição para energias renováveis.

“Os governos não devem confiar no poder mágico do sistema de preços para fornecer redes alternativas do nada”, alerta. 

Ele defende que, primeiro, o Estado deve criar a oferta de tecnologias verdes.

“Somente depois que essas tecnologias e infraestrutura estiverem acessíveis, o aumento dos preços do carbono poderá induzir uma substituição rápida”, avalia.

Energia renovável

O professor de economia da Unicamp acredita que, mesmo que os preços das emissões de carbono subam, as empresas continuarão a pagar por combustíveis fósseis. 

“Mesmo que os preços subam, os usuários de tecnologias poluentes e combustíveis fósseis continuarão a pagar, mesmo que empobreçam, por não conseguirem encontrar substitutos viáveis. Não existem tecnologias e infraestrutura substitutivas facilmente acessíveis, muito menos aquelas com custos comparáveis ​​às alternativas fósseis”, afirma Pedro Paulo Zahluth.

O artigo do economista cita a baixa lucratividade esperada das empresas de energia renovável como obstáculo à descarbonização da economia.  

“Enquanto o retorno anual da energia verde oscila entre 6% e 8%, em média, os bancos privados buscam financiar projetos com retornos acima de 10%, um valor tipicamente alcançado por empresas de combustíveis fósseis”, explica. 

Pedro Paulo Zahluth lembra que as empresas de petróleo e gás operam em mercados formados por oligopólios, ou cartéis, protegidos pela Organização dos Estados Produtores de Petróleo (Opep), que traz segurança para retornos mais altos e seguros dos investimentos.

Por outro lado, ainda segundo o economista, há poucas barreiras para a entrada de empresas na produção de energia renovável. 

“Como resultado, breves períodos de expansão de investimentos descoordenados são seguidos por longos períodos de superprodução, preços baixos e baixas taxas de lucro [nas indústrias de energia renovável]”, completou.

O alto custo de armazenamento de energia renovável também força as empresas a aceitar preços desfavoráveis para escoar a produção à medida que ela é gerada, segundo o professor.

“Além disso, a geração renovável exige muita terra, o que leva os produtores a buscar áreas onde a terra é mais barata, geralmente longe das redes de transmissão existentes e das áreas mais densamente povoadas onde a demanda está concentrada”, acrescentou.

Entre a assinatura do Protocolo de Kyoto, em 1997, e 2024, o consumo de combustíveis fósseis aumentou 58%. No ano da assinatura do Protocolo de Kyoto, os combustíveis fósseis representavam 85,8% da matriz energética mundial, caindo para apenas 81% em 2024.

“Como resultado, os ganhos em eficiência energética e o uso de tecnologias limpas reduziram apenas marginalmente a participação dos combustíveis fósseis na matriz energética global”, lembra o professor Bastos.

Poluidores

O professor da Unicamp destacou ainda que até 2010, 90 instituições foram responsáveis por 63% das emissões de gases do efeito estufa.

“A grande maioria dessas corporações globais estão sediadas em regiões temperadas menos impactadas pelo aquecimento global. Entre 2016 e 2022, 80% das emissões globais vieram de apenas 57 dessas corporações”, destacou.

Pedro Paulo Zahluth ressalta ainda que, durante as eleições de 2024 nos Estados Unidos as corporações de combustíveis fósseis gastaram US$ 445 milhões para eleger Donald Trump e outros políticos favoráveis ​​à energia suja. 

O governo Trump abandonou o Acordo de Paris, desmontou uma série de políticas para transição energética e tem apostado no incentivo aos combustíveis fósseis para reduzir o valor da energia, lembra o economista.

Florestas

Para o pesquisador, outra solução para reduzir o aquecimento do planeta é compensar a emissão de gases do efeito estufa por meio do aumento da conservação e regeneração de florestas. 

“Afinal, elas são capazes de absorver o carbono acumulado na atmosfera”.

Porém, o professor Pedro Paulo Zahluth sustenta que essa solução é inviável devido às limitações de terra disponível. O economista calcula que seria possível, no máximo, reflorestar cerca de 900 milhões de hectares em todo o mundo devido à degradação dos solos e o uso da terra para cidades e infraestruturas.

“Uma área capaz de absorver 205 bilhões de toneladas de carbono nas décadas necessárias para que as florestas atinjam a maturidade. Isso equivale a apenas 5 anos de emissões na taxa anual atual”, pondera.

O professor avalia, no entanto, que o mercado de carbono e a compensação florestal não devem ser descartadas e podem funcionar caso já esteja implementado e disponível “um sistema elétrico alternativo”.

“O que deve ser descartado é a ideia, prevalente na grande mídia mundial, e até mesmo na ONU, de que cobrar pelo custo social do carbono e sua compensação [florestal] pode substituir o planejamento público para a transição sociotecnológica”, afirma.

Fonte: Agência Brasil

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